Do tribunal para o gramado, Cobra-Coral e Carcará em ação

Série D 2011: Santa Cruz 0x0 Treze. Foto: Roberto Fernandes/Diario de Pernambuco

Durante 37 dias a Série C esteve suspensa pelo STJD.

O imbróglio jurídico, tendo o Treze como protagonista, travou a competição.

As demais torcidas, legalmente compromissadas com o campeonato brasileiro, ficaram de mãos atadas, a espera de uma solução por parte da diretoria da CBF.

Com a disputa ocorrendo em tribunais, com liminares expedidas em todos os cantos, houve uma manobra jurídica articulada para contornar a decisão favorável ao clube paraibano, que luta para ser incluído na competição, mesmo sem o acesso no campo.

Pontualmente às 15h18 desta quinta-feira, a Confederação Brasileira de Futebol publicou em seu site oficial o comunicado dando início à Série C.

Nos bastidores, os clubes já haviam sido informados sobre o provável desfecho, antecipando a logística, como viagens, hospedagem, venda de ingressos e transmissões.

E não foi diferente com os ansiosos representantes pernambucanos…

Santa Cruz x Guarany, no Arruda, no domingo, às 16h. Multidão à vista.

Rio Branco x Salgueiro, no Acre, também no domingo, às 19h30.

Após o período de preparação forçada, com jogos-treino de técnica duvidosa e irritação entre os adeptos, os pernambucanos darão início ao sonho de retornar à Série B.

Advogados ligados ao bicampeão pernambucano e ao melhor time do interior do estado saem de cena. O time de terno e gravata será substituído pelos uniformes oficiais.

Ao que parece a CBF vai bancar a multa diária de R$ 50 mil por não incluir o Treze no torneio, pois está confiante na vitória no julgamento a ser marcado.

O jogo continuará nos tribunais. Porém, agora também vai para o gramado. Enfim!

Torcida do Salgueiro. Foto: Ricardo Fernandes/Diario de Pernambuco

O adversário secreto no Arruda

Carpina Sport Club e Carpinense Esporte Clube

Uniformes nas cores azul e branco. Um leão como mascote, ambos.

Rivalidade em Carpina. Confusão no Arruda.

Em seu décimo jogo durante esse período de paralisação da Série C, o Santa Cruz protagonizou um episódio insólito nesta sexta. Um duelo contra o desconhecido.

Os corais aguardavam o Carpinense Esporte Clube. Fundado em 6 de janeiro de 1998.

Pois apareceu o Carpina Sport Club. Criado em 6 de janeiro 2006.

Até a equipe pisar no gramado, ninguém tinha se dado conta. Até que um radialista do município da zona da mata se aproximou dos repórteres da capital…

“Pessoal, eu vi que vocês vêm chamando o time de Carpinense. Mas vocês se confundiram. Quem veio jogar contra o Santa foi o Carpina.”

Reação geral de incredulidade…

De fato, aquela informação estava correta. O próprio clube havia trocado as bolas.

O Carpinense não disputará competição alguma este ano. A sua última foi a segunda divisão de 2010, quando acabou como vice-lanterna.

O Carpina, por sua vez, será o representante da cidade de 75 mil habitantes na segundona deste ano. Só participou uma vez, em 2006. Ficou na 6ª colocação.

Após resolver o mal entendido, o Tricolor venceu por 1 x 0. Nas dez partidas, seis vitórias, dois empates e duas derrotas, com 66% de aproveitamento.

Chega de Carpina e Carpinense na agenda. Que venha a Série C…

Carreata coral simboliza a volta de um antigo costume

Domingo de sol, de comemoração, de greia…

Do Arruda até Boa Viagem, fechando o trânsito na Avenida Agamenon Magalhães, a torcida Santa Cruz festejou o bicampeonato pernambucano.

Veja uma galeria de imagens em slide show.

O percurso foi o mesmo do ano passado, trazendo à tona um antigo costume local.

As carreatas vinham caindo em desuso, mas tricolores, com os estaduais de 2011 e 2012, alvirrubros e rubro-negros, ambos pelo acesso à Série A, mudaram o cenário de um ano para cá. Confira a festa dos rivais aqui e aqui.

Em todos os casos, muita gente nas ruas…

No entanto, vale um cuidado especial da companhia de trânsito, para que as festa de toas das torcidas ocorram causando o menor transtorno possível às ruas da capital.

Queixa alagoana em amistoso coral expõe desorganização

Amistoso 2012: CSA 3x0 Santa Cruz. Foto: Jamil Gomes/Santa Cruz

No borderô, fiasco lá e lô.

