Ney Franco acerta com o Sport onze anos após a 1ª tentativa. Entre altos e baixos

Trabalhos de Ney Franco: Ipatinga (2005), Flamengo (2006), São Paulo (2012), Vitória (2013) e Coritiba (2015)

Após o péssimo rendimento no ano do centenário, o Sport recomeçou em 2006. Elenco e comissão técnica. À frente do futebol, Homero Lacerda optou por Ney Franco, treinador do Ipatinga, já campeão mineiro. Com 40 anos na época, Ney vivia a sua primeira experiência numa equipe profissional, embora cedido pelo Cruzeiro, onde era auxiliar. Como não chegou a um acordo com o time celeste sobre um novo empréstimo, optou por ficar no interior mesmo. Na Ilha, então, chegou Dorival Júnior. Já Ney, naquele mesmo ano, acabaria contratado pelo Flamengo, na reta final da Copa do Brasil. Ficou com o título.

Em outros bons momentos, a Sula de 2012, pelo São Paulo, o 5º lugar na Série A de 2013 com o Vitória e o título da Série B de 2010 com o Coritiba. Nos piores, problemas de relacionamento no São Paulo e trabalhos ruins entre 2014 e 2015, quando resolver parar, se reciclar. Onze anos após a primeira tentativa, e o Leão tentou mais três vezes no período, Ney enfim acertou com o Sport. Ele substitui Daniel Paulista com a missão de construir um padrão de jogo em um time com mata-matas em quatro torneios simultâneos…

Rubro-negro, o que você achou da contratação de Ney Franco?

Análise do podcast 45 minutos sobre o novo treinador leonino

Uma árbitra no comando do Clássico das Multidões, 24 anos após Maria Edilene

Debora Cecília, árbitra da FPF em 2017. Foto: ANAF/divulgação

Em 8 de novembro de 1992, na Ilha do Retiro, Maria Edilene Siqueira foi selecionada para apitar Sport x Santa Cruz, válido pela última rodada da 1ª fase do 2º turno. Era o primeiro clássico comandado por uma mulher no futebol pernambucano. Os corais venceram por 1 x 0, e a “juíza” não admitiu indisciplina, expulsando o tricolor Malhado. Já no quatro da Fifa, chegou a apitar nos Mundiais femininos de 1995 e 1999. Edilene ainda apitou outros três clássicos, sendo também assistente diversas vezes até 1999.

Desde então, a reinserção feminina no quadro de arbitragem da FPF foi lenta, sendo retomada na primeira divisão estadual em 2011, com Ana Karina, então com 31 anos. Ela apitou Ypiranga 2 x 1 América. Em 2015, um novo passo, com a escalação de um trio feminino: a árbitra Ana Karina e as assistentes Fernanda Colombo e Karla Renata. Curiosamente, outro América x Ypiranga, desta vez nos Aflitos e com vitória alviverde por 1 x 0.

Dois anos depois, um passo maior. Deborah Cecília, de 32 anos, foi sorteada para o Clássico das Multidões. No mesmo cenário da estreia de Maria Edilene. No Estadual de 2017, ela havia trabalhado em cinco jogos, sem os grandes clubes. Como o duelo na 8ª rodada do hexagonal não tem caráter decisivo, rivalidade à parte, é uma boa oportunidade para testes. Boa sorte a Deborah, a única mulher entre os 17 árbitros do quadro atual da federação.

Maria Edilene
08/11/1992 – Sport 0 x 1 Santa Cruz (PE)
22/04/1993 – Sport 0 x 0 Santa Cruz (PE)

24/04/1994 – Santa Cruz 1 x 1 Náutico (PE)
12/03/1995 – Náutico 3 x 2 Sport (PE)

Deborah Cecília
25/03/2017 – Sport x Santa Cruz (PE)

Confira um balanço sobre as taxas de arbitragem no estado clicando aqui.

Maria Edilene, árbitra da FPF na década de 1990. Foto: Arquivo/DP

Santa vence o Campinense e confirma a classificação às quartas do NE no pote 1

Copa do Nordeste 2017, 1ª fase: Santa Cruz 1x0 Campinense. Foto: Rodrigo Baltar/Santa Cruz (site oficial)

Um simples empate e o Santa Cruz seguiria em busca do bicampeonato nordestino. Uma vitória e a situação nas quartas de final seria um pouco melhor, decidindo em casa. Ou seja, era inegável o caráter decisivo contra o Campinense, num repeteco da última decisão. E o time paraibano, ano a ano, vai se mostrando um adversário complicado na Lampions. Já classificado, não deixou por menos, endurecendo o confronto e exigindo muita aplicação do tricolor. A vitória veio, suada, por 1 x 0. Em uma partida de poucas oportunidades reais de gol, em ambos os lados, o mandante marcou forte no meio-campo, jogando com o regulamento debaixo do braço.

Era uma noite na qual não cabia vacilo. Quando a partida no Arruda começou, o outro jogo do grupo, em Horizonte, já estava com 7min26s. E com apenas 14 o Náutico já fazia o placar necessário, marcando quatro gols. O gol da vitória foi marcado por Anderson Salles, grata surpresa na bola parada. Cobrou uma falta no travessão e depois converteu bem o pênalti sofrido por Éverton Santos – ter um jogador assim é essencial em mata-matas. No segundo tempo, com a Raposa buscando o empate, que a deixaria na liderança, o zagueiro foi novamente decisivo, salvando uma bola em cima da linha. Foi o nome da noite, confirmando a sua vaga numa defesa ainda observada pelo técnico Vinícius Eutrópio.

No fim das contas, o Santa saiu com todos os objetivos alcançados, ficando no pote 1 do primeiro mata-mata e evitando confrontos contra Bahia, Vitória e Sport. Ah, ganhou mais R$ 450 mil, um verba importante para otimizar a folha.

Santa Cruz na fase de grupos
2013 – 15 pontos (5v-0e-1d, 1º)
2014 – 11 pontos (3v-2e-1d, 2º)
2016 – 10 pontos (3v-1e-2d, 2º)
2017 – 13 pontos (4v-1e-1d, 1º)

Campanhas do Santa na volta do Nordestão (entre parênteses, a premiação)
2013 – Quartas de final (R$ 300 mil)
2014 – Semifinal (R$ 850 mil)
2015 – não participou
2016 – Campeão (R$ 2,385 milhões)
2017 – Mata-mata… (R$ 1,05 milhão até as quartas*) 

Total de cotas: R$ 4,585 milhões*

Copa do Nordeste 2017, 1ª fase: Santa Cruz 1x0 Campinense. Foto: Rodrigo Baltar/Santa Cruz (site oficial)

Salgueiro vence o Náutico mais uma vez e vai ao mata-mata pelo 4º ano consecutivo

Pernambucano 2017, 7ª rodada: Salgueiro 2 x 0 Náutico. Foto: Léo Lemos/Náutico/instagram (@nauticope)

Repetindo o placar da Arena Pernambuco, o Salgueiro fez 2 x 0 no Náutico atuando no Sertão. Com a liderança mantida no hexagonal estadual, o clube antecipou a classificação à semifinal. Pelo 4º ano seguido! Em sete rodadas, tem 76% de aproveitamento. Considerando também a fase preliminar, com treze apresentações ao todo, o índice sobe para 82%. Regularidade em alta.

E olhe que nem teve o sol “a favor”. Na noite de sábado, com as mariposas disputando a luz enfraquecida do Cornélio de Barros, o time seguiu com o seu estilo, abusando das jogadas pelos lados e fechando o meio-campo ao ficar em vantagem, saindo apenas nos contra-ataques. Os adversários sabem disso há tempos. Porém, a encaixada equipe sertaneja vem conseguindo se impor. Após perder do Santa, domingo passado, em sua única derrota até aqui, enfrentou um animado Náutico, com triunfos seguidos nos clássicos. No primeiro tempo, um jogo disputado, lá em cá. Em cinco minutos, ótimas chances pra cada lado, com Willian Lira (Salgueiro) e Erick (Náutico).

Apesar da movimentação, o gol só saiu aos 42, com Willian Lira concluindo o cruzamento de Toty – 6º gol dele no geral. Embora Milton Cruz tenha reconhecido os erros na marcação, os alvirrubros voltaram do intervalo sem mudanças. Tentaram empurrar o mandante para o seu campo, mas a melhor chance foi na bola parada, com Alison acertando o travessão. Reativo, o Salgueiro teve dois lances semelhantes, com o atacante recebendo livre na ponta esquerda e tocando por cima de Tiago Cardoso. No primeiro, com Valdeir, Páscoa salvou. No segundo, com Levi, gol, para a festa do interior.

Salgueiro no mata-mata do Estadual
2014 – 3º lugar
2015 – Vice-campeão
2016 – 4º lugar
2016 – A disputar

Pernambucano 2017, 7ª rodada: Salgueiro 2 x 0 Náutico. Foto: Léo Lemos/Náutico/instagram (@nauticope)

O complexo regulamento da CBF para o licenciamento de clubes, de 2018 a 2021

A licença de clubes por parte da CBF. Crédito: CBF/site oficial

A CBF publicou o regulamento completo para a Licença de Clubes, que passa a vigorar a partir de 2018, num escalonamento de exigências a partir das divisões nacionais. O documento contém 34 tópicos que os clubes terão que cumprir, entre organograma esportivo, estrutura e critérios burocráticos - este tipo de regulamentação foi criado em 2008, pela Fifa. Somente com a licença chancelada será autorizada a participação nas mais diversas competições. A medida valerá tanto no Brasil quanto nos torneios internacionais.

Segundo a CBF, as primeiras atribuições são “conceber, regular e administrar o licenciamento e sua estrutura, mantendo a equipe tecnicamente qualificada para conduzir com diligência suas atividades” e “estabelecer os critérios mínimos que deverão ser rigorosamente observados pelos clubes para obtenção das Licenças”. Na prática, criou-se um complexo sistema nacional para estruturação e adoção de melhores práticas de gestão e transparência. No papel, ok. Entretanto, considerando o calhamaço de regras (abaixo, a íntegra do documento), é grande a chance de descumprimento para centenas de clubes.

No país, segundo dados recentes da própria confederação brasileira, existem 766 clubes profissionais em atividade. Mesmo que a regra seja aplicada apenas nas competições nacionais, à parte dos estaduais, seriam 128 times envolvidos, que terão quatro anos para ter, por exemplo, divisão de base feminina (e não só o time principal) e um centro de treinamento (equipamento que ainda hoje o Santa, na elite de 2016, não possui). E para quem não cumprir, há uma série de punições previstas, incluindo a retenção de cotas de televisão e premiações (!). Lendo tudo abaixo, quantos clubes estariam aptos, hoje? Bronca.

Cronograma para adoção da licença:
2018 – Série A (20 clubes), Libertadores*, Sul-Americana* e Recopa*
2019 – Série B (20 clubes)
2020 – Série C (20 clubes)
2021 – Série D (68 clubes)
* A licença da Conmebol, com regras semelhantes

Catálogo de sanções em caso de descumprimento da licença:
1) Advertência
2) Multa pecuniária
3) Estabelecimento de obrigações para o licenciamento
4) Retenção de cotas e premiações
5) Vedação de registro ou transferência de atletas
6) Vedação de registro de novos contratos
7) Denegação ou revogação da licença

Anualmente, a entidade que rege o futebol nacional deverá divulgar critérios específicos (e aplicáveis) a cada divisão do Campeonato Brasileiro. A flexibilização, ao menos a médio prazo, parece prudente…

Eis as 34 medidas. No documento a seguir, o detalhamento de cada uma.

Critérios desportivos

Base
1) Programa de desenvolvimento das categorias de base
2) Equipes de base (ao menos duas, Sub 20 e Sub 17 ou Sub 15)
3) Coordenador do programa de desenvolviveimento da base
4) Treinadores da base (que tenham ao menos a Licença B de técnicos)
5) Certificado de clube formador (instituído pela CBF)

Equipe principal
6) Diretor de futebol
7) Treinador da equipe principal (com a Licença Pro de técnicos
8) Preparadores físicos
9) Médico (experiência mínima de 3 anos)
10) Arquivo médico e exames preventivos

Futebol feminino
11) Equipe principal feminina (com a disputa de torneios oficiais)
12) Equipe de base (ao menos uma)
13) Treinador da equipe feminina (com a Licença A feminina)

Critérios de infraestrutura

Estádio
14) Estádio adequado e certificado (com laudos técnicos e alvarás anuais)
15) Disponibilidade do estádio (caso seja alugado, precisa de documentação)
16) Instalações específicas para treinamento (CT próprio ou alugado)

Critério administrativos e de capital humano

Estrutura administrativa
17) Organograma
18) Secretaria do clube
19) Registro online (utilização de métodos oficiais para cadastro de jogadores)

Capital humano
20) Diretor geral ou equivalente
21) Diretor financeiro ou equivalente
22) Diretor administrativo ou equivalente
23) Diretor de comunicação ou equivalente
24) Diretor de marketing ou equivalente
25) Ouvidor ou equivalente
26) Oficial de segurança ou equivalente

Critérios jurídicos

Documentações
27) Estatutos e atos societários
28) Requerimento para obtenção da Licença
29) Declaração relativa à propriedade e controle
30) Regularidade (não poderá ter dívidas perante administração pública)
31) Contratos com jogadores profissionais (deve ter por escrito, todos)

Critérios financeiros

Informações financeiras
32) Demonstrações financeiras completas, anuais e auditadas
33) Balancetes (eventuamente solicitados pela CBF, com dados parciais)
34) Orçamento anual

Em votação recorde, Arnaldo Barros vai presidir biênio de R$ 200 milhões no Sport

Arnaldo Barros, presidente eleito do Sport para 2017-2018. Foto: Sport/twitter (@sportrecife)

O situacionista Arnaldo Barros venceu com folga Wanderson Lacerda (61% x 38%) e irá comandar o o Sport no biênio 2017-2018. O dirigente, que acumulava a vice-presidência executiva e de futebol, terá um orçamento superior a R$ 200 milhões, somando as duas próximas temporadas – no ano vigente, o último de Martorelli, a projeção orçamentária já passa de R$ 113 mi. Nunca se viu tanto dinheiro na Ilha do Retiro, o que aumenta bastante a responsabilidade do advogado, que terá no futebol (com seguidas falhas em 2016) o carro-chefe desta administração, que larga na primeira divisão e com dois anos sem títulos.

Faturamento anual do Sport:
2011 – R$ 46.875.544
2012 – R$ 79.807.538 (+70,2%)
2013 – R$ 51.428.086 (-35,5%)
2014 – R$ 60.797.294 (+18,2%)
2015 – R$ 87.649.465 (+44,1%)
2016 – R$ 113.000.000* (+28,9%)
* Projeção (o balanço oficial sai em abril de 2017)

Como mote de campanha, a prioridade na Copa do Nordeste e na Sula (que começará no primeiro semestre), em detrimento do Estadual, onde deve jogar no hexagonal com um time mesclado. Tal cenário rendeu uma nota oficial da FPF, sob revolta. Essa visão, que contrapôs o adversário na eleição, acabou referendada pelos sócios contribuintes, responsáveis pela maior vantagem – antes, na apuração com patrimoniais, diferença era menor, 55% x 45%.

Sobre a eleição, que reuniu ex-presidentes nas chapas (com Gustavo Dubeux e Homero Lacerda no lado vencedor), o pleito já está na história. Registrou, com sobras, a maior votação entre clubes pernambucanos. Na verdade, o rubro-negro já detinha as cinco maiores votações, num reflexo da política do clube, com seguidos bate-chapas (este foi o 6º!). Considerando os 16,5 mil sócios aptos para o pleito de 2016, a participação do quadro social chegou a 24,6%.

Os bate-chapas com mais votos em Pernambuco:
1º) 4.063 – Sport (2016, Arnaldo Barros eleito com 2.509, ou 61,7%)
2º) 3.456 – Sport (2008, Silvio Guimarães eleito com 2.614, ou 75,6%)

3º) 3.441 – Sport (2012, Luciano Bivar eleito com 1.971, ou 57,2%)
4º) 2.997 – Sport (1974, Jarbas Guimarães eleito com 2.308, ou 76,6%)
5º) 2.816 – Sport (2000**, Luciano Bivar eleito com 1.805, ou 64,0%)
6º) 2.403 – Sport (1978, José Moura eleito com 2.091, ou 87,01%)
7º) 2.224 – Sport (1986*, Homero Lacerda eleito com 1.381, ou 62,0%)
8º) 2.146 – Náutico (2013*, Glauber Vasconcelos eleito com 1.575, ou 73,3%)
9º) 1.957 – Sport (2010, Gustavo Dubeux eleito com 1.922, ou 98,2%)
10º) 1.818 – Sport (2014, João Humberto Martorelli eleito com 1.542, ou 84,8%)
11º) 1.817 – Sport (2006, Milton Bivar eleito com 1.560, ou 85,8%)
12º) 1.787 – Santa Cruz (2012, Antônio Luiz Neto eleito com 1.636, ou 91,5%)
13º) 1.696 – Sport (2002, Severino Otávio eleito com 1.478, ou 87,1%)
14º) 1.632 – Náutico (2011, Paulo Wanderley eleito com 1.139, ou 69,7%)
15º) 1.544 – Náutico (2015*, Marcos Freitas eleito com 777, ou 50,3%)
16º) 1.435 – Santa Cruz (2010, Antônio Luiz Neto eleito com 1.134, ou 79,0%)
17º) 1.405 – Santa Cruz (2006*, Edson Nogueira eleito com 731, ou 52,0%)
18º) 1.387 – Santa Cruz (1975, José Nivaldo venceu com 1.195, ou 86,1%)
19º) 1.337 – Santa Cruz (2004, Romerito Jatobá eleito com 895, ou 66,9%)
* Vitória da oposição
** Desconsiderando os 719 votos impugnados judicialmente (3.548 ao todo)

Eleição presidencial do Sport para o biênio 2017-2018. Foto: Sport/twitter (@sportrecife)

Blog de férias…

Galera, estou entrando de férias.

A partir de agora, neste mês de outubro, o blog só será atualizado em casos excepcionais (e olhe lá). Afinal, o descanso é prioridade neste momento.

Em relação às postagens anteriores, caso haja qualquer comentário, continuarei moderando os textos (o debate é sempre válido).

Já sobre as férias, vamos ao primeiro ato: comprar o “Fifa 17″.

Abraço e saudações!

As maiores invencibilidades do futebol pernambucano, brasileiro e mundial

Time do ASEC Abidjan em 1990, durante a histórica sequência invicta de 108 jogos na Costa do Marfim. Foto: Asec/site oficial (www.asec.ci)

Entre 1989 e 1994, o aurinegro ASEC Abidjan estabeleceu uma sequência sem precedentes no futebol, com uma invencibilidade de 108 partidas no campeonato nacional da Costa do Marfim. Foram 96 vitórias (uma delas por 11 x 0) e 12 empates, ganhando quatro vezes a competição no período. A marca só seria quebrada em 19 de junho de 1994, num revés diante do Armée, por 2 x 1, na capital Yamoussoukro. A marca passou à margem do mundo, com os olhos voltados para a Copa do Mundo nos EUA, que naquele mesmo dia viu o empate entre Suécia e Camarões, no Rose Bowl. No país africano, não. Lá, a turma acompanhou o Les Mimosas, até porque o clube tem um domínio absoluto da torcida, com 8 milhões de torcedores entre os 20 milhões de habitantes (40%). 

Já tinha ouvido falar deste recorde? Talvez bata a dúvida devido à presença do Steaua, com 106 partidas, com uma cobertura mais efetiva, e compartilhada, devido ao CEP na Europa. Com mais de 150 anos de bola rolando, detalhar as maiores invencibilidades não é uma tarefa fácil. Por causa do desencontro de informações, pela pluralidade de critérios, pelo alcance mundial do esporte, com sequências em lugares remotos. Portanto, as listas abaixo (separadas entre campeonatos nacionais, jogos oficiais e absoluta, incluindo amistosos) não são definitivas, mas apenas uma tentativa de aproximar a realidade sobre as maiores sequências sem derrota dos clubes.

Para elaborar o ranking, o blog fez um apanhado do site RSSSF, de onde se faz presente o recorde do ASEC, dos jornalistas Celso Unzelte/ESPN, Fernando Olivieri/Yahoo e Rodolfo Rodrigues/Uol, do site oficial da Uefa, além de pesquisa pessoal, cruzando dados. O levantamento desconsiderou marcas ainda em análise. O Santos, por exemplo, busca o reconhecimento de uma sequência de 1960 a 1963, que somaria 54 jogos. Seria o recorde nacional. 

Listas atualizadas até 28/05/2016

As maiores invencibilidades, considerando apenas campeonatos nacionais
1º) ASEC Abidjan (Costa do Marfim) – 108 partidas (1989/1994)
2º) Steaua Bucareste (Romênia) – 106 partidas (1986/1989)
3º) Lincoln (Gibraltar) – 88 partidas (2009/2014)
4º) Espérance (Tunísia) – 85 partidas (1997/2001)
5º) Al-Ahly (Egito) – 71 partidas (2004/2007)
6º) Sheriff Tiraspol (Moldávia) – 63 partidas (2006/2008)
6º) Mazembe (Congo) – 63 partidas (2008/2012
8º) Celtic (Escócia) – 62 partidas (1915/1917)
9º) Levadia Tallin (Estônia) – 61 partidas (2008/2009)
10º) Union Saint-Gillose (Bélgica) – 60 partidas (1933/1935)
11º) Boca Juniors (Argentina) – 59 partidas (1924/1927)
11º) Shirak (Armênia) – 59 partidas (1993/1995)
11º) Pyunik (Armênia) – 59 partidas (2002/2004)
11º) Sunrise Flacq (Ilhas Maurício) – 59 partidas (1993/1997)
15º) Olympiacos (Grécia) – 58 partidas (1972/1974)
15º) Milan (Itália) – 58 partidas (1991/1993)
15º) Skonto (Letônia) – 58 partidas (1993/1996)
18º) Al-Hilal (Sudão) – 57 partidas (2011/2013)
19º) Benfica (Portugal) – 56 partidas (1976/1978)
20º) Shakhtar Bonetesk (Ucrânica) – 55 partidas (2000/2002)
20º) Porto (Portugal) – 55 partidas (2010/2012)

Saindo da fronteira, o recordista ASEC perdeu algumas pelejas na Liga dos Campeões da África, como nas oitavas em 1991, e nas semifinais em 1992 e 1993. Idem com os romenos do Steaua, que conseguiram ficar invictos de fato, no período, por no máximo 29 jogos, ao somar os jogos da Champions.

As maiores invencibilidades entre as maiores ligas*, com todos os torneios
1º) Juventus (Itália) – 43 partidas (2011/2012)
2º) Milan (Itália) – 42 partidas (1992/1993)
3º) Nottingham Forest (Inglaterra) – 40 partidas (1978)
4º) Barcelona (Espanha) – 39 partidas (2015/2016)
5º) Milan (Itália) – 36 partidas (1991/1992)
6º) Real Madrid (Espanha) – 34 partidas (1988/1999)
7º) Manchester United (Inglaterra) – 33 partidas (1998/1999)
8º) Arsenal (Inglaterra) – 28 partidas (2007)

O Top 5 da Europa, em nível técnico e investimento, é formado por Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália. Nesta conta “geral”, entram a liga nacional, copa nacional, supercopa nacional, Liga dos Campeões da Uefa, Liga Europa, Supercopa da Europa e Mundial/Intercontinental.

As maiores invencibilidades do Brasil, somando todos os jogos
1º) Botafogo – 52 partidas (21/09/1977 a 20/07/1978)
1º) Flamengo – 52 partidas (22/10/1978 a 27/05/1979)
3º) Desportiva – 51 partidas (1967/1968)
4º) Santa Cruz – 48 partidas (1978/1979)
4º) Bahia – 48 partidas (1982)
4º) Grêmio – 48 partidas (1931/1933)
7º) São Paulo – 46 partidas (1975)
8º) Grêmio – 42 partidas (1981)
9º) Sport – 40 partidas (1960)
10º) Internacional – 39 partidas (1984)
11º) Internacional – 38 partidas (1975)
11º) Botafogo – 38 partidas (1960/1961)

Renato Sá é um personagem marcante nas marcas brasileiras. Coube ao ponta-esquerda por fim nas duas maiores sequências, de Botafogo e Flamengo. Em 1978, defendendo o Grêmio, ajudou na goleada por 3 x 0, brecando o alvinegro, então com 52 jogos. Acabou se transferindo para a própria estrela solitária, onde marcou o gol da vitória no clássico contra o Fla, que teve na partida a chance de superar a marca. Um jogo diante de 139.098 torcedores no Maracanã.

As maiores invencibilidades da Série A do Brasileiro
1º) Botafogo – 42 partidas (16/10/1977 a 16/07/1978)
2º) Santa Cruz – 35 partidas (7/12/1977 a 23/07/1978)
3º) Palmeiras – 26 partidas (13/12/1972 a 18/11/1973)
4º) Internacional – 23 partidas (06/08/1978 a 23/12/1979)
5º) Atlético-MG – 22 partidas (16/10/1977 a 29/03/1978)
6º) Cruzeiro – 21 partidas (20/09/1987 a 25/09/1988)
7º) Grêmio – 19 partidas (04/06/1978 a 03/10/1979)
7º) Corinthians – 19 partidas (17/10/2010 a 20/07/2011)
9º) América-MG – 18 partidas (20/10/1973 a 20/1/1974)
9º) Bangu – 18 partidas (24/03/1985 a 31/07/1985)
9º) Atlético-PR – 18 partidas (28/07/2004 a 17/10/2004)
9º) São Paulo – 18 partidas (20/08/2008 a 07/12/2008)
9º) Sport – 18 partidas (02/11/2014 a 05/07/2015)

Considerando a marca dentro de uma mesma edição, a maior pertence ao Santa Cruz, com 27 dos 35 jogos realizados em 1978, quando acabou em 5º lugar, sofrendo a primeira derrota apenas nas quartas de final, para o Inter.

As maiores invencibilidades no Campeonato Pernambucano
1º) Sport – 49 partidas (1997/1999)
2º) Sport – 48 partidas (2008/2010)
3º) Náutico – 42 partidas (1974/1975)
4º) Náutico – 36 partidas (1963/1965)
5º) Náutico – 35 partidas (1966/1968)
5º) Santa Cruz – 35 partidas (1973)
7º) Tramways – 29 partidas (1936/1937)
8º) Santa Cruz – 24 partidas (1932/1933)
8º) Santa Cruz – 24 partidas (1978/1979)

Todas séries locais foram marcadas por períodos de títulos. O único ano sem taça foi em 1975, com o Náutico, que no fim perderia a decisão para o Sport.

Com um futebol decepcionante, Sport é eliminado mais uma vez pelo Campinense

Nordestão 2016, semifinal: Campinense (3) 1 x 0 (1) Sport. Foto: Marlon Costa/FPF

O Sport voltou a jogar mal contra o Campinense. Se na Ilha acabou premiado com um gol de Durval aos 49 minutos do segundo tempo, no pesado campo do Amigão o time não teve qualquer consistência ofensiva, se limitando a tentar evitar as investidas raposeiras. Com sustos, deu certo no primeiro tempo. No segundo, o artilheiro Rodrigão, desfalque paraibano no jogo de ida, escorou um cruzamento e fez o gol da vitória por 1 x 0, devolvendo o placar. Teríamos uma decisão por pênaltis em Campina Grande. Antes do apito final do árbitro, uma curiosa mudança, com apelo histórico.

Emulando o técnico holandês Louis van Gaal, com uma estratégia de sucesso no Mundial de 2014, Falcão colocou Magrão no lugar de Danilo Fernandes, nos descontos. Contra a Costa Rica, nas quartas de final na Fonte Nova, o grandalhão Krul entrou no lugar de Cillessen, somente para os tiros livres. Afinal, tinha um retrospecto bem melhor. Assim como o ídolo rubro-negro, até então com 22 penalidades defendidas – Danilo ainda não havia evitado nenhuma pelo clube. Infelizmente, para os leoninos, não deu certo desta vez.

Nordestão 2016, semifinal: Campinense (3) 1 x 0 (1) Sport. Foto: Raniery Soares/Futura Press/Estadão conteúdo

Magrão até espalmou uma cobrança, mas Renê (bombão por cima), Luis Antônio (nas mãos de Glédson) Jonathan Goiano (também por cima) não colaboraram e o Sport acabou com uma vexatória eliminação no Nordestão, parando o sonho do tetra outra vez na semifinal. O vexame não se deve ao nível técnico da Raposa, longe disso. O adversário jogou bem as duas partidas, dentro de sua proposta. Se deve, sim, à falta de organização do Sport. O time de Falcão está travado há tempos, com uma transição quase inexistente. E o treinador não vem conseguindo reverter a situação.

Rithely e Durval foram desfalques importantes no domingo? Bastante. Mas a crítica não se restringe ao jogo na Paraíba. O futebol do Leão, exceção feita aos clássicos – turbinados pela rivalidade -, não vem agradando em 2016, com a Série A batendo à porta. Quanto ao Campinense, que festejou outra classificação em cima dos leoninos, como em 2013, a luta segue. Na final da Copa do Nordeste, sonha com o mesmo destino.

Nordestão 2016, semifinal: Campinense (3) 1 x 0 (1) Sport. Foto:  Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Santa perde dos reservas do Bahia, mas sai de Salvador classificado na Lampions

Copa do Nordeste 2016, 6ª rodada: Bahia x Santa Cruz. Foto: Bahia/site oficial

O Bahia se classificou com 100% de aproveitamento, a melhor campanha na fase de grupos do Nordestão de 2016. Venceu os seis jogos, até quando atuou com os reservas, como nas duas últimas rodadas, já classificado. Encerrando a campanha na chave C, o time enfrentou um Santa que ainda não se encontrou nesta temporada, mas que mesmo assim tinha o empate a seu favor. Visando o mata-mata do campeonato estadual, já em andamento, o técnico Doriva escalou oito reservas no Baêa. A Fonte Nova vazia deixava claro o desinteresse sobre o jogo. E mesmo assim o tricolor baiano venceu o clássico regional.

Enquanto o time de Martelotte seguia apático, com a marcação frouxa no meio-campo e desperdiçando as poucas chances efetivas – como a cabeçada de Grafite aos 7 do segundo tempo -, o adversário foi fatal, numa cabeçada de Zé Roberto no finzinho. Curiosamente, o lateral Allan Vieira marcava o jogador e nem pulou, emulando a cena de domingo, no Clássico das Emoções, no tento de Daniel Morais. Repetição do erro? Recorrente no Arruda. Preocupante.

A derrota coral por 1 x 0 foi o desfecho de uma noite lamentável em Salvador. Na entrevista no intervalo, na beira do campo, Grafa já havia sido sincero: “Nossa, tá muito feio! A gente precisa melhorar.” Não melhorou. Graças aos outros resultados da “superquarta”, o Santa acabou classificado. Vai à fase eliminatória, o que também deve acontecer no Pernambucano, mesmo sem agradar. Sem tanta competitividade, até onde pode chegar? Hoje, parece no limite.

Copa do Nordeste 2016, 6ª rodada: Bahia x Santa Cruz. Foto: Bahia/site oficial