Salgueiro, tetracampeão do interior de PE

Pernambucano 2017, 8ª rodada: Central 0 x 2 Salgueiro. Foto: Medson Magno/Central SC

A campanha do Carcará no campeonato estadual é impecável. No geral, são 11 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota. Foi o melhor time na primeira fase e o líder do hexagonal do título, com duas rodadas de antecipação. No Antonio Inácio, pela 8ª rodada, o Salgueiro venceu o Central por 2 x 0, assegurando o status de melhor time do interior nesta edição. Como o resultado definiu o G4, Central e Belo Jardim acabaram saindo da briga pela classificação. Trata-se de um feito simbólico, mas que alimenta o domínio recente dos sertanejos. Nos últimos dez anos, este foi o sexto “título do interior”, com tetra em sequência. Igualou-se ao Porto, com as melhores campanhas nos anos 90.

Na história, 28 clubes do interior já participaram do Pernambucano, a partir do pioneiro Central, em 1937. Após aquela breve passagem, a Patativa voltou em 1961, com a presença fora da região metropolitana se mantendo até hoje. Dominante neste contexto nos anos 60, 70 e 80, o alvinegro caruaruense já foi o melhor do interior em 63% das 58 edições com ao menos um time representando. Incluindo uma série de 17 anos seguidos, de 1961 a 1977.

Ainda que o título não seja tão celebrado no futebol local como em outros centros, gaúcho e paulista por exemplo, o blog detalhou os melhores do interior. O critério é simples: a melhor colocação do interiorano no ano.

Sobre a tabela final, aliás, nenhum título. No máximo, quatro vices.

A campanha do Salgueiro segue aberta em 2017…

Central (37 vezes) – 1937 (5º), 61 (4º), 62 (4º), 63 (4º), 64 (3º), 65 (4º), 66 (4º), 67 (4º), 68 (4º) 69 (4º), 70 (4º), 71 (4º), 72 (4º), 73 (6º), 74 (5º), 75 (4º), 76 (4º), 77 (4º), 79 (4º), 80 (4º), 81 (4º), 82 (4º), 83 (4º) 84 (4º), 85 (4º), 86 (3º), 87 (4º), 88 (5º), 89 (4º), 90 (4º), 92 (4º), 93 (4º), 2001 (4º), 02 (4º), 07 (vice), 08 (3º) e 10 (4º)

Porto (6 vezes) – 1994 (4º), 95 (4º), 97 (vice), 98 (vice), 2000 (4º) e 11 (4º)

Salgueiro (6 vezes) – 2009 (4º), 12 (3º), 14 (3º), 15 (vice), 16 (4º) e 17 (a definir)

Vitória (3 vezes) – 1991 (4º), 1996 (4º) e 1999 (4º)

Ypiranga (2 vezes) – 2006 (3º) e 2013 (4º)

Serrano (1 vez) – 2005 (4º)

Itacuruba (1 vez) – 2004 (4º)

AGA (1 vez) – 2003 (4º)

Atlético Caruaru ( 1 vez) – 1978 (6º)

Pernambucano 2017, 8ª rodada: Central 0 x 2 Salgueiro. Foto: Medson Magno/Central SC

Central viaja 2.889 quilômetros até o interior gaúcho, em busca da Série C

Série D 2015, Central 3x0 Serrano-BA. Foto: Raniere Marcelo/divulgação (twitter.com/RaniereMarcelo)

A Série D foi criada em 2009. Lá, o Central sofre há tempos. Já está na quinta participação, sempre sonhando com um calendário mais digno, a partir da terceira divisão do futebol nacional, com ao menos 18 jogos no segundo semestre. Em 2015, chega ao mata-mata pela quarta vez. Para conquistar o acesso, será preciso superar mais duas fases, alcançando a semifinal. No drama da Patativa, a história sempre terminou nas oitavas de final.

O drama da Patativa nas oitavas de final
2009 – Alecrim (0 x 2 e 1 x 0)
2013 – Botafogo-PB (3 x 1 e 1 x 3, saindo nos pênaltis)
2014 – Confiança (0 x 1 e 1 x 1)
2015 – Lajeadense (?)  

