Mapeamento municipal de torcidas: Recife (Maurício de Nassau/2016)

Pesquisa de torcida do Instituto Maurício de Nassau/Leia no Recife, em 2016 Já. Arte: Cassio Zirpoli/DP

O Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN) realizou um estudo no Recife, em maio, constando no relatório a clássica pergunta “Para qual time você torce?”. O destaque em relação à última pesquisa, feita há dois anos, é o crescimento do Trio de Ferro, passando de 62,9% para 77,3%. Um domínio absoluto na capital. Para isso, ajudou a redução da camada “sem clube”, de 26% para 16,9%. Simpatizantes ou não, indicaram clubes locais no questionário.

Encomendado pelo portal Leia Já, o levantamento chega à terceira versão. Foram 624 entrevistados, o mesmo número dos quadros anteriores, com divisão por sexo, faixa etária, escolaridade e renda, trazendo mais elementos ao popular debate sobre o perfil das maiores torcidas pernambucanas.

No geral, o Sport segue à frente. Entretanto, considerando a margem de erro, é possível um resultado distinto em relação ao Santa (32,1% x 32,4%). Como ocorre em todas as pesquisas postadas no blog, mensurei os percentuais com a população oficial da localidade, segundo o dado mais recente do IBGE.

Instituto Maurício de Nassau / Recife 2016
Período: 3 a 4 de maio de 2016
Público: 624
Margem de erro: 4,0%
População estimada (IBGE/2015): 1.617.183

1º) Sport – 36,1% (583.803)
2º) Santa Cruz – 28,4% (459.279)
3º) Náutico – 12,8% (206.999)

Outros times – 1,9% (30.726)
Sem clube – 16,9% (273.303)
Sem resposta – 3,9% (63.070)

A evolução dos percentuais do trio, segundo o instituto (2013, 2014 e 2016)
Sport – 32,3%, 28,4% e 36,1%
Santa – 19,0%, 21,2% e 28,4%
Náutico – 16,0%, 13,3% e 12,8%

Relembre as pesquisas do IPMN no Recife em 2013 e 2014 clicando aqui.

Mensurando as torcidas brasileiras no embalo das pesquisas políticas

Institutos de pesquisa no Brasil: Datafolha, Vox Populi, Plural Pesquisa, Ibope, Maurício de Nassau e Sensus. Arte: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

O cenário é comum em ano eleitoral no Brasil, a cada dois anos. Até a véspera da votação são divulgadas, de norte a sul, pesquisas de intenção de voto.

Existem quase duas centenas de consultorias no ramo. Na Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, a Abep, estão cadastrados 174 institutos.

Acredite, esses mesmos levantamentos eleitorais têm uma relação direta com os estudos quantitativos sobre torcidas de clubes de futebol.

Foi o caso do Ibope, instituto mais famoso do país, que lançou uma pesquisa nacional de torcida pela última vez em 2010. Agora, em mais um ciclo presidencial, especula-se um novo grande levantamento de campo do Ibope. No último foram ouvidas 7.109 pessoas, em 141 cidades.

O custo de um estudo do tipo, dependendo do número de entrevistados – mudando, claro, a fidelidade na margem de erro -, pode ir de R$ 8 mil a mais de R$ 70 mil. De 400 pessoas a aproximadamente 10 mil entrevistados.

No campo político, os levantamentos são encomendados por jornais, emissoras de televisão e até pelos próprios partidos, com o objetivo de enxergar melhor o eleitorado, tanto nas disputas majoritárias – municipal, estadual e federal -, quanto nas proporcionais – vereador e deputado.

O público pesquisado é sempre a partir dos 16 anos. Não por acaso, não mesmo, é a idade mínima para tirar um título de eleitor no país.

Com questionários prontos, alguns institutos de pesquisa aproveitam a oportunidade para mensurar outras questões. E aí entra o futebol.

Cenário aplicado, por exemplo, em Caruaru, através da Plural Pesquisa em 2014. Outros municípios já estão na pauta, como Garanhuns e Petrolina.

Cidades, estados, país. Não é mera coincidência. Até porque a divulgação dos estudos costuma ter espaço na mídia e repercussão entre as massas, dando destaque aos nomes das empresas envolvidas.

Portanto, a situação já está encaminhada para um ano recheado de levantamentos sobre os times, inclusive de grande alcance. O cenário político está aberto. Para entender melhor o público, o futebol sai ganhando no embalo.

Confira as pesquisas já publicadas pelo blog aqui.

Mapeamento municipal de torcidas: Recife (Maurício de Nassau/2014)

Pesquisa de torcidas no Recife, em 2014, através do Instituto Maurício de Nassau, do portal Leia Já

Pelo segundo ano consecutivo, o Instituto Maurício de Nassau realiza um mapeamento de torcidas no Recife. Encomendada pelo portal Leia Já, a pesquisa foi feita nos mesmos moldes do levantamento anterior. Assim, em 2014, apenas moradores da capital pernambucana foram ouvidos, com 624 ao todo.

A ordem de preferência clubística se manteve – Sport, Santa Cruz e Náutico -, aumentando um pouco o percentual de torcedores de clubes de fora. No entanto, foi considerável o número de pessoas que não responderam a pesquisa. A influência para isso levanta a discussão. Deixaram de gostar de futebol? Resultados ruins? Falta de estrutura? Violência? Pois é, o contexto é amplo.

O blog mensurou os dados de 2014 e 2013 juntos à mais recente estimativa populacional do Recife, através do IBGE. Neles, a torcida do Tricolor aumentou em 33.889, enquanto as torcidas do Rubro-negro e do Alvirrubro diminuíram 62.701 e 43.506, respectivamente. Considerando a margem de erro, é possível enxergar empate técnico tanto entre Sport e Santa quanto entre Santa e Náutico.

Instituto Maurício de Nassau / Recife 2014
Período: 9 a 10 de janeiro de 2014
Público: 624
Margem de erro: 4,0%
População estimada (IBGE/2013): 1.599.513

1º) Sport – 28,4% (454.261)
2º) Santa Cruz – 21,2% (339.096)
3º) Náutico – 13,3% (212.735)

Outros times – 3,0% (47.985)
Sem clube – 26,0% (415.873)
Sem resposta – 8,2% (131.160)

Instituto Maurício de Nassau / Recife 2013
Período: 7 a 8 de fevereiro de 2013
Público: 624
Margem de erro: 4,0%
População estimada (IBGE/2013): 1.599.513

Sport – 32,32% (516.962)
Santa Cruz – 19,07% (305.207)
Náutico – 16,02% (256.241)

Outros times – 0,47% (7.517)
Sem clube – 32,1% (513.443)

Pesquisa de torcidas no Recife, em 2014, através do Instituto Maurício de Nassau, do portal Leia Já