MLS mostra a intensidade do jogo na pele do árbitro, mas foi esperta no áudio…

Vídeo gravado pelo árbitro da MLS

Durante o tour nos Estados Unidos, visando a temporada 2017/2018, Real Madrid enfrentou o “all-star team” da Major League Soccer. Até aí ok, assim como o resultado, com uma vitória merengue nos pênaltis após o 1 x 1.

Ocorre que o árbitro da partida disputada no Soldier Field, em Chicago, utilizou uma microcâmera presa no peito do uniforme. Nove dias após o amistoso, a MLS divulgou um vídeo com a intensidade da disputa na visão do juiz Allen Chapman, mesmo sendo uma peleja de pré-temporada.

Apesar da interessante edição de 3 minutos, o vídeo não traz os diálogos durante a partida, com uma trilha sonora de fundo. E trata-se de uma parte essencial sobre o trabalho da arbitragem, como a história ensina (a seguir).

Voltando 35 anos no tempo, chegamos a um episódio polêmico no futebol brasileiro, quando o árbitro José Roberto Wright entrou em campo com um microfone sem fio escondido em seu padrão. Ele havia topado a ideia de participar de uma reportagem do programa Esporte Espetacular, da Globo. O objetivo era mostrar a pressão sobre o árbitro (ou quase isso).

E não era num jogo qualquer, mas na decisão da Taça Guanabara de 1982. O Flamengo venceu o Vasco por 1 x 0, mas com a repercussão toda voltada sobre os diálogos, pelo uso indevido da imagem e pela suposta perseguição ao meia Giovane, do time cruz-maltino. Relembre e tire as suas conclusões.

Obs. Fica claro o motivo da trilha sonora no vídeo lá em Chicago…

Por unanimidade, o TJD veta impugnação da final e confirma título de 2017 ao Sport

Tribunal

O resultado era previsto. Mesmo que o Tribunal de Justiça Desportiva, o TJD, votasse a favor da impugnação da finalíssima do Campeonato Pernambucano, vencida pelo Sport por 1 x 0, é difícil imaginar que a instância superior, o STJD, aceitasse a resolução. Afinal, a jurisprudência teria efeito dominó, tornando qualquer (suposto) erro em base para anulação de jogos de futebol.

Por este viés jurídico e pela imprecisão da imagens da tevê para definir o erro na saída de bola no Cornélio de Barros, os oito auditores presentes (Vitor Fretas, Claudio Pessanha, João Firmino, Thales Cabral, Hilton Galvão, Carlos Gil, Gilmara Leal e Felipe Tadeu) negaram a petição de Luciano Rocha, o goleiro reserva do Salgueiro. Ele havia entrado na justiça em 6 de julho alegando um “erro de direito”. No julgamento, a sua tese foi sustentada pelo tiro de meta marcado pelo árbitro Wilton Sampaio, após sinalização do auxiliar Marcelo Van Gasse, em vez do prosseguimento da jogada, que terminaria num gol do carcará – lembrando que o artigo 84 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê a anulação (em qualquer fase) em erros de direito. Porém, foi considerado “erro de fato”, ou interpretação equivocada do lance.

Com o resultado no tribunal, instalado dentro da sede da FPF, na Boa Vista, o título estadual de 2017 foi confirmado para o leão. Foi a segunda vez em uma década que o TJD local julgou um caso do tipo. Em 2007, chegou a modificar o resultado do jogo entre Central e Vera Cruz, de 2 x 1 para a 2 x 2, numa decisão bem polêmica – posteriormente anulada, por unanimidade, no STJD.

O título está decidido… Mas a bola saiu ou não após o escanteio?

Lista de campeões pernambucanos (1915-2017)
41 – Sport
29 – Santa Cruz
21 – Náutico
6 – América
3 – Torre
2 – Tramways
1 – Flamengo do Recife

Obs. Cabe recurso no STJD, onde a chance de reversão é irrisória.

Emerson Sobral, de árbitro recordista de mata-matas e geladeiras a diretor da Ceaf

Emerson Sobral como árbitro e dirigente. Fotos: Ricardo Fernandes/DP e FPF/divulgação

A formação de Emerson Sobral na arbitragem ocorreu em 1995. Trabalhou no futebol pernambucano, onde chegou a obter a categoria “CBF”, deixando o quadro em 2017, já aos 43 anos. Na verdade, ocorreu uma transferência, assumindo imediatamente a Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol, a Ceaf-PE, no lugar de Salmo Valentim. Como se sabe, o quadro local não é dos melhores – na visão do blog -, com um número elevado de lambanças. E Emerson Sobral está intimamente ligado a isso. Embora seja o recordista de jogos na fase decisiva do Campeonato Pernambucano, com sete aparições entre semifinais e finais (apitou a decisão de 2015), o agora dirigente também acumulou o maior número de punições por erros cometidos. Nesta década, foi três vezes para a “geladeira” (abaixo), sendo duas no cenário local e uma no Brasileirão. Com essa experiência, terá bastante trabalho a partir de agora.

“Participamos de um dos estaduais reconhecidamente mais difíceis do país pela sua tradição e competitividade e tudo isso nos coloca como sendo um dos melhores quadros de árbitros do Brasil.”

18/01/2012 (punido no Estadual)
Afastado ao errar em dois jogos. No 1º, deixou de expulsar o zagueiro André Oliveira, do Santa. No 2º, não marcou um pênalti em cima de Rogério, do Náutico, e depois assinalou um pênalti inexistente sobre o mesmo jogador.

24/03/2013 (punido no Estadual)
No jogo Ypiranga 2 x 2 Sport, na oitava rodada do segundo turno, assinalou um pênalti polêmico para a Máquina de Costura e marcou uma falta inexistente aos 44 do 2º tempo, no lance que acabou saindo o último gol.

02/09/2015 (punido na Série A)
Na partida entre Ponte Preta e Cruzeiro, pelo Brasileirão, em Campinas, deixou de marcar dois pênaltis, um para cada time. No caso do time mineiro, marcou a falta fora da área. No lance da Macaca, sequer assinalou falta.

Número de jogos de Sobral no Pernambucano (e o % sobre o torneio)
2014 – 16 jogos (11,4% de 140)
2015 – 14 jogos (11,2% de 124)
2016 – 11 jogos (11,4% de 96)
2017 – 11 jogos (11,5% de 95)

Ranking de jogos no mata-mata do Pernambucano (desde 2010)
7 partidas - Emerson Sobral (PE)
6 partidas - Sebastião Rufino Filho (PE)
4 partidas - Nielson Nogueira (PE)
3 partidas – Gilberto Castro Júnior (PE) e Marcelo de Lima Henrique (Fifa-RJ / PE) e Wilton Sampaio (Fifa-GO)

Confira a lista completa de árbitros no mata-mata local clicando aqui.

Uma árbitra no comando do Clássico das Multidões, 24 anos após Maria Edilene

Debora Cecília, árbitra da FPF em 2017. Foto: ANAF/divulgação

Em 8 de novembro de 1992, na Ilha do Retiro, Maria Edilene Siqueira foi selecionada para apitar Sport x Santa Cruz, válido pela última rodada da 1ª fase do 2º turno. Era o primeiro clássico comandado por uma mulher no futebol pernambucano. Os corais venceram por 1 x 0, e a “juíza” não admitiu indisciplina, expulsando o tricolor Malhado. Já no quatro da Fifa, chegou a apitar nos Mundiais femininos de 1995 e 1999. Edilene ainda apitou outros três clássicos, sendo também assistente diversas vezes até 1999.

Desde então, a reinserção feminina no quadro de arbitragem da FPF foi lenta, sendo retomada na primeira divisão estadual em 2011, com Ana Karina, então com 31 anos. Ela apitou Ypiranga 2 x 1 América. Em 2015, um novo passo, com a escalação de um trio feminino: a árbitra Ana Karina e as assistentes Fernanda Colombo e Karla Renata. Curiosamente, outro América x Ypiranga, desta vez nos Aflitos e com vitória alviverde por 1 x 0.

Dois anos depois, um passo maior. Deborah Cecília, de 32 anos, foi sorteada para o Clássico das Multidões. No mesmo cenário da estreia de Maria Edilene. No Estadual de 2017, ela havia trabalhado em cinco jogos, sem os grandes clubes. Como o duelo na 8ª rodada do hexagonal não tem caráter decisivo, rivalidade à parte, é uma boa oportunidade para testes. Boa sorte a Deborah, a única mulher entre os 17 árbitros do quadro atual da federação.

Maria Edilene
08/11/1992 – Sport 0 x 1 Santa Cruz (PE)
22/04/1993 – Sport 0 x 0 Santa Cruz (PE)

24/04/1994 – Santa Cruz 1 x 1 Náutico (PE)
12/03/1995 – Náutico 3 x 2 Sport (PE)

Deborah Cecília
25/03/2017 – Sport x Santa Cruz (PE)

Confira um balanço sobre as taxas de arbitragem no estado clicando aqui.

Maria Edilene, árbitra da FPF na década de 1990. Foto: Arquivo/DP

O relatório da FPF sobre a arbitragem no primeiro Clássico dos Clássicos de 2017

Pernambucano 2017, 5ª rodada: Sport 1x1 Náutico. Foto: Paulo Paiva/DP

Assim como aconteceu no clássico entre Santa e Sport, no Arruda, a FPF produziu um relatório sobre o trabalho da equipe de arbitragem no Clássico dos Clássicos, na Ilha. O empate em 1 x 1 entre Sport e Náutico, pela 5ª rodada do campeonato estadual, foi classificado como “nível médio de dificuldade” e justificado pelas “decisões difíceis que ocorreram no jogo”. Na visão do blog, o árbitro, de fato, acertou os quatro lances polêmicos (dois gols anulados por impedimento e dois pênaltis marcados). Por sinal, a federação conferiu até notas para a escala. Abaixo, a íntegra do relatório e as obervações minuto a minuto.

José Woshington (árbitro): 8,50
Elan Vieira (assistente 1): 8,90
Ricardo Chianca (assistente 2): 9,00
Gleydson Leite (4º árbitro): 8,90

1° tempo
02′ Falta da equipe visitante. Demorou um pouco a apitar
06′ Gol marcado com o uso da mão pelo jogador Nº 77 da equipe do Náutico, punido corretamente com o cartão amarelo. O árbitro deveria ter buscado uma melhor colocação para ver o lance. Houve trabalho de equipe
09′ Impedimento do ataque da equipe mandante – AA1 
14′ Lance ajustado de impedimento, AA1 deixou seguir
22′ Cartão amarelo para o nº 07 do Náutico, por calçar o adversário
29′ Pênalti para equipe do Náutico. Sem cartão, falta imprudente
30′ Gol de pênalti para equipe do Náutico
32′ Boa interpretação de não falta na área do Sport
39′ Gol do Sport. Normal. Jogador do Sport que marca o gol tira a camisa e é punido com cartão amarelo
42′ Cartão amarelo para o jogador nº 33 do Sport, por calço temerário
44′ Impedimento do ataque do Náutico – AA2.
46′ Falta a favor do Náutico. Encerra o primeiro tempo sem permitir a cobrança, pois já havia ultrapassado o 1 min de acréscimo  

2° tempo
09′ Impedimento muito ajustado do ataque do Sport
12′ Jogador Nº 10 do Náutico sofre falta, no mínimo, temerária e o árbitro não marca, concede apenas tiro de canto a favor do Náutico. Jogador do Náutico recebe atendimento médico e continua jogando.
43′ Pênalti ajustado por mão na bola a favor do Sport. O jogador do Náutico assumiu o risco ao abrir os braços em uma bola chutada contra sua meta.
46′ Cartão amarelo para Nº 30 do Sport, por calço temerário
47′ Deixou de marcar falta clara no goleiro do Sport, logo em seguida terminou. 

Árbitro
Fez uma ótima arbitragem, teve o total controle disciplinar da partida e acertou nas decisões técnicas.  

Árbitro Assistente 1
Também realizou um ótimo trabalho. Acertou os lances da regra 11 e ajudou o árbitro na marcação de faltas em sua proximidade. 

Árbitro Assistente 2
Esteve sempre bem posicionado, ajudou na marcação de faltas e no lance de mão do atacante do Náutico. Marcou dois (2) impedimentos no jogo, sendo o segundo aos 9 min do 2º tempo, um lance muito ajustado.

Quarto Árbitro
Realizou com competência as funções de 4º árbitro.  

Ao final da partida, não houve contestações por parte das equipes.

Pernambucano 2017, 5ª rodada: Sport 1x1 Náutico. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

O relatório da FPF sobre a arbitragem no primeiro Clássico das Multidões de 2017

Pernambucano 2017, 4ª rodada: Santa Cruz 1 x 1 Sport. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Em termos de classificação à semifinal do campeonato estadual, o primeiro Clássico das Multidões de 2017 pouco acrescentou. No entanto, na maior rivalidade de Pernambuco, em um jogo com 12.408 torcedores no Arruda e centenas de milhares assistindo na televisão, as polêmicas dominaram, até pela falta de futebol de ambos os times. Na manhã seguinte ao empate, a FPF fez um balanço da arbitragem, através do delegado especial da comissão nacional da CBF, Nilson Monção, com o auxílio de Erick Bandeira. A atuação da arbitragem foi considerada “boa”, mesmo com 6 (seis!) observações.

A seguir, em itálico, a íntegra do texto enviado aos presidentes Alírio Moraes, do Santa Cruz, e Arnaldo Barros, do Sport:

Caro presidente, bom dia. Dentro da nova diretriz vigente com audiência pública ou sorteio para a indicação dos árbitros no Pernambucano A1 – 2017, também disponibilizaremos o relatório dos delegados e assessores da arbitragem. O relatório é elaborado até 4 horas após o término do jogo e, para esse jogo entre o Santa x Sport (Arruda, 18/02/2017 às 16:30h), solicitamos a observação do Delegado Especial da Comissão Nacional da CBF, Monção. Para seu conhecimento estamos encaminhando o relatório elaborado pelo mesmo e com o auxílio do Erick Bandeira. 

Santa Cruz 1 x 1 Sport
Árbitro: Sebastião Rufino Filho
Assistente 1: Marlon Rafael
Assistente 2: Bruno Chaves

1º tempo
Aos 45 segundos, cartão amarelo p/ Sport.
4′ Dúvida na vantagem ou não, apito fraco
7′ Mal posicionado, bola bate no árbitro e gera ataque do Santa Cruz
8′ Copo arremessado no campo
13′ Cartão amarelo p/ o Santa Cruz
15′ Mão na bola sem cartão
19′ Marca falta equivocadamente, jogador do santa vai sozinho.
21′ Cartão amarelo para o Santa Cruz, que poderia ter sido evitado. Jogador joga a bola para cima de forma não acintosa
23′ Impedimento ajustado, corretamente marcado pelo AA2
25′ Controlou uma situação de princípio de conflito
27′ Pedra arremessada no campo
28′ Fez boa advertência verbal em dois jogadores… Preventiva
32′ Boa interpretação, não houve falta dentro das área penal
33′ Cartão amarelo bem aplicado para jogador do Santa Cruz
38′ Cartão amarelo bem aplicado para jogador do Sport
40′ Gol do Sport… Normal
44′ AA1 ajuda, marcando falta
Deu 2 min de acréscimo. Pela quantidade de paralisações, poderia ter sido mais…

2° tempo
No início do 2° tempo, expulsou os dois técnicos. Pelos acontecimentos narrados, sem necessidade
2′ Cartão amarelo por simulação para o N°11 (era o segundo cartão… expulso)
6′ Cartão amarelo para Sport por segurar
10′ Jogador do Santa Cruz chuta sem bola jogador do Sport. Seria cartão amarelo.
12′ Impedimento do ataque do Sport , concluído em gol. Correto
14′ Gol do Santa Cruz. Normal
19′ Defensor do Santa faz falta em atacante do Sport. Ataque promissor, para amarelo e o árbitro não dá. Goleiro do Santa reclama acintosamente e recebe o amarelo
25′ Impedimento bem marcado pelo AA1
30′ Impedimento bem marcado pelo AA1
36′ Impedimento bem marcado pelo AA2
37′ AA2 ajuda marcando falta
40′ Cartão amarelo para jogador do Santa Cruz.
42′ Demorou mais de um minuto para autorizar a cobrança de uma falta
43′ Demorou muito tempo para cobrar um tiro de canto
44′ Jogador do Santa Cruz, n°20 mata jogada de forma temerária e não recebe o cartão amarelo.
45′ Tempo de acréscimo de 4 min, compatível com as paralisações do 2° tempo 

Partida de grau alto de dificuldade, com arbitragem boa, porém necessitando melhorar alguns aspectos, como:

1) Intensidade do som do apito;
2) Interpretação de faltas;
3) Posicionamento;
4) Dinamizar a reposição de bola;
5) Aplicação de alguns cartões;
6) Diferenciar uma reclamação de uma ofensa. 

Assistentes:
Estiveram em ótimo nível. Principalmente o AA2, que marcou corretamente um Impedimento muito ajustado.

4° Árbitro (Luiz Cláudio Sobral):
Foi muito bem no controle das áreas técnicas.

Ao final da partida, não houve contestações das equipes. Deixando o estádio sem nenhum tipo de problema.

Pernambucano 2017, 4ª rodada: Santa Cruz 1 x 1 Sport. Foto: Peu Ricardo/DP

De R$ 900 a R$ 4.210, as taxas de árbitros no Pernambucano 2017. O mandante paga

A taxa de arbitragem na fase final do Campeonato Pernambucano de 2017. Crédito: FPF/reprodução

Além da taxa de 8% sobre a renda bruta dos jogos, a FPF ainda cobra outros encargos aos clubes no Campeonato Pernambucano. Em 2017, os mandantes precisam pagar por inúmeros serviços administrativos para a realização da peleja, ampliados a cada fase. Se na etapa preliminar basta a arbitragem e um delegado de jogo, no mata-mata são dez funções! Árbitro, dois assistentes, 4º árbitro, delegado especial de arbitragem, assessor de arbitragem, delegado do jogo, supervisor de protocolo, assessor de protocolo e fiscal da FPF.

Além disso, cada partida é precificada de uma forma. Logo, os valores da final são bem maiores que os da primeira fase. Somando essas taxas de funções, o gasto vai de R$ 2.725 a R$ 14.957 - no caso dos assistentes, a cota equivale a 75% do valor pago ao árbitro, com o 4º árbitro tendo 35% no mesmo modelo. Em comparação com o ano passado, um aumento de 8,4%. No caso do Árbitro Fifa, R$ 322 a mais. Não para aí. Também há a despesa com diárias para os árbitros. Em vez de estipular metas de distância, como e 2016, desta vez a federação já determinou o valor de cada cidade, com Salgueiro sendo a mais cara, R$ 210.

A responsabilidade de pagamento do mandante não é regra. Num viés local, basta dizer que na Copa do Nordeste as taxas de arbitragem são pagas pela CBF. No estado, os valores foram estipulados pela diretoria de competições da federação e pela comissão de arbitragem. No documento de 4 de janeiro, as assinaturas dos respectivos diretores, Murilo Falcão e Salmo Valentim.

Os “clássicos” envolvem, claro, os jogos entre Náutico, Santa e Sport, com até cinco categorias de árbitro – com os níveis CBF e Fifa sendo mais requisitados.

Taxa de arbitragem do Campeonato Pernambucano em 2017. Arte: Cassio Zirpoli/DP

O quadro seguinte é válido no hexagonal do título, nos jogos do Trio de Ferro no Recife diante dos três classificados da fase preliminar. No Arruda, Arena Pernambuco e Ilha do Retiro os jogos já contam com dez funções.

Taxa de arbitragem do Campeonato Pernambucano em 2017. Arte: Cassio Zirpoli/DP

Os jogos entre clubes intermediários (nove clubes ao todo) têm um preço diferente, necessitando de apenas uma função administrativa. Cenário válido na fase preliminar e hexagonais do título e da permanência. Ou seja, a tabela só mudaria num confronto do tipo a partir da semifinal (o que nunca ocorreu).

Taxa de arbitragem do Campeonato Pernambucano em 2017. Arte: Cassio Zirpoli/DP

CBF regulamenta o árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil

Regulamento Geral de Competições da CBF, para 2017, sobre a função do "árbitro de vídeo". Crédito: reprodução

O novo Regulamento Geral de Competições da CBF, visando a temporada 2017, traz a regulamentação do uso do “árbitro de vídeo”, a nova função autorizada, ainda de forma experimental, pela Fifa. Ao todo, três artigos (acima) detalham a possibilidade da tecnologia nos campeonatos nacionais (Séries A, B, C e D e Copa do Brasil). Não há praxo para o início, mas o regulamento autoriza o uso em qualquer fase a partir do início do novo calendário oficial.

O texto frisa que a confederação não está obrigada a usar em todos os jogos, lembrando o que acontece nos principais torneios de tênis. As quadras centrais contam com o hawk-eye, o recurso tecnológico para a ver se a bola tocou na linha, ao contrário das quadras de apoio. Ou seja, em clássicos e/ou arenas, ok. Em jogos de fases preliminares e/ou estádios acanhados, dificilmente. Em relação às imagens, ainda que alguma câmera à parte do monitoramento da CBF mostre outro resultado, isso não afetará na decisão (a conferir).

Para 2017, as dúvidas para o uso do árbitro de vídeo são as seguintes:

a) Dúvida se a bola entrou ou não no gol.
b) Saídas da bola pela linha de fundo, quando na mesma jogada ou contexto for marcado gol ou pênalti.
c) Definição do local das faltas nos limites da grande área, para definir se houve ou não pênalti.
d) Gols e pênaltis marcados, possibilitados e evitados em razão de erro em lances de faltas claras/indiscutíveis, não vistas ou marcadas equivocadamente.
e) Impedimentos por interferência no jogo, caso na jogada haja gol ou pênalti.
f) Jogo brusco grave ou agressão física (conduta violenta) indiscutíveis não vistos ou mal decididos pela arbitragem.

Segundo a FPF, o Campeonato Pernambucano também terá árbitro de vídeo, num investimento de R$ 1 milhão em estrutura. Lembrando que o teste está autorizado pela Fifa até 2017 – a aprovação, ou não, sai em 2019. A consulta do replay (um apelo antigo) foi aprovada pela International Football Association Board, que organiza as regras do futebol, em 5 de março de 2016. Por sinal, o RGC de 2016, publicado em dezembro passado, considerava a possibilidade. Contudo, o tema descrito em cinco linhas, no artigo 71, condicionava o uso à aprovação da Fifa, ainda que experimental. Não foi adiante. Agora, vai…

Emerson Sobral, o árbitro recordista de mata-matas no Estadual e de geladeiras

Emerson Sobral, árbitro do quadro da FPF. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

O árbitro Emerson Sobral é tido como um dos principais do quadro Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol de Pernambuco (Ceaf). Em 2015, tornou-se recordista de jogos em fases decisivas do Estadual (semifinal e final, desde 2010), com cinco partidas. Inclusive, apitou a decisão da competição pela primeira vez em sua carreira. Paralelamente a este cartaz, vai colecionando punições pelos erros cometidos em campo. Já são três geladeiras na carreira.

18/01/2012 (Estadual)
Punido ao errar em dois jogos. No primeiro, deixou de expulsar o zagueiro André Oliveira, do Santa. No segundo, não marcou um pênalti em cima de Rogério, do Náutico, e depois assinalou um pênalti inexistente sobre o mesmo jogador.

24/03/2013 (Estadual)
No jogo Ypiranga 2 x 2 Sport, na oitava rodada do segundo turno, assinalou um pênalti polêmico para a Máquina de Costura e marcou uma falta inexistente aos 44 do segundo tempo, no lance que acabou saindo o último gol.

02/09/2015 (Série A)
Na partida entre Ponte Preta e Cruzeiro, pelo Brasileirão, em Campinas, deixou de marcar dois pênaltis, um para cada time. No caso do time mineiro, marcou a falta fora da área. No lance da Macaca, sequer assinalou falta.

A CBF detalhou o gancho da seguinte forma: “afastado das próximas rodadas para treinamentos teóricos e práticos junto à Escola Nacional de Arbitragem”. Nada muito diferente, das “reciclagens internas” da FPF. No cenário local, aliás, recebeu como prêmio a indicação (via sorteio) para apitar uma decisão. Não se surpreenda com algo semelhante em escala nacional.

Emerson Sobral é apenas um exemplo de um fraco padrão de controle adotado pelas entidades em relação à arbitragem no futebol, ainda amadora.

Árbitro caseiro na Série A, literalmente

Escala de arbitragem para Corinthians x Sport. Crédito: CBF/reproduação

No início do Campeonato Brasileiro de 2015, o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, anunciou uma medida polêmica. Ele autorizou a escalação de árbitros do mesmo estado do clube mandante ou visitante. Anteriormente, isso só acontecia em clássicos, naturalmente.

A explicação do cartola:
“Estamos trabalhando aos poucos, vai ser uma coisa lenta, porque as pessoas têm que se habituar a confiar. O grande problema é que ninguém confia em nada. Isso não existe. Agora, os árbitros têm que fazer a parte deles”.

Dos dez jogos da 18ª rodada da Série A, apenas um teve um árbitro do mesmo estado do time da casa. Levando em conta as 180 partidas até aqui, esta foi apenas a oitava vez, desconsiderando os clássicos estaduais, em que um juiz do estado de um dos clubes (mandante ou visitante) foi sorteado. Numa briga direta pelo G4, a situação de Corinthians x Sport é ainda mais curiosa porque todo o quadro é ligado ao futebol paulista. Caso inédito. Na visão do blog, por mais que, a partir de uma “nacionalização”, Sérgio Corrêa alegue que “era assim na década de 1970″, trata-se de impor ainda mais a pressão sobre o trio.

Mesmo árbitro do mandante
31/05 – Internacional 0 x 0 São Paulo – Leandro Vuaden (Fifa-RS)
02/08 – Figueirense 3 x 1 Ponte Preta – Heber Roberto Lopes (Fifa-SC)
12/08 – Corinthians x Sport – Luis Flávio de Oliveira (Fifa-SP)

Mesmo árbitro do visitante
31/05 – Goiás 1 x 1 Grêmio – Anderson Daronco (Fifa-RS)
13/06 – Sport 2 x 1 Joinville – Heber Roberto Lopes (Fifa-SC)
20/06 – Grêmio 1 x 0 Palmeiras – Raphael Claus (Fifa-SP)
02/07 – Figueirense 3 x 1 Goiás – Wilton Sampaio (Fifa-GO)
19/07- Joinville – 1 x 1 Ponte Preta – Rapahel Claus (Fifa-SP)