Inauguração do Arruda acabou um carma antigo do Recife: o recorde de público

Amistoso de inauguração do Arruda, em 04/06/1972: Santa Cruz 0 x 0 Flamengo. Foto: Arquivo/DP

A construção do Arruda, transformando o alçapão num mundão de concreto, mudou o patamar do futebol pernambucano, então asfixiado pela capacidade de público reduzida, na Ilha e nos Aflitos, em relação a praças de porte semelhante, como a Bahia, já com a Fonte Nova. Pesquisando no acervo do Diario de Pernambuco é fácil encontrar queixas da crônica esportiva sobre o duradouro recorde até 1972. Até a inauguração do José do Rego Maciel, ainda com apenas um anel, a maior assistência local havia sido num Clássico das Multidões em 1955, com 34.546 torcedores. Borderô sempre lembrado.

Veio então a abertura oficial do Arruda, com o amistoso entre Santa Cruz e Flamengo. Foram nada menos que 57.688 pagantes e 4.497 não pagantes. Ou seja, mais de 62 mil torcedores assistiram ao empate sem gols, com a marca anterior finalmente descansando. E olhe que esse público deve ter sido bem maior, pois os portões foram arrombados, conforme a reportagem da época, que ouviu o superintendente da FPF, Napoleão Gonçalves.

Amistoso de inauguração do Arruda, em 04/06/1972: Santa Cruz 0 x 0 Flamengo. Foto: Arquivo/DP

“O pessoal da federação não pôde conter a invasão e houve um problema relacionado com o policiamento. Pedimos 180 homens, que chegariam ao estádio às 11h horas. Foram 100, e chegaram às 12h20. O esquema só começou a funcionar integralmente por volta das 14 horas. Cedo, houve um início de invasão, que foi controlada, mas depois ninguém pôde segurar o público.”

Para completar, o texto trazia: “informa Napoleão Gonçalves que calculadamente dez mil pessoas entraram sem pagar no setor de gerais”.

Abaixo, a nota oficial da direção tricolor acerca da capacidade, publicada no dia seguinte. Afinal, ficou a dúvida no ar. Qual seria a lotação máxima do novo estádio? Existem duas respostas, num contexto compreensível para a época: entre 66 mil e 81 mil, variando de acordo com a “taxa de conforto”. Essa taxa mudou tanto em mais de quatro décadas que o estádio, já com o segundo anel, hoje comporta até 55 mil, embora liberado para 50.582.

Amistoso de inauguração do Arruda, em 04/06/1972: Santa Cruz 0 x 0 Flamengo. Foto: Arquivo/DP

Se o recorde de público de 1955 incomodou durante 17 anos, a marca atual, de 1993, não deve virar uma preocupação. Até porque jamais será batida…

A evolução do recorde de público do Arruda*
62.185 – Santa Cruz 0 x 0 Flamengo (04/06/1972, amistoso)
62.711 – Santa Cruz 2 x 0 Náutico (01/08/1976, Estadual)
76.636 – Santa Cruz 1 x 1 Náutico (18/12/1983, Estadual)
76.800 – Brasil 2 x 0 Paraguai (09/07/1989, Copa América)
96.990 – Brasil 6 x 0 Bolívia (29/08/1993, Eliminatórias)
* A partir da inauguração

A evolução da capacidade máxima do Arruda
1972 – 66.040, após conclusão do anel inferior
1982 – 110.000 (+43.960), após a construção do anel superior
1993 – 85.000 (-25.000*)
2001 – 75.000 (-10.000*)
2005 – 65.000 (-10.000*)
2012 – 60.044 (-4.956*)
2015 – 55.582 (-4.462*)
* Redução por medida de segurança

Nota oficial do Santa Cruz sobre a capacidade, publicada no Diario de Pernambuco em 07/06/1972

Santa empata com o Oeste e segue sem reagir, com 1 vitória nos últimos 15 jogos

Série B 2017, 30ª rodada: Santa Cruz x Oeste. Foto: Ricardo Fernandes/DP

A dez rodadas do fim da segundona, o Santa teria cinco partidas no Arruda. Caso conseguisse se impor como mandante, a permanência ficaria bem próxima. Logo na primeira partida, o tricolor falhou. Em situação delicada na tabela, a direção baixou o preço dos ingressos, mas a resposta não foi boa, com 7.636 pessoas. Nota-se que a torcida já está calejada das atuações neste ano, sem organização e numa crise financeira difícil de dissociar.

