Matthäus e Maradona com a companhia de Lahm ou Messi

Matthäus (1990) e Maradona (1986) comemorando os títulos da Copa do Mundo após finais entre Alemanha e Argentina

A grande final da Copa do Mundo de 2014 reunirá o melhor time da competição e a equipe liderada pelo melhor jogador dos últimos anos.

A disciplina tática associada à pura técnica e habilidade dos alemães contra a genialidade de Messi, apoiado pela garra de seus companheiros.

Alemanha x Argentina é um dos maiores clássicos da história do futebol.

Torcida verde e amarela à parte, decisão valoriza ainda mais o Mundial do Brasil.

O jogo deste 13 de julho, no Maracanã, será o sétimo confronto entre os dois países, igualando o recorde o Brasil x Suécia. Mas o recorde vai bem além disso. Será nada a terceira decisão em uma Copa. Até hoje, uma glória para cada lado.

Em 1986, o brilho eterno de Diego Armando Maradona, num 3 x 2 no estádio Azteca, diante de 114 mil torcedores.

Em 1990, a metódica seleção germânica ganhou por 1 x 0, com o gol de Andreas Brehme no Stadio Olimpico.

A negra em 2014 vem precedida da supremacia alemã nos últimos duelos. Não por acaso, em 2006 e 2010, derrotaram os argentinos nas quartas de final.

Ao 20º campeão mundial da história, a Taça Fifa, que será erguida pela terceira vez por uma mesma seleção, algo inédito desde a criação do troféu há quarenta anos.

Nas conquistas anteriores, os capitães foram Lothar Matthäus e Maradona. No Maraca, a honra caberá ao lateral Philipp Lahm ou ao atacante Lionel Messi…

De uma grande derrota no Mundial até a CPI. Mas sem dúvidas sobre a escalação

Ronaldo sendo interrogado na CPI CBF/Nike em 10 de janeiro de 2001

A acachapante derrota brasileira na final da Copa do Mundo de 1998, com Zinedine Zidane comandando a França no 3 x 0, deflagrou uma crise administrativa na CBF, chegando a uma investigação através de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI). Duas, na verdade, com uma no Senado e outra na Câmara. A investigação foi até junho de 2001.

A diligência focou o milionário contrato entre a CBF e a Nike, assinado em 1996 e que renderia US$ 160 milhões durante uma década. Contudo, os interrogatórios se estenderam aos integrantes do Mundial. Foram chamados Zagallo, Edmundo e Ronaldo, com a suspeita de que a fabricante, patrocinadora do Fenômeno, tivesse pressionado na escalação no Stade de France.

Quatro edições depois, a Seleção voltou a sofrer um golpe duríssimo em campo. A humilhante derrota na semifinal, em casa, deixará marcas na história da paixão nacional. O 7 x 1 aplicado pela Alemanha pode ser o recomeço organizacional da Confederação Brasileira de Futebol.

Talvez não chegue a tanto, com uma nova CPI – uma ameaça constante à entidade. Mas, sobretudo, que os deputados não façam perguntas pertinentes como essas abaixo, em 10 de janeiro de 2001…

O sr. deputado Eduardo Campos – O Zagallo tinha… No esquema tático da Seleção, você tinha um papel… É fato, foi noticiado à época em alguns jornais, você tinha um papel na marcação do Zidane ou… ou isso é conversa do…

O sr. Ronaldo Luís Nazário de Lima – Quem tinha? Eu tinha um papel?

O sr. deputado Eduardo Campos – Sim, na… no esquema tático, na marcação do Zidane?

O sr. Ronaldo Luís Nazário de Lima – Isso vai ajudar muito na… na… na CPI?

O sr. deputado Eduardo Campos – Vai. Eu acho que vai. Senão, não teria perguntado.

O sr. Ronaldo Luís Nazário de Lima – Tudo bem. Eu não me recordo da marcação no Zidane, quem tinha que marcar.

O sr. deputado Eduardo Campos – Não recorda.

O sr. Ronaldo Luís Nazário de Lima – Tu diz na hora do gol do… do…

O sr. deputado Eduardo Campos – Não. Na hora do gol, não.

O sr. Ronaldo Luís Nazário de Lima – … ou durante o jogo?

