A norma 40 do COI não competiu com Michael Phelps

Larissa Latynia e Michael Phelps em comercial da Louis Vuitton

Nadou o quanto pôde. Subiu seis vezes no pódio. Fez história, de novo.

Tornou-se o maior vencedor da história do Jogos Olímpicos, com 22 medalhas.

Seria a foto acima suficiente para apagar toda a brilhante história escrita na disputa em Londres pelo americano Michael Phelps?

Acredite, uma norma do Comitê Olímpico Internacional, criada este ano, pode tirar as seis medalhas conquistadas pelo nadador na recém-encerrada edição da Olimpíada.

Trata-se de um exagero. Mas com base legal, através do artigo 40 do COI.

Entre 18 de julho e 15 de agosto de 2012, nenhum atleta poderia ter participado de campanhas publicitárias com empresas sem relação com os Jogos Olímpicos.

O objetivo era fortalecer a imagem dos paceiros oficiais da entidade.

A ilustração acima, junto à ex-ginasta Larissa Latynina, visando a campanha “Duas carreiras extraordinárias, um mesmo destino”, começou a circular em 13 de agosto.

A grife francesa Louis Vuitton alega que a foto foi violada.

No entanto, está feito o imbróglio, sem qualquer relação com as braçadas na piscina.

Essa medida do comitê é abusiva ou a possível punição aplicada a Phelps seria justa?

Diante de uma campanha mundial que prima pela elegância, a direção do COI poderá proporcionar um dos atos mais controversos na história olímpica…

Uma vaga no mosaico olímpico de Usain Bolt

Mosaico de Usain Bolt

Recordistas mundal nos 100 metros rasos do atletismo, nos 200 metros e no revezamento 4 x 100 metros. Em duas Olimpíadas, 100% de aproveitamento.

Três provas em Beijing e três em Londres.

Nas seis, o primeiro lugar, o ouro. São seis medalhas para raio jamaicano.

Fenômeno que também se mostra rentável, com um pool de patrocinadores.

Ídolo no esporte, com recorde até nas redes sociais. Nas suas provas, chegou a ter a marca de 80 mil menções no Twitter a cada minuto.

Não por acaso, o corredor quer canalizar o seu sucesso junto ao público.

A nova ideia é o mosaico de Bolt com as medalhas olímpicas. O quadro será formada 3.600 fotografias de torcedores mundo afora. Para participar, clique aqui.

O souvenir terá dimensões de 72 cm x 50 cm. Cada foto enviada será na resolução de 1 cm x 1 cm. A inserção de uma foto custa 12,95 libras esterlinas. Ou R$ 41.

Ou seja, o faturamento do atleta poderá chegar a 46 mil libras, ou R$ 147 mil.

A nossa responsabilidade esportiva em 2014 e 2016

Logotipos da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, e da Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro

Encerrada a Olimpíada de 2012, em Londres.

Cumpre-se mais uma etapa do eterno cronograma esportivo.

A cada dois anos o mundo para, em um tradicional revezamento de eventos e países.

Olimpíada, Copa do Mundo, Olimpíada, Copa do Mundo, Olimpíada, Copa do Mundo…

Num ciclo raríssimo, as duas próximas competições serão no mesmo palco, o multicultural Brasil. Em 2014, o Mundial de futebol. Em 2016, os Jogos Olímpicos.

Chega a ser difícil de acreditar que o país foi mesmo agraciado com os dois eventos.

De fato, foi. Nos dois casos, os dirigentes máximos da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional usaram a mesma palavra para incutir no país a missão recebida.

Responsabilidade.

De enxergar o gigantismo desta dupla oportunidade.

De conduzir à risca todo o planejamento traçado para a infraestrutura do país.

De receber bem o mundo, que se fará presente com milhares de atletas e turistas.

De crescer, em organização, economia e índices sociais.

De alegrar, sobretudo, o seu povo, envolto numa ansiedade para que tudo dê certo.

Primeiro entre 12 de junho e 13 de julho de 2014.

Com previsão de gasto de R$ 64 bilhões em doze cidades, com a bola rolando.

Depois entre 5 e 21 de agosto de 2016.

Com orçamento de R$ 28 bilhões na Cidade Maravilhosa, multiesportiva.

Instalações esportivas, infraestrutura viária, telecomunicações, hotelaria etc. O momento brasileiro é de afirmação no cenário mundial, político e econômico.

