MEC ressalta que inconsistências não afetaram notas de redação do Enem

MEC ressalta que inconsistências não afetaram notas de redação do Enem

Após registrar um erro nas notas de provas objetivas de 5.974 participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019, o Ministério da Educação (MEC) enfatizou, nesta terça-feira (21), que as inconsistências não afetaram as notas de redação do exame. De acordo com o MEC, mais de 5 mil avaliadores foram responsáveis por corrigir os textos. O processo que pontua os textos é diferente da correção das questões objetivas, o método da Teoria de Resposta ao Item (TRI).

“Todas as redações são avaliadas por dois professores em plataforma online, com texto sem identificação. Cada um desconhece a nota atribuída pelo outro. Se a discrepância das notas for superior a 100 pontos, no total, ou 80 pontos em uma das cinco competências avaliadas, um terceiro professor fará a correção. A nota final é a média aritmética das duas notas totais que mais se aproximam”, explicou o MEC. “Se a inconsistência persistir após a análise do terceiro professor, a redação é corrigida por uma banca de professores especializados. Eles têm poder decisório para definir a nota final”, completou.

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A redação do Enem avalia cinco competências: domínio da escrita formal; desenvolvimento do tema em estilo dissertativo-argumentativo; relacionar, organizar e interpretar informações e argumentos em defesa de uma opinião; conhecimento de mecanismos linguísticos para construir a argumentação e elaboração de proposta de intervenção para o problema proposto, com respeito aos direitos humanos.
A nota máxima prevista na redação do Enem é mil. Textos com até sete linhas ou que fugiram ao tema estão entre os critérios para zerar a redação. Os participantes que tiverem dúvidas em relação às notas das questões objetivas podem entrar em conato com o Inep pelo telefone 0800-616161.

Dos 3,9 milhões de participantes do Enem 2019, apenas 53 participantes a nota máxima. A maioria dos estudantes com mil na redação é de Minas Gerais, que teve 13 textos com a maior nota. Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro tiveram seis candidatos com nota mil, cada. Na região Sul do país, nenhum candidato conquistou a pontuação mais alta. Por outro lado, o Enem 2019 teve 4% dos participantes com nota zero na redação. Ao todo, 143.736 candidatos zeraram a prova. Os principais motivos para nota zero foram redações em branco (56.945), fuga ao tema (40.624) e cópia do texto motivador (23.265). A média ficou em 592,9, superior à registrada em 2018, que foi 522,8.

Presidente do Inep diz que gráfica do Enem pode ser penalizada

Presidente do Inep diz que gráfica do Enem pode ser penalizada

Por Folha Press

O presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Alexandre Lopes, disse que a gráfica Valid pode ser penalizada pela falha que provocou, segundo o governo Jair Bolsonaro, a divulgação de notas erradas do Enem 2019.

O Inep ainda não sabe qual protocolo de controle falhou dentro da gráfica para que os erros de associação entre o participante e a cor de sua prova não tenham sido identificados antes da divulgação dos resultados.

O Enem acumula algumas falhas ao longo dos anos, mas esta é a primeira vez que um erro como este é registrado. O Enem 2019 foi a primeira edição do exame sob responsabilidade do governo Bolsonaro.

“O que aconteceu no ambiente da gráfica é a gráfica que tem de responder”, disse Lopes.
De acordo com ele, as possíveis sanções seguirão o que é previsto no contrato com a Valid e serão precedidas de todo o processo legal de apuração.

Lopes concedeu entrevista coletiva na noite desta segunda-feira (20) em Brasília para prestar esclarecimentos sobre os erros, que atingiram 5.974 participantes. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, não compareceu.

Na véspera do anúncio dos erros, Weintraub havia comemorado o que descreveu como a melhor edição de Enem de todos os tempos. De acordo com sua assessoria, a ausência na entrevista desta segunda se deu por conflitos de agenda.

O Ministério Público Federal encaminhou, na noite desta segunda, um ofício ao MEC em que solicita a suspensão da abertura das inscrições do Sisu (Sistema de Seleção Unificada). A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão considera que as inconsistências na correção podem prejudicar milhares de estudantes.

