Desconforto no transporte público do Recife traduzido em números do Idec

Passageiros na integração do Terminal Joana Bezerra - Foto Allan Torres Especial DP/D.A.Press

Passageiros na integração do Terminal Joana Bezerra – Foto Allan Torres Especial DP/D.A.Press

A rotina dos dois milhões de usuários do transporte público da Região Metropolitana do Recife poderia ser melhor se medidas simples fossem adotadas em respeito ao cidadão.

Olhar o serviço do transporte público sob o olhar do passageiro é a proposta da pesquisa que o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) está realizando em 11 capitais brasileiras. Depois de São Paulo e Belo Horizonte, agora é a vez do Recife e do Rio de Janeiro entrarem na berlinda. A pesquisa apontou 490 irregularidades nas duas capitais e muitas vão além do transporte propriamente dito.

Falta de iluminação adequada nas paradas, sujeira nos terminais integrados, infiltrações nas paredes dos terminais, freadas bruscas, circular com portas abertas e ônibus parando no meio da via para o usuário entrar ou descer são algumas das irregularidades.

Mas há ainda aquelas “imbatíveis”: superlotação, atrasos e falta de informações. Durante duas semanas de março, um pesquisador utilizou o transporte público da capital pernambucana das 7h às 10h e das 17h às 18h e deixou as suas impressões em relatório.

Mas para quem já é acostumado a cumprir os mesmos trajetos todos os dias já não são mais apenas impressões. “A superlotação é o que mais me incomoda. Dificilmente consigo lugar para sentar”, contou o eletricista Durval Lima, 65 anos, na linha PE-15/Boa Viagem. Para a auxiliar de serviços gerais Taciana Torres, o aperto é a pior parte. “Tem hora que falta até ar para respirar”.

Acessibilidade não adequada  na plataforma e trens sem climatização foram algumas das irregularidades apontadas no metrô Recife Foto - Allan Torres Especial DP/D.A.Press

Acessibilidade não adequada na plataforma e trens sem climatização foram algumas das irregularidades apontadas no metrô Recife Foto – Allan Torres Especial DP/D.A.Press

A pesquisa antecede o lançamento da campanha #chegadeaperto, que o Idec vai realizar em junho no Recife. Mais do que alertar sobre a superlotação, a ideia é chamar atenção para a cadeia que integra o transporte. “O transporte público deve ser prioridade. Pagamos pelo serviço”, ressalta o coordenador da pesquisou, João Paulo Amaral.

A interrupção da viagem e os atrasos deveriam se reverter, segundo o pesquisador, na restituição da passagem. O metrô do Recife chega a ter 15 evacuações dos trens por mês e em alguns casos, os usuários completaram o percurso a pé. “O Código de Defesa do Consumidor garante direito de devolução. Na pesquisa, não identificamos funcionários do metrô do Recife treinados para fazer isso”, detalhou Amaral.

Campanha do Idec #chegadeaperto será lançada em junho no Recife Foto - Allan Torres Especial DP/D.A.Press

Campanha do Idec #chegadeaperto será lançada em junho no Recife Foto – Allan Torres Especial DP/D.A.Press

Dados entregues ao poder público para melhorias

Os critérios para avaliar o transporte público foram divididos em quatro eixos: estrutura das estações ou paradas; estrutura do meio de transporte; qualidade da viagem e atendimento ao usuário. De acordo com o Idec, os resultados foram encaminhados às prefeituras e órgãos responsáveis pela gestão do transporte nas duas capitais.

Em nota, o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano ressaltou o compromisso do governo do estado em oferecer transporte público seguro e de qualidade. E cita a licitação das linhas de ônibus como forma de regulamentar a prestação de serviço por meio de contrato, que poderá ocasionar penalidades para empresas que descumprirem normas.

A pesquisa, no entanto, vai além da responsabilidade dos empresários do setor e chama atenção do estado em relação à estrutura de estações e paradas. Com relação à segurança, o Grande Recife informou que dentro dos veículos há câmeras que detectam qualquer infração que venha a ocorrer internamente e que elas são encaminhadas à Secretaria de Defesa Social (SDS).

