Obras do Leste/Oeste podem parar

 

Obras do Leste/Oeste na Avenida Caxangá - Foto - Tânia PAssos DP/D.A Press

Obras do Leste/Oeste na Avenida Caxangá – Foto – Tânia PAssos DP/D.A Press

Por

Jailson da Paz

Prevista para terminar em março do próximo ano, a obra do corredor Leste-Oeste pode atrasar. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) deve ingressar com um pedido de paralisação dos serviços até sexta-feira. Os argumentos para a solicitação do embargo da obra, que ligará Recife e Camaragibe, se fundamentam no Inquérito Civil Público, instaurado há 90 dias e concluído ontem pelo promotor de Justiça de Meio Ambiente e Patrimônio da Capital, Ricardo Coelho.

Quando pronto, o corredor vai operar no modelo BRT (Bus Rapid Transit), que adota faixas e estações exclusivas para os ônibus, dotados de ar-condiciado e sistema de compra antecipada de bilhetes. A Secretaria das Cidades alega que cumpriu todas as exigências legais.

O pedido de suspensão parte de três pontos, segundo o promotor. “O inquérito aponta que a construção do Terminal Integrado de Passageiros junto ao Hospital Getúlio Vargas, na Avenida Caxangá, é absolutamente incompatível com a função de tratar da saúde das pessoas”, exemplicou Ricardo Coelho.

A incompatibilidade se daria porque os coletivos a circularem pelo terminal vão gerar muito barulho, poluição atmosférica e trepidação, elementos que seriam prejudiciais ao tratamento dos pacientes de uma unidade de saúde. Além disso, completou ele, o fluxo de veículos e de pessoas no terminal dificultará o acesso ao Getúlio Vargas.

Outro aspecto destacado no Inquérito Civil Público é o impacto das obras do túnel próximo ao Museu da Abolição. O promotor entende que os serviços afetam a estrutura e o funcionamento do museu, instalado no Sobrado Grande da Madalena e vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O casarão foi a sede do Engenho Madalena e residência do conselheiro João Alfredo. Em 1888, ele presidia o conselho que extinguiu a escravatura no Brasil. Por essa importância, entende Ricardo Coelho, a construção do túnel jamais deveria ser licenciada. O promotor vai pedir à Vara da Fazenda Pública Estadual que imponha compensações ao estado por conta dos serviços do túnel.

O terceiro argumento para a necessidade de suspensão das obras do Leste-Oeste é de ordem ambiental. O MPPE questiona o processo de compensação pela derrubada das árvores na Caxangá, avenida que sofre adaptações para se implantar estações exclusivas para os ônibus do BRT. “O replantio das árvores tem que ser na própria área da obra”, justifica o promotor.

No projeto, a Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH) autoriza a derrubada das árvores, mas desde que se plantasse um número maior, ou seja 150 unidades. O replantio se daria, entretanto, em Carpina, na Mata Norte e a 65 quilômetros da capital. O pedido para a suspensão das obras do Leste-Oeste, adiantou Ricardo Coelho, está sendo elaborado e deve ficar pronto nas próximas horas.

8 thoughts on “Obras do Leste/Oeste podem parar

  1. E só agora faltando alguns meses para a copa do mundo,esse promotor foi ver essas supostas irregularidades é???? kkkkkkkkkkkkkkkkkkk isso é piada não é??? Alias….. Isso é Brasil!!!! Eu sabia que iria ter alguma desculpa para esse corredor atrasar,e ter motivos reais para atrasar,eu quero ver agora as desculpas para o Norte/Sul. E viva a copa do mundo,viva a mobilidade,viva o Brasil,país de tolos….

    • Norte-Sul? Que nada, o BRT é Norte-Centro. Centro-Sul será BRS e o Governo local ainda vem sugerir um VLT na zona sul de Recife se já confirmou investimento no BRS. Ao invés de um corredor uniforme – totalmente BRT ou VLT, segmentam em dois conceitos e com isso me adianto haverá problemas do tipo qual será o rumo da linha PE15/Boa Viagem se esta deverá migrar para BRT até Joana, mas de Joana até a zona sul o usuário poderá ser forçado a migrar para o metrô e para o BRS.
      _
      Sobre a matéria, ninguém fala que o HGV recebeu pouco mais de R$ 5 milhões para ser ampliado e requalificado? Que tem hospital em lugar muito pior e mais sujeito a poluição sonora e a gases como o HR?
      Se é um problema construir túnel ao lado de local tombado, então por que o governo sugere metrô subterrâneo na Av. Norte, área que era uma antiga BR cercada há muito mais tempo por engenhos, logo passível numa possível escavação a achar artefatos históricos, sem esquecer que há imóveis muito antigos também que podem ser tombados se quiserem.
      Outra, o prezado promotor não deve saber e foi divulgado em matéria de jornal que a estação elevada integrada que ficaria próxima ao HGV foi desconsiderada para posteriormente fazer um viaduto transversal a Caxangá, ou seja, ao lado do HGV e do futuro TI. Enquanto estão fazendo fundações no TI sem equipamentos pesados, fazer um viaduto irá requerer equipamentos pesados se o mesmo sair do papel.
      Eu considero praticamente certo é o atraso nas obras de mobilidade e algumas já serão entregues atrasadas dando como exemplo a passarela do Aeroporto prometida para antes da Copa das Confederações, o eixo Agamenon da Norte-Centro que seria entregue junto com o eixo Cabugá, agora ficará para out/2014 e já estão se mobilizando para atrasar o início das obras devido a derrubada de algumas árvores.
      Não faça nada ou demorem. Quem tem causado entraves mesmo no direito de investigar dificilmente usa o transporte público, portanto se o usuário vai penar mais ou menos no aguardo de melhorias, não importa.

  2. Obras do Leste/Oeste podem parar
    Postado em: outubro 22, 2013 por: Tania

  3. Quem sou eu para julgar, mas dar o nome de corredor norte/sul ao ramal que vai ao centro do Recife é bem estranho. Acredito que o melhor é chamá-lo de Norte/Leste ou Leste/Norte e Norte/Sul o que segue até Joana Bezerra.

    • Entendo que o centro da capital ou pelo menos o centro expandido compreende trecho da Ilha do Leite, Joana Bezerra, Derby, etc ao longo da Agamenon, então esse corredor BRT como um todo deveria ser Norte-Centro, pois Norte-Sul só faz sentido se o BRT chegasse a zona sul tomando como base este modal que era o esperado com a conclusão da Via Mangue para então ter início a implantação de corredor na zona sul no conceito BRT e não BRS. Para mostrar que há controvérsia sobre o nome do corredor, hoje há linha PE-15/Boa Viagem e PE-15/Joana Bezerra. O TI PE-15 deverá
      ter BRT, mas como ficará se mantida a linha PE-15/Boa Viagem que se for BRT, a partir da Joana Bezerra irá trafegar num futuro corredor BRS fugindo do conceito? Irão desativar essa linha para só ter PE-15 até Joana e deste TI quem quiser ir a zona sul, trajeto da PE-15/Boa Viagem, terá que pegar ônibus convencional ou o metrô no TI? Não chega a ser uma forçada chama a área da Joana Bezerra de porta para a zona sul nomeando o ramal por toda a Av. Agamenon Magalhães de Norte-Sul, mas o certo mesmo seria até o final da zona sul de Recife ou a cidade vizinha acessada também pela zona sul, Jaboatão.

      Se a referência por cardinal, concordo que Norte-Leste seria o ramal que vai até a Guararapes, enquanto Norte-Sul seria o ramal da Agamenon que se ligará a outro corredor, BRS, na zona sul.

  4. Essa obra vai acontecer queira a justiça ou não. O governador aqui faz o que quer. Gasta o dinheiro como quizer e ninguém vai fazer nada contra. Esse corredor Leste/Oeste vai ter uma parada elevada não sei para que, só para economizar uma parada num sinal de trânsito. Milhões a mais para a construtora.

    • É preciso conhecer o local onde estão fazendo a estação elevada para julgar que ela estaria economizando outra.
      Caso não saiba, o corredor como um todo tem elevado o distanciamento entre as estações perante as paradas. Isso em parte é bom, pois garante uma boa velocidade de percurso ao invés de ficar fazendo constantes paradas porque as estações poderiam ser bastante próximas, além do que permitirá uma maior demanda de usuários para estações.
      Quanto a estação elevada, antes eram previstos três estações elevadas sendo as duas descartadas a que ficaria em frente a igreja do Cordeiro, próxima ao TI Perimetral 3, e outra na Rua Benfica evitando os dois cruzamentos muito próximos ao Bompreço. Não vou entrar em detalhes dos possíveis motivos por terem descartados essas duas estações elevadas, mas em parte defendo a manutenção da estação do bairro da Iputinga chamada de Bom Pastor.
      Quem transita pela Iputinga, seja na Av. Caxangá, seja na Rua do Bom Pastor que liga ao Engenho do Meio, sabe que o cruzamento desta com a avenida é tumultuado. Quem está na Bom Pastor não respeita quem está na Caxangá na hora de cruzar, pois ao invés de esperar para vê se pode cruzar, força isso criando retenção no sentido centro. Outra, devido a posição recuada do sinal no sentido subúrbio, quem está passando pelo trecho do canteiro central não sabe se o sinal está aberto ou fechado, então faz a conversão a esquerda e termina retendo a circulação daqueles que estão na avenida sentido subúrbio após o sinal abrir, pois ficam esperando terminarem a conversão. Por essas e outras, quando a faixa de ônibus era usada, vi vários congestionamentos nesta porque os ônibus não conseguiam avançar em função daqueles que vinham da Rua Bom Pastor entrando na Av. Caxangá sentido subúrbio. Já pensou um BRT em nível ter que ficar esperando outros veículos concluírem a travessia da via porque não sabem esperar o melhor momento e nem a sinalização ajuda no outro lado da via?
      Infelizmente, pela falta de educação e outros problemas, a estação elevada naquele ponto faz sentido. Todavia, há outros locais com cruzamentos próximos como Rua Inácio Monteiro e Cláudio Brotherhood, bem como Av. Gal. San Martin e R. Gregório Junior, R. Antônio Coelho com a Av. Gal. Polidoro, e por fim, Av. Afonso Olindense com a R. Rodrigues Vieira. Aliás, esses dois últimos cruzamentos são ruins também, então quero só ver o que o governo fará evitar as retenções nos horários de pico que afetam o espaço destinado aos ônibus.