O mata-mata da Série A2, com o caminho até a taça e a vaga na elite pernambucana

O mata-mata da 2ª divisão do Campeonato Pernambucano de 2017. Arte: Cassio Zirpoli/DP

Está definido o caminho para a última vaga no Campeonato Pernambucano de 2018, que terá onze participantes e um novo regulamento.

Na rota do acesso, foram 40 jogos na primeira fase da Série A2 de 2017, passando oito dos dez times. Sobraram apenas Ferroviário do Cabo e Chã Grande. A partir de agora, cruzamento olímpico entre os dois grupos, com 1A x 4B, 2A x 3B, 1B x 4A e 2B x 3A – classificação abaixo. Portanto, quartas, semi e final, em ida e volta, com jogos de 25 de outubro até 12 de novembro.

Cabense x Porto, Vera Cruz x Sete, Pesqueira x Centro e Decisão x Íbis.

Qual o confronto mais equilibrado? E o mais fácil? Na torcida por qual time?

A grande surpresa da fase classificatória, sem dúvida, foi o Íbis, que chegou a ficar seis jogos invicto, a sua maior sequência. Também seguem na disputa nomes tradicionais como Porto, vice-campeão estadual em 1997 e 1998, e Sete de Setembro de Garanhuns, com o segundo maior estádio particular do interior. Outra curiosidade envolve outro time conhecido do futebol local. O centenário alvirrubro de Limoeiro avançou sem vencer um jogo sequer.

Como a FPF decidiu reduzir o número de clubes na primeira divisão, apenas o campeão irá obter a vaga na elite, ao contrário do que ocorria desde 1995, com dois promovidos. O esquema deve se manter na próxima temporada (caindo 2 e subindo 1), com o Estadual voltando a ter dez times em 2019.

A tabela básica do mata-mata da Segundona de 2017
Quartas de final: 25/10 (quarta, ida) e 29/10 (domingo, volta)
Semifinal: 01/11 (quarta, ida) e 05/11 (domingo, volta)
Final: 08/11 (quarta, ida) e 12/11 (domingo, volta)

A classificação final da 1ª fase da Série A2 do Estadual 2017. Crédito: FPF/site oficial (reprodução)

Após 312 dias, o Íbis volta a perder. A sequência recorde durou 6 jogos oficiais

Pernambucano 2017, Série A2: Íbis 0 x 2 Cabense. Foto: Íbis/twitter (@ibismania)

Demorou além da conta, mas o Íbis voltou a sentir o gostinho da derrota, inerente à sua história. Afinal, a Cabense impôs o 639º revés do pássaro preto desde a sua fundação. Isso corresponde a 68,2% de todas as apresentações oficiais do clube. Um scout digno do “Pior time do Mundo”, ao contrário da marcante invencibilidade construída nesta temporada.

Após a derrota de virada no jogo de volta das quartas de final da Série A2 do Estadual de 2016, quando foi eliminado pelo Flamengo, a equipe principal do Íbis só voltou aos gramados em 10 de setembro de 2017, num amistoso com o Ipojuca, valendo a Taça Mauro Shampoo. Após o empate sem gols, veio o calendário oficial, com a maior série invicta já registrada pelo clube. Com quatro vitórias e dois empates, conseguiu a classificação antecipada às quartas da segundona local, onde busca o acesso após 18 anos.

Porém, esbanjando confiança (ou não), o time acabou perdendo da Cabense no Ademir Cunha. Ou seja, sofreu a primeira derrota após incríveis 312 dias! Esse time do Íbis já está na história, às avessas. Para ir de encontro a tudo o que o clube representa, basta subir… Afinal, apenas o campeão garante vaga.

A maior série invicta do Íbis (4v-2e-0d) e as últimas derrotas na A2

07/12/2016 – Íbis 1 x 2 Flamengo de Arcoverde (fora)

17/09/2017 – Íbis 1 x 0 Vera Cruz (casa)
20/09/2017 – Íbis 2 x 1 Cabense (fora)
24/09/2017 – Íbis 1 x 0 Ferroviário do Cabo (fora)
01/10/2017 – Íbis 0 x 0 Centro Limoeirense (casa)
04/10/2017 – Íbis 1 x 0 Centro Limoeirense (fora)
12/10/2017 – Íbis 0 x 0 Ferroviário do Cabo (casa)

15/10/2017 – Íbis 0 x 2 Cabense (casa)

