O dia em que os estudantes pararam o Recife pela segunda vez

 

 

Estudantes e policiais voltaram a entrar em confronto ontem, em novo protesto organizado pelo Comitê contra o Aumento das Passagens, no Centro do Recife. Os manifestantes fecharam alguns cruzamentos importantes como o da Avenida Conde da Boa Vista com a Rua da Aurora, na Boa Vista, sendo esse o principal motivo para a ação dos policiais, segundo a PM. Para tentar dispersar os manifestantes, os policiais recorreram a spray de pimenta e bombas de efeito moral. Mesmo sob forte chuva, o protesto se estendeu por quase três horas e foram entregues rosas. Em alguns momentos, os policiais foram agredidos com pedras. As novas tarifas valem desde o último domingo.

Mais estudantes foram detidos. A Polícia Militar informou que  “todos envolvidos em práticas delituosas”. Foram encaminhados para a Delegacia de Santo Amaro e a Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente. Nas duas unidades, o Diario localizou quatro estudantes, entre eles uma adolescente de 14 anos e uma jovem de 26. Todos foram liberados. Dois estudantes ficaram feridos. Um deles afirma que levou um murro no rosto, supostamente desferido por um policial. Hoje pela manhã, os estudantes prometem caminhada entre a Faculdade de Direito do Recife e a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) para denunciar as supostas agressões. “A nossa disposição continua a mesma. Somos contra o aumento das passagens”, contou Thauan Fernandes, 19, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco.

O primeiro confronto aconteceu na esquina do Cinema São Luiz. “A gente não podia permitir que o trânsito ficasse impedido de fluir”, disse o tenente-coronel José Antônio da Silva, comandante do 16º Batalhão.

O segundo conflito aconteceu às 13h. O trânsito na Avenida Conde da Boa Vista estava parado quando começou uma nova confusão, desta vez envolvendo agentes da Companhia Independente de Policiamento com Motocicletas. Um dos detidos foi o universitário Bruno Grimaldi, 20 anos. “Reclamei da ação policial”.  Ele assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência por desacato e foi liberado. Um policial disse ter sido agredido por ele.

Ontem, por meio de nota oficial, a Polícia Militar informou que a “ação do efetivo policial tem por objetivo garantir a lei e a ordem, bem como o direito de ir e vir dos cidadãos e a própria integridade física dos transeuntes e manifestantes”. E que “o efetivo empregado nesse evento possui treinamento especializado nesta ação e tem atuado sempre dentro dos limites da lei vigente”.

Imprensa

Uma estudante que participava do protesto disse que um policial tomou a sua câmera e afirmou que só a devolveria sem o cartão de memória. Quando uma profissional do Diario estava tentando gravar uma entrevista com o suposto policial, um PM da CIPmotos a empurrou. Mesmo depois de se identificar como imprensa e após seu colega de trabalho entrar na frente do PM, o policial andou em sua direção, com o dedo apontado, e ameaçando prendê-la. A jornalista não foi detida, mas não conseguiu saber o nome do policial, que não portava identificação visível. Uma emissora de TV disse que estudantes jogaram pedras durante filmagens.

One Reply to “O dia em que os estudantes pararam o Recife pela segunda vez”

  1. Oxente!
    Aposto minhas galinhas caipiras que 90% (no mínimo) desse povo que levou porrada, votou no coroné dudu.
    Tb no dotô lula … na imaculada Dilma.
    Votem dinovo …