John Reed

Nascido em Portland, Oregon, em 22 de outubro de 1887, John Reed viveu pouco, mas intensamente. Partiu quatro dias antes de completar 33 anos, em 19 de outubro de 1920, em Moscou. Conheceu Pancho Villa no México, testemunhou a revolução que levou os comunistas ao poder na Rússia, a ponto de ser enterrado no Kremlin, ao lado de Lênin. Escreveu um relato sobre o conflito nos Balcãs, aquele que originou a primeira Guerra Mundial. Seus textos, registrados em livros como México insurgente (1914), A guerra na Europa ocidental (1916) e o clássico Dez dias que abalaram o mundo (1919) continuam atuais até hoje. Sergei Eisenstein inspirou-se no material de Reed para filmar duas obras, Outubro (1928) e ¡Que viva México! (1931) (baseado em México insurgente). Em 1981, Warren Beaty interpretou o jornalista socialista formado em Harvard no filme dirigido por ele próprio, Reds, ganhando o Oscar.

John Reed andou pelo mundo, mas encontrou um porto seguro em Lousie Bryant. Este livro de 152 páginas, Eu Vi Um Novo Mundo Nascer, lançado no Brasil em 2001 pela Boitempo Editorial, reúne as melhores reportagens de Reed, publicadas nas revistas The Masses, Metropolitan, Seven arts e Liberator. Mas é num trecho, um pequeno parágrafo, que ele revela sua humanidade.

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QUASE TRINTA

Ao pensar em tudo isso novamente, não vejo muito o que me agarrar nesses meus 30 anos. Não tenho um Deus, e não quero ter; a fé é apenas outra palavra para o encontro consigo mesmo. Na minha vida, assim como na maioria das vidas, creio eu, o amor tem uma importância enorme. Tive casos amorosos, apaixonante felicidade, terríveis desencontros; magoei profundamente e me senti profundamente magoado. Mas, finalmente, encontrei minha amiga e amante, cúmplice e complacente, tão próxima de mim como qualquer outra jamais esteve. E agora não me importa o que vier.

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