Podcast 45 – Entrevista com o presidente do Sport, João Humberto Martorelli

Entrevista do presidente do Sport, João Humberto Martorelli, ao podcast 45 minutos, em 13/05/2016. Foto: Celso Ishigami/DP

No dia do 111º aniversário do Sport, em 13 de maio de 2016, o presidente do clube, João Humberto Martorelli, concedeu uma entrevista exclusiva ao podcast 45 minutos. Durante quase uma hora, na Ilha, o dirigente admitiu erros na montagem do time, como na liberação do Brocador, falou da relação com Falcão, que mudou a forma de trabalho adotada até então, do novo contrato com a Globo, até 2024, dos números do balanço financeiro (dívida, adiantamento e gasto com futebol), da real possibilidade de escalar os juniores no Estadual de 2017, do seu futuro político do clube, do rompimento com a FPF etc. Um debate sem meias palavras, sobre o passado, presente e futuro do futebol rubro-negro.

Neste podcast, estive ao lado de Celso Ishigami, Fred Figueiroa, João de Andrade Neto e Rafael Brasileiro. Ouça agora ou quando quiser!

Sem evolução, Falcão é demitido do Sport

Falcão, durante o trabalho no Sport em 2016. Foto: Ricardo Fernandes/DP

O técnico Falcão não resistiu à eliminação do Sport em Campina Grande. Sem mostrar futebol durante 180 minutos, na visão do blog, o time leonino acabou sofrendo um justo revés diante do Campinense. No dia seguinte à despedida do Nordestão, o presidente do clube, João Humberto Martorelli, comunicou a demissão. A decisão surpreendeu. Não pelos resultados do treinador, muito abaixo neste ano, mas pelo perfil da atual diretoria rubro-negra, que segurou Eduardo Batista durante dois longos jejuns na Série A, em 2014 e 2015 – e só saiu por vontade própria, indo para o Flu. Com uma semifinal estadual pela frente, parecia improvável a mudança. Mas ocorreu, e foi correta.

Com Falcão, o Sport evoluiu na reta final do Brasileirão. Reorganizou o esquema de Eduardo e finalizou em 6º. Porém, veio virada do ano e reformulação do elenco, com reposições questionáveis. Wendel por Serginho? Danilo por Christianno? Brocador por Vinícius?! No caso de Túlio de Melo há qualidade, mas a troca seria difícil, no lugar de André. Em campo, em 2016, um time travado. Iniciou com três volantes de maneira forçada, pela limitação de elenco, mas tomou gosto pelo formato e pelas peças escolhidas, com uma ligação ruim entre meio e ataque. Com sete meses de trabalho, o padrão foi se perdendo, sem aspecto de mudança, por mais que a retórica pós-jogo continuasse correta (na maioria das vezes). Faltou o pré-jogo e o jogo propriamente dito.

Somando Série A, Sul-Americana, Nordestão e Estadual (2015/2016):
34 jogos
17 vitórias
6 empates
11 derrotas
55% de aproveitamento 

Rubro-negro, o que você achou da saída de Falcão?

Com um futebol decepcionante, Sport é eliminado mais uma vez pelo Campinense

Nordestão 2016, semifinal: Campinense (3) 1 x 0 (1) Sport. Foto: Marlon Costa/FPF

O Sport voltou a jogar mal contra o Campinense. Se na Ilha acabou premiado com um gol de Durval aos 49 minutos do segundo tempo, no pesado campo do Amigão o time não teve qualquer consistência ofensiva, se limitando a tentar evitar as investidas raposeiras. Com sustos, deu certo no primeiro tempo. No segundo, o artilheiro Rodrigão, desfalque paraibano no jogo de ida, escorou um cruzamento e fez o gol da vitória por 1 x 0, devolvendo o placar. Teríamos uma decisão por pênaltis em Campina Grande. Antes do apito final do árbitro, uma curiosa mudança, com apelo histórico.