De acordo com a assessoria de imprensa do metrô do Recife, o órgão não recebeu nenhum relatório do Idec referente à pesquisa. Ainda segundo a assessoria, os trens foram reformados e climatizados e as novas estações do metrô foram construídas dentro das normas de acessibilidade. Sobre os atrasos e interrupção das viagens do metrô, o gerente de comunicação Salvino Gomes disse que a empresa não adota a política de devolução de dinheiro

Retornos em excesso no corredor Norte/Sul do Recife preocupam especialistas

Retorno em frente ao Terminal da PE-15, entrada e saída de ônibus - Foto - Especial Allan Torres DP/D.A.Press

Retorno em frente ao Terminal da PE-15, entrada e saída de ônibus – Foto – Especial Allan Torres DP/D.A.Press

Enquanto a lógica nos centros urbanos é reduzir ou eliminar retornos para dar mais fluidez ao tráfego, a quantidade deles, e de cruzamentos que cortam o corredor central de ônibus da PE-15, onde funcionará o corredor de BRT Norte/Sul, surpreende especialistas na área de mobilidade.

Até agora, o desenho do traçado no trecho entre Igarassu e Recife, que totaliza 33 quilômetros, acumula 27 interseções de travessia, que já faziam parte do desenho original do corredor central de ônibus. A média é de um ponto de travessia de carros a cada 1,2 mil metros.

Retornos no trecho da PE-15 Foto Especial Allan Torres DP/D.A.Press

Retornos no trecho da PE-15 Foto Especial Allan Torres DP/D.A.Press

A preocupação dos especialistas não é apenas com o impacto na redução da velocidade dos ônibus no corredor em razão das interseções, mas principalmente com o risco de acidentes. O acesso dos ônibus ao Terminal da PE-15, por exemplo, ocorre em meio a um retorno que passa em frente à entrada e saída de ônibus do terminal, que funciona como um girador na canteiro central, o que exige atenção redobrada dos motoristas.

Para o ônibus do sistema BRT do corredor Norte/Sul, que vai utilizar o mesmo corredor da PE-15, a estimativa de velocidade é de 50 km. “O BRT deve ter prioridade. Quando há cruzamento, isso é um problema. Os retornos precisam ser sinalizados para evitar problemas”, avaliou o presidente da Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha.

De acordo com o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano, o projeto do Norte/Sul prevê 18 pontos de travessias ao longo do corredor. A meta da Secretaria das Cidades, no entanto, é eliminar apenas quatro retornos no trecho entre Igarassu e Abreu e Lima.

“É preocupante essa frequência de retornos. O ideal seria reduzir à metade. Além de diminuir o risco de acidente, melhoraria a velocidade dos ônibus”, ponderou o coordenador regional da Associação Nacional de Transportes Urbanos (ANTP), César Cavalcanti.

Das 27 interseções contabilizadas pela reportagem do Diario a partir do trecho anterior à estação do Parque Memorial Arcoverde até Igarassu, sem contar os cruzamentos suprimidos em Olinda com os viadutos de Ouro Preto e Bultrins, apenas três pontos de passagem contam com semáforo. Nas imediações da Cidade Tabajara, em Olinda, na área urbana de Abreu e Lima e em um trecho do corredor em Igarassu.

“Há uma resistência da população para suprimir retornos. Já há reivindicação para reabrir os que foram fechados”, revelou o secretário executivo da Secretaria das Cidades, Gustavo Gurgel. Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, caberá ao Dnit a decisão de fechar ou abrir retornos no trecho da BR 101, por onde passa o corredor do BRT, cuja obra é do governo do estado.

Acidentes são frequentes no corredor Transoeste no Rio de Janeiro

Acidente no corredor Transoeste no Rio de Janeiro - Foto - Eduardo Naddar

Acidente no corredor Transoeste no Rio de Janeiro – Foto – Eduardo Naddar

O corredor de BRT Transoeste do Rio de Janeiro já foi palco de vários acidentes desde o início da operação do sistema em 2012. A velocidade do ônibus e a  presença de veículos e pedestres na faixa do corredor exclusivo são algumas das causas. O sistema de transporte é a aposta da prefeitura para ser o principal meio de transporte das Olimpíadas de 2016. Mas ainda não conquistou a confiança dos usuários devido aos constantes acidentes.