O governo manteve a abertura das inscrições para esta terça-feira (21), como previsto no cronograma inicial. Já o prazo foi estendido até domingo (26).

Foram constatados erros na identificação dos candidatos e da respectiva cor de sua prova. O problema teria ocorrido por causa de falhas pontuais nas máquinas de impressão. Os equipamentos teriam engasgado, provando pequenas interrupções no trabalho.

Essas falhas é que teriam provocado a dissociação entre as informações dos candidatos e a cor da prova, segundo o Inep.

A gráfica Valid imprime a prova desde o ano passado. A empresa foi contratada sem licitação, mesmo sem ter experiência em trabalhos similares.

“O erro estava na associação, mas que tipos de erros geraram isso ainda não sabemos dizer”, afirmou Lopes.

Mais de 95% dos casos de erros são concentrados em quatro cidades: Viçosa, Ituiutaba, Iturama (todas em MG) e Alagoinhas (BA).

Os outros casos ficaram espalhados por praticamente todo o país. Somente nos estados de Roraima a Amapá não houve registro de falhas.

Do total de erros, 30 referem-se ao primeiro dia de prova e o restante, ao segundo dia.

O Inep iniciou a conferência das notas a partir de reclamações de participantes nas redes sociais.

O órgão identificou inconsistências nos primeiros quatro casos ainda na noite sexta-feira (17), dia em que as notas foram liberadas.

O governo recebeu 172 mil emails com reclamações. Há, portanto, milhares de participantes que estranharam seus desempenhos e não tiveram a nota alterada.

Lopes disse que o Inep garante a confiabilidade dos resultados porque a análise do órgão não se ateve às reclamações.

Todos os 3,9 milhões de participantes tiveram seus desempenhos conferidos a partir de critérios do Inep para encontrar inconsistências.

A conferência de erros não resultou apenas em elevação das notas.

Cerca de 20% das notas alteradas do segundo dia de prova tiveram o desempenho reduzido. Das notas relacionadas ao primeiro dia, 10% foram de correções para baixar o resultado.

O presidente do Inep disse que não houve erros na correção da redação, uma vez que o problema identificado na gráfica não se aplica a essa prova. Cerca de 300 pessoas participaram desse processo de análise.

TCU recomendou que MEC exigisse mais tecnologia na preparação do Enem

TCU recomendou que MEC exigisse mais tecnologia na preparação do Enem

Por Estadão Conteúdo

Ao liberar a contratação da gráfica responsável pela impressão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) buscar nas próximas edições “incorporar evoluções tecnológicas de digitalização e automatização dos processos gráficos relacionados à impressão e preparação das provas” para garantir mais segurança.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a falha identificada nas notas do último exame ocorreu em uma etapa em que a aferição é feita por funcionários e não com o uso de tecnologia. Da forma como é preparada a prova atualmente, os cartões de respostas dos candidatos não têm nenhum dispositivo tecnológico para identificação, como leitor óptico, por exemplo. A identificação dos cartões para a correção das provas é feita por funcionários.

Segundo o governo, o problema na correção teria ocorrido por erro na identificação dos cartões de resposta dos candidatos e da respectiva cor das provas que fizeram. A falha teria ocorrido na gráfica, a empresa Valid: os arquivos com essas informações foram repassadas ao Inep com divergências. Ou seja, o aluno fez a prova de uma cor, mas a nota foi corrigida como se fosse de outra. Oficialmente, o instituto estimou que o problema atingiu um número inferior a 9 mil candidatos.

A recomendação do TCU foi feita em abril, quando o órgão liberou em caráter excepcional ao Inep contratar a Valid sem licitação. A empresa que imprimiu as provas dos anos anteriores, a RR Donnelley, decretou falência no dia 1.º de abril e o Inep alegou não haver tempo suficiente para abrir uma nova licitação e, por isso, contratou a segunda colocada do último pregão feito para o Enem, a Valid.

Ao liberar a contratação, o tribunal determinou que o Inep modifique para os próximos anos as regras das suas seleções, que foram consideradas na época lesivas à livre concorrência. Os principais problemas apontados pelos ministros foram o modelo de qualificação econômico-financeira dos participantes e a experiência, mas também apontou a necessidade de a autarquia exigir nos próximos contratos “inovações tecnológicas”.