A viagem até Lajeado, no interior gaúcho, terá 2.889 km, uma das mais longas da história alvinegra, sem dúvida. Lá, o confronto começará em 27 de setembro, com o jogo em Caruaru no domingo seguinte. O Central passou de fase como líder do grupo A4, com a quinta melhor campanha geral: cinco vitórias, um empate e duas derrotas. Na última rodada, goleou o já eliminado Serrano por 3 x 0, no Lacerdão, com gols de Candinho e Viola (2), e se beneficiou da derrota do Estanciano para o Treze, com a liderança caindo no colo.

Caso passe da Lajeadense, irá pela primeira vez ao “mata-mata do acesso”. E nas quartas não há chaveamento prévio. Os oito classificados serão encaixados pelas campanhas gerais (1º x 8º, 2º x 7º etc). Até hoje, o único acesso do Central foi em 1986, quando venceu seu grupo no Torneio Paralelo e disputou a Série A do mesmo ano. Está na hora de a Patativa voar de novo, para longe…

Série D 2015, Central 3x0 Serrano-BA. Foto: Raniere Marcelo/divulgação (twitter.com/RaniereMarcelo)

Apertura e Clausura do Pernambucano

Pernambuco

Historicamente, o campeonato pernambucano sempre foi dividido em turnos, com os vencedores disputando o título em uma final. Há quatro anos o formato se mantém com a classificação de quatro equipes à fase decisiva, tirando do campeão do turno a classificação direta à decisão.

Independentemente disso, confira a lista de campeões e vices dos turnos no estado neste século. Em 2005, a FPF batizou os dois turnos de Taça Tabocas e Guararapes e Taça Confederação do Equador, respectivamente. Antes, os campeões já recebiam troféus pelas fases, mas sem nome oficial. A medida caiu em desuso em 2010 com a fórmula do turno classificatório.

Os vencedores passaram, então, a erguer taças encomendadas pelas próprias diretorias, como o Central em 2011, no pioneiro turno vencido pela Patativa. Abaixo, a relação de campeões e vices e as respectivas campanhas neste século. Apenas o Pernambucano de 2003 teve três turnos.

Campeões: Sport (12), Santa Cruz (8), Náutico (5), Central (1) e Salgueiro (1).

Campeões dos turnos do Campeonato Pernambucano no Século XXI. Crédito: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

Apertura e Clausura de Pernambuco

Mapa de Pernambuco

Em jogo, o título simbólico do primeiro turno do Pernambucano de 2012.

Salgueiro (22 pontos), Náutico (22) e Sport (20) são os únicos na briga pelo status de melhor campanha na primeira metade da competição.

Ao Carcará, basta vencer o Porto nesta quarta-feira, em casa, e segurar a vantagem no saldo de gols sobre o Alvirrubro, atualmente de 2 gols. O Timbu enfrenta o Belo Jardim fora de casa, torcendo por um tropeço dos sertanejos.

Bem atrás no saldo de gols  – com 7, contra 12 do Salgueiro e 10 do Náutico -, o Sport vai torcer por tropeços dos dois. Depois, precisará vencer o Central na Ilha, quinta.

Ao campeão, o nome na história. Em 2005, a FPF batizou os dois turnos de Taça Tabocas e Guararapes e Taça Confederação do Equador, respectivamente.

Antes, os campeões já recebiam troféus pelas fases, mas sem nome oficial. A medida caiu em desuso em 2010 com a fórmula do turno classificatório.

Os vencedores passaram, então, a erguer taças encomendadas pelas próprias diretorias, como o Central em 2011, no pioneiro turno vencido pela Patativa.

Abaixo, a relação de campeões e vices e as respectivas campanhas neste século. Apenas o Pernambucano de 2003 teve três turnos.

Campeões: Sport (11), Santa Cruz (7), Náutico (4), Central (1).

Campeões dos turnos do Pernambucano de 2001 a 2011

A Laranja do Sertão

Laranja Mecânica do Sertão

Laranja Mecânica.

Do Sertão…

Exagero do apelido e clichê à parte, antes de completar um ano de fundação, fato que vai ocorrer em 25 de fevereiro, o Serra Talhada já faz história no futebol pernambucano.

A dissidência do Serrano, com o mesmo presidente, ganhou com um pé nas costas a segunda divisão e agora integra a elite, num crescimento veloz.

Na largada em 2012, duas goleadas por 4 x 0, sobre América, fora de casa, e Ypiranca, no Pereirão. Simplesmente a melhor arrancada do Estadual dos últimos 13 anos.

Em 1999, o Sport venceu Surubim e Vitória por 7 x 1 e 3 x 0. Ambos na Ilha.