Emulando o técnico holandês Louis van Gaal, com uma estratégia de sucesso no Mundial de 2014, Falcão colocou Magrão no lugar de Danilo Fernandes, nos descontos. Contra a Costa Rica, nas quartas de final na Fonte Nova, o grandalhão Krul entrou no lugar de Cillessen, somente para os tiros livres. Afinal, tinha um retrospecto bem melhor. Assim como o ídolo rubro-negro, até então com 22 penalidades defendidas – Danilo ainda não havia evitado nenhuma pelo clube. Infelizmente, para os leoninos, não deu certo desta vez.

Nordestão 2016, semifinal: Campinense (3) 1 x 0 (1) Sport. Foto: Raniery Soares/Futura Press/Estadão conteúdo

Magrão até espalmou uma cobrança, mas Renê (bombão por cima), Luis Antônio (nas mãos de Glédson) Jonathan Goiano (também por cima) não colaboraram e o Sport acabou com uma vexatória eliminação no Nordestão, parando o sonho do tetra outra vez na semifinal. O vexame não se deve ao nível técnico da Raposa, longe disso. O adversário jogou bem as duas partidas, dentro de sua proposta. Se deve, sim, à falta de organização do Sport. O time de Falcão está travado há tempos, com uma transição quase inexistente. E o treinador não vem conseguindo reverter a situação.

Rithely e Durval foram desfalques importantes no domingo? Bastante. Mas a crítica não se restringe ao jogo na Paraíba. O futebol do Leão, exceção feita aos clássicos – turbinados pela rivalidade -, não vem agradando em 2016, com a Série A batendo à porta. Quanto ao Campinense, que festejou outra classificação em cima dos leoninos, como em 2013, a luta segue. Na final da Copa do Nordeste, sonha com o mesmo destino.

Nordestão 2016, semifinal: Campinense (3) 1 x 0 (1) Sport. Foto:  Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Irreconhecível em campo, Sport vence o Campinense aos 49 do segundo tempo

Nordestão 2016, quartas de final: Sport 1x0 Campinense. Foto: Williams Aguiar/Sport

Havia gente demais na Ilha, com o borderô informando 23.390 pessoas. Todas conscientes do mau futebol apresentado pelo Sport, desorganizado taticamente. Não que tenha feito grandes jogos em 2016, mas foi muito abaixo. O hiato entre a zaga e o ataque era enorme. O próprio Diego Souza, esperado para armar, estava lá na frente, de costas, como um pivô. Na criação, a bola insistia em passar nos pés do volante Serginho, incapaz de um passe vertical certeiro. Quando cansou de errar, fez o feijão e arroz de sempre, tocando de lado.

E aí, outro problema, com os dois zagueiros, Durval e Henríquez, saindo no aperto nas laterais, quase sempre sem sucesso. Com o mandante totalmente travado pela bem postada equipe do Campinense, o capitão leonino se arriscou nos lançamentos. Outra arma ineficaz, do começou ao fim – inclusive gerando perigosos contragolpes, desperdiçados pelos paraibanos. E o apoio da torcida, ainda na rua, na chegada do ônibus com a delegação, foi virando apreensão.

Nordestão 2016, quartas de final: Sport 1x0 Campinense. Foto: Rafael Martins/Esp. DP

Como o jogo só fazia piorar, o sentimento virou revolta. Misto de vaias e aplausos nas duas primeiras substituições, vaias elevadas na terceira (pela saída de Lenis e pela entrada de Maicon) e xingamentos de “burro” para Falcão. Atmosfera preocupante na semifinal. Na base do “6-0-4″, os lançamentos iam sendo brecados. Com a bola no chão, passes curtos, com uma barreira branca à frente. O Sport entrou poucas vezes na área de Glédson – quando conseguiu, foi através de toques rápidos, algo esperado durante toda a noite.

Já nos descontos, a placa com cinco minutos de acréscimo. Muito? Seis substituições, carro-maca acionado três vezes para jogadores do Campinense e jogo parado por mais dois minutos com o goleiro, em dois lances seguidos. Cera. Mas, francamente, faltava futebol mesmo. A ponto de a vitória, aos 49 minutos, sair com um centroavante improvável, por mais eficiente que seja no fundamento. De Maicon, que ainda não havia jogado bem uma vez sequer, para Durval, 1 x 0. Vantagem no apagar das luzes. Na comemoração, um desabafo geral. Está certo o camisa 4. Time e torcida precisam jogar juntos, até o fim.

