A bicicleta como meio de transporte

Bicicleta - Foto - Paulo Paiva/DP.D.A.Press

Enquanto a bicicleta for vista como brinquedo e não como veículo de transporte, não será respeitada e tampouco terá as garantias de circulação no sistema viário. Uma pesquisa feita no Plano Diretor Cicloviário (PDC) de 2013 já apontava que 77% dos ciclistas que circulam na cidade são trabalhadores. O futuro Plano de Mobilidade do Recife pretende estabelecer dois parâmetros para a bicicleta: meio de transporte de passageiros e de cargas. No primeiro caso, será abordado o compartilhamento dos diversos modais com a bike. No segundo, a importância na distribuição de bens.

O caminho para alcançar esses parâmetros depende de políticas de incentivo e de infraestrutura. Dentro das ações de estímulo está a participação do poder público e do setor privado, com pesquisas para incluir as bicicletas nas contagens, projetos viários e campanhas específicas para o tema. Na infraestrutura, a rede ciclável terá que ser inserida também nos projetos de pontes e viadutos, além de ações de arborização, bicicletários e paraciclos. Os equipamentos serão obrigatórios nas vias, em prédios residenciais, escolas, universidades, prédios públicos e áreas comerciais. Por último, será enfocada a intermodalidade com ônibus, BRT, VLT e metrô.

Do ponto de vista de políticas públicas, o futuro Plano de Mobilidade não difere muito do que já está previsto no Plano Diretor Cicloviário de 2013, mas traz diferenças em relação ao cronograma e os espaços para a implantação da rede cicloviária. “O PDC é extremamente otimista em termos de prazos e metas e não leva em conta outros planos da cidade”, revelou o secretário executivo de planejamento e mobilidade do ICPS, Sideney Schreiner.

O “otimismo” previsto no PDC acabou frustrando os cicloativistas. A coordenadora da Associação Metropolitana dos Ciclistas do Grande Recife (Ameciclo), a arquiteta e urbanista Sabrina Machry, revela que há um descrédito na execução do que já está aprovado. “O PDC previa 27 km de infraestrutura até 2015 e 44,5 km até 2017. A primeira meta não foi cumprida e dificilmente serão 107 km até 2024”, afirmou.

Enquanto aguarda uma infraestrutura mais segura, o entregador Everton Oliveira,22 anos, faz um verdadeiro malabarismo para transportar seis garrafões de água mineral de bicicleta pela Rui Barbosa. “Aqui tem que ficar esperto ou os carros batem na gente”, contou. O servente Anderson Azevedo, 30 anos, vai para o trabalho de bicicleta e aprendeu uma regra. “Não confio no sinal de trânsito. Mesmo quando está fechado tem alguém que não respeita”, revelou.

Dentro da hierarquia do sistema viário os transportes não motorizados são prioridade em relação aos motorizados. Na sequência: pedestre, ciclista, transporte público e, por último, o veículo individual. O secretário executivo do ICPS faz uma ressalva. “A bicicleta tem prioridade em relação ao ônibus do ponto de vista de segurança, mas para a cidade iremos priorizar nas vias a faixa para o transporte público, que beneficia um número maior de pessoas”, disse.

 

Poucos Lugares para estacionar

 

Dados de contagem de bicicletas da Ameciclo e da própria CTTU apontam que na cidade circulam por dia de quatro mil a seis mil ciclistas. E, desses, 77% são trabalhadores que usam a bicicleta como principal meio de transporte. É para esse universo, ainda não totalmente conhecido, que a rede cicloviária deverá focar no Plano de Mobilidade

De acordo com mapas do atual Plano Diretor Cicloviário (PDC), a rede cicloviária da cidade atende 3,7% da população do seu entorno. O restante vai para a rua contando com a própria sorte. “A gente que anda de bicicleta não tem como chegar ao destino apenas com a infraestrutura cicloviária existente. Ela é curta e muito segregada. A realidade é compartilhar o espaço com o carro”, apontou Sabrina Machry, urbanista e cicloativista.

A infraestrutura de paraciclos na cidade ainda é insuficiente. Em frente ao prédio onde ela mora, os próprios ciclistas instalaram um equipamento. “Ao invés de estimular o uso da bicicleta, a Diretoria de Controle Urbano está apreendendo as bicicletas que são amarradas aos postes por falta de paraciclo”, revelou Machry. A assessoria da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano informou que houve um caso na Avenida Conde da Boa Vista e outro na orla de Boa Viagem, mas foram iniciativas pontuais dos fiscais que já estão orientados a não proceder de tal forma.

O Plano de Mobilidade pode ajudar a impulsionar a instalação de paraciclos. O PDC fez um cronograma de 6.570 equipamentos na cidade até 2017. Em um trabalho paralelo, a Secretaria de Turismo e Lazer do Recife instalou, em parceria com o Itaú, 65 paraciclos. Os conjuntos estão no Bairro do Recife, parques 13 de Maio, Dona Lindu e Jaqueira, Forte das Cinco Pontas, Praça Sérgio Saiba mais…
A bicicleta como meio de transporte
Loreto, Lagoa do Araçá e Sítio da Trindade.

Rede cicloviária

Ações para os ciclistas previstas no Plano de Mobilidade
Implantação do PDC em cronograma (revisto)
Padronização construtiva da rede ciclável
Arborização da rede ciclável
Padronização de paraciclos
Paraciclos em polos geradores de tráfego e áreas comerciais
Bicicletários em estações do metrô, BRT e VLT
Incentivo do uso de bicicleta como meio de transporte
Campanha de educação do pedestre, ciclistas e motoristas
Fonte: ICPS