O sr. deputado Eduardo Campos – Durante o jogo.

O sr. Ronaldo Luís Nazário de Lima– Ah, eu não me recordo quem deveria marcar o Dunga… o… o Zidane. Acho que quem deveria não marcou muito bem, também, não é?

O sr. deputado Eduardo Campos – Porque foram dois, né? (Risos.)

O sr. Ronaldo Luís Nazário de Lima – Pois é.

O sr. presidente (deputado Nelo Rodolfo) – Satisfeito, Deputado?

O sr. deputado Eduardo Campos – Satisfeito.

Pois é, acredite. Antes dos dois mandatos de governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) cumpriu três mandatos na câmara dos deputados, de 1995 a 2007, e foi um dos componentes da CPI CBF/Nike.

Sobre o relatório final, que acabou reprovado – sem surpresa alguma, como fica claro -, confira a íntegra do documento de 220 páginas aqui.

Brasil sofre a sua maior goleada em 100 anos e Alemanha toma recorde do Uruguai

Copa do Mundo 2014, semifinal: Brasil 1x7 Alemanha. Foto: Jefferson Bernardes/VIPCOMM

A blitz germânica sobre a Seleção Brasileira com 7 a 1 em pleno Mineirão foi o maior placar em uma semifinal de Copa do Mundo em todos os tempos. Até hoje, o recorde era da pioneira edição em 1930, com Argentina e Uruguai massacrando Estados Unidos e Iugoslávia por 6 a 1, respectivamente. No entanto, essa goleada sofrida pelo time verde e amarelo em 2014, em casa, foi bem além. A derrota foi a pior da centenária história do futebol da Canarinha.

A marca anterior, de 6 a 0, durava 94 anos. Em 1920, o Brasil, basicamente uma convocação carioca com o reforço do atacante Alvarizza, do Brasil de Pelotas, havia vencido o anfitrião Chile na estreia do Sul-Americano. No dia do confronto contra o Uruguai em Viña del Mar, no litoral chileno, o time – que ainda vestia um uniforme branco – entrou como líder, pois o clássico platense havia terminado empatado. Ledo engano. O Uruguai, ainda sem os títulos olímpicos, passou por cima. Goleou com três gols em cada tempo. No primeiro tempo, uma semelhança com o desastre em Belo Horizonte.

Nesta terça-feira, o time de Felipão sofreu quatro gols da Alemanha dos 23 aos 29 minutos. Há quase século, foram três gols uruguaios dos 23 aos 29. No fim daquela competição continental, o Uruguai terminou com o título, enquanto o Brasil foi o 3º lugar. Catorze anos depois, outra grande derrota da Seleção, em Belgrado, quando a antiga Iugoslávia venceu por 8 a 4, na maior quantidade de gols já sofrida pelo país em uma só partida – recorde que Mesut Özil chutou para fora a chance de igualar aos 44 minutos do segundo tempo.

Aquele amistoso ocorreu seis dias depois da eliminação brasileira no Mundial de 1934, na Itália. Na volta da delegação ao país, de navio, a equipe chegou a ser derrotada pelo Santa Cruz por 3 a 2 no antigo Campo da Avenida Malaquias, no Recife. Não há qualquer registo audiovisual dessas antigadas goleadas, ao contrário do Mineirazo na semifinal da Copa de 2014, exibida em alta definição para 200 países. Será simplesmente impossível esquecer.

Maior goleada da história da Seleção (em casa e em um Mundial)
08/07/2014 Brasil 1 x 7 Alemanha

Maior goleada sofrida em um Sul-Americano
18/09/1920 Uruguai 6 x 0 Brasil

Maior quantidade de gols sofrida
03/06/1934 Iugoslávia 8 x 4 Brasil (amistoso)

Jogadores do Uruguai no Sul-Americano, 1920, quando venceram o Brasil por 6 a 0. Crédito: AUF/divulgação

Caça-Rato Origens

Flávio Caça-Rato em ação nas categorias de base do Sport. Crédito: youtube/reprodução

Mito do futebol pernambucano, Flávio Caça-Rato já atraiu todo tipo de mídia possível. Gravou clipe musical, foi personagem de matéria em jornal inglês, cornetou Felipão e por aí vai. No Santa, o atacante de 28 anos é um xodó do povão.

