O metrô do Recife e a privada

 

Estação Werneck do metrô, Linha Centro, Recife - Foto Guilherme Veríssimo DP/D.A.Press

Estação Werneck do metrô, Linha Centro, Recife – Foto Guilherme Veríssimo DP/D.A.Press

A paralisação do metrô, no último final de semana, a partir de uma decisão dos próprios funcionários do sistema que se recusaram a trabalhar por causa da falta de segurança, chama atenção para um grave problema no transporte público: o vandalismo das torcidas dos times pernambucanos. Os trens e as estações do sistema foram alvo de ataques de vândalos. Até pedras foram arremessadas contra os veículos. Pelo menos dessa vez, não lançaram nenhuma privada. Em maio do ano passado, uma pessoa morreu ao ser atingida por privada lançada da arquibancada no estádio do Arruda.

Não por acaso, a violência das torcidas tem trazido intranquilidade aos trabalhadores do metrô. E não apenas a eles, os ônibus também são alvo da fúria de torcedores nos dias de jogo. A Avenida Conde da Boa Vista, por exemplo, tem sido um verdadeiro saco de pancadas. E quem responde por isso? A propagação da violência encontra espaço, onde a punição é artigo de luxo.

Uma vez ouvi de um consultor em trânsito, que segurança não é um problema do transporte público, mas sim uma questão de polícia. Parece lógico, mas não há como a polícia estar presente em todas as estações, paradas, ônibus e trens. É impossível garantir esse tipo de segurança. As empresas também precisam oferecer segurança própria e dispor de uma forma mais eficaz para se comunicar com a polícia, sempre que necessário.

No final de semana passado, a Secretaria de Defesa Social (SDS) chegou a apresentar um plano de segurança com 68 policiais para fazer a segurança no metrô e não foi suficiente.O Sindicato dos Metroviários chamou atenção para o fato dos policiais não terem sido posicionados nas estações. Isso talvez possa ser melhorado, mas o fato é que há uma insegurança no sistema não apenas para os trabalhadores, mas também para os usuários. A mudança só será sentida quando a punição passar a ser encarada na medida da responsabilidade de quem a pratica, assim como a prisão dos que lançaram a privada matando uma pessoa.

Metrô do Recife paralisa atividades por falta de segurança

Estação Werneck do metrô, Linha Centro, Recife - Foto Guilherme Veríssimo DP/D.A.Press

Estação Werneck do metrô na Linha Centro do Recife, onde ocorreu um assalto na plataforma – Foto Guilherme Veríssimo DP/D.A.Press

Os metroviários deflagraram greve a partir da 0h de hoje. A paralisação vai deixar cerca de 400 mil usuários sem opção no sistema ferroviário na Região Metropolitana do Recife. Para compensar o desfalque, o Grande Recife Consórcio anunciou um reforço na frota.

A greve dos metroviários,anunciada desde a semana passada, não por aumento de salário e sim mais segurança no sistema. No dia a dia, dificilmente se associa a segurança à questão da mobilidade. Mas elas estão intrinsecamente ligadas.

A intranquilidade dos metroviários é um sinal de que as coisas não estão indo bem. Um levantamento feito por policiais ferroviários federais, que atuam no registro das ocorrências no metrô, apontou 1,6 mil casos, entre atendimentos à população, assaltos, estupro e até homicídio, no período de janeiro a setembro deste ano.

Os números foram contestados pela CBTU, que apresentou estatística de 33 ocorrências referentes à questão de segurança para o mesmo período. A situação mais crítica é na Linha Centro, que concentra a maior parte das ocorrências. Foram quatro assaltos a bilheterias, três dentro do trem, três na área externa ao metrô e pelo menos 17 furtos.

Os números não fazen referênci ao assalto na plataforma da estação Werneck, no bairro de Areias, na última quarta-feira. Quatro homens armados pularam o muro do metrô, caminharam pela linha férrea até chegar à plataforma e surpreenderam os usuários que aguardavam o trem. Gritos, correria e nenhum sinal de segurança.

A vigilante que fazia guarda naquele dia estava na entrada da estação, onde fica a bilheteria, e não houve tempo de fazer nada, nem que quisesse. “Na semana passada, três rapazes rondaram a bilheteria, eu fiquei por perto e eles saíram e assaltaram na rua ao lado”, contou o vigilante, que não quis se identificar.

Rua escura
A rua paralela à estação, no lado contrário da praça, é estreita e escura. “Quando eu vou para casa, fico aguardando alguém sair para não ir sozinha”, revelou a atendente Elisângela Pereira, 28 anos. “Antigamente havia segurança dentro do metrô. Hoje, só fica uma pessoa do lado de fora e de vez em quando tem assalto dentro”, disse a dona de casa Severina Dias, 54 anos.

O anúncio antecipado da greve serviu para a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) Recife antecipar uma ação cautelar junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O desembargador e vice-presidente do TRT, Pedro Paulo Pereira Nóbrega, acatou o pedido da CBTU para que sejam mantidos os serviços essenciais nos horários de pico das 5h às 9h e das 16h às 20h.

A multa para a entidade no caso de descumprimento é de R$ 800 mil. O Sindicato dos Metroviários optou, mesmo assim, por parar durante todo o dia, com 100% da frota inoperantes. Para o presidente do Sindicado dos Metroviários, a falta de segurança é um problema estrutural. “A insegurança é oriunda de um problema maior de falta de investimento. E a tendência é se agravar com o corte de R$ 10 milhões no orçamento da CBTU”, afirmou o presidente do sindicato, Diogo Moraes.

Os números da violência no metrô do Recife

Linha Sul
4 assaltos ou tentativa de assalto
1 assalto na estação
1 assalto na área externa

Linha Centro
4 assalto nas bilheterias
3 assaltos dentro do trem
3 assaltos nas imediações do metrô
17 furtos

Fonte: CBTU/Recife

Passageiros da agonia reféns de um modelo de transporte no Recife

Passageiros ônibus/Recife - Foto - Roberto Ramos /DP/D.A. Press

Passageiros ônibus/Recife – Foto – Roberto Ramos /DP/D.A. Press

o anúncio de greve dos motoristas de ônibus do Recife, que costuma ocorrer todos os anos no mês de julho, quando se negocia a data-base da categoria, vem provocando um fenômeno que poderia ser definido como tensão pré-greve nos usuários do transporte público.

É quando surgem os verdadeiros passageiros da agonia. Porque quem não participa diretamente das discussões sobre os salários dos condutores e preços das tarifas continua sendo, na prática, o maior penalizado. Os que pagam a conta não podem todas as vezes ficar reféns de um único modal.

Na última sexta-feira, presenciei o diálogo entre duas usuárias – enquanto aguardava o almoço – preocupadas com o cenário previsto para o dia de ontem. Pelo celular, elas buscavam informações a respeito da greve. Nem mesmo a determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PE) em garantir 100% da frota nos horários de pico servia de consolo.

A aflição era justificada e há pelo menos duas fortes razões: o modelo de negociação salarial – que sempre se estende às últimas consequências e traz prejuízo principalmente ao usuário – e a ausência de outros modais para compensar a falta do rodoviário.

Em São Paulo, mesmo a duras penas, o usuário tem o metrô que atende aos quatro cantos da cidade, além dos trens a diesel. Lá, a superlotação, no entanto, não permite que os vagões sejam suficientes e nem poderiam. Não há mobilidade que resista a um único modal.

No caso de Recife, a rede de metrô com 39,5 quilômetros, voltada apenas para parte das zonas Oeste e Sul, é ainda insignificante para atender às necessidades de deslocamento da Região Metropolitana do Recife e nos deixa saudosistas da rede de 200 quilômetros de extensão dos bondes que atendia a Região Metropolitana até meados do século 20.

Quanto mais modais, melhor, e para uma cidade cortada por rios, o transporte hidroviário também atenderia uma parte da demanda, mas a obra prevista para ser entregue até junho deste ano foi adiada para 2015 e isso ainda não é certeza de nada.

A paralisação do sistema, mesmo em parte, afeta diretamente cerca de dois milhões de usuários. O trânsito também fica travado e, para piorar, a direção eleita do Sindicado dos Rodoviários, ainda não empossada, vem colocando em prática uma estratégia que consiste em orientar os motoristas para tirarem os ônibus das garagens e parar os veículos nos principais corredores de transporte. O transtorno é gigante para quem está dentro e fora dos ônibus e não tem para onde fugir. Com uma frota circulante de mais de um milhão de veículos, até a carona não parece ser uma boa ideia em dias assim.

Sem ônibus, sem barcos ou ainda metrô para todos, sobra um asfalto de incertezas, esperas e frustrações. Talvez quem menos sofra quando o ônibus deixa de circular seja o usuário de bicicleta. Mesmo sem faixas seguras, ele consegue deixar para trás os congestionamentos. Também para quem se desloca a pé em distâncias possíveis de serem vencidas, mesmo com passeios impossíveis.

Nesse cenário, uma pergunta que permanece é se os próximos julhos serão iguais. Provavelmente sim, mas não deveria. A melhoria do transporte público está diretamente ligada à qualidade e diversidade dos modais. As questões salariais entre trabalhador e empregado precisam ser definidas em lei de forma clara e segura. Para o bem de todos, principalmente do passageiro.

TRT-PE determina 100% da frota de ônibus do Recife nos horários de pico

 

paradas onibus10

No despacho o vice-presidente determinou que sejam mantidos em circulação 100% da frota de ônibus nos horários de maior movimentodas 5h30 às 9h e das 17h às 20h e, nos demais horários, 50%.

Em caso de descumprimento, impõe multa diária no valor de cem mil reais em favor dos sindicatos dos empregadores. O desembargador leva em consideração o argumento dos requerentes de que a atual frota de ônibus existente na região metropolitana do Recife é insuficiente ao atendimento das necessidades da população.

O desembargador também determina a proibição, pelos grevistas, de atos que violem ou constranjam direitos e garantias dos trabalhadores que queiram permanecer no exercício de suas]atividades e a aplicação de penalidade, caso não cumpram a ordem judicial.

Na ação preparatória de dissídio coletivo, os sindicatos requerem o cumprimento do disposto no artigo 11 da Lei nº 7.783/1989, que assegura:Nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores ficam obrigados, de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. O pedido foi feito em face da greve anunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores, a ser deflagrada na segunda-feira (28).

Os rodoviários decretaram greve estado de greve

Após duas assembleias, motoristas, fiscais e cobradores de ônibus decretaram estado de greve e adiantaram que vão parar a partir da 0h da próxima segunda-feira (28). As reuniões da categoria aconteceram pela manhã e durante a tarde desta quarta (23), no Marco Zero, região central do Recife. O grupo rejeitou a proposta dos patrões e também a sugerida pelo Ministério Público do Trabalho, em audiência, nessa terça (22).

Nesta quinta (24), em uma nova audiência, às 14h, o presidente (eleito, mas ainda não empossado) do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Pernambuco, Benilson Custódio, entregará ao procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho, José Laízio, a petição oficializando a rejeição das duas propostas oferecidas para a categoria.

O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana/PE) apresentou uma proposta de reajuste linear de 5% sobre os valores salariais e ticket de alimentação. Além disso, teriam se comprometido a instituir banco de horas e intervalo intrajornadas de até quatro horas, com pagamento de um terço da hora normal, mais a manutenção das cláusulas sociais da Convenção Coletiva de 2013. A convenção prevê, entre outras coisas, auxílio funeral e horas extras. Por sua vez, o mediado, MPT, sugeriu aumento linear de 10%, no salário e no ticket, e a manutenção das cláusulas sociais para motoristas, cobradores e fiscais.

“A rejeição foi unânime nas duas assembleias. A categoria está muito indignada. Até o procurador-chefe entendeu que 5% era pouco. Queremos os 10% no salário, como eles falaram, mas queremos mais para o ticket”, explicou Benilson Custódio. Atualmente, o vale-alimentação dos trabalhadores é de R$ 171, equivalente a R$ 5,60 por dia. “O menor vale do Nordeste é o do Piauí, que é de R$ 320. Não vamos fazer acordo enquanto não mudarem isso”, adiantou.

O valor do salário dos motoristas é de R$ 1.605 e dos cobradores, R$ 783,30. Com o aumento de 10%, ficaria, em média, R$ 1.765,50 e R$ 861,63, para cada função, respectivamente. Já os fiscais, que recebem R$ 1.037, passariam para R$ 1.140,70.

Até quando o usuário terá que pagar a conta sozinho?

 

Fotos - Paulo Paica DP.D.A.Press

Por

Ana Cláudia Dolores

Um sistema caro, de má qualidade e que ainda é bancado pelo cidadão. No Brasil, o transporte público é quase todo financiado pelo usuário. Nos países que são comprometidos com a sustentabilidade e a qualidade dos centros urbanos, estado, iniciativa privada e sociedade civil formam um pacto e todos assumem sua parcela de responsabilidade. Aqui, os subsídios ainda encontram resistência, mas são necessários para encerrar o ciclo vicioso.

Um sistema caro, de má qualidade e que ainda é bancado pelo cidadão. No Brasil, o transporte público é quase todo financiado pelo usuário. Nos países que são comprometidos com a sustentabilidade e a qualidade dos centros urbanos, estado, iniciativa privada e sociedade civil formam um pacto e todos assumem sua parcela de responsabilidade. Aqui, os subsídios ainda encontram resistência, mas são necessários para encerrar o ciclo vicioso.

Não é à toa que essa proposta é estranha aos brasileiros. A política histórica do governo tem sido a de beneficiar o transporte privado em vez do público. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos de autopasseio, em vigor, é um exemplo de como esse modal é estimulado. Nesta semana, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nota técnica na qual mostra o quanto o transporte público foi desprezado no Brasil. Na última década, ficou relativamente mais barato andar de carro que de ônibus na média das cidades.

“Claro que vamos enfrentar resistência para derrubar essa lógica de privilegiar o privado. Mas quando a população começar a ver as melhorias, vai acabar se convencendo de que os subsídios são importantes”, assinalou o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho. Na Europa, cerca de 50% das receitas do transporte vêm de fontes extra tarifárias, principalmente dos orçamentos dos governos. “Existem outras possibilidades, como taxar estacionamentos em áreas públicas, gasolina ou o usuário do carro, que se beneficia com vias mais livres”, exemplificou.

Não se pode perder de vista o objetivo do subsídio. “São Paulo adotou o bilhete único para que as pessoas andassem por mais tempo pagando uma só passagem, mas não melhorou o serviço. Subsídio só vale a pena quando não é eleitoreiro e garante qualidade”, sacramentou Germano Travassos.

 

Presidente do Urbana fica numa saia justa e não explica a relação entre custo e lucro das empresas de ônibus do Grande Recife

A jornalista Ana Cláudia Dolores entrevistou o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE), Fernando Bandeira, após uma dura semana para os recifenses numa greve dos motoristas de ônibus que durou cinco dias.Bandeira fica numa saia justa e não consegue explicar uma matemática simples: a relação entre custo e lucro. confira a entrevista.

Fernando Bandeira - reprodução internet

As operadoras concordam com o cálculo da tarifa pelo IPCA?
O IPCA é o menor índice de correção. Nem sempre a inflação do segmento é a devida e muitas vezes não demonstra a realidade do setor. Isso pode gerar distorções, tanto que hoje ela é a menor tarifa do Brasil.

O que vocês fizeram para não ficar no prejuízo? 
Fizemos muita luta, sacrifício e trabalho, economizando em tudo. A situação do sistema hoje é frágil. Não tenho os dados na minha mão, mas fizemos investimentos em renovação de frota. Logicamente, ficamos bastante endividados, mas foi uma forma de ter menos gastos com manutenção.

Que gastos tiveram no período e o lucro?
Não sei. Estou num movimento paredista. O órgão gestor tem tudo isso, essas planilhas, eles têm tudo. Há sete anos que não se dá aumento por planilha. Como é que eu vou ter as planilhas? Quem define as tarifas não são as empresas. Onde já se viu a gente ter planilhas de custo?

Vocês não sabem nem quanto lucraram?
Não tenho condições de responder a essa pergunta neste momento. Se você tivesse me dito antes a respeito dessa entrevista, teria me informado melhor. Não tenho dados do sistema e não estou preparado. Não tenho uma super memória.

Vocês gostariam de rever essa metodologia do cálculo pelo IPCA?
Não cabe a nós essa decisão, mas ao órgão gestor. Somos uma economia dirigida. Mas realmente isso causa enfraquecimento das empresas.

A entrevista foi feita por telefone dois dias depois de solicitada pelo Diario.

Segunda-feira com 100% da frota de ônibus na Região Metropolitana do Recife

Ônibus Recife - Foto - Toberto Ramos DP.D.A.Press

Encerrada a greve dos rodoviários no último sábado (6), nesta segunda-feira (8), a rotina de milhares de trabalhadores deve voltar ao normal. A promessa é de que os motoristas retomem as atividades com 100% da frota da Região Metropolitana do Recife. A categoria tem 24 mil profissionais em Pernambuco.

O acordo foi firmado após os rodoviários concordarem com o o reajuste de 7% determinado pela Justiça do Trabalho. “A gente decidiu junto com a categoria que, desde que fosse fechado o acordo, todos voltariam ao trabalho. Agora a nossa luta é para mudar a representação que está aí no sindicato se perpetuando há mais de 30 anos”, disse Aldo Santos, líder da oposição ao sindicato, sob o comando de Patrício Magalhães, no cargo há 33 anos.
Dentre as resoluções, os grevistas não terão os salários descontados em função dos dias parados e nem serão demitidos ou punidos, exceto os que participaram de atos de vandalismo. O sindicato patronal informou, ainda, que os cerca de 500 motoristas, cobradores e fiscais que tinham sido admitidos pelas empresas para suprir as atividades dos grevistas, estes permanecerão admitidos. O único ponto indefinido do acordo foi a multa imposta aos grevistas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), de R$ 100 mil por dia parado.

Transtorno na volta para casa por causa da greve dos ônibus no Recife

 

Paradas recife - Foto - Anamaria Nascimento DP/D.A.Press

O metrô aumentou a quantidade de trens, mas a volta para casa ainda é incerta para os usuários. Algumas empresas estão contratando transporte para os funcionários. Mas a maioria fica nas paradas sem saber quando vão conseguir transporte.

Motoristas, cobradores e fiscais de ônibus entraram em greve a zero hora desta segunda-feira. Até agora não houve consenso nas negociações. Os usuários vão precisar de muita paciência. A maioria dos ônibus que partem de Olinda e Paulista com destino ao Centro do Recife pela Avenida Cruz Cabugá não está completando o trajeto.

Após o Shopping Tacaruna, em Santo Amaro, eles retornam deixando os passageiros perdidos. Muitos largaram mais cedo do trabalho para tentar voltar para casa e passaram duas horas na espera. Outros sentam na grama e compram pipoca para passar o tempo.

A equipe de reportagem do Diario de Pernambuco passou 30 minutos no local e somente um ônibus passou para atender a demanda.

Para solucionar o problema, muitas empresas fretaram ônibus particulares para levar os funcionários aos principais terminais de transporte coletivo. Na Rua da Aurora, por exemplo, os trabalhadores da Contax podem pegar ônibus para a Estação Recife, do metrô, Pelópidas Silveira, entre outras.

Greve dos motoristas de ônibus do Recife paralisa o trânsito

ônibus greve Recife - Hoto - Toberto Ramos DP.D.A.Press

Quem depende do transporte público de passageiros enfrenta um dia de dificuldades na manhã desta segunda-feira. Desde a zero hora, os motoristas, cobradores e fiscais de ônibus cruzaram os braços por tempo indeterminado. No início da manhã, asituação ficou complicada no Terminal Integrado de Joana Bezerra, com uma multidão à espera dos coletivos. As pessoas estao aguardando em média uma hora para conseguir entrar em um coletiv, que estão saindo superlotados.

Apesar do transtornos, nenhum incidente foi registrado. Além da segurança interna do terminal, seis policiais militares estão no local, acompanhando a situação.

A situação mais tensa é vivida na PE-60, no Cabo de Santo Agostinho. Grevistas estacionaram um ônibus atravessado na rodovia, que está bloqueada nas imediações do Shopping Costa Dourada. O protesto causa um enorme congestionamento no sentido Recife – Cabo.

De acordo com determinação do Ministério Público do Trabalho (MPT), oitenta por cento dos ônibus devem estar circulando nos horários de pico (das 5h às 7h30 e das 17h às 19h30). As empresas estão proibidas de contratar motoristas terceirizados e de demitir os grevistas. A categoria pede um reajuste de 33%, enquanto a classe patronal oferece 3%.

Com informações do repórter Glynner Brandão

Depois do caos, ônibus voltam a circular no Recife

 

Paralisação motoristas/Recife - Folto - Renata Portini DP/D.A.Press

A paralisação de advertência dos rodoviários na manhã desta sexta-feira, afeta não só a rotina dos usuários do transporte público de passageiros. Os motoristas também estão sendo impactados pelos grandes congestionamentos que estão se formando em diversas vias da cidade, como Avenida João de Barros, Ruas Fernandes Vieira, da Soledade, do Hospício e Manoel Borba. Sem conseguir atravessar o centro da cidade, as vias da área norte, como a Avenida Cruz Cabugá, estão praticamente vazias.

Para chamar a atenção para as reivindicações da categoria por reajuste salarial, os rodoviários se concentraram por volta das 6h e a partir das 8h pararam as atividades por uma hora. Na Avenida Conde da Boa Vista, Avenida Antônio de Goes, Avenida Guararapes, Rua do Sol, Rua do Príncipe, Cais de Santa Rita e no Terminal Integrado Tancredo Neves, os motoristas desceram dos coletivos e os passageiros tiveram que continuar o percurso a pé.

De acordo com o presidente da Oposição dos Rodoviários de Pernambuco, Juscelino Pereira Macedo, a paralisação dos motoristas, cobradores, despachantes e fiscais de ônibus terá, além da uma hora de advertência, mais duas horas de panfletagem e carros de som defendendo a proposta de reinvidicação da categoria. Segundo ele, a decisão sobre a mobilização foi tomada após o adiamento da primeira reunião de negociação entre patrões, sindicato e oposição para definir o reajuste salarial.

O protesto é pacífico, mas a Polícia Militar está nos locais de maior concentração. Policiais da cavalaria, de motos, a pé e em viaturas estão monitorando a manifestação.

Informações: Diário de Pernambuco