Os cabeças de chave da Copa do Mundo de 1930 a 2018. A Seleção em 19 edições

Os países com o maior número de indicações como "cabeça de chave" na Copa do Mundo. Arte: Cassio Zirpoli/DP

O Ranking da Fifa correspondente a outubro de 2017, a oito meses da Copa do Mundo, é a base oficial para a composição dos oito cabeças de chave do torneio de 2018. À parte da Rússia, sede pela primeira vez e cabeça de chave pela primeira vez, sete países vieram da lista mensal da federação: Alemanha (1º lugar no ranking), Brasil (2º), Portugal (3º), Argentina (4º), Bélgica (5º), Polônia (6º) e França (8º). O critério técnico adotado, apenas com o ranking, mudou o perfil histórico dos principais países na disputa.

Na compilação de 1930 a 2018, sem surpresa, os oito campeões mundiais são justamente as oito seleções mais apontadas nos sorteios como cabeças de chave. No 21º Mundial, considerando todos os ex-campeões presentes, quatro não serão cabeças de chave. Ou seja, Espanha (11º), Inglaterra (15º), Uruguai (16º) e Itália (17º) devem surgir em prováveis grupos da morte.

À parte do desempenho em campo, o status para o país-sede é regra. Em todas as edições, o anfitrião só não foi escolhido pela federação que controla o futebol como um dos líderes prévios dos grupos em três oportunidades (1954, 1958 e 1970). Em 2022, no Catar, o regulamento deve ser mantido. Já a partir de 2026 o torneio terá 48 seleções, dobrando o nº de grupos…

Indicações dos 122 cabeças de chave nos Mundiais:
1930 (5) – Argentina, Brasil, Estados Unidos, Paraguai e Uruguai
1934 (8) – Alemanha, Argentina, Áustria, Brasil, Holanda, Hungria, Itália e Tchecoslováquia
1938 (8) – Alemanha, Brasil, Cuba, França, Hungria, Itália, Suécia e Tchecoslováquia
1950 (4) – Brasil, Inglaterra, Itália e Uruguai
1954 (8) – Áustria, Brasil, França, Hungria, Inglaterra, Itália, Turquia e Uruguai
1958  – sem cabeças de chave
1962 (4) – Argentina, Brasil, Chile e Uruguai
1966 (4) – Alemanha, Brasil, Inglaterra e Itália
1970 – sem cabeças de chave
1974 (4) – Alemanha, Brasil, Itália e Uruguai
1978 (5) – Alemanha, Argentina, Brasil, Holanda e Itália
1982 (6) – Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, Inglaterra e Itália
1986 (6) – Alemanha, Brasil, França, Itália, México e Polônia.
1990 (6) – Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Inglaterra e Itália
1994 (6) – Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Estados Unidos e Itália
1998 (8) – Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, França, Holanda, Itália e Romênia
2002 (8) – Alemanha, Argentina, Brasil, Coreia do Sul, Espanha, França, Itália e Japão
2006 (8) – Alemanha, Argentina, Brasil, Espanha, França, Inglaterra, Itália e México
2010 (8) – Alemanha, África do Sul, Argentina, Brasil, Espanha, Holanda, Inglaterra e Itália
2014 (8) – Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Colômbia, Espanha, Suíça e Uruguai
2018 (8) – Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, França, Polônia, Portugal e Rússia

Ranking de indicações como cabeça de chave:
19 – Brasil
15 – Alemanha e Itália
13 – Argentina
7 – França e Inglaterra
6 – Espanha e Uruguai
4 – Bélgica e Holanda
3 – Hungria
2 – Áustria, Estado Unidos, México, Polônia e Tchecoslováquia
1 – África do Sul, Colômbia, Chile, Coreia do Sul, Cuba, Japão, Paraguai, Portugal, Romênia, Rússia, Suécia, Suíça e Turquia

Evolução dos critérios para a escolha dos cabeças de chave:
Decisão do comitê organizador: 1930, 1934, 1938, 1962 e 1966
Recomendação da CBD (precursora da CBF): 1950
Sorteio: 1954
Sem cabeça de chave: 1958 e 1970
Votação: 1974
Histórico técnico e posição geográfica: 1978, 1982 e 1986
Performance nas Copas anteriores: 1990 e 1994
Performance nas Copas anteriores + ranking: 1998, 2002 e 2006
Ranking da Fifa: 2010, 2014 e 2018

