Os 5.067 jogos do Sport de 1905 a 2017

Números do Sport. Arte: Maria Eugênia Nunes/DP

O Sport disputou o primeiro jogo de futebol da história de Pernambuco, diante de um combinado de trabalhadores ingleses residentes na capital. Um evento social à época. Ao longo de 113 temporadas, o clube tornou-se o mais vitorioso do estado, com números robustos comprovados a partir da pesquisa de Carlos Celso Cordeiro. O blog deu sequência ao levantamento, atualizando o retrospecto geral nas principais competições oficiais, nos âmbitos estadual, regional, nacional e internacional. Entre os dados, a colocação no ranking (quando possível) e o aproveitamento em cada torneio, sempre considerando 3 pontos por vitória, para padronizar o cálculo. Na sequência, o rendimento leonina atuando na Ilha do Retiro, os maiores artilheiros, quem mais vestiu a camisa vermelha e preta e os maiores públicos.

Em 2018: Estadual, Copa do Brasil e Série A.

Do 1º ao 5.067º jogo…
Primeiro:Sport 2 x 2 English Eleven (22/06/1905), no Derby (amistoso)
Último: Sport 1 x 0 Corinthians (03/12/2017), na Ilha do Retiro (Série A)

Ranking Nacional de Clubes da CBF: 15º lugar (8.770 pontos)

Total (competições oficiais e amistosos*) 1905-2017
5.067 jogos (9.418 GP e 5.492 GC, +3.926)
2.625 vitórias (51,8%)
1.192 empates (23,5%)
1.240 derrotas (24,4%)
10 jogos com placar desconhecido
Aproveitamento em pontos: 59,6%

Estadual 1915-2017 (ranking: 1º)
2.211 jogos (4.941 GP e 2.050 GC, +2.891)
1.396 vitórias (63,1%)
435 empates (19,7%)
380 derrotas (17,2%)
101 participações (entre 1916 e 2017)
Melhor campanha: campeão, 41 vezes (entre 1916 e 2017)
Aproveitamento em pontos: 69,6%

Copa do Nordeste 1994-2017 (ranking: 3º)
124 jogos (215 GP e 117 GC, +98)
62 vitórias (50,0%)
33 empates (26,6%)
29 derrotas (23,4%)
12 participações (entre 1994 e 2017)
Melhor campanha: campeão em 1994, 2000 e 2014
Aproveitamento em pontos: 58,8%

Brasileirão unificado 1959-2017
913 jogos (1.068 GP e 1.119 GC, -51)
313 vitórias (34,2%)
255 empates (27,9%)
345 derrotas (37,8%)
39 participações (entre 1959 e 2017)
Melhor campanha: campeão em 1987
Aproveitamento em pontos: 43,6%

Série A 1971-2017 (ranking: 17º)
896 jogos (1.036 GP e 1.100 GC, -64)
305 vitórias (34,0%)
250 empates (27,9%)
341 derrotas (38,0%)
36 participações (entre 1971 e 2017)
Melhor campanha: campeão em 1987
Aproveitamento em pontos: 43,3%

Série B 1971-2017
295 jogos (419 GP e 323 GC, +96)
126 vitórias (42,7%)
84 empates (28,4%)
85 derrotas (28,8%)
11 participações (entre 1980 e 2013)
Melhor campanha: campeão em 1990
Aproveitamento em pontos: 52,2%

Copa do Brasil 1989-2017
112 jogos (180 GPC e 117 GC, +63)
53 vitórias (47,3%)
25 empates (22,3%)
34 derrotas (30,3%)
60 confrontos; 38 classificações e 22 eliminações
23 participações (entre 1989 e 2017)
Melhor campanha: campeão em 2008
Aproveitamento em pontos: 54,7%

Taça Libertadores da América 1960-2017 (ranking oficial: 108º)
14 jogos (18 GP e 14 GC, +4)
7 vitórias (50,0%)
2 empates (14,2%)
5 derrotas (35,7%)
2 participações (1988 e 2009)
Melhor campanha: oitavas de final, em 2009
Aproveitamento em pontos: 54,7%

Copa Sul-Americana 2002-2017
20 jogos (18 GP e 25 GC, -7)
5 vitórias (25,0%)
3 empates (15,0%)
12 derrotas (60,0%)
10 confrontos; 5 classificações e 5 eliminações

5 participações (2013, 2014, 2015, 2016 e 2017)
Melhor campanha: quartas de final, em 2017
Aproveitamento em pontos: 30,0%

Histórico em decisões no Estadual
Sport 12 x 12 Santa Cruz
Sport 11 x 6 Náutico

Sport na Ilha do Retiro* (1937/2017)
2.150 jogos
1.320 vitórias (61,4%)
473 empates (22,0%)
357 derrotas (16,60%)
Aproveitamento em pontos: 68,7%
* Competições oficiais e amistosos

Maiores artilheiros
202 gols – Traçaia
161 gols – Djalma Freitas
136 gols – Leonardo
108 gols – Luís Carlos
105 gols – Naninho

Quem mais atuou
Magrão – 673 jogos

Clássico das Multidões (1916-2017)
556 jogos
231 vitórias do Sport (41,5%)
158 empates (28,4%)
167 vitórias do Santa (30,0%)
Último: Santa 0 x 2 Sport (03/05/2017, Nordestão)

Clássico dos Clássicos (1909-2017)*
548 jogos
210 vitórias do Sport (38,3%)
157 empates (28,6%)
180 vitórias do Náutico (32,8%)
Último: Náutico 1 x 1 Sport (23/04/2017, Estadual)
*Um jogo disputado em 29 de março de 1931, no Torneio Abrigo Terezinha de Jesus, possui resultado desconhecido.

Maiores públicos

Top 5 nos Clássicos
80.203 – Náutico 0 x 2 Sport, no Arruda (Estadual, 15/03/1998)
78.391 – Santa Cruz 1 x 1 Sport, no Arruda (Estadual, 21/02/1999)
75.135 – Santa Cruz 1 x 2 Sport, no Arruda (Estadual, 03/05/1998)
74.280 – Santa Cruz 2 x 0 Sport, no Arruda (Estadual, 18/07/1993)
67.421 – Santa Cruz 0 x 1 Sport, no Arruda (Estadual, 20/05/1990)

Top 5 como mandante contra outros adversários
56.875 – Sport 2 x 0 Porto, na Ilha do Retiro (Estadual, 07/06/1998)
53.033 – Sport 0 x 2 Corinthians, na Ilha do Retiro (Série A, 12/09/1998)
48.564 – Sport 1 x 1 Cruzeiro, na Ilha do Retiro (Série A, 27/09/1998)
48.328 – Sport 5 x 0 Grêmio, na Ilha do Retiro (Série A, 20/09/1998)
46.018 – Sport 1 x 1 Grêmio, na Ilha do Retiro (Série A, 03/12/2000)

Arena PE registra 14% de ocupação em 30 partidas oficiais do Trio de Ferro em 2017

Visão interna da Arena Pernambuco, a partir do anel superior. Foto: Arena Pernambuco/twitter (@arenapernambuco)

A quinta temporada da Arena Pernambuco foi a mais esvaziada em termos de público e renda no futebol, considerando os jogos oficiais dos grandes clubes da capital. Embora tenha recebido o mesmo número de partidas que o ano anterior neste contexto, 30, o borderô contabilizou uma queda de 44 mil torcedores, ou 18% a menos. A taxa de ocupação dos assentos vermelhos expõe de forma clara o cenário, com apenas 14%, reflexo da média de 6.690 – e olhe que o recorde de público, entre clubes, foi batido.

Pela primeira vez o empreendimento foi administrado do começo ao fim do ano pela Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco, que buscou soluções alternativas no entorno para o movimentá-lo (Domingo na Arena, Som na Arena e Arena games), além de eventos religiosos (um deles com 50 mil pessoas). No futebol propriamente dito, no entanto, a conta ficou difícil de fechar. Basta dizer que em 2014, com o Todos com a Nota ainda em execução, o faturamento do estádio foi de 14 milhões de reais, contando apenas o Trio de Ferro, enquanto em 2017 não chegou sequer a 3 milhões,

Nos quatro primeiros anos de operação do estádio em São Lourenço, nas gestões da Odebrecht e do governo, o resultado financeiro foi sempre negativo, com déficit de R$ 29,7 milhões em 2013, de R$ 24,4 milhões em 2014, de R$ 19,0 milhões em 2015 e de R$ 7,0 milhões em 2016. Improvável um quadro diferente no próximo balanço, a ser divulgado em junho.

Neste ano, a Arena Pernambuco registrou o pior público total, a pior média de público, a pior taxa de ocupação, a pior arrecadação, a pior média de renda e o pior tíquete médio. Apenas um dado escapou: número de jogos.

Balanço de público e renda do Trio de Ferro mandando seus jogos na Arena Pernambuco de 2013 a 2017. Quadro: Cassio Zirpoli/DP

A conturbada relação entre Náutico e Arena, mesmo com a gestão pública, resultou no menor calendário anual – desconsiderando 2013, com a operação iniciando em junho. Tanto que o alvirrubro chegou a jogar quadro vezes no Lacerdão, em Caruaru. Se em 2016 o time brigou pelo acesso, com jogos acima de 20 mil pessoas, desta vez a lanterna na Série B derrubou a presença da torcida, pela primeira vez abaixo de 10% de ocupação.

O balanço de público e renda do Náutico mandando seus jogos na Arena PE de 2013 a 2017. Quadro: Cassio Zirpoli/DP

Em junho, o governo do estado anunciou um pacote de 5 jogos com o Santa Cruz, numa sequência disputada na Série B. Foi o maior número de apresentações do clube desde 2014, mas a média de 6.374 torcedores ficou abaixo do dado até então registrado no Arruda – com 10.331 pessoas nos quatro jogos anteriores da competição. O tricolor não quis estender a parceria.

O balanço de público e renda do Santa Cruz mandando seus jogos na Arena PE de 2013 a 2017. Quadro: Cassio Zirpoli/DP

Assim como o rival coral, o Sport também teria firmado um acordo de cinco jogos na arena, mas acabou jogando apenas duas vezes – desconsiderando a Taça Ariano Suassuna, amistosa. Num desses jogos, no revés diante do Palmeiras, em 23 de julho, foi estabelecido o maior público entre clubes: 42.025. Embora a arrecadação tenha sido boa (maior que a soma dos 23 jogos do Náutico), o leão optou por voltar à Ilha por questão técnica.

O balanço de público e renda do Sport mandando seus jogos na Arena PE de 2013 a 2017. Quadro: Cassio Zirpoli/DP

A abaixo, a quantidade de jogos no Recife com mando do Trio de Ferro – os jogos de América, na Ilha (2x) e no Arruda (1x), e Belo Jardim, na Arena (1x), não estão computados. Vale destacar que em 2013 houve o clássico carioca entre Botafogo e Fluminense, com 9.669 pessoas e R$ 368 mil de renda. Por fim, a observação de que em 2015 e 2016 ocorreram jogos de portões fechados na Ilha (1x) e na Arena (1x), também desconsiderados.

Número de jogos oficiais do Trio de Ferro no Recife. Quadro: Cassio Zirpoli/DP

Não é só futebol… Recepção a Abel Braga rende placa da CBF à torcida do Sport

Série A 2017, 18ª rodada: Sport 2 x 2 Fluminense. Imagem: Sportv/reprodução

A torcida do Sport foi lembrada no Prêmio Brasileirão 2017. Durante o evento com os destaques da competição, na sede da CBF, no Rio de janeiro, a torcida do rubro-negro pernambucano ganhou a placa “Não é só futebol” pela fraternidade na recepção a Abel Braga, no jogo Sport 2 x 2 Fluminense, em 2 de agosto. Aquela partida na Ilha do Retiro, presenciada por quase 17 mil espectadores, foi a primeira da Série A após a morte do filho do treinador.

Mesmo abalado pela morte de João Pedro, Abel veio ao Recife. E quando surgiu no gramado foi aplaudido durante toda a caminhada até o banco de reservas, num ato que levou o experiente comandante às lágrimas.

Após o jogo, o técnico do tricolor carioca disse o seguinte:

“Já fui inimigo do Sport, já trabalhei no Santa Cruz e sempre joguei contra eles, e quero agradecer a todos, ao país inteiro. Não podia imaginar nem em sonho esse carinho. Me sinto feliz porque não é por gostar do Abel, é pelo caminho que o Abel traçou, que meus filhos traçaram, de honradez, de caráter, de dignidade, de honestidade e de amizade para com todos, hoje é um dia que vai ficar marcado.”

No sufoco, Sport vence o Corinthians e se garante na Série A pela 5ª edição seguida

Série A 2017, 38ª rodada: Sport 1 x 0 Corinthians. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

O Sport chegou mais uma vez pressionado à ultima rodada da Série A. E o cenário em 2017 foi ainda pior que o de 2016. Em vez um rival rebaixado, o campeão brasileiro. Em vez de uma vitória simples, a necessidade de triunfo somada ao tropeço de um concorrente. Dando tudo certo, com o time revertendo uma situação na qual chegou a ter apenas 3% de chance, segundo os matemáticos, o leão se manteve na elite. Pouco para quem virou o turno em 6º lugar, numa zona de classificação à Libertadores que se estenderia à 8ª posição. Contudo, uma enorme derrocada quase resultou em descenso, só brecada pelas três vitórias nas últimas três rodadas, com o Sport assegurando a 5ª participação seguida. É o recorde na região na era dos pontos corridos.

O cenário foi facilitado, em parte, devido ao nível técnico apresentado pelo Corinthians. O técnico Fábio Carille trouxe apenas três titulares, o goleiro Cássio, o zagueiro Balbuena e o volante Gabriel. Nem mesmo Jô, almejando a artilharia, veio ao Recife. apesar disso, ao fim do domingo o centroavante terminaria na ponta, junto ao Ceifador, com 18 gols. Mesmo esfacelado, time paulista mostrou muita organização, mas sem a mesma eficiência do titular, naturalmente. Com jogadores mais experientes, e em máxima rotação, o Sport se aproveitou, num jogo mais complicado do que se desenhava.

Série A 2017, 38ª rodada: Sport 1 x 0 Corinthians. Foto: FPF/instagram

No primeiro tempo, os leoninos abusaram do jogo aéreo (de praxe) e desperdiçaram duas boa chances, indo para o intervalo pressionados – embora um dos resultados paralelos já fosse suficiente. Diante de quase 30 mil torcedores, o Sport chegou à vitória aos 11 minutos da segunda etapa. Diego Souza recebeu na área, atraindo a marcação de Cássio, e tocou voltando para Mena, que cruzou alto para André. O camisa 90 foi ao terceiro andar para cabecear para as redes, 1 x 0. Foi o 16º gol do atacante na competição, recorde do clube, fazendo explodir a Ilha como nos bons tempos. Sem querer se expor a partir dali, o mandante se contentou com a vantagem magra, trabalhando o placar com muita ocupação de espaço e marcação segura – Anselmo fez grande partida. Com as derrotas de Vitória e Coxa, nos descontos, a partida terminou em festa, num claro sinônimo de alívio…

A sequência leonina na Série A (colocação + campanha + premiação)
2014 – 11º lugar (14v, 10e e 14d) e R$ 600.000
2015 – 6º lugar (15v, 14e e 9d) e R$ 1.400.000
2016 – 14º lugar (13v, 8e e 17d) e R$ 900.000
2017 – 15º lugar (12v, 9e e 17d) e R$ 850.320
2018 – a disputar

Série A 2017, 38ª rodada: Sport 1 x 0 Corinthians. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Na Ilha do Retiro, Sport vence o Bahia e finalmente chega a 10 vitórias na Série A

Série A 2017, 36ª rodada: Sport 1 x 0 Bahia. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Após oito jogos de jejum, o Sport voltou a vencer no Brasileirão. No clássico regional contra o Bahia, o leão fez 1 x 0, na Ilha, e finalmente chegou a 10 vitórias na competição – curiosamente, o tricolor soteropolitano foi o único a perder lá e lô. Para isso, o rubro-negro precisou de 36 rodadas! E olhe que havia virado o turno com oito triunfos, o que dimensiona o caos no returno.

Em sua 8ª participação na Série A nos pontos corridos, o Sport deste ano igualou o número de rodadas de 2012, justamente na última edição em que caiu. Abaixo das duas, apenas a campanha de 2009, outra com rebaixamento.

Não por acaso, o fantasma do rebaixamento é bem real em 2017…

Quando o Sport chegou a 10 vitórias nos pontos corridos
2007 – 26ª rodada (10V, 6E e 10D; 46,1% de apto; 9º lugar)
2008 – 24ª rodada (10V, 5E e 9D; 48,6% de apto; 9º lugar)
2009 – não conseguiu (venceu apenas 7)
2012 – 36ª rodada (10V, 10E e 16D; 37,0% de apto; 17º lugar)
2014 – 23ª rodada (10V, 5E e 8D; 50,7% de apto; 8º lugar)
2015 – 30ª rodada (10V, 13E e 7D; 47,7% de apto; 10º lugar)
2016 – 31ª rodada (10V, 7E e 14D; 39,7% de apto; 14º lugar)
2017 – 36ª rodada (10V, 9E e 17D; 36,1% de apto; 18º lugar)

Série A 2017, 36ª rodada: Sport 1 x 0 Bahia. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

Diego Souza faz 2 gols, perde 2 pênaltis e Sport é derrotado de virada pelo Coritiba

Série A 2017, 31ª rodada: Sport 3 x 4 Coritiba. Foto: Ricardo Fernandes/DP

Aos rubro-negros, o roteiro foi bem cruel. A partida na Ilha do Retiro envolveu dois times na luta contra o descenso e expôs o que há de pior nas duas equipes, sem organização defensiva para uma pesada Série A. Ao mesmo tempo, foi emocionante do começo ao fim, com o os paranaenses arrancando uma vitória incrível, 3 x 4. Na (re) estreia de Daniel Paulista, o time voltou aos pontas abertos, com dois volantes e Diego Souza na criação. Anselmo acabou sendo sacrificado, mesmo tendo apresentações melhores que Rithely.

Com a formação, o time teve uma estatura mediana, que não deu conta do jogo aéreo do Coritiba. Sobretudo porque a dupla de zaga vem mal nesta característica. Com dez minutos de jogo, entre cobrança de escaneio e faltas na ponta da área, o visitante já havia aberto o placar e obrigado Magrão a fazer duas grandes defesas. O empate poderia ter saído numa cobrança de pênalti, mas Diego Souza parou em Wilson. Ao menos o camisa 87 se redimiu e empatou de cabeça, num raro escanteio bem sucedido. Num intervalo de três minutos, Henrique e André marcaram, com o 2 x 2 na primeira etapa. No Sport, era visível o desarranjo defensivo, que vem de longe – além das poucas peças no setor, pois Igor e Néris basicamente não contam. O posicionamento é sempre confuso. Até ali, contava com a limitação do adversário.

Série A 2017, 31ª rodada: Sport 3 x 4 Coritiba. Foto: Cassio Zirpoli/DP

Bastou deixar o chutão de lado, mesmo que por pouco tempo, para o Sport conseguir chegar bem no ataque. Virou o jogo, com Diego Souza cabeceando de novo, e teve a chance para fazer 4 x 2 e matar a partida. Novo pênalti. Outra vez desperdiçado por DS87, que falhou até no rebote, com o goleiro alviverde salvando. O castigo foi imediato, com Magrão – com boas intervenções até então – dando rebote numa falta de muito longe. Sem cobertura, o rebote foi fatal. No fim, quando o ‘novo’ treinador já havia feito todas as mudanças, inclusive acionando Thomás, mais uma vez perdido, o Coxa virou. Cercado por quatro jogadores, Yan arrumou espaço para guardar. Ampliou o calvário leonino no returno, onde é o time de pior campanha. Além de não conseguir vencer em casa, há oito jogos, soma apenas 1 vitória em 14 rodadas. Segue fora do Z4, mas vem jogando bola de rebaixado…

O jejum de vitórias do leão como mandante na Série A (8 jogos; 5E e 3D)
23/07 (16ª) – Sport 0 x 2 Palmeiras (Arena Pernambuco)
02/08 (18ª) – Sport 2 x 2 Fluminense (Ilha do Retiro)
13/08 (20ª) – Sport 0 x 0 Ponte Preta (Ilha do Retiro)
10/09 (23ª) – Sport 0 x 1 Avaí (Ilha do Retiro)
25/09 (25ª) – Sport 1 x 1 Vasco (Ilha do Retiro)
15/10 (28ª) – Sport 1 x 1 Atlético-MG (Ilha do Retiro)
19/10 (29ª) – Sport 1 x 1 Santos (Ilha do Retiro)
29/10 (31ª) – Sport 3 x 4 Coritiba (Ilha do Retiro)

Série A 2017, 31ª rodada: Sport 3 x 4 Coritiba. Foto: Ricardo Fernandes/DP

Podcast – A análise da derrota do Sport para o Junior Barranquilla, na Ilha

Sul-Americana 2017, quartas de final: Sport 0 x 2 Junior Barranquilla. Foto: Conmebol/site oficial

O Sport foi derrotado no jogo de ida das quartas da Sula, num resultado bem difícil de ser revertido fora de casa. Sobretudo pela diferença na preparação das equipes, com o time colombiano mostrando técnica e organização. Em uma gravação exclusiva, o 45 minutos comentou o jogo na Ilha do Retiro (o que faltou no trabalho de Luxemburgo?), se estendendo às análises individuais (Mena, André ou Samuel Xavier, quem foi o pior em campo?). Estou neste debate com os jornalistas Fred Figueiroa e Lucas Fitipaldi. Ouça!

26/10 – Sport 0 x 2 Junior Barranquilla (52 min)

Sport vence Ponte Preta e abre vantagem visando inédita vaga nas quartas da Sula

Copa Sul-Americana 2017, oitavas: Sport 3 x 1 Ponte Preta. Foto: Williams Aguiar/Sport Club do Recife

A duradoura má fase no Brasileirão, há seis rodadas sem vitória, trouxe uma desconfiança enorme para a meta paralela do Sport neste segundo semestre, a Copa Sul-Americana. Após eliminar um time do Uruguai e outro da Argentina, os leoninos teriam um duelo nacional nas oitavas de final. E em dois jogos pela Série A, sequer conseguiram balançar as redes da Ponte. Ajustes na escalação (4 mudanças) e na organização (volta dos pontas) e imposição, um combo necessário para reverter o cenário. O que aconteceu.

O Sport venceu por 3 x 1, um placar até econômico para a disparidade vista na Ilha. O mandante foi superior o jogo inteiro, com posse de bola, criação de jogadas e finalizações certas (11 x 2). No lado esquerdo, Luxa voltou à composição Mena/Sander, deixando o chileno à frente, região onde rendeu mais – e também foi o responsável pela bola parada, de melhor aproveitamento que os demais companheiros. Na direta, Raul Prata ganhou a preferência do técnico, ocupando o lugar do inconstante Samuel Xavier. Não teve uma grande atuação, mas a regularidade na recomposição já foi suficiente para melhorar o setor – no fim, seria premiado com uma assistência.

Copa Sul-Americana 2017, oitavas: Sport 3 x 1 Ponte Preta. Foto: Conmebol/twitter (@conmebol)

Mas foi no meio-campo onde ocorreu a transformação para uma atuação consistente. Patrick foi o motorzinho do time, tendo, enfim, um companheiro de ótimo rendimento técnico. Em baixa e cobrado, Rithely conseguiu fazer o time andar, na antecipação e recuperação de bolas e na distribuição, sobretudo nos passes verticalizados. Com o time jogando acima da média, seria natural que outras peças também melhorassem, como Diego Souza. O meia, que na Sula joga com a 10, voltou a carregar a bola a partir do círculo central, como em seus melhores momentos no clube, na visão do blog.

Num jogo em que o placar eletrônico chegou a registrar 3 x 0, com gols de Ronaldo Alves, Rithely e André, o tento campineiro, através de Felipe Saraiva, aos 37/2T, acabou sendo um “castigo”. A enorme vantagem virou uma boa vantagem, devido ao gol qualificado, mas com a vaga ainda ao alcance de uma classificação inédita para o futebol nordestino…

Os jogos do Sport como mandante na Copa Sul-Americana
20/08/2013 – Sport 2 x 0 Náutico – 16.125 pessoas (Ilha, 2ª fase)
23/10/2013 – Sport 1 x 2 Libertad (PAR) – 17.575 (Arena PE, oitavas)
28/08/2014 – Sport 0 x 1 Vitória – 6.025 (Ilha, 2ª fase)
27/08/2015 – Sport 4 x 1 Bahia – 8.201 (Ilha, 2ª fase)
23/09/2015 – Sport 1 x 1 Huracán (ARG) – 7.726 (Ilha, oitavas)
31/08/2016 – Sport 0 x 1 Santa Cruz – 6.570 (Arena PE, 2ª fase)
06/04/2017 – Sport 3 x 0 Danubio (URU) – 13.582 (Ilha, 1ª fase)
06/07/2017 – Sport 2 x 0 Arsenal (ARG) – 7.694 (Ilha, 2ª fase)
13/09/2017 – Sport 3 x 1 Ponte Preta – 6.254 (Ilha, oitavas)

9 jogos; 5 vitórias, 1 empate e 3 derrotas; 16 GP e 7 GP; 59% de apto.

Copa Sul-Americana 2017, oitavas: Sport 3 x 1 Ponte Preta. Foto: Conmebol/twitter (@conmebol)

As bandeiras tremulando nas torcidas do Recife, uma festa do passado. Sem volta?

Bandeiras tremulando em todos os cantos dos Aflitos, do Arruda e da Ilha do Retiro. Acredite, os estádios eram assim. Na época do Eládio com o ‘balança mas não cai’, do Mundão ganhando o anel superior, do Adelmar sem os tobogãs. Nos anos 90, no embalo do surgimento das torcidas organizadas, com características distintas das atuais, as bandeiras com hastes começaram a ficar concentradas nos núcleos das uniformizadas. Seguindo a história, com o aumento da violência, vieram as proibições. Rolos de papel, sinalizadores e até bandeiras. Ao menos aquelas com hastes, aquelas que realmente davam vida aos estádios. Os suportes dos pavilhões transformaram-se em armas nas mãos de marginais. Assim, São Paulo foi o primeiro centro de futebol a proibir, através do artigo 5º da Lei 9.470, de 27 de dezembro de 1996. Faz tempo.

Demoraria, mas Pernambuco seguiria a mesma linha, atendendo à PM.

E a festa ficou diferente… Sem previsão de volta.

Talvez faça parte da evolução do espetáculo, talvez. De toda forma, era incrível a atmosfera dos estádios do Recife. Visualmente falando, imbatível.

Torcida do Náutico no Arruda em 1984

Torcida do Santa Cruz no Arruda na década de 1980

Torcida do Sport na Ilha do Retiro em 1982

Ilha do Retiro com gramado reparado e agenda de 9 a 11 jogos até dezembro

Gramado da Ilha do Retiro após o reparo. Fotos: Greenleaf Gramados/instagram (@greenleafgramados)

Gramado da Ilha do Retiro após o reparo. Fotos: Greenleaf Gramados/instagram (@greenleafgramados)

De janeiro a agosto, a Ilha recebeu 28 jogos de futebol do time profissional.

Após uma temporada intensa, com jogos do time profissional em quase todas as semanas, além de apresentações das equipes juvenil, júnior e feminina, o gramado da Ilha do Retiro entrou em colapso no inverno. Buracos, poças d´água e drenagem sobrecarregada. Com isso, o Sport acabou indo jogar duas partidas na Arena Pernambuco, tirando da Ilha também os jogos das outras categorias. O time principal ainda retornou ao local para enfrentar Fluminense e Ponte Preta, mas o campo foi bem criticado nos dois empates. Com a pausa na tabela para as Eliminatórias da Copa, a equipe contratada ganhou tempo, 27 dias de intervalo, entre os dias 14 de agosto e 9 de setembro.

Em 10 de julho, o clube havia assinado um contrato de um ano com a Greenleaf Gramados, que atua em outros campos do país, como o Maracanã e o Mineirão, os estádios escolhidos das finais da Copa do Brasil de 2017. Também responsável pela requalificação do campo auxiliar, a empresa apresentou sem seu perfil no instagram as primeiras imagens comparativas.

Pelo cenário anterior, o Sport escapou de um veto. Não teria sido injusto…

Agora, com o gramado reparado, o time terá oito jogos pela Série A e ao menos um pela Copa Sul-Americana, podendo chegar a no máximo a três – uma hipotética decisão não poderia ocorrer no estádio devido à capacidade. Logo, de 9 a 11 jogos até dezembro, com o ritmo acelerando de novo.

Gramado da Ilha do Retiro antes do reparo. Fotos: Greenleaf Gramados/instagram (@greenleafgramados)

Gramado da Ilha do Retiro antes do reparo. Fotos: Greenleaf Gramados/instagram (@greenleafgramados)