Rede cicloviária

HOJE
Total de rota ciclável: 41,63 km

Até 2024
Total de rota ciclável: 279,4 km

Rotas cicláveis implantadas no Recife

Zona Sul
4 km de ciclovia na Via Mangue (integrada à ciclofaixa da Av. Antônio Falcão)
7,87 km de ciclovia na orla de Boa Viagem
1,41 km de ciclofaixa de Brasília Teimosa
3,5 km da ciclofaixa Arquiteto Luiz Nunes
0,45 km de ciclovia Shopping
1,7 km de ciclofaixa na Antônio Falcão
0,85 km de ciclofaixa Jardim Beira Rio
Zona norte
1,47 km de ciclovia na Avenida Norte
5 km de ciclofaixa Binário de Casa Amarela – Arraial x Encanamento
1,9 km de rota Marquês de Abrantes
Zona oeste
2,3 km de ciclofaixa Cavouco
5,6 km de rota Tiradentes
3,2 km de rota Antônio Curado
2,4 km de rota Inácio Monteiro
Zona 30
22 vias do Bairro do Recife com uso compartilhado equitativo entre pedestres, veículos e ciclistas. (desde junho de 2014)
Fonte: CTTU

Padrão do uso da bicicleta na RMR
77% trabalhadores
13% estudantes
5% desempregados
4% aposentados
1% outros
Fonte: PDC

Bicicletários e paraciclos a serem implantados
6.570 vagas de bicicletários até 2017
4.840 vagas de paraciclos até 2017
Saiba mais…
Poucos lugares para estacionar
Fonte: PDC

Cidades a pé! Quem compra essa ideia?

Condições inadequadas das calçadas são obstáculo para locomoção dos pedestres Foto: Ricardo Fernandes DP/D.A.Press

Condições inadequadas das calçadas são obstáculos para locomoção dos pedestres Foto: Ricardo Fernandes DP/D.A.Press

 

Certa vez ouvi do engenheiro e doutor em mobilidade urbana, Oswaldo Lima Neto, a seguinte frase: “O gestor que resolver o problema das calçadas, jamais será esquecido”. A frase não é exagero. Apostar na caminhada, nas condições ideais para o pedestre é a maneira mais democrática de melhorar a mobilidade, completou outro estudioso no assunto, Francisco Cunha, autor do livro “Calçada, o primeiro degrau da cidadania”.

Mesmo que os números “não atualizados” do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) indiquem que um terço da população da Regiáo Metropolitana do Recife (RMR) se desloque a pé, poucos são os esforços para melhorar as condições de deslocamento desse universo de pessoas. E outras mais podem ser atraídas para andar a pé, quando as calçadas forem mais convidativas.

Depois de criar uma associação de pedestres, São Paulo inova mais uma vez com a realização de um seminário para discutir o tema. A proposta bem que poderia servir de inspiração para as capitais brasileiras. O assunto é muito bem-vindo e, todos nós, pedestres, agradecemos.

Abaixo a matéria do Portal Mobilize sobre o seminário promovido pela Associação Nacional de Transporte Público (ANTP): Cidades a pé!

Pedestres no Recife - Foto Bruna Monteiro DP/D.A.Press

Pedestres no Recife – Foto Bruna Monteiro DP/D.A.Press

Será realizado em São Paulo, entre os dias 25 e 28 de novembro, um evento imperdível para todos aqueles que, como nós, defendem a caminhabilidade como uma prioridade no meio urbano. Trata-se do Seminário Internacional Cidades a Pé, organizado pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), um encontro pioneiro e inédito.

O Seminário reunirá, num mesmo espaço do Instituto Tomie Ohtake, na zona oeste de São Paulo, especialistas brasileiros e internacionais para debater um tema que vem se revelando urgente no mundo contemporâneo, porque aponta para a humanização de nossas cidades. Afinal, as pessoas mais próximas das cidades são, sem dúvida, aquelas que a percorrem a pé.

Por isso, o Seminário Cidades a Pé irá discutir e refletir sobre a importância do caminhar nas cidades. Serão mostrados tanto os bons exemplos – iniciativas, políticas públicas e estudos que já vêm invertendo a lógica dos espaços urbanos, promovendo ambientes mais caminháveis – como a situação de cidades onde o modelo de desenvolvimento dificulta o andar a pé, e traz efeitos negativos à vida das pessoas.

Programação

O primeiro dia do Seminário (25) será voltado a oficinas técnicas para o público especializado e gestores. Nos dias 26 e 27, painéis com palestras sobre temas como mobilidade a pé e saúde, cidades caminháveis no mundo, desenho urbano, segurança viária, entre outros. Para fechar a programação, no sábado (28) o dia será dedicado a eventos de rua: shows, oficinas e exposições, tudo gratuito.

Diversos nomes ligados à mobilidade ativa do país participam do “Cidades a Pé”, além de profissionais e pesquisadores de outros países, como Espanha, México, Estados Unidos, Colômbia e Reino Unido.

O Mobilize também se faz presente neste evento, e em peso: participam o editor do portal, Marcos de Sousa, e nossos blogueiros Irene Quintáns (Passos e Espaços), Meli Malatesta (Pé de Igualdade), Letícia Sabino (SampaPé) e Luís Carlos Mantovani Néspoli (Palavra do Especialista) – eles quatro também integrantes da Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessiblidade da ANTP – e ainda a Sílvia Cruz (Mobilize Europa) e a equipe do Cidade Ativa (Gabi Callejas).

Inscrição de projetos

Organizações ou pessoas que queiram levar algum projeto e/ou iniciativa voltados à melhoria do deslocamento a pé nas cidades devem fazer inscrição pelo “Pontapé”, espaço de apresentação de trabalhos no Seminário. Basta acessar o link: http://cidadesape.com.br/pontapes/

Serviço

Seminário Cidades a Pé

Data: 25 a 28 de novembro de 2015

Local: Instituto Tomie Ohtake, Rua Coropés, 88, Pinheiros, São Paulo

Organizador: ANTP

Inscrições e informações: http://cidadesape.com.br/

 Fonte: Portal Mobilize

Cidades ainda não acompanham a evolução das bikes como transporte

 

A evolução da bicicleta como modal de transporte Foto: Hesiodo Goes DP/DP.D.A.Press

A evolução da bicicleta como modal de transporte Foto: Hesiodo Goes DP/DP.D.A.Press

Por

Anamaria Nascimento

A cidade ideal para bicicletas é aquela onde empresas privadas incentivam os funcionários a usarem bikes, gestores públicos estimulam a construção de redes cicloviárias e motoristas respeitam ciclistas e pedestres no trânsito. A afirmação está no livro A bicicleta no Brasil, lançado este ano por organizações de cicloativismo com o objetivo de criar cidades onde as pessoas pedalem mais e melhor. Os dados apresentados na obra serão divulgados aos pernambucanos na abertura do 1º Fórum Nordestino da Bicicleta, que acontece entre quinta-feira e domingo no Centro de Artesanato de Pernambuco, ao lado do Marco Zero.