Para completar o cenário, o adversário não era acessível. O Oeste veio ao Recife disposto a se manter na briga pelo acesso. Mesmo sem tanto cartaz, o time treinado por Roberto Cavalo tem um bom esquema defensivo e à frente conta com o artilheiro do campeonato. Por sinal, Mazinho disparou, marcando duas vezes na partida, chegando a 15. Num pênalti com categoria e num chute cruzado, da ponta da área, após se desvencilhar de Nininho. O time paulista chegou a ficar em vantagem duas vezes, com os corais buscando o empate. O lampejo de reação pernambucana começou após a (justa) expulsão do lateral rival. Logo depois, aos 10/2T, o primeiro gol. De pênalti, Grafite quebrou o jejum particular, desde 26 de agosto – ao todo, somando a passagem no Atlético-PR, foi apenas o 3º gol em 33 partidas em 2017.

Série B 2017, 30ª rodada: Santa Cruz x Oeste. Foto: Rafael Brasileiro/DP

Na reta final, quando Mazinho já havia aparecido novamente de forma fatal, João Paulo pegou uma sobra, mesmo com o ângulo encoberto. Veio a pressão pela virada, com todo mundo se lançando à última linha, até o zagueiro Mattis. Até chegou a resultar no grito de gol da torcida, mas foi abafado pelo apito do árbitro, anulando o rebote de Ricardo Bueno aos 44. Estava mesmo adiantado. Com o empate em 2 x 2, o Santa segue com apenas uma vitória nas mãos de Martelotte, já com oito jogos no comando. A má fase, na verdade, é bem mais longa, se aproximando de um “turno” inteiro.

Dos últimos 15 jogos, o Santa só venceu 1. Vencer as 4 partidas restantes no Arruda já não deve ser mais suficiente. Terá que se superar fora também…

Tricolor sob o comando de Martelotte (1V, 4E e 3D, com 29% dos pontos)
09/09 (23ª) – Santa Cruz 0 x 0 ABC (Arena das Dunas, RN)
15/09 (24ª) – Santa Cruz 3 x 0 Goiás (Arruda)
22/09 (25ª) – Santa Cruz 1 x 1 Londrina (Estádio do Café, PR)
26/09 (26ª) – Santa Cruz 0 x 0 Ceará (Arruda)
30/09 (27ª) – Santa Cruz 0 x 2 Internacional (Beira-Rio, RS)
07/10 (28ª) – Santa Cruz 0 x 1 América-MG (Arruda)
14/10 (29ª) – Santa Cruz 1 x 2 Figueirense (Orlando Scarpelli, SC)
17/10 (30ª) – Santa Cruz 2 x 2 Oeste (Arruda)

Série B 2017, 30ª rodada: Santa Cruz x Oeste. Foto: Ricardo Fernandes/DP

Com várias chances, Santa e Ceará ficam no 0 x 0. Graças a Everson e Júlio César

Série B 2017, 26ª rodada: Santa Cruz 0x0 Ceará. Foto: Roberto Ramos/DP

O segundo tempo no Arruda se estendeu até os 50 minutos. Até o último instante seguia um roteiro alucinante, de um jogo bem disputado, mas sem grito algum de gol. O empate em 0 x 0 entre Santa Cruz e Ceará foi ruim para ambos, um querendo fugir do Z4 e o outro querendo entrar no G4. No entanto, é difícil criticar a falta de luta das equipes, que criaram muitas oportunidades.

Com Derley e João Paulo de volta, o tricolor insistiu na bola aérea no primeiro tempo, com 11 x 1 em tentativas. Grafite foi importante como pivô, mas não foi um grande finalizador. Neste contexto, o mandante tinha mais posse de bola (55%) num jogo corrido, mas parecia não variar as jogadas. Forçando assim, viu o goleiro Everson bem atento. A sua meta também estava bem guardada, com Júlio César em grande noite, se redimindo da falha em Londrina. Se a primeira etapa mostrou uma partida equilibrada entre dois times separados por 13 pontos na Série B, na volta do intervalo o vozão foi superior.