Jogos oficiais do Íbis (1ª e 2ª divisões do Estadual)*

936 jogos
139 vitórias
158 empates
639 derrotas
747 gols marcados
2.483 gols sofridos
-1.736 de saldo
* Até a 9ª rodada da Série A2 de 2017

Pernambucano 2017, Série A2: Íbis 0 x 2 Cabense. Foto: Íbis/twitter (@ibismania)

Íbis chega a 5 jogos de invencibilidade e estabelece a maior sequência da história

Pernambucano 2017, Série A2: Centro Limoeirense 0 x 1 Íbis. Foto: Genival Paparazzi/Íbis (cortesia)

Para um clube que já ficou 55 jogos sem vencer uma vez sequer, durante quase quatro anos, a arrancada na 2ª divisão do Campeonato Pernambucano de 2017 beira o inacreditável. Há décadas escorado na imagem de “Pior Time do Mundo”, o Íbis foi contra a sua história. Ao vencer o Centro Limoeirense, com um gol de pênalti de Thiago Recife, o clube chegou a cinco jogos de invencibilidade e estabeleceu a melhor sequência de sua história quase octogenária. Até então, já havia passado quatro partidas sem perder, sendo a última vez há 15 anos. Num levantamento a partir dos jogos oficiais, a peleja no estádio José Vareda foi a 934ª, com a 139ª vitória do pássaro preto, o que corresponde a apenas 14,8% de sucesso nas apresentações.

Os cinco jogos desta sequência, com quatro triunfos, ocorreram num intervalo de 18 dias. Líder do grupo A, o Íbis já está classificado às quartas – 4 de 5 avançam. Logo, o clube começa a imaginar um acesso à elite, feito alcançado pela última vez em 1999. Ali, subiu como vice. Desta vez, só há uma vaga. Ou seja, para subir, esse Íbis terá que ser campeão… Aí já é abusar da fama.

2017 (5 jogos invicto; 4 vitórias e 1 empate na Série A2)
17/09 – Íbis 1 x 0 Vera Cruz
20/09 – Cabense 1 x 2 Íbis
24/09 – Ferroviário do Cabo 0 x 1 Íbis
01/10 – Íbis 0 x 0 Centro Limoeirense
04/10 – Centro Limoeirense 0 x 1 Íbis 

2002 (4 jogos invicto; 2 vitórias e 2 empates na Série A2)
07/04 – Íbis 0 x 0 Barreiros
14/04 – Íbis 1 x 1 Cabense
21/04 – Íbis 5 x 2 Ferroviário do Cabo
08/05 – Surubim 0 x 2 Íbis

1999 (4 jogos invicto; 2 vitórias e 2 empates na Série A2)
31/03 – Ferroviário do Recife 1 x 2 Íbis
03/04 – Cabense 0 x 0 Íbis
11/04 – Íbis 3 x 2 Cabense
18/04 – América 3 x 3 Íbis

1997 (4 jogos invicto; 3 vitórias e 1 empate na Série A2)
05/04 – Íbis 3 x 0 Ferroviário do Recife
13/04 – Íbis 2 x 1 Decisão
20/04 – Íbis 2 x 1 Ferroviário de Serra Talhada
27/04 – Íbis 1 x 1 Petrolândia

Jogos oficiais do Íbis (1ª e 2ª divisões do Estadual)*
934 jogos
139 vitórias
157 empates
638 derrotas
747 gols marcados
2.481 gols sofridos
-1.734 de saldo
* Até a 5ª rodada da Série A2 de 2017

Pernambucano Série A2 de 2017, 1ª fase: Centro Limoeirense 0 x 1 Íbis. Foto: Íbis/twitter (@ibismania)

Transmissão ao vivo de um jogo do Íbis

Transmissão online de Ferroviário do Cabo 0 x 1 Íbis. Crédito: FPF/reprodução

Com uma arrancada surpreendente na Série A2 do Estadual, vencendo nas duas primeiras rodadas, o Íbis seguiria a tabela contra o Ferroviário do Cabo, no estádio Gileno de Carli. Jogo de portões fechados, por falta de laudos técnicos, mas “à disposição” do público. Em caráter experimental, a FPF iniciou a transmissão online do torneio – começou na véspera, com o Clássico das Multidões pelo Pernambucano Sub 20, paralelamente à segundona.