No Recife, 6.021 torcedores no Arruda, com uma renda de R$ 115.820.

Em Maceió, apenas 751 pagantes no Rei Pelé, com uma bilheteria de R$ 7.835.

Nos dois jogos, duelos entre Santa Cruz e CSA, vencidos pelo tradicional time azul de Alagoas, por 1 x 0 e 3 x 0, respectivamente. Mas ficou uma mágoa por lá.

Inicialmente, seria apenas um amistoso, no estádio coral, para a entrega de faixas pelo bicampeonato estadual. Mas as duas diretorias se entenderam na ocasião.

O time alagoano aceitou a disputa caso também fosse realizada uma partida diante de sua torcida. Nas duas apresentações, os times principais em campo.

No primeiro jogo, sim. No segundo, não. A atitude tricolor de enviar uma comissão técnica adjunta e um elenco formado por integrantes do Sub 20 e alguns profissionais, reservas, frustrou a cúpula alviazulina, com direito a nota oficial (veja aqui).

De fato, amistoso já não atrai muita gente no futebol, descontando exceções com clubes de renome nacional ou internacional.

Com o time júnior…? Aí não tem como gerar renda. A queixa de Maceió procede.

Deveria existir algum regulamento mínimo para a realização de amistosos? Pois é.

A matemática da bilheteria coral

Pernambucano 2012, final: Santa Cruz 0x0 Sport. Foto: Celso Ishigami/Diario de Pernambuco

Como era esperado, o Santa Cruz chegou a um acordo com o governo do estado e conseguiu um aumento no valor do ingresso para a campanha do Todos com a Nota.

No entanto, o número de ingressos promocionais diminuiu para a Série C.

Vamos às contas.

Anteriormente, seriam 20 mil entradas, ao custo de R$ 8. Agora, a carga passou para 10 mil bilhetes, com o poder público subsidiando R$ 11 por cada entrada.

A renda bruta com o TCN, que seria de R$ 160 mil, passou para R$ 110 mil por jogo.

Ao todo, o Santa Cruz poderia arrecadar R$ 1,44 milhão com as nove partidas da primeira fase do Brasileiro, ou até R$ 1,92 milhão em caso de classificação coral à decisão, com doze partidas realizadas no Arruda.

O faturamento mudou para R$ 990 mil e R$ 1,32 milhão, respectivamente.

Ou seja, o bicampeão pernambucano abriu mão de 31,25% da receita previamente informada. Para recuperar (e avançar), os corais querem tirar proveito dos bilhetes tradicionais, que serão comercializados por R$ 40 (arquibancada) e R$ 20 (geral).

Resta ver como será o comportamento da torcida coral com um ingresso mais caro e um torneio mais longo em relação ao último campeonato brasileiro. Muda um pouco.

O que você achou dessa decisão? Será melhor para o Santa Cruz? Comente.

Pernambucano 2012: Santa Cruz 2x0 Serra Talhada. Foto: Ricardo Fernandes/Diario de Pernambuco

Poder público afina discurso com o Santa Cruz

Eduardo Campos recebe delegação do Santa Cruz, o campeão estadual de 2012. Foto: Andréa Rêgo Barros/SEI

No discurso aberto, o Santa Cruz segue fora do programa Todos com a Nota, o subsídio do governo estadual aos jogos de futebol em Pernambuco.

Dos seis representantes do estado no Campeonato Brasileiro, considerando todas as divisões, apenas o atual campeão estadual não assinou o contrato para a nova disputa.

Os corais querem que o bilhete pago pelo poder público aos jogos de Náutico e Sport, de R$ 13, na elite, seja o mesmo valor no Arruda, estipulado em R$ 8 (veja aqui).

Vale lembrar que a estreia tricolor na Série C está marcada para o dia 27 de maio, neste domingo. No Arruda. Em tese, seriam 20 mil bilhetes do TCN. Até agora, uma incógnita.

O Palácio do Campo das Princesas foi palco para a cerimônia oficial de entrega do troféu para o bicampeão pernambucano, nesta segunda-feira.

Com o governador Eduardo Campos e o mandatário coral Antônio Luiz Neto por lá, o evento logo se transformou em uma reunião para definir as diretrizes da campanha junto ao clube, que receberia até R$ 1,92 milhão no torneio, segundo a proposta inicial.

Certamente, o governo depende da torcida do Santa para manter a base de sucesso do Todos com a Nota. Assim como o Santa dependerá da verba subsidiada na Terceirona.

