Você não está no trânsito, você é o trânsito

 

engarrafamento China - créditos: Reuters

Por

Camila Hungria

Mobilidade é atualmente uma das principais preocupações e fontes de dores de cabeça de quem vive nas grandes cidades. Longas distâncias, desgaste físico e, principalmente, o estresse causado pelos engarrafamentos tornaram-se motivos mais do que suficientes para que cada vez mais pessoas optem por outros meios de transporte que não os veículos individuais.

Recente artigo publicado pelo jornal “The New York Times” aborda a questão do crescente desinteresse dos jovens por carros, o que tem preocupado as montadoras. De acordo com pesquisas da General Motors, a geração entre 18 e 24 está valorizando mais ter qualidade de vida do que investir na compra de um carro próprio.

Renata Prudente, de 21 anos, encaixa-se no perfil descrito acima. Bicicleteira assumida, conta que seus pais queriam presenteá-la com um carro quando entrou na faculdade, aos 19, mas ela não quis. “Eu ando de bicicleta pela cidade. Gosto da liberdade que a bike me dá. Não preciso me preocupar com estacionar o carro ou fugir do trânsito. Além disso, andar de bicicleta é mais saudável. Quando preciso sair de carro por algum motivo específico, posso combinar com meus pais de usar o carro deles”, explica a jovem.

A jornalista paulistana Mariana Portiz, de 36 anos, também optou por não andar de carro. Mas para ela o motivo foi outro. Mariana dirige desde os 18 anos, quando tirou carta e ganhou seu primeiro automóvel, mas uma briga de trânsito há alguns anos fez com que ela repensasse como estava se comportando em sociedade e buscasse novos caminhos:

“O trânsito sempre me irritou muito. E eu sempre peguei muito trânsito porque trabalhava longe de casa. Até que, certo dia, voltando do trabalho e atrasada para um compromisso, levei uma fechada. Saí do carro e bati boca com o outro motorista, e ele comigo. Foi uma baixaria, e depois eu só conseguia me arrepender. Estava mais nervosa, estressada e triste do que nunca”.

A saída encontrada para lidar com o estresse causado pelos longos engarrafamentos enfrentados diariamente foi abandonar o carro. “Aos poucos, consegui me organizar para trabalhar de casa. O bairro onde moro é ótimo, tem tudo perto. Assim, consigo fazer 90% das minhas obrigações e atividades a pé”.

Dois anos depois, Mariana está mais saudável, caminha diariamente, não sofre mais de estresse. Vendeu seu carro e, aos finais de semana, anda de táxi ou carona. “Evitar esse tipo de aborrecimento para mim é importante e por essa razão investi nisso. Hoje, não contribuo mais para o trânsito caótico, não perco tempo com engarrafamentos e sou mais feliz e tranquila”, finaliza.

O publicitário João Pedro Menezes, 27 anos, decidiu deixar o carro na garagem antes de ter uma crise de estresse. Passou a se locomover de metrô para ir e voltar do trabalho. “Em determinado momento, percebi que o que mais me atrapalhava era a minha preguiça de sair de casa e o preconceito com o transporte público”, conta ele, que, andando de metrô, economiza todos os dias cerca de 40 minutos para ir e para voltar do trabalho.

Além do tempo economizado, João também diz que a opção pelo transporte coletivo resultou em economia para ele, que não gasta mais tanto com gasolina. “Deixei o carro para usar em dias de chuva, quando preciso carregar coisas ou quando tenho algum compromisso após o expediente”, conta.

O caso do executivo de TI Rafael Junqueira, 29 anos, ilustra bem uma nova postura frente à mobilidade. Ele optou por mudar-se para um endereço bem próximo ao de seu emprego, e não leva mais do que 5 minutos para chegar ao trabalho: “Como eu gastava 3 horas por dia nos deslocamentos, ou 72 horas por mês, percebi que a cada mês eu perdia mais que um final de semana, uma insanidade. Não compensa nem física nem financeiramente”. E ele acrescenta: “Hoje eu chego mais disposto no trabalho, rendo mais e, na hora de voltar, é só alegria, e não mais um tormento”.

Mais informações no site Sustentabilidade Allianz

5 Replies to “Você não está no trânsito, você é o trânsito”

  1. Aqui ainda vejo muitos jovens nessa faixa etária que privilegiam o status de ter um carro, mesmo que seja pra ficar atolado num engarrafamento. Afinal, o carro tem ar-condicionado e andar de ônibus é “coisa de pobre”. E esse tipo de gente, que pega o carro pra ir numa esquina, que não anda um quarteirão sequer sem seu lindo automóvel, acha um absurdo o tanto de ônibus que circula pelos centros. Pois na visão deles, são os coletivos os grandes culpados pelos congestionamentos. Tá na hora desse paradigma ser modificado, do poder público começar a priorizar de fato os transportes coletivos e a bicicleta. Além de dar condições dos pedestres trafegarem pela cidade em calçadas decentes.

