Obras de BRT na Região Metropolitana do Recife sem prazo de conclusão

Obras incompletas do corredot Leste/Oeste no Recife Foto Rafael Martins DP/D.A.Press

Obras incompletas do corredot Leste/Oeste no Recife Foto Rafael Martins DP/D.A.Press

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Anamaria Nascimento

Mais atrasos nas obras dos dois corredores de BRT da Região Metropolitana do Recife. Depois do anúncio em março, de que o corredor Norte/Sul – de Igarassu ao Centro do Recife – ficaria pronto em dezembro deste ano, a Secretaria das Cidades informou que “não há prazo estipulado” para a conclusão das obras. Sem data de conclusão também para o corredor Leste/Oeste, que vai de Camaragibe até a área central da capital pernambucana. Quando lançados, em 2010, os corredores exclusivos de ônibus deveriam ficar prontos para a Copa do Mundo de 2014.

Estação de BRT da Benfica com obras paradas Foto Rafael Martins DP/D.A.Press

Estação de BRT da Benfica com obras paradas Foto Rafael Martins DP/D.A.Press

De acordo com o cronograma inicial do Programa Estadual de Mobilidade Urbana (Promob), o Leste/Oeste seria entregue em dezembro de 2013. E o Norte/Sul ficaria pronto três meses depois, em maio de 2014. De lá para cá, várias datas foram divulgadas. Em março deste ano, o secretário das Cidades, André de Paula, disse que, “se tudo corresse de acordo com o previsto”, até o fim deste ano “a maioria das intervenções seria concluída”. Segundo ele, essa era uma exigência do governador Paulo Câmara, que havia definido os trabalhos de mobilidade como prioridade número 1.

O Diario visitou estações inacabadas. No corredor Norte/Sul, a Estação Complexo do Salgadinho, que está pronta, ainda necessita de conclusão do sistema viário do entorno para começar a operar. Rodeada de tapume e com um matagal crescendo ao seu redor, a estação permanece fechada. A Estação da Benfica, do corredor Leste/Oeste, está com as obras completamente paradas.

Fonte: Diario de Pernambuco

Estação de BRT do Complexo Salgadinho não teve o entorno concluído Foto Rafael Martins DP/D.A.Press

Estação de BRT do Complexo Salgadinho não teve o entorno concluído Foto Rafael Martins DP/D.A.Press

Sobre os atrasos, a Secretaria das Cidades informou que está finalizando a contratação da empresa para concluir as obras do Leste/Oeste e abandonadas pelo consórcio de empresas contratado para a execução dos serviços. Com relação ao corredor Norte-Sul, a Secid está buscando uma programação com a empresa para finalizar os serviços. Mas sem definir prazo.

Frota de ônibus está ociosa

O atraso na conclusão das obras do BRT causa prejuízos aos veículos que já estão prontos para rodar, mas que permanecem ociosos. Nas garagens das empresas do Consórcio Conorte – formado pelas operadoras Itamaracá, Rodotur e Cidade Alta e que opera no corredor Norte/Sul – 26 coletivos novos estão sem uso há um ano e três meses.

No total, são 88 BRTs do consórcio, dos quais 62 estão rodando. “Temos um custo de manutenção porque esses ônibus se desgastam pelo não uso. Colocamos os veículos para circularem internamente nas garagens para retardar esse desgaste”, explicou o diretor institucional da Conorte, Gbson Pereira, sem precisar, no entanto, o valor mensal do prejuízo. A frota parada fica dividida nas garagens das três empresas do consórcio.

Segundo Gbson, o preço de um ônibus que opera no sistema BRT é três vezes maior que um convencional. Já os custos de operação dos veículos são de 30 a 40% maiores que os dos ônibus tradicionais. “A licitação previa um sistema de operação integrada e com vias segregadas. Sem as vias segregadas, a operação, que custa caro, é comprometida”, afirmou Pereira.

 

O futuro que não saiu do papel na mobilidade do Grande Recife

 

Cidade da Copa só ficou na maquete crédito: Arena/reprodução

Cidade da Copa só ficou na maquete
crédito: Arena/reprodução

Nem tudo o que é desenhado vira obra. Na última década, o recifense esperou e acreditou em uma nova cidade, de mais espaços de convivência e melhores condições de deslocamentos. O anúncio da capital pernambucana como subsede da Copa encheu de expectativas de novas possibilidades em infraestrutura, principalmente na área de mobilidade.

Da ilusão da implantação do monotrilho ou do Veículo Leve sob Trilho (VLT) à realidade do BRT (Transporte Rápido por Ônibus) ainda incompleto vimos a cidade do futuro em forma de maquetes e acordamos com a realidade das obras inacabadas na segunda metade da década de 2010.

Projeto dos viadutos na Agamenon foi abortado pelo estado por pressão dos moradores Crédito: Secretaria das Cidades/Divulgação

Projeto dos viadutos na Agamenon foi abortado pelo estado por pressão dos moradores Crédito: Secretaria das Cidades/Divulgação

Também sonhamos com uma nova cidade, a da Copa, idealizada nas imediações da Arena Pernambuco para estimular o desenvolvimento na Zona Oeste, mas isso só ficou na maquete. “A gente esperava que essa região seria mais valorizada com a Arena, mas as pessoas assistem aos jogos e vão embora”, relatou o mecânico Gustavo Xavier, 43, na sua oficina às margens da BR-408.