O time vem com um grupo enxuto, sob o comando do técnico Reginaldo Sousa.

No domingo, quando enfrentará uma grande clube do Recife pela primeira vez, resta saber se o Cangaceiro vai superar a marca… Ou só vai ser fogo de palha.

Desde já, uma grata surpresa do futebol do interior.

Ainda que a formação do clube tenha seguido o perfil “municipal”, com amplo apoio político e, consequentemente, dos principais comerciantes da região.

Mecânica comum no atual futebol pernambucano. Com ou sem laranja.

Filme: Laranja Mecânica

História simbólica

Rodovia BR-232

O estádio Luiz Lacerda, em Caruaru, poderá marcar um resultado histórico no futebol pernambucano do domingo. Já era hora…

Diante da Acadêmica Vitória, o Central tem tudo para conquistar, ainda que de forma simbólica, o título do primeiro turno do Estadual (veja os campeões AQUI).

Com 7 vitórias em 10 jogos, a Patativa já gastou R$ 44 mil em “bichos”!

Na prática, acabar a primeira metade da competição na 1ª colocação não vai garantir vaga na decisão. Até dois anos atrás, esse status dava uma vaga na finalíssima.

Desde 1937, quando a Patativa se tornou o primeiro clube do interior a participar do Campeonato Pernambucano, logo no primeiro ano do profissionalismo local, nunca um time do interior ganhou um turno. Caso único do Nordeste.

Saindo pela BR-232, ainda é inédito…

Abaixo, as melhores colocações dos clubes intermediários nos turnos do Estadual nos últimos dez anos. Na ordem, os melhores no primeiro e segundo turnos:

2001 – Porto (4º) e Central (4º)
2002 – Central (4º) e Intercontinental (4º)
2003 – AGA (3º), AGA (vice) e AGA (3º)*
2004 – Itacuruba (4º) e Itacuruba (4º)
2005 – Serrano (vice) e Itacuruba (4º)
2006 – Ypiranga (vice) e Ypiranga (3º)
2006 – Porto (vice) e Central (vice)
2008 – Ypiranga (3º) e Central (vice)
2009 – Porto (4º) e Salgueiro (4º)
2010 – Cabense (vice) e Central (4º)

* Em 2003, o Pernambucano teve três turnos.

Terceira na segunda

Troféu oficial da Série C do Campeonato BrasileiroNo embalo da classificação do Salgueiro ao mata-mata decisivo do Brasileiro da Série C (veja AQUI), um post com alguns dados históricos de Pernambuco na competição.

Melhores resultados:

Vice-campeonato em 1981, com o Santo Amaro (ex-Vovozinhas e depois Recife, Manchete etc). A finalíssima, em 1º de maio, aconteceu no Arruda. Vitória por 1 x 0, gol de Derivaldo.

Mas não adiantou, pois o Olaria havia vencido por 4 x 0 no Rio. O rival ficou com o troféu da competição, conhecida na época como “Taça de Bronze”.

O futebol pernambucano também ficou em 4º lugar em 1996 (Porto) e 1999 (Náutico). Na primeira ocasião, a vaga esteve por um triz, já que o formato era o de mata-mata. Após um 0 x 0 no Lacerdão, diante de 2.600 pagantes, o Gavião do Agreste perdeu do Vila Nova por 5 x 3, no Serra Dourada, em 24 de novembro.

Já o Timbu foi mal no quadrangular final e chegou na última rodada já eliminado, quando viu o Fluminense festejar o título nos Aflitos. Nas duas edições, apenas os dois primeiros lugares conseguiam as vagas.

Representantes de Pernambuco (18 times):

Porto (7 vezes), Vitória (5), Central (6), Salgueiro (3), Ypiranga (2), Recife (1), Paulistano (1), América (1), Estudantes (1), Unibol (1), Náutico (1), Itacuruba (1), Serrano (1), Petrolina (1), Centro Limoeirese (1), Flamengo de Arcoverde (1), Vera Cruz (1) e Santa Cruz (1).

Como a Série C era a última divisão nacional até 2008, o ingresso de clubes locais era facilitado pela classificaçã via Campeonato Pernambucano. Agora, apenas se subir na Série D. O que já vem ficando claro que não é fácil…

O troféu neste post é a taça oficial da Série C. É possível?

