Os 4.727 jogos do Náutico de 1909 a 2017

Números do Náutico. Arte: Maria Eugênia Nunes/DP

Embora tenha sido fundado para a prática do remo, em 1901, o Náutico adotou o futebol oito anos depois, se tornando a principal modalidade. Na estreia, de cara, o primeiro clássico e a primeira vitória. Desde então, o alvirrubro disputou 109 temporadas, num histórico vivo graças à pesquisa de Carlos Celso Cordeiro. O blog deu sequência ao levantamento, atualizando o retrospecto geral nas principais competições oficiais, nos âmbitos estadual, regional, nacional e internacional. Entre os dados, a colocação no ranking (quando possível) e o aproveitamento em cada torneio, sempre considerando 3 pontos por vitória, para padronizar o cálculo. Na sequência, o rendimento timbu atuando nos Aflitos, os maiores artilheiros, quem mais vestiu a camisa vermelha e branca e os maiores públicos.

Em 2018: Estadual, Nordestão, Copa do Brasil e Série C.

Do 1º ao 4.727º jogo…
Primeiro: Náutico 3 x 1 Sport (25/07/1909), no British Club (amistoso)
Último: Luverdense 3 x 0 Náutico (25/11/2017), no Passo das Emas (Série B)

Ranking Nacional de Clubes da CBF: 32º lugar (4.532 pontos)

Total (competições oficiais e amistosos*) 1909-2017
4.727 jogos (8.641 GP e 5.662 GC, +2.979)
2.304 vitórias (48,7%)
1.052 empates (22,2%)
1.368 derrotas (28,9%)
3 jogos com placar desconhecido
Aproveitamento em pontos: 56,1%

Estadual 1915-2017 (ranking de pontos: 3º)
2.234 jogos (4.810 GP e 2.393 GC, +2.417)
1.285 vitórias (57,5%)
437 empates (19,5%)
512 derrotas (22,9%)
102 participações (entre 1916 e 2017)
Melhor campanha: campeão, 21 vezes (entre 1934 e 2004)
Aproveitamento em pontos: 64,0%

Copa do Nordeste 1994-2017 (ranking de pontos: 10º)
78 jogos (123 GP e 100 GC, +23)
31 vitórias (39,7%)
24 empates (30,7%)
23 derrotas (29,4%)
9 participações (entre 1994 e 2017)
Melhor campanha: semifinal em 2001 e 2002
Aproveitamento em pontos: 50,0%

Brasileirão unificado 1959-2017
666 jogos (777 GP e 930 GC, -153)
213 vitórias (31,9%)
154 empates (23,1%)
299 derrotas (44,8%)
34 participações (entre 1961 e 2013)
Melhor campanha: vice-campeão em 1967
Aproveitamento em pontos: 39,6%

Série A 1971-2017 (ranking de pontos: 23º)
612 jogos (703 GP, 859 GC, -156)
192 vitórias (31,3%)
144 empates (23,5%)
276 derrotas (45,0%)
27 participações (entre 1972 e 2013)
Melhor campanha: 6º lugar em 1984
Aproveitamento em pontos: 39,2%

Série B 1971-2017
536 jogos (738 GP e 669 GC, +69)
225 vitórias (41,9%)
121 empates (22,5%)
190 derrotas (35,4%)
20 participações (entre 1971 e 2017)
Melhor campanha: vice-campeão em 1988 e 2011
Aproveitamento em pontos: 49,5%

Série C 1981-2017
21 jogos (44 GP e 20 GC, +24)
13 vitórias (61,9%)
3 empates (14,2%)
5 derrotas (23,8%)
1 participação (em 1999)
Melhor campanha: 4º lugar em 1999
Aproveitamento em pontos: 66,6%

Copa do Brasil 1989-2017
90 jogos (135 GP e 112 GC, +23)
40 vitórias (44,4%)
20 empates (22,2%)
30 derrotas (33,3%)
48 confrontos; 26 classificações e 22 eliminações
22 participações (entre 1989 e 2017)
Melhor campanha: semifinal em 1990
Aproveitamento em pontos: 51,8%

Taça Libertadores 1960-2017 (ranking oficial: 178º)
6 jogos (7 GP e 8 GC, -1)
1 vitória* (16,6%)
2 empates (33,3%)
3 derrotas (50,0%)
1 participação (1968)
Melhor campanha: fase de grupos em 1968
Aproveitamento em pontos: 27,7% 18
* O timbu venceu 2 jogos, mas perdeu os pontos por substituição irregular

Copa Sul-Americana 2002-2017
2 jogos (2 GP, 2 GC, 0)
1 vitória (50,0%)
0 empate (0,0%)
1 derrota (50,0%)
1 confronto; 1 eliminação

1 participação (2013)
Melhor campanha: 16 avos de final em 2013
Aproveitamento em pontos: 50,0%

Histórico em decisões no Estadual
Náutico 9 x 7 Santa Cruz
Náutico 6 x 11 Sport

Náutico nos Aflitos* (1917/2015)
1.768 jogos
1.138 vitórias (64,3%)
336 empates (19,0%)
294 derrotas (16,6%)
Aproveitamento em pontos: 70,7%
* Competições oficiais e amistosos

Maiores artilheiros
224 gols – Bita
185 gols – Fernando Carvalheira
181 gols – Baiano
179 gols – Kuki 
118 gols – Ivson

Quem mais atuou
Kuki – 387 jogos

Clássico dos Clássicos (1909-2017)*
548 jogos
180 vitórias do Náutico (32,8%)
157 empates (28,6%)
210 vitórias do Sport (38,3%)
Último: Náutico 1 x 1 Sport (23/03/2017, Estadual)
*O jogo ocorrido em 29 de março de 1931, durante a final do Torneio Abrigo Terezinha de Jesus, possui resultado desconhecido.