Para reduzir os acidentes no local o CREA do Rio de Janeiro propôs à Secretaria de Transportes do município algumas medidas de segurança, entre as quais a colocação do  guard-rail na divisão entre as pistas do BRT e demais veículos; colocação de barreiras para evitar que os pedestres atravessem fora da faixa; Deslocamento das paradas de ônibus urbanos para as imediações das travessias de pedestre; e limitar a velocidade dos ônibus expressos do BRT nos cruzamentos de pistas;

A Secretaria de Transportes do Rio de Janeiro não disponibilizou balanço dos acidentes nos últimos dois anos de operação no corredor. Em nota, a assessoria de imprensa informou que junto com a CET-Rio  estão sendo realizadas campanhas de educação no trânsito para sensibilizar pedestres e motoristas quanto ao comportamento seguro no trânsito ao longo do corredor do BRT Transoeste.

Entre os temas abordados estão o respeito à sinalização, principalmente no que se refere à travessia na faixa de pedestres e a conversão irregular. Na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, por meio de ações lúdicas e irreverentes, uma equipe de atores fantasiada percorre as estações mais movimentadas do BRT Transoeste, além dos cruzamentos, para realizar as atividades junto aos pedestres e motoristas. Entre as ações propostas estão encenações teatrais, mímicas e mensagens educativas.

A calçada dos sonhos pretende resgatar espaço perdido para o pedestre sem mexer nas árvores

 

Calçada construída com recuo para plantio de árvores, em Poço da Panela, segundo a Lei dos 12 Bairros - Recife - Foto Paulo Paiva DP/D.A.Press

Calçada construída com recuo para plantio de árvores, em Poço da Panela, segundo a Lei dos 12 Bairros – Recife – Foto Paulo Paiva DP/D.A.Press

Uma tentativa de resgatar espaço para os pedestres, após décadas de omissão da legislação de uso e ocupação do solo, começa a se desenhar a partir de um plano de incentivo ao aumento da área das calçadas. O Instituto da Cidade Pelópidas Silveira está concluindo um estudo para viabilizar financeiramente uma espécie de troca de “favores”.

A ideia é que condomínios ou casas residenciais possam devolver espaços às calçadas fazendo um recuo no muro do imóvel e em troca o município poderá bancar a obra. Esse recuo pode ser em toda a extensão do imóvel ou apenas fazendo uma espécie de S para contornar obstáculos a exemplo das árvores.

A proposta que deverá constar na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2015, deve ser apresentada neste semestre. “Os condomínios vão poder pleitear fazer parte desse programa de incentivo. E nós vamos priorizar os bairros mais arborizados e de muros altos, que dificultam a acessibilidade do pedestre”, explicou a presidente do Instituto, Evelyne Labanca.

Calçcada toda ocupada por uma árvore. O proprietário que quiser fazer recuo no muro, a PCR bancará a obra - Foto Paulo Paiva DP/D.A.Press

Calçcada toda ocupada por uma árvore. O proprietário que quiser fazer recuo no muro, a PCR bancará a obra – Foto Paulo Paiva DP/D.A.Press

O tamanho do incentivo será definido no estudo. “A gente quer propor uma alternativa que seja viável ao município, mas que também atraia os proprietários dos imóveis”, explicou. O resgate dos espaços para o pedestre é uma forma de reduzir uma dívida histórica do município. Segundo os urbanistas, a legislação de uso e ocupação do solo do Recife sempre esteve omissa em relação à área de passeio.

O dono do lote não era obrigado a fazer recuo para liberar o trecho de calçada e o sistema viário, por sua vez, definia a largura da via. “Rua para dois carros têm sete metros de largura, independentemente do que sobra para a calçada. Cuidar do pedestre é uma mudança de paradigma importante”, ressaltou a arquiteta Vitória Andrade, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PE).

Um dos exemplos onde a lei funcionou positivamente é a chamda Lei dos 12 bairros, ou Área de Reestruração Urbana (ARU) de 2001, que ela estabelece recuo dos lotes. Um exemplo é o Edifício Sítio Donino, no bairro do Poço da Panela. O recuo possibilitou plantio de árvores e a calçada ficou livre. “Isso só foi feito porque existe uma legislação, do contrário o edifício tomaria a área da calçada”, afirmou a professora Fabiana Luna, 40

Parlamentares reclamam que impostos dificultam uso da bicicleta por trabalhadores

 

Muitos trabalhadores usam a bicicleta como meio de transporte - Foto - Cecília Sá Pereira DP/D.A.Press

Parlamentares das comissões de Finanças e Tributação e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável criticaram a elevada carga tributária incidente sobre o setor de bicicletas no Brasil.