Erika  Pêssoa  Aproveita a praticidade do equipamebto - Foto Hesiodo Goes - DP/D.A.Press

Erika Pêssoa Aproveita a praticidade do equipamebto – Foto Hesiodo Goes – DP/D.A.Press

Das 117 páginas do livro, 12 são dedicadas ao Recife, uma das 10 capitais brasileiras esmiuçadas na obra. De acordo com o texto, os motoristas da capital pernambucana “não têm uma cultura de compartilhamento dos espaços com os demais modais”. As maneiras para começar a mudar essa realidade também são apontadas na obra. As transformações, segundo os autores, devem ser implementadas em quatro eixos: educação, cultura, classe política e estrutura.

Cezar Martins, cicloativista defende melhoria na infraestrutura Foto Hesiodo Goes - DP/D.A.Press

Cezar Martins, cicloativista defende melhoria na infraestrutura Foto Hesiodo Goes – DP/D.A.Press

Um dos organizadores do livro, o paulista Daniel Guth, ressaltou que os dados sobre bicicleta nas capitais brasileiras foram compilados pela primeira vez na obra. “Nosso objetivo foi trazer um diagnóstico, mas também um prognóstico dessas cidades, ou seja, como elas estão hoje e como elas poderão estar no futuro”, explica.

Tomás Aquino também usa a bicicleta para os deslocamentos Foto Hesiodo Goes DP/D.A.Press

Tomás Aquino também usa a bicicleta para os deslocamentos Foto Hesiodo Goes DP/D.A.Press

Sobre o Recife, a obra mostra que a tradição do uso da bike na cidade é favorecida pela geografia plana. “Há bairros onde há um grande fluxo de ciclistas, geralmente em bairros mais afastados do centro e de classe mais baixa. Essas pessoas transitam todos os dias de bicicleta”, pontua o texto. “Pela classe média e média alta, há uma retomada do uso, principalmente como lazer, desde a implantação da Ciclofaixa de Turismo e Lazer. Essa crescente do número, mesmo que aos domingos, aumentou o número de lojas de comércio e serviço, oficinas e o valor das peças”, continua.

A evolução da bike como modal de transporte urbano Foto: Hesiodo Goes DP/D.A.Press

A evolução da bike como modal de transporte urbano Foto: Hesiodo Goes DP/D.A.Press

Para garantir um futuro mais amigável aos ciclistas do Recife, o livro pontua que é preciso melhorar o conhecimento sobre o Código de Trânsito Brasileiro pelos atores do trânsito e realizar mais campanhas educativas de conteúdo aprofundado. “É necessário ainda maior preparo no planejamento do trânsito municipal por parte da gestão pública; ouvir mais a população (seus problemas e propostas) além de ampliar e melhorar a rede cicloviária”, ressalta um dos colaboradores da obra, o cicloativista recifense Daniel Valença. O livro pode ser baixado gratuitamente pelo link www.uniaodeciclistas.org.br/biblioteca/adquira-livro.

Fonte: Diario de Pernambuco

Ruas largas, mas sem aproveitamento para outros modais no Recife

Rua Frei Cassimiro, no bairo de Santo de Amaro. Espa;o demais e uso de menos Foto - Carina Cardoso/ Esp. Aqui PE/D.A. Press

Rua Frei Cassimiro, no bairo de Santo de Amaro. Espa;o demais e uso de menos Foto – Carina Cardoso/ Esp. Aqui PE/D.A. Press

Por

Rosália Vasconcelos

Se alguém mapeasse o Recife, poderia observar que existem diversas vias subutilizadas na cidade. Essa ociosidade, como denominam alguns urbanistas, vem de uma lógica de organização urbana que começou a ser pensada em tono do automóvel, fazendo com que muitas ruas largas, arborizadas e, por que não, urbanisticamente bonitas, fossem deixadas de lado porque não serviam como “bons” corredores de veículos. Diante da necessidade de repensar a cidade sob o aspecto da humanização dos espaços, muitos defendem a importância de transformar essas áreas ociosas em locais de convivência, como alamedas e ruas-parque.

A Zona Norte tem diversos exemplos. A Rua Oton Paraíso, no bairro do Torreão, é custa, mas ampla e muito bem arborizada. Deserta, durante o dia serve apenas como estacionamento. “A sensação que temos, dentro da lógica em que foi planejada a cidade, é de que esses espaços foram guardados como uma poupança a ser dedicada ao automóvel no futuro, para receber um tráfego mais intenso. Mas a rua é, por princípio, um local de circulação de pessoas. Imagina na Oton Paraíso fosse criado um parque, fossem ampliadas as calçadas e o canteiro central e estreitasse a calha da rua? Poderiam ser implantados quiosques com pequenos negócios, bancos de praça para as pessoas descansarem, contemplarem”, sugere o arquiteto e urbanista, Geraldo Marinho.

Rua oton Paraís, no bairro dos Torrões. Apesar do espaço e do canteiro arborizado não há ciclofaixa ou espaço de convivência para o pedestre Foto: Nando Chiappeta DP/D.A.Press

Rua oton Paraís, no bairro dos Torrões. Apesar do espaço e do canteiro arborizado não há ciclofaixa ou espaço de convivência para o pedestre Foto: Nando Chiappeta DP/D.A.Press

Outra via com grande potencial de se transformar em rua-parque é a Frei Cassimiro, em Santo Amaro. Ela é uma paralela da Avenida Norte e liga a Avenida Agamenon Magalhães a Avenida Cruz Cabugá. “Esssa rua já tem um parque e está inclusa num bairro popular. Deveria ser mais qualificada, deixar com duas faixas para carros (cada uma com um sentido diferente) e apenas  uma parte reservada a estacionamento, para poder oferecer um roteiro de caminhada e corrida com pavimentação adequada”, completa Marinho.