Um acordo deverá ser costurado. Ninguém está rindo à toa. Nem lá nem cá.

Mas será que falaram dos jogos do Santa na Arena Pernambuco? Fim do sorriso.

Eduardo Campos recebe delegação do Santa Cruz, o campeão estadual de 2012. Foto: Andréa Rêgo Barros/SEI

DM9 junto e misturado no Arruda, com ou sem amistoso

Amistoso 2012: Santa Cruz 0x1 CSA. Foto: Roberto Ramos/Diario de Pernambuco

Esperava-se uma arrecadação mínima de R$ 400 mil. O apelo era enorme.

Nada mais nada menos que manter o atacante Dênis Marques no elenco coral para a disputa da Série C, o grande objetivo do clube nesta temporada.

Com o título estadual acompanhado da artilharia isolada, mesmo estreando apenas na 8ª rodada da competição, o centroavante se credenciou no mercado.

Aquele atleta que havia ficado 600 dias sem atividade alguma cedia espaço para um jogador de renome e revigorado fisicamente.

Chegaram propostas da Série B. Sondagens até mesmo da elite nacional.

Afinal, o salário de R$ 15 mil, atrelado àquela incógnita, não cabia mais.

O esforço da diretoria do Santa Cruz, com direito a um amistoso festivo com o CSA apenas para segurar o ídolo DM9, se fez necessário.

No entanto, a renda neste domingo não correspondeu ao plano. Os 6.021 tricolores presentes no Arruda proporcionaram uma bilheteria de R$ 115.820.

Não seria suficiente para aumentar o contracheque do jogador de maneira “substancial”, como havia planejado o presidente coral, Antônio Luiz Neto.

Calejado, o dirigente não esperou o jogo para concluir a negociação.

Antes da partida, almoçou com Dênis Marques. Garantiu uma receita justa, incluindo luvas, e deverá contar com patrocinadores para equalizar o orçamento.

O salário deverá ficar próximo de R$ 40 mil, abaixo de outras propostas. Para o Santa, seria próximo ao recorde absoluto, de Iranildo, que recebeu este valor em 2004.

Assim, o mandatário recebeu o sinal positivo do atacante. Acordo selado.

O contrato, regularizado no Boletim Informativo Diário da CBF em 1º de fevereiro, valeria até 31 de outubro deste ano. Segue vigente. Até o fim da Terceirona…

E o amistoso? Pois é. Na insossa partida, o time alagoano venceu por 1 x 0, com um belo gol aos 43 minutos do segundo tempo, numa falta cobrada por Ronaldo.

Amistoso 2012: Santa Cruz 0x1 CSA. Foto: Antônio Carneiro/Especial para o Diario de Pernambuco

Bastidores da contratação de Zé Teodoro

Pernambucano 2012, final: Sport 2 x 3 Santa Cruz. Foto: Ricardo Fernandes/Diario de Pernambuco

Comandante coral nas duas conquistas estaduais, o técnico Zé Teodoro por muito pouco não foi contratado pelo Santa Cruz.

Em entrevista ao Superesportes, o presidente Antônio Luiz Neto revelou os bastidores daquela negociação, que mudaria para sempre a história do clube.

No início da atual gestão no Arruda, oito nomes foram estudados para a função técnica. No Dia D, todas as sugestões foram avaliadas em uma longa reunião.

Nome por nome, com os trabalhos realizados, perfil, metas estipuladas etc.

Entre eles, estava o de Zé Teodoro.

Pois justamante na apresentação de Zé, com a maioria da diretoria tricolor rechaçando a opção a princípio, o mandatário acabou disperso, numa conversa paralela.

“Avaliamos todos os nomes, mas me descuidei no nome de Zé. Quando voltei a atenção para a mesa, com quase todos contrários ao nome, o de Zé já tinha passado”.

Em casa, Antônio Luiz Neto refletiu. Ponderou sobre Zé Teodoro, campeão estadual com o Alvirrubro em 2004, no Arruda, logo contra o Santinha.

Pois o dirigente acabou ligando no dia seguinte para Sandro Barbosa, hoje assistente-técnico, mas então na função de gerente.

“Pedi para Sandro falar mais sobre aquele nome. Sandro o indicou e aceitei a opção.”

Faltava, no entanto, conversar com o próprio Zé Teodoro, numa ligação interurbana Recife-Goiânia. Foi uma conversa franca, sobre sobre valores e objetivos.

“Coloquei logo para o técnico que seria preciso utilizar a nossa base, que vinha com bons nomes, e que ele buscasse atletas que quisessem crescer, mesmo na Série D. Não era fácil. Zé Teodoro perguntou o valor da folha do elenco e eu disse que não passaria de R$ 140 mil, pois o clube estava sem dinheiro. Ainda está, na verdade”.

O conversa continuou, até que chegou a proposta salarial para o próprio técnico.

“Não adiantava nem negociar. Ofereci a Zé o valor máximo que poderíamos pagar, que era R$ 25 mil. Ele escutou atentamente e devolveu: ‘abra seu coração, presidente.'”

Nessa última parte, o presidente não conteve a gargalhada ao relembrar o papo.

“Só disse uma coisa: ‘Zé, meu coração já está todo aberto'”.

O valor não subiu, mas Zé Teodoro topou o desafio. Ganhou o Estadual. Dois, por sinal.

Pernambucano 2011, final: Santa Cruz 0x1 Sport. Foto: Ricardo Fernandes/Diario de Pernambuco

As imagens eternizadas do bicampeonato tricolor

Santa Cruz, o campeão pernambucano de 2012. Foto: Paulo Paiva/Diario de Pernambuco

Ganhar dois títulos pernambucanos consecutivos mesmo estando duas divisões nacionais abaixo dos dois maiores rivais é uma prova absoluta de superação.

Ainda mais considerando que o bi não era alcançado há 25 anos! Curiosamente, em 1986 e 1987 o vice-campeão foi o Sport, como agora.

Esse renascido Santa Cruz Futebol Clube estava fazendo falta.

No post, as imagens das duas conquistas corais, em 2011 (abaixo) e 2012 (acima), ambas sob a batuta do técnico Zé Teodoro.

Taças erguidas no Arruda e na Ilha do Retiro. E festa em todo o estado…

O museu tricolor, agora com 26 Estaduais, está revigorado.

Santa Cruz, o campeão pernambucano de 2011. Foto: Ricardo Fernandes/Diario de Pernambuco

Os corais invadiram a festa e ganharam o presente, a taça

Pernambucano 2012, final: Sport 2x3 Santa Cruz. Foto: Paulo Paivai/ Diario de Pernambucano

Os corais entraram no aniversário alheio e sopraram todas as 107 velinhas…

Após 25 anos, o Santa Cruz é bicampeão pernambucano, de maneira incontestável.

Mais emblemático, impossível.

Como em 1987, o bi aconteceu na casa do maior rival, a Ilha do Retiro, até então preparada para a festa do Sport, neste 13 de maio.

O Santa acabou acrescentando mais uma cor à festa. O branco, tomando uma geral com o grito de “tri-tricolor, tri-tri-tri-tri-tricolor”.

De fato, a comemoração coral ficou completa neste domingo após a eletrizante vitória por 3 x 2. O grito ficou na gargante até os 50 minutos do segundo tempo.

No histórico título de 2011, o Tricolor atuou na base dos contragolpes. Marcou 44 gols e foi letal. Um ano depois, um estilo de jogo diferente, mais solto…

Mas com o mesmo resultado, competitivo, para a felicidade geral do povão.

O triunfo sacramentou o desempenho ofensivo do time nesta temporada, tendo Dênis Marques como principal expoente. Foram 51 gols em 26 jogos.

Apesar das condições financeiras adversas em relação aos dois principais rivais, a Cobra Coral se superou mais uma vez com a força de sua torcida.

Mais uma vez não… Como sempre!

No último Estadual, uma média de 25.838 torcedores no Arruda. Desta vez, o índice foi ainda maior, de 26.642 pessoas a cada apresentação no Mundão. O maior do país.

E assim foi o Santa Cruz versão 2012, com a aplicação tática que é a cara da equipe comandada por Zé Teodoro, que realmente tem o elenco nas mãos.

Tiago Cardoso, Memo, Renatinho e Natan. Bicampeões. Outros se juntaram ao grupo vencedor, como Anderson Pedra, Flávio Caça-Rato e ele, DM9.

O gol na decisão, com categoria, o transformou em artilheiro isolado da competição com 15 gols. Craque. E olhe que o atacante estreou apenas na 8ª rodada…

A verdade é que todo o grupo batalhou, marcando e atacando em velocidade, de forma ordenada. Dos contragolpes ao ataque desde os primeiros instantes, 2011 e 2012.

Ao todo, o bicampeonato teve 52 jogos, com 33 vitórias, 6 empates e 13 derrotas, com um ótimo aproveitamento de 67,3%. Com esses números, dois troféus…

Pernambucano 2012, final: Sport 2x3 Santa Cruz. Foto: Paulo Paivai/ Diario de Pernambucano