De janeiro a maio, 2.495 pessoas foram assassinadas em Pernambuco

Pernambuco saiu da média de 17,1 mortes violentas por dia para 14,7. Balanço apresentado ontem pela Secretaria de Defesa Social (SDS) mostra que no mês de maio foram registrados 457 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) no estado. Foram 57 homicídios a menos que no mês de abril, quando foram notifcados 514 casos. Apesar da diminuição de 13,96% no número de mortes, a quantidade de Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) apresentou crescimento.

Os dados da SDS apontam que no mês de maio ocorreram 10.107 crimes de roubos e furtos contra o patrimônio, entre roubos a bancos, ônibus, carros-fortes, comércios e transeuntes. Já em abril, o total foi de 9.928 crimes. Somadas, as mortes violentas de Pernambuco entre os meses de janeiro e maio deste ano chegam a 2.495.

Números foram anunciados ontem pela SDS. Foto: Wagner Oliveira/DP

No mesmo período do ano passado, de acordo com estatísticas da SDS, foram registrados no estado 1.727 crimes de homicídios. Em maio de 2016, um total de 319 pessoas foram assassinadas no estado. “Apesar de não ter havido nenhum aumento no número de policiais militares neste ano, estamos conseguindo reduzir a criminalidade. Isso se deve ao trabalho ostensivo da Polícia Militar e às investigações feitas pela Polícia Civil. Estamos no caminho certo. Há três meses os números de homicídios apresentam redução, mas não estamos comemorando. Muito ainda precisa ser feito. Nossa grande meta é reduzir sempre a criminalidade e oferecer segurança para a população”, declarou o secretário de Defesa Social, Angelo Gioia.

Também nos 31 dias do mês passado foram registrados mais de 2,6 mil casos de violência contra a mulher e 147 crimes de estupro. Em abril, os números chegaram a 2,7, no caso de violência contra a mulher, e 151 estupros. Ainda segundo a SDS, 199 pessoas foram presas em flagrante ou em cumprimento de mandado de prisão por assassinato no mês passado. Ao longo do ano, já foram 963 presos. “Não só estamos prendendo aquelas pessoas que cometem crimes mediante pagas, que são os grupos de extermínio, como também assaltantes. Desde o início deste ano, a Força-tarefa de combate a assaltos a ônibus realizou 78 prisões. E no tocante a roubos a bancos e carros-fortes já foram presas 75 pessoas de janeiro a maio”, pontuou o secretário.

Em maio, foram registrados pela SDS 105 roubos a ônibus no estado. O dado representa uma redução de 0,38% na média diária quando comparado ao mês de abril, quando foram 102 ocorrências. Em Pernambuco, no mês passado, foram roubados 1.699 carros, uma média diária de 54,81, e 556 furtados, com média diária de 17,94.

Motivações
Ainda durante a divulgação dos números da violência em maio, o secretário Angelo Gioia falou também sobre as motivações dos assassinatos ocorridos no estado. Os números da SDS indicam que das 457 mortes do mês passado 135 foram motivadas pelo tráfico de drogas, 97 por acerto de contas, 22 acontecerram em decorrência de outras atividades criminais, 67 por conflitos nas comunidades e 47 não tiveram as motivações ainda definidas. Fazem parte da lista ainda mortes decorrentes de latrocínios, conflitos afetivos ou familiares e feminicídio.

Dezessete pessoas são mortas por dia em Pernambuco desde fevereiro

Dezessete. Esse é o número de pessoas assassinadas por dia, em média, em nosso estado. Um número que assusta e revolta. Nos quatro primeiros meses deste ano, segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS), 2.037 pessoas foram mortas em Pernambuco. No mesmo período de 2016, um total de 1.410 crimes foram notificados. Somente em abril deste ano, 514 homicídios aconteceram no estado. Isso indica que, em média, 17 crimes contra a vida são registrados por dia. O mesmo aconteceu nos meses de fevereiro e março, quando 496 e 549 assassinatos, respectivamente, foram computados pela polícia.

Em quatro meses, 2.037 pessoas foram mortas. Foto: Julio Jacobina/DP/Arquivo

Caso a média mensal de mortes não tenha uma redução significativa, o ano de 2017 pode terminar com mais de seis mil assassinatos, número nunca registrado no estado. Apesar disso, o governo do estado diz que houve redução na violência. Isso ocorre somente quando comparados os números de abril com os de março. A SDS também passou a informar as motivações das mortes. Das 514 do mês passado, o governo afirma que 298 estavam ligadas a atividades criminosas, como tráfico de drogas e grupos de extermínio. Mas também cabe à SDS resolver esses problemas, que são feridas antigas na gestão pública. Enquanto isso, esperamos por dias melhores. Dias de paz.