    • Plano 200 – Planejamento de um plano programado e projetado para o futuro com intervalo de duzentos anos, com etapas a seguir num determinado processo, com o objetivo de captar e analisar as características dos vários métodos indispensáveis. Isso ao analisar suas capacidades, potencialidades, limitações ou distorções e criticar as implicações de sua utilização por Grupos de Trabalhos do fórum “A Cidade Também é Nossa”, para enfrentar a diversidade, vendo aquilo que pode ser melhorado, e encontrando oportunidades ao utilizar o talento pela habilidade e atitude de cada um.
      “Tudo muda , sobre uma base que não muda nunca.”
      Ruy Barbosa
      Um dos grandes avanços da sociedade brasileira foi a inclusão, na Constituição Federal de 1988 (CF/1988), de que a cidade deve cumprir sua função social, a fim de que todos possam usufruir do lazer, da moradia, dos serviços públicos e da circulação nas vias, o que denota que deverá haver planejamento adequado, a fim de que os benefícios da urbanização sejam oferecidos a todos os seus habitantes. Neste sentido, a Administração Pública tem como principais desafios fazer cumprir a função social da cidade e aplicar, de forma eficiente, os recursos financeiros disponíveis em prol do maior número de beneficiários, sem distinção de cor, raça, idade, condição física ou psicológica, atendendo ao interesse público e aos princípios constitucionais.
      Em todo o progresso humano feito no último século, o mundo no qual vivemos ainda preserva grandes divisões de desigualdades, pobreza e injustiça, sem tempo para o interesse sejam eles individuais ou coletivos. Ambos devem ser tratados, com o interesse público em detrimento do interesse individual. Num discurso memorável, não existe o certo ou errado mas a escolha, que muitas vezes acaba dando tudo ao contrário do que imaginávamos durante um certo tempo, nunca todo o tempo.
      Deve ser compartilhando conhecimento com pessoas organizadas por comunidades com bases comuns, que expressem e recebam ideias e que interajam culturalmente com diferentes identidades. Assim podemos assegurar os recursos necessários para nossos sonhos e afastar o medo, encontrando o sustento antes de enunciar a sustentabilidade.
      Na prosperidade econômica, nós somos iguais a todos os brasileiros. Não existem barreiras se estivermos dispostos a trabalhar para fazer as escolhas que sejam aquelas menos onerosas. Respeitando aqueles com quem não se tenha acordo em todas as questões. Muito importante é adaptar as personalidades ao tempo daqueles autoconfiantes e arrogantes, cautelosos e exitantes, impetuosos ou precipitados. Tudo se passando com a devida cautela.
      No mundo desenvolvido, demora-se mais para planejar obras do que para executá-las. Nestes últimos 10 anos, foram gastos R$160 bilhões, contas em aberta, equivalente ao valor de obras paralisadas ou que nem saíram do papel, por falhas de planejamento ou suspeita de corrupção.
      A exemplo do Metrô de Salvador planejado 12km em 2000 por 307milhões de reais. Treze anos se passaram e lá se foi 700 Milhões de reais e apenas 6 km, 6 composições, 24 vagões, garantia dos equipamentos expirada e ainda surgem 50 bilhões para Mobilidade Urbana.

  2. Se tudo fosse simples e com boa vontade seria ótimo, mas não é.
    Eu opto em usar o transporte público a depender do horário, problemas e custos elevados para estacionar o veículo, distância, itinerário…
    Tava fazendo umas contas, por alto, e vi até usar ou não usar o público pode ser bom, tirando outros fatores como as despesas em manter um veículo. Por folta de SEI mais integrado, se preciso ir a Piedade saindo em área nas proximidades do Cordeiro, em dia útil e horário cedo, umas 6h30, de coletivo pego um ônibus para BVG e deste bairro para Piedade. Essa medida resulta em mais de 1h, dois ônibus, nem sempre sentado por já ser horário de pico e ficar em pé bastante tempo cansa, sem falar no tempo para pegar os ônibus, e preço é R$ 4,30 ida. A volta, tudo multiplique por dois. Se quiser usar o SEI, andaria a pé 2km para pegar Barro/Tancredo Neves, e deste Candeias/Tancredo, só que essa linha a depender o local de Piedade, não atender, então há trechos de Piedade que não tem SEI, logo outro ônibus tenho que tomar. De carro, fazendo um trajeto no horário citado menos tumultuado, levaria cerca de 1h e o veículo com média de 12km/L e a distância gira a ordem 20km, teria valor pouco superior a passagem a gasolina a R$ 2,89, quando já vi posto a um mês atrás vendendo em fim de estoque a R$ 2,49. Não dependi de enorme trajeto do ônibus, fiz a rota menos problemática, o tempo foi inferior,evitei integrações e o custo limitando-se a despesas com combustíveis foi similar, isso o veículo ajudando na sua autonomia e forma do condutor usá-lo.
    Nessa lógica, muitos que têm carro não abrem mão porque vemos o tumulto que é o SEI e o sistema em geral, a limitação de rotas integradas ou não, a falta de vias exclusivas e preferenciais que garantam agilidade aos coletivos. Se usuário de carro para não ficar preso em congestionamento tem que rever os horários e rotas usadas para circular, o de coletivo não é diferente em função da falta de estrutura que dê comodidade, agilidade e conexôes mais curtas, só que não agrada acordar cedo demais para tomar ônibus menos cheio e vias mais livres, nem chegar mais tarde em casa, pois se perde mais sono e aguarda mais tempo na volta. Basta dizer que na Caxangá para se ter metrô tem que ir a Camaragibe, absurdo. quando há tempos os TIs Recife e Joana Bezerra deveriam ter linhas integradas para este corredor. Poderá, espera-se, com o BRT, mas já é tarde.
    Como já foi dito em outras matérias, transporte público e individual não se limitam a fatores que deveriam ser mais racionais no seu uso, mas como a sociedade trabalha outros pontos como os horários de início e término das jornadas, que hoje é concentrado e por isso vemos horários com excedente de pessoas nas vias e em outros as mesmas ociosas.
    Quem pode tem tentado adquirir imóvel perto de centros comerciais, escola e trabalho para perder menos tempo nos trajetos, porém isso não é garantia de deixar de usar o carro. Alguns não abrem mão do veículo para curtos trajetos, pois alegam a falta de segurança nas vias, que querendo ou não, um pedestre é mais fácil de ser abordado por assaltante, bem como usuário de transporte público por espertos que aproveitam o aperto para abrir bolsas e retirar pertences, do que usuários de carro.
    Ontem mesmo, vi no jornal de emissora que uma estação de metrô foi assaltada e o entorno ainda que policiado tem problemas quanto a assaltos aos que circulam. Nesse âmbito, num carro você controla até certo ponto que entra no seu veículo. No transporte público não tem isso. Tem assaltante que paga a passagem para entrar no coletivo e depois anunciar o assaltado quando a situação é propícia. Acho que para o transporte público for realmente uma opção para aqueles que deixaram de usar e pretendem sair, várias outras coisas devem mudar também. Medidas extremas como rodízio para os que usam carro podem ser adotadas, mas não resolvem. Com planejamento, o cara vai tentar adquirir outro veículo para fugir da restrição, e outra, o transporte público atual não dá tantas vantagens para quem já usa, que dirá uma migração crescente quando os investimentos são lentos.

  3. O Transporte Multimodal é a melhor opção, visto que a associação de vários sistemas de transporte; bem como a criação de terminais rodoviários, ferroviários e hidroviários, permitiria uma maior integração territorial na Região Metropolitana do Recife – (RMR).

    O projeto do metrô do Recife, não foi planejado para atender as regiões Norte, Leste e Oeste da Região Metropolitana do Recife – (RMR).
 Do traçado atual que abrange a região Sul da cidade, aproveitou-se o que já havia, quando a RFFSA – Rede Ferroviária Sociedade Anônima – operava.
 A Zona Oeste está inserida no censo, como uma região densamente povoada, motivada pela proximidade do Centro, próximo de Shopping Center, super mercado, pólo médicos, pólo jurídicos, bons colégios e com grandes empreendimentos imobiliários, em expansão.
    
 Foi com esta visão, que eu apresentei, como uma ‘via exclusiva de acesso’ ao Centro do Recife, o transporte fluvial de passageiros, integrado ao metrô, na Estação Terminal Recife. Desde os anos 70, já se falava de transporte fluvial nesta cidade, com a experiência da lancha holandesa, partindo da Agência Centro Correios até a Bacia do Pina.
    
 O caráter inovador de minha proposta foi, justamente, permitir a integração do metrô com o transporte fluvial, na zona Leste, em uma extensão de 11 Km. Este projeto Terminal de Integração Multimodal da Estação Recife, de autoria de: Vital Alves Brandão, funcionário de carreira do MetroRec, foi premiado em, 23 de outubro de 2007 – Prêmio Alstom de Tecnologia Metroferroviária São Paulo-SP.
    Encaminhado aos gestores público do Estado de Pernambuco em, janeiro de 2008. Também participei em, 08 de maio de 2009 do IV Workshop Internacional de Desenho Urbano, Recife-Marseille. Como palestrante, apresentando este projeto Terminal Multimodal Recife.
    Em 20 de abril de 2012, participei da Audiência Pública do Transporte Fluvial de Passageiro, na Câmara de Vereadores do Recife. Na ocasião falei para os participantes do meu projeto de integração do MetroRec com o transporte fluvial de passageiro no rio Capibaribe.

  4. Realmente o sistema multimodal seria de boa eficiência, melhor ainda se o sistema fosse preferencialmente linear, em processo de engrenagem, mas creio que no caso do Recife, mesmo que as condições espaciais, geograficamente falando sejam favoráveis, precisaria ser bem planejada toda logística para não cair no caos que é nossas integrações, onde o transbordo deixa muito a desejar, tornando a viagens longas e cansativas. Vejo que apesar de todos os problemas com certeza teremos viabilidade usando três modais: ônibus, metrô, lancha. Visto que alem do deslocamento pendular estirará a opção turística