Alô, quem fala é o delegado de Afogados?

abr 20, 2017 Comentários desativados por

20.04

 

Igor Leite mudou de delegacia: quando a burocracia é importante prestação de serviços.

Silvia Bessa (texto)
Alcione Ferreira (foto)

O delegado Igor Leite agora responde pelo policiamento da área de Afogados, Areias, Caçote, Estância, Jardim Uchôa, Jiquiá e Vila Tamandaré do município do Recife. Saiu do Ibura, onde ficou por um ano. Ao assumir Afogados e adjacências, anunciou sua chegada pelas redes sociais no final de março do jeito dele, nada convencional: “De imediato já disponibilizo o telefone/whatsapp para denúncias, que vão ser recebidas, lidas e respondidas apenas por mim: 99488-7171”, disse há 20 dias em postagem publicada no Facebook. Ontem voltou a garantir sigilo total (“e você fala direto comigo”). A informação, reforça ele, pode ser enviada por mensagem do aplicativo Whatsapp. Antes de seguir, sugere-se que anote o número porque um dia, quem sabe, alguém precisa.
Não fosse o quadro da segurança em Pernambuco, seria a transferência dele mais uma notícia corriqueira. Passa a ser singular, contudo, pela prestação de serviço a que se presta. Igor se movimenta na internet para se aproximar da população e gerar um clima de confiança onde atua. O delegado, que está na função desde 2008, é aquele que há alguns anos lançou e mantém viva a campanha “fale com o delegado”. Não por acaso, Igor faz questão que seu contato telefônico se espalhe. Ele aposta na colaboração da população nas denúncias sobre crimes e criminosos. Tem sido uma estratégia de sucesso.
“Seja bem-vindo, doutor. Sou do bairro de Areias. Agradeço primeiramente a Deus por nos ter presenteado com um profissional competente como o senhor (…)”, diz a admiradora Verônica Soares em seus comentários. “Trabalho na mesma rua da sua delegacia e, muitas vezes, fico com medo de ir para casa quando largo. Bote para gerar em Afogados. Beijos”, finaliza Andréia Meneses. Por vezes, quem escreve age como amigo real: “Você é fera, qualquer dia vou aí lhe conhecer (…)”, diz Luh Barbosa, entre outras dezenas de comentários que se misturam no concorrido perfil dele no Facebook.
Além de se colocar disponível, o delegado Igor Leite costuma ser criativo. Na Páscoa, sua equipe se vestiu com fantasias de coelhos de pelúcia, com armas em punho. Postou foto, claro, e arrebanhou centenas de simpatizantes no Facebook e no Instagram, aplicativo de compartilhamento de fotos pelo celular.
Entre postagens pessoais, de fotos fofas com a filha pequena ou de suas férias, é comum o delegado apresentar ainda via redes sociais um balanço das prisões efetuadas. Escreve pensamentos e, em outros momentos, utiliza seus conhecimentos para dar aconselhamentos sobre segurança. Em postagem nas proximidades do carnaval, listou doze dicas de segurança. Todas de uso prático, que iam desde o transporte de celular até como o cidadão deveria agir em caso de se sentir enganado na compra de bebidas e comidas nas festas. Em 12 de março, em meio às comemorações do Dia da Mulher, tratou de namoros virtuais e tráfico internacional de mulheres.
Ler e acompanhar o trabalho do delegado Igor Leite, seja no município vizinho de Jaboatão dos Guararapes, no turbulento bairro do Ibura ou nas redondezas de Afogados, serve para se pensar que a aproximação real da polícia com a comunidade deveria ser regra, uma política a ser massificada, em especial em tempos difíceis.

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Sobre o autor

Paulo Goethe, no Diario de 1990 a 1997 e desde 2001
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