Hoje, a via é composta de quatro canteiros: dois são usados como espaço de feira livre e dois são bastante arborizados, mas estão completamente sucateados. Bastante larga, quatro faixas são usadas como estacionamento, escondendo ainda mais a situação de depredação do canteiro central. “Em Santo Amaro temos outros exemplos e é uma pena, porque à medida que as pessoas são convidadas a ocupar os espaços livres e a vivenciar suas ruas, sua cidade, os locais deixam de ser vazios, melhorando inclusive a segurança. Pode até favorecer pequenos negócios de vizinhança, estimulando a economia local”, disserta o urbanista.

A ociosidade de uma via tradicional pode mudar radicalmente, com uma pequena mudança, a qualidade de um lugar. Um bom exemplo fica no bairro de Engenho do Meio, Zona Oeste do Recife, quando a Rua Francisco Bezerra Monteiro, próxima à Reitoria da UFPE, “numa iniciativa rara da prefeitura”, teve sua calçada alargada. “As pessoas se reapropriaram da rua, ajardinaram a frente de suas casas. Deixou de ser ociosa”, comenta Marinho. No bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, ação semelhante foi feita nas transversais à Avenida Domingos Ferreira, na década de 1980. Mas, com o tempo, foram perdendo espaço para os carros e hoje só servem como estacionamento.

Fonte: Diario de Pernambuco

Paris, um convite à caminhada. Recife, um des(convite) ao pedestre

 

Ruas de Paris t~em velocidade reduzida e calçadas acessíveis Foto: reprodução/blog Mobilize Europa

Ruas de Paris t~em velocidade reduzida e calçadas acessíveis Foto: reprodução/blog Mobilize Europa

Os países e as cidades que querem promover e desenvolver o uso da bicicleta precisam fazer uso de instrumentos de gestão, economia, política e infraestrutura para tal. Para que se consiga dar prioridade aos deslocamentos feitos a pé, é necessária a construção de infraestrutura para otimizar o caminhamento e torná-lo seguro, agradável e o mais curto possível.

As ruas, por si só, no contexto motorizado do século XXI, perderam sua função inicial: circulação de veículos, cargas e pessoas. Para que essa lógica seja reconstruída, é preciso que os diversos atores sociais ajam e conquistem o disputado e conflituoso espaço das cidades grande.

Cada cidade, para construir sua política de prioridade aos pedestres, deve se conhecer bem e compreender suas limitações políticas, sociais, econômicas e também territoriais.

Prioridade ao pedestre estimula caminhadas nos deslocamentos Foto; reprodução/Blog Mobilize Europa

Prioridade ao pedestre estimula caminhadas nos deslocamentos Foto; reprodução/Blog Mobilize Europa

Paris, que possui não mais que 11km de raio, é uma cidade que um cidadão consegue cruzá-la com não mais que duas horas de caminhada. Esse fator geográfico da cidade, somado aos investimentos na estrutura para pedestres, faz com que a cidade alcance índices de quase 80% dos deslocamentos de casa para se fazer compras sejam feitos a pé. Na média, as pessoas que caminham em Paris correspondem a mais de 60% dos deslocamentos feitos na cidade.

O processo:

Num primeiro momento, a prefeitura identificou quais as áreas ela gostaria de tratar. Logo em seguida, convidou vários atores locais (lojistas, comerciantes, moradores e outros) para mostrar a eles estes novos conceitos, especialmente o de Zone de Rencontre, e como esta mudança na forma de enxergar o bem (espaço) público poderia trazer melhorias para a qualidade de vida do local.

Associações e cidadãos organizaram atividades lúdicas, jogos e caminhadas pelos locais e mostram o valor do espaço público às pessoas.  Foram realizados workshops junto com estes atores para eles planejarem, com a colaboração de técnicos, o que queriam para as ruas da cidade. Processos educacionais foram fundamentais para fazerem os motoristas entenderem que relação com aquele espaço teria de mudar e que ele perderia a prioridade que, antes, tinha.

Prefeitura de Paris decidiu fechar para os carros a área central da cidade nos finais de semana Foto : Reprodução/Blog Mobize Europa

Prefeitura de Paris decidiu fechar para os carros a área central da cidade nos finais de semana Foto : Reprodução/Blog Mobize Europa

Por fim, com diversos outros atores envolvidos (arquitetos, urbanistas, pessoas da área da cultura, etc) foi o momento de colocar a mão na massa: remoção de vagas para carros, plantação de sementes, colocação de banheiros públicos, aumento das calçadas e implantação de ciclovias. As possibilidades de se recriar o espaço urbano através da ação coletiva e colaborativa são imensuráveis e os gestores públicos, técnicos, coletivos e organizaões sociais e a população parisiense sabem disso.

Um dos produtos dessa iniciativa foi a expansão das novas Zonas 30 na cidade que, em 2013, representavam ⅓ das ruas da cidade. As proximidades de todas as escolas da cidade tiveram esse tratamento implementado. As Zona 20, ou Zones de Recontre, foram criadas com objetivo de, ao invés de somente garantir a segurança do pedestre, dar a ele a prioridade naquela rua. Ainda que nelas hajam calçadas, o pedestre poderá trafegar ‘no meio da rua’. A própria pintura da representação da Zona 20 é elucidativa para mostrar a lógica desta retomada das ruas. Nela, o pedestre possui o maior tamanho. Em seguida está o ciclista. E o menor desenho é o do carro.

Após anos de acúmulo no investimento em calçadas e processos de incentivo ao caminhar, Paris se destaca como uma cidade, além de linda, deliciosa para ser percorrida a pé. A Cidade Luz está longe de ser perfeita e ainda possui inúmeras ruas e calçadas chatas para se caminhar e zero por cento acessíveis (e tampouco que tenham um desenho universal), mas o esforço (pequeno) da atual prefeitura em continuar incentivando o caminhar merece destaque, mas com uma ressalva: até fevereiro de 2015, a cidade contava com uma profissional para lidar com o planejamento urbano para o caminhar.

Fonte: Blog Mobilize Europa (Portal Mobilize)

Enquanto isso, no Recife…

Deficiente visual cai em buraco na calçada da Rua Benfica

Um buraco na calçada da Rua Benfica, bairro da Madalena, no Recife, causou a queda de um deficiente visual. Indignado com a situação, o leitor Ricardo Lima resolveu fotografar o local e denunciar o descaso, enviando as imagens para o WhatsApp do Diario de Pernambuco. O acidente aconteceu em frente ao Supermercado Bompreço.

