Emerson Sobral, de árbitro recordista de mata-matas e geladeiras a diretor da Ceaf

Emerson Sobral como árbitro e dirigente. Fotos: Ricardo Fernandes/DP e FPF/divulgação

A formação de Emerson Sobral na arbitragem ocorreu em 1995. Trabalhou no futebol pernambucano, onde chegou a obter a categoria “CBF”, deixando o quadro em 2017, já aos 43 anos. Na verdade, ocorreu uma transferência, assumindo imediatamente a Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol, a Ceaf-PE, no lugar de Salmo Valentim. Como se sabe, o quadro local não é dos melhores – na visão do blog -, com um número elevado de lambanças. E Emerson Sobral está intimamente ligado a isso. Embora seja o recordista de jogos na fase decisiva do Campeonato Pernambucano, com sete aparições entre semifinais e finais (apitou a decisão de 2015), o agora dirigente também acumulou o maior número de punições por erros cometidos. Nesta década, foi três vezes para a “geladeira” (abaixo), sendo duas no cenário local e uma no Brasileirão. Com essa experiência, terá bastante trabalho a partir de agora.

“Participamos de um dos estaduais reconhecidamente mais difíceis do país pela sua tradição e competitividade e tudo isso nos coloca como sendo um dos melhores quadros de árbitros do Brasil.”

18/01/2012 (punido no Estadual)
Afastado ao errar em dois jogos. No 1º, deixou de expulsar o zagueiro André Oliveira, do Santa. No 2º, não marcou um pênalti em cima de Rogério, do Náutico, e depois assinalou um pênalti inexistente sobre o mesmo jogador.

24/03/2013 (punido no Estadual)
No jogo Ypiranga 2 x 2 Sport, na oitava rodada do segundo turno, assinalou um pênalti polêmico para a Máquina de Costura e marcou uma falta inexistente aos 44 do 2º tempo, no lance que acabou saindo o último gol.

02/09/2015 (punido na Série A)
Na partida entre Ponte Preta e Cruzeiro, pelo Brasileirão, em Campinas, deixou de marcar dois pênaltis, um para cada time. No caso do time mineiro, marcou a falta fora da área. No lance da Macaca, sequer assinalou falta.

Número de jogos de Sobral no Pernambucano (e o % sobre o torneio)
2014 – 16 jogos (11,4% de 140)
2015 – 14 jogos (11,2% de 124)
2016 – 11 jogos (11,4% de 96)
2017 – 11 jogos (11,5% de 95)

Ranking de jogos no mata-mata do Pernambucano (desde 2010)
7 partidas – Emerson Sobral (PE)
6 partidas – Sebastião Rufino Filho (PE)
4 partidas – Nielson Nogueira (PE)
3 partidas – Gilberto Castro Júnior (PE) e Marcelo de Lima Henrique (Fifa-RJ / PE) e Wilton Sampaio (Fifa-GO)

Confira a lista completa de árbitros no mata-mata local clicando aqui.

Decisão do Estadual com árbitro do quadro da Fifa pela 4ª vez em 8 anos

Wilton Sampaio, árbitro do quadro da Fifa. Crédito: Associação Nacional de Árbitros de Futebol (anaf.com.br)

O goiano Wilton Pereira Sampaio, de 35 anos, foi o árbitro escolhido para trabalhar na decisão do Campeonato Pernambucano de 2017, em 18 de junho. Assim, o jogo de volta entre Salgueiro e Sport terá um integrante do quadro do Fifa, o que não acontecia no futebol local desde 2014 – no empate em 1 x 1, na ida, foi José Woshington, do quadro da Ceaf. Considerando o formato atual da competição, com semifinal e final, desde 2010, esta em 4ª vez em 8 anos que um árbitro da Fifa apita a grande final.

Sampaio, que trabalhou em 16 jogos do último Campeonato Brasileiro, ostenta desde 2003 o emblema da Fifa, restrito a dez nomes por ano. No estado, Sampaio já apitou dois mata-matas. Os jogos de ida da semi entre Santa e Náutico em 2010 (0 x 0) e da final entre Sport e Náutico (2 x 0) em 2014.