SDS passa a detalhar motivações dos homicídios registrados no estado

A Secretaria de Defesa Social (SDS) vai anunciou nesta segunda-feira os números da criminalidade em Pernambuco no mês de abril. A apresentação dos números foi feita pelo secretário Ângelo Gioia. Além de revelar os dados de homicídios, crimes violentos contra o patrimônio (com recorte para investidas a coletivos, instituições financeiras e veículos), estupro e violência doméstica, a SDS mostrou também o detalhamento das motivações para os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) ocorridos no mês. No mês de abril, 514 pessoas foram mortas no estado.

Homicídios têm desafiado a polícia pernambuca. Foto: Julio Jacobina/DP.D.A Press

Os números preocupam a população. Dados da própria SDS revelam que apenas nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano 1.523 pessoas foram asassinadas em Pernambuco. As estatísticas apontam que em quatro meses, 2.037 homicídios ocorreram no estado. Caso o governo não consiga reduzir os índices de homicídios, o estado pode terminar o ano com o saldo de 6 mil mortes violentas, número nunca antes registrado em Pernambuco. Os números mostrados nesta segunda-feira pela SDS também serão disponibilizados, para consulta pública, no site www.sds.pe.gov.br, em Estatísticas/Indicadores Criminais.

Vinte e cinco cidades do estado não tiveram mortes de janeiro a março

Na contramão da escalada da violência, onde 1.522 pessoas foram assassinadas em Pernambuco apenas nos três primeiros meses deste ano, 25 cidades do estado não tiveram nenhum registro de homicídio no primeiro trimestre. Os dados estão disponíveis no site da Secretaria de Defesa Social (SDS), que divulgou nesse final de semana o total de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) ocorridos no mês de março. Segundo a pasta, 548 homicídios foram notificados em Pernambuco, o que deixou a população assustada.

Município de Triunfo está entre os que não registrou mortes. Foto: Peu Ricardo/Esp.DP

Município de Triunfo está entre os que não registrou mortes no período. Foto: Peu Ricardo/Esp.DP

Nesta segunda-feira, o secretário de Defesa Social anunciou que 528 homicidas foram presos em Pernambuco entre os meses de janeiro e março deste ano. “Precisamos reduzir a criminalidade. Para esse mês de abril, esperamos uma redução, mas os números só serão divulgados no dia 15 de maio. No entanto, é preciso dizer que 194 homicidas foram presos em flagrante nos três primeiros meses deste ano. Além disso, 334 mandados de prisão contra homicidas foram cumpridos no mesmo período. Estamos trabalhando com foco no combate a crimes de homicídios, que é uma grande chaga, uma grande preocupação”, comentou o secretário.

Confira as cidades onde não houve mortes de janeiro a março deste ano:

Belém de Maria
Fernando de Noronha
Frei Miguelino
Granito
Iati
Ibimirim
Iguaraci
Ingazeira
Ipubi
Itacuruba
Jatobá
Jurema
Lagoa do Ouro
Manari
Mirandiba
Moreilândia
Petrolândia
Quixaba
Salgadinho
Santa Filomena
Serrita
Solidão
Terra Nova
Triunfo
Verdejante

Pernambuco registrou 548 homicídios em março. Interior teve 295 assassinatos

O interior de Pernambuco registrou mais da metade dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) de Pernambuco no mês de março. A Secretaria de Defesa Social (SDS) contabilizou um total de 548 assassinatos no estado do dia 1º ao final do mês de março. Desse total, 295 aconteceram no interior do estado, onde estão inclusos os municípios das zonas da Mata Norte e Sul, do Agreste e do Sertão. Na Região Metropolitana ocorreram 157 homicídios. Já o Recife contabilizou 96 assassinatos.

Plano vai priorizar regiões metropolitanas. Foto: Julio Jacobina/DP.D.A Press

Combater os crimes contra a vida é um desafio para o governo do estado. Foto: Julio Jacobina/DP.D.A Press

Os números foram revelados pelo governo do estado neste domingo e deixam a população apreensiva. Somente nos três primeiros meses deste ano, Pernambuco já traz a soma de 1.522 crimes de homicídios em sua conta. No mês de janeiro, o estado somou 478 assassinatos. Em fevereiro, o total foi de 496 mortes. Os números têm tirado o sono da cúpula de segurança do estado e mostram que o reforço do policiamento precisa ser feito não somente no Grande Recife. O interior não está no alvo apenas das quadrilhas especializadas em explosões a agências bancárias e caixas eletrônicos.

