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Calote em Atenas

sexta-feira, 23 de setembro, 2011

Como já era previsto, os deuses não conseguiram fazer o trabalho dos homens: não houve milagre na economia grega. A dívida, cujo crescimento já é alertado desde 2009 quando alcançou 300 bilhões de euros e 113% do seu PIB, atingiu 350 bilhões de euros e agravou de vez a situação. Os altos juros pagos justamente pelo risco de não honrar suas dívidas e a dificuldade de receber o resgate da União Européia potencializam os rumores do que já deveria ter sido feito há algum tempo segundo vários especialistas: dar um calote!

O rumor é de um calote parcial da dívida Grega. O problema grego é apenas a pontinha do Iceberg. Portugal, Irlanda e Itália estão no mesmo caminho.

E é exatamente o risco do pânico se alastrar e haver questionamentos da capacidade dos países com maior representação na Zona do Euro também possam vir a dar um calote. A Itália, por exemplo, com 120% de dívida de tudo que produz anualmente, é a maior preocupação, já que sua economia tem relevância mundial (10ª maior geradora de riquezas do mundo, segundo o FMI). Dever mais que 1,8 trilhão de dólares realmente preocupa.

Hora de olhar e aprender.

Já ouviram falar em superávit primário? Pois bem, hoje o Brasil tem, pois arrecada mais do que gasta. É um “poupador”. Mas, será que esse fato nos dá a tranqüilidade de sermos sustentável no longo prazo? Não. Porque não é para esse indicador que devemos olhar. No superávit primário, não estão inclusos gastos com juros. E quando os juros entram, a história é outra. A bola de neve aumenta e a relação dívida/PIB vai crescendo aos pouquinhos aqui no Brasil.

Hora de pisar no freio e gastar menos. Infelizmente, a corrupção corrói demais o orçamento. Sem entrar demais no âmbito político, é notório que os gastos da máquina pública com 30-e-não-sei-quantos-ministérios preocupam e não vemos uma solução para isso. Corte em gastos desnecessários no orçamento do governo, como qualquer empresa faz, levaria o Brasil para o topo das economias mundial. É preciso recuar ou equalizar o pagamento de juros para não termos um problema em 2025 como o que a Europa vive hoje.

Precisamos aprender com os erros dos outros. Por enquanto, nossos governantes acham que o futuro está longe e que algo milagroso vai acontecer no meio do caminho. O ideal é prevenir e não remediar.

Está provado que os deuses gregos falharam. Vamos deixar tudo nos ombros no nosso Deus brasileiro?