Aqui, um vídeo encaminhado ao blog sobre o início de sua carreria – mas que já estava disponível no youtube desde 2010, antes sua chegada ao Tricolor. É o “DVD” do CR7, produzido por seu empresário, Gilson Medeiros. São cinco minutos de atuações… pelo Sport.

Caça atuou na base da Ilha. Na época, era chamado apenas de Flávio. Em 2006, foi o artilheiro do campeonato estadual de juniores com 25 gols.

Penteado diferente, mais magro. O carisma ainda estava por vir, além dos gols decisivos, um deles sobre o próprio ex-clube.

Relembre uma de suas primeiras entrevistas no Arruda clicando aqui.

Os ensinamentos de Romário aos mundialistas

Vídeos do Ensina, Romário!

Os sites no formato “tumblr” costumam ter postagem curtíssimas, monotemáticas. Alguns duram pouco tempo – até 24 horas, após o sucesso instantâneo na web. Não pare ser o caso da versão criada por Júlio César Cardoso, com o Ensina, Romário!.

A premissa é bem simples. Basta pegar algum chute perdido por qualquer atacante e mostrar um lance parecidíssimo com o craque brasileiro mandando para as redes. O primeiro vídeo foi publicado em 2013, com uma finalização de Alecsandro na final da Libertadores do mesmo ano e um gol de Romário no início de sua carreira no Vasco, em 1985.

Agora, o tumblr ganhou popularidade ao comparar os lances da Copa do Mundo de 2014, sempre com o ensinamento do campeão mundial de 1994. Já foram mais de cem vídeos. Abaixo, o primeiro e os cinco mais recentes, da Copa.

1º) Romário: ensina o Alecsandro! Mané biquinho de direita por cima, porra! Enfia a canhota!  (29/12/2013)

114º) Após confusão na área, a bola sobra para Mostefa, que bate pra fora! Ensina, Romário! (30/06/2014)

115º) Lançado com liberdade, Drmic tenta encobrir o goleiro e….falha de forma ridícula! Ensina, Romário! (01/07/2014)

116º) Foram tantos os gols perdidos em Bélgica x Estados Unidos, que foi preciso fazer uma edição especial (01/07/2014)

117º) Higuaín faz ótima jogada, mas exagera na força e finaliza por cima do gol! Ensina, Romário! (05/07/2014)

118º) Messi é lançado com liberdade, sai na cara do goleiro e… perde! Ensina, Romário! (05/07/2014)

Bastidores da volta por cima de Júlio César, com um técnico especial

Da atuação desastrosa nas quartas de final da Copa de 2010 à superação na disputa de pênaltis nas oitavas de 2014, Júlio César viu a sua carreira ir do auge, apontado como o melhor goleiro do mundo, ao obscuro futebol canadense…

Uma das patrocinadoras do camisa 12 da Seleção produziu um vídeo contando como foi a volta por cima, com a ajuda de um técnico especial…

Será que o vídeo seria uma produção após a campanha brasileira de 2014? Acabou sendo lançado em 30 de junho, antes da decisão.

Histórias da Copa do Mundo

O trabalho foi intenso, desde já inesquecível. Durante 15 dias, a dedicação foi integral ao Diario de Pernambuco, direto do Rio de Janeiro, como um dos quatro correspondentes do jornal no Mundial – os outros foram João Andrade em São Paulo, Brenno Costa em Salvador e Celso Ishigami em Fortaleza.

Foram 114 textos publicados no Superesportes, dia e noite. Faltou tempo para atualizar o blog. O corpo, a mente e o foco profissional, tudo encaminhado para as edições do DP. Aqui, então, algumas das matérias à parte da cobertura regular de treinos, coletivas e jogos. Até porque a Copa do Mundo é muito mais do que isso, com inúmeras histórias passando na sua frente… de torcedores, de um ambiente transformado, de uma experiência que jamais será esquecida.

Abaixo, resumos de 14 histórias. No hiperlink, os textos completos.

A emoção do jornalista costa-riquenho Leonel Sandí, assistindo na Arena Pernambuco à classificação inédita de sua seleção às quartas de final da Copa 2014. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

29/06 – Emoção de jornalista costa-riquenho contagia tribuna da Arena

As palavras iam sendo escritas com lágrimas no teclado, em uma cena real, humana. Foi preciso enxugá-las, pois seria uma atitude mais fácil do que conter a emoção. O jornalista costa-riquenho Leonel Sandí, de 24 anos, cobria a sua primeira Copa do Mundo com a missão de escrever sobre o maior momento futebolístico de seu país. Diante de seus olhos, viu uma aguerrida e carismática seleção superar a Grécia nos pênaltis, na Arena Pernambuco, se classificando pela primeira vez às quartas de final do Mundial. A sua emoção contagiou a todos na tribuna de imprensa. E a imagem acabou vista por 1,2 milhão de pessoas.

Carro colombiano de 1983 atravessa o continente até o Maracanã, visandl o Mundial de 2014. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

28/06 – Com 31 anos de estrada, carango colombiano brilha no Maracanã

Longe dos atuais padrões de design, o carrinho está cansado. Já rodou dezenas de milhares de quilômetros em todos os tipos de estrada no continente e já teve inúmeros proprietários. Os atuais não fazem nem ideia da quilometragem total, mas garantem: dá pra confiar no motor. Todo paramentado para o Mundial do Brasil, o Renault 4, fabricado em 1983, chegou ao Rio numa viagem desde Chiquinquirá, no norte colombiano. A bordo, os amigos Daniel Rincón, 29 anos, Jeni Avendaño e Roger Zambiano, ambos de 24. Durante o caminho, colecionaram histórias, com a ajuda de desconhecidos, tudo pela Copa.

Telão do Maracanã transmitindo o jogo Brasil x Chile, no Mineirão, pelas oitavas de final da Copa 2014. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

28/06 – A apreensão do Mineirão sentida pelos brasileiros no Maracanã

A atenção no Maracanã começou dividida no primeiro dia das oitavas de final. Em campo, o jogo seria Uruguai x Colômbia. Até a bola rolar no gramado, olhos para o alto, em direção a um dos quatro telões do estádio. Imagens em alta de definição em 98 metros quadrados, tendo como programação o jogo Brasil x Chile. Eram poucos torcedores no estádio carioca, mas já vibrando com a abertura do mata-ma. Pela primeira vez nesta Copa, a Fifa havia liberado a transmissão de outro jogo no estádio. E a torcida foi no embalo – o objetivo era evitar que o público demorasse a entrar no Maracanã porque estava assistindo ao jogo do Mineirão. Todo o sofrimento em Belo Horizonte acabou sentido “in loco” no Maraca, com direito à secação dos uruguaios.

Sem filhos, Nino vai criando a sua própria família à medida em que a 'hinchada' uruguaia vai chegando nas canchas. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

28/08 – O uruguaio colecionador de ingressos, fora das arquibancadas

Há cinco décadas o comportamento pouco usual no futebol é o mesmo. O jogo é resumido na ida ao estádio, ficando sempre próximo ao portão, mas do lado de fora. Não há motivo algum para sofrer nas arquibancadas assistindo à partida, pois é muito mais prazeroso curtir só o “pré-jogo”, colecionando os ingressos (“relíquias”) de tais apresentações. Essa é a vida de Nino Ledesma, um uruguaio de 58 anos, residente na “República Oriental do Uruguai”, como faz questão de dizer, citando o nome completo de seu país. A sua fantasia é uma grande colagem de ingressos de jogos de futebol, que não para de crescer.

Ao comemorarem gols, muçulmanos argelinos fazem reverência a Allah. Foto:  Quinn Rooney/Getty Images

23/06 – A real influência do Ramadã na Copa

O Ramadã é o período de reflexão espiritual dos muçulmanos, no qual praticam o seu jejum ritual. O nono mês do calendário islâmico, no qual acredita-se que Maomé recebeu os primeiros versos do Alcorão, começará em 28 de junho, seguindo por 30 dias. Ou seja, seria iniciado paralelamente às oitavas de final da Copa do Mundo de 2014. A relação é direta e precisou ser estudada pela Fifa, com possíveis reflexos na competição. Foram feitos estudos e consultas a seleções com muitos muçulmanos, com Argélia e Costa do Marfim. O tema é polêmico há tempos.

Dupla de sósias aproveita para faturar durante a realização da Copa do Mundo. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

20/06 – Sósias de Maradona e Valderrama ganham espaço de Pelé 

Tradicionalmente, um sósia de Pelé ganha uns trocados na frente do Maracanã em dia de jogo. Sumido nos últimos dias, viu a concorrência crescer. Não bastasse o eterno concorrente ao posto de melhor do mundo no futebol, Maradona, há também um Valderrama na parada, no embalo da seleção colombiana, já classificada às oitavas da Copa. Dividindo o espaço na frente da entrada principal do estádio, onde fica a estátua de Bellini, os dois sósias (pra lá de genéricos) cobram pequenas quantias por uma foto. Tamanha a quantidade de torcedores estrangeiros no entorno do Maraca desde que começou o torneio, a clientela tem sido até razoável.

Metrô do Rio de Janeiro, customizado para a Cop 2014. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

19/06 – Narração no metrô carioca colocando a torcida no clima da Copa

“Levanta a torcida que ele está chegando. Lá vem o maior do mundo, o Maraca. É queridão, é queridaço. Prepara para sair pela meia esquerda. Levanta na área, vai chegando, vai chegando, olha lá, olha lá. Levantou, chegoooou… Maracanã. É ele, o mais querido, o palco da finalíssima. Next stop, Maracanã.” Eis a narração na voz de Luiz Penido, locutor da Rádio Globo, especialmente gravada para anunciar a parada na estação de metrô mais próxima ao maior estádio da Copa do Mundo de 2014. E assim, o sistema metroviário do Rio se preparou especialmente para a grande demanda de torcedores no principal acesso ao estádio.

Casal russo no Rio de Janeiro para assistir à Copa do Mundo, mas sem o conhecimento de um segundo idioma. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

19/06 – De Moscou ao Maracanã, a barreira linguística

Um simpático casal de meia idade caminhava na calçada da Avenida Pausa Sousa apressando o passo. A chuva onipresente no Rio não estava prevista para os dois. Nas sacolas plásticas, água mineral e alguns biscoitos. Queriam passar o dia na região, próxima ao Maracanã. A chuva atrapalhou, mas complicado mesmo estava conseguir uma informação. Oleg e Olga Fedorenko são russos. Vieram, claro, por causa da Copa do Mundo, mas sem o conhecimento de um segundo idioma. A estrutura do Mundial de 2014 é feita a partir de três idiomas: português, espanhol e inglês. Não era o caso para os dois turistas, os primeiros de uma leva. Na base dos gestos, o prenúncio de uma dificuldade que muitos brasileiros deverão ter em 2018, na Copa da Rússia.

Misterchip trabalhando na cobertura de Chile 2 x 0 Espanha na Copa 2014. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

18/06 – Da paixão pela Espanha, um banco de dados para 1 milhão de pessoas

O seu perfil no twitter tem quase um milhão de seguidores. Eram 983.902 até a publicação da reportagem. Um número exato para perfilar alguém que só vive através dos dados esportivos. Alexis Martín-Tamayo, jornalista espanhol de 40 anos, começou a ficar famoso na rede social há quatro anos, através do @2010MisterChip. Durante a campanha da Espanha no Mundial da África do Sul, ele usou o microblog para derramar estatísticas sobre o torneio. Dos mais variados tipos. Algumas situações eram extremas, como “há quanto tempo não se marcava um gol de perna esquerda dentro da área faltando 15 minutos”. A descrição do twitter é clara, com “os segredos e a magia do futebol revelados”.

Casal, ela chilena e ele espanhol, no jogo Chile 2x0 Espanha, pelo Mundial 2014. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

18/06 – Chilena e espanhol, casados há dez anos, realizam sonho na Copa

Catherine Hidalgo e Diego Alonso se conheceram há dez anos em Valparaíso, na beira do Oceano Pacífico. Ela, chilena, torcedora do Wanderers e moradora da cidade litorânea. Ele, espanhol, estudando na região e fanático pelo Celta. Clubes sem tanta tradição em seus países, mas longe de mudar a paixão dos dois pelo futebol. Uma década depois, casados, vão à sua primeira Copa do Mundo, no Brasil. Após o sorteio, tentaram (e conseguiram) ingressos para o jogo entre as seleções de cada um, Chile e Espanha. Já planejam um filho, certamente com histórias para contar aqui do Brasil.

Estudantes do curso de Turismo entrevistam torcedores estrangeiros. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

18/06 – Estudantes aproveitam a Copa para a traçar um perfil dos estrangeiros

A quantidade de torcedores estrangeiros no Maracanã nos jogos da Copa do Mundo de 2014 passa de 30 mil, numa projeção por baixo. Aproveitando este nicho, o curso de turismo da Universidade Federal Fluminense criou uma pesquisa para traçar o perfil desses torcedores (e turistas). Trajados com um colete azul com as palavras “survey” e “encuesta”, ou pesquisa em inglês e espanhol, os alunos do 7º período vão fazendo 30 perguntas aos torcedores. A principal queixa, segundo os dados preliminares, é o preço de produtos e serviços cobrados nos bares, restaurantes e hotéis.

Deficiente visual, Thiago Campos foi à Fan Fest acompanhar o jogo da Seleção com o calor do público. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

17/06 – A atmosfera do futebol na areia apenas pelo som

“Vem com a gente, Thiago. Assiste lá. Vai perder uma dessa?” Os amigos nem precisaram insistir muito. O fato de ter futebol e multidão na jogada já era suficiente para convencer o rapaz de 21 anos, que diz gostar de fazer loucura por futebol. Apesar da autodescrição, a estreia no Mundial tinha sido em casa, na companhia da famíla, sem aperreio. Na segunda partida da Seleção, encarou a areia e o sol forte de Copacabana para torcer pelo time. No aperto. Entre os mais de 25 mil torcedores presentes na Fan Fest, numa gama de culturas e línguas tão distintas, ao menos um não fixou o olhar para o enorme telão de LED no palco principal. Não precisava. O comportamento da massa e a intensidade da narração bastavam para a tarde valer a pena. Thiago Campos não enxerga há dez anos. E que nem por isso deixou de frequentar o Maraca.

Torcedores argentinos acampados na Avenida Atlântica, a principal de Copacabana. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

16/06 – Copacabana Camping dos argentinos

A orla de Copacabana é um dos cartões postais mais conhecidos do mundo. A presença de turistas estrangeiros nem de longe é novidade. O mar de uniformes de seleções, sim, mudou a cara do lugar. Mas era até esperado, ainda mais com a enorme Fan Fest armada na praia. O que não se imaginava, e agora vem tirando sono das autoridades, é a quantidade sem fim de veículos acampados (literalmente) na Avenida Atlântica. Placas de Buenos Aires, Córdoba, Mendoza, Rosário, entre outras. Vans, trailers, carros. Todos percorrendo 2,5 mil quilômetros. Esse comboio involuntário de argentinos, que trouxe mais de 40 mil torcedores ao Rio, ainda não se dissipou. Cozinhando macarrão em pleno calçadão, argentinos que sequer viram o gol de Messi no Maraca.

CT da Inglaterra na Urca, no Rio de Janeiro. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

16/06 – Bunker inglês na urca com estrutura top bancada pela FA

A Football Association (FA), a federação inglesa de futebol, é uma das mais ricas do mundo. Para dar plenas condições de trabalho às suas seleções, os britânicos não costumam economizar. Os valores não foram revelados (em “libras esterlinas”), mas é difícil achar que saiu barato o quartel-general montado no bairro da Urca. Assim como Alemanha (sul da Bahia) e Holanda (estádio da Gávea), a Inglaterra criou seu próprio bunker no país. Utilizando a Escola de Educação Física do Exército, liberado especialmente para o Mundial, o English Team se sentiu em casa – apesar do clima quente. Montado em tempo recorde, o CT foi totalmente adaptado para receber a seleção inglesa.