De acordo com o deputado José Stédile (PSB-RS), se o Brasil terminasse com a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) das bicicletas, seria possível aumentar em 11% a utilização das bicicletas. “As bicicletas continuam sendo a melhor opção como meio de transporte, mas faltam incentivos e infraestrutura adequada.”

Durante audiência pública promovida pelas comissões nesta terça-feira (13), foi avaliada pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário que revela que a tributação de bicicletas no Brasil aumenta, em média, 36,2% do preço final desses bens.

Incidem sobre o preço da bicicleta, o Imposto de Importação no patamar de 35%, o PIS e a Cofins à alíquota de 10,2%, o ICMS de 18% e o IPI da ordem de 10%.

“No Brasil não existem políticas de isenção de imposto nessa área. Vemos, a todo o momento, o governo federal incentivando a redução do IPI de automóveis. É preciso aplicar isonomia do IPI para produção de bicicletas em todo o País. Este benefício é concedido, atualmente, somente a fabricantes de Manaus. Não justifica tratamento diferenciado”, disse o deputado Felipe Bornier (PDS-RJ), autor do requerimento para realizar esse debate e do Projeto de Lei 3965/12, que reduz a zero IPI para bicicletas.

Mas o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil Felipe Spolovari Martins, que participou da audiência, defende a isenção só para a Zona Franca de Manaus. Segundo ele, a a indústria de bicicletas na zona franca é a segunda em faturamento e já tem isenção do IPI. De acordo com Spolavori, zerar esse imposto no restante do País, significaria prejudicar a zona franca, de modo que ela não possa mais competir com os produtos mais baratos. Para ele, debater apenas a questão da carga tributária comparada aos benefícios concedidos ao mercado de automóveis seria simplificar o debate.

O auditor assinalou que não é possível um “debate apaixonado” entre bicicleta e automóvel porque são mercados completamente distintos. “A discussão de automóveis envolve a balança comercial, envolve empregos, uma cadeia produtiva imensa. Faz sentido que o IPI das bicicletas seja maior do que zero. Como a Zona Franca de Manaus tem isenção, o restante do país está pagando um pouco mais, eu estou incentivando a produção de bicicletas na zona franca.”

Papel da bicicleta
Representantes de entidades defensoras do uso da bicicleta como meio de transporte reclamaram que o governo federal ainda não entendeu a importância do papel da bicicleta no Brasil.

Para o ciclo-ativista do Movimento Bicicleta para Todos Daniel Guth Esteves, é necessário repensar o planejamento das cidades, levando-se em conta a mobilidade como um todo. “O debate não avança tecnicamente por interesse de grupos econômicos. Também não avança a compreensão do governo federal, do Executivo, de qual é o papel da bicicleta na nossa sociedade.”

Mobilidade e meio ambiente
Daniel Guth acrescentou que, na questão tributária econômica, “os benefícios estão todos voltados para aquilo que é mais nocivo para o meio ambiente e para as cidades, que são os automóveis, a energia que polui. A gente entende que a bicicleta tem papel fundamental nisso porque ela melhora questões relacionadas à saúde, ao meio ambiente, à mortalidade no trânsito…”

Os debatedores ressaltaram, durante a audiência, os benefícios da utilização desse modal de transporte, entre eles o de não contribuir para a poluição atmosférica, nem sonora, reduzir o número de internações hospitalares por problemas cardiorrespiratórios, e evitar os congestionamentos e o sedentarismo.

O deputado José Stédile lamentou o fato de Brasília não ter a cultura do uso da bicicleta como modal. “Não consigo compreender como que, em Brasília, uma cidade plana, bem pavimentada, que tem as chuvas regulares, a população não utilize mais as bicicletas. Na verdade, falta uma infraestrutura que viabilize porque, muitas vezes, as pessoas precisam trabalhar de terno e vêm de bicicleta, precisam tomar banho, colocar um terno…”

Projetos em tramitação
A Câmara analisa diversas propostas sobre o tema. Uma delas (PL 6724/13) permite ao empregador o pagamento do vale-transporte em dinheiro para o funcionário que utiliza bicicleta para seu deslocamento até o trabalho.

Outra proposta em tramitação é o PL 6474/09, cria o Programa Bicicleta Brasil (PBB) nos municípios com mais de 20 mil habitantes, destinando 15% do valor arrecadado com multas de trânsito para financiar o programa. Também tramita o PL 4997/13, que propõe reduzir a zero o IPI para bicicletas, partes e acessório.

Fonte: Agência Câmara

Paradas de ônibus do Recife com wi-fi

Paradas de ônibus do Recife vão ter wi-fi Foto Annaclarice Almeida DP/D.A.Press

Paradas de ônibus do Recife vão ter wi-fi Foto Annaclarice Almeida DP/D.A.Press

Por

Anamaria Nascimento

Até sexta-feira, 10 paradas de ônibus do Recife vão se tornar pontos de inclusão digital. Uma parceria entre a Cittati, empresa que desenvolveu o aplicativo Cittabus, e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) vai levar internet wi-fi gratuita às paradas. Com área de abrangência de cerca de 60 metros, o sinal conta com velocidade de sete megabytes por segundo (o equivalente à velocidade da internet 4G) e não tem restrição de senha.

As paradas que receberão o projeto ainda não foram definidas. A Cittati informou apenas que os pontos que vão receber wi-fi serão os de grande movimento na capital pernambucana, como os da Avenida Agamenon Magalhães. A única parada com internet wi-fi confirmada foi a que fica em frente ao Real Hospital Português, na Ilha do Leite. Os bairros das Graças, Aflitos e Parnamirim, na Zona Norte, também serão contemplados nessa primeira fase.

“As paradas participantes estarão sinalizadas. Além de facilitar o download do aplicativo, a internet poderá ser acessada para outros fins, como pesquisas e interação nas redes sociais”, explicou o gerente da Cittati, Carlos Sampaio. A internet poderá ser usada 24 horas e não será necessário efetuar login. “Basta o usuário entrar na rede aberta Cittabus e navegar”, ressaltou o presidente da Urbana-PE, Fernando Bandeira.

 

Primeira Zona 30 do Recife será implantada em junho em 22 vias do bairro histórico da cidade

 

Bairro do Recife terá Zona 30 em 22 vias do bairro. Foto - Inês Campelo DP/D.A.Press

Bairro do Recife terá Zona 30 em 22 vias do bairro. Foto – Inês Campelo DP/D.A.Press

O Bairro do Recife vai sediar a primeira área de Zona 30 da cidade. Isso significa que em 22 vias do bairro, em um perímetro de 15 mil metros quadrados, a velocidade da via passará a ser de 30km/h a partir de junho.

A iniciativa ocorre 31 anos depois que a Alemanha inaugurou o modelo de redução do limite de velocidade para dar mais segurança ao pedestre, ao ciclista e ao próprio motorista no compartilhamento dos espaços. Em Barcelona, na Espanha, a Zona 30 já alcançou 200km de vias.

A redução da velocidade é indicada para ruas que possam privilegiar a circulação de pedestres e vias locais de bairros residencias. No Bairro do Recife, circulam em média 17 mil veículos e a velocidade média é de 40km/h. O bairro também é ligação entre o Centro e a Zona Sul.

Das vias que terão redução de velocidade estão a Rua Madre de Deus e a Alfredo Lisboa, que hoje funcionam como binário. “Essas vias são, na verdade, atalhos. Há outras alternativas de rotas. A Alfredo Lisboa deveria funcionar como uma via parque e quem usa a Madre de Deus, tem a opção de usar a via Cais da Alfândega, que fica na margem do rio”, sugeriu o urbanista César Barros, que também defende a redução de velocidade.

O limite de velocidade tem impacto sobre a segurança. Em uma velocidade de 30km/h, as chances de uma pessoa morrer são de 5%, mas com 10km/h a mais essas chances ampliam para 45% de possibilidade de morte. “Em todos os países que adotaram a redução, as mortes no trânsito diminuíram”, afirmou o presidente do Instituto Avante, o jurista e professor Luiz Flávio, um dos maiores defensores da Zona 30.

Em janeiro, a presidente da CTTU, Taciana Ferreira, ainda não estava convencida da Zona 30. “Estamos criando um padrão de 40km nas áreas das ciclofaixas”, disse na ocasião. Ontem, porém, ressaltou: “É uma mudança de mentalidade para todos nós”. E o prefeito completou: “É uma ação que busca melhoria da qualidade de vida. A prioridade é para as pessoas”, afirmou Geraldo Julio.

O metrô do Recife quebra pelo menos uma vez a cada três dias

 

Estação do metrô de Camaragibe fechou as portas durante tumulto para evitar depredações Foto Joana Calazans DP/D.A.Press

Estação do metrô de Camaragibe fechou as portas durante tumulto para evitar depredações Foto Joana Calazans DP/D.A.Press

O metrô do Recife, principal modal de transporte para a Copa do Mundo, vem mostrando falhas reais no dia a dia e tirando a paciência dos usuários. Por mês, os trens têm que ser evacuados entre 10 e 15 vezes, uma média de até uma vez a cada três dias. Para a Metrorec, o número está dentro das normas internacionais, considerando as cerca de 570 viagens diárias. Difícil é fazer entender quem está na plataforma de embarque. Foi o que ocorreu ontem, em Camaragibe, quando, pelo segundo dia seguido, a média de espera passou de 12 para até 30 minutos.

Uma pane da rede aérea provocou a paralisação de uma das linhas Foto Joana Calazans DP/D.A.Press

Uma pane na rede aérea provocou a paralisação de uma das linhas do metrô Recife – Foto Joana Calazans DP/D.A.Press

Uma falha na rede elétrica do ramal de Camaragibe, na última terça-feira, provocou o uso de apenas uma das duas linhas do trecho, obrigando que ida e volta fossem feitas pelo mesmo caminho, o que causou uma demora maior no atendimento dos usuários. Revoltado, por volta das 6h30, um grupo arrastou uma carcaça de geladeira para os trilhos, paralisando o atendimento. A Polícia Militar foi chamada e por volta das 8h, os manifestantes foram retirados da estação, mas os protestos continuaram até as 10h. O serviço só foi reestabelecido à tarde.

Manifestantes protestaram contra os atrasos no metrô Foto - Felipe Feliciano WahtsApp do Diario

Manifestantes protestaram contra os atrasos no metrô Foto – Felipe Feliciano WahtsApp do Diario

e acordo com o engenheiro de transportes da Universidade Federal do Mato Grosso, Luiz Miguel de Miranda, a realidade verificada no Recife não condiz com os grandes sistemas de transporte do mundo, onde falhas do gênero não são tão recorrentes. “Se isso acontecesse em São Paulo, a cidade parava e o governador cairia”, afirma.

Já o especialista em ferrovias da Universidade Federal de Pernambuco Fernando Jordão defende a não existência de “padrões de tolerância” para a qualidade do serviço. “Não se deve ter nenhuma paralisação no mês. Se uma quantidade de aviões cai por ano, pode-se dizer que isso está dentro do tolerável?”.

A situação ainda poderia ser pior. Há três anos, antes da reforma e da troca dos trens hoje utilizados no metrô, o número de evacuações mensais por falhas técnicas variava entre 18 e 20, quase uma a cada dia útil, em média. “O Metrô está dentro das normas e o índice de problemas é proporcionalmente semelhante ao verificado em São Paulo”, garante o gerente de comunicação da empresa, Salvino Gomes.

Camaragibe

O terminal integrado de Camaragibe era a grande aposta para a integração do metrô e do BRT (Bus Rapid Transit) para a Copa do Mundo e seus efeitos práticos foram prometidos para o primeiro semestre deste ano.

Maior do que a estação de Cosme e Damião, testada na Copa das Confederações, a de Camaragibe deveria ser o principal suporte, mas não será. A expansão do terminal para receber o BRT sequer foi feita. E as seis estações que deveriam receber o modelo dos ônibus do BRT na principal via de acesso à cidade também não ficaram prontas. Camaragibe deixou de ser o plano A e Cosme Damião vai novamente ser a aposta para atender aos usuários do metrô. Não apenas os planos foram adiados. O conforto e o bom atendimento também.

Além das limitações de capacidade da estação, outro desafio não só para a Copa, mas também para os usuários todos os dias, é o intervalo nas viagens do trem. A média é 12 minutos no ramal que chega ao município, 2,4 mais tempo que o esperado na estação central do Recife nos horários de pico.

Ao chegar na integração, novo desafio. Com cerca de 51 mil pessoas atendidas por 107 veículos por dia, os passageiros enfrentam esperas de até 30 minutos, a depender de qual das 21 linhas precise. Na busca por qualidade, a população de Camaragibe lembra que é mais do que uma via de acesso a um dos palcos da tão aguardada Copa do Mundo.

Os descaminhos de quem anda a pé na Região Metropolitana do Recife

 

Vegetação invade área vegetação invade área do passeio na PE-15 - Foto - Jo Calazans pedestre

Vegetação invade área do passeio na PE-15 – Na foto a jornalista Eva Duarte – Foto – Jo Calazans – DP/D.A.Press

O mundo real de quem precisa caminhar todos os dias pelas calçadas da Região Metropolitana do Recife está a anos-luz do mínimo de razoabilidade. Isso significa ignorar um universo de cerca de 1,5 milhão de pessoas que precisam se deslocar a pé todos os dias.

Lixo na calçada também atrapalha a mobilidade do pedestre Foto Jo  Calazans DP/D.A.Press

Lixo na calçada também atrapalha a mobilidade do pedestre – Foto Jo Calazans DP/D.A.Press

Um público que permanece à margem das políticas públicas e nem é conhecido dentro de sua totalidade, já que a última pesquisa de origem e destino da RMR é de 1997, sendo atualizada em 2008 sem pesquisa de campo. O pedestre sequer é lembrado como elemento primário do sistema viário e é obrigado a andar por calçadas precárias, por vezes inexistentes, ou ainda obstruídas e sem conexão entre os caminhos.

Pedestre se equilibra no meio fio por falta de espaço

Pedestre se equilibra no meio- fio por falta de espaço na PE-15, por onde irá passar o corredor do BRT – Foto- Jo Calazans DP/D.A.Press

Não se vislumbra o que deveria ser um dever de casa básico para a ocupação dos espaços urbanos. E muito menos do que deveria ser um caminhar seguro e confortável.

Nós acompanhamos a saga da jornalista Eva Duarte, 43 anos, que se desloca a pé de duas a três vezes por semana pelas calçadas quase inexistentes da PE-15, em Olinda, um dos principais trechos do futuro corredor Norte/Sul do BRT (Bus Rapid Transit). Enquanto viadutos e estações se descortinam ao longo do corredor, as calçadas ainda não receberam nenhum tipo de tratamento para atender com o mínimo de dignidade o pedestre.

Quando há  calçada, o espaço serve de extensão de serviços - Foto - Jo Calazans DP/D.A.Press

Quando há calçada, o espaço serve de extensão de serviços – Foto – Jo Calazans DP/D.A.Press

Não é preciso percorrer grandes distâncias para se descobrir tudo o que não deveria acontecer na área do passeio. O trecho de 500 metros entre a Rua Romeu Jacobina de Figueiredo, em Ouro Preto, Olinda, onde ela mora, até a parada de ônibus, é um exemplo. Mesmo percorrendo o trecho mais de uma vez por semana, ela não deixa de se indignar uma única vez. E chega a interpelar os outros pedestres no meio do caminho, provocando reações. A vontade, que não é só dela, é de criar um movimento de conscientização pelos direitos do pedestre. “Somos a minhoca da cadeia alimentar do trânsito”, desabafa.

Eva fala com conhecimento de causa. No percurso que costuma fazer, passa por buracos de obras onde deveria haver calçada, se equilibra no meio-fio por ausência do passeio, salta para se livrar de trechos alagados e ainda passa por uma área coberta de vegetação, que mais parece uma trilha.

Depois de enfrentar esse trecho, Eva finalmente chega a um quarteirão com calçada. Deveria ser melhor, mas não é. Em trecho curto, ela passa por um lixão em plena área do passeio e se esquiva de duas oficinas que usam o espaço como extensão dos seus negócios.

Dificuldade de travessia na via. Não há espaço seguro para o pedestre. Foto Jo Calazans DP/DF.A.Press

Dificuldade de travessia na via. Não há espaço seguro para o pedestre. Foto Jo Calazans DP/DF.A.Press

Para chegar à parada de ônibus, ela ainda atravessa a pista sem faixa de pedestre. À noite, a situação se agrava. “A iluminação é péssima e se torna mais perigoso fazer esse percurso”, diz. Sem muita esperança de que a situação mude a curto prazo, ela decidiu adotar um esquema que a permite sair o menos possível. “Trabalho em casa, faço faculdade à distância, vou para o bar da esquina e namoro em casa. Mas isso tudo é, na verdade, imobilidade”, criticou.