Motoristas vão poder usar estacionamento do Geraldão para jogo Itália x Japão

Geraldão - Foto - reprodução/internet

Situado ao lado da estação Shopping do Metrô, o Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães (Geraldão) oferece 430 vagas de estacionamento para os torcedores que assistirão ao jogo Itália x México, nesta quarta-feira (19), na Arena Pernambuco, pela Copa das Confederações da Fifa. O preço é de R$ 30, exclusivamente para carros passeio, e a renda será destinada às atividades sociais do Instituto de Assistência Social e Cidadania (Iasc).

O Geraldão fica na avenida Mascarenhas de Morais (Imbiribeira), ao lado da estação Shopping do Metrô. Os ingressos já estão à venda, nos postos do Iasc no Pina – em frente ao Clinical Center – e Boa Viagem, ao lado da Galeria Santo Antônio. A partir do meio-dia desta quarta-feira (19), os bilhetes poderão ser adquiridos no próprio Geraldão.

Quem optar pelo estacionamento precisará apenas atravessar a via situada por trás do Ginásio para ter acesso à estação. Vale lembrar que quem apresentar o ingresso dos jogos não pagará a viagem do metrô até as proximidades da Arena.

A iniciativa é fruto de parceria entre as secretarias municipais de Esportes e Copa do Mundo e de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. O Iasc fica responsável pelo gerenciamento do espaço e usará a renda arrecadada para ações nas dez casas de acolhida que mantém, voltadas para crianças e adolescentes, adultos e idosos em situação de vulnerabilidade social.

O estacionamento estará disponível a partir do meio-dia desta quarta-feira, até a saída do último veículo. Para garantir mais conforto ao torcedor, a Prefeitura do Recife instalou placas de sinalização; colocou banheiros químicos– feminino, masculino e adaptado a portadores de deficiência; e garantiu a iluminação, drenagem, limpeza, segurança, controle do comércio informal e orientação do trânsito no entorno.

Os bilhetes estarão sendo vendidos nos seguintes locais:

- Geraldão (a partir da 12h da quarta-feira)

- Estacionamento do Iasc no Pina – Praça Joseph Smith, s/n [WINDOWS-1252?]– Av. Domingos Ferreira, em frente ao Clinical Center

- Estacionamento do Iasc em Boa Viagem – Rua Antônio Lumack Dumont, Boa Viagem, nas imediações do Shopping Recife

Fonte: Prefeitura do Recife

Vagas para bicicletas nas novas construções em São Paulo

 

Portal do Trânsito/divulgação

As novas construções e reformas de prédios residenciais na cidade de São Paulo deverão reservar até 10% das vagas para estacionamento de bicicletas, de acordo com o decreto 53.942, do prefeito Fernando Haddad, que regulamenta a lei 15.649, de 2012, proposta pelo vereador Marco Aurélio Cunha (PSD) e sancionada pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD).

O decreto determina que as bicicletas deverão ocupar bolsões isolados das vagas de carros e motos.Os estacionamentos de bicicleta deverão ser facilmente acessíveis com localização no piso mais próximo da calçada.

Também prevê a instalação de suportes para prender as bicicletas, com distância mínima de 75 centímetros e comprimento mínimo de 1,80 metro em espaço com teto de, no mínimo, 2 metros.

A lei altera o Código de Obras e torna obrigatória a instalação de vagas específicas para bicicletas. A regulamentação ocorre 174 dias após a sanção do projeto.Estão isentadas da obrigação edificações sem estacionamento, localizadas no alinhamento de vias públicas e que não possuam área com acesso para estacionamento ou localizadas em vias nas quais o tráfego de bicicletas é proibido pelo órgão municipal de trânsito.

Fonte: Portal do Trânsito

Estacionar nas ruas: caro para a cidade, não para você!

 

Por

Juliana Colares

 

O Recife gira em torno do carro, mesmo quando ele está parado. Todos os dias, 40 novos automóveis são emplacados na cidade. A frota circulante diária chega a 1 milhão de veículos na RMR. Atender à demanda por estacionamento ficou impossível. E caro demais.