O legado tecnológico na Arena Pernambuco

Tira-teima da Fifa no jogo Costa Rica 1 x 0 Itália, em 20 de junho de 2014, pela Copa do Mundo, na Arena Pernambuco. Crédito: Fifa/divulgação

O Goal-Line Technology foi a grande novidade tecnológica da Copa do Mundo de 2014. O tira-teima oficializado pela Fifa para o torneio no Brasil enfim abriu espaço para o uso da tecnologia no futebol – difundindo a ideia necessária após os erros grotescos em 2010. O sistema batizado de “GoalControl 4D” conta com 14 câmeras instaladas em pontos estratégicos no campo e foi implantado nos doze estádios do Mundial.

Encerrada a participação da Arena Pernambuco na competição, após cinco partidas, eis o grande legado. Todo o sistema continuará no estádio. Ao menos por um ano. A Fifa confirmou a liberação gratuita por 365 dias. Após o período – ou seja, em 29 de junho de 2015 -, teria de haver um acordo com a empresa alemã GoalControl GmbH, criadora e distribuidora do equipamento.

A entidade que comanda o futebol confirmou a permanência gratuita dos equipamentos em 13 de junho, através do seu diretor de marketing, Thierry Weil. No entanto, os valores da instalação e de sua manutenção não foram revelados. A CBF, através de seus diretor de competições, Virgílio Elísio, ainda avalia se usará o sistema no Brasileirão, uma vez que apenas doze estádios contam com o aparato, o que faria com que nem todas as partidas da Série A tivessem o recurso à disposição.

No palco em São Lourenço, a tecnologia foi usada uma vez, na partida entre Itália e Costa Rica. O gol costa-riquenho, numa cabeçada Bryan Ruiz, bateu no travessão e quicou rente à linha. O sistema comprovou que a bola havia ultrapassado a marca completamente. Foi o gol da histórica vitória do país centroamericano.

Copa do Mundo 2014: Costa Rica 1 x 0 Itália, na Arena Pernambuco. Foto: Michael Steele/Fifa)

Bora Milutinovic em mais um Mundial. Agora na rádio, mas sempre de bom humor

Bora Milutinovic, técnico com participação em cinco Copas do Mundo, no centro de mídia do Maracanã no Mundial de 2014. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

Rio de Janeiro – Aos 70 anos, o técnico Bora Milutinovic detém uma marca impressionante na história da Copa do Mundo. Fez fama ao estar presente em cinco Mundiais seguidos, sempre treinando uma seleção diferente. Todas do segundo escalão, é verdade, mas quatro delas passaram da primeira fase nas mãos do sérvio.

1986 – México (quartas de final)
1990 – Costa Rica (oitavas de final)
1994 – Estados Unidos (oitavas de final)
1998 – Nigéria (oitavas de final)
2002 – China (primeira fase)

Nas últimas três edições, Bora até tentou um lugarzinho na Copa, mas acabou como espectador. Tem prestígio no mundo futebol e bastante história para contar, tanto que está credenciado em 2014, mas como comentarista de uma rádio mexicana.

Na noite de sábado, o centro de mídia do Maracanã já estava quase vazio, fechando. Até que um senhor começou a ser entrevistado por duas japonesas e seu enorme aparato. Após a gravação, a abordagem do blog foi natural. Bem humorado, o experiente técnico atendeu, falando em espanhol, quase português.

A conversa, rendendo algumas gargalhadas, contou com outros três jornalistas presentes e durou 18 minutos. Aqui, alguns trechos da entrevista com um dos personagens carismáticos da Copa.

Qual é a sua opinião sobre a Seleção Brasileira?
“A Seleção Brasileira tem um público extraordinário. Tem jogadores que jogam em grandes clubes e tem dois treinadores campeões do mundo. O que pode temer? Tem quase tudo perfeito e deve ganhar, mas não será fácil.”

Se tiver que apontar uma seleção para bater o Brasil, qual seria?
“Bem, eu não disse que o Brasil era a primeira escolha. (risos). Eu só falei sobre a Brasil. Para mim, a favorita é a Espanha, que ainda tem chance de se classificar, ainda mais com os jogadores que tem.”

O que você acha da seleção da Bósnia, mais uma da ex-Iugoslávia?
“Eu nasci a 200 metros da Bósnia. É sério. É só um rio que separava o lugar. A Bósnia era do mesmo país, do mesmo coração, por hora separado, mas com o mesmo sentimento. Sobre o time, tem um atacante muito bom (Dzeko) e jogadores que jogam fora do país.”

