Defesa de acusado no caso Betinho do Agnes quer trancar processo

O advogado Jorge Wellington, que está atuando na defesa do estudante Ademário Gomes da Silva Dantas, indiciado pela Polícia Civil como um dos responsáveis pela morte do professor Betinho do Agnes pediu na Justiça que vários pontos do processo que acusa o jovem fossem revistos. Ademário e outro estudante que à época do crime tinha 17 anos foram apontados como os responsáveis pelo crime ocorrido em maio de 2015.

Entre os pedidos, a Justiça autorizou a realização de uma nova audiência requisitando a presença da delegada e do perito que estiveram no local do crime no dia em que o corpo da vítima foi encontrado, a entrega das mídias contendo as imagens do circuito interno do Colégio Agnes e a realização de perícia papiloscópica por peritos da Polícia Federal (PF) para comprovar se a impressão digital de Ademário foi encontrada num móvel da casa de José Bernardino da Silva Filho.

Ainda entre as dúvidas levantadas pela defesa está também a hora exata da morte de Betinho. Os horários apontados pelo Instituto de Medicina Legal (IML) e pelo Instituto de Criminalística (IC) estariam apontando divergências. Além disso, o Laboratório de Perícia e Pesquisa em Genética Forense foi oficiado para dar esclarecimentos quanto à natureza dos vestígios biológicos periciados.

Jorge Wellington disse que "perícia foi infundada". Foto: Teresa Maia/DP

Jorge Wellington disse que “perícia foi infundada”. Foto: Teresa Maia/DP

Segundo o advogado Jorge Wellington, que assumiu a defesa de Ademário recentemente, o objetivo dos pedidos é, caso o resultado da PF seja diferente do obtido pelo do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB), solicitar o trancamento da ação. “Essa perícia é infundada. Ademário nunca esteve naquele apartamento. Ele não participou daquele crime. Isso será provado. Vou pedir o trancamento da ação por falta de justa causa”, ressaltou o advogado, acrescentando que haverá uma audiência no próximo dia 26 de maio. Jorge Wellington ficou conhecido ao conseguir inocentar no júri popular os irmãos Marcelo e Valfrido Lira das acusações das mortes das adolescentes Tarsila Gusmão e Maria Eduarda Dourado.

Crime aconteceu neste prédio, na Boa Vista. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Crime aconteceu neste prédio, na Boa Vista. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

De acordo com o chefe de comunicação da Polícia Federal, Giovani Santoro, ainda não há data prevista para a divulgação do resultado da nova perícia. Além de Ademário, outro aluno do Colégio Agnes, segundo a polícia, teve participação no crime. O corpo de Betinho foi encontrado despido da cintura para baixo, na noite do dia 16 de maio de 2015, com as pernas amarradas por um fio de ventilador e com um fio de ferro elétrico enrolado ao pescoço. Segundo a polícia, o ferro elétrico foi utilizado para dar pancadas na cabeça da vítima. As digitais do adolescente estavam no ferro e no ventilador. Já as digitais de Ademário estavam em uma cômoda do apartamento que fica no Edifício Módulo, na Avenida Conde da Boa Vista.

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

O delegado Alfredo Jorge concluiu a investigação e indiciou Ademário e adolescente como os responsáveis pela morte de Betinho. As impressões digitais foram as provas mais contundentes apresentadas pela investigação. Quando ouvidos na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os dois estudantes negaram participação no assassinato que está perto de completar dois anos. Além do Agnes, Betinho também trabalhava na Escola Municipal Moacir de Albuquerque, no bairro de Nova Descoberta, de onde havia pedido transferência uma semana antes de ser assassinado.

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