“Eu assisti um deficiente visual cair por causa dessa vergonha. Eu estava esperando o semáforo abrir, quando vi o deficiente andando com sua bengala cair, então uma moça chegou próximo e ajudou o senhor a levantar”, disse.

O acidente aconteceu em frente ao Supermercado Bompreço.Foto: Ricardo Lima/ Reprodução/ WhatsApp

O acidente aconteceu em frente ao Supermercado Bompreço.Foto: Ricardo Lima/ Reprodução/ WhatsApp

1º Fórum Nordestino de Bicicleta é sediado no Recife

A bicicleta tem presença cada vez mais forte no trânsito do Recife, mesmo sem a estrutura necessária - Hoto - Hélder tavares DP/D.A.Press

A bicicleta tem presença cada vez mais forte no trânsito do Recife, mesmo sem a estrutura necessária – Hoto – Hélder tavares DP/D.A.Press

Fortalecer a bicicleta no Nordeste. Esse é o objetivo do I Fórum Nordestino de Bicicleta, o FNEbici, que acontece entre os dias 29 de outubro de 1º de novembro de 2015, no Centro de Artesanato de Pernambuco, localizado em Recife.As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser feitas até o próximo dia 29, pelo site www.eventick.com.br/fnebici.

O Fórum é uma iniciativa de seis associações cicloativistas da região – Ameciclo, de Recife, Ciclovida, de Fortaleza, Mobicidade, de Salvador, Ciclourbano, de Aracaju, Acirn, de Natal, e Ciclomobilidade, de Maceió –, e conta com o apoio da UCB, União de Ciclistas do Brasil, e do Bike Anjo. Na programação, traz palestras, rodas de discussão, oficinas, além de exibição de trabalhos relacionados à temática da bicicleta enquanto meio de locomoção urbana. Outros formatos de atividades, como apresentação de cases de empreendedorismo na área e Bike Polo, modalidade esportiva forte em países europeus, compõem ainda a programação.

A bicicleta no Nordeste

Os organizadores vêem a bicicleta como uma ferramenta clássica na luta pela preservação ambiental, e também como meio de conscientização para a ocupação do espaço público. Nos últimos anos, esse veículo vem desenhando forte adesão, de forma contundente, entre diversos segmentos sociais nas capitais nordestinas. Em razão disso, surge este novo encontro, o FNEbici.

Entre os pontos que nortearão as atividades do Fórum estão: o compartilhamento de experiências vivenciadas nas grandes cidades da região, a busca pela articulação com o poder público (representado, por exemplo, pelo CTTU/Recife, CET/São Paulo e SCSP/Fortaleza) em prol da implementação de segurança viária de qualidade. Este é um dos maiores entraves aos ciclistas urbanos e às pessoas que desejam aderir à prática. E também serão discutidas ideias que fomentem a consolidação da bicicleta como meio de transporte que merece ser respeitado de acordo com a legislação de trânsito brasileira.

Serviço

I FNEbici – Fórum Nordestino de Bicicletas

Onde: Centro de Artesanato de Pernambuco

Quando: de 29 de outubro a 1 de novembro

Inscrições: www.eventick.com.br/fnebici

Entrada gratuita

Programação

Dia 29, quinta-feira

Local – Food Park Festival

17h – Credenciamento

19h – Palestra de abertura “A Bicicleta no Brasil”

20h – Cine Pedal

Dia 30, Sexta

Local – Centro de Artesanato de Pernambuco

8h40 – Compartilhando experiências (Pesquisa origem e destino no deslocamento urbano, Treinamento de motoristas, Estimulando a bicicleta nas empresas e Bike Blitz)

11h – Roda de diálogo “O Papel da Bicicleta na Emancipação Feminina”

14h – Palestra “Estimulando a Bicicleta nas Capitais”

16h20min – Palestra “Para além das ciclovias”

Local – The Impact Hub – Rua do Bom Jesus, 180.

8h – Oficina de Mapeamento Colaborativo

Local – Praça do Derby

18h – Bicicletada

Dia 31, Sábado

Local – Centro de Artesanato de Pernambuco

9h – Palestras “Organizações formais: sua construção e importância”

9h30min – Palestra “Recursos financeiros e associações”

9h50min – “Experiência com financiamento colaborativo”

10h50min – “O Movimento Bike Anjo no Nordeste”

11h20min – “O movimento da bicicleta na periferia”

11h40min – “O movimento da bicicleta no interior”

14h – Mesa Redonda “Associação: o que conquistamos”

16h – Mesa Redonda “O que conquistaremos”

Local – The Impact Hub – Rua do Bom Jesus, 180

14h – Empreendedorismo: “Como a bicicleta pode alavancar velhos e novos negócios”

Local – Rua do Bom Jesus

19h – Pedale o som

Dia 1º, Domingo

Local – Praça da República

8h – Encontro Bike Anjo Nordeste

14h – Encerramento: Cúpula de escolha do FNEBici 2016

Local – Marco Zero

9h – Pedal Cultural

Local – Rua da Aurora

15h30min – Bike Polo

Fonte:: FNEbici/ Assessoria/ Fórum Nordestino de Biciclet

Tarifa do metrô a R$ 4. Quer saber onde? aqui mesmo no Brasil

Tarifa do metrô do Recife custa R$ 1,60 desde 2012 e é a menor do país. Foto Alexandre Gondim DP/D.A.Press

Tarifa do metrô do Recife custa R$ 1,60 desde 2012 e é a menor do país. Foto Alexandre Gondim DP/D.A.Press

Recife tem a menor tarifa de metrô do país. clique aqui

Enquanto isso, no Distrito Federa, em Brasília,l a tarifa do metrô chega a R$ 4,00. Confira abaixo a reportagem do Portal Mobilize.