Entre os municípios do interior com o maior número de crimes está Caruaru, no Agreste. De acordo com a SDS, somente no mês de março, 28 pessoas foram assassinadas na cidade. Nos três primeiros meses, foram 70 homicídios. Em Petrolina, no Sertão, foram 40 assassinatos somando os meses de janeiro, fevereiro e março. Em Vitória de Santo Antão, na Mata Sul, 39 mortes foram notificadas no primeiro trimestre de 2017. Já na RMR, o Recife lidera a lista com 240 homicídios entre janeiro e março. O município de Jaboatão dos Guararapes ocupa a segunda colocação com 113 crimes de morte.

Para tentar reverter a situação calamitosa de Pernambuco, o governo do estado fez mudanças nos comandos das polícias Civil e Militar recentemente, convocou policiais civis aposentados a voltarem ao trabalho para que os da ativa possam trabalhar nas investigações de homicídios e, além disso, determinou que as delegacias dos distritos passassem também a investigar assassinatos, o que estava concentrado apenas no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Na última quinta-feira, o governador Paulo Câmara anunciou também investimentos para o setor de segurança do estado. Prometeu concursos e compras de viaturas e equipamentos de proteção individual para os policiais. O que todos nós esperamos é que essa violência seja controlada e que todos possamos sair às ruas sem o medo que tem nos acompanhado diariamente.

Delegacias distritais passarão a investigar crimes de homicídios

O novo chefe da Polícia Civil de Pernambuco, delegado Joselito Kehrle do Amaral, vai assinar, nos próximos dias, uma portaria que autoriza as equipes das delegacias distritais do estado a investigarem também, a partir de data da publicação da mesma, crimes de homicídios ocorridos nas suas respectivas áreas de circunscrição. Até então, os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) ocorridos no Grande Recife eram investigados apenas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Crimes de mortes do Grande Recife eram investigados pelo DHPP. Foto: Teresa Maia/DP

Mortes do Grande Recife eram investigadas pelo DHPP. Foto: Teresa Maia/DP

A ideia de criar a portaria foi do então chefe da PCPE, delegado Antônio Barros, que inclusive chegou a apresentar a sugestão em reuniões de monitoramento do programa Pacto pela Vida. A decisão é parte das iniciativas que estão sendo adotadas pelo governo para tentar reduzir a criminalidade em Pernambuco, que tem alcançado índices assustadores. Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), em janeiro deste ano, 479 assassinatos foram registrados no estado. Os números de fevereiro ainda não foram divulgados pelo governo do estado. A previsão é de que o balanço da criminalidade seja revelado no próximo dia 15 deste mês.

De acordo com o novo sub-chefe da PCPE, delegado Charles Gultiergue, a medida será positiva para elucidação de crimes de homicídios no estado. “Depois da publicação da portaria, todas as delegacias irão trabalhar na investigação de assassinatos. Nos casos onde a Força-tarefa do DHPP estiver nos plantões e já colher informações sobre suspeitos do crime, as informações serão repassadas para as delegacias do distrito, que já darão início às investigações”, explicou Charles.

Número de homicídios volta a crescer em Pernambuco

Pernambuco registrou crescimento de mais de 13% de crimes contra a vida em 2016, contrariando a meta estabelecida pelo Pacto Pela Vida, que é de reduzir, anualmente, em 12%, o número de homicídios no estado. Segundo a Polícia Civil, de janeiro a novembro de 2015 foram 3.541 homicídios. Em 2016, esse número subiu para 4.007, levando em conta o mesmo período do ano. A última vez que o estado havia registrado mais de 4 mil assassinatos foi no ano de 2009, quando o número chegou a 4.018 mortes em Pernambuco.

Foto: Ricardo Fernandes/DP

Violência tem deixado a população assustada. Foto: Ricardo Fernandes/DP

A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) divulgou ontem que realizou 44 Operações de Repressão Qualificada (ORQ) e prendeu 580 envolvidos durante o ano de 2016. As investigações de inteligência da PCPE são o principal meio de combater quadrilhas e associações criminosas no estado. O principal delito de 2016 foi homicídio, com aumento de 9,8% em relação a 2015. Além de tráfico de drogas e crimes contra a administração púbica. Entre os presos, 110 pessoas tiveram envolvimento em ações criminosas contra bancos e instituições financeiras.

O balanço das Operações de Repressão Qualificada foi apresentado ontem pelo Chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Antônio Barros. O número de homicídios é, entre todos os crimes, o maior, equivalente a 32% das investigações. De janeiro a novembro de 2016, foram registrados 4.007 homícidios (relacionados a ações de quadrilhas), 466 a mais, se comparado com o mesmo período de 2015, quando foram registrados 3541 homicídios. Já o tráfico de drogas representa 23% das operações. “Os homicídios, em sua maioria, estão também relacionados ao tráfico de drogas, são crimes interligados”, destacou Antônio Barros, Chefe da PCPE.

Homicídios por armas de fogo dobram no Nordeste em dez anos

Da Agência Brasil

Dados do Mapa da Violência mostram que, enquanto a taxa de homicídios por armas de fogo na Região Sudeste caiu 41,4% entre 2004 e 2014, na Região Nordeste o índice dobrou. Segundo o estudo, o crescimento do índice na maior parte dos estados do Nordeste, em um curto período, aconteceu porque os governos tiveram que enfrentar uma pandemia de violência para a qual estavam “pouco e mal preparados”.

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Mortes por armas de fogo diminuíram no Sudeste. Foto: Arquivo/Agência Brasil

O Mapa da Violência compõe uma série de estudos realizados pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, desde 1998, tendo como temática a violência no Brasil. Waiselfisz é vinculado à Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), organismo internacional e intergovernamental autônomo, fundado em 1957 pelos estados latino-americanos, a partir de uma proposta da Unesco, órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Conforme o estudo, a taxa média de homicídios por armas de fogo no nordeste, em 2014 foi 32,8 por 100 mil habitantes, bem acima da taxa da região que vem imediatamente a seguir, Centro-Oeste, com 26 por 100 mil habitantes e um aumento de 39,5% entre 2004 e 2014.

No mesmo ano de 2014, os índices do norte e do sul foram, respectivamente, 23,1 e 16.3 por 100 mil habitantes, com aumentos de 82,1% e 15%, respectivamente. O índice considerado tolerável pela ONU é de 10 homicídios por arma de fogo a cada 100 mil habitantes. Os municípios de Mata de São João, na Bahia, e Murici e Satuba, ambos em Alagoas, com índices de 102, 100 e 95 homicídios por cem mil habitantes, têm os maiores índices de mortes por armas de fogo do país.

Em situação oposta ao Nordeste, na Região Sudeste a violência armada mostrou queda acentuada: em 2004 o índice foi 23,9 e em 2014 caiu para 14,0 por 100 mil habitantes. O levantamento mostra que São Paulo e Rio de Janeiro foram os principais responsáveis pela redução, com crescimento negativo de 57,7% e 47,8%, respectivamente.

O pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará, Ricardo Moura, ressalta que entre os fatores que contribuem para este contraste estão o tráfico de drogas, que começou a se fortalecer no Nordeste depois de estar consolidado no Sudeste, e em geral, falhas no efetivo policial e na infraestrutura da segurança pública, que no Sudeste já estavam em processo de melhoria.

O Mapa da Violência também aponta um paradoxo nas taxas de homicídio por armas entre negros e brancos, de 2003 e 2014. Enquanto o número de vítimas negras desse tipo de violência subiu 9,9% no período, o de vítimas brancas caiu 27,1%. Os dados mostram que os negros morrem 2,6 vezes mais que os brancos por armas de fogo e que 94% das vítimas são homens.

Segundo o levantamento, de 1980 até 2014, morreram no Brasil 967.851 vítimas de disparo de arma de fogo. Desse total, 830.420 (85,8%) foram homicídios, enquanto as outras mortes foram por suicídio ou acidente.

Os dados mostram que a evolução da letalidade das armas de fogo não foi homogênea ao longo do tempo. Entre 1980 e 2003, o crescimento dos homicídios por armas de fogo foi sistemático e constante, com um ritmo de 8,1% ao ano. A partir do pico de 36,1 mil mortes em 2003, os números caíram para aproximadamente 34 mil e, depois de 2008, ficam oscilando em torno das 36 mil mortes anuais. Em 2012, aceleraram novamente, subindo para 42,3 mil.

“O Estatuto e a Campanha do Desarmamento, iniciados em 2004, constituem-se em um dos fatores determinantes na explicação dessa quebra de ritmo”, aponta a pesquisa.  O Brasil ocupa a 10ª posição entre os 100 países analisados quanto a esse tipo de crime.

Controle

Para Ricardo Moura, um dos fatores que favorecem o alto índice de crimes com armas de fogo é a falta controle da circulação dela: “A grande maioria das armas que circulam no Brasil são produzidas no próprio pais. São armas que estão dentro do Brasil e a gente não sabe como circulam de são produzidas para os outros estados. O Brasil não tem controle sobre vendas, não registra os compradores. Existe um mercado aberto, paralelo e ilegal, porque as indústrias estão registradas, estão vendendo, mas a gente não sabe quem compra e quem distribui isso”, disse o especialista em entrevista à Agência Brasil.

Moura também destaca que o caminho da arma apreendida tem sido um problema para a fiscalização: “Após a apreensão das armas, é importante que haja um controle muito mais rigoroso de como elas tramitam. Elas são submetidas a perícia, ficam apreendidas em fóruns, tribunais, causando perigo a estes locais, que por vezes são invadