Dez anos depois, Nelsinho Baptista inicia um novo trabalho no Sport. Com lastro?

Nelsinho Baptista durante a sua passagem no Vissel Kobe, do Japão, em 2017. Foto: Vissel Kobe/twitter

Nelsinho Baptista deixou o comando do Sport em 28 de maio de 2009, duas semanas após a eliminação nas oitavas de final da Taça Libertadores. Na época, o time vivia uma intensa crise técnica (e psicológica) que não seria sanada por nenhum treinador no Brasileirão. Encerrou ali uma vitoriosa passagem de um ano e meio, com destaque naturalmente para a segunda estrela dourada do clube, via 4-4-2. O experiente treinador acabou retomando o trabalho no Japão, onde ficou por quase uma década, entre o Kashiwa Reysol (2009-2014) e o Vissel Kobe (2015-2017). Até finalmente aceitar, após alguns convites nesse tempo todo, o retorno à Ilha. Aos 67 anos, chega ao rubro-negro novamente sob desconfiança. Mas sob uma ótica bem diferente.

Se em 2008 carregava o recente rebaixamento do Corinthians, para 2018 traz o peso do título da Copa do Brasil pelo próprio Sport. Portanto, o que pesa é o tempo fora do país, num mercado tecnicamente inferior. Demanda uma resposta sobre tática e preparação, embora Nelsinho pareça calejado para desafios do tipo. Então, que a direção leonina saiba administrar cenários adversos de forma mais profissional que aquela em 2009. E que Nelsinho não seja apenas outro escudo para o comando de futebol, como Oswaldo de Oliveira e Luxemburgo. Por sinal, ele chega com o clube devendo salários, o que não acontecia desde 2005! O trabalho já inicia no controle do vestiário.

Rubro-negro, o que você achou do retorno de Nelsinho Baptista?

Nelsinho no Sport
105 jogos (de 10/12/2007 a 28/05/2009)
60 vitórias
22 empates
23 derrotas
64,1% de aproveitamento
3 títulos: 2 Estaduais (2008/2009) e 1 Copa do Brasil (2008)

Competições em 2018: Estadual, Copa do Brasil e Série A*
* Caso o Flamengo conquista a Sul-Americana, o leão herdaria a vaga

Coragem para a vassourada. Competência para os reforços?

Vassoura

Oportunidades para um marco zero no futebol são raras. Valem até uma reflexão.

Eis, então, um exemplo genuinamente pernambucano…

Doze dispensas em um dia.

Em quase todas, os contratos dos jogadores seriam encerrados já no fim deste ano.

Ou seja, não houve o interesse pela prorrogação do vínculo.

Em alguns, por sinal, seria necessário renovar o empréstimo junto a outros clubes.

Pagando caro por isso. Menos um motivo para estender o acordo.

Tratando a motivação da lista exclusivamente pelo “critério técnico”, o Sport fez, nesta sexta-feira, uma das maiores vassouradas da história do clube.

A saída dos nomes ocorreu durante todo o dia. De cara, dez atletas. Depois, mais dois.

Nomes de peso no grupo, como Wellington Saci, Maylson, Robston, Gabriel e até o autor do gol do acesso, Bruno Mineiro. Nenhum deles, no entanto, se firmou.

Isso é a pauta do dia do Leão. Mas é, também, a pauta do ano na Ilha do Retiro.

Enfim, o Rubro-negro irá reformular o seu elenco, desgastado após três anos sem padrão de jogo. A classificação à Série A não apagou a campanha irregular na competição.

A instência no mesmo grupo se tornava cada vez mais um erro de planejamento.

Passaram no período treinadores como Nelsinho Batista, Leão, Péricles Chamusca, Givanildo Oliveira, Geninho, Hélio dos Anjos, PC Gusmão… Todos com algo em comum.

Nenhum deles teve uma chance tão grande de montar um plantel como Mazola Júnior.

Efetivado e com carta branca, o técnico do Sport tem uma responsabilidade gigantesca.

Há espaço de sobra para reforços. O dinheiro pode até não competir com os gigantes do Sudeste, mas também não há aquele liseu. Há caixa e diálogo com o mercado.

Houve coragem para reformular o Sport. Algo vital em momentos tão distintos.

Resta saber, agora, se haverá competência para formar um novo Sport…

Vassoura

Cruz pesada demais para iniciantes

Alex Ferguson, técnico do Manchester United

Muricy Ramalho, 53 anos.
Vanderlei Luxemburgo, 57 anos.
Nelsinho Baptista, 59 anos.
Geninho, 61 anos.

Quatro dos principais técnicos do Brasil. Experientes, ganhadores de títulos nacionais nesta década. Respeitados. Conseguiram isso com décadas de trabalho, agregando conhecimento de todos os campos do Brasil, nas principas divisões, nos principais clubes, nos maiores estados.

Agora, imagine um duelo profissional cuja soma dos dois técnico é de 48 anos. Repito: a soma. Santa Cruz e Vera Cruz dão sequência à Copa Pernambuco, neste domingo, no Arruda. Cada um com uma cruz mais pesada que o outro. No comando dos dois times, Dado Cavalcanti, de 28 anos, e Caio Simões, de 20, respectivamente.

Santa Cruz x Vera Cruz, pela Copa PernambucoO primeiro tem a idade de Romário no auge, em 1994, quando ganhou a Copa. O segundo poderia estar disputando o Mundial de Juniores, no Egito. Mas eles preferem o futebol fora das quatro linhas. Aliás… Em outra área. A área técnica. 8-O

Dado foi o técnico mais novo a ganhar um Estadual, quando ganhou o Rondoniense pela Ulbra. Tinha 24 anos! Já Caio se auto-intitula o mais jovem treinador do país. Filho do técnico Maurício Simões, ele já exercia a função de auxiliar-técnico desde os 17 anos…

Ambos comandam grupos com jogadores mais velhos. No Tricolor do Arruda, o atacante Gaúcho tem 36 anos. No Tricolor de Vitória, praticamente todo o time titular é mais velho. Leia AQUI a matéria completa do Diario sobre o duelo dos jovens treinadores, assinada pelo repórter Rodolfo Bourbon.

Na foto, Sir Alex Ferguson, hoje com 67 anos e técnico do Manchester United desde 1986. Precisa dizer mais!?

105 vezes Nelsinho

Nelsinho Batista não é mais o técnico do Sport. O treinador entregou o cargo na manhã desta quinta-feira. Nelsinho deixa o Leão após 105 partidas no comando do clube.

Nelsinho Batista60 vitórias

22 empates

23 derrotas

64,12% de aproveitamento

E deixa a Ilha do Retiro com os títulos pernambucanos de 2008 e 2009 (invicto), além do inesquecível triunfo na Copa do Brasil do ao passado.

Uma saída costura após a derrota nos pênaltis, nas oitavas-de-final da Libertadores, há apenas 16 dias. De lá pra cá, a equipe não engrenou mais. E na Série A não dá mesmo pra vacilar… O Sport começou o Nacional cumprindo à risca o cronograma da crise.

A passagem de Nelsinho foi uma das mais vitoriosas de um treinador no Sport. Abaixo, um vídeo com a entrevista do DVD “A Reconquista do Brasil”. O tempo 4min35s marca o instante mais feliz da história de Nelsinho no Sport.

Obs. Nelsinho foi o primeiro técnico a deixar um equipe neste Brasileirão…

Foto: site oficial do Sport

Cacique Nelsinho

Nelsinho, no comando do Colo Colo, em 1999No próximo domigno, Colo Colo e Palestino começam a decidir o Torneio Clausura do Chile, cujo campeão estará no grupo do Sport na Libertadores. A primeira partida da final será no estádio Nacional de Santiago (leia mais AQUI).

O técnico leonino, Nelsinho Batista, conhece bem a estrutura de um dos finalistas (e favorito). Ele treinou o Colo Colo em 1999, ano que o time chileno disputou a Taça Libertadores.

O “Cacique”  ficou em 4º lugar o campeonato nacional (que ainda não havia sido desmembrado em duas competições por ano). Na Libertadores de 1999, o Colo Colo se classificou em 2º lugar no grupo 4 (2 vitórias, 2 empates e 2 derrotas).

A equipe da capital foi eliminada nas oitavas-de-final pelos colombianos do Deportivo Cali, que venceram o jogo de ida por 2 x 0. O rival ficou com a vaga após perder por apenas 1 x 0 na partida de volta, em Santiago. O Deportivo, aliás, foi vice-campeão daquela edição, ao cair apenas no pênaltis diante do Palmeiras.

Olha o gás

Nelsinho, atuando no São Paulo nos anos 70

Nelsinho em ação nos anos 70

A participação na Taça Libertadores da América de 2009 vem mexendo com a imaginação dos torcedores rubro-negros, que sonham com uma bela participação. Por isso já se cobra tanto da diretoria uma melhor preparação, assim como o técnico Nelsinho Baptista também questionado direto sobre a montagem do grupo. O comandante leonino, aliás, tem experiência na competição, com três participações, tanto como jogador quanto como técnico. Após vencer a Série A de 1990 pelo Corinthians, o técnico Nelsinho foi eliminado nas oitavas-de-final da Libertadores do ano seguinte. E o algoz? Quem foi? É claro que foi o Boca Juniors, que passou 45 anos sem ser eliminado por um time brasileiro até a semifinal deste ano, contra o Fluminense.

Mas Nelsinho também já foi bem longe na “Liberta” (como os torcedores dos times coperos y peleadores costumam falar). O então lateral-direito do São Paulo na década de 70 participou da Taça Libertadores de 1974. Naquele ano, o Tricolor Paulista chegou à 1ª de suas seis finais disputadas. O São Paulo acabou com o vice-campeonato, perdendo o título para o argentino Independiente (até hoje o maior vencedor, com sete conquistas, sendo a última em 1984). Após uma vitória para cada lado na decisão, “El Rojo” venceu a negra por 1 x 0, em Santiago, no Chile, no dia 19 de outubro (gol de Pavoni).

O ex-lateral Nelsinho (na foto acima) disputou 12 das 13 partidas daquela campanha, e marcou um gol. Mas o que o agora técnico – já com saudade da Libertadores – lembra mesmo daquele ano foi da partida na cidade boliviana de Cochabamba. E foi na veeeelha altitude, com 2.560 metros acima do nível do mar. “Hoje os times se preparam bastante para jogar na altitude. Fazem a aclimatação, chegando dias antes. Ali, a gente já chegou para jogar! Eu me senti com 200 quilos naquele dia. A perna não obedecia ao cérebro. Pelo menos foi 0 x 0″, disse o técnico, lembrando da partida contra o Jorge Wilstermann (sim, esse é o nome do time). A memória do treinador está 95% certa, porque o resultado foi ainda melhor, pois o São Paulo ganhou por 1 x 0, em 14 de abril.

Questionado se apelou para os cilindros de oxigênio extra colocados à beira do gramado, Nelsinho, porém, diz logo que ele não teve problema algum. “Muitos jogadores pediram várias vezes o gás, que estava num botijão pequeno.Mas o meu condicionamento era bom, e não precisei”, falou o técnico, sem esconder a risada. Acredito que Nelsinho tenha se poupado nessa partida…