Islândia na Copa do Mundo, mesmo com população menor que Olinda, Caruaru…

Islândia vence o Kosovo e se classifica para a Copa do Mundo de 2018. Foto: Fifa/site oficial

O território da Islândia é quase do mesmo tamanho de Pernambuco, com 103.001 km² x 98.149 km². Demograficamente, porém, há uma enorme diferença, com 9,4 milhões de habitantes no estado e apenas 334 mil no país insular, espalhados em cidades pequenas no litoral, bem afastadas da Europa. Lá, num cenário frio e quase deserto, o futebol vive. Apesar da população menor que 5 municípios locais (Olinda tem 56 mil pessoas a mais!) ou abaixo de 79 cidades brasileiras, a ilha é capaz de formar uma seleção competitiva, que fez história na Eurocopa 2016 e fará história na Copa do Mundo de 2018.

Indo contra qualquer lógica, o país se classificou ao torneio europeu e ainda eliminou a Inglaterra nas oitavas de final. Do exótico ao resultado prático. Em nova disputa nas Eliminatórias, agora ao Mundial, a seleção islandesa garantiu a 1ª colocação no Grupo I, vencendo o Kosovo por 2 x 0 na capital Reykjavik. Conseguiu a vaga direta para o Mundial da Rússia, na sua estreia no maior torneio do futebol. Será, sem surpresa, o país menos populoso a disputar a Copa em todos os tempos. Na Islândia, segundo a federação nacional de futebol, a “Knattspyrnusamband Islands” (KSI), fundada em 1947, existem apenas três mil adultos jogando bola, com 100 profissionais!

Islândia vence o Kosovo e se classifica para a Copa do Mundo de 2018. Foto: Fifa/site oficial

Fazendo uma relação entre a população masculina, com cerca de 167 mil islandeses, e os 23 convocados da seleção, 1 em cada 7,2 mil será chamado para a Copa do Mundo. No estado, essa conta ficaria em torno de 1 em 198 mil. Mesmo na relação municipal, considerando o top 5, o material humano local seria, em tese, mais factível na montagem de um time competitivo. Pois é, absolutamente tudo sobre a Islândia parece ficção, incluindo a sua torcida. Na Euro realizada na França, 5% do país esteve nas arquibancadas. Ou seja, o envolvimento para o sucesso é geral… Mesmo num território escasso.

As 10 cidades pernambucanas mais populosas x Islândia
1.633.697 – Recife (IBGE, estimativa de 2017)

695.956 – Jaboatão
390.771 – Olinda
356.128 – Caruaru
343.219 – Petrolina

334.252 – Islândia

328.353 – Paulista
204.653 – Cabo
156.361 – Camaragibe
138.642 – Garanhuns
137.578 – Vitória

A classificação final do Grupo I das Eliminatórias da Uefa para o Mundial de 2018. Crédito: Fifa/site oficial

Um golaço pela vida na 6ª divisão da Argentina, o Prêmio Puskas de 2017?

Lulo Benítez...

O Central de Larroque é um time de futebol de uma pequena cidade de mesmo nome, na província argentina de Entre Ríos. Representando os sete mil moradores, disputa as divisões inferiores do país vizinho. Nunca foi longe, ganhando no máximo a “Liga Departamental de fútbol de Gualeguaychú”, um torneio regional com status de sexta divisão na Argentina, semiamadora, como ocorre em outras províncias longe da capital. Mas, ainda assim, o alvirrubro tornou-se motivo de orgulho nacional. A partir de um gesto além dos gramados praticado por Alejandro “Lulo” Benítez, um atacante de 30 anos.

Ele era símbolo do pequeno Central, quando passou por um drama familiar. O seu sobrinho de 9 meses, Milo, precisava com urgência de um transplante de fígado. Após exames, só a mãe (irmã de Lulo) e o atleta eram compatíveis. Caso aceitasse ser o doador, precisaria encerrar a carreira, uma vez que o órgão não se regenera 100%, além da recuperação demorada. Com a irmã operada no coração, em janeiro de 2017, Alejandro não pensou duas vezes.

“Era uma questão de vida ou morte, e eu não podia falhar”, disse ao Olé.

Antes da estreia na “Federal C”, a quinta divisão, falou com o time e entrou na sala de cirurgia para uma operação de 12 horas, simultaneamente ao bebê. Hoje, já estão saudáveis e simbolizados na luta pela doação de órgãos, até no Brasil. Tanto que a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) criou uma campanha para levar o ‘gol’ de Lulo Benítez ao Prêmio Puskas, da Fifa, que elege anualmente o tento mais bonito. Na tag, #puskasparalulo.

Em Entre Ríos, não há dúvida sobre o merecimento…

Vencedores do Prêmio Puskas da Fifa
2009 – Cristiano Ronaldo (Portugal)
2010 – Altıntop (Turquia)
2011 – Neymar (Brasil)
2012 – Miroslav Stoch (Eslováquia)
2013 – Ibrahimovic (Suécia)
2014 – James Rodríguez (Colômbia)
2015 – Wendell Lira (Brasil)
2016 – Mohd Faiz Subri (Malásia)

Assista aos dez gols candidatos ao Prêmio Puskas de 2017 clicando aqui.

Os 55 melhores jogadores do mundo na temporada 2016/2017, segundo a Fifa

Os 55 indicados à "Seleção do Ano", segundo a Fifa

A Fifa apresentou os 55 nomes mais votados para a escolha da “seleção do ano” no futebol mundial. Todos os jogadores atuam na Europa, incluindo nomes que pouco atuaram no período, como Ibra. A escolha foi feita pelos próprios atletas profissionais, com 24 mil votos, tendo o 4-3-3 como formação básica para a temporada 2016/2017. Ao todo, sete brasileiros figuram na lista de indicados, seguindo pela ordem de votos: Neymar, Marcelo, Daniel Alves, Thiago Silva, Philippe Coutinho, Casemiro e David Luiz. Confira a lista completa e comente sobre qual seria a sua seleção a partir dos finalistas…

O anúncio da “seleção” ocorrerá em 23 de outubro, em Londres, onde também será escolhido o melhor jogador da temporada (Messi ou CR7?).

Goleiros (5)
Buffon (ITA/Juventus), De Gea (ESP/Manchester United), Keylor Navas (CRC/Real Madrid), Neuer (ALE/Bayern de Munique) e Jan Oblak (SLO/Atletico de Madrid)

Defensores (20)
Alaba (AUT/Bayern de Munique), Jordi Alba (ESP/Barcelona), Daniel Alves (BRA/PSG), Jerome Boateng (ALE/Bayern de Munique), Bonucci (ITA/Milan), Carvajal (ESP/Real Madrid), Chiellini (ITA/Juventus), Diego Godin (URU/Atletico de Madrid), Hummels (ALE/Bayern de Munique), Philipp Lahm (ALE/Bayern de Munique), David Luiz (BRA/Chelsea), Marcelo (BRA/Real Madrid), Mascherano (ARG/Barcelona), Pepe (POR/Besiktas), Pique (ESP/Barcelona), Sergio Ramos (ESP/Real Madrid), Thiago Silva (BRA/PSG), Samuel Umtiti (FRA/Barcelona), Antonio Valencia (EQU/Manchester United) e Varane (FRA/Real Madrid)

Meias (15)
Thiago Alcantara (ESP/Bayern de Munique), Busquets (ESP/Barcelona), Casemiro (BRA/Real Madrid), Philippe Coutinho (BRA/Liverpool), Hazard (BEL/Chelsea), Iniesta (ESP/Barcelona), Isco (ESP/Real Madrid), Kante (FRA/Chelsea), Toni Kroos (ALE/Real Madrid), Matic (SRB/Manchester United), Modric (CRO/Real Madrid), Ozil (ALE/Arsenal), Pogba (FRA/Manchester United), Verratti (ITA/PSG) e Arturo Vidal (CHI/Bayern de Munique)

Atacantes (15)
Gareth Bale (WAL/Real Madrid), Benzema (FRA/Real Madrid), Cavani (URU/PSG), Cristiano Ronaldo (POR/Real Madrid), Dybala (ARG/Juventus), Griezmann (FRA/Atletico de Madrid), Ibrahimovic (SUE/Manchester United), Harry Kane (ING/Tottenham), Lewandowski (POL/Bayern de Munique), Lukaku (BEL/Manchester United), Mbappé (FRA/PSG), Messi (ARG/Barcelona), Neymar (BRA/PSG), Alexis Sanchez (CHI/Arsenal) e Suárez (URU/Barcelona)

Número de indicados por clube
12 – Real Madrid
8 – Barcelona e Bayern de Munque
6 – Manchester United e PSG
3 – Atlético de Madrid, Chelsea e Juventus
2 – Arsenal
1 – Besiktas, Liverpool, Milan e Tottenham 

Número de indicados por país de origem
9 – Espanha
7 – Brasil e França
6 – Alemanha
4 – Itália
3 – Argentina e Uruguai
2 – Bélgica, Chile e Portugal
1 – Áustria, Costa Rica, Croácia, Equador, Eslovênia, Gales, Inglaterra, Polônia, Sérvia e Suércia

Grito de gol somente após a confirmação do árbitro de vídeo. O futuro do futebol?

Gol anulado no jogo Camarões 0 x 2 Chile, na Copa das Confederações de 2017. Crédito: Sportv/reprodução

Após um teste mal executado no Mundial de Clubes, em dezembro de 2016, a Fifa voltou ao tira-teima tecnológico com um novo formato na Copa das Confederações de 2017. No jogo entre Chile e Camarões, com vitória da Roja por 2 x 0 na largada do torneio-teste, o árbitro de vídeo (sigla VAR, para video assistant referee) foi acionado duas vezes em lances bem ajustados.

Impedimento ou não? Em ambos, o chileno Vargas balançou as redes…

Uma característica interessante vista na tevê foi a medição do campo com linhas em 3D, ou “grid”, equalizando os ângulos duvidosos das câmeras. Na cabine instalada na arena do Spartak, três árbitros analisaram os lances.

1) No último lance do primeiro tempo (acima), Vargas recebeu um belo passe de Vidal, entre os zagueiros africanos, e finalizou com categoria. Porém, o VAR apontou o atacante adiantado. Gol anulado.

2) No fim da partida (abaixo), Alexis Sánchez foi lançado ainda no círculo central e desperdiçou a chance na sequência, com Vargas marcando no rebote. O VAR paralisou para conferir o passe para Sánchez. Gol validado.

Sobre o tempo gasto em cada lance, considerei aceitável, sem quebrar o ritmo da partida. No entanto, a partir de agora, em jogos de futebol com a função, o gol passa a ser comemorado à vera somente após a a confirmação da cabine. Nada muito diferente do que já vemos na NFL, NBA, tênis etc.

Melhor do que anular um lance legal ou validar um lance irregular…

Gol validado no jogo Camarões 0 x 2 Chile, na Copa das Confederações de 2017. Crédito: TyC Sports/reprodução

Decisão do Estadual com árbitro do quadro da Fifa pela 4ª vez em 8 anos

Wilton Sampaio, árbitro do quadro da Fifa. Crédito: Associação Nacional de Árbitros de Futebol (anaf.com.br)

O goiano Wilton Pereira Sampaio, de 35 anos, foi o árbitro escolhido para trabalhar na decisão do Campeonato Pernambucano de 2017, em 18 de junho. Assim, o jogo de volta entre Salgueiro e Sport terá um integrante do quadro do Fifa, o que não acontecia no futebol local desde 2014 – no empate em 1 x 1, na ida, foi José Woshington, do quadro da Ceaf. Considerando o formato atual da competição, com semifinal e final, desde 2010, esta em 4ª vez em 8 anos que um árbitro da Fifa apita a grande final.

Sampaio, que trabalhou em 16 jogos do último Campeonato Brasileiro, ostenta desde 2003 o emblema da Fifa, restrito a dez nomes por ano. No estado, Sampaio já apitou dois mata-matas. Os jogos de ida da semi entre Santa e Náutico em 2010 (0 x 0) e da final entre Sport e Náutico (2 x 0) em 2014.

Em relação ao árbitro de vídeo, a FPF aguarda novo aval da International Football Association Board (Ifab), o órgão que regulamenta as regras, para a utilização do recurso eletrônico no Cornélio de Barros. Para o bem de Wilton.

Os árbitros das decisões pernambucanas neste século:

2001 - Santa Cruz 0 x 2 Náutico* – Antônio André (PE)
2002 - Santa Cruz 2 x 1 Náutico* – Wilson Souza (Fifa-PE)
2003 - Sport* 2 x 2 Santa Cruz – Wilson Souza (Fifa-PE)
2004 - Santa Cruz 0 x 3 Náutico* – Patrício Souza (PE)
2006 - Sport* (5) 0 x 1 (4) Santa Cruz – Djalma Beltrami (Fifa-RJ)
2010 - Sport* 1 x 0 Náutico – Alicio Pena Júnior (MG)
2011 - Santa Cruz* 0 x 1 Sport – Sálvio Spinola (Fifa-SP)
2012 - Sport 2 x 3 Santa Cruz* – Sandro Meira Ricci (Fifa-PE)
2013 - Sport 0 x 2 Santa Cruz* – Gilberto Castro Júnior (PE)
2014 - Náutico 0 x 1 Sport* – Leandro Vuaden (Fifa-RS)
2015 - Santa Cruz* 1 x 0 Salgueiro – Emerson Sobral (PE)
2016 - Sport 0 x 0 Santa Cruz* – Sebastião Rufino Filho (PE)
2017 - Salgueiro x Sport – Wilton Sampaio (Fifa-GO)
* Campeão

Balanço: 13 finais em 17 anos, com 7 árbitros da Fifa

Confira a lista de árbitros nos mata-matas desde 2010 clicando aqui.

FPF aguarda aval da Fifa para utilizar árbitro de vídeo na final do Estadual

Tecnologia no futebol? Crédito: Fifa/reprodução

Atualização (04/05): chegou o aval e a decisão terá o novo recurso.

Os dois jogos entre Salgueiro e Sport, na decisão do título pernambucano de 2017, podem ser os primeiros no estado com a função do “árbitro de vídeo”. Já em uso na Europa e confirmado na Copa do Mundo de 2018, o recurso ainda tem alguns entraves, como formatação e custo. Há algum tempo a FPF vem tentando realizar uma partida com a experiência tecnológica. O primeiro ofício data de 2 de outubro de 2015. Na ocasião, a International Football Association Board (Ifab), o órgão que regulamenta as regras do futebol, negou porque a função ainda estava sob análise. O objetivo era o uso na final do Estadual de 2016 – que só teve um gol em duas partidas, irregular. Segundo o presidente da federação pernambucana, Evandro Carvalho, a solicitação se estendeu a 2017, já com o novo sistema, testado pela CBF.  

Em janeiro, o dirigente tentou implantar a função nos clássicos, mas a demora na captação da estrutura inviabilizou a ideia. Agora, para a final, avançou. Até a publicação deste post, a FPF já havia atendido a 10 das 12 exigências da Fifa sobre o tema. Além disso, reduziu o custo, caindo de R$ 700 mil para R$ 140 mil. Por partida! O gasto de 20% é resultado da negociação com a empresa responsável – que, em contrapartida, seria a “pioneira” no país. Evandro não revelou nem os itens em branco nem o nome da empresa.

Ao blog, o mandatário disse que a competição tem uma semana para ficar ok. Sobre o árbitro de vídeo, trata-se da produção e análise independente das imagens. Ou seja, o lance não será o da transmissão da tevê, mas sim observado nas 16 câmeras instaladas pela própria empresa contratada, com doze pessoas na operação. Segundo o dirigente, ocorreram nove testes na Granja Comary, com a resposta da central durante de 3 a 6 segundos nos lances duvidosos.

“O árbitro de vídeo só será utilizado num ‘lance ajustado’. Esse lance é aquele impedimento por poucos centímetros, a bola cruzando ou não a linha. Então, se houver dúvida, é para deixar o lance seguir. Só com o aviso do árbitro de vídeo, segundos depois, é que o lance será anulado. Quem vem comemorando isso são os bandeirinhas.”

As situações no raio do árbitro de vídeo:

a) Dúvida se a bola entrou ou não no gol.
b) Saídas da bola pela linha de fundo, quando na mesma jogada ou contexto for marcado gol ou pênalti.
c) Definição do local das faltas nos limites da grande área, para definir se houve ou não pênalti.
d) Gols e pênaltis marcados, possibilitados e evitados em razão de erro em lances de faltas claras/indiscutíveis, não vistas ou marcadas equivocadamente.
e) Impedimentos por interferência no jogo, caso na jogada haja gol ou pênalti.
f) Jogo brusco grave ou agressão física (conduta violenta) indiscutíveis não vistos ou mal decididos pela arbitragem.

Brasil lidera Ranking da Fifa após 7 anos

Ranking da Fifa em abril de 2017. Crédito: Fifa/twitter

A incrível sequência de Tite, com nove vitórias em nove jogos, já é a maior arrancada de um técnico na Seleção Brasileira. E olhe que foram oito jogos pelas Eliminatórias da Copa 2018, fazendo com que o time saísse de uma situação complicada para o status de primeiro classificado, à parte do país-sede. Com isso, o Brasil voltou ao topo do Ranking da Fifa, após sete anos.

A última vez que a Canarinha havia liderado a lista mensal foi em maio de 2010, antes do Mundial na África. Ali, iniciou-se o reinado da Espanha, depois revezado com Alemanha e Argentina. Neste hiato, até países sem títulos mundiais alcançaram o topo no futebol, como as vizinhas Holanda e Bélgica.

A goleada sobre o Paraguai por 3 x 0, na Arena Corinthians, foi fundamental para ultrapassar os hermanos. Só em caso de vitória seria possível através do complexo (e questionável) sistema, com pesos diferentes aos jogos de todos os filiados – somente no último mês foram 129 partidas contabilizadas. Em abril o Brasil chegou a 151 meses de liderança, de um total de 285 desde a criação do ranking, em agosto de 1993. Ou seja, mesmo em jejum – e chegou a ser 18º em 2012 -, o time verde e amarelo já liderou em 52,9% do tempo.

Meses na liderança (entre parênteses, o primeiro mês em 1º):
Brasil – 151 (09/1993)
Espanha – 64 (07/2008)
Argentina – 26 (03/2007)
Alemanha – 18 (08/1993)
França – 14 (05/2001)
Itália – 6 (11/1993)
Bélgica – 5 (11/2015)
Holanda – 1 (08/2011)

Desempenho da Seleção Brasileira no Ranking da Fifa:

O desempenho da Seleção Brasileira no Ranking da Fifa

Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo pela 4ª vez e busca o recorde de Messi

Cristiano Ronaldo, o melhor do mundo 2008, 2013, 2014 e 2016. Fotos: Fifa/divulgação

“2016 foi o melhor ano da minha carreira. Muitas dúvidas havia, mas o troféu mostrou que as pessoas não são cegas”

O discurso de Cristiano Ronaldo, no português mais ‘lusitano’, mostrou também a autoconfiança do atacante, de fato o melhor da temporada, legitimado pela Fifa. Foi campeão da Eurocopa, no primeiro título importante de Portugal, e ganhou mais uma vez a Champions League e o Mundial pelo Real Madrid. Em campo foram 57 apresentações, marcando 55 gols e dando 17 assistências. Logo, teve participação direta em 72 gols, com uma média de 1,26.

Com esse repertório, CR7 foi ao evento de gala já consciente da vitória, que o reaproximou de Lionel Messi, com quem trava uma batalha há quase uma década. Nos últimos nove anos, os dois vêm revezando o prêmio de melhor do ano. São cinco nomeações para o argentino e, agora, quatro para o português, que marcou 220 gols e ganhou onze títulos nos anos em que foi eleito.

“Espero apanhar o Messi já na próxima época” 

A frase foi dita em 2014, também na Suíça, e segue atual. Ali, Cristiano já deixava claro, outra vez, o quanto vislumbra o seu objetivo máximo. Quer ser o jogador mais vezes eleito pela Fifa. Hoje, já é mais premiado que Ronaldo e Zidane, o que o assegura como um dos melhores da história do futebol.

Gols de CR7 como melhor do mundo (clube/seleção):
2008 – 35 gols em 58 jogos (0,60)
2013 – 69 gols em 59 jogos (1,16)
2014 – 61 gols em 60 jogos (0,98)
2016 – 55 gols em 57 jogos (0,96)

Com o tetra de Cristiano, Portugal tornou-se o segundo país com mais eleitos, ao lado da Argentina, considerando a premiação oficial da Fifa, com três nomes distintos: 1991-2009 Player of the Year; 2010-2015 Fifa Ballon d’Or; 2016 The Best. O Brasil, sem nomeações desde 2007, segue à frente, com oito troféus.

Ranking de premiações do melhor do mundo (1991-2016):
8 – Brasil (Ronaldo 3, Ronaldinho 2, Romário 1, Rivaldo 1 e Kaká 1)
5 – Argentina (Messi 5)
5 – Portugal (Cristiano Ronaldo 4, Luís Figo 1)
3 – França (Zidane 3)
2 – Itália (Baggio 1 e Cannavaro 1)
1 – Alemanha (Matthäus)
1 – Holanda (Van Basten)
1 – Libéria (Weah) 

Para completar, eis a seleção de 2016, com dois laterais brasileiros….

A seleção de 2016, segundo a Fifa

Mercado chinês impulsiona recordes de transferências internacionais (14 mil) e gasto entre clubes (US$ 4,7 bi) em 2016

O número de jogadores negociados para o exterior, considerando todos os países filiados à Fifa. Arte: Cassio Zirpoli/DP

O impacto chinês no mercado do futebol, com seguidas propostas irrecusáveis, se confirma com os dados oficiais de transferências internacionais em 2016, com recordes tanto na quantidade de atletas negociados em todo o mundo quanto no dinheiro gasto pelos clubes. Somente na primeira janela, entre janeiro e fevereiro e com dados já detalhados, os times da China gastaram quase US$ 300 milhões, ou 244% a mais que 2015! Além do volume de jogadores para o “eldorado”, há muita qualidade envolvida, com contratações do porte do meia brasileiro Oscar (Chelsea) e do atacante argentino Tévez (Boca Juniors).

Na escala global, foram 988 atletas (+7,2%) e 607 milhões de dólares (+14,5%) a mais. Através das 211 nações filiadas, 14.546 contratos internacionais foram firmados. Um a cada 36 minutos ou 39 por dia. Haja deslocamento. Dados do Transfer Matching System (TMS), o sistema eletrônico criado há cinco anos pela Fifa para registrar oficialmente todas as negociações entre clubes de países distintos, numa operação feita na Suíça. O balanço oficial considera empréstimo, venda dos direitos econômicos, fim de contrato e jogadores livres.

Movimentação de contratações internacionais na China. Arte: Fifa TMS/twitter (adaptação para tradução)

Até mesmo na “média” o dado foi o maior já registrado, com 329 mil dólares a cada atleta negociado, ou 20 mil a mais que o índice anterior. Naturalmente, teve gente saindo de graça e gente saindo por uma cifra astronômica. Cenários distintos entre os 6,5 mil clubes cadastrados pelo TMS, incluindo o Trio de Ferro do Recife. Em 2016, por sinal, houve a maior compra local, com o Sport pagando US$ 790 mil (R$ 3,16 mi na ocasião) ao Argentinos Juniors, fechando um acordo de cinco anos com o jovem atacante colombiano Lenis.

Outras transações envolvendo alvirrubros, rubro-negros e tricolores foram realizadas via TMS, através de empréstimos e com jogadores sem contrato. Eis alguns nomes trazidos do exterior e os países onde estavam: Ruiz (Colômbia), Mark González (Chile), Henríquez (Colômbia), Rodney Wallace (Portugal), Jonathan Goiano (Coreia do Sul), Bolaño (Equador), Marco Antônio (Catar), Rafael Coelho (Tailândia) e Yuri Mamute (Grécia). Sobre 2017, as duas janelas brasileiras vão de 12/01 a 04/04 e de 20/06 a 20/07. Cuidado com a China…

O dinheiro gasto nas transferências internacionais, segundo a Fifa. Arte: Cassio Zirpoli/DP