Em relação ao árbitro de vídeo, a FPF aguarda novo aval da International Football Association Board (Ifab), o órgão que regulamenta as regras, para a utilização do recurso eletrônico no Cornélio de Barros. Para o bem de Wilton.

Os árbitros das decisões pernambucanas neste século:

2001 – Santa Cruz 0 x 2 Náutico* – Antônio André (PE)
2002 – Santa Cruz 2 x 1 Náutico* – Wilson Souza (Fifa-PE)
2003 – Sport* 2 x 2 Santa Cruz – Wilson Souza (Fifa-PE)
2004 – Santa Cruz 0 x 3 Náutico* – Patrício Souza (PE)
2006 – Sport* (5) 0 x 1 (4) Santa Cruz – Djalma Beltrami (Fifa-RJ)
2010 – Sport* 1 x 0 Náutico – Alicio Pena Júnior (MG)
2011 – Santa Cruz* 0 x 1 Sport – Sálvio Spinola (Fifa-SP)
2012 – Sport 2 x 3 Santa Cruz* – Sandro Meira Ricci (Fifa-PE)
2013 – Sport 0 x 2 Santa Cruz* – Gilberto Castro Júnior (PE)
2014 – Náutico 0 x 1 Sport* – Leandro Vuaden (Fifa-RS)
2015 – Santa Cruz* 1 x 0 Salgueiro – Emerson Sobral (PE)
2016 – Sport 0 x 0 Santa Cruz* – Sebastião Rufino Filho (PE)
2017 – Salgueiro x Sport – Wilton Sampaio (Fifa-GO)
* Campeão

Balanço: 13 finais em 17 anos, com 7 árbitros da Fifa

Confira a lista de árbitros nos mata-matas desde 2010 clicando aqui.

De R$ 900 a R$ 4.210, as taxas de árbitros no Pernambucano 2017. O mandante paga

A taxa de arbitragem na fase final do Campeonato Pernambucano de 2017. Crédito: FPF/reprodução

Além da taxa de 8% sobre a renda bruta dos jogos, a FPF ainda cobra outros encargos aos clubes no Campeonato Pernambucano. Em 2017, os mandantes precisam pagar por inúmeros serviços administrativos para a realização da peleja, ampliados a cada fase. Se na etapa preliminar basta a arbitragem e um delegado de jogo, no mata-mata são dez funções! Árbitro, dois assistentes, 4º árbitro, delegado especial de arbitragem, assessor de arbitragem, delegado do jogo, supervisor de protocolo, assessor de protocolo e fiscal da FPF.

Além disso, cada partida é precificada de uma forma. Logo, os valores da final são bem maiores que os da primeira fase. Somando essas taxas de funções, o gasto vai de R$ 2.725 a R$ 14.957 – no caso dos assistentes, a cota equivale a 75% do valor pago ao árbitro, com o 4º árbitro tendo 35% no mesmo modelo. Em comparação com o ano passado, um aumento de 8,4%. No caso do Árbitro Fifa, R$ 322 a mais. Não para aí. Também há a despesa com diárias para os árbitros. Em vez de estipular metas de distância, como e 2016, desta vez a federação já determinou o valor de cada cidade, com Salgueiro sendo a mais cara, R$ 210.

A responsabilidade de pagamento do mandante não é regra. Num viés local, basta dizer que na Copa do Nordeste as taxas de arbitragem são pagas pela CBF. No estado, os valores foram estipulados pela diretoria de competições da federação e pela comissão de arbitragem. No documento de 4 de janeiro, as assinaturas dos respectivos diretores, Murilo Falcão e Salmo Valentim.

Os “clássicos” envolvem, claro, os jogos entre Náutico, Santa e Sport, com até cinco categorias de árbitro – com os níveis CBF e Fifa sendo mais requisitados.

Taxa de arbitragem do Campeonato Pernambucano em 2017. Arte: Cassio Zirpoli/DP

O quadro seguinte é válido no hexagonal do título, nos jogos do Trio de Ferro no Recife diante dos três classificados da fase preliminar. No Arruda, Arena Pernambuco e Ilha do Retiro os jogos já contam com dez funções.

Taxa de arbitragem do Campeonato Pernambucano em 2017. Arte: Cassio Zirpoli/DP

Os jogos entre clubes intermediários (nove clubes ao todo) têm um preço diferente, necessitando de apenas uma função administrativa. Cenário válido na fase preliminar e hexagonais do título e da permanência. Ou seja, a tabela só mudaria num confronto do tipo a partir da semifinal (o que nunca ocorreu).

Taxa de arbitragem do Campeonato Pernambucano em 2017. Arte: Cassio Zirpoli/DP

Começa a Escola de Árbitros Sherlock, para substituir Sobral, Nielson, Mercante

Aula inaugual da Escolha de Árbitros Sherlock, da FPF, em 11/12/2015. Foto: Fernanda Durão/FPF

Serão dez meses de aulas teóricas e práticas. Ao todo, 48 alunos encararam uma dura realidade no futebol. Enquanto muitos jovens encaram peneiras em busca do sonho de se tornar um jogador, essa turma quer fazer parte do jogo apitando, consciente da pressão e desconfiança. A Escola de Formação de Árbitros Sherlock, criada pela FPF, visa renovar o quadro de árbitros da entidade, carente de bons nomes, com um esvaziamento técnico a cada ano.

Homenageando o juiz com mais partidas em Pernambuco, Argemiro Félix de Sena, com 353 jogos entre 1935 e 1963, o curso foi instituído em 4 de abril de 2014, mas só agora, em 11 de dezembro de 2015, houve a aula inaugural, numa parceria entre a Faculdade Osman Lins e o Sindicato dos Árbitros de Pernambuco. As primeiras instruções vieram de Alício Pena Júnior, ex-árbitro da Fifa e aposentado há duas temporadas. No estado, ele apitou as finais da Copa do Brasil em 2008 e do Campeonato Pernambucano em 2010.

Entre as sete especificações do curso, destaco:
a) Propiciar meios para a formação inicial e continuada, a especialização e o aprimoramento e atualização dos árbitros, assistentes e assessores. 

f) Elaborar estudos estatísticos sobre o desempenho dos árbitros ocorridas nas competições estaduais e nacionais. 

g) Colaborar para a difusão de conhecimento especializado, mediante apresentação de trabalhos técnicos em congressos ou reuniões técnicas estaduais e, se for o caso, nacionais e internacionais.

Em outubro de 2016, portanto, os primeiros alunos serão formados na Escola Sherlock. Quem sabe, essa safra poderá suceder em alguns anos, nos principais campeonatos locais, nomes como Emerson Sobral, Nielson Nogueira, Cláudio Mercante, Gilberto Castro Júnior, Sebastião Rufino Filho…

Aula inaugual da Escolha de Árbitros Sherlock, da FPF, em 11/12/2015. Foto: Fernanda Durão/FPF

O custo de um árbitro a cada jogo nas principais ligas nacionais de 2015

Escudo da arbitragem brasileira. Crédito: CBF

As seguidas (e justas) críticas ao trabalho dos árbitros no Brasileirão de 2015 levantou mais uma vez sobre a estrutura atual de arbitragem, bastante falha. Tanto na preparação quanto no controle. Um caso local, o árbitro Emerson Sobral, serve como exemplo, sendo ao mesmo tempo o recordista de jogos decisivos no Estadual e também de punições desde 2010. Em defesa dos árbitros e assistentes, há de se ressaltar o amadorismo da categoria em um meio marcado por receitas cada vez maiores aos demais atores.

Um quadro produzido pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) e divulgado no programa Seleção Sportv comparou a situação dos árbitros brazucas a outras ligas tradicionais, com as cotas cada um nos campeonatos nacionais da primeira divisão em 2015 (entre as principais, falou a Bundesliga). Além de o valor por jogo ser o mais baixo, o Brasil ainda tem a particularidade de não ter receita mensal. Só em outro lugar acontecer isso, na Premier League. Entretanto, cada juiz inglês receber R$ 100 mil por jogo, podendo chegar a renda mensal de até 400 mil reais (ou 68 mil libras esterlinas, a moeda inglesa).

Na prática, apenas os dez árbitros brasileiros com a insígnia da Fifa têm uma condição financeira mais favorável, devido ao maior repasse.

Cota do árbitro por jogo (R$)
100 mil – Inglaterra
17,0 mil – Itália
15,5 mil – Espanha
10,0 mil – França
2,6 mil – Argentina
2,6 mil – Brasil

Salário do árbitro (R$)*
46,2 mil – Espanha
33,6 mil – Itália
11,5 mil – França
18,0 mil – Argentina
*Na Inglaterra e no Brasil não há remuneração fixa. 

No Brasil, até a década de 1990, o pagamento ao trio de arbitragem era atrelado às bilheterias das partidas. O trio ganhava 1% da renda bruta, sendo 0,5% para o árbitro e 0,25% para cada assistente. Voltando ao presente, o contraponto sobre o amadorismo. Que a arbitragem seja profissionalizada pela CBF (Por que a resistência?), acabando os “bicos” e criando uma tendência de melhora técnica, para resultados mais justos. Paralelamente a isso, aumentará a cobrança por bons trabalhos, sem espaço para desculpas esfarrapadas.

Marcelo de Lima e Emerson Sobral, os árbitros das finais do Estadual de 2015

Marcelo de Lima Henrique e Emerson Sobral, os árbitros das finais do Pernambucano de 2015, entre Santa Cruz e Salgueiro. Fotos: Ricardo Fernandes e Paulo Paiva, ambos do DP/D.A Press

Marcelo de Lima Henrique e Emerson Sobral foram os árbitros sorteados para a final do Campeonato Pernambucano de 2015, entre Santa Cruz e Salgueiro. O primeiro nome, ex-integrante do quadro da Fifa, apitará o jogo no Cornélio de Barros, enquanto o segundo será o juiz na finalissíma, no Arruda.

Em relação aos dois nomes, algumas curioridades. Marcelo já foi o juiz do jogo de ida de uma decisão pernambucana. Em 2010, trabalhou no clássico Náutico 3 x 2 Sport, nos Aflitos. Veio como “árbitro de fora’, pois fazia parte do quadro do Rio de Janeiro – ao contrário deste ano, no qual foi contratado pela FPF.

Já Sobral se tornará o recordista de de partidas nos mata-matas desde a implantação do sistema, em 2010. Somando semifinal e final, ele chega a cinco jogos, deixando Rufininho e Nielson, com quatro, em segundo lugar.

Ainda sobre Emerson, vale lembrar que ele já foi duas vezes para geladeira neste período do Estadual, em 2012 e 2013, após análise da Comissão de Arbitragem (Ceaf). Dois anos depois, como prêmio pela “reabilitação”, a decisão.

Com a escala definida para a final, a edição de 2015 se junta a 2012 e 2013, todas com as seis principais partidas apitadas por árbitros locais. A única final na qual os dois jogos tiveram nomes da Fifa aconteceu em 2014.

2010
Semifinal
Central 0 x 3 Sport – Alício Pena Júnior (MG)
Sport 1 x 0 Central – Leandro Vuaden (Fifa-RS)
Santa Cruz 0 x 0 Náutico – Wilton Sampaio (DF)
Náutico 1 x 0 Santa Cruz – Wilson Luís Seneme (Fifa-SP)

Final
Náutico 3 x 2 Sport – Marcelo de Lima Henrique (Fifa-RJ)
Sport 1 x 0 Náutico – Alicio Pena Júnior (MG)

2011
Semifinal
Sport 3 x 1 Náutico – Cláudio Mercante (PE)
Náutico 3 x 2 Sport – Sálvio Spínola (Fifa-SP)
Porto 1 x 2 Santa Cruz – Emerson Sobral (PE)
Santa Cruz 3 x 1 Porto – Emerson Sobral (PE)

Final
Sport 0 x 2 Santa Cruz – Cláudio Mercante (PE)
Santa Cruz 0 x 1 Sport – Sálvio Spinola (Fifa-SP)

2012
Semifinal
Náutico 1 x 2 Sport – Ricardo Tavares (PE)
Salgueiro 2 x 1 Santa Cruz – Nielson Nogueira (PE)
Sport 0 x 0 Náutico – Sandro Meira Ricci (Fifa-PE)
Santa Cruz 3 x 1 Salgueiro – Sebastião Rufino Filho (PE)

Final
Santa Cruz 0 x 0 Sport – Neilson Santos (PE)
Sport 2 x 3 Santa Cruz – Sandro Meira Ricci (Fifa-PE)

2013
Semifinal
Santa Cruz 1 x 0 Náutico – Gleyson Leite (PE)
Náutico 2 x 1 Santa Cruz – Gilberto Castro Júnior (PE)
Ypiranga 1 x 5 Sport – Nielson Nogueira (PE)
Sport 4 x 2 Ypiranga – Tiago Nascimento (PE)

Final
Santa Cruz 1 x 0 Sport – Nielson Nogueira (PE)
Sport 0 x 2 Santa Cruz – Gilberto Castro Júnior (PE)

2014
Semifinal
Santa Cruz 3 x 0 Sport – Gilberto Castro Júnior (PE)
Sport (5) 1 x 0 (3) Santa Cruz – Sebastião Rufino Filho (PE)
Salgueiro 2 x 0 Náutico – Sebastião Rufino Filho (PE)
Náutico (5) 1 x 0 (3) Salgueiro – Emerson Sobral (PE)

Final
Sport 2 x 0 Náutico – Wilton Sampaio (Fifa-GO)
Náutico 0 x 1 Sport – Leandro Vuaden (Fifa-RS)

2015
Semifinal
Santa Cruz 4 x 0 Central – Sebastião Rufino Filho (PE)
Salgueiro 2 x 0 Sport – Emerson Sobral (PE)
Sport 1 x 1 Salgueiro – Marcelo de Lima Henrique (PE)
Central 0 x 2 Santa Cruz – Nielson Nogueira (PE)

Final
Salgueiro x Santa Cruz – Marcelo de Lima de Henrique (PE)
Santa Cruz x Salgueiro – Emerson Sobral (PE)

Ranking de jogos no mata-mata

5 partidas
Emerson Sobral (PE)

4 partidas
Sebastião Rufino Filho (PE) e Nielson Nogueira (PE)

3 partidas
Gilberto Castro Júnior (PE) e Marcelo de Lima Henrique (Fifa-RJ / PE)

2 partidas
Alício Pena Júnior (MG), Cláudio Mercante (PE), Sálvio Spínola (Fifa-SP), Sandro Meira Ricci (Fifa-PE), Wilton Sampaio (Fifa-GO), Leandro Vuaden (Fifa-RS)

1 partida
Wilson Luís Seneme (Fifa-SP), Ricardo Tavares (PE), Neilson Santos (PE), Gleyson Leite (PE) e Tiago Nascimento (PE)

Árbitros dos mata-matas pernambucanos

Árbitros dos mata-matas do Campeonato Pernambucano de 2010 a 2014: Sandro Meira Ricci, Nielson Nogueira, Emerson Sobral, Gilberto Castro Júnior, Sebastião Rufino Filho e Leandro Vuaden. Fotos: Diario de Pernambuco (DP/D.A Press)

Atualizado até o dia 23/03/2017

Homens de preto, laranja, verde limão, amarelo, azul… Todos com um apito.

Os árbitros sorteados na sede da FPF para a fase decisiva do Estadual estão entre os mais pressionados. Algo natural numa fase decisiva. O sistema de semifinal e final foi implantando no futebol pernambucano em 2010. Desde então, a competição é decidida apenas em mata-matas, com seis partidas do tipo a cada edição.

Em 2012, 2013, 2015 e 2016, todos os jogos foram apitados por juízes do quadro local, incluindo Sandro Meira Ricci, com status Fifa e contratado pela FPF após se desligar da federação do Distrito Federal, e Marcelo de Lima Henrique, oriundo do Rio de Janeiro.

O campeonato de 2014, o centésimo da história, foi o primeiro desta nova era com dois árbitros Fifa, ambos de fora do quadro da Ceaf. A partir de 2018 a fase mata-mata começou a partir das quartas de final, em jogo único.

Confira a lista completa de árbitros, cada um com a sua camisa específica.

2010
Semifinal
Central 0 x 3 Sport – Alício Pena Júnior (MG)
Sport 1 x 0 Central – Leandro Vuaden (Fifa-RS)
Santa Cruz 0 x 0 Náutico – Wilton Sampaio (DF)
Náutico 1 x 0 Santa Cruz – Wilson Luís Seneme (Fifa-SP)

Final
Náutico 3 x 2 Sport – Marcelo de Lima Henrique (Fifa-RJ)
Sport 1 x 0 Náutico – Alicio Pena Júnior (MG)

2011
Semifinal
Sport 3 x 1 Náutico – Cláudio Mercante (PE)
Náutico 3 x 2 Sport – Sálvio Spínola (Fifa-SP)
Porto 1 x 2 Santa Cruz – Emerson Sobral (PE)
Santa Cruz 3 x 1 Porto – Emerson Sobral (PE)

Final
Sport 0 x 2 Santa Cruz – Cláudio Mercante (PE)
Santa Cruz 0 x 1 Sport – Sálvio Spinola (Fifa-SP)

2012
Semifinal
Náutico 1 x 2 Sport – Ricardo Tavares (PE)
Salgueiro 2 x 1 Santa Cruz – Nielson Nogueira (PE)
Sport 0 x 0 Náutico – Sandro Meira Ricci (Fifa-PE)
Santa Cruz 3 x 1 Salgueiro – Sebastião Rufino Filho (PE)

Final
Santa Cruz 0 x 0 Sport – Neilson Santos (PE)
Sport 2 x 3 Santa Cruz – Sandro Meira Ricci (Fifa-PE)

2013
Semifinal
Santa Cruz 1 x 0 Náutico – Gleyson Leite (PE)
Náutico 2 x 1 Santa Cruz – Gilberto Castro Júnior (PE)
Ypiranga 1 x 5 Sport – Nielson Nogueira (PE)
Sport 4 x 2 Ypiranga – Tiago Nascimento (PE)

Final
Santa Cruz 1 x 0 Sport – Nielson Nogueira (PE)
Sport 0 x 2 Santa Cruz – Gilberto Castro Júnior (PE)

2014
Semifinal
Santa Cruz 3 x 0 Sport – Gilberto Castro Júnior (PE)
Sport (5) 1 x 0 (3) Santa Cruz – Sebastião Rufino Filho (PE)
Salgueiro 2 x 0 Náutico – Sebastião Rufino Filho (PE)
Náutico (5) 1 x 0 (3) Salgueiro – Emerson Sobral (PE)

Final
Sport 2 x 0 Náutico – Wilton Sampaio (Fifa-GO)
Náutico 0 x 1 Sport – Leandro Vuaden (Fifa-RS)

2015
Semifinal
Santa Cruz 4 x 0 Central – Sebastião Rufino Filho (PE)
Salgueiro 2 x 0 Sport – Emerson Sobral (PE)
Sport 1 x 1 Salgueiro – Marcelo de Lima Henrique (PE)
Central 0 x 2 Santa Cruz – Nielson Nogueira (PE)

Final
Salgueiro 0 x 0 Santa Cruz – Marcelo de Lima de Henrique (PE)
Santa Cruz 1 x 0 Salgueiro – Emerson Sobral (PE)

2016
Semifinal
Santa Cruz 3 x 1 Náutico – Sebastião Rufino Filho (PE)
Sport 1 x 0 Salgueiro – Tiago Nascimento (PE)
Náutico 1 x 2 Santa Cruz – Emerson Sobral (PE)
Salgueiro (4) 1 x 0 (5) Sport – Gleydson Leite (PE)

Final
Santa Cruz 1 x 0 Sport – Emerson Sobral (PE)
Sport 0 x 0 Santa Cruz – Sebastião Rufino Filho (PE)

2017
Semifinal
Santa Cruz 1 x 0 Salgueiro – Deborah Cecília (PE)
Sport 3 x 2 Náutico  – Wagner do Nascimento (Fifa-RJ)
Salgueiro 2 x 0 Santa Cruz – José Woshington (PE)
Náutico 1 x 1 Sport – Anderson Daronco (Fifa-RS)

Final
Sport 1 x 1 Salgueiro – José Woshington (PE)
Salgueiro 0 x 1 Sport – Wilton Sampaio (Fifa-GO)

2018
Quartas de final
Sport 3 x 0 Santa Cruz – Nielson Nogueira (PE)
Central 3 x 2 América – Péricles Bassols (PE)
Salgueiro 1 x 0 Vitória – Luiz Sobral (PE)
Náutico 1 x 0 Afogados – Gilberto Castro Júnior (PE)

Semifinal
Central 1 x 0 Sport – Ricardo Marques (Fifa-MG)
Náutico x Salgueiro – Tiago Nascimento (PE)

Ranking de jogos no mata-mata

7 partidas
Emerson Sobral (PE)

6 partidas
Sebastião Rufino Filho (PE)

5 partidas
Nielson Nogueira (PE)

4 partidas
Gilberto Castro Júnior (PE)

3 partidas
Marcelo de Lima Henrique (Fifa-RJ / PE) e Wilton Sampaio (Fifa-GO) e Tiago Nascimento (PE)

2 partidas
Alício Pena Júnior (MG), Cláudio Mercante (PE), Sálvio Spínola (Fifa-SP), Sandro Meira Ricci (Fifa-PE), Leandro Vuaden (Fifa-RS), Gleydson Leite (PE) e José Woshington (PE)

1 partida
Wilson Luís Seneme (Fifa-SP), Ricardo Tavares (PE), Neilson Santos (PE), Deborah Cecília (PE), Wagner do Nascimento (Fifa-RJ), Anderson Daronco (Fifa-RS), Péricles Bassols (PE), Luiz Sobral (PE) e Ricardo Marques (Fifa-MG)

Saiu no globo um árbitro Fifa para a final pernambucana, direto de Goiás

Sorteio do trio de arbitragem para Sport x Náutico, o 1º jogo da final do Estadual de 2014. Crédito: FPF/divulgação

O sorteio do árbitro para o primeiro jogo da final do campeonato estadual de 2014 aconteceu na sede da Federação Pernambucana de Futebol.

Como sempre, os representantes dos clubes envolvidos ficaram atentos ao globinho de bingo. E o nome sorteado foi… Wilton Pereira Sampaio.

Não reconhece o nome?

Pois é. Não faz parte do quadro da Comissão Estadual de Arbitragem, a Ceaf.

Ao contrário do que dizia o presidente da FPF, Evandro Carvalho (“o regulamento não permite árbitros de fora), a decisão terá um juiz à parte do quadro local.

A explicação vem das várias reclamações dos clubes aos juízes locais.

E o único “Árbitro Fifa” ligado ao estado, Sandro Meira Ricci, está em fase treinamento para a Copa do Mundo.

Porém, Wilton Sampaio também tem o emblema da Fifa. É o mais novo entre os dez brasileiros na entidade. E também o mais novo, 32 anos.

Ele entrou para o quadro internacional em 2013, na temporada seguinte ao prêmio de melhor árbitro do Brasileirão, no qual atuou 16 vezes.

Mas que fique claro… ele será pressionado pelos dirigentes das duas torcidas.

Com a decisão, a FPF deve sortear outro árbitro de fora para o segundo jogo?

Quadro de árbitros brasileiros na Fifa em 2014. Crédito: Site Oficial da Fifa

A experiência de Sherlock como ideal na escola dos novos árbitros do estado

Argemiro Félix, o Sherlock, árbitro do futebol pernambucano nas décadas de 1940, 1950 e 1960. Fotos: Arquivo/DP/D.A Press

Reconhecido pela qualidade técnica, Argemiro Félix de Sena foi o árbitro que mais apitou na história do futebol pernambucano. Em 28 anos de carreira, foram 353 jogos no estado, segundo os dados do pesquisador Carlos Celso Cordeiro.

Argemiro foi o primeiro juiz de Pernambuco no quadro da Fifa. Com um uniforme todo preto, costumava gritar “É a lei!” ao ser interpelado pelos jogadores. E olhe que era comum mandar uns dois pra fora a cada noventa minutos…

Figura emblemática nos gramados recifenses, ele era conhecido como Sherlock, num apelido oriundo desde a juventude devido à fixação nos livros de Sherlock Holmes, o investigador criado pelo escritor escocês Conan Doyle.

Após pendurar o apito, também trabalhou no departamento de árbitros da FPF. Sherlock faleceu em 1991, aos 81 anos. Por todo este histórico, acabou homenageado em uma ideia que pretende requalificar a categoria no estado.

A FPF acaba de criar a Escola de Formação de Árbitros Sherlock, com o objetivo de renovar o (conturbado) quadro. São sete diretrizes, segundo a resolução, incluindo a formação inicial e continuada de árbitros, especialização, intercâmbios etc. O primeiro diretor-presidente será Salmo Valentim.

Na sua opinião, em quantos anos a Ceaf terá um quadro de formandos decente?

Árbitros que mais apitaram em Pernambuco
353 – Argemiro Félix
320 – Sebastião Rufino
261 – Manoel Amaro
253 – Gilson Cordeiro
214 – Wilson Souza

1º jogo de Sherlock: 12/05/1935 – Sport 5 x 4 Náutico (Estadual)
353º jogo de Sherlock: 02/06/1963 – Igarassu 1 x 1 Pesqueira (Copa do Interior)

Quando uma entrevista derruba um árbitro sob pressão

Comunicado da FPF sobre a arbitragem no Estadual de 2014. Crédito: Site Oficial da FPF

A notícia do dia era a volta de Cláudio Mercante aos clássicos pernambucanos. Após três anos afastado, contabilizando 31 clássicos no hiato, o árbitro voltava a ser confirmado para um partida de grande porte no estado.

A pauta jornalística era ouvir o juiz, saber sobre o seu momento na carreira, com a regeneração no quadro de árbitros da Federação Pernambucana de Futebol.

Ao repórter João de Andrade Neto, do Diario de Pernambuco, Mercante concedeu uma entrevista e se mostrou tranquilo com o retorno. Na conversa, no entanto, revelou detalhes surpreendentes sobre o seu afastamento em 2011.

Cláudio Mercante“Errei e reconheço isso. Mas na época trabalhávamos com muita pressão e não poderíamos expulsar ninguém no começo do jogo. E infelizmente aconteceu aquele lance (Thiago Mathias derrubando Bruno Mineiro na meia-lua, nos primeiros segundos da primeira final do Estadual). Deveria ter aplicado a regra e expulsado o jogador do Santa Cruz. Mas existia essa determinação da diretoria de não expulsar nenhum jogador no início das partidas. Se fosse o contrário, se fosse com um zagueiro do Sport, também não expulsaria. Essa partida me marcou porque não pude aplicar a regra do jogo. Mesmo assim levei o restante da partida bem emocionalmente. Do contrário poderia fazer mais besteira durante o jogo”.

Era óbvio que as palavras resultariam em inúmeras opiniões e consequências. Presidentes do Santa, Sport, da FPF, comissão de arbitragem, ex-diretores etc. A indignação tinha mão dupla. Pela veracidade ou não das declarações.

Na sexta, a FPF divulgou um comunicado da Comissão Estadual de Arbitragem (Ceaf-PE) recomendando que os árbitros não sejam mais entrevistados.

Foi um indício de que a escala estava por um triz. A pressão sobre a atuação de Mercante seria imensa, sem direito erro. Neste sábado, a 24 horas da partida, o afastamento oficial. Segundo a entidade, o pedido foi do juiz (veja aqui).

É possível afirmar que Cláudio Mercante passa a ser um nome riscado nos clássicos? Na verdade, já era. Ainda mais agora, após as revelações sobre os supostos bastidores do futebol local. Tudo a partir de um trabalho jornalístico…

Atualização: Gilberto Castro Júnior foi o nome sorteado em caráter de urgência.