Milhares de pessoas, entre servidores, sindicalistas e populares participam de manifestação em frente ao Palácio do Buriti, em Brasília, na última quinta-feira (24). O protesto, que atinge o governador Rodrigo Rollemberg, tem entre os principais motivos o aumento de impostos e das tarifas públicas no DF, entre elas a passagem do transporte coletivo, que no domingo (20) teve elevação de 40%.

O metrô, cuja tarifa era de R$ 3, passou para R$ 4, sendo agora a mais cara do Brasil, acima da do Rio de Janeiro, que subiu para R$ 3,70 em abril deste ano.

No caso do ônibus, a menor passagem passou de R$ 1,50 a R$ 2,25; e a maior, de R$ 3 para 4.

As medidas foram anunciadas na última terça-feira (15) pelo governo, com a justificativa de tentar equilibrar as contas da capital federal. Com essas medidas o GDF pretende arrecadar R$ 1,8 bilhão que, além do reajuste no transporte público, envolvem impostos mais caros, cortes em salários de comissionados, reestruturação de secretarias, suspensão de concursos, entre outras.

“R$ 1 faz diferença”

“Para quem ganha pouco, esse R$ 1 na passagem faz muita diferença. No fim do mês, é um dinheiro que poderia usar, por exemplo, para o lazer da minha família”, afirmou à reportagem da Agência Brasil a empregada doméstica Lila Oliveira.

O contador Ricardo Monte conta que foi pego de surpresa com o anúncio do governo de Brasília. Ele mora no Entorno do DF, que também teve o valor das passagens reajustados neste ano, e precisa pegar dois ônibus para chegar ao trabalho. “Gasto pelo menos R$ 300 todo o mês com ônibus, fora o que minha esposa e filhos gastam. Esse valor vai para mais de R$ 400. Juntando toda a família, é mais de 30% da renda comprometidos com transporte público”, calcula Monte.

Segundo o secretário de Mobilidade do DF, Carlos Tomé, embora o reajuste vá gerar uma carga maior de gasto para a sociedade, se não fosse decidido agora, disse ele, “corríamos o risco de o sistema parar até o final do ano por absoluta falta de recursos”, disse.

Movimentos sociais organizam protestos em Brasília contra a medida. “A gente não vai parar enquanto não baixar a passagem. Não temos condições de pagar essa passagem absurda”, disse Raíssa Oliveira, do Movimento Passe Livre.

Fonte: Portal Mobilize

 

Mais de 80% das Estações de BRT da Região Metropolitana do Recife já sofreram algum tipo de dano

Vidros da estação Riachuelo, no Centro do Recife, estão quebradas há seis meses - Foto Paulo Paiva DP/D.A.Press

Vidros da estação Riachuelo,  Centro do Recife, estão quebradas há seis meses – Foto Paulo Paiva DP/D.A.Press

Por

Marcionila Teixeira

O sistema BRT ainda nem foi totalmente implantado no estado, mas sua estrutura já amarga prejuízos da depredação e do descaso com a manutenção do bem público. Dados do Consórcio Grande Recife revelam um número preocupante: de um total de 37 estações em funcionamento nos dois corredores de transporte, 31 já apresentam algum dano, ou seja, 83,8%. A manutenção das estações em operação é de responsabilidade do consórcio. Até agora, no entanto, a empresa não investiu qualquer valor na recuperação dos danos. O pior: não há previsão para início das reformas. Algumas delas exigem licitação, como a troca de vidros quebrados.

caminhão que passou pela faixa do BRT, ainda não segregada, arrancou parte da cobertura da Estação Tacaruna - do corredor Norte/Sul

caminhão que passou pela faixa do BRT, ainda não segregada, arrancou parte da cobertura da Estação Tacaruna – do corredor Norte/Sul

Segundo o consórcio, as primeiras paradas passaram para os cuidados da empresa em julho do ano passado. Ao todo, 17 estações do Norte/Sul e 14 do Leste/Oeste já sofreram atos de depredação. Os registros apontam principalmente vidros quebrados, além de pichações e quebras de quadro de aviso. “90% dos vidros das estações de BRT são laminados, que não são facilmente encontrados no mercado. Os vidros vêm da região Sudeste e, como todo órgão público, a partir de valores maiores, temos que fazer um processo licitatório público para aquisição”, diz um trecho da nota enviada pela assessoria de imprensa do Grande Recife.

Enquanto isso, na Estação Riachuelo, na rua de mesmo nome, na Boa Vista, os vidros estão rachados nos dois lados da estrutura pertencente ao corredor Norte/Sul. Segundo funcionários, adolescentes em situação de rua jogaram pedras contra os vidros há cerca de seis meses. “Eu não estava aqui, mas falaram que ainda era cedo da noite quando os meninos fizeram essa bagunça”, comentou um jovem que trabalha no local.

Estação São Francisco, ainda não foi inaugurada e já  se encontra pichada. Foto - Paulo paica DP/D.A.Press

Estação São Francisco, ainda não foi inaugurada e já se encontra pichada. Foto – Paulo paica DP/D.A.Press

A poucos minutos dali, outra estação do Leste/Oeste, a Tacaruna, na Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, foi danificada pela ação de um motorista de caminhão. “Por esse lado da via somente é permitida a passagem de BRT, mas os caminhões insistem em passar. Esse era muito alto e levou um pedaço do teto”, comentou uma funcionária. Do outro lado, parte do teto também já caiu, deixando buracos à mostra. O mesmo problema com o teto é verificado na Estação do Derby, que compõe o corredor Leste/Oeste.

Pichações e pó acumulado durante meses nos vidros da estação de BRT São Francisco de Assis, em Paulista, é outra prova da falta de cuidado com o espaço público. A estação ainda não foi sequer inaugurada e por isso sua manutenção ainda é de responsabilidade da Secretaria das Cidades.

Passarela da Estação do São Francisco ainda não foi montada e já apresenta ferrugens e pichações - Foto : Paulo paiva DP/D.A.press

Passarela da Estação do São Francisco ainda não foi montada e já apresenta ferrugens e pichações – Foto : Paulo paiva DP/D.A.press

Os buracos do sistema
com as obras inacabadas

No corredor Leste/Oeste, o primeiro consórcio responsável pela obra do corredor formado pela Servix e a Mendes Júnior, paralisou as obras desde janeiro deste ano, após problemas financeiros resultado do envolvimento na Operação Lava Jato. De acordo com a Secretaria das Cidades, o governo optou por uma nova licitação e uma empresa que apresentou proposta está com os documentos sendo analisados. “ Até a próxima semana, concluiremos a análise e homologaremos a licitação”, afirmou Gustavo Gurgel, secretário executivo da pasta.
No corredor Leste/Oeste, o secretário explicou que ainda estão pendentes os terminais da 3ª e 4ª perimetral, a conclusão de seis estações da Avenida Conde da Boa Vista, a Estação Benfica, além das quatro estações de Camaragibe. Toda a obra está sem previsão de entrega.
No corredor Norte/Sul, a Estação Complexo do Salgadinho, que está pronta, ainda necessita de conclusão do sistema viário do entorno. Já o terminal Abreu e Lima, faltam a ligação de energia e água e o ajuste no portão de acesso. As duas obras estão previstas para o final do ano.

Saiba mais:

Diagnóstico atual dos dois corredores de BRT
37 é o total de estações em operação nos dois corredores
31 estações já sofreram algun tipo de dano
83,8 % das estações foram danificadas em um ano de operação
R$ 2 milhões foi o custo de construção de cada estação de BRT
R$ 20 mil é o custo para manter cada estação em operação

* Consórcio não fez nenhum reparo nas estações danificadas desde que assumiu a operação do sistema há um ano

O que está operando e o que ainda falta operar:

Leste/Oeste:
Hoje
15 estações em operação
3 linhas
60 mil passageiros
Futuro
27 estações
7 linhas
155 mil passageiros

Norte/Sul:
Hoje
22 estações em operação
5 linhas
50 mil passageiros
Futuro
28 estações
8 linhas
180 mil usuários

Fonte: Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano

 

O futuro que não saiu do papel na mobilidade do Grande Recife

 

Cidade da Copa só ficou na maquete crédito: Arena/reprodução

Cidade da Copa só ficou na maquete
crédito: Arena/reprodução

Nem tudo o que é desenhado vira obra. Na última década, o recifense esperou e acreditou em uma nova cidade, de mais espaços de convivência e melhores condições de deslocamentos. O anúncio da capital pernambucana como subsede da Copa encheu de expectativas de novas possibilidades em infraestrutura, principalmente na área de mobilidade.

Da ilusão da implantação do monotrilho ou do Veículo Leve sob Trilho (VLT) à realidade do BRT (Transporte Rápido por Ônibus) ainda incompleto vimos a cidade do futuro em forma de maquetes e acordamos com a realidade das obras inacabadas na segunda metade da década de 2010.

Projeto dos viadutos na Agamenon foi abortado pelo estado por pressão dos moradores Crédito: Secretaria das Cidades/Divulgação

Projeto dos viadutos na Agamenon foi abortado pelo estado por pressão dos moradores Crédito: Secretaria das Cidades/Divulgação

Também sonhamos com uma nova cidade, a da Copa, idealizada nas imediações da Arena Pernambuco para estimular o desenvolvimento na Zona Oeste, mas isso só ficou na maquete. “A gente esperava que essa região seria mais valorizada com a Arena, mas as pessoas assistem aos jogos e vão embora”, relatou o mecânico Gustavo Xavier, 43, na sua oficina às margens da BR-408.

Requalificação da PE-15 não saiu do papel e não tem previsão de sair. Crédito: Secretaria das idades/reprodução

Requalificação da PE-15 não saiu do papel e não tem previsão de sair. Crédito: Secretaria das Cidades/reprodução

Não foi a primeira vez que a Zona Oeste do Recife ficou no “quase”. No fim da década de 1970, com a construção do Terminal Integrado de Passageiros (TIP), a expectativa era estimular o desenvolvimento local com a implantação de um Centro Administrativo do estado, o projeto desenhado por Oscar Niemeyer no governo de Marco Maciel não saiu do papel. “A proposta era descentralizar e estimular o desenvolvimento, mas depois Marco Maciel foi para o Senado, vice-presidência e o projeto não foi adiante. O cenário seria outro, sem dúvida”, afirmou o arquiteto e urbanista José Luiz da Mota Menezes.

Previsto para ser entregue em 2014, projeto de navegabilidade tem nova previsão em 2017 - crédito: Secretaria das Cidades/Reprodução

Previsto para ser entregue em 2014, projeto de navegabilidade tem nova previsão em 2017 – crédito: Secretaria das Cidades/Reprodução

Com a Cidade da Copa todos os olhares voltaram-se novamente para a Zona Oeste e até um condomínio de luxo se instalou nas imediações. A Cidade da Copa havia sido projetada para ser a primeira Smart City da América Latina a 19 quilômetros do Centro do Recife. A proposta era implantar um modelo de mobilidade urbana com incentivo ao transporte público e criação de faixa exclusiva para ciclistas e pedestres no entorno da Arena. Além de moradias, também prometia faculdades, bancos e hospital. Mas hoje é um grande espaço de nada no entorno da Arena.

O governo do estado acabou concentrando os esforços para viabilizar a construção da Arena e dos corredores de transporte de BRT. A Arena ficou pronta depois de consumir R$ 743 milhões na parceria público-privada. Já os corredores de BRT ainda estão com as obras inacabadas, um ano após a realização do mundial. E deixando de fora pontos previstos no projeto original como a pavimentação nova ao longo dos corredores, faixas segregadas, expansão dos terminais antigos e requalificação da PE-15.

Segundo a Secretaria das Cidades o corredor Norte/Sul será entregue até o fim do ano. O Leste/Oeste está parado e depende de nova licitação. Já a requalificação da PE-15 depende de captação de recursos.

Para o urbanista Geraldo Marinho, as obras incompletas ou modificadas provocam frustração e perda na qualidade dos espaços. “É um desastre, uma vez que o produto esperado  não se concretiza e causa frustração e descrédito do poder público”, apontou.