Requalificação da PE-15 não saiu do papel e não tem previsão de sair. Crédito: Secretaria das idades/reprodução

Requalificação da PE-15 não saiu do papel e não tem previsão de sair. Crédito: Secretaria das Cidades/reprodução

Não foi a primeira vez que a Zona Oeste do Recife ficou no “quase”. No fim da década de 1970, com a construção do Terminal Integrado de Passageiros (TIP), a expectativa era estimular o desenvolvimento local com a implantação de um Centro Administrativo do estado, o projeto desenhado por Oscar Niemeyer no governo de Marco Maciel não saiu do papel. “A proposta era descentralizar e estimular o desenvolvimento, mas depois Marco Maciel foi para o Senado, vice-presidência e o projeto não foi adiante. O cenário seria outro, sem dúvida”, afirmou o arquiteto e urbanista José Luiz da Mota Menezes.

Previsto para ser entregue em 2014, projeto de navegabilidade tem nova previsão em 2017 - crédito: Secretaria das Cidades/Reprodução

Previsto para ser entregue em 2014, projeto de navegabilidade tem nova previsão em 2017 – crédito: Secretaria das Cidades/Reprodução

Com a Cidade da Copa todos os olhares voltaram-se novamente para a Zona Oeste e até um condomínio de luxo se instalou nas imediações. A Cidade da Copa havia sido projetada para ser a primeira Smart City da América Latina a 19 quilômetros do Centro do Recife. A proposta era implantar um modelo de mobilidade urbana com incentivo ao transporte público e criação de faixa exclusiva para ciclistas e pedestres no entorno da Arena. Além de moradias, também prometia faculdades, bancos e hospital. Mas hoje é um grande espaço de nada no entorno da Arena.

O governo do estado acabou concentrando os esforços para viabilizar a construção da Arena e dos corredores de transporte de BRT. A Arena ficou pronta depois de consumir R$ 743 milhões na parceria público-privada. Já os corredores de BRT ainda estão com as obras inacabadas, um ano após a realização do mundial. E deixando de fora pontos previstos no projeto original como a pavimentação nova ao longo dos corredores, faixas segregadas, expansão dos terminais antigos e requalificação da PE-15.

Segundo a Secretaria das Cidades o corredor Norte/Sul será entregue até o fim do ano. O Leste/Oeste está parado e depende de nova licitação. Já a requalificação da PE-15 depende de captação de recursos.

Para o urbanista Geraldo Marinho, as obras incompletas ou modificadas provocam frustração e perda na qualidade dos espaços. “É um desastre, uma vez que o produto esperado  não se concretiza e causa frustração e descrédito do poder público”, apontou.

Uma Agamenon a ser reinventada
Avenida Agamenon Magalhães, perimetral do Recife, travada. Foto: Ricardo Fernandes DP/D.A.Press

Avenida Agamenon Magalhães, perimetral do Recife, travada. Foto: Ricardo Fernandes DP/D.A.Press

Dos espaços idealizados em maquetes, a Avenida Agamenon Magalhães é um dos que mais receberam projetos que não saíram do papel nesta última década. Em 2009, o urbanista Jaime Lerner trouxe para a cidade um desenho futurista de uma Agamenon com um elevado sobre o canal em toda sua trajetória com um espaço segregado para o transporte público.

O projeto, contratado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE), tinha como propósito a implantação do corredor Norte/Sul nos moldes do BRT. Pelo projeto de Lerner, as estações ficariam sobre o canal e sob o elevado e o ônibus não teria nenhum contato com o tráfego misto.

Dois anos depois, o governo do estado apresentou um outro projeto para o corredor Norte/Sul no trecho da Avenida Agamenon Magalhães. O elevado de Jaime Lerner ao longo do canal ficaria de fora e, no lugar dele, quatro viadutos cortando os principais cruzamentos da perimetral.

A proposta do governo era garantir velocidade para o transporte público com uma faixa exclusiva para o BRT ao lado do canal e não mais em cima. Os viadutos acabaram provocando uma forte reação da sociedade e o estado recuou e não levou o projeto adiante.

Para o corredor Norte/Sul foi desenhado um terceiro projeto. Os viadutos saíram, mas a faixa exclusiva ao lado do canal e as estações sobre o canal foram mantidas. O projeto passou a ser chamado de ramal da Agamenon. Ou seja, o corredor Norte/Sul passa pela Avenida Cruz Cabugá, que está em obras, e outro ramal passará pela Agamenon. O projeto era para ficar pronto até a Copa, ainda não saiu do papel. E não há previsão de quando o ramal será construído ou se a Agamenon receberá um quarto projeto ainda nesta década.

Segundo o secretário adjunto da Secretaria das Cidades, Gustavo Gurgel há pendências com o consórcio responsável pela obra, orçada em R$ 96 milhões. “Estão sendo revistas questões contratuais com consórcio Heleno Fonseca/Consben referente a remanescentes do início da obra e adequação ao modelo determinado pelo Tribunal de Contas da União. A empresa alega que a adequação determinada pelo TCU é anterior à assinatura do projeto”, revelou Gurgel. A Secretaria das Cidades decidiu não dar prazo de início das obras na Agamenon. “Não temos como precisar, pois se não houver acordo com a empresa teremos que refazer a licitação”.

Um ano após a Copa e os corredores de BRT no Recife ainda incompletos

 

Estação de BRT do corredor Leste/Oeste com obras paradas na Benfica Foto: Gustavo Glória Especial DP/D.A.Press

Estação de BRT do corredor Leste/Oeste com obras paradas na Benfica Foto: Gustavo Glória Especial DP/D.A.Press

Por

Marcionila Teixeira (Diario de Pernambuco)

A lógica se inverteu. Quase 12 meses depois da abertura da Copa do Mundo, em 12 de junho do ano passado, algumas obras de mobilidade voltadas para facilitar a vida das pessoas durante e após o mundial estão atrasadas ou paralisadas.

Os principais entraves estão no corredor Leste-Oeste e no Ramal Cidade da Copa, cujas obras estão suspensas por problemas financeiros enfrentados pelo consórcio Mendes Jr./SERVIX, investigado na Operação Lava-jato. O corredor Norte-Sul, por sua vez, ganhou nova previsão de conclusão para dezembro, já que duas estações sequer foram iniciadas. Segundo Gustavo Gurgel, gerente geral de mobilidade da Secretaria das Cidades, até o fim deste mês o governo abrirá licitação para contratar a empresa responsável por levantar o que deixou de ser executado pelo consórcio. Somente depois haverá nova licitação para contratação de outra empresa para assumir o serviço.

De forma geral, a maior causa do atraso, segundo Gurgel, foram as desapropriações. Além disso, a existência de linhas de energia elétrica e telefônicas e redes de esgotamento sanitário ao longo do caminho geraram demora. “Existe uma prática no Brasil de prazos não serem cumpridos. Os governos apostam em recursos não disponíveis e subestimam cronogramas de obras”, analisa Germano Travassos, engenheiro consultor em mobilidade urbana.

Nas ruas, os sintomas do atraso são sentidos no dia a dia por motoristas, passageiros e pedestres. Na Cruz Cabugá, por onde passa o corredor Norte-Sul, a desordem é generalizada. “Estou participando de uma seleção de emprego e fiquei surpresa com a situação da avenida. Somos obrigados a andar no meio do mato e do lixo porque não tem calçada”, disse Gilvanice da Silva, 29 anos, na altura do Armazém Coral, onde está em obras uma das estações de BRT.

Gustavo Gurgel ressaltou que a secretaria trabalhou com cronogramas factíveis. “Os prazos são trabalhados para darem certo. Infelizmente as desapropriações têm prazos imprevistos. Muitas vezes o problema em um só imóvel atrasa todo um trecho”, destacou. Ainda segundo o gerente geral, o custo total das obras subiu 20% e o permitido por lei é 25%. Gurgel disse, ainda, que a verba para conclusão das intervenções está garantida pelo governo federal.

Hidrovias do Recife com dois ramais só devem ser entregues em 2017

Hidrovia cortando o Recife só deve ocorrer em 2015 Foto - Paulo Paiva DP/D.A.Press

Hidrovia com dois ramais  cortando o Recife só deve ocorrer em 2017, segundo o governo do estado. A obra estava prevista para 2014. Foto – Paulo Paiva DP/D.A.Press

As obras do projeto de navegabilidade dos rios Capibaribe e Beberibe no trecho urbano do Recife serão retomadas no segundo semestre de 2015. O novo cronograma das obras prevê um ano e meio para conclusão. Ou seja início de 2017.  De acordo com a Secretaria das Cidades, a retomada será possível após a aprovação dos projetos das estações pela Caixa Econômica Federal no início deste ano.

A Secid tem, no entanto, outro entrave: a relocação das palafitas de três comunidades que se encontram no trecho do ramal Oeste: Vila Brasil, Coelhos e Roque Santeiro. Esta, aliás, teria sido a principal razão para a interrupção da dragagem do rio por provocar instabilidade nas moradias.

De acordo com a Secid já foram dragados nove dos onze quilômetros do ramal Oeste. Segundo a secretária executiva de articulação, Ana Suassuna o próximo passo é remover as famílias. “Já existem soluções de habitações para as comunidades de Vila Brasil 1 e Coelhos. Ainda falta uma solução de auxílio-moradia para a comunidade de Roque Santeiro”, explicou a secretária.

A demora na análise dos projetos pela Caixa se deu, segundo ela, devido as alterações do local das estações. A estação do Derby que ficaria por trás do quartel da Polícia Militar foi transferida para as imediações do Memorial de Medicina. Já o galpão de manutenção previsto para ser instalado nas proximidades do metrô teve o projeto transferido para as imediações do Fórum Joana Bezerra. E a estação Recife ficará mais próxima da Ponte Velha (ferro).

Ao  mesmo tempo que as obras serão retomadas, será lançado também o edital de concessão do serviço, que inclui também a compra das embarcações pela empresa que vencer a licitação. “No caso das embarcações chegarem antes da conclusão da estação Recife, nós poderemos entrar em operação com as que já estiverem concluídas”, pontuou.

O projeto prevê dois ramais: Oeste e Sul. A rota Oeste com 11 quilômetros de extensão no trecho entre a BR-101 e a estação central do metrô Recife. E terá cinco estações integradas ao sistema público de transporte por ônibus ou metrô. Já o ramal Norte com 2,9 km de extensão foi desenhado com duas estações. A estação Correios, na Rua do Sol, e estação Olinda, em frente ao Shopping Tacaruna. “No caso do ramal Norte, ainda não tivemos aprovação da Marinha para a estação Tacaruna”, revelou.