Em resposta ao TCU, em outubro, o presidente do Inep, Alexandre Lopes, disse que, para estudar quais novas inovações tecnológicas podem ser adotadas determinou que fosse feito um contrato com a Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG). À época, ele disse que a contratação aconteceria em um prazo de 120 dias.

Procurados pela reportagem, o MEC e o Inep não responderam sobre as recomendações do TCU e se já estudam quais novos recursos tecnológicos vão exigir da empresa responsável pela produção do próximo Enem.

Apesar de apontar que o erro aconteceu na gráfica, o presidente do Inep afastou a possibilidade de punição à empresa. “Situações problemas, sempre podem acontecer. O que temos que ter primeiro é transparência”, disse no sábado, 18.

A reportagem questionou ao órgão se já determinou ou se pretende analisar a responsabilidade do erro, mas não obteve resposta. O Estado também questionou quem vai arcar com os custos dos procedimentos extras que foram feitos em razão da falha, mas também não houve resposta.

MEC para de receber relatos de participantes sobre erros no Enem 2019

MEC para de receber relatos de participantes sobre erros no Enem 2019

O governo deixou de receber reclamações de participantes sobre as notas do Enem 2019. Nas redes sociais, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) anunciou que apenas mensagens enviadas até as 10h desta segunda-feira (20) serão analisadas.

O novo prazo contradiz promessa do presidente do Inep, Alexandre Lopes, feita no sábado (18), quando o governo confirmou que candidatos receberam as notas erradas do Enem.

Lopes havia afirmado que todas as reclamações encaminhadas até segunda, sem limite de horário, seriam analisadas. Dessa forma, o governo Bolsonaro pode deixar de analisar casos com inconsistências na nota.

Segundo o Inep, o prazo irá expirar par que a equipe técnica tenha “tempo hábil de fazer toda a conferência necessária até o fim do dia, quando os resultados finais serão divulgados”.

O governo corre para tentar evitar estrago maior com a falha no Enem insiste em manter a data de abertura das inscrições do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), prevista para terça-feira (21).

Já se sabe que os erros identificados nas notas não são limitados às provas do segundo dia, como também havia sido divulgado no sábado pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. O governo já identificou problemas nas provas do primeiro dia e ampliou o escopo de análise.

No sábado, o governo trabalhava com a informação de que os erros poderiam alcançar até 1% dos participantes, o que representaria cerca de 39 mil pessoas. Não há informações se esse novo escopo de análise vai aumentar essa expectativa.

O Inep trabalhava até o fim da noite de domingo (19) com um universo de análise que havia chegado a 100 mil provas. Mas esse universo mudava a todo momento, segundo informações recebidas pela reportagem, exatamente porque os casos de reclamações se avolumam.

O governo identificou os erros a partir de relatos de participantes. Inicialmente houve quatro primeiros casos erros registrados, de participantes de Viçosa (MG).

Uma análise tem sido feita no banco de dados para identificar inconsistências, mas, segundo técnicos do órgão, a busca por casos individuais é o que reduz a possibilidades de notas continuarem com equívocos.

A nota do Enem não depende apenas da quantidade de acertos. Conta também quais questões foram anotadas corretamente. Dessa forma, os participantes não têm como checar se o resultado é consistente.

Segundo o governo, foram constatados erros na identificação dos candidatos e da respectiva cor de sua prova. A falha ocorreu na gráfica: os arquivos com essas informações teriam chegado ao Inep com divergências, segundo o instituto.

O candidato fez a prova de uma cor, mas a nota foi corrigida como se fosse de outra. Cerca de 3,9 milhões de pessoas fizeram o Enem 2019.

O Sisu reúne as vagas em instituições públicas que adotam o Enem para selecionar alunos. A nota ainda é usada para vagas no Prouni (Programa Universidade para Todos) e Fies (Financiamento Estudantil).