A chance foi dada. Histórica.

O próximo ciclo será inteiramente em solo brasileiro. Qualquer seletiva em qualquer canto do mundo irá visar a disputa final em nossa terra.

Motivo de muito orgulho. E, obviamente, de muita responsabilidade…

Avaliando o desempenho londrino do Team Brazil

Quadro de medalhas da Olimpíada 2012. Crédito: london2012.com

No número absoluto de medalhas, entre ouro, prata e bronze, o Brasil alcançou o seu melhor resultado em uma Olimpíada, com 17 pódios. Só treze nações ganharam mais.

Três ouros, cinco pratas e nove bronzes. Dos 257 atletas, 59 ganharam medalha (22%).

A delegação superou as 15 medalhas obtidas em Atlanta-1996 e Beijing-2008. Pela quinta vez seguida o Team Brazil passou de 10 medalhas nos Jogos. Antes, o máximo eram oito, no distante ano de 1984, ainda sob boicote dos países socialistas.

Assim, o Brasil ultrapassou a meta estabelecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro, de 15.

A princípio, parece um saldo positivo. No entanto, é preciso destacar o objetivo pra lá de modesto do COB, que era baseado na igualdade em relação à participação na China.

O que é curioso, pois o dinheiro investido no esporte de alto rendimento visando 2012 recebeu um acréscimo de 48% em relação ao último ciclo olímpico.

Além disso, parte do favoritismo brasileiro na Olimpíada acabou dissipado pela participação frustrante de alguns atletas, como a saltadora Fabiana Murer.

Isso acaba de certa forma suplantado pela surpresa de outros, como o judoca Felipe Kitadai, os pugilistas da família Falcão, Esquiva e Yamaguchi, e a pentatleta Yane.

Para o Rio de Janeiro, o país tem duas metas “paralelas” no quadro geral.

A mais difícil delas é alcançar o 10º lugar no quadro de medalhas, considerando a ordem tradicional de ouro, prata e bronze. Em seguida, conquistar 30 pódios no Rio de Janeiro.

Em Londres, o 10º colocado na lista foi a Austrália, com a sua estrutura esportiva. Ganhou 7 ouros, 16 pratas e 12 bronzes, somando 35 medalhas ao todo.

A verba para o esporte brasileiro subirá de 370 milhões de dólares para 700 milhões.

Numa conta rápida, eis a projeção…

Em 2012 se gastou US$ 21,7 milhões por cada medalha. Uma média fria, claro.

Em 2016, o número subiria para US$ 23,3 milhões, em caso de 30 medalhas. A conferir.

Festa de encerramento da Olimpíada 2012. Foto: London2012/divulgação

Yane Marques, orgulho olímpico de Pernambuco. Do Brasil

Yane Marques com o bronze nos Jogos de Londres, em 2012. Foto: John Macdougall/AFP

Pela primeira vez, um representante de Pernambuco subiu sozinho no pódio…

Uma pernambucana, na verdade.

De Afogados da Ingazeira, com apenas 43 mil habitantes, a 386 quilômetros do Recife.

Yane Marques, 28 anos.

Na última prova da Olimpíada de 2012, ela conquistou o bronze no pentatlo moderno.

Modalidade criada pelo barão Pierre de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos.

Uma soma improvável de esportes, que completou o seu centenário nesta temporada.

Esgrima, natação, hipismo, tiro e corrida.

Não é preciso ser expert nos cinco. É preciso ser regular.

Yane é, e muito. Ela desbravou a modalidade no país. Começou nadando, com 11 anos. Aos poucos, foi praticando os demais. Instigou outros competidores locais…

Neste 12 de agosto, ela somou 5.340 pontos, no ponto mais alto de sua carreira, tão batalhada, que já vinha com um bom rendimento no ranking mundial.

Haja dificuldade para chegar a esse momento de glória. Um bronze de ouro.

Campeã sul-americana em 2006. Medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de 2007. Presença na Olimpíada de 2008, em 18º lugar. Pódio em 2012. Evolução, superação.

Foi a 17ª medalha do Brasil em Londres. Valeu, Yane!

Três ouros do Mister Olimpíada, sem medalhas no peito

Seleção feminina de vôlei na Olimpíada 2012. Foto: FIVB/divulgação

Ele jamais recebeu uma medalha de ouro no peito, devido a uma falha protocolar.