2 anos, 100 gols e nenhuma derrota

Pernambucano-2010: Serrano 1 x 0 Sport

Nesta sexta-feira, o Sport completa 2 anos sem derrota no Pernambucano. A última derrota foi em 26 de março de 2008, em Serra Talhada. Sob um toró naquela noite no estádio Pereirão, o Leão foi superado pelo Jumento, que venceu por 1  x 0 (foto), com um gol do volante Ivson aos 36 minutos do segundo tempo.

Daquele time, restam apenas Magrão, Igor e Daniel Paulista.

Desde então uma campanha construída com a “ajuda” de 100 gols marcados!

Abaixo, um levantamento desta série invicta que será testada no aguardado Clássico das Multidões, no domingo, na Ilha do Retiro. Em tempo: o recorde no estado pertence ao próprio Rubro-negro, que ficou 49 jogos sem perder entre 1997 e 1999. Coube ao Santa Cruz acabar aquela marca…

44 jogos: 33 vitórias e 11 empates. Aproveitamento: 83,3%

100 GP e 27 GC

Na Ilha, 22 jogos: 17 vitórias 5 empates (47 GP e 13 GC). Aproveitamento: 84,8%

Fora de casa, 22 jogos: 16 vitórias e 6 empates (53 GP e 14 GC). Apt.: 81,8%

Artilharia:
25 gols – Ciro
9 – Wilson
6 – Eduardo Ramos
5 – Dairo, Luciano Henrique e Vandinho
4 – Fumagalli, Paulo Baier e Guto
3 – Nádson, Durval e Igor
2 – Júlio César, Ricardinho, Enilton, L. Netto, Weldon, César, Moacir e Sandro Goiano
1 – Juninho, Eduardo Ratinho, Romerito, Leandro Machado, Kassio e Bruno Teles
Para fechar a conta, é preciso somar 2 gols contra… Até os rivais ajudaram! 8-O

Foto: Diario de Pernambuco

Chuteira-fone

Jessuí, o "Chuteira-Fone" do AraripinaA vitória do Araripina sobre o Ypiranga por 3 x 2, no domingo, foi histórica. Foi o 1º triunfo do Bode do Sertão na elite do Campeonato Pernambucano.

O destaque da partida foi o atacante Jessuí, que virou o jogo com 2 gols de cabeça. No segundo tento, ele reviveu a sua comemoração pra lá de original.

A “chuteira-fone”, simulando uma ligação de celular no gramado…

Durante a viagem pelo interior na produção do Guia do Pernambucano 2010, conversei com o jogador de 27 anos, que revelou com bom humor a origem da famosa comemoração.

Tudo começou em 2007, quando atuava no Serrano. O time de Serra Talhada enfrentaria o Santa Cruz no Arruda em 8 de março. Então com 25 anos, o jogador era o destaque do time do interior, tanto que foi o vice-artilheiro do Estadual, com 11 gols.

“Cara, aquela partida contra o Santa seria o jogo da TV, ao vivo. Era a chance de aparecer no futebol. Eu estava numa grande fase e precisava chamar a atenção, mesmo que fosse ridículo. Passei a noite toda na concentração pensando num jeito. E pensei esse… Tinha certeza que ninguém tinha feito algo assim. Só faltava fazer o gol de noite, e eu fiz. O jogo foi 1 x 1. Deu audiênca e nunca mais parei de fazer. Fiz até na Europa (ele jogou em Portugal e na Romênia). Vou continuar gastando os meus créditos na chuteira.” 8-O

Foto: Ricardo Fernandes/DP

Agora vai, Jessuí

Jessuí, atacante do AraripinaAraripina – O atacante Jessuí, de 27 anos, diz ter uma “dívida” com o futebol pernambucano.

Em 2007, quando defendia as cores do Serrano, ele marcou 11 gols e foi o vice-artilheiro do Estadual. Ficou a 4 tentos do tricolor Marcelo Ramos.

Depois de rodar um pouco e voltar novamente ao Sertão, agora no Araripina, Jessuí quer escrever de vez o seu nome na história da competição.

“Eu tenho fama aqui e sei que a cobrança vai ser muito grande. Em 2007, eu só não fui o artilheiro porque desfalquei o time em 5 jogos e Marcelo Ramos fazia uns 2 gols todas as rodadas. Dessa vez, sem Marcelo Ramos, eu quero ser o artilheiro”.

Em 2009, Marcelo Ramos fez 19 gols… Menos mal que Jessuí estava ausente.

Veja a lista de artilheiros do Pernambucano AQUI.