Clássico das Emoções (1917-2017)*
519 jogos
167 vitórias do Náutico (32,1%)
150 empates (28,9%)
201 vitórias do Santa (38,7%)
Último: Santa Cruz 2 x 3 Náutico (04/11/2017, Série B)

*O jogo ocorrido em 29 de março de 1931, durante a final do Torneio Abrigo Terezinha de Jesus, possui resultado desconhecido.

Maiores públicos

Top 5 nos Clássicos

80.203 – Náutico 0 x 2 Sport, no Arruda (Estadual, 15/03/1998)
76.636 – Santa Cruz 1 x 1 Náutico, no Arruda (Estadual, 18/12/1983)
71.243 – Santa Cruz 2 x 1 Náutico, no Arruda (Estadual, 28/07/1993)
70.003 – Santa Cruz 0 x 2 Náutico, no Arruda (Estadual, 11/07/2001)
65.901 – Santa Cruz 1 x 2 Náutico, no Arruda (Estadual, 08/02/1998)

Top 5 como mandante contra outros adversários

44.424 – Náutico 3 x 0 Palmeiras, no Arruda (Série A, 17/04/1983)
41.020 – Náutico 0 x 1 Vasco, no Arruda (Série A, 13/04/1983)
40.615 – Náutico 2 x 3 Grêmio, no Arruda (Série A, 29/04/1984)
40.426 – Náutico 1 x 1 Vasco, no Arruda (Série A, 20/02/1983)
39.597 – Náutico 0 x 1 Santos, no Arruda (Série A, 30/04/1983)

Arena PE registra 14% de ocupação em 30 partidas oficiais do Trio de Ferro em 2017

Visão interna da Arena Pernambuco, a partir do anel superior. Foto: Arena Pernambuco/twitter (@arenapernambuco)

A quinta temporada da Arena Pernambuco foi a mais esvaziada em termos de público e renda no futebol, considerando os jogos oficiais dos grandes clubes da capital. Embora tenha recebido o mesmo número de partidas que o ano anterior neste contexto, 30, o borderô contabilizou uma queda de 44 mil torcedores, ou 18% a menos. A taxa de ocupação dos assentos vermelhos expõe de forma clara o cenário, com apenas 14%, reflexo da média de 6.690 – e olhe que o recorde de público, entre clubes, foi batido.

Pela primeira vez o empreendimento foi administrado do começo ao fim do ano pela Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer de Pernambuco, que buscou soluções alternativas no entorno para o movimentá-lo (Domingo na Arena, Som na Arena e Arena games), além de eventos religiosos (um deles com 50 mil pessoas). No futebol propriamente dito, no entanto, a conta ficou difícil de fechar. Basta dizer que em 2014, com o Todos com a Nota ainda em execução, o faturamento do estádio foi de 14 milhões de reais, contando apenas o Trio de Ferro, enquanto em 2017 não chegou sequer a 3 milhões,

Nos quatro primeiros anos de operação do estádio em São Lourenço, nas gestões da Odebrecht e do governo, o resultado financeiro foi sempre negativo, com déficit de R$ 29,7 milhões em 2013, de R$ 24,4 milhões em 2014, de R$ 19,0 milhões em 2015 e de R$ 7,0 milhões em 2016. Improvável um quadro diferente no próximo balanço, a ser divulgado em junho.

Neste ano, a Arena Pernambuco registrou o pior público total, a pior média de público, a pior taxa de ocupação, a pior arrecadação, a pior média de renda e o pior tíquete médio. Apenas um dado escapou: número de jogos.

Balanço de público e renda do Trio de Ferro mandando seus jogos na Arena Pernambuco de 2013 a 2017. Quadro: Cassio Zirpoli/DP

A conturbada relação entre Náutico e Arena, mesmo com a gestão pública, resultou no menor calendário anual – desconsiderando 2013, com a operação iniciando em junho. Tanto que o alvirrubro chegou a jogar quadro vezes no Lacerdão, em Caruaru. Se em 2016 o time brigou pelo acesso, com jogos acima de 20 mil pessoas, desta vez a lanterna na Série B derrubou a presença da torcida, pela primeira vez abaixo de 10% de ocupação.

O balanço de público e renda do Náutico mandando seus jogos na Arena PE de 2013 a 2017. Quadro: Cassio Zirpoli/DP

Em junho, o governo do estado anunciou um pacote de 5 jogos com o Santa Cruz, numa sequência disputada na Série B. Foi o maior número de apresentações do clube desde 2014, mas a média de 6.374 torcedores ficou abaixo do dado até então registrado no Arruda – com 10.331 pessoas nos quatro jogos anteriores da competição. O tricolor não quis estender a parceria.

O balanço de público e renda do Santa Cruz mandando seus jogos na Arena PE de 2013 a 2017. Quadro: Cassio Zirpoli/DP

Assim como o rival coral, o Sport também teria firmado um acordo de cinco jogos na arena, mas acabou jogando apenas duas vezes – desconsiderando a Taça Ariano Suassuna, amistosa. Num desses jogos, no revés diante do Palmeiras, em 23 de julho, foi estabelecido o maior público entre clubes: 42.025. Embora a arrecadação tenha sido boa (maior que a soma dos 23 jogos do Náutico), o leão optou por voltar à Ilha por questão técnica.

O balanço de público e renda do Sport mandando seus jogos na Arena PE de 2013 a 2017. Quadro: Cassio Zirpoli/DP

A abaixo, a quantidade de jogos no Recife com mando do Trio de Ferro – os jogos de América, na Ilha (2x) e no Arruda (1x), e Belo Jardim, na Arena (1x), não estão computados. Vale destacar que em 2013 houve o clássico carioca entre Botafogo e Fluminense, com 9.669 pessoas e R$ 368 mil de renda. Por fim, a observação de que em 2015 e 2016 ocorreram jogos de portões fechados na Ilha (1x) e na Arena (1x), também desconsiderados.

Número de jogos oficiais do Trio de Ferro no Recife. Quadro: Cassio Zirpoli/DP

Em nova derrota na Arena, Náutico volta a ser rebaixado à Série C após 19 anos

Série B 2017, 35ª rodada: Náutico 1 x 2 Londrina. Foto: Ricardo Fernandes/DP

A derrota para o Oeste, em 26 de novembro de 2016, mudou o rumo da história do Náutico como poucas vezes se viu – aliás, já se viu. A vitória naquela partida teria levado o alvirrubro à elite nacional, mas o surpreendente revés, diante de um time quase rebaixado, custou caro em Rosa e Silva. Pelo segundo ano seguido o clube terminava a Série B na 5ª posição, num cenário no qual os quatro primeiros subiam. No ano seguinte, o baque à Série C.

É impossível não traçar um paralelo com a sequência entre 1996 e 1998, com o alvirrubro ficando em 3º lugar na segundona nos dois primeiros anos, nos quais apenas os dois primeiros se classificavam, e desabando no terceiro. Pois é. Agora, jogando na arena, diante do Londrina, o revés por 2 x 1 encerrou a chance de permanência, com o timbu retornando à terceirona após 19 anos.

No entanto, apesar da coincidência, não é algo cabalístico. O descenso em 2017 é reflexo da irresponsabilidade financeira cometida pela gestão do Náutico, com quatro presidentes executivos no biênio (!). Basta lembrar da folha no Estadual, de R$ 1 milhão. O clube, claro, não conseguiu manter o quadro nem por dois meses, devido à óbvia previsão enxuta de receitas – como ignoraram isso?. Já na segundona, houve a venda de Erick junto ao Braga, de Portugal, por R$ 2,8 milhões. O objetivo era manter os salários em ordem para tentar evitar a queda, após um primeiro turno catastrófico. Só que o dinheiro foi bloqueado – e o clube ficou sem a grana e sem o atacante.

Apesar da reação da equipe, a terceira montada no ano, não foi possível.
Juntando os cacos, vem o único alento em 2018. A volta aos Aflitos.
Que seja uma nova mudança de rumo na história alvirrubra…

Rebaixamentos do Náutico (5)
1994 – A pra B (24º lugar de 24 times; caíram 2)
1998 – B pra C (21º lugar de 24 times; caíram 6)
2009 – A pra B (19º lugar de 20 times; caíram 4)
2013 – A pra B (20º lugar de 20 times; caíram 4)
2017 – B pra C (19º lugar de 20 times; caíram 4*)
* Competição em andamento, com possibilidade de mudança dentro do Z4

Acessos do Náutico (3)
1988 – B pra A (2º lugar de 24 times; 2 vagas)
2006 – B pra A (3º lugar de 20 times; 4 vagas)
2011 – B pra A (2º lugar de 20 times; 4 vagas)

Náutico na Série C
21 jogos (44 GP e 20 GC, +24)
13 vitórias (61,9%)
3 empates (14,2%)
5 derrotas (23,8%)
1 participação: 1999 (4º lugar)

Série B 2017, 35ª rodada: Náutico 1 x 2 Londrina. Foto: Ricardo Fernandes/DP

As bandeiras tremulando nas torcidas do Recife, uma festa do passado. Sem volta?

Bandeiras tremulando em todos os cantos dos Aflitos, do Arruda e da Ilha do Retiro. Acredite, os estádios eram assim. Na época do Eládio com o ‘balança mas não cai’, do Mundão ganhando o anel superior, do Adelmar sem os tobogãs. Nos anos 90, no embalo do surgimento das torcidas organizadas, com características distintas das atuais, as bandeiras com hastes começaram a ficar concentradas nos núcleos das uniformizadas. Seguindo a história, com o aumento da violência, vieram as proibições. Rolos de papel, sinalizadores e até bandeiras. Ao menos aquelas com hastes, aquelas que realmente davam vida aos estádios. Os suportes dos pavilhões transformaram-se em armas nas mãos de marginais. Assim, São Paulo foi o primeiro centro de futebol a proibir, através do artigo 5º da Lei 9.470, de 27 de dezembro de 1996. Faz tempo.

Demoraria, mas Pernambuco seguiria a mesma linha, atendendo à PM.

E a festa ficou diferente… Sem previsão de volta.

Talvez faça parte da evolução do espetáculo, talvez. De toda forma, era incrível a atmosfera dos estádios do Recife. Visualmente falando, imbatível.

Torcida do Náutico no Arruda em 1984

Torcida do Santa Cruz no Arruda na década de 1980

Torcida do Sport na Ilha do Retiro em 1982

O projeto de reforma para a reabertura dos Aflitos em 2018, com rampas e bares

Projeto de reforma dos Aflitos em 2017. Crédito: Náutico/divulgação

A 4ª edição da Revista Oficial do Náutico traz imagens com a versão final do projeto de requalificação dos Aflitos, em vigor. Responsável pela obra, desde a arrecadação à execução das receitas, a Comissão Paritária do alvirrubro apresentou os parâmetros do projeto à Prefeitura do Recife em 1º de agosto.

Entre as imagens publicadas é possível observar algumas (boas) novidades no Estádio Eládio de Barros Carvalho. O plano visa a expansão de espaços de convivência, com bares (“Timbu Bar”) e restaurantes, tanto na área oeste, com as cadeiras cativas e as sociais, quanto na leste, na arquibancada frontal, com duas novas rampas de acesso, facilitando a circulação do público, inclusive até a praça de alimentação que deve ser construída na área externa. Também há uma simulação do novo alambrado com vidro laminado, estilo Bombonera.

Os valores sobre a reforma costumam variar, mas estima-se um investimento de R$ 4 milhões para reabrir o estádio e R$ 7 milhões para cumprir todos os pontos elaborados no projeto, encomendado ao escritório de Múcio Jucá. Além da requalificação para a campanha “Voltando pra casa”, o arquiteto já havia sido contratado pelo clube para a elaboração de uma arena (já descartada) no local, com o “Projeto Casa”. Com o palco centenário mantido, fica a curiosidade sobre a nova capacidade. O limite anterior de 22.856 espectadores, até 2013, deve cair, ficando entre 16 e 19 mil lugares.

O estádio deve ser reaberto no segundo semestre de 2018, no Brasileiro…

Projeto de reforma dos Aflitos em 2017. Crédito: Náutico/divulgação

Projeto de reforma dos Aflitos em 2017. Crédito: Náutico/divulgação

Projeto de reforma dos Aflitos em 2017. Crédito: Náutico/divulgação

Projeto de reforma dos Aflitos em 2017. Crédito: Náutico/divulgação

Os dez maiores públicos no Arruda, Ilha do Retiro, Arena Pernambuco e Aflitos

Arruda (Paulo Paiva/DP), Ilha do Retiro (Williams Aguiar/Sport), Arena Pernambuco (Rafael Ribeiro/CBF) e Aflitos (Flávio JaPa/flickr)

Em Pernambuco, os dados em relação à quantidade de torcedores nos estádios passaram a ser divulgados com frequência na década de 1960. Até então, priorizava-se a informação sobre a renda da partida. Os públicos eram tratados com estimativas, acredite. Então, a partir deste recorte, confira quais são os dez maiores públicos dos quatro principais palcos do futebol local. Com critérios distintos ao longo dos anos, o blog considerou o público total, com a soma entre pagantes e não pagantes. Ocorre que na década de 1980, por exemplo, os jornais da cidade tinham como hábito informar apenas os pagantes. De toda forma, é possível relembrar as multidões.

No Arruda, por exemplo, as marcas foram quebradas sistematicamente após a construção do anel superior, em 1982. Na Ilha, a introdução da campanha promocional Todos com a Nota, em 1998, resultou em sete dos dez maiores borderôs. Num mesma temporada! Na Arena, as partidas entre seleções nacionais tomam à frente, até mesmo pela ausência divisórias entre torcidas, uma (necessária) norma de segurança que afeta a carga de ingressos nos jogos envolvendo clubes. Por fim, os Aflitos, com dados curiosos. Começando pelo recorde, estabelecido em sua versão anterior, bem acanhada. Oito dos demais jogos registrados foram disputados a partir da ampliação, iniciada em 1996. Sobre a Batalha dos Aflitos, trata-se de um dado divulgado por parte da imprensa, mas sem confirmação do clube.

Dados atualizados até 23 de julho de 2017

Os 10 maiores públicos no Arruda
96.990 – Brasil 6 x 0 Bolívia (29/08/1993, Eliminatórias)
90.400 – Brasil 2 x 0 Argentina (23/03/1994, Amistoso)
80.203 – Náutico 0 x 2 Sport (15/03/1998, Estadual)
78.391 – Santa Cruz 1 x 1 Sport (21/02/1999, Estadual)
76.800 – Brasil 2 x 0 Paraguai (09/07/1989, Copa América)
76.636 – Santa Cruz (6) 1 x 1 (5) Náutico (18/12/1983, Estadual*)
75.135 – Santa Cruz 1 x 2 Sport (03/05/1998, Estadual)
74.280 – Santa Cruz 2 x 0 Sport (18/07/1993, Estadual)
71.243 – Santa Cruz 2 x 1 Náutico (28/07/1993, Estadual*)
70.003 – Santa Cruz 0 x 2 Náutico (11/07/2001, Estadual*)

Capacidade máxima: 110.000 (1982)
Capacidade atual: 50.582 (2017)

Os 10 maiores públicos na Ilha do Retiro
56.875 – Sport 2 x 0 Porto (07/06/1998, Estadual*)
53.033 – Sport 0 x 2 Corinthians (12/09/1998, Série A)
50.106 – Sport 4 x 1 Santa Cruz (29/03/1998, Estadual)
48.564 – Sport 1 x 1 Cruzeiro (27/09/1998, Série A)
48.328 – Sport 5 x 0 Grêmio (20/09/1998, Série A)
46.018 – Sport 1 x 1 Grêmio (03/12/2000, Série A)
45.697 – Sport 3 x 0 Náutico (15/12/1991, Estadual*)
45.399 – Sport 2 x 1 Botafogo (24/10/1998, Série A)
45.151 – Sport 1 x 0 São Paulo (16/08/1998, Série A)
44.346 – Sport 2 x 0 Santa Cruz (31/07/1988, Estadual)

Capacidade máxima: 50.000 (1998)
Capacidade atual: 29.000 (2017)

Os 10 maiores públicos na Arena Pernambuco
45.010 – Brasil 2 x 2 Uruguai (25/03/2016, Eliminatórias)
42.025 – Sport 0 x 2 Palmeiras (23/07/2017, Série A)
41.994 – Sport 2 x 0 São Paulo (19/07/2015, Série A)
41.876 – Alemanha 1 x 0 Estados Unidos (26/06/2014, Copa do Mundo)
41.705 – Espanha 2 x 1 Uruguai (16/06/2013, Copa das Confederações)
41.242 – Costa Rica (5) 1 x 1 (3) Grécia (29/06/2014, Copa do Mundo)
41.212 – México 3 x 1 Croácia (23/06/2014, Copa do Mundo)
40.489 – Itália 4 x 3 Japão (16/06/2013, Copa das Confederações)
40.285 – Costa Rica 1 x 0 Itália (20/06/2014, Copa do Mundo)
40.267 – Costa do Marfim 2 x 1 Japão (14/06/2014, Copa do Mundo)

Capacidade máxima: 46.214 (2013)
Capacidade atual: 45.913 (2017)

Os 10 maiores públicos nos Aflitos
31.061 – Náutico 1 x 0 Sport (21/07/1968, Estadual*)
29.891 – Náutico 0 x 1 Grêmio (26/11/2005, Série B)
28.022 – Náutico 0 x 2 América-MG (04/12/1997, Série B)
22.177 – Náutico 0 x 1 Santa Cruz (05/07/2001, Estadual)
21.121 – Náutico 0 x 1 Sport (21/04/2001, Nordestão)
20.699 – Náutico 2 x 0 Ituano (18/11/2006, Série B)
20.506 – Náutico 1 x 0 Santa Cruz (11/12/1974, Estadual*)
20.100 – Náutico 1 x 0 Sport (02/12/2012, Série A)
19.880 – Náutico 1 x 0 Corinthians (21/10/2007, Série A)
19.798 – Náutico 0 x 2 Flamengo (15/11/2009, Série A)

Capacidade máxima: 30.000 (1988)
Capacidade atual: 22.856 (2013)

* Decisões do Campeonato Pernambucano

Os números de Santa Cruz x Náutico nos 517 jogos disputados no primeiro século

Scout histórico de Santa Cruz x Náutico, em 29 de junho de 2017. Arte: Cassio Zirpoli/DP

Em um século de bola rolando, tricolores e alvirrubros alimentaram uma rivalidade com mais de 500 jogos e 16 finais de campeonato. Confrontos no Estadual, no Nordestão, na Série B e na Série A. Embora já não aconteça há 24 anos, o Clássico das Emoções valeu pelo Brasileirão em 17 oportunidades.

Abaixo, um apanhado de estatísticas a partir da pesquisa original de Carlos Celso Cordeiro. Os dados compõem um dos confrontos mais tradicionais do futebol brasileiro, agora com status centenário. Bem disputado desde sempre.

Antes dos números, a curiosidade sobre a origem do nome “Clássico das Emoções”, batizado em 1º de novembro de 1953, através do título no comentário de Alves da Mota, publicado no Diario de Pernambuco. O texto (trecho em itálico) apresentava o clássico do dia, nos Aflitos – e que terminaria com triunfo timbu por 4 x 2. Já eram 36 anos de rivalidade.

“Teremos hoje, à tarde, no estádio ‘Eládio Barros Carvalho’, um ‘match’ que pela excelente forma e posição em que se encontram ambos os preliantes no presente campeonato, está fadado não só a um legítimo record de bilheteria, mas a um desfecho sensacional, numa luta cheia de lances emocionantes que tanto pode fazer vibrar a grande torcida do “clube das multidões”, para cujo lado está mais pendida a preferência do público, como resultar numa espetacular vitória dos alvirrubros.”

Retrospecto geral
517 jogos*
201 vitórias do Santa
149 empates
166 vitórias do Náutico
Primeiro: Santa 3 x 0 Náutico (29/06/1917, torneio amistoso)
Último: Santa 1 x 1 Náutico (16/05/2017, Estadual)
*O jogo ocorrido em 29 de março de 1931, durante a final do Torneio Abrigo Terezinha de Jesus, possui resultado desconhecido

Retrospecto na Série A
17 jogos
9 vitórias do Santa (última em 1984, 2 x 0)
4 empates (último em 1984, 1 x 1)
4 vitórias do Náutico (última em 1993, 2 x 1)

Retrospecto na Série B
12 jogos
6 vitórias do Santa (última em 2014, 3 x 0)
3 empates (último em 2014, 0 x 0)
3 vitórias do Náutico (última em 2015, 3 x 1)

As 16 decisões no Campeonato Pernambucano
Náutico (9 títulos) – 1934, 1960, 1974, 1984, 1985, 1989, 2001, 2002 e 2004
Santa Cruz (7 títulos) – 1946, 1959, 1970, 1976, 1983, 1993 e 1995

As primeiras vitórias
Santa Cruz: 3 x 0 em 29/06/1917 (no 1º jogo, num amistoso)
Náutico: 3 x 1 em 30/07/1922 (no 13º jogos, pelo Estadual)

As maiores goleadas
09/07/1944 – Náutico 5 x 0 Santa Cruz (Aflitos)
06/10/1991 – Santa Cruz 5 x 0 Náutico (Arruda)

Os 7 clássicos acima de 50 mil espectadores, todos pelo Estadual
76.636 – Santa Cruz (6) 1 x 1 (5) Náutico (18/12/1983)*
71.243 – Santa Cruz 2 x 1 Náutico (28/07/1993)*
70.003 – Santa Cruz 0 x 2 Náutico (11/07/2001)*
65.901 – Santa Cruz 1 x 2 Náutico (08/02/1998)
62.711 – Santa Cruz 2 x 0 Náutico (01/08/1976)*
58.190 – Santa Cruz 1 x 1 Náutico (11/12/1983)
53.416 – Santa Cruz 2 x 0 Náutico (01/12/1985)
* A finalíssima do Pernambucano

100 anos de Clássico das Emoções, iniciado em um torneio beneficente

Os escudos originais de Santa Cruz e Náutico, agora em um clássico centenário...

Os primórdios do futebol no Recife guardam histórias curiosas sobre um esporte flamejante e imerso no amadorismo. Detalhes essenciais eram relevados, como tempo de jogo e critérios de desempate. Num arranjo histórico, onde vale a ponderação, encontra-se o primeiro Santa Cruz x Náutico, há 100 anos, sendo o 15º clássico mais antigo do Brasil.

O jogo aconteceu em 29 de junho de 1917, no “ground” da Liga Sportiva Pernambucana, que hoje, com outro dono, atende pelo nome de Aflitos. E não foi a única partida do dia no novo campo. Foi o 5º dos 7 jogos envolvendo oito clubes! Como houve tempo? Justamente pela releitura da história. Naquela tarde houve o Torneio Associação das Damas de Beneficência, no intervalo do Estadual, com três rodadas. O blog mergulhou no acervo de jornais da época (Diario de Pernambuco, A Província e Jornal Pequeno), relembrando o pioneiro Clássico das Emoções. Porém, os relatos focam mais festa do que nas partidas, entre “35 e 40 minutos”, dependendo do periódico. Na ocasião, os clubes misturaram o ‘primeiro team’ e o ‘segundo team’, vulgo reservas.

No sistema eliminatório, o clássico ocorreu na semifinal, com goleada coral. O Santa aplicou 3 x 0, com os autores dos gols não informados. Abaixo, a integra da reportagem original do DP. A primeira impressão é de um texto repleto de erros (victoria, annunciado, atravez), mas era a grafia da época.

A victoria do “Santa Cruz” 

Realizou-se hontem, no vasto ground da Liga Sportiva Pernambucana, o annunciado torneio de foot-ball entre 8 clubs seus filiados, promovido pela Associação das Damas de Beneficencia em favor das crianças desvalidas. A festa que teve inicio pouco depois das 13 horas, revestio-se de desusado brilhantismo e grande animação, logrando uma concurrencia selecta e numerosa de familias e cavalheiros. 

Tomaram parte no torneio os seguintes clubs: Casa Forte, Sport, Torre, America, Nautico, Santa Cruz, Peres e Flamengo. O jogo transcorreu sempre muito animado, tendo sido valentemente disputado atravez lances admiraveis que mereceram prolongados applausos da escolhida assistencia.

A victoria do torneio coube ao Santa Cruz, que fez jus, assim a artistica e valiosa estatueta de bronze que a Associação das Damas de Beneficencia instituira como premio ao club vencedor.  O 2º lugar foi atribuido ao Sport.

O jornal trouxe a escalação das equipes durante a tarde, com as formações num incrível 2-3-5. Pois é, dois zagueiros, três meias e cinco atacantes.

Santa Cruz
Ilo; Mangabeira e Jorge; Castro, Theophilo e Manoel; Pitota, Sá, Tiano, Alberto e Anizio 

Náutico
Nelson; Cazuza e Zé Maia; Amarinho, Davino e Bibi; Nadu, Fernando, Lopes, Ivan e Maximo

Não havia arquibancada, mas o público que cercou o campo foi numeroso, na base do “olhômetro”. Segundo A Província, ”não exageramos dizendo que alli compareceram cerca de 2.000 pessoas, hontem”. O Jornal Pequeno foi além. “A grande assistencia, calculada em 5.000 pessoas, dispersou-se a passeiar em redor do campo emprestando-lhe um aspecto encantador”.

O Jornal Pequeno foi o único a escrever alguma análise sobre o clássico.

“Victoria dos tricolores sobre o Nautico pelo elevado score de 3 goals e 1 corner” 

Scout de escanteios? Acredite, era este o critério de desempate no torneio – uma tradição também no antigo Torneio Início. Ou seja, mesmo que o Náutico tivesse marcado três gols, seria eliminado por ter menos escanteios a favor. Por sinal, na estreia coral, contra o América, o número de corners foi o destaque: “os tricolores fortes, ageis e seguros conseguiram estabelecer um domínio completo sobre os americanos, arrancando-lhes a victoria pela diferença esmagadora de 6 corners e 1 goal contra 1 corner”.

Eis a tabela completa do Torneio Associação das Damas de Beneficência:
Quartas de final
Náutico 1 x 0 Casa Forte
Santa Cruz 1 x 0 América
Flamengo do Recife 0 x 0 Peres*
Sport 1 x 0 Torre
* O Fla passou porque teve um escanteio a favor

Semifinal
Náutico 0 x 3 Santa Cruz
Sport 1 x 0 Flamengo do Recife 

Final
Santa Cruz 1 x 0 Sport

Confira o post com estatísticas sobre os 517 jogos do clássico aqui.

No Cornélio de Barros, o Salgueiro recebe a primeira decisão do Estadual no interior

Estádio Cornélio de Barros em junho de 2017. Foto: Salgueiro/facebook (@soucarcara)

O Campeonato Pernambucano de 2017 já está marcado como um dos mais desorganizados da história, com inúmeros palcos vetados no interior, formações reservas em campo e falta de datas. Entre os dois jogos da final, um hiato inacreditável de 52 dias. Após uma longa costura, que envolveu até a Conmebol, devido ao jogo dos rubro-negros pela Copa Sul-Americana, finalmente chegou o momento da decisão entre Salgueiro e Sport.

Em 28 de junho, o estádio Cornélio de Barros receberá a 69ª decisão em 103 edições, após o 1 x 1 na Ilha. É a primeira vez que o jogo final ocorre fora do Grande Recife – o próprio estádio salgueirense havia recebido a ida de 2015. Vale lembrar que Sport e Santa deram voltas olímpicas em Caruaru (1997) e Petrolina (2005), mas em conquistas de forma antecipada. Numa final à vera, teremos um cenário inédito no sertão. Com capacidade para até 12.070 espectadores, o Cornélio será o 8º estádio a receber uma final. O último palco inédito no futebol local havia sido a arena, há três temporadas.

Resta saber se veremos também o primeiro campeão do interior…
Quanto ao Sport, vai pelo 41º título, tentando ampliar o recorde…

Eis os palcos de todas as finais do Pernambucano de 1915 a 2016:

Ilha do Retiro (28)
Sport (15, com 52%) – 1948, 1961, 1962, 1981, 1988, 1991, 1992, 1994, 1996, 1998, 1999, 2000, 2003, 2006 e 2010
Santa Cruz (10, com 35%) – 1940, 1946, 1957, 1971, 1973, 1986, 1987, 2012, 2013 e 2016
Náutico (2, com 7%) – 1954 e 1965
América (1, com 3%) – 1944

Arruda (16)
Santa Cruz (8, com 50%) – 1970, 1976, 1983, 1990, 1993, 1995, 2011 e 2015
Náutico (6, com 37%) – 1984, 1985, 1989, 2001, 2002 e 2004
Sport (2, com 12%) – 1977 e 1980

Aflitos (15)
Náutico (7, com 46%) -1950, 1951, 1960, 1963, 1966, 1968 e 1974
Sport (5, com 33%) – 1917, 1949, 1953, 1955 e 1975
Santa Cruz (3, com 20%) – 1947, 1959, 1969

Avenida Malaquias (3)
América (1, com 33%) – 1921
Santa Cruz (1, com 33%) – 1932
Náutico (1, com 33%) – 1934

Jaqueira (3)
Santa Cruz (2, com 66%) – 1933 e 1935
Sport (1, com 33%) – 1920

British Club (2)
Flamengo (1, com 50%) – 1915
Sport (1, com 50%) – 1916

Arena Pernambuco (1)
Sport (1, com 100%) – 2014 

Os 100 anos do estádio dos Aflitos

Campo dos Aflitos em 1926. Foto: robertoblogdo.blogsopt.com

O Estádio dos Aflitos completa um século de história em 2017. Trata-se de um ícone do futebol pernambucano, onde foram realizadas mais de 3 mil partidas, segundo dados do pesquisador Carlos Celso Cordeiro. E olhe que 41% dos jogos não teve o Náutico em campo, com os rivais presentes durante muito tempo. Abaixo, um resumo em cada década, com as transformações do local, de campo a estádio, da posse da antiga liga ao claro sinônimo de Náutico.

Desempenho do Náutico nos Aflitos
1.768 jogos*
1.138 vitórias (64,37%)
336 empates (19,00%)
294 derrotas (16,62%)
70,7% de aproveitamento
* Competições oficiais e amistosos

Os clubes que mais atuaram nos Aflitos
1.768  Náutico
540  Santa Cruz
412  Sport

As 15 finais do Campeonato Pernambucano nos Aflitos
7 títulos – Náutico (1950, 1951, 1960, 1963, 1966, 1968 e 1974)
5 títulos – Sport (1917, 1949, 1953, 1955 e 1975)
3 títulos – Santa Cruz (1947, 1959, 1969)

Década de 1910
Em 1917, a Liga Sportiva Pernambucana, atual FPF, arrendou um terreno no bairro dos Aflitos, junto ao empresário Frederico Lundgren, com o objetivo de construir um campo de futebol. Estrutura simples, com a cancha murada e cercada por árvores. A entidade pretendia utilizá-lo nos jogos oficiais do campeonato estadual, com as 29 partidas daquela edição disputadas por lá. A primeira em 8 de abril, Sport 4 x 1 Paulista. Na decisão, um Clássico das Multidões (ainda sem esse apelido), com Sport 3 x 1 Santa. No ano seguinte à inauguração da cancha, a Liga desistiu do terreno e o Náutico prontamente assumiu os custos do arrendamento. Pagou 250 mil réis por quatro anos.

Década de 1920
O Náutico passou a ser o dono definitivo do campo em 1921, dando início às primeiras melhorias, incluindo a entrada da sede. A foto mais antiga data de 1926 (acima), ano do título do Torre, o único clube à parte do Trio de Ferro levantar a taça no local. Num torneio de pontos corridos com oito times, o “Madeira Rubra” sagrou-se campeão ganhando do Náutico na última rodada.

Náutico nos Aflitos: Bizu, final do Estadual de 1968 contra o Sport, final do Estadual de 1974 contra o Santa Cruz e Lala em 1968. Crédito: Arquivo/DP

Década de 1930
De campo a estádio. Começando pela mudança da posição do campo, com as barras saindo do sentido leste/oeste para o norte/sul, mantido até hoje. Surgiram também os primeiros degraus da arquibancada, apenas três, com a reabertura do local, já com status de “estádio”, em 25 de junho de 1939. Na ocasião, goleada alvirrubra por 5 x 2 sobre o Sport. Gols de Wlson (2), Bermudes, Celso e Fernando Carvalheira.

Década de 1940
O estádio dos Aflitos ganhou um sistema de iluminação em 19 de junho de 1941. Curiosamente, em um jogo que não envolveu o Náutico, Great Western 2 x 2 Flamengo do Recife. Na época, começou também a construção das sociais e cadeiras, uma estrutura ainda existente. Um jogo marcante na década ocorreu em 1º de julho de 1945, com a maior goleada da história do futebol local, Náutico 21 x 3 Flamengo. Tará balançou as redes nove vezes.

Década de 1950
O formato clássico dos Aflitos até meados dos anos 1990 foi finalizado na década de 1950, com a conclusão das arquibancadas e do antigo placar, conhecido como “Balança mas não cai” – um símbolo do futebol pernambucano. Além disso, foram construídos os túneis de acesso ao vestiário e colocados os primeiros alambrados. Época marcada por títulos, com o bicampeonato nos Aflitos em 50/51. O tri viria em plena Ilha do Retiro, ganhando os dois turnos. Em 1953, o estádio ganharia o nome de “Eládio de Barros Carvalho”, presidente do clube em 14 oportunidades, a primeira em 1948, quando incentivou a obra.

Década de 1960
A década dourada do Náutico, com o hexacampeonato estadual, boas campanhas na Taça Brasil, chegando à final, e participação na Libertadores. Nos Aflitos, a principal alteração foi construção das cabines de imprensa centrais. De lá, o registro audiovisual do recorde de público. Na decisão de 1968, no hexa, foram 31.061 torcedores espremidos assistindo in loco ao gol de Ramos, Náutico 1 x 0 Sport. O Recife acompanhou ao vivo na televisão.

Década de 1970
Dez anos sem grandes transformações. Com a inauguração do Arruda, em 1972, e a ampliação da Ilha, pouco antes, o Náutico jogou várias de suas principais partidas, no Estadual e no Brasileiro, nos campos rivais. Apesar disso, um jogo em especial aconteceu nos Aflitos, em 11 de dezembro de 1974. Náutico 1 x 0 Santa, com o 15º título pernambucano do timbu evitando o hexa tricolor. Ou seja, lá no Eládio nascia o bordão “Hexa é Luxo”.

Náutico nos Aflitos: Kuki no acesso à Série A em 2006, Acosta em 2007, Kieza no Brasileirão 2012 e acesso à Série A em 2011. Fotos: Ricardo Fernandes (2) e Gil Vicente, ambos do DP/D.A Press

Década de 1980
O Arruda estava novamente em obras, agora para a construção do anel superior. Paralelamente a isso, a direção timbu apresentou o “plano de expansão” dos Aflitos, em 28 de novembro de 1981. O estádio contaria com novas gerais, fosso, camarotes, cabines de imprensa e um novo lance de arquibancada no lugar do velho placar. Com isso, dobraria a capacidade, chegando a 50 mil lugares. “Não faremos dos Aflitos o maior estádio, mas o mais aconchegante”, frisou o então mandatário, Hélio Dias de Assis. Lendo assim, até parecia algo pequeno, mas seria um dos maiores estádios particulares do país. A obra não saiu, com o clube usando parte do recurso obtido no Bandepe para a reforma do calçamento na sede. Já os Aflitos virou praticamente um campo de treino, com apenas 140 partidas em dez anos.

Década de 1990
A segunda grande ampliação foi iniciada em 1996, com o aumento das arquibancadas laterais e central, tendo como consequência a demolição do “Balança mais não cai”. Um trabalho coordenado por Raphael Gazzaneo, que, de forma paulatina, foi arrecadando recursos junto à torcida para a construção de pequenos módulos num primeiro momento. Não por acaso, a obra duraria sete anos! Já em 1997, no quadrangular final da Série B, o estádio recebeu 28 mil torcedores para Náutico 0 x 2 América Mineiro.

Década de 2000
Em 2002, chegou ao fim o primeiro módulo da reforma, com a conclusão do anel inferior, com 22.856 lugares – já com a nova medição da Fifa, com 50 centímetros por pessoa. Anel inferior?! Isso mesmo, pois o projeto original de ampliação e modernização dos Aflitos previa uma capacidade de 34.050. A versão final, prevista até 2007, teria dois tobogãs cobertos e interligados por duas vigas metálicas. Ao todo, seriam 28.950 assentos no cimento, 4.500 cadeiras e 600 lugares nos camarotes, cuja venda dos espaços bancaria parte da obra. No período, o maior público foi na fatídica “Batalha dos Aflitos”.

Década de 2010
Com a Copa do Mundo no Brasil, proliferaram projetos de arenas de norte a sul. Na capital pernambucana foram nada menos que seis, incluindo a Arena Pernambuco, a única erguida. O próprio Náutico chegou a apresentar dois projetos de arena, deixando de lado a ampliação imaginada em 1996. Em 2013, o clube assinou um contrato de 30 anos para atuar na arena em São Lourenço. Com isso, parou até a manutenção dos Aflitos. Três anos depois, a rescisão unilateral do acordo por parte da Odebrecht, com o clube iniciando mais uma reforma em sua verdadeira casa, desta vez para obter os laudos básicos exigidos pela CBF – no último jogo, um amistoso com o Decisão, em 2015. Sonhando com o recomeço da centenária história em 2018…

Estádio dos Aflitos