Na festa olímpica, observa o seu time a alguns metros de distância, no alto do pódio.

Dali, na beira da quadra, não consegue esconder o sorriso de satisfação com trabalho muito bem feito, vencedor. Interminável.

Fica a lembrança. Das orientações a cada parada técnica em jogos disputadíssimos, a paciência para incutir na equipe o melhor caminho para obter o resultado.

A análise instantânea, com uma visão de jogo muito acima da média. De quem jogou.

Há vinte anos, um ouro inesquecível em Barcelona, o primeiro do país em esportes coletivos. Era a geração de Marcelo Negrão, Tande, Carlão…

Há quatro temporadas, outro triunfo sensacional em Beijing, desmistificando uma equipe tida como inconstante, a seleção feminina.

Homens e mulheres, todos devem às suas instruções com a camisa do Brasil.

No papel de treinador, elevou demais o nível técnico no esporte.

Neste domingo, outra vitória das meninas, com a presença das pernambucanas Dani Lins e Jaqueline. Atropelou o favoritismo dos Estados Unidos por 3 sets a 1, de virada.

Aos 58 anos, esse personagem descrito desde a primeira linha segue como um pilar no vôlei nacional. Outro pódio sem a sua presença. Não importa. Está claro para todos.

Três conquistas olímpicas. Algo inédito para um brasileiro.

Sem dúvida, o maior vencedor do país nos Jogos. Obrigado, José Roberto Guimarães.

Seleção feminina de vôlei na Olimpíada 2012. Foto: FIVB/divulgação

Os ciclos da Copa do Mundo de Dunga e Mano Menezes

Dunga e Mano Menezes

Em 2010, a derrota para a Holanda nas quartas de final da Copa do Mundo custou o emprego de Dunga no comando técnico da Seleção Brasileira.

Contestado pelo esquema armado no Brasil, bem distante das características do futebol nacional, o treinador havia vencido a Copa América e a Copa das Confederações.

Ainda assim, após a falha do goleiro Júlio César, unanimidade naquele time, o Brasil se despediu da competição na África do Sul.

O ambiente não era bom, vale lembrar. Um eterno atrito com a imprensa, num processo de vingança contínuo desde 1994, quando ergueu a taça do Tetra.

Era o fim do Brasil pouco cerebral e voltado para os contragolpes. Hora de chamar jovens habilidosos como Neymar e Ganso, pedidos (e preteridos) na época.

Veio Mano Menezes e o seu currículo. Na verdade, a falta dele.

O técnico, também gaúcho, contava com dois títulos da Série B e um da Copa do Brasil.

Nesse tempo todo à frente do time verde e amarelo, Mano até chamou a nova geração, mas não colecionou bons resultados diante de times tradicionais, campeões mundiais.

Ou seja, não bastava só a convocação dos craques teoricamente incontestávels. Assim como não bastava só a organização de Dunga.

Mano disputou duas competições, com uma participação pífia na Copa América, na Argentina, e uma prata frustrante na Olimpíada de Londres. Da estreia em 10 de agosto de 2010 até este 11 de agosto de 2012, dois anos de desgosto (veja aqui).

Nos Jogos Olímpicos, o Brasil se viu com goleiros desconhecidos – Gabriel e Neto -, num retrato das convocações e escalações, que se estendem a outras posições. Rafael, o camisa 1, se machucou antes da competição e deixou todo o plano na mão.

Se um grande time começa por um grande goleiro, este não foi o nosso caso.

Consciente da pressão pelo rendimento, o técnico balança. Estamos a dois anos da Copa do Mundo. A menos de um para a Copa das Confederações.

Eventos bem aqui no Brasil. Paralelamente aos investimentos de R$ 64 bilhões na infraestrutura dos torneios, espera-se um bom desempenho da Seleção…

O grupo jovem e talentoso em Londres carece de uma uma dinâmica tática.

Será Mano o responsável por isso? Se a resposta for sim, não se discute mais o assunto. Restará torcer. Se for não, a hora de mudar é agora.

Não há mais tempo para a CBF ficar em cima do muro… O ciclo está no limite.

Prata inconsolável e ouro incontestável

Olimpíada 2012: Brasil 1x2 México. Foto: Fifa/divulgação

Começa a decisão em Wembley.

O relógio marca 28 segundos e… gol do México.

Um erro incrível da defesa brasileira, na saída de bola. Um passe desatento do ala Rafael somado à falta de cobertura do volante Sandro. Pronto, o estrago estava feito.

