Tsunami econômico no esporte

Por Tatiana Nascimento (editora do Blog Abaixo o Economês, do Diario, e colaboradora esportiva também)

Onda em Pipeline, no HawaiiNo esporte não tem “marolinha”. Quando a onda chega é tsunami mesmo. No início do mês, fomos surpreendidos com o anúncio da saída da Honda da Fórmula 1, equipe que contava com a dupla de pilotos Rubens Barrichello e Jenson Button. O presidente da escuderia japonesa, Takeo Fukui, alegou que a crise financeira afetou os negócios da empresa.

A Honda gastou o equivalente a quase R$ 1 bilhão para correr a temporada 2008. A equipe agora está à venda. Só vai disputar o campeonato de 2009 se alguém colocar dinheiro e assumir a operação.

A preocupação nos paddocks aumentou depois que a Red Bull divulgou um comunicado dizendo que “outras equipes estão tendo pensamentos semelhantes”. Saiu todo mundo correndo para dizer “comigo não”. Foi assim na Renault do bicampeão Fernando Alonso e na própria Red Bull, que, mesmo sem ter asas ( 🙂 ), afirma se garantir na categoria por causa das vendas do energético.

Dá até para acreditar. Só a Madonna pediu 10 mil latinhas para os shows no Brasil. Como uma latinha custa, em média, R$ 5 no supermercado, serão R$ 50 mil a mais na conta da Red Bull. Os problemas causados pela crise econômica no esporte ganharam mais exposição por conta do caso da Honda. Mas esse está bem longe de ser o único.

Acabou a boquinha de Barrichello...No tênis, por exemplo, os chilenos ficaram duplamente a ver navios. Primeiro foi cancelado o jogo exibição entre o número 1 do mundo, Rafael Nadal, e o vice-campeão olímpico Fernando González. Depois quem dançou foi a Copa Chile, que estava marcada para começar no próximo dia 18. O motivo dos cancelamentos? A falta de patrocínio.

Na terra do basquete, o Houston Comets fechou. A equipe é simplesmente a maior campeã da liga americana feminina de basquete (WNBA). O time estava falido e não conseguiu um comprador. Nos quatro títulos da WNBA, entre 1997 e 2000, os Comets contaram com nossa Janeth. Uma pena para o basquete feminino.

Sobrou até para o astro do golfe Tiger Woods, que teve o patrocínio cancelado pela General Motors. Dizem foi o rompimento foi consensual. Pode ser. Mas o fato mesmo é que a GM está com a correia dentada no pescoço e saiu cortando os gastos com publicidade. Pior para a GM. Tiger pode até ficar um pouquinho triste. Mas nada que abale muito o orçamento do rapaz, que, segundo a revista Forbes, deve somar uma fortuna de US$ 1 bilhão em 2010. Quem sabe ele próprio não faz um empréstimo para a GM e as outras montadoras norte-americanas.

E aqui no Brasil? Bem, isso eu deixo para o Cassio pesquisar. Espero só que o fundo do poço do meu Santa Cruz não fique mais ainda mais fundo.

Nota do blog: Tatiana, temos um exemplo simples aqui em Pernambuco. Mesmo classificado para a Taça Libertadores de 2009, a competição de maior visibilidade do continente, a diretoria do Sport já manifestou o desejo de continuar com os patrocinadores desta temporada. Segundo o VP de marketing do Leão, Carlos Frederico, quem tiver um patrocínio, que “segure a marca”. 😯

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