Pernambucanos aparecem com notas máximas no Enem

Pernambucanos aparecem com notas máximas no Enem

O único entre os 206.220 candidatos de Pernambuco que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 a tirar tira mil na redação não é um “devorador” de livros, mas ama assistir filmes, ver documentários, ouvir músicas de diversos gêneros e ler notícias. Thiago Nakazone, de 18 anos, consegui a nota máxima nas provas de produção textual do Sistema Seriado de Avaliação (SSA), da Universidade de Pernambuco (UPE), e do Enem. Já aprovado na universidade estadual no curso de engenharia de controle e automação, ele vai agora em busca de uma vaga em arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O resultado do Enem foi divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) nesta sexta-feira (17). Dos 3,9 milhões de participantes do Enem 2019, apenas 53 participantes a nota máxima. A maioria dos estudantes com mil na redação é de Minas Gerais, que teve 13 textos com a maior nota. Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro tiveram seis candidatos com nota mil, cada. Na região Sul do país, nenhum candidato conquistou a pontuação mais alta. Por outro lado, o Enem 2019 teve 4% dos participantes com nota zero na redação. Ao todo, 143.736 candidatos zeraram a prova. Os principais motivos para nota zero foram redações em branco (56.945), fuga ao tema (40.624) e cópia do texto motivador (23.265). A média ficou em 592,9, superior à registrada em 2018, que foi 522,8.

Na prova, que tinha como tema “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”, Thiago Nakazone, aluno do Colégio Boa Viagem (CBV), denunciou a elitização do cinema no país. “Argumentei que os ingressos são caros e que a maioria das salas de cinema está nos centros urbanos”, disse. Para iniciar o texto, o estudante mencionou o Cinema marginal, um movimento cinematográfico brasileiro que se propagou pelo país entre meados de 1968 e 1973. “Não costumo ler muitos livros, apesar de gostar de obras de suspense, mas consumo muita notícia e gosto muito de ver filmes”, contou.

Professora de redação de Thiago no cursinho, Fernanda Bérgamo ressaltou que o interesse do estudante por diversas artes e pela filosofia foram determinantes. “A nota mil para um candidato de 18 anos, que conseguiu esse resultado ainda no terceiro ano do ensino médio, mostra que a dedicação leva ao êxito. O que sempre chamava a minha atenção era que, nas aulas, ele sempre corrigia na redação seguinte as falhas que havia cometido na anterior”, afirmou.

Outro destaque em Pernambuco foi a estudante Fernanda Nascimento, 18 anos, do Colégio Núcleo. Ela, que foi aprovada em primeiro lugar no curso de direito da UPE pelo SSA, conquistou a nota máxima na prova objetiva de linguagens, códigos e suas tecnologias. De acordo com o balanço do MEC do Enem 2019, a maior pontuação nessa área do conhecimento foi de 801,7. “A prova deste ano foi mais direta, com textos menores, então eu não sabia como eu tinha me saído quando terminei o exame”, disse a aluna que também vai tentar uma vaga em direito pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), desta vez na UFPE.

Resultado de todas as áreas do conhecimento:

Linguagens

Nota mínima – 322,0

Nota máxima – 801,7

Nota média geral – 520,9

Ciências humanas

Nota mínima – 315,9

Nota máxima – 835,1

Nota média geral – 508,0

Matemática

Nota mínima – 359,0

Nota máxima – 985,5

Nota média geral – 523,1

Ciências da natureza

Nota mínima – 327,9

Nota máxima – 860,9

Nota média geral – 477,8

Nota mil na redação do Enem:

Minas Gerais: 13
Rio Grande do Norte: 6
Rio de Janeiro: 6
Goiás: 4
São Paulo: 4
Distrito Federal: 2
Pará: 2
Piauí: 2
Alagoas: 1
Bahia: 1
Ceará: 1
Maranhão: 1
Mato Grosso do Sul: 1
Paraíba: 1
Pernambuco: 1

Como usar a nota do Enem:

Sisu: o estudante interessado em ingressar em alguma instituição de ensino superior pública deve escolher até duas opções de cursos. Ao final, o sistema seleciona os mais bem classificados em cada curso, de acordo com as notas no Enem e eventuais ponderações, como pesos atribuídos às notas ou bônus. É pré-requisito não ter zerado a redação. As inscrições vão de 21 a 24 de janeiro. São 237 mil vagas.

ProUni: o estudante interessado no ingresso em instituições privadas de ensino superior pode concorrer a bolsas integrais (100%) e parciais (50%). Para se inscrever na iniciativa, o aluno que participou do Enem deve ter obtido média de ao menos 450 pontos e não ter zerado a redação. As inscrições vão de 28 a 31 de janeiro. São 249 mil bolsas.

Fies: com duas modalidades — juros zero a quem mais precisa (renda familiar de até três salários-mínimos por pessoa) e escala de financiamento que varia conforme a renda familiar do participante —, as regras para a nota são as mesmas do ProUni. A partir de 2021, será preciso nota mínima de 400 na redação. As inscrições vão de 5 a 12 de fevereiro. São 70 mil vagas.

Ingresso direto: Para realizar o ingresso direto em uma instituição privada, o estudante não precisa realizar provas nem pagar taxas, apenas se inscrever no site ou diretamente na instituição de interesse e aguardar o resultado da seleção. Só é necessário não ter zerado nenhuma das provas.

Enem Portugal: Em 2020, 47 instituições portuguesas — 10 delas por convênios firmados em 2019 — aceitam a nota do Enem como forma de ingresso. Cronograma e regras são definidos pelas próprias universidades.

Recifense de 18 anos está entre os 53 candidatos com nota mil na redação do Enem 2019

Recifense de 18 anos está entre os 53 candidatos com nota mil na redação do Enem 2019

O estudante recifense Thiago Coutinho Nakazone, 18 anos, está entre os 53 candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que tiraram nota mil na redação da avaliação que aconteceu nos dias 3 e 10 de novembro do ano passado. Thiago é aluno do Colégio Boa Viagem (CBV) e vai concorrer a uma vaga do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa a nota do Enem.

“Democratização do acesso ao cinema no Brasil” foi o tema da redação do Enem 2019. O texto dissertativo-argumentativo, com até 30 linhas, precisava ser desenvolvido a partir da situação-problema e de subsídios oferecidos pelos textos motivadores. Dos 3,9 milhões de participantes do Enem 2019, apenas 53 participantes obtiveram a nota máxima e 143.736 candidatos zeraram a prova.

Os maiores percentuais de motivos para nota zero foram: redações em branco (56.945), fuga ao tema (40.624) e cópia do texto motivador (23.265). A média da redação ficou em 592,9. Para os “treineiros”, aqueles que não concluíram o ensino médio em 2019, as notas estarão disponíveis em março, assim como o espelho da redação.

As médias gerais das outras provas foram 523,1 para matemática e suas tecnologias; 520,9 para linguagens, códigos e suas tecnologias; 508 para ciências humanas e suas tecnologias; e 477,8 para ciências da natureza e suas tecnologias.

Como usar a nota do Enem

Sisu: o estudante interessado em ingressar em alguma instituição de ensino superior pública deve escolher até duas opções de cursos. Ao final, o sistema seleciona os mais bem classificados em cada curso, de acordo com as notas no Enem e eventuais ponderações, como pesos atribuídos às notas ou bônus. É pré-requisito não ter zerado a redação. As inscrições vão de 21 a 24 de janeiro. São 237 mil vagas.
ProUni: o estudante interessado no ingresso em instituições privadas de ensino superior pode concorrer a bolsas integrais (100%) e parciais (50%). Para se inscrever na iniciativa, o aluno que participou do Enem deve ter obtido média de ao menos 450 pontos e não ter zerado a redação. As inscrições vão de 28 a 31 de janeiro. São 249 mil bolsas.
Fies: com duas modalidades — juros zero a quem mais precisa (renda familiar de até três salários mínimos por pessoa) e escala de financiamento que varia conforme a renda familiar do participante —, as regras para a nota são as mesmas do ProUni. A partir de 2021, será preciso nota mínima de 400 na redação. As inscrições vão de 5 a 12 de fevereiro. São 70 mil vagas.
Ingresso direto: Para realizar o ingresso direto em uma instituição privada, o estudante não precisa realizar provas nem pagar taxas, apenas se inscrever no site ou diretamente na instituição de interesse e aguardar o resultado da seleção. Só é necessário não ter zerado nenhuma das provas.
Enem Portugal: Em 2020, 47 instituições portuguesas — 10 delas por convênios firmados em 2019 — aceitam a nota do Enem como forma de ingresso. Cronograma e regras são definidos pelas próprias universidades.