Uma Agamenon a ser reinventada
Avenida Agamenon Magalhães, perimetral do Recife, travada. Foto: Ricardo Fernandes DP/D.A.Press

Avenida Agamenon Magalhães, perimetral do Recife, travada. Foto: Ricardo Fernandes DP/D.A.Press

Dos espaços idealizados em maquetes, a Avenida Agamenon Magalhães é um dos que mais receberam projetos que não saíram do papel nesta última década. Em 2009, o urbanista Jaime Lerner trouxe para a cidade um desenho futurista de uma Agamenon com um elevado sobre o canal em toda sua trajetória com um espaço segregado para o transporte público.

O projeto, contratado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE), tinha como propósito a implantação do corredor Norte/Sul nos moldes do BRT. Pelo projeto de Lerner, as estações ficariam sobre o canal e sob o elevado e o ônibus não teria nenhum contato com o tráfego misto.

Dois anos depois, o governo do estado apresentou um outro projeto para o corredor Norte/Sul no trecho da Avenida Agamenon Magalhães. O elevado de Jaime Lerner ao longo do canal ficaria de fora e, no lugar dele, quatro viadutos cortando os principais cruzamentos da perimetral.

A proposta do governo era garantir velocidade para o transporte público com uma faixa exclusiva para o BRT ao lado do canal e não mais em cima. Os viadutos acabaram provocando uma forte reação da sociedade e o estado recuou e não levou o projeto adiante.

Para o corredor Norte/Sul foi desenhado um terceiro projeto. Os viadutos saíram, mas a faixa exclusiva ao lado do canal e as estações sobre o canal foram mantidas. O projeto passou a ser chamado de ramal da Agamenon. Ou seja, o corredor Norte/Sul passa pela Avenida Cruz Cabugá, que está em obras, e outro ramal passará pela Agamenon. O projeto era para ficar pronto até a Copa, ainda não saiu do papel. E não há previsão de quando o ramal será construído ou se a Agamenon receberá um quarto projeto ainda nesta década.

Segundo o secretário adjunto da Secretaria das Cidades, Gustavo Gurgel há pendências com o consórcio responsável pela obra, orçada em R$ 96 milhões. “Estão sendo revistas questões contratuais com consórcio Heleno Fonseca/Consben referente a remanescentes do início da obra e adequação ao modelo determinado pelo Tribunal de Contas da União. A empresa alega que a adequação determinada pelo TCU é anterior à assinatura do projeto”, revelou Gurgel. A Secretaria das Cidades decidiu não dar prazo de início das obras na Agamenon. “Não temos como precisar, pois se não houver acordo com a empresa teremos que refazer a licitação”.

Treze painéis com mensagens do trânsito nas ruas do Recife em 2016

Painel de Mensagens Variadas (PMV) em São Paulo. A CTTU tem planos de instalar 13 painéis na capital pernambucana em 2016

Painel de Mensagens Variadas (PMV) no Rio de janeiro. A CTTU tem planos de instalar 13 painéis na capital pernambucana em 2016

A informação é uma aliada fundamental na mobilidade. Mas há situações, onde a ausência dela pode significar o mergulho no caos. Imagine vir de Boa Viagem sentido Centro e na hora de optar entre o Cais Estelita e a Avenida Agamenon Magalhães, você opta pela segunda e mais na frente se surpreende com um caminhão quebrado em cima do viaduto.

A situação não é hipotética, ela já ocorreu inúmeras vezes, mas o motorista só descobre a má escolha depois que não tem como sair dela. Pelo menos até agora.A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) está licitando 13 Painéis de Mensagens Variáveis (PMV), que serão distribuídos em pontos estratégicos da cidade a partir de 2016.

Os pontos foram estudados justamente para possibilitar ao condutor mudar a sua direção a tempo. As informações vão incluir a velocidade das faixas em tempo real e os avisos no caso de acidentes ou protestos interrompendo as vias. “Esse tipo de informação dará um salto de qualidade muito grande na mobilidade. A partir das informações as pessoas terão condições de mudar o roteiro com as rotas de fuga”, explicou o gerente de fiscalização da CTTU, Marcos Araújo.

Dos 13 painéis seis serão localizados na Zona Sul, sendo três na Herculano Bandeira, dois na Mascarenhas de Moraes e um na Conselheiro Aguiar. “Foi feito um estudo para instalar nos principais corredores onde há opção do motorista mudar de rota, mas esses locais não são definitivos e podem sofrer alteração a partir de novas necessidades”, explicou o diretor de operações de trânsito da CTTU, Agostinho Maia.

As avenidas Beberibe, Estrada de Água Fria e Abdias de Carvalho também irão receber informações em tempo real da velocidade das faixas. “O motorista vai poder se adequar com as informações da velocidade”, ressaltou Marcos Araújo.

Em São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) dispõe de 40 painéis. Em 2011, eram 23 equipamentos. Uma das reclamações mais comuns era a demora na atualização das informações. “Aqui no Recife, nós teremos informações transmitidas imediatamente após um evento que traga prejuízo a fluidez do trânsito”, explicou Marcos Araujo.

Detalhamento da localização dos 13 PMV’s

Avenida Mascarenhas de Moraes
– 1 painel (sentido centro) em frente ao Aeroporto Internacional dos Guararapes
– 1 painel (sentido subúrbio) após a descida da ponte Motocolombó

Avenida Abdias de Carvalho
– 1 painel (sentido centro) após a lombada eletrônica da Av. Eng. Abdias de Carvalho
– 1 painel (sentido subúrbio) em frente ao Sport Club do Recife

Avenida Herculano Bandeira
– 1 painel (sentido subúrbio) Após a descida da ponte Governador Paulo Guerra
– 2 painéis (para atendimento da Domingos Ferreira / sentido subúrbio), sendo um no início da pista leste e outro no início da pista oeste

Avenida Recife
– 1 painel (sentido aeroporto) próximo à entrada de Jardim São Paulo
– 1 painel (sentido Ceasa) após a descida do viaduto Tancredo Neves

Avenida Beberibe
– 1 painel (sentido centro): próximo ao antigo terminal de Beberibe
– 1 painel (sentido subúrbio) próximo ao Mercado da Encruzilhada

Avenida Conselheiro Aguiar
1 painel próximo à pracinha de Boa Viagem

Rua – Estrada Velha de Água Fria
1 painel (sentido aeroporto) início da Estrada Velha de Água Fria, próximo ao DNOCS

Fonte: CTTU