Oribe Peralta se aproveitou da bobeira e bateu no cantinho do goleiro Gabriel, uma das peças mais fracas da Seleção Brasileira na jornada olímpica.

A vantagem mexicana já era histórica.

O gol foi o mais rápido em uma final com a chancela da Fifa. Somente.

Ainda assim, seriam 90 minutos para tentar uma recuperação. Uma leitura correta, caso o Brasil estivesse num dia, domingo, bem organizado taticamente.

Não esteve. Não atacou com objetividade, preso às velhas individualidades, que voltaram a assombrar a equipe verde e amarela.

Foram poucas chances que realmente levaram perigo ao adversário mais forte enfrentado pelo país numa campanha até então 100%.

Aí, vale creditar o mérito à zaga mexicana, segura e determinada em toda a decisão do futebol na Olimpíada de Londres.

Ainda no primeiro tempo, Mano Menezes colocou Hulk no lugar de Alex Sandro. Três atacantes em campo, mas sem adiantar muito. Oscar estava bem marcado.

Enquanto isso, o México continuou assustante bastante. Teve um gol anulado, corretamente, e outras duas chances incríveis desperdiçadas.

Batendo o desespero, Mano promoveu a entrada de mais um atacante, Alexandre Pato.

Quatro atacantes? Faltou consistência no meio-campo para fomentar essa linha ofensiva. Sem força na intermediária, a mudança não surtiu efeito.

Pior. Aos 28 minutos da etapa complementar, novo gol do México. Novamente com Peralta, subindo sozinho diante de uma zaga estática, que não se encontrou nos Jogos.

O meia Lucas, negociado recentemente por R$ 107 milhões, entrou faltando apenas cinco minutos, numa síntese das contradições do comando técnico.

Nos descontos, Hulk até diminuiu. Aos 47, no tudo ou nada, Oscar ainda teve uma chance de ouro. Cabeceou para fora e o país teve que se contentar com a prata.

Vitória mexicana por 2 x 1. Um merecido ouro olímpico para os sombreros.

Ao Brasil, o terceiro vice-campeonato. Como em 1984, como em 1988. Como sempre, inconsolável. Ainda resta uma lacuna na galeria da Seleção…

Olimpíada 2012: Brasil 1x2 México. Foto: london2012.com/divulgação

Recorde brasileiro e anti-recorde austríaco, via imprensa

Jornal da Áustria

Dezesseis medalhas olímpicas, brasileiras.

Nesta sexta-feira, o Brasil garantiu a sua 16ª medalha na Olimpíada de Londres.

No quadro geral, 11. Virtualmente, faltando decidir o tipo de metal, mais cinco, incluindo finais no vôlei, feminino e masculino, futebol e boxe.

Mesmo com o maior número de pódios alcançados pelo país em uma edição dos Jogos Olímpicos, o sentimento de parte da torcida e da imprensa é que a delegação verde e amarela poderia ter conquistado mais medalhas.

Ok, faz parte do jogo vencer e perder. Mas e o que dizer do torcedor austríaco? O país, que enviou 70 atletas, encerrou a sua participação em Londres nesta sexta.

Não conquistou uma medalha sequer, fato que não ocorria desde 1964, em Tóquio.

O “feito” acabou na manchete do jornal Neue Vorarlberger Tageszeitung, que estampou fotos de atletas, numa crítica sobre a participação. Em 2008 foram três. Em 2004, sete.

A manchete, numa tradução literal: “zero medalha”.

Lego de Michael Phelps e Usain Bolt

Parque Olímpico de Londres, em 2012, em formato Lego. Crédito: Warren Elsmore

Michael Phelps ratificou em Londres o status de maior atleta olímpico da história, com 22 medalhas na piscina, sendo 18 delas douradas.

Na pista de atletismo, o jamaicano Usain Bolt manteve a hegemonia como o mais rápido do mundo. Ouro nos 100m e 200m. Com direito a flexão no fim da prova. Tirou onda.

Dois dos maiores nomes da Olimpíada em 2008 e 2012.

Focando os dois nomes, a Lego produziu dois vídeos, divulgados pelo The Guardian.

Duas divertidas homenagens com uma linha de brinquedos tradicional.

Michael Phelps, na final dos 200 metros medley.

Usain Bolt, na final dos 100 metros livres.