Qual foi a sua campanha mais marcante no Mundial?
“A única coisa que lamento na Copa é ter jogador três vezes contra o Brasil. (risos dos repórteres) É sério! Com a Costa Rica, perdemos com um gol contra (na verdade, o gol foi de Muller). Em 1990, perdemos com um gol de Bebeto. Em 2002, perdemos para um time com Roberto Carlos e Ronaldo. Sempre. Mas também sou muito feliz de estar aqui no Rio, na terra do futebol mais importante do mundo.”

Ainda há tempo de superar Parreira, que também treinou cinco seleções na Copa?
“Parreira eu respeito muitíssimo. É um treinador exitoso. Eu nunca fui atrás de números para ser ou não o recordista. Penso no destino. Deus me deu o destino de disputar cinco Copas do Mundo. A história ainda não acabou. Estou aqui.”

Como seria o time da Iugoslávia, hoje, caso o país estivesse unido?
“Te asseguro que o time não seria unido, porque esse é o grande problema (gargalhada geral). Temos talento sim. Como seria, não se sabe, mas é uma lástima que isso não aconteça. Mas que bom que nesse Mundial temos duas equipes (Croácia e Bósnia). Que a Sérvia faça o mesmo.”

No fim da entrevista, já às 23h, o sérvio ainda perguntou como ir para Copacabana.

“Táxi ou ônibus?” Todos responderam táxi. E o técnico enfim foi embora…

Bora Milutinovic, técnico com participação em cinco Copas do Mundo, no centro de mídia do Maracanã no Mundial de 2014. Foto: Cassio Zirpoli/DP/D.A Press

BRT funciona no primeiro teste na Arena, mas com apenas 3 das 45 estações

Copa do Mundo de 2014, fase de grupos: Costa do Marfim 3 x 1 Japão. Foto: Maria Carolina Santos/DP/D.A Press

Por Maria Carolina Santos*

Minha primeira e única experiência na Arena Pernambuco havia sido a desastrosa vivência de Espanha x Uruguai, no primeiro jogo aqui na Copa das Confederações. Ali, tudo o que podia dar errado deu. Foi então com muito ceticismo que fui conferir Costa do Marfim x Japão.

Escolhi o BRT pela praticidade – é apenas um único transporte – e pela proximidade do Derby da minha casa. A estação estava cheia, mas a compra do ticket foi relativamente rápida. Em momento algum, porém, me pediram o ingresso do jogo.

O tempo de entrada no BRT – cheio, fiquei em pé – até chegar na parada da Arena foi de 35 minutos. Mas até entrar na Arena foram mais 45 minutos: a caminhada de mais ou menos 1 km até a entrada, a fila da segurança e a fila do ingresso. Tudo tinha fila e todas eram longas.

Antes do jogo começar, não havia muita dificuldade em comprar bebida ou comida. Era coisa de 15 minutos na fila. Antes do intervalo, contudo, não havia mais nenhum tipo de comida nos bares do quarto piso. O jeito era esperar um pipoqueiro passar. Vi muita gente revoltada.

A saída foi ainda mais rápida que a chegada. Deixei a Arena no momento que o juiz apitava o final da partida e corri para o BRT. Não consegui ir sentada, mas a viagem passou ligeira: em 29 minutos cheguei no Derby. Havia poucos táxis, mas tive sorte. Gastei 41 minutos do momento que entrei no BRT até chegar em casa, no Espinheiro. A ida consumiu 1h26.

Tirando o grave erro da falta de comida e as longas filas para entrar na arena, tudo saiu dentro dos conformes. Não foi a Copa imaginada, mas a Copa possível. E foi massa!

* Maria Carolina Santos é repórter do Diario de Pernambuco

Nota do blog: inacabado, o BRT já se mostrou importante para a operação do estádio. Das 45 estações projetadas, apenas 3 estão em operação…

Copa do Mundo de 2014, fase de grupos: Costa do Marfim 3 x 1 Japão. Foto: Maria Carolina Santos/DP/D.A Press