Nordestão 2016, quartas de final: Sport 1x0 Campinense. Foto: Rafael Martins/Esp. DP

Análise da semifinal pernambucana de 2016 – Sport

Pernambucano 2016, hexagonal: Sport 2x0 Náutico. Foto: Rafael Martins/ Esp. DP

O Sport começou a temporada tendo que remontar o setor ofensivo, após as saídas de Diego Souza, André, Marlone e Elber, valorizados com a sexta colocação do time na Série A. O técnico Falcão precisou ter muita paciência. Primeiro porque o nível técnico da reposição dificilmente seria o mesmo, para o Estadual, e segundo porque o ciclo demorou, prejudicando a pré-temporada. Um cenário que talvez justifique o péssimo início, com duas derrotas, uma delas para o América, na Ilha, derrubando um jejum de 43 anos.

Como consequência, a formação inicial com três volantes foi mantida ao longo dao torneio, sem uma peça específica para municiar o ataque – Gabriel Xavier e Mark González, machucados, mal tiveram oportunidades de adaptação. Com o trabalho realizado à frente, num ataque inteiramente novo, os resultados vieram sobretudo nos clássicos (duas vitórias em casa e dois empates fora), dando lastro ao time, que busca a final após o fiasco do ano passado.

Em 2015, liderou o hexagonal de ponta a ponta e acabou despachado pelo Salgueiro na semi, quebrando uma rotina de nove anos seguidos disputando o título. Terá o Carcará pela frente outra vez. Uma missão clara no mata-mata será dividir (física, técnica e mentalmente) o foco entre as fases eliminatórias do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste. Ou seja, até oito partidas decisivas consecutivas. Em 2014 deu certo, nas duas frentes.

Desempenho na semifinal (2010/2015)
6 participações e 5 classificações

Uma possível formação tática do Leão. A princípio, a ponta esquerda é a dúvida, pois Gabriel ainda se recupera. De volta, o chileno Mark pode ganhar a vaga.

Formação básica do Sport no Estadual 2016. Crédito: this11.com com arte de Cassio Zirpoli/DP

Destaque
Rithely. O volante fez um ótimo Brasileirão e manteve a motivação nesta temporada, sendo o pulmão do equipe, com muitos desarmes e transição ofensiva. Com mais de 250 jogos pelo clube, enfim o status de ídolo.

Aposta
O colombiano Reinaldo Lenis chegou como a contratação mais cara do Sport, num investimento de R$ 3,16 milhões. O atacante teve atuações bem irregulares, mas se destacou nos clássicos, com 3 gols no hexagonal.

Ponto fraco
A ausência de Diego Souza, contratado após o prazo de inscrição da competição. Sem uma peça de criatividade, Falcão mantém a formação com três volantes no Estadual, enquanto no Nordestão o camisa 87 é titular absoluto.

Campanha no hexagonal (10 jogos)
16 pontos (3º lugar)
5 vitórias (3º que mais venceu)
2 empate (2º que mais empatou)
3 derrotas (3º que menos perdeu)
16 gols marcados (2º melhor ataque)
7 gols sofridos (3ª melhor defesa)

Melhor apresentação: Sport 2 x 0 Náutico, em 28 de fevereiro, na Ilha.

Náutico x Santa e Salgueiro x Sport, as semifinais do Pernambucano de 2016

Náutico, Salgueiro, Sport e Santa Cruz, os semifinalistas do Pernambucano de 2016. Arte: Cassio Zirpoli/DP

As semifinais do Campeonato Pernambucano de 2016 reúnem, sem surpresa, os clubes que mais disputaram essa fase da competição, cujo formato foi implantado em 2010. Santa e Sport chegam a sete aparições, tendo como consequência quatro títulos corais e dois leoninos, enquanto o Náutico, que acabou como líder do hexagonal, volta ao mata-mata após a sua única ausência, mas ainda em busca de um título neste formato – o jejum, na verdade, é bem maior, desde 2004. Já o Salgueiro se apresenta novamente como a força do interior na década, com a quarta participação e já com um vice no currículo.

Se o Náutico passou com 76% de aproveitamento em dez rodadas na fase classificatória, o Santa teve apenas 36%, o pior índice em um hexagonal, criado há três anos. Por outro lado, a rivalidade acaba equilibrando as ações na etapa final. Basta ver que o Alvirrubro foi líder no classificatório em 2011 e 2014, mas não foi campeão. Já o Tricolor, que nunca liderou, ganhou quatro vezes.

Esse tira-teima acaba ocorrendo na semifinal, no embalo das numerosas participações. Tanto que o Clássico das Emoções terá o seu terceiro capítulo. Em 2010, o Náutico se classificou com um gol de Carlinhos Bala. O Santa deu o troco em 2013, avançando devido ao gol fora após uma vitória para cada lado (0 x 1 e e 2 x 1). Já Salgueiro x Sport acontece pelo segundo ano seguido. Em 2015 o Carcará tornou-se o primeiro interiorano a eliminar um grande da capital, justamente o então líder, que buscava a disputa do título pela 10ª vez seguida.

Análise dos semifinalistas: Náutico, Salgueiro, Sport e Santa Cruz.

Qual será a final do Campeonato Pernambucano de 2016?

  • Náutico x Sport (37%, 706 Votes)
  • Santa Cruz x Sport (31%, 598 Votes)
  • Santa Cruz x Salgueiro (20%, 394 Votes)
  • Náutico x Salgueiro (12%, 229 Votes)

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Presenças na semifinal estadual de 2010 a 2016: Santa Cruz (7), Sport (7), Náutico (6), Salgueiro (4), Central (2), Porto (1) e Ypiranga (1).

Confira mais detalhes sobre a rodada final do hexagonal do título clicando aqui.

Com a escolha da Sula, reservas do Sport perdem em Aparecida pela Copa do Brasil

Copa do Brasil 2016, 1ª fase: Aparecidense-GO 2x0 Sport. Crédito: Williams Aguiar / Sport Club do Recife

Para fins estatísticos, a derrota do Sport para a Aparecidense, por 2 x 0, foi uma das mais vexatórias dos últimos tempos. Contudo, o peso do revés em Goiás muda totalmente com o cenário óbvio, com o Leão formado por juniores e alguns reservas. No banco, nem mesmo Falcão, com o comando técnico a cargo do auxiliar Thiago Gomes, que montou o time num 3-5-2. Uma postura diferente do comandante oficial, se bem que o volante Serginho costuma fazer a função de terceiro zagueiro em determinados momentos da equipe principal.

Na estreia da Copa do Brasil, com Neto Moura, Everton Felipe, Páscoa, Maicon e Luís Gustavo como nomes conhecidos, havia o objetivo de abrir mão do torneio para disputar a Sul-Americana, numa consequência do bizarro critério de classificação da CBF. Ainda assim, era uma chance de visibilidade, até porque o jogo teve transmissão nacional na Fox, mas o Sport não mostrou qualquer entrosamento, com poucas oportunidades. No segundo tempo, foi vazado duas vezes, com Luís Gustavo falhando duas vezes no primeiro (não mostrou nada até hoje e foi o capitão) e Maicon vacilando no segundo, aos 44 minutos.

A lamentação ficou para a torcida leonina presente, através das confrarias de São Paulo (Leões de Sampa) e Brasília (Leões do Cerrado). Torcedores que moram longe e têm poucas chances de assistir in loco ao Sport. Por isso, bem que a direção poderia levar a partida de volta, em 27 de abril, para algum estádio no interior – com gramado em condições, claro. Evitaria um prejuízo certo na Ilha e promoveria a interiorização. Na volta, também com uma formação alternativa, precisará de apoio para buscar um placar elástico e fisgar a cota de R$ 480 mil, ainda possível com o projeto da Sula. Você aprovaria a mudança?

Copa do Brasil 2016, 1ª fase: Aparecidense-GO 2x0 Sport. Crédito: Williams Aguiar / Sport Club do Recife

Resumo da 9ª rodada do Pernambucano

Pernambucano 2016, 9ª rodada: Náutico 3x0 Central, Sport 0x1 Salgueiro e América 0x0 Santa. Fotos: Rafael Martins (Arena) e Peu Ricardo/Esp. Dp (jogos na Ilha), ambos do DP

A penúltima rodada do hexagonal do título do Estadual começou em 26 de março, com o insosso empate entre América e Santa na Ilha (1.158 pessoas), seguindo no dia seguinte com a vitória do Salgueiro sobre o Sport, no mesmo local (com 4.370 espectadores), e só acabou no dia 3 de abril, com o tranquilo triunfo do Náutico sobre o Central, na Arena Pernambuco (com 4.014 torcedores). A uma rodada do desfecho da fase, restam duas disputa: pela liderança (Timbu ou Carcará) e a mais importante, pela quarta vaga (Santa ou Mequinha). O Leão está no “limbo”, com a terceira colocação confirmada.

Hoje, as semifinais de 2016 seriam Náutico x Santa Cruz e Salgueiro x Sport.

Em 27 jogos nesta fase do #PE2016 saíram 56 gols, com média de 2,33. Em relação à artilharia, que a FPF considera apenas os dados do hexagonal e o mata-mata, o zagueiro Ronaldo Alves, do Náutico, lidera com 5 gols.

América 0 x 0 Santa Cruz – Um jogo fraco, de poucas emoções, mas que valia muito. Melhor para o Mequinha, que se manteve vivo, de forma surpreendente.

Sport 0 x 1 Salgueiro – Falcão bancou o time titular e acabou vaiado, após uam atuação apática, com mais uma derrota para o novo carrasco, o Carcará.

Náutico 3 x 0 Central – O resultado era esperado. Tanto que Dal Pozzo poupou até o goleiro titular. O descontrole dos alvinegros só facilitou a situação.

Destaque: Daniel Morais. Perdeu a vaga no começo da competição, mas voltou, marcou no Clássico das Emoções e anotou mais dois contra a Patativa

Carcaça: Grafite. O centroavante perdeu duas chances incríveis, na pequena área, colaborando para o tropeço, que deixou a vaga coral ameaçada.

Próxima rodada
10/04 (16h00) – Santa Cruz x Sport, Arruda
10/04 (16h00) – Salgueiro x Náutico, Cornélio de Barros
10/05 (16h00) – Central x América, Lacerdão

A classificação atualizada do hexagonal do título após a 9ª rodada.

A classificação do hexagonal do título do Pernambucano 2016 após 9 rodadas. Crédito: Superesportes

Com a Ilha pulsando, Sport elimina o CRB

Copa do Nordeste 2016, quartas de final: Sport 1x0 CRB. Foto: Williams Aguiar/Sport

A apresentação não foi a de um time com cara de campeão. A atmosfera, sim. Barateando os ingressos e entendendo a importância da pressão das arquibancadas, a direção do Sport teve uma resposta à altura. Esqueça o borderô, que apontou 21 mil espectadores, pois é cada vez mais difícil levar a sério os números em dias de lotação. A Ilha do Retiro estava cheia, pulsando. E como esse cenário fazia falta! Ao time e ao próprio torcedor, que se motiva ao ver os seus a caminho do mesmo lugar, consciente da missão a cumprir.

O jogo seria complicado, mas a tal missão não parecia a mais difícil da história do clube. Vencer o CRB pelo placar mínimo, em casa, é um resultado bem acessível, com todo respeito. Se em Maceió o Leão oscilou com bom futebol no primeiro tempo e apatia no segundo, no Recife a atuação foi “regular” nos noventa minutos, com muita raça e pouca imposição tática. No meio-campo, o volante Rithely, comemorando 250 jogos com a camisa rubro-negra, foi um gigante, desarmando, se movimentando e arriscando passes verticais. Ao seu lado, Serginho destoou demais, o que não virou um grande problema pois o alvirrubro alagoano veio disposto a se defender. Quase não se arriscou.