Saiba Mais

Cronologia das obras do projeto Rios da Gente
Início das obras – 2012
Retomada prevista no 2º semestre de 2015
Cronograma de conclusão 1 ano e meio (início de 2017)

O projeto contempla
R$ 289 milhões é o valor do orçamento
5 estações da rota Oeste
2 estações da rota Norte
13 embarcações
300 mil passageiros por mês deverão ser transportados

Rota Oeste – 11km de extensão
Estação Dois Irmãos
Estação Santana
Estação Torre
Estação Derby (imediações do Memorial de Medicina)
Estação Recife (imediações da Ponte Velha)
Galpão de manutenção (nas imediações do Fórum Joana Bezerra)

Rota Norte – 2,9 km de extensão
Estação Correios
Estação Tacaruna (Falta aprovação da Marinha)

Fonte: Secretaria das Cidades

Nem choro, nem vela com paralisação de obras do corredor Leste/Oeste do Recife

Estação de BRT do corredor Leste/Oeste com obras paradas na Benfica Foto: Gustavo Glória Especial DP/D.A.Press

Estação de BRT do corredor Leste/Oeste com obras paradas na Benfica Foto: Gustavo Glória Especial DP/D.A.Press

O que parecia uma chance de finalmente termos corredores de transporte de massa com qualidade na Região Metropolitana do Recife, vem se transformando em pesadelo. Nem no prazo, nem com qualidade como chegou a afirmar o então governador Eduardo Campos, em sua última entrevista de fim de ano, antes de entregar o governo para se candidatar à presidência. Ele não poderia imaginar o que o destino lhe tinha reservado. Mas do ponto de vista das obras, os constantes atrasos já davam sinais de que as obras de mobilidade iriam emperrar no meio do caminho.

E elas emperraram não apenas na falta de recursos, mas também na mudança do que era esperado dos projetos. O pavimento por onde deveria circular o BRT, por exemplo, deveria ter sido todo refeito e com dimensões diferenciadas do asfalto comum, em razão do peso do veículo articulado. Mas olhando para o resultado do que já foi feito, esse detalhe não passa de uma uma lenda. Assim como a requalificação da PE-15.

Também vem se tornando lenda a construção das estações de BRT de Camaragibe, da Avenida Conde da Boa Vista (mesmo que as improvisadas sejam concluídas como definitivas), da ampliação do Terminal de Camaragibe e as obras dos dois terminais da 2ª e 3ª perimetrais. Tudo parece um grande faz de conta. Talvez hoje, seja mais fácil dizer que as empresas do consórcio perderam a condição de tocar a obra em razão das irregularidades na Petrobras. Mas o prazo que essas obras deveriam ter sido entregues era muito anterior ao caso Petrolão.

Ainda quando o então secretário das Cidades, Danilo Cabral, respondia pela pasta, garantiu inúmeras vezes a entrega dos corredores até dezembro de 2013. Somente no fim de 2013, ele admitiu que o prazo se estenderia para março de 2014 em razão do Túnel da Abolição. O túnel foi entregue somente no mês passado, mais de um ano depois, e como já dissemos, encolhido meio metro.E o Leste/Oeste ainda se arrasta.

Sempre estivemos longe de alcançar a eficiência na qualidade das obras e agora estamos sem perspectiva de prazo. Nem uma coisa, nem outra. O ex-governador Eduardo Campos também não imaginou que a principal obra de mobilidade do seu governo – os dois corredores de BRT –  tivesse um caminho tão diferente do que ele sonhou que teria. Ou do que nós sonhamos.

Abaixo a matéria com o secretário executivo de Mobilidade da Secretaria das Cidades, Marcelo Bruto ao comunicar a suspensão das obras do Leste/Oeste. Leia abaixo a matéria publicada na edição do Diario de Pernambuco:

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O secretário-executivo de Mobilidade da Secretaria das Cidades de Pernambuco, Marcelo Bruto, confirmou que o estado não renovará o contrato com o Consórcio Mendes Júnior – Servix Engenharia S/A, responsável pelas obras do Corredor Leste/Oeste. No fim da noite, o secretário das Cidades, André de Paula, disse que foram feitos todos os esforços para a conclusão pelo consórcio, mas ficou evidente que isso não é possível. Com isso, as obras deverão sofrer novo atraso, já que um processo licitatório será aberto para escolher a nova empresa.

Para justificar a decisão, o secretário citou a desistência pela Mendes Júnior do contrato de manutenção e recuperação da BR-101 e destacou a dificuldade da entrega do Túnel da Abolição, que integra o Corredor Leste-Oeste. No caso da BR-101, disse, a conclusão do contrato foi oferecida à segunda colocada, a Ferreira Guedes, que declinou do convite nas condições propostas pela Mendes Júnior. André de Paula salienta que foram estudadas alternativas, mas concluiu de forma taxativa, que “esgotaram-se as possibilidades”.

Terminal da 3ª Perimetral em obras Foto: Gustavo Glória Especial DP/D.A.Press

Terminal da 3ª Perimetral em obras Foto: Gustavo Glória Especial DP/D.A.Press

Uma das promessas para a Copa do Mundo, o Corredor Leste/Oeste está com obras paradas há mais de cinco meses. Os BRTs (do inglês (“Bus Rapid Transport”) que já estão em operação transportam 38,5 mil passageiros/dia. Paralelamente, 30 linhas convencionais que perderam os corredores exclusivos disputam espaço com carros, caminhões, motocicletas, carroças e bicicletas, conduzindo 150 mil passageiros diariamente. Das 26 estações previstas para o corredor, quatro ainda não construídas são justamente as do extremo Oeste, em Camaragibe. Outras seis ainda não concluídas se localizam na Avenida Conde da Boa Vista.

Segundo dados da Secretaria das Cidades (Secid), dos R$ 168,7 milhões orçados para o Leste/Oeste foram investidos R$ 136 milhões que equivalem aos aproximadamente 80% das obras concluídas

BR-232 na mira para pedágio

BR-232 será recuperada entre Recife e Caruaru e poderá depois ser pedagiada Foto ; Blensa Souto Maior DP/D.A.Press

BR-232 será recuperada entre Recife e Caruaru e poderá depois ser pedagiada Foto : Blenda Souto Maior DP/D.A.Press

Dezessete anos depois do início das obras de duplicação da BR-232, que ficou pronta em 2002, mas nunca foi inaugurada, oficialmente, a rodovia será praticamente refeita, a partir do próximo ano. A estimativa da Secretaria de Transportes é que a nova BR-232 seja orçada em cerca de R$ 400 milhões, mesmo valor gasto na duplicação. As obras estão previstas para começar em 2016 e serão divididas em dois lotes.

A estratégia da Secretaria de Transportes é de salvar a rodovia, mesmo que para isso seja instalado um pedágio após sua recuperação. No Nordeste, apenas a Bahia tem pedágio em rodovia federal. Em todo o país são oito estados com um total de 28 pedágios.
O pedágio na BR-232 é defendido pelo secretário da pasta Sebastião Oliveira.

Segundo ele, não adianta recuperar a rodovia e não ter uma manutenção que garanta a qualidade da via de forma permanente. “Essa é uma decisão que cabe ao governador, mas eu particularmente defendo o pedágio para que qualidade seja mantida no caso de não haver caixa suficiente para a manutenção”, afirmou.

A empresa Projetec foi contratada para fazer a elaboração do projeto de restauração da rodovia. O trecho contemplado vai do entroncamento da BR 408, nas imediações do Curado, até o entroncamento da BR 104, em Caruaru. A intervenção inclui a restauração do pavimento e implantação do sistema de drenagem, que não foi contemplado no projeto anterior.

“Há uma pendência judicial entre o consórcio das empresas, responsável pela duplicação, e o estado em razão da falta de drenagem na obra, que foi a causa do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte não ter recebido a obra”, detalhou Sebastião Oliveira.

Ainda segundo o secretário, o estado também não recebeu a obra das empresas. “Não foi assinado o termo de recebimento, mas nem por isso iremos deixar a rodovia se acabar. Não queremos ser conhecidos por termos destruído a BR-232, mas sim por salvá-la”, sentenciou. O projeto de restauração, que custou R$ 4,6 milhões tem previsão de ser entregue em novembro deste ano.

Saiba Mais

Os pedágios em rodovias federais:
8 estados e 28 pedágios
Minas Gerais:
BR 040 – 3 pedágios ao longo da rodovia
Paraná
BR 116 – 5 pedágios ao longo da rodovia federal
Santa Catarina
BR 116 – 5 pedágios ao longo da via
Rio Grande do Sul
BR 290 –  2 pedágios ao longo da rodovia
Rio de Janeiro
BR 393-  3 pedágios ao longo da rodovia
Espírito Santo
BR-101 – 7 pedágios ao longo da rodovia federal
Bahia
BR 324 – 2 pedágios
Mato Grosso do Sul
BR 262 – 1 pedágio na rodovia
– São Paulo tem 13 pedágios em rodovias estaduais
– Pernambuco tem 2 pedágios: PE-09 e Via Parque

Principais problemas da BR-232
– Falta de drenagem
– Buracos ao longo da via
– Ondulações na pista
– Sinalização precária
– Acostamento em péssimas condições

A BR-232 em números:
552 quilômetros de extensão de Recife a Salgueiro
63 mil veículo é a média diária que circula pela rodovia
R$ 400 milhões é a estimativa para recuperar os dois lotes
R$ 460 milhões foi o valor gasto na duplicação entre 1998 e 2002
R$ 4,6 milhões é o custo do projeto de requalificação

A execução da obra foi dividida em dois lotes:
Lote 1 – Do entrocamento da BR-408 (Curado) até a entrada de Chã Grande
Lote 2 – De Chã Grande até o entrocamento da BR-104, em Caruaru
2016 é a previsão do início das obras do lote 1

Fonte: Setra e o site estradas.com.br

Corredor de BRT Norte Sul do Grande Recife se arrasta para entrega em maio

 

Corredor BRT na Avenida Cruz Cabugá com velocidade de 4km/h Foto- Aline Soares Especial DP/D.A.Press

Corredor BRT na Avenida Cruz Cabugá com velocidade de 4km/h Foto- Aline Soares Especial DP/D.A.Press

A Secretaria das Cidades confirma a entrega do corredor Norte/Sul para maio deste ano. Mas nem tudo o que foi idealizado para o corredor de BRT deverá se confirmar em maio. Além de obras que vão continuar pendentes, entre elas 10 estações, urbanização da PE-15 e ampliação de três terminais: Igarassu, Pelópidas e PE-15, previstos no projeto original, o sistema denominado de Via Livre, opera de forma limitada em razão das invasões na faixa exclusiva e congestionamento no tráfego misto. A maior velocidade desenvolvida no corredor é de 34km/h, mas cai para 4km/h na Avenida Cruz Cabugá.

O congestionamento coloca em risco a principal característica do sistema: a regularidade.A faixa exclusiva para o BRT na Cabugá, também prevista,  ainda não é uma certeza.O sistema opera atualmente com 13 estações, das 26 previstas no atual projeto. Antes a previsão era de 33 estações. O Norte/Sul transporta, atualmente, uma média de 25 mil pessoas por dia, o que corresponde a  14% dos 180 mil passageiros estimados pelo Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano para o trecho do corredor.

Ele também não contará, por enquanto, com a integração no Terminal de Igarassu. E assim como ocorreu em Camaragibe, no corredor Leste/Oeste, a cidade só deverá assistir o BRT passar por ela. O terminal de Igarassu não comporta um ônibus do porte do sistema  e haverá apenas uma estação a cinco quilômetros do terminal e nada mais.

Não é muito diferente de Abreu e Lima, apesar do terminal da cidade está previsto para ser entregue em maio, ele está localizado no cruzamento da BR-101, distante do centro e a única estação do município fica bem em frente ao terminal. Outro problema em Abreu e Lima é que a faixa que deveria ser exclusiva para o transporte público é constantemente invadida pelo tráfego comum.

“Não há nenhum tipo de fiscalização. A faixa do ônibus fica engarrafada com o trânsito local. O melhor trecho é o de Paulista, onde há ações para inibir as invasões. Em Olinda, o descaso também é total”, afirmou o diretor da Conorte, que opera o Norte/Sul, Almir Buonora.

Em Olinda, o trecho da PE-15 também terá trechos compartilhados com o tráfego misto. Apenas o acesso às estações terá espaço exclusivo. Na Estação Matias Albuquerque estão sendo usados gelos-baianos para delimitar as faixas. A circulação na área da Estação Kennedy também está complicada. A faixa para o tráfego misto ainda está improvisada. A assessoria de comunicação da Secretaria das Cidades não informou quando as obras pendentes deverão ser entregues.

Diagnóstico do Norte/Sul com o BRT
* Prazo de entrega previsto: Maio de 2015
2 linhas implantadas até agora
26 veículos estão em operação
88 veículos foram comprados para operar no corredor
25 mil passageiros são transportados por dia
180 mil é a demanda estimada pelo Grande Recife

Dependência dos ônibus convencionais no corredor
33 linhas ainda estão em operação no trecho do Norte/Sul
117 mil passageiros são transportados por dia

Estações do Norte/Sul
26 estações  é a atual previsão, antes eram 33
13 em operação
8 sem operação
5 pendentes

Passo a passo das estações
1-Cruz de Rebouças (em obras)
2-Abreu e Lima (em obras)
3-José de Alencar (em operação)
4-Hospital Central(em operação)
5-São Salvador do Mundo (em operação)
6-Cidade Tabajara (em operação)
7-Jupirá (em operação)
8-Aloísio Magalhães (em operação)
9-Bultrins (ainda sem operar)
10-Quartel (em operação)
11-Sítio Histórico (em operação)
12-São Francisco de Assis (sem operar)
13-Matias de Albuquerque (sem operar)
14-Kennedy (sem operar)
15-Complexo Salgadinho (em obras)
16-Tacaruna (em operação)
17-Santa Casa da Misericórdia (em operação)
18-Treze de Maio (em operação)
19-Riachuelo (em operação)
20-Praça da República (em operação)

Fonte: Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitana e Secretaria das Cidades

Corredor de BRT Leste/Oeste do Recife entra no quarto ano de obras

Estação da Benfica do corredor Leste/Oeste em obras - Gustavo Glória Especial DP/D.A.Press

Estação da Benfica do corredor Leste/Oeste em obras – Gustavo Glória Especial DP/D.A.Press

O Túnel da Abolição já foi a principal pedra no caminho do corredor Leste/Oeste, mas após sua entrega, mesmo com obras ainda para concluir, o túnel é a menor das preocupações das obras do Leste/Oeste.  Quase quatro anos depois das obras iniciadas, o corredor funciona com menos da metade das estações de BRT, não opera com os dois terminais de integração e transporta cerca de um quarto da demanda prevista pelo Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano.

O atual governo chegou a anunciar a entrega do corredor para maio deste ano, mas já teve o prazo prorrogado para o fim do ano acumulando um saldo de descrédito por parte da população. A situação mais grave é no município de Camaragibe, porta de entrada da Arena Pernambuco e não dispõe de nenhuma estação de BRT na via principal da cidade. Nem mesmo a Copa garantiu a realização das obras. Os moradores precisam se deslocar até o Terminal do Sistema Estrutural Integrado (SEI) para pegar o BRT.

“Nossa preocupação é não causar um mal- estar na população, que precisa fazer um deslocamento maior para ter acesso ao BRT”, revelou o diretor institucional da MobiBrasil, operadora do Leste/Oeste.Mesmo com a precariedade do sistema, a MobiBrasil garante que uma pesquisa interna de satisfação foi bastante favorável. “Nós tivemos quase 60% dos usuários que atestaram a qualidade e o conforto do serviço. Isso significa que os quem têm acesso ao BRT aprovam o modelo”, ressaltou Djalma Dutra. O problema é os que não tem acesso, os três quartos restantes.

Obras do Terminal da 3ª Perimetral do corredor Leste/Oeste -

Obras do Terminal da 3ª Perimetral do corredor Leste/Oeste –

Ao longo do corredor, o trecho da Avenida Caxangá é o que dispõe de mais estações em operação. Mas ainda há ociosidade. Na Estação Engenho, o registro é de  menos de mil usuários por dia. A maior demanda é registrada na estação do Derby com quase 10 mil usuários por dia. O maior entrave é o não funcionamento dos dois terminais de integração, que se encontram em obras na Avenida Caxangá. O da 4ª Perimetral, a obra está em estado de abandono e o mato já cresce no local. Já o terminal da 3ª Perimetral está praticamente pronto, mas ainda sem previsão de ser inaugurado.

Depois da Caxangá, a estação da Benfica se encontra em obras e sem previsão. Passando pelo Derby, o problema volta na Conde da Boa Vista, onde estão previstas seis estações improvisadas com entrada pela porta da direita, mesmo assim não concluídas. Em nota, a Secretaria das Cidades reafirmou que o prazo final das obras é dezembro de 2015, mas não adiantou o cronograma das etapas.

Saiba Mais

Diagnóstico do Leste/Oeste

Novo prazo de entrega: dezembro de 2015

Estações de BRT:
26 estações
11 em operação
15 sem operação
04 não tiveram as obras iniciadas (Camaragibe)

Demanda de passageiros do Leste/Oeste
54 ônibus de BRT adquiridos para o corredor
42 ônibus do BRT em operação
38,5 mil passageiros/dia
160 mil passageiros é a demanda esperada

Terminais sem conclusão
Terminal da 4ª Perimetral
Terminal da 3ª Perimetral

Dependência do ônibus convencional
30 linhas de ônibus convencionais operam no trecho do Leste/Oeste
150 mil pessoas são transportadas pelas linhas convencionais

Passo a passo das estações:
1- Guararapes – em operação
2- Conde da Boa Vista 1 (obras)
3- Conde da Boa Vista 2 (obras)
4- Conde da Boa Vista 3 (Obras)
5- Conde da Boa Vista 4 (obras)
6- Conde da Boa Vista 5 (Obras)
7- Conde da Boa Vista 6 (Obras)
8- Derby (em operação)
9- Benfica (Obras)
10- Caxangá/Estação Abolição (em operação)
11- Caxangá/Estação Getúlio Vargas(em operação)
12- Caxangá/Bom Pastor (em obras)
13- Caxangá/Estação Forte do Arraial (em operação)
14 – Caxangá /Estação Parque do Cordeiro (em operação)
15- Caxangá/Bom Pastor (em obras)
16 – Caxangá/TI 4° Perimetral (em operação)
17 – Caxangá/Estação Italiana Veículos (em operação)
18 – Caxangá/Estação Golf Clube (em operação)
19 – Caxangá/TI Capibaribe (em operação)
20 – PE-05/ Estação Padre Cícero (sem operação)
21 – PE-05/Estação Barreiras (sem operação)
22 – PE-05 Estação Areinha (em operação)
23 – Belmino 1 (não construida)
24 – Belmino 2 (não construída)
25 – Belmino 3 (não construída)
26 – Belmino 4 (não construída)

Fonte: MobiBrasil e Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano

Túnel da abolição será aberto ao tráfego depois de seis adiamentos

 

Túnel da abolição deverá ser aberto ao tráfego. Foto Paulo Trigueiro DP/D.A. Press

Túnel da abolição deverá ser aberto ao tráfego. Foto Paulo Trigueiro DP/D.A. Press

Por

Paulo Trigueiro

O Túnel da Abolição, no bairro da Madalena, Zona Norte do Recife, terá o tráfego de veículo liberado até o meio-dia de amanhã, de acordo com a Secretaria das Cidades do governo do estado (Secid). O restante das obras no local, que engloba um elevador de acesso para pedestres e a sinalização da via, continua sem data definida de entrega. A inauguração foi adiada pela sexta vez no mês passado.

A liberação do tráfego havia sido anunciada para 15 de março pelo secretário estadual das Cidades, André de Paula, quando foi realizada vistoria no túnel, no fim de fevereiro. Segundo o secretário-executivo de mobilidade da Secid, Marcelo Bruto, vários testes vêm sendo realizados na fase final da construção, que ao todo recebeu investimento de R$ 16 milhões.

“Estamos acompanhando as obras, pressionando a empresa responsável e realizando testes sucessivos. Depois de um resultado positivo na sondagem de estabilidade no entorno do túnel, falta apenas realizarmos um teste de drenagem”, afirmou Bruto.
Ele acrescentou que o órgão estabeleceu prazo que a construtora entregue o serviço completo até maio.

Interditando a área desde julho de 2013, a obra deveria ter sido finalizada há mais de um ano, de acordo com o planejamento inicial. Integrante do Corredor Leste/Oeste, o túnel faz parte de um pacote de mobilidade que ajudaria no acesso à Arena Pernambuco durante a Copa do Mundo do Brasil, realizada no ano passado.

Antes do início das obras, quando havia ainda um cruzamento entre a Rua Real da Torre e a Rua Benfica, registrava-se um fluxo médio de 4.620 carros por hora no trecho. Com a finalização do túnel, cerca de 8.250 veículos poderão passar no local no mesmo período.

Insatisfação no entorno da obra

O atraso da obra não trouxe reflexos apenas para a mobilidade do bairro. O impacto também foi sentido na economia da região. O assunto foi discutido em audiência pública realizada na Câmara Municipal do Recife, na manhã de ontem.

O estofador Mário Xavier, 56, que trabalha em frente ao túnel desde 2009, lamenta que três lojas vizinhas estão com as portas fechadas por falta de clientes, já que o acesso ficou reduzido após o início das obras. “Além disso, será uma avenida de alta velocidade. As pessoas não param e não há onde estacionar. É triste para nós.” Ele acrescenta que a falta de movimento também gerou insegurança “Quando encerramos o expediente, às 18h, olhamos para todos os lados, correndo para não sermos assaltados”, afirmou.

O prejuízo no comércio local é conhecido pela Secretaria das Cidades e está sendo analisado. Segundo a assessoria da Secid, a prioridade é finalizar a obra e, principalmente, liberar o tráfego. Em uma nova fase da obra, o problema será discutido.

A vereadora Isabella de Roldão (PDT), que convocou a audiência de ontem, lembrou que houve queda nas visitas ao Museu da Abolição. “Sem acesso ao estacionamento, os ônibus não levam estudantes”, explicou. A diretora do museu, Maria Elisabete Arruda, citou ainda o problema de segurança acarretado pela retirada dos postes de iluminação durante a construção.

Fonte: Diario de Pernambuco

Um novo olhar para o transporte integrado fora dos terminais

 

Terminal da Macaxeira - Foto - Hélder Tavares DP/D.A.PressA estudante Thâmara Morais, 23 anos, nasceu no mesmo ano em que foram inaugurados os dois primeiros terminais integrados do Recife: PE-15 e Macaxeira. Sete anos anos antes dela nascer, o modelo do sistema integrado já havia sido idealizado.

A estudante Thâmara Morais faz duas integrações  por dia Foto - Alcione Ferreira DP/D.A.Press

A estudante Thâmara Morais faz duas integrações por dia Foto – Alcione Ferreira DP/D.A.Press

É graças a esse sistema de integração que Thâmara e um universo de quase um milhão de usuários paga apenas uma passagem por dia para se deslocar para qualquer município da Região Metropolitana do Recife. O modelo do SEI, uma criação genuinamente pernambucana, se tornou referência no país. Trinta anos depois, no entanto, especialistas discutem a necessidade de modernizar o sistema com integrações fora dos muros dos terminais.

Para chegar de sua casa na Várzea para a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde está concluindo o curso de Serviço Social, Thâmara faz duas integrações. Ao entrar no sistema pelo metrô, na estação Ipiranga, ela paga a tarifa de R$ 1,60. Na estação Barro, ela pega o ônibus até o terminal da Macaxeira e de lá a linha Barro/Macaxeira Várzea. “Às vezes demora mais de uma hora por causa do trânsito. Mas prefiro do que pagar duas passagens”, explicou.

Terminal Pelópidas Silveira, na PE-15, inaugurado em 2009 Foto Bernardo Dantas DP/D.A.Press

Terminal Pelópidas Silveira, na PE-15, inaugurado em 2009 Foto Bernardo Dantas DP/D.A.Press

A premissa básica do SEI de inclusão social permitindo uma única tarifa para o sistema é sua maior conquista. Mas outro fator começa a pesar e é determinante para atrair novos usuários: o tempo. Para o professor de engenharia da UFPE, Maurício Andrade, o SEI está falhando nesse quesito. “As pessoas estão perdendo muito tempo nas integrações e há um nível muito alto de desconforto”, afirmou.

A doméstica Maria do Carmo Queiroz, 51 anos, pega três ônibus por dia. Ela reconhece a vantagem de pagar só uma passagem, mas gostaria de encurtar as viagens. “Se pudesse ser pelo menos dois ônibus para chegar onde trabalho, seria melhor. Perco quase duas horas por dia para ir e voltar”, criticou.

O professor Maurício Andrade defende a criação de linhas diretas dentro do SEI com o objetivo de reduzir as integrações. “Para um determinado público, o tempo é mais relevante .Talvez esteja na hora de criar alternativas de linhas diretas, mesmo que o preço seja maior. A pesquisa de origem e destino que será feita poderá identificar se há demanda para esse tipo de serviço”, apontou.

Também defensor de modernizar o sistema, o diretor de planejamento do Grande Recife, Maurício Pina, sugere a integração fora dos terminais. “A essência do SEI deve ser mantida, mas devemos aproveitar o potencial tecnológico existente hoje e que não havia naquela época para que as integrações também possam ser feitas fora dos terminais”, afirmou.

 

Avenida Conde da Boa Vista funciona como um terminal de integração com passagem

Avenida Conde da Boa Vista funciona como um terminal de integração com passagem

Especialista em mobilidade o engenheiro Germano Travasso, que é um dos pais do modelo do SEI, explica que o sistema já previa a integração temporal. “o SEI previa integrações entre linhas convencionais. Para tal, era necessário consolidar primeiro a macro estrutura do sistema, os Corredores Estruturais, e só então promover integrações temporais entre as linhas remanescentes. Seria inadequado promover integrações generalizadas com a rede atual de linhas, cheia de irracionalidades. Caso venha a ser feito, aumentará as ineficiências e, consequentemente o valor das tarifas pagas pelos usuários”, afirmou.

Uma das estações do BRT em Obras - Foto - Nando Chiappetta

Uma das estações do BRT em Obras – Foto – Nando Chiappetta

Trinta anos e não ficou pronto

Os técnicos que idealizaram o SEI há 30 anos imaginaram uma metrópole cortada por sete radiais (vias verticalizadas) cruzando com quatro perimetrais (vias horizontais) e nas interseções os terminais integrados. Na década de 1990, foram construídos os sete primeiros terminais de integração dos 25 previstos. Na década seguinte, outros seis foram entregues, totalizando 13 em 20 anos.

Nos últimos dez anos, sete outros equipamentos foram inaugurados e outros cinco ainda estão em obras com previsão para este ano, depois de vários adiamentos. “Não se pode negar os investimentos que foram feitos nestes últimos anos para o transporte público depois de um longo período de abandono”, apontou Maurício Pina.

Mas há outras intervenções que também foram esquecidas. Das quatro perimetrais previstas até hoje há apenas a primeira. As perimetrais 2,3 estão com os projetos na prefeitura do Recife e a 4ª perimetral  localizada na BR-101 está com o estado. A obra chegou a ser licitada, mas  as obras não foram iniciadas.