Série B 2017, 26ª rodada: Santa Cruz 0x0 Ceará. Foto: Rafael Brasileiro/DP

Tocando bastante a bola, primeiro com Ricardinho e depois com o substituto, Felipe Menezes, o alvinegro mandou duas bolas na trave e chegou outras três vezes em ótimas condições de marcar. E aí coube ao goleiro coral fazer a sua parte. O Ceará parecia tão à vontade que acabou cedendo contragolpes – cenário invertido em relação ao primeiro tempo. E aí, já com Bruno Paulo no lugar de André Luís, o Santa abusou de perder gols, alguns no detalhe, outros parando em Everson, igualando a nota de JC. Lá e lô, com a torcida pregada até os descontos. Acabou num empate justo, mas não em branco.

Sob o comando do técnico Marcelo Martelotte, o time pernambucano segue invicto, mas com três empates em quatro jogos, num ritmo de pontuação ainda insatisfatório visando a meta contra o descenso.

Santa sob o comando de Martelotte (1v-3e-0d)
09/09 – Santa Cruz 0 x 0 ABC (Arena das Dunas, Natal)
15/09 – Santa Cruz 3 x 0 Goiás (Arruda)
22/09 – Santa Cruz 1 x 1 Londrina (Estádio do Café, Londrina)
26/09 – Santa Cruz 0 x 0 Ceará (Arruda)

Série B 2017, 26ª rodada: Santa Cruz 0x0 Ceará. Foto: Roberto Ramos/DP

Santa Cruz goleia o Goiás e quebra jejum de quase dois meses. Fôlego contra o Z4

Série B 2017, 24ª rodada: Santa Cruz 3 x 0 Goiás. Foto: Roberto Ramos/DP

Em dois meses, o Santa Cruz entrou em colapso, com a irregularidade em campo resultando na zona de rebaixamento, com direito a seis derrotas seguidas. O jejum era ainda maior, de oito partidas. No período, a mudança de técnico, algum tempo para treinar e a necessidade de voltar a “disputar” a Série B. O empate sem gols com o lanterna pode ter estancado a série de derrotas, mas havia deixado um gosto amargo pelo péssimo futebol mostrado, admitido pelo próprio comandante, Marcelo Martelotte.

Em uma semana cheia, era preciso assimilar isso visando o Goiás, o segundo clube de maior receita segundona, mas que, de forma injustificável, encontra-se na mesma corrida contra o descenso. Um novo tropeço deixaria o tricolor num buraco profundo. E a vitória, claro, traria um alívio potencializado pela tabela, pois o outro concorrente de peso, o Figueira, pega o Inter como visitante. Matemática à parte, era preciso jogar bola. Ou seja, alinhando organização e um jogo mais rápido em relação àquele visto em Natal. Neste caso, não se trata de um sinônimo de pressa, mas de objetividade.

Série B 2017, 24ª rodada: Santa Cruz 3 x 0 Goiás. Foto: Roberto Ramos/DP

Como visto no primeiro gol no Arruda, bem cedinho, com 2min50s. Tiago Costa lançou do meio-campo, André Luís matou no peito, olhou para a área e cruzou rápido, na medida para João Paulo. De surpresa, o meia de 1,67m cabeceou livre, certeiro. Era a mesma vantagem obtida nas três partidas anteriores no Recife, contra Paysandu, Criciúma e CRB. Com Nininho e Tiago Costa mais atentos na recomposição e com João Ananias e Derley num ritmo melhor de marcação (a dupla não vinha bem), o sistema defensivo melhorou, embora o alviverde tenha criado algumas chances, mas sem ‘a’ chance.

Para não correr risco, cabia ao Santa matar logo o confronto. Demorou, mas conseguiu. Aos 39 e 42 minutos, Bruno Paulo – acionado no decorrer – apareceu bem demais. Finalizou colocado no primeiro lance e fez boa jogada individual no segundo, 3 x 0. Foi a primeira vitória de Martelotte nesta sua terceira passagem. Agora, terá mais uma semana cheia para colocar a casa em dia. O mesmo tempo para a direção também fazer a sua parte…

Santa Cruz sob o comando de Martelotte
09/09 – Santa Cruz 0 x 0 ABC (Arena das Dunas, Natal)
15/09 – Santa Cruz 3 x 0 Goiás (Arruda)

Série B 2017, 24ª rodada: Santa Cruz 3 x 0 Goiás. Foto: Roberto Ramos/DP

As bandeiras tremulando nas torcidas do Recife, uma festa do passado. Sem volta?

Bandeiras tremulando em todos os cantos dos Aflitos, do Arruda e da Ilha do Retiro. Acredite, os estádios eram assim. Na época do Eládio com o ‘balança mas não cai’, do Mundão ganhando o anel superior, do Adelmar sem os tobogãs. Nos anos 90, no embalo do surgimento das torcidas organizadas, com características distintas das atuais, as bandeiras com hastes começaram a ficar concentradas nos núcleos das uniformizadas. Seguindo a história, com o aumento da violência, vieram as proibições. Rolos de papel, sinalizadores e até bandeiras. Ao menos aquelas com hastes, aquelas que realmente davam vida aos estádios. Os suportes dos pavilhões transformaram-se em armas nas mãos de marginais. Assim, São Paulo foi o primeiro centro de futebol a proibir, através do artigo 5º da Lei 9.470, de 27 de dezembro de 1996. Faz tempo.

Demoraria, mas Pernambuco seguiria a mesma linha, atendendo à PM.

E a festa ficou diferente… Sem previsão de volta.

Talvez faça parte da evolução do espetáculo, talvez. De toda forma, era incrível a atmosfera dos estádios do Recife. Visualmente falando, imbatível.

Torcida do Náutico no Arruda em 1984

Torcida do Santa Cruz no Arruda na década de 1980

Torcida do Sport na Ilha do Retiro em 1982

Com 27% de aproveitamento, Givanildo deixa o Santa após a 6ª derrota seguida

Givanildo Oliveira em sua último jogo pelo tricolor em 2017 (Santa 1 x 2 CRB). Foto: Roberto Ramos/DP

O início foi até promissor, com uma goleada sobre o Brasil de Pelotas, reaproximando o Santa do G4 da Série B. E a missão de Givanildo Oliveira, o treinador com o maior número de acessos na competição, era recolocar a equipe nos trilhos após os trabalhos de Eutrópio e Adriano. Porém, o time não encaixou. O experiente técnico, de 69 anos, até promoveu mudanças, na escalação e na parte tática, mas os resultados não vieram, com o clube caindo na classificação rodada a rodada. Potencializado pelo atraso salarial, uma queixa constante (e justa) de Giva, o Santa acabou no Z4, com seis derrotas seguidas. O remédio da direção acabou sendo a troca de comando, numa tentativa de choque de gestão. Naturalmente, o objetivo é evitar outro descenso. Por isso, quatro horas após o revés diante do CRB, o presidente Alírio Moraes confirmou a demissão, através do twitter oficial do clube.

“A diretoria do Santa Cruz se reuniu, na noite deste sábado, e ficou definido que o técnico Givanildo Oliveira não continua no clube. O Santa Cruz reconhece o empenho do treinador e agradece ao mesmo pelos serviços prestados no comando do elenco”

Em sua sexta passagem no clube, Givanildo somou apenas 27% dos pontos. Assumiu na 11ª rodada, com o Santa em 12º lugar, a cinco pontos do G4 e a dois pontos do Z4. Onze rodadas depois, entregou na 18ª colocação, a 14 pontos da zona de classificação e a dois do primeiro time fora da degola.

Os 11 jogos sob o comando de Givanildo Oliveira*
07/07 – Santa Cruz 3 x 0 Brasil
11/07 – Luverdense 2 x 2 Santa Cruz
15/07 – Náutico 0 x 0 Santa Cruz
18/07 – Santa Cruz 1 x 0 Vila Nova
21/07 – Santa Cruz 1 x 1 Boa
29/0
7 – Paraná 4 x 0 Santa Cruz

01/08 – Santa Cruz 1 x 2 Paysandu
05/08 – Juventude 2 x 1 Santa Cruz
08/08 – Santa Cruz 1 x 2 Criciúma
19/08 – Guarani 2 x 0 Santa Cruz
26/08 – Santa Cruz 1 x 2 CRB

* 27% de aproveitamento (2V-3E-6D)

Santa perde de virada do CRB, chega a seis derrotas seguidas e segue no Z4

Série B 2017, 22ª rodada: Santa Cruz 1 x 2 CRB. Crédito: Premiere/reprodução

O Santa voltou a decepcionar, numa curva descendente cada vez mais perigosa. O time somou a sexta derrota seguida, igualando a pior série do Náutico, quando no Z4. É o q que parece ocorrer com o tricolor, cujo rendimento em campo é bastante irregular. No Arruda, perdeu a terceira seguida com o mesmo script. Diante de Paysandu, Criciúma e CRB fez 1 x 0 e sofreu o 1 x 2. Desta vez, o entrou em campo beneficiado pela derrota do Goiás, fazendo com que uma simples vitória sobre o rival alagoano o tirasse do Z4. O fato de também ter sido o primeiro jogo de Grafite no Mundão, em sua quarta passagem, também contribuiu para o público. Acima da média coral na competição, mas ainda longe do ideal: 8.110 espectadores.

O técnico Givanildo Oliveira apostou no meia João Paulo, centralizando o Grafa, com Bruno Paulo e André Luís nas pontas. Manteve Ricardo Bueno no banco, cuja utilização foi posta em dúvida desde o retorno do camisa 23. E, de fato, a estrutura tática já era a mesma com Bueno. Contudo, o coletivo segue ruim, mesmo com os testes. É um time deserto no meio-campo, cujo setor foi travado pela boa participação do volante Rodrigo Souza, ex-Náutico. Mais organizado, o CRB só não aproveitou as chances na primeira etapa pelas duas furadas do atacante Edson Ratinho, uma pra finalizar e outra pra cruzar.

Série B 2017, 22ª rodada: Santa Cruz x CRB. Foto: Roberto Ramos/DP

Mesmo mal, o Santa abriu o placar, a partir de um erro do CRB, com Nininho esperto. Dominou a bola e cruzou para Grafite que, em posição adiantada, balançou as redes. O ídolo coral chegou a 48 gols em 110 partidas, somando todas as passagens. Ainda faria outro, também adiantado, mas desta vez anulado pela arbitragem. No segundo tempo, a chuva apertou demais. A condição do gramado estava melhor, mas ficou bem pesado e com algumas poças. Curiosamente, quem se adaptou logo foi o visitante. Ou seja, passes mais altos e arremates de longe, como no golaço de Tony, aos 14.

O tricolor acusou o golpe, exalando nervosismo. Giva mudou nove minutos depois, de forma dupla. Saíram os dois pontas e entraram Bueno e Léo Lima. Ou seja, mais um meia para dar qualidade ao último passes e dois atacantes de área. Embora o zagueiro alagoano Adalberto tenha falhado bisonhamente duas vezes na entrada da área, os corais não aproveitaram. No finzinho, todas as boas chances passaram a ser do CRB, como uma falta no travessão de Neto Baiano. Aos 43, o ex-atacante do Sport iniciaria a jogada decisiva, cruzando para Marion, que, na linha de fundo, devolveu de cabeça para Chico, que completou para o gol vazio, 1 x 2. Assim, aumentou para sete o jejum de vitórias do Santa e aumentou a incerteza sobre a capacidade de reação…

O jejum de vitórias do tricolor na Série B
21/07 – Santa Cruz 1 x 1 Boa
29/07 – Paraná 4 x 0 Santa Cruz

01/08 – Santa Cruz 1 x 2 Paysandu
05/08 – Juventude 2 x 1 Santa Cruz
08/08 – Santa Cruz 1 x 2 Criciúma
19/08 – Guarani 2 x 0 Santa Cruz
26/08 – Santa Cruz 1 x 2 CRB

Série B 2017, 22ª rodada: Santa Cruz x CRB. Foto: Roberto Ramos/DP

No Arruda, o Santa Cruz toma virada do Criciúma e chega a 4 derrotas seguidas

Série B 2017, 20ª rodada: Santa Cruz 1 x 2 Criciúma. Foto: Peu Ricardo/DP

Imerso numa crise financeira, com seguidos atrasos salariais, o Santa não vai conseguindo obter resultados contrários em campo. De volta ao Arruda, após mandar cinco jogos na arena, o tricolor perdeu do Criciúma na abertura do returno. Chegou a quatro derrotas seguidas e vê o Z4 como um perigo real.

Tentando sacudir a equipe, Givanildo Oliveira fez seis mudanças em relação ao jogo anterior, em Caxias. À parte dos retornos do goleiro Júlio César e do zagueiro Bruno Silva, após a suspensão, o técnico mexeu à frente, puxando o atacante Ricardo Bueno para o meio e deixando Halef Pitbull centralizado. Era uma tentativa para melhorar a articulação, após seguidas apresentações sem muita inspiração. Não adiantou, com o time criando pouco e atacando mal. Desconfiada, a torcida coral deu o recado “em casa”. Mesmo com o hiato de 52 dias, apenas 4.308 torcedores compareceram ao Mundão. Borderô abaixo até da média (ruim) registrada em São Lourenço da Mata, de 6.374.

Série B 2017, 20ª rodada: Santa Cruz 1 x 2 Criciúma. Foto: Rafael Brasileiro/DP

No gramado, poupado no período, os catarinenses assustaram já aos 4 minutos, trocando dois passes e ficando cara a cara com JC. Seria uma síntese dos erros defensivos do tricolor, marcando à distância. É verdade que, num bom contragolpe, André Luís ainda abriu o placar – tropeçando na placa de publicidade na comemoração. Contudo, àquela altura o jogo já era equilibrado, com o visitante marcando forte um meio-campo pouco eficaz.

O empate saiu com 1min37s do segundo tempo, justificando o futebol visto. Jaime farrapou (novidade?) e a bola sobrou para o atacante Silvinho, que marcou o seu 6º gol na Série B. Depois, Bueno ainda perderia boa chance para desempatar, com o jogo truncado e o Criciúma retraído, deixando a bola com o Santa. Esperava o erro, claro. Já na reta final, aos 30, vacilo duplo, com Erick Flores (cruzamento) e Alex Maranhão (chute de prima) livres. Na hora da finalização, eram cinco corais na área, nenhum deles marcando o rival. Com o 1 x 2, o tigre devolveu a virada da estreia. Quanto ao Santa, do aniversariante Giva, 69 anos, a campanha tende a ser contra o rebaixamento

Os 9 jogos sob o comando de Givanildo Oliveira*
07/07 – Santa Cruz 3 x 0 Brasil
11/07 – Luverdense 2 x 2 Santa Cruz
15/07 – Náutico 0 x 0 Santa Cruz
18/07 – Santa Cruz 1 x 0 Vila Nova
21/07 – Santa Cruz 1 x 1 Boa
29/0
7 – Paraná 4 x 0 Santa Cruz

01/08 – Santa Cruz 1 x 2 Paysandu
05/08 – Juventude 2 x 1 Santa Cruz
08/08 – Santa Cruz 1 x 2 Criciúma

* 33% de aproveitamento (2V-3E-4D)

Série B 2017, 20ª rodada: Santa Cruz 1 x 2 Criciúma. Foto: Peu Ricardo/DP

Troféu Gena poderá ser decidido no número de expulsões ou em sorteio

O regulamento do Troféu Gena, a simbólica disputa no centenário do Clássico das Emoções

Náutico e Santa já disputaram sete clássicos em 2017, contando Estadual, Nordestão e Brasileiro. O retrospecto é equilíbrio puro, com 2 vitórias pra cada, 6 gols pra cada e 1 vermelho pra cada, além de três empates. Oficialmente, resta apenas uma partida na temporada, pelo returno do Série B.

É o jogo que decidirá o campeão do Troféu Gena, a simbólica premiação celebrando o centenário do Clássico das Emoções. Só a agora a FPF publicou o “ato comemorativo nº 1″ com o regulamento oficial da taça, que soma os resultados de todas as competições oficiais no ano. Se em 2016, no Troféu Givanildo Oliveira, havia a possibilidade de divisão, em caso de igualdade em pontos, desta vez a federação resolveu adotar mais critérios.

Quem ganhar a 8ª partida, leva. Em caso de empate, são dois caminhos. Como o saldo de gols está empatado, na prática vale o número de expulsões! Hoje, também idêntico, com Luís Eduardo (alvirrubro) e Jaime (tricolor) expulsos logo no primeiro clássico, em janeiro. E se houver empate pela 4ª vez e nenhuma expulsão? Aí, teremos um sorteio às 16h30 do dia 6 de novembro, uma segunda-feira, na sede da FPF…

Jogos disputados em 2017
29/01 – Náutico 1 x 1 Santa Cruz, Estadual (Arena, 4.622 pessoas)
04/02 – Santa Cruz 1 x 0 Náutico, Nordestão (Arruda, 5.086)
12/03 – Náutico 1 x 0 Santa Cruz, Nordestão (Arena, 6.692)
10/04 – Santa Cruz 1 x 2 Náutico, Estadual (Arruda, 5.055)
06/05 – Náutico 1 x 2 Santa Cruz, Estadual (Arena, 2.592)
18/05 – Santa Cruz 1 x 1 Náutico, Estadual (Arruda, 3.387)
15/07 – Náutico 0 x 0 Santa Cruz, Série B (Arena, 13.450)
Média de público: 5.840

Jogo a disputar em 2017
04/11 – Santa Cruz x Náutico, Série B (Arruda) 

Classificação após 7 clássicos
Náutico – 9 pontos; 2 vitórias, 3 empates e 2 derrotas; 6 GP/6 GC; 1 vermelho
Santa – 9 pontos; 2 vitórias, 3 empates e 2 derrotas; 6 GP/6 GC; 1 vermelho

Os campos alternativos para treinos do Santa durante obra do Ninho das Cobras

Mapa dos locais de treinamento do Santa no Grande Recife nesta década: Crédito: Cassio Zirpoli, via Google Maps/Pixler Express

A década atual marcou o ressurgimento do Santa Cruz, que voltou a empilhar taças e saiu da Série D, chegando a disputar a Série A em 2016. Foi neste período, também, que o tricolor comprou o terreno de 10,5 hectares na estrada da Mumbeca, no bairro da Guabiraba, projetando a construção de um centro de treinamento. A aquisição de R$ 1 milhão ocorreu precisamente em 7 de julho de 2011. Entretanto, esta lacuna estrutural não foi preenchida no ritmo da retomada de resultados no futebol.

À parte dos cinco títulos estaduais em sete anos e da inédita conquista da Copa do Nordeste, o clube estourou prazos no CT. O último versa sobre a conclusão do primeiro dos três campos oficiais até setembro de 2017. Para isso, uma colaboração massiva da torcida coral, com a criação de grupos de arrecadação para metas no CT, incluindo caminhões de brita e areia, placas de grama e outras necessidades que apareçamna obra. Essas doações passam de R$ 46 mil. Paralelamente à obra, o clube perambulou bastante nos últimos anos para conseguir treinar no Grande Recife. Tendo apenas o campo do Arruda, ocorreram saídas forçadas, que resultaram em episódios incomuns. Só em 2017 já foram três (Arena, Português e Olinda).

Abaixo, os locais alternativos do Santa e as distâncias para o Arruda.
Obs. A ordem se refere apenas a uma questão estética sobre o mapa acima.

1) Clube de Campo da Alvorada (24,7 km)
Entre os campos utilizados pelo Santa no Grande Recife, este foi o mais distante da sede do clube. Em Aldeia, os treinos no clube campestre, inaugurado em 1962, aconteceram com certa regularidade em 2015, durante o Estadual e no início da Série B.

Santa treinando no Clube de Campo Alvorada, 09/06/2015. Foto: Santa Cruz/site oficial

2) CT Rodolfo Aguiar/Ninho das Cobras (18,7 km)
O centro de treinamento do clube prevê a construção de três campos no “Padrão Fifa”, 105m x 68m, além de um alojamento com 55 quartos e um centro administrativo. O empreendimento está orçado em R$ 5 milhões.

Construção do Centro de Treinamento Ninho das Cobras, 22/06/2017. Foto: Santa Cruz/site oficial

3) Centro José Andrade Médicis, do Sport (17,0 km)
O time coral já havia treinado no local antes de 2008, ainda sob a posse do extinto clube Intercontinental. Sob administração do leão, houve uma passagem na tarde de 7 de setembro de 2012, uma vez que o Arruda foi poupado visando o amistoso Brasil x China, quatro dias depois. Curiosidade: naquele mesmo dia, pela manhã, o time treinou no CT do Náutico.

Santa treinando no CT José de Andrade Médics, 07/09/2012. Foto: Santa Cruz/assessoria

4) Estádio Ademir Cunha (13,2 km)
O estádio em Paulista, na zona norte da região metropolitana, já foi recorrente considerando os treinos fora do Mundão. Porém, o estado do gramado, costumeiramente ruim, diminuiu o número de visitas. Foi utilizado durante o vice da Série B, em 2015.

Santa treinando no Estádio Ademir Cunha, 22/06/2015 . Foto: Santa Cruz/twitter

5) CT do Unibol (14,6 km)
Em 4 de julho de 2012, o campo do Arruda precisou de reparos. Como o plano B, o Ademir Cunha, já estava reservado para jogos da 2ª divisão estadual, o Santa, acabou indo ao CT do Unibol – que fechou o departamento profissional, mantendo apenas escolinhas. Em frente ao Cemitério de Paulista, o nível do campo foi criticado pelo time, que disputava a Série C.

Santa treinando no CT do Unibol, em Paulista. Foto: Rodolfo Bourbon/DP

6) Estádio Grito da República (11,3 km)
O estádio olindense foi inaugurado sem a infraestrutura adequada. Apesar do campo, os sistemas elétrico e hidráulico não foram finalizados. Sem os laudos técnicos em Rio Doce, o Santa teve que jogar um amistoso na pré-temporada, em janeiro de 2017, sem público.

Santa treinando no Estádio Grito da República, em Olinda. Foto: Santa Cruz/twitter

7) Centro Recreativo do Real Hospital Português (16,1 km)
Foi o último campo alternativo encontrado pelo clube, numa parceria com o Hospital Português. Desconsiderando a Arena, este foi considerado o melhor gramado onde o time realizou práticas em 2017.

Santa Cruz treinando no Centro Recreativo do Real Hospital Português. Foto: Santa Cruz/site oficial

8) CT Wilson Campos, do Náutico (8,4 km)
O Santa já utilizou o centro de treinamento do rival alvirrubro, na Guabiraba, em duas oportunidades: 2012 e 2014. Em uma delas, o Náutico também utilizou um dos campos do CT, simultaneamente.

Santa treinando no CT Wilson Campos. Foto: Santa Cruz/twitter

9) Estádio do Arruda
Desde a abertura para os primeiros jogos oficiais do clube, em 1967, antes mesmo da conclusão do anel inferior, em 1972, o José do Rego Maciel sempre foi o campo principal para os treinos do time profissional. O excesso de uso foi determinante para saídas oportunas do Santa.

Santa Cruz treinando no Arruda. Foto: Santa Cruz/twtter

10) Arena Pernambuco (21,5 km)
Em alguns dos jogos firmados em São Lourenço, o clube solicitou a utilização do local na véspera das partidas. Como, por exemplo, em 23 de junho de 2017, antes de enfrentar o Figueirense. A arena não costuma fazer objeção, tanto que já cedeu o campo para Náutico e Sport na véspera de alguns jogos.

Santa treinando na Arena Pernambuco. Foto: Santa Cruz/twitter