Por Cláudia Santos*

Uma pilha pode fazer muita falta. Principalmente quando marca o ritmo da redação. Na quinta-feira, véspera de feriado e na correria do típico fechamento de duas edições, com direito a pescoção, nem todo mundo se deu conta. Mas no domingo, quase atrasa a edição do dia seguinte. Uma das editoras de plantão esperava tranquilamente por uma foto que chegaria da rua para fechar a edição de Últimas Notícias. Também checava as notícias de última hora. Nem se rendeu aos apelos do editor executivo, que alertava que não havia tempo hábil para isso. “Calma, são só 21h40”, disse ela, conferindo os ponteiros à sua frante. Só correu desesperada com a foto quando descobriu que já passavam das 23h e a edição deveria estar fechada.Tomou um tremendo susto.

Mas não foi só ela que se enganou. O relógio atrasado atrapalhou muita gente. Até por costume. Mesmo com um deles no pulso e o do computador, sempre me guio pelo relógio de parede que fica a alguns metros à minha frente, sem precisar fazer esforço para ver as horas (das reuniões, do almoço, do fechamento). Há quem se incomode ainda mais. Uma repórter não quis arriscar e trouxe de casa as pilhas na segunda-feira. Nem precisou. O relógio já estava acertado.

Cláudia Santos é editora de Economia