Metrô do Recife paralisa atividades por falta de segurança

Estação Werneck do metrô, Linha Centro, Recife - Foto Guilherme Veríssimo DP/D.A.Press

Estação Werneck do metrô na Linha Centro do Recife, onde ocorreu um assalto na plataforma – Foto Guilherme Veríssimo DP/D.A.Press

Os metroviários deflagraram greve a partir da 0h de hoje. A paralisação vai deixar cerca de 400 mil usuários sem opção no sistema ferroviário na Região Metropolitana do Recife. Para compensar o desfalque, o Grande Recife Consórcio anunciou um reforço na frota.

A greve dos metroviários,anunciada desde a semana passada, não por aumento de salário e sim mais segurança no sistema. No dia a dia, dificilmente se associa a segurança à questão da mobilidade. Mas elas estão intrinsecamente ligadas.

A intranquilidade dos metroviários é um sinal de que as coisas não estão indo bem. Um levantamento feito por policiais ferroviários federais, que atuam no registro das ocorrências no metrô, apontou 1,6 mil casos, entre atendimentos à população, assaltos, estupro e até homicídio, no período de janeiro a setembro deste ano.

Os números foram contestados pela CBTU, que apresentou estatística de 33 ocorrências referentes à questão de segurança para o mesmo período. A situação mais crítica é na Linha Centro, que concentra a maior parte das ocorrências. Foram quatro assaltos a bilheterias, três dentro do trem, três na área externa ao metrô e pelo menos 17 furtos.

Os números não fazen referênci ao assalto na plataforma da estação Werneck, no bairro de Areias, na última quarta-feira. Quatro homens armados pularam o muro do metrô, caminharam pela linha férrea até chegar à plataforma e surpreenderam os usuários que aguardavam o trem. Gritos, correria e nenhum sinal de segurança.

A vigilante que fazia guarda naquele dia estava na entrada da estação, onde fica a bilheteria, e não houve tempo de fazer nada, nem que quisesse. “Na semana passada, três rapazes rondaram a bilheteria, eu fiquei por perto e eles saíram e assaltaram na rua ao lado”, contou o vigilante, que não quis se identificar.

Rua escura
A rua paralela à estação, no lado contrário da praça, é estreita e escura. “Quando eu vou para casa, fico aguardando alguém sair para não ir sozinha”, revelou a atendente Elisângela Pereira, 28 anos. “Antigamente havia segurança dentro do metrô. Hoje, só fica uma pessoa do lado de fora e de vez em quando tem assalto dentro”, disse a dona de casa Severina Dias, 54 anos.

O anúncio antecipado da greve serviu para a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) Recife antecipar uma ação cautelar junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O desembargador e vice-presidente do TRT, Pedro Paulo Pereira Nóbrega, acatou o pedido da CBTU para que sejam mantidos os serviços essenciais nos horários de pico das 5h às 9h e das 16h às 20h.

A multa para a entidade no caso de descumprimento é de R$ 800 mil. O Sindicato dos Metroviários optou, mesmo assim, por parar durante todo o dia, com 100% da frota inoperantes. Para o presidente do Sindicado dos Metroviários, a falta de segurança é um problema estrutural. “A insegurança é oriunda de um problema maior de falta de investimento. E a tendência é se agravar com o corte de R$ 10 milhões no orçamento da CBTU”, afirmou o presidente do sindicato, Diogo Moraes.

Os números da violência no metrô do Recife

Linha Sul
4 assaltos ou tentativa de assalto
1 assalto na estação
1 assalto na área externa

Linha Centro
4 assalto nas bilheterias
3 assaltos dentro do trem
3 assaltos nas imediações do metrô
17 furtos

Fonte: CBTU/Recife

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