Copa do Nordeste 2016, quartas de final: Sport 1x0 CRB. Foto: Ricardo Fernandes/DP

Enquanto isso, o Sport cansou de fazer ligação direta, mesmo com Diego Souza em campo. Danilo Fernandes saía jogando com um zagueiro (Durval ou Henriquez) e o beque mandava um lançamento, cortado facilmente pela zaga adversária. Não sei exatamente o que Falcão pretende com isso, mas é algo recorrente e sem tanta eficácia. Tocando a bola, a diferença na qualidade técnica poderia aparecer mais. Porém, por mais que tentasse, mal conseguia entrar na área, desperdiçando as poucas chances, através de Vinícius Araújo.

O tempo foi passando e o apoio da torcida ficou ameaçado de virar apreensão. Não chegou a tanto. Aos 28 da segunda etapa, Renê recebeu um ótimo passe de DS87 e definiu a vitória, 1 x 0. A reação do time de Mazola foi mínima, até porque passara o sábado fazendo uma cera miserável, num estilo “copeiro” que quase deu certo. Só restou a bola alçada para Neto Baiano, sem convicção, sem sucesso. Uma Ilha já vibrante festejou o apito final, com a terceira classificação seguida à semifinal do Nordestão, garantindo uma cota acumulada de R$ 1,38 milhão nesta edição. Com a Ilha assim, o Sport vai por mais.

Copa do Nordeste 2016, quartas de final: Sport 1x0 CRB. Foto: Ricardo Fernandes/DP

Após intervalo, Falcão leva nó tático de Mazola e Sport perde do CRB no Rei Pelé

Copa do Nordeste 2016, quartas de final: CRB 2x1 Sport. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

O Sport fez um bom primeiro tempo no Rei Pelé, jogando bastante no campo adversário, rondando o gol. Com dois minutos o estreante Diego Souza já havia deixado Lenis livre. Com sete, o time já havia cobrado quatro escanteios. A pressão continuou e… o CRB abriu o placar, aos 11. Começou numa falha de Luis Gustavo, que não evitou o cruzamento, e culminou com Henriquez bobeando no corte de cabeça e no rebote. Mesmo assim, o Leão manteve a intensidade e empatou num golaço de Lenis (que destoava até ali, é verdade).

O cenário era favorável. Até o nó tático de Mazola, cuja lembrança na Ilha, acesso de 2011 à parte, não é das melhores. O treinador mudou o time alagoano, fechando a marcação, bem atrás da linha da bola, e “oferecendo” a posse ao Sport, à espera de um erro. Afinal, o time de Falcão, seja lá a situação de perigo, só sai tocando. Levando em conta a noite infeliz da dupla de zaga (como Durval fez falta!) e a marcação à distância de Renê, cujo setor foi um propulsor de bolas alçadas, uma hora haveria o vacilo.

Copa do Nordeste 2016, quartas de final: CRB 2x1 Sport. Foto: ITAWI ALBUQUERQUE/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Dito e feito, com Somália fazendo 2 x 1 aos 22 minutos da etapa final. E poderia ter feito uma vantagem maior, pois Danilo Fernandes salvou uma vez e outros cruzamentos levaram perigo, fora os contragolpes impedidos por poucos centímetros. Do outro lado, uma queda de produção incrível (e visível). Falcão só mexeu na reta final, acionando Maicon e Luis Antônio.

O primeiro deveria dar mais profundidade (funcionou uma vez) e o segundo tinha que corrigir um meio-campo sem pegada, desde a entrada de Fábio – no lugar de Gabriel Xavier, machucado. Não adiantou muito. O próprio Diego pouco fez, saindo dos seus pés a maior chance, aos 45, acertando a trave. Com o revés em Maceió, o Sport está obrigado a ganhar sábado, na Ilha, para avançar à semi do Nordestão. Mazola não parece disposto a deixar isso acontecer…

Copa do Nordeste 2016, quartas de final: CRB 2x1 Sport. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife