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Ouro: investimento ou especulação?

terça-feira, 6 de março, 2012

Lembro-me, quando li o livro do Décio Bazin – Faça fortuna com ações antes que seja tarde –, de ter pensado sobre o que é uma aplicação. Daquela época até hoje, para mim, só existem duas modalidades, investimento ou especulação.

Pelo conceito pensado, investimento seria tudo aquilo que poderia gerar renda: ativos financeiros, imóveis (aluguel), ações através de dividendos, etc.

especulação, seria tudo aquilo que necessita de alguém que queira pagar mais caro por qualquer objeto para que assim se ganhe dinheiro.

É rotina vermos as duas modalidades se misturarem. Imóveis sofrem especulação de seu valor, mas tem o valor do aluguel classificado como investimento porque gera uma renda.

Li um artigo recentemente na Exame.com que falava de uma entrevista de Warren Buffet que me chamou muita atenção. O guru dos mercados fala sobre 3 modalidades de aplicação e não apenas duas como eu imaginava. Ele classifica especulação da mesma forma, mas divide investimentos em duas modalidades. Ativos financeiros e ativos que produzem.

Os ativos financeiros possuem valor monetário e geram renda. São os títulos emitidos pelos governos, por exemplo. Muitas vezes descontado inflação e impostos, valorizam muito pouco em países desenvolvidos e envolve um risco elevado em países em desenvolvimento.

Ativos que geram produção são os imóveis (dividendos), ações (seu lucro), terra (cultivo), etc.

Mas o que me deixou mais curioso é a forma que ele coloca um dos investimentos do momento e para mim a bolha especulativa mais óbvia: o ouro! Segundo estimativas dele, se você fundir todo o ouro existente no mundo, haverá um cubo enorme do metal de 170 mil toneladas métricas. E o valor a ser pago com cotações atuais é uma pechincha: US$ 9,6 trilhões.

Esse valor compra todas as terras cultiváveis dos Estados Unidos e mais de 16 empresas da mais lucrativa do mundo. Ainda sobra 1 trilhão de dólares para gastar.

Números que corroboram cada vez mais que algo que não gera alimento, produtos, aluguel sofre uma enorme bolha especulativa.

Investimentos 2011

segunda-feira, 26 de dezembro, 2011

Tenho receio em fazer um post sobre esse assunto. Qual foi o melhor investimento de 2011? Qual foi o pior? A razão do meu receio é simples: não adianta tomar decisões embasadas em informações do passado. O foco que devemos ter é diversificação do risco e ganhos consistentes no longo prazo.

Contudo, respondendo às questões colocadas, podemos citar como os grandes investimentos de 2011 os imóveis, a renda fixa e o ouro.

Antes de seguir em frente, gostaria de fazer um alerta: recentemente, relendo o livro de Décio Bazin (Faça fortuna com ações antes que seja tarde), fui lembrado de um conceito importante. Investimento é tudo aquilo que gera renda. Títulos que pagam juros e ações que pagam dividendos são alguns exemplos. Qualquer outra coisa é especulação. Não há como mensurar uma aplicação se não por sua capacidade de pagar rendimentos.

Há uma especulação imobiliária? Não quero entrar nos méritos, mas certamente em alguns nichos a relação preço do imóvel real (incluindo todos os custos)/aluguel é inferior ao rendimento de poupança. A ideia dessa aplicação é de que os imóveis tendem a se valorizar por sempre existir alguém que estará disposto a pagar mais caro.

Renda fixa foi bem porque iniciamos um ano com juros altos. O destaque foi a renda fixa de inflação, já que esta ficará em torno de 6,5% no ano. Os títulos atrelados a inflação irão remunerar muito bem o seu dono. Ainda se acredita que esses títulos serão melhores do que os atrelados ao CDI. Destaque negativo para os fundos de renda fixa dos bancos que cobram pesadas taxas de administração. Ainda destaco a Renda Fixa chamada LCI. Garantido até R$70 mil pelo FGC, remunera a impressionantes 95% do CDI isento de imposto de renda.

Ouro é o “investimento” mais sem sentido que pode existir. Ele tem beleza, mas não fornece segurança, alimento ou rendimentos. É pura especulação. Já postei aqui o que acho sobre o ouro. Uma hora irá ser apagada a luz. E será um Deus nos acuda!

Vários fundos multimercados de assets independentes ficaram acima do CDI. O Ibovespa teve um ano de desvalorização diante das incertezas da economia mundial.

O determinante não pode ser simplesmente em um ou outro produto. Ou se nesse mês subiu ou caiu. O foco tem que ser macro. O Patrimônio como um todo de uma pessoa precisa estar sendo remunerado a níveis superiores dos juros  (se este estiver acima da inflação). E, lembrem-se, tudo aquilo que é investido na crença de que haverá outra pessoa pagando mais caro no futuro chama-se especulação.

 

Faça do mercado de ações um cassino: compre um mico!

quinta-feira, 1 de setembro, 2011

Nas últimas semanas, venho tendo uma grande e ótima surpresa: muita gente tem me procurado para investir em bolsa de valores, apesar da turbulência do mercado. Esse fato é o oposto do que aconteceu em 2008, quando muitos fugiram, mesmo tendo dinheiro para aplicar, e indica que uma parte dos investidores está aprendendo que as tacadas vencedoras são feitas quando se investe na crise.

Contudo, ainda há aqueles que querem fazer do mercado de ações o bilhete premiado e não trabalhar como um investimento constante ou especulação disciplinada.

No mercado de ações, podemos ser o que queremos: especulador, investidor ou jogador. O mito de enriquecer da noite para o dia nesta modalidade de investimento atrai uma quantidade de pessoas surpreendente, que imaginam ter sorte suficiente para tirar o bilhete premiado e ficar rica da noite para o dia.

Lembro-me bem do dia em que fui procurado por um cliente para investir nas ações da Telebrás. A justificativa? O jornal dizia que a ação estava com uma valorização de 35.000%!!! Qual a razão para tanto rendimento? Uma especulação desenfreada sobre uma empresa que nada vale. As informações existem, mas não têm fundamentos; são apenas boatos. Os preços não batem com a mais otimista das análises multiplicada por 20. Esse é típico ativo a que chamamos de MICO: empresas que na verdade não valem nada, mas tem seu preço explodindo por um motivo que muitos nem conhecem e não querem saber. Geralmente o motivo nem existe.

O caso mais recente se refere à Mundial (MNDL4). A empresa tomou conta do noticiário financeiro depois de iniciar um processo de alta em suas ações. Saiu de aproximadamente R$0,30 para R$5,24 em apenas 4 meses. Quanto mais subia, mais investidores atraia. Valorização de 1.646% no período. Várias notícias circulavam no mercado sobre melhora na empresa. Mas, mesmo com tudo aquilo acontecendo, o preço era surreal. Especulação era o nome do negócio.

E aí é onde começaram os problemas: três dias após ter alcançado a cotação máxima, a ação declinou de seu topo mais de 90%. Como o mercado de ações é praticamente uma troca de riquezas, quem entrou antes da alta, fez dinheiro. Mas quem entrou depois, apagou a luz e pode ter perdido quase todo o seu capital investido em apenas alguns dias.

Fonte: Nelogica

Pessoas que procuram os MICOS imaginam comprar no preço mais barato e vender no mais caro. Mas isso é só presunção. Não caiam nessa! É difícil prever quando uma alta dessas irá se iniciar e mais difícil ainda prever quando ela irá terminar. Vender se subir 100% ou subir 200%? Como saber?

Investidores que iniciam esse processo são especuladores profissionais e sabem o que estão fazendo. Os desavisados, sem gestão de risco, são atraídos pelo dinheiro fácil e acabam dando oportunidade para a saída de grandes posições dos especuladores. No fim do ciclo, ficam com o MICO na mão.