Esse modelo de transmissão é uma parceria da federação com o site mycujoo, especializado em streaming de partidas de futebol e que já realizou trabalho semelhante na Copa São Paulo de Juniores. A ideia local é exibir os principais jogos de todas as categorias à parte da primeira divisão profissional, cujos direitos de transmissão já estão negociados com a Rede Globo até 2018.

Portanto, assista ao Pior Time do Mundo… Na tevê? Oportunidade rara.

Atualização: o Íbis venceu a terceira seguida e segue líder do grupo A.

Íbis volta a vencer após 2 anos e reduz o histórico saldo negativo para -1.737 gols

Pernambucano 2017, Série A2: Íbis 1 x 0 Vera Cruz. Foto: Ibismania/twitter (@ibismania)

O Íbis não vencia uma partida oficial há dois anos. Ou, precisamente, há 732 dias. No período, sempre disputando a segunda divisão pernambucana, foram 13 jogos, com quatro empates e nove derrotas, até a suada vitória sobre o Vera Cruz, no Ademir Cunha. Tiago Mancha marcou aos 8 minutos do primeiro tempo e decretou a estreia positiva do pássaro preto na edição de 2017.

Em 79 anos de história, trata-se de uma raridade no futebol. Somando os 63 torneios oficiais disputadas pelo clube, sendo 43 na 1ª divisão e 20 na 2ª divisão, o triunfo em Paulista foi apenas o 136º. Até hoje, ganhou apenas 14% de seus jogos. Mesmo com o cartel escasso, o Íbis já venceu o Trio de Ferro.

Os maiores jejuns do ‘Pior Time do Mundo’

1.428 dias (entre 20 de julho de 1980 e 17 de junho de 1984)
55 jogos, com 7 empates e 48 derrotas

1.517 dias (entre 5 de junho de 2008 a 1º de agosto de 2012)
29 jogos, com 7 empates e 22 derrotas

Íbis na 1ª divisão (43 participações, 1946-2000)
678 jogos
83 vitórias
91 empates
504 derrotas
507 gols marcados
1.995 gols sofridos
-1.488 de saldo

Íbis na 2ª divisão (20 participações, 1977-2017)*
252 jogos
53 vitórias
65 empates
134 derrotas
236 gols marcados
485 gols sofridos
-249 de saldo

Jogos oficiais do Íbis (1ª e 2ª divisões)*
930 jogos
136 vitórias
156 empates
638 derrotas
743 gols marcados
2.480 gols sofridos
-1.737 de saldo
* Até a estreia na Série A2 de 2017

No histórico do Íbis é necessário fazer algumas ponderações. Além dos três resultados “possíveis”, com vitórias, empates e derrotas, o clube conta com situações incomuns. Ao todo, 17 jogos tiveram outras características: 8 sem placar conhecido, 3 cancelados, 2 W.O. a favor e 4 W.O. contra.

Pernambucano 2017, Série A2: Íbis 1 x 0 Vera Cruz. Foto: Ibismania/twitter (@ibismania)

Taça Mauro Shampoo acaba na decisão por pênaltis, sem cobranças. E Íbis vice

Taça Mauro Shampoo 2017: Íbis 0 x 0 Ipojuca. Foto: Nilsinho Filho/Íbis (@ibismania)

Na preparação para a Série A2 de 2017, o Íbis resolveu criar a sua própria copa amistosa, como os gigantes espanhóis e como os grandes clubes pernambucanos. Em todos os casos, o homenageado tinha uma ligação forte com o respectivo clube. Portanto, seria difícil imaginar outro nome que não fosse o de Mauro Shamppo, mito da campanha que levou o time ao Guinness Book, com o ainda insuperável jejum de 55 jogos entre 1980 e 1984.

O convidado para a primeira edição da “Taça Mauro Shampoo” foi o Ipojuca Atlético Clube, que disputou a segundona estadual em 2012 e 2015. Neste ano, não se inscreveu. O palco utilizado foi o inacabado Grito da República, em Olinda, apesar de o estádio selecionado pelo pássaro preto para a competição de acesso ter sido o Ademir Cunha. Mesmo chegando à marca de 500 sócios, a turma não chegou junto, com apenas 67 torcedores presentes.

Em campo, 0 x 0. Naturalmente, a disputa previa um desempate através das penalidades, mas o visitante negou-se a bater. Possivelmente, lembrou de um passado remoto, com a taça de cortesia ao convidado em caso de empate. Embora não tenha sido por este motivo – mas sim pela irritação sobre os três gols anulados por impedimento – , o Íbis entregou o troféu de campeão ao Ipojuca e ficou com o de vice. Se é para perder, que seja com elegância…

Troféu Joan Gamper – Barcelona (52 edições desde 1966)
Troféu Santiago Bernabéu – Real Madrid (38 edições desde 1979) 

Taça Ariano Suassuna – Sport (3 edições desde 2015)
Taça Chico Science – Santa Cruz (2 edições desde 2015) 

Taça Mauro Shampoo – Íbis (1 edição desde 2017)

Taça Mauro Shampoo 2017: Íbis 0 x 0 Ipojuca. Foto: Nilsinho Filho/Íbis (@ibismania)

Íbis consegue 500 sócios em 1 mês, no embalo da pior marca e do menor plano

Carteira de sócio do Íbis em 2017

Com quase 80 anos de história, o Íbis não contava com quadro social. No máximo, colabores a partir da simpatia pela aura perdedora do pior time do mundo. Sem perder a essência, mas tentando criar um laço maior com os admiradores, o clube criou uma campanha de sócios com mensalidade de R$ 2, a menor cédula brasileira. Não existe plano mais barato no futebol do país.

Somando adeptos através de depósitos bancários e com campanha na rua via Mauro Shampoo, o pássaro preto conseguiu 500 sócios no primeiro mês – um torcedor quitou 50 meses de uma vez, pagando R$ 100. Todas as pessoas, várias fora de Pernambuco, foram cadastradas com e-mail, recebendo uma carteirinha virtual – a versão física ‘inviabilizaria’ a mensalidade. O blog entrou na onda, com a carteira de sócio colaborador de nº 29. Adimplente.

Através do CNPJ de número 10.510.303-07, o torcedor pode pagar as suas mensalidades em duas contas abertas pelo clube.

Banco do Nordeste, agência 00237, conta corrente 0552-2
Caixa Econômica Federal, agência 0917, conta corrente 4827-5

Depois, o pagamento precisa ser informado no e-mail ibissocio@gmail.com.

Em campo, o 5º clube com mais sócios no estado (após Sport, Santa Cruz, Náutico e Salgueiro) encara a Série A2. Em 2017, apenas o campeão será promovido. Não parece ser a sina deste Íbis, cada vez mais popular…

Carteira de sócio do Íbis em 2017

Os dez clubes na disputa por apenas uma vaga na 1ª divisão do Pernambucano 2018

Os clubes da Série A2 de 2017. Grupo A: Cabense, Centro, Ferroviário do Cabo, Íbis e Vera Cruz; Grupo B: Chã Grande, Decisão, Pesqueira, Porto e Sete de Setembro. Montagem: Cassio Zirpoli/DP

A segunda divisão do Campeonato Pernambucano de 2017 terá apenas 54 jogos, entre setembro e novembro. Desde 1995, a competição sempre promoveu os dois primeiros colocados, mas desta vez apenas o campeão alcançará o acesso à elite. A medida visa a redução gradativa no número de participantes da primeira divisão, que em 2018 já terá onze times.

Confira a tabela da segundona, a partir de 17 de setembro, clicando aqui.

Pela o regulamento, os dez participantes foram divididos em dois grupos, A (Cabense, Centro, Ferroviário, Íbis e Vera Cruz) e B (Chã Grande, Decisão, Pesqueira, Porto e Sete), jogando dentro das chaves em ida e volta. Ao todo, oito partidas para cada. Os quatro melhores de cada grupo avançam para o mata-mata, com quartas de final, semifinal e final em jogos de ida e volta. Ou seja, 14 partidas de mata-mata, dando alguma emoção à esvaziada disputa.

Em relação aos estádios, o regulamento determina uma capacidade mínima de 1.000 espectadores. Entre os palcos liberados pela FPF, apenas Ademir Cunha e Carneirão atenderiam à capacidade para o mata-mata da elite. Porém, precisariam passar por uma vistoria mais detalhada sobre o gramado.

Lista de participantes (cidade), estádios e capacidade
Associação Desportiva Cabense (Cabo) – Gileno de Carli, 5.459
Centro Limoeirense de Futebol (Limoeiro) – José Vareda, 5.000
Chã Grande Futebol Clube (Chã Grande) – Barbosão, 3.400
Sociedade Esportiva Decisão Futebol Clube (Bonito) – Arthur Tavares, 4.000
Ferroviário Esporte Clube do Cabo (Cabo) – Gileno de Carli, 5.459
Íbis Sport Club (Paulista) – Ademir Cuna, 12.000
Pesqueira Futebol Clube (Pesqueira) – Joaquim de Brito, 1.800
Clube Atlético do Porto (Caruaru) – Antônio Inácio, 6.000
Sete de Setembro Esporte Clube (Garanhuns) – Gigante do Agreste, 6.356
Vera Cruz Futebol Clube (Vitória de Santo Antão) – Carneirão, 10.911 

Distâncias nas estradas a partir do Recife
17 km – Paulista (Grande Recife)
35 km – Cabo de Santo Agostinho (Grande Recife)
53 km – Vitória de Santo Antão (Zona da Mata)
82 km – Limoeiro (Agreste)
84 km – Chã Grande (Zona da Mata)
135 km – Caruaru (Agreste)
141 km – Bonito (Agreste)
220 km – Pesqueira (Agreste)
231 km – Garanhuns (Agreste)

Na sua opinião, quem é o favorito para o título da Série A2?

Reunião para a Série A2 do Pernambucano 2017. Foto: FPF/divulgação

FPF implanta sistema mundial contra a manipulação de resultados no futebol

Reprodução do Sistema de Detecção de Fraudes (FDS), da Sportradar. Crédito: integrity.sportradar.com

Já está em operação no futebol pernambucano um sistema de detecção de fraudes (com a sigla em inglês FDS), produzido pela Sportradar, empresa internacional especializada em “prevenção de manipulação de resultados”. Além de Pernambuco, a federação paulista também já havia contratado o serviço, cujo relatório obtido pelo globoesporte.com, de julho de 2016, apontava que o “futebol no Brasil está ameaçado por fraudes” - não por acaso, já houve um caso confirmado, no Brasileirão de 2005 (com 11 jogos anulados). E a questão vai além dos clássicos (como seria no Recife, envolvendo Náutico, Santa e Sport), uma vez que, hoje, praticamente todas as partidas profissionais estão sujeitas a apostas online, até a 2ª divisão pernambucana, pioneira local no sistema.

O Fraud Detection System, agora a serviço da própria Fifa, foi criado em 2005, passando por atualizações. Atualmente, é monitorado por 550 operadoras de apostas e até lotéricas não regulamentadas (caso do Brasil). Os três escritórios do FDS, em Londres (Inglaterra), Manila (Filipinas) e Sydney (Austrália), recebem dados de cinco mil jornalistas e 275 pesquisadores freelancers

Alertas de fraude no futebol, segundo o FDS:

1) O sistema contém 44 alertas no pré-jogo, baseados nas movimentações de apostas, detectando padrões incomuns tanto no número de jogos feitos quanto no dinheiro injetado. O cenário fora da curva sugere manipulação.

2) Durante o jogo existem 25 alertas, a partir de um modelo matemático que permite um monitoramento minuto a minuto. Segue a mesma lógica de ações fora do padrão – independentemente do local da partida e da aposta realizada. 

Por dia, são processados cinco bilhões (5.000.000.000!) de dados, já anexados ao histórico das competições, dos times e dos atletas (imagens). Pois então imagine isso em escala anual, com mais de 160 mil partidas supervisionadas.

Vamos a um jogo de pequeno porte realizado no estado no período:

Como foi possível monitorar Íbis 2 x 4 Vera Cruz, na abertura na Série A2 de 2016? Através de uma análise enxuta. Nada de apostas específicas como “o próximo escanteio será do Íbis”, mas, sim, a partir do histórico de resultados. Uma vitória do Vera Cruz como visitante surpreenderia? Não, devido ao péssimo retrospecto do Pássaro Preto. Logo, por que alguém apostaria R$ 100 mil (por exemplo) na vitória do Íbis? Provavelmente, o alerta teria sido acionado.

Até o momento (cinco meses), nenhum alerta no futebol pernambucano…

Reprodução do Sistema de Detecção de Fraudes (FDS), da Sportradar. Crédito: integrity.sportradar.com

Redesenho dos escudos de Santa, Sport, América e Íbis. Releitura ou tradição?

Evolução dos escudos da Juventus de Turim

A mudança radical no escudo da Juventus, agora restrito à letra “J” em duas grafias, é o resultado de dois anos de criação, com diversos modelos e objetivos de mercado imaginados. Por fim, o presidente do clube italiano, Andrea Agnelli, justificou a escolha como uma evolução da linguagem para atingir novos públicos. Na Inglaterra, Manchester City e West Ham também apresentaram redesenhos de seus escudos. Considerando a evolução dos escudos da Juve (acima), será que a ideia funciona junto à base tradicional da torcida?

A discussão é grande e se estende até o Recife. Não faz muito tempo, os três grandes clubes tiveram projetos em suas mesas para a releitura dos distintivos. Entre 2007 e 2011, a Módulo Design criou modelos para Náutico, Santa e Sport. Começou no alvirrubro, uma vez que um dos criadores, Roberto Varela, também era vice-presidente de marketing do clube. Ao lado de Daniel Dobbin, o trabalho resultou no atual modelo usado pelo clube, com a explicação no livro Construindo Marcas, uma compilação de 25 anos de trabalho da empresa.

“O redesenho do escudo de clube é algo muito completo porque o torcedor geralmente é muito passional. Mexer com isso sempre requer muita pesquisa. Começamos por retirar Náutico de dentro do escudo, pois a palavra só tinha sido usada na última versão. Tiramos partido das listrar flamulantes da bandeira e criamos um campo na parte de baixo, onde inserimos 1901, ano da fundação do clube. Ainda deixamos as seis estrelas relativas ao Hexa, pois sabíamos de sua importância para muitos torcedores” 

Após a aprovação pelo conselho deliberativo timbu, no fim de 2008, a criação focou rivais e em clubes periféricos da capital. A seguir, outro trecho.

“Após o redesign do escudo do Náutico em 2008, graças ao nosso bom relacionamento com os demais clubes do estados, fizemos primeiro uma proposta para o Santa Cruz, que iria completar 100 anos e também tinha problemas em seu escudo, e depois para o Sport, que também term dificuldades de reprodução. Em ambos os casos, os dirigentes não tiveram como implantar, pois aprovar esses redesenhos junto aos conselheiros é sempre muito complicado. Já os redesenhos do Íbis e do América foram feitos para uma empresa de marketing esportivo que depois se desligou dos dois clubes e não teve mais como implantá-los.” 

No tricolor, houve uma mudança, mas sem relação com a Módulo Design, com a retirada das oito estrelas (tri-super e pentacampeonato). Já no rubro-negro, o assunto chegou a ser discutido internamente em 2011, na gestão de Gustavo Dubeux. A versão atual data de 2008, após a conquista da Copa do Brasil, com a inclusão da segunda estrela dourada e a redução da prateada.

Confira a evolução dos escudos do Trio de Ferro clicando aqui.

Abaixo, todas versões criadas pela Módulo Design e apresentadas a Santa Cruz, Sport, América e Íbis. Gostou de alguma?

Obs. O blog já entrou em contato para ter as versões do Náutico, de 2007.

Santa – Variações do modelo atual, incluindo ondulações, e mudanças na fonte e na cor do acrônimo SCFC. Sobre o amarelo, era tradição nos anos 70 e 80.

Projetos para um redesenho do distintivo do Santa Cruz. Crédito: livro "Construindo Marcas", de Marcos Daniel Dobbin e Roberto Varela

Sport – O leão se mantém no escudo, mas com várias mudanças no número de listras. Das sete atuais, o número cairia para até 2. A sigla SCR também poderia sair das mãos do leão (aliás, havia dois modelos de leões).

Projetos para um redesenho do distintivo do Sport. Crédito: livro "Construindo Marcas", de Marcos Daniel Dobbin e Roberto Varela

América – Uma modernização sobre um escudo que não era modificado há décadas. Dos traços simples para uma leitura mais arrojada. A versão com o 1914 embaixo do AFC acabou usada no ano do centenário, em 2014.

Projetos para um redesenho do distintivo do América. Crédito: livro "Construindo Marcas", de Marcos Daniel Dobbin e Roberto Varela

Íbis – O pássaro preto seguiria quase sem retoques, com mais presença da cor preta. Em dois casos, até mesmo a inclusão do branco.

Projetos para um redesenho do distintivo do Íbis. Crédito: livro "Construindo Marcas", de Marcos Daniel Dobbin e Roberto Varela