Com o metro quadrado avaliado em R$ 4,5 mil, uma vaga de 11 m2 em Casa Amarela, por exemplo, custaria R$ 49,5 mil, valor mais alto que o preço de um carro popular. Ainda assim, estacionar na maior parte da cidade, mesmo que o carro fique parado durante todo o expediente, das 8h às 18h, não custa nada – quando não tem um flanelinha “gerenciando” a vaga. A falta de um controle rígido dos espaços públicos usados como estacionamento estimula o uso do automóvel e, nos casos das vias onde é permitido estacionar dos dois lados, impede a criação de ciclofaixas, o alargamento das calçadas e a criação de faixas exclusivas para o transporte coletivo.

A “carrocracia” fez até ruas sem tráfego intenso virarem bônus. A Rua Arnoldo Magalhães, em Casa Amarela, por exemplo, já é usada como garagem privada por moradores dos edifícios e é apontada como “rua livre para estacionamento” em lançamento imobiliário que ganhou as redes sociais. A via tem cerca de seis metros de largura e meio fio pintado de branco em boa parte de sua extensão – da Estrada do Arraial à Avenida Norte. O diretor comercial de uma construtora é categórico: vias mais fáceis de estacionar pesam na escolha do terreno. “Hoje a facilidade para aquisição de carro é muito grande. É natural uma família com mais de um”, disse.

Para o especialista em transporte público e professor da UFPE Oswaldo Lima Neto, Recife carece de uma política de estacionamento nas vias públicas. Ele defende que a prefeitura demarque as vias, defina a quantidade de vagas que a cidade deve ter, delimite os horários de permissão para estacionamento e cobre caro pelo uso desses espaços, principalmente nas áreas mais críticas. “É inadmissível pagar só R$ 1 por até cinco horas de estacionamento no Centro da cidade”, disse, em referência à Zona Azul.

Oswaldo Lima Neto defende, inclusive, que medidas como essa, que são restritivas ao uso dos carros, não esperem a melhoria dos sistemas de ônibus e metrô para serem implementadas. “Muitas vezes essa questão é usada como desculpa por quem não quer usar o transporte público”, afirmou.“A tendência mundial é de restrição do estacionamento, principalmente em áreas críticas. A permissão da vaga gratuita na via é um incentivo ao transporte individual e representa prejuízo ao transporte público. Se o espaço é público, ele tem que ser usado em benefício público”, disse o professor de engenharia civil da UFPE Maurício Pina.

Para o presidente do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira, Milton Botler, “todas as vagas de automóveis têm que ser absorvidas dentro do espaço privado”. Segundo ele, esse pensamento está por trás do projeto de construção de 10 mil vagas de estacionamento em edifícios-garagem, que seriam interligados ao transporte público. Concomitantemente à construção desses prédios, seria reduzida a quantidade de vagas nas ruas.

A construção dos edifícios-garagem já é alvo de críticas. Para Oswaldo Lima Neto, o ideal é localizar esses estacionamentos verticais próximo a estações de metrô ou ônibus para fazer as pessoas estacionarem fora do centro e usarem o transporte público. Segundo Botler, a decisão quanto aos edifícios-garagem só será tomada após a análise dos estudos feitos por três empresas que atenderam à chamada pública.“Eu posso ter edifício-garagem, inclusive, para substituir vaga de Zona Azul”, disse Botler. Expectativa é de que o edital seja lançado em novembroO Recife gira em torno do carro, mesmo quando ele está parado. Todos os dias, 40 novos automóveis são emplacados na cidade. A frota circulante diária chega a 1 milhão de veículos na RMR.

Atender à demanda por estacionamento ficou impossível. E caro demais. Com o metro quadrado avaliado em R$ 4,5 mil, uma vaga de 11 m2 em Casa Amarela, por exemplo, custaria R$ 49,5 mil, valor mais alto que o preço de um carro popular. Ainda assim, estacionar na maior parte da cidade, mesmo que o carro fique parado durante todo o expediente, das 8h às 18h, não custa nada – quando não tem um flanelinha “gerenciando” a vaga. A falta de um controle rígido dos espaços públicos usados como estacionamento estimula o uso do automóvel e, nos casos das vias onde é permitido estacionar dos dois lados, impede a criação de ciclofaixas, o alargamento das calçadas e a criação de faixas exclusivas para o transporte coletivo.

A “carrocracia” fez até ruas sem tráfego intenso virarem bônus. A Rua Arnoldo Magalhães, em Casa Amarela, por exemplo, já é usada como garagem privada por moradores dos edifícios e é apontada como “rua livre para estacionamento” em lançamento imobiliário que ganhou as redes sociais. A via tem cerca de seis metros de largura e meio fio pintado de branco em boa parte de sua extensão – da Estrada do Arraial à Avenida Norte. O diretor comercial de uma construtora é categórico: vias mais fáceis de estacionar pesam na escolha do terreno. “Hoje a facilidade para aquisição de carro é muito grande. É natural uma família com mais de um”, disse.

Para o especialista em transporte público e professor da UFPE Oswaldo Lima Neto, Recife carece de uma política de estacionamento nas vias públicas. Ele defende que a prefeitura demarque as vias, defina a quantidade de vagas que a cidade deve ter, delimite os horários de permissão para estacionamento e cobre caro pelo uso desses espaços, principalmente nas áreas mais críticas. “É inadmissível pagar só R$ 1 por até cinco horas de estacionamento no Centro da cidade”, disse, em referência à Zona Azul.

Oswaldo Lima Neto defende, inclusive, que medidas como essa, que são restritivas ao uso dos carros, não esperem a melhoria dos sistemas de ônibus e metrô para serem implementadas. “Muitas vezes essa questão é usada como desculpa por quem não quer usar o transporte público”, afirmou.“A tendência mundial é de restrição do estacionamento, principalmente em áreas críticas. A permissão da vaga gratuita na via é um incentivo ao transporte individual e representa prejuízo ao transporte público. Se o espaço é público, ele tem que ser usado em benefício público”, disse o professor de engenharia civil da UFPE Maurício Pina.

Para o presidente do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira, Milton Botler, “todas as vagas de automóveis têm que ser absorvidas dentro do espaço privado”. Segundo ele, esse pensamento está por trás do projeto de construção de 10 mil vagas de estacionamento em edifícios-garagem, que seriam interligados ao transporte público. Concomitantemente à construção desses prédios, seria reduzida a quantidade de vagas nas ruas.

A construção dos edifícios-garagem já é alvo de críticas. Para Oswaldo Lima Neto, o ideal é localizar esses estacionamentos verticais próximo a estações de metrô ou ônibus para fazer as pessoas estacionarem fora do centro e usarem o transporte público. Segundo Botler, a decisão quanto aos edifícios-garagem só será tomada após a análise dos estudos feitos por três empresas que atenderam à chamada pública.“Eu posso ter edifício-garagem, inclusive, para substituir vaga de Zona Azul”, disse Botler. Expectativa é de que o edital seja lançado em novembro.

Leia mais

Fonte: Diario de Pernambuco

Estacionamento na ponta dos dedos…

 



 

Encontrar vaga para estacionar está cada vez mais difícil. Mas já existe tecnologia que pode ajudar o motorista a localizar mais rapidamente a existência ou não de vaga em determinado setor. A Intelimotion trouxe a tecnologia APT (Advanced Parking Technology), que proporciona comodidade e facilidade aos condutores de automóveis. Através de sensores e sinais digitais sem fio, quadros eletrônicos mostram onde estão vagas disponíveis economizando tempo.

O APT oferece redução de 70% do tempo de espera para estacionar. E o que na prática pode significar também redução de mais de 50% da queima de CO2, emitido pelos carros nas grandes cidades. Esse sistema já é utilizado nos cinco continentes; no Brasil, sua expansão ainda é tímida, mas já conta com um mercado que cresce todos os dias. Os principais clientes são os shoppings e lojas de departamento e o consumidor sai satisfeito e aprova a mobilidade, já que também pode ser introduzido em vias públicas, como na Europa.

Como funciona:

Dota a infraestrutura de inteligência:
Coloca sensores de presença de viaturas em cada lugar de estacionamento
Sabe em tempo real se um lugar está ocupado

QR – Aplicativo que lê uma legenda nos postes dos estacionamentos ou nas vias públicas que pode ser visualizada pelo celular e dizer a localização exata do seu carro, caso se perca, e ainda pode pagar pelo mobile.

 

Fonte: Intelimotion

Estacionamento é responsabilidade de quem?

 

Por

Tânia Passos  (Coluna Mobilidade Urbana)

É preciso muita coragem do gestor público para enfrentar a questão dos estacionamentos em vias públicas. Imagine comprar briga com mais de meio milhão de usuários de automóveis, no caso do Recife. É verdade que nem todos os carros ficam na rua, mas é também verdade que, em algum momento, a rua é o espaço escolhido ou único para estacionar. Mas que essa briga pode acontecer, isso pode.

É o caso, por exemplo, do nosso vizinho latino-americano, o ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, que adotou o conceito de que as ruas são para as pessoas, ciclistas, transporte público e os carros, nessa ordem. Lá, ele deu início ao fim dos estacionamentos nas vias públicas e onde havia carro estacionado, abriu espaço para as ciclovias e garantiu acessibilidade dos pedestres nas calçadas. Funcionou.

E quando perguntado sobre o espaço para estacionar o carro, ele repondeu: “Estacionamento não é um problema público”. Por trás dessa resposta está também a seguinte mensagem: o problema do estacionamento é do dono do carro e do dono dos estabelecimentos, que têm demanda de clientes motorizados. O restante do público que circula pelas vias não tem nada a ver com seu “problema”.

Na verdade, o que acontece hoje é exatamente o inverso, quem atrapalha o fluxo de uma via, sem a menor cerimônia, está pouco se importando com as necessidades de mobilidade da maioria. Talvez por isso, no Japão, antes de alguém comprar um carro precisa provar que tem lugar para estacionar o veículo, que não será na rua.

Aqui temos estacionamento legalizado nas vias públicas por apenas R$ 1 e ficou a cargo do município viabilizar projetos, junto à iniciativa privada, para a construção de edifícios-garagem. Ninguém quer desagradar aos donos dos carros, que representam poder aquisitivo e de opinião, mesmo que esse universo represente cerca de 30% da população. Uma minoria, que está pouco interessada em saber de quem é a responsabilidade em deixar um lugar garantido lá na rua para seu carro.

Estacionamento não é um problema público

O ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, que fez uma verdadeira revolução urbana na dinâmica de circulação da capital da Colômbia, privilegiou pedestres, ciclistas e o transporte público. Neste vídeo, ele diz porque a mobilidade não motorizada deve ter prioridade.

Uma foto e três flagrantes de imobilidade

 

Mais um espetáculo da imobilidade nas ruas do Recife. Uma cena que qualquer já pode ter se deparado:  motoristas de auto-escolas usando as vias públicas para dar aulas aos alunos. O problema é quando esse tipo de intervenção atrapalha o trânsito. Ou seja, sempre.  O exemplo acima é na Rua Barros Barroso, em Santo Amaro. Pista com sinalização horizontal  e cones para delimitar os espaços da baliza. Custa quanto? Para a auto-escola nada, para a mobilidade muito. A foto enviada por um internauta, mostra ainda um caminhão fazendo carga e descarga e carros estacionados nos dois sentidos. Assim fica difícil…

 

Vaga irregular, trânsito travado

 

O que mais atrapalha o trânsito nas vias urbanas? O excesso de carros, com certeza. Mas há outra razão que poderia ser evitada se houvesse uma atitude cidadã dos motoristas e, claro, o poder de fiscalização do órgão de trânsito.

 
Um dos maiores empecilhos para fluidez do tráfego tem nome: estacionamento irregular. Não é de se estranhar que os estacionamentos irregulares ficam no topo do ranking das infrações mais cometidas pelos motoristas no Recife. Isso quando somadas as diversas formas de pontuar esse tipo de infração: sejam em vias não permitidas, em calçadas ou contra a sinalização do local.

 
No ano passado, a CTTU registrou 48.446 infrações de motoristas que estacionaram fora das normas de trânsito. O número superou a infração de velocidade acima da permitida, que se for contabilizada de forma isolada fica no topo da lista com 44.572 notificações. Não é difícil constatar nas ruas o que os números dizem.

 
Na Avenida Palmares, no bairro de Santo Amaro, um veículo estacionado bem ao lado de uma placa de proibido parar e estacionar, simples e sem culpa. Flagrante semelhante na Rua do Progresso, no bairro Boa Vista. Para esses casos, de estacionamento em desacordo com a sinalização, a infração é média com multa de R$ 85,13 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
O cúmulo da falta de bom senso do motorista é sair da pista de rolamento e invadir a área do passeio. Na verdade, estacionar em cima das calçadas é ignorar qualquer sentido de circulação e mobilidade. A infração para esses casos é considerada grave com cinco pontos na CNH e multa de R$ 127,69.

 
Nós flagramos carros na área do passeio na Praça Oswaldo Cruz e ruas Fernandes Vieira e Manoel Borba. Sem opção, os pedestres trafegam pelas vias junto com os carros.  Há locais, no entanto, onde é permitido estacionar, mas em horários específicos. Na Fernandes Vieira, onde uma placa sinaliza que é permitido estacionar das 20h às 7h, flagramos um veículo estacionado na via no início da tarde. Essa infração é considerada leve com R$ 53,20 e três pontos na CNH. É o mesmo raciocínio para quem invade a vaga do idoso ou deficiente físico.

 
Para o diretor de operações de trânsito da CTTU, Agostinho Maia, a punição contra os infratores é branda. “A multa de estaciomento irregular é irrisória. Não leva em conta o tamanho do transtorno. Uma pessoa que estaciona em uma via de fluxo intenso e atrapalha o trânsito, recebe a mesma multa de quem estaciona em uma via segundária”, critica Maia.

 

 

Saiba mais
Ranking de infrações de estacionamento irregular no Recife
25.713 Por desacordo com a sinalizaçãoInfração média4 pontos na CNHR$ 85,13 de multa
8.977 Por desacordo com a regulamentaçãoInfração leve3 pontos na CNHR$ 53,20 de multa
7.186 Por veículo estacionado no passeioInfração grave5 pontos na CNHR$ 127,69 de multa
5.570 Por desacordo com a regulamentação especificada por leiInfração leve3 pontos na CNHR$ 53,20 de multa

 

Fonte: CTTU

Recife paga caro para estacionar



 

Diario de Pernambuco

Por Tânia Passos

O Centro do Recife ainda mantém o inacreditável número de 2,8 mil vagas de Zona Azul a R$ 1, com intervalos de duas e cinco horas. E ainda há quem reclame. Pois esse paraíso dos motoristas deve dar lugar aos estacionamentos privados e, antes mesmo do projeto dos edifícios-garagem emplacar, já é possível perceber que ir de carro ao Centro está e ficará cada vez mais caro. O Diario visitou seis estacionamentos no Centro e constatou que o preço por uma hora varia de R$ 7 a R$ 10. Para quem trabalha no Centro, a opção é ser mensalista e o custo fica na faixa dos R$ 200 por mês. Para se ter uma ideia, na Avenida Paulista, um dos endereços mais caros do Centro de São Paulo, a hora de estacionamento varia entre R$ 13 e R$17 e a mensalidade na faixa dos R$ 350.

A nossa escalada à pauliceia segue no mesmo ritmo inflacionário, mas não no mesmo padrão. A maior parte dos estacionamentos no Centro do Recife é improvisada em terrenos baldios e sem a mínima estrutura. Tem até posto de combustível servindo de estacionamento. O negócio que prospera vem se multiplicando nas esquinas dos bairros centrais e ainda não é suficiente para atender à demanda. Na Rua Floriano Peixoto, o Diario visitou quatro estacionamentos. Na Casa da Cultura, onde até o ano passado, a hora custava R$ 3,50, o valor dobrou para R$ 7 e mais R$ 1 pela hora excedente. Não por acaso, muita gente prefere estacionar numa rua lateral. Não é permitido estacionar no local. Mas o custo é R$ 2 para o flanelinha, mesmo arriscando multa de R$ 53, por estacionamento irregular. “Vou demorar pouco tempo e lá dentro (Casa da Cultura) está muito caro”, reclamou o assessor parlamentar, Ubiranílson Soares de Jesus, 27 anos.

Foi com muita indignação, que o representante comercial, Magdiel Ferreira do Nascimento, 44, teve que pagar R$ 1 a mais por ter excedido um minuto da primeira hora. “Vim correndo para pagar os R$ 7 e agora vou ter que pagar R$ 8 por causa de um minuto. Está um absurdo o preço de estacionamento aqui no centro do Recife”, criticou. A Casa da Cultura não é um dos mais caros. Um pouco antes, em um estacionamento de um banco privado, a hora custa R$ 8 e mais R$ 3 pela hora excedente. “Para os clientes, o valor é de R$1,50 e se passar de uma hora custa R$ 5”, explicou o funcionário que não quis se identificar.

Também na Floriano Peixoto, encontramos o aposentado Josival Evangelista, 66 anos, que aluga um terreno e faz dele um estacionamento. Ele cobra por expediente. Para quem estaciona manhã e tarde o preço é R$ 10. Meio expediente sai por R$ 5. “Até o ano passado era R$ 6 os dois horários. Mas tive que aumentar para ficar dentro da média que está sendo cobrada aqui na região”, justificou.

Na  Rua da Concórdia, em um estacionamento particular em um terreno com capacidade para 200 carros, o preço é de R$ 8 e R$ 2, a hora excedente. Na mesma rua, em um edifício-garagem, a cobrança é pela hora quebrada. Meia hora custa R$ 5 e a meia hora excendente R$ 3. A Dircon informou que existem 314 estacionamentos legalizados na cidade.

Saiba mais

Quanto custa estacionar no centro do Recife

Zona Azul

2,8 mil vagas
R$ 1
Intervalo de 2h e 5h

Shopping Boa Vista

R$ 4 a primeira hora
R$ 1 por hora excedente


Bairro Santo Antônio – Rua do Sol

R$ 4 a R$ 6 a hora
R$ 1 a R$ 2 a hora excedente

Bairro São José – Rua Floriano Peixoto e Rua da Concórdia

R$ 7 a R$ 10 – a hora
R$ 1 a R$ 3 a hora excedente

Paço Alfândega

R$ 4 a primeira hora
R$ 1,50 por meia hora excedente

314

estacionamentos têm alvará de funcionamento no Recife

 

25 áreas para os edifícios-garagem

Um total de 25 áreas foi identificado pelo Instituto da Cidade Pelópidas Silveira com potencial para construção de edifícios-garagem. O Instituto chegou a fazer um pré-estudo em três áreas onde é grande a demanda por vaga de estacionamento: Cais de Santa Rita, Boa Vista, nas imediações da Rua da Aurora e, em Casa Amarela, onde funciona a Feira da Sulanca. O edital, lançado pela prefeitura no último dia 24 de março, deu prazo de 60 dias para os interessados apresentarem suas propostas.
De acordo com o coordenador do projeto, Romero Pereira, os interessados devem apresentar um estudo de viabilidade econômica. “Eles devem informar o número de vagas e o valor da tarifa pela hora para que possamos analisar se é viável ou não”, explicou. Segundo o coordenador, até agora nenhuma empresa apresentou proposta. “Já houve várias consultas, mas nós acreditamos que os interessados estejam realizando o estudo de viabilidade para fazer a proposta. Eles estão dentro do prazo”, ressaltou.

Que é um negócio lucrativo, ninguém tem dúvida. Mas nenhum empresário vai querer concorrer com a rua, que sai por R$ 1, na Zona Azul ou pela tabela do flanelinha. “O empresário pode pedir uma medida mitigatória do município como, por exemplo, reduzir as vagas de Zona Azul na área onde ele vai construir. Isso pode ser negociado na proposta”, revelou Romero Pereira.

Para os especilistas em trânsito, quanto mais difícil for estacionar no Centro, melhor para a circulação. Nos grandes centros urbanos já existe até pedágio para quem vai de carro. Por enquanto, ir de carro ao Centro do Recife tem suas vantagens, principalmente para quem tem a sorte de pegar uma das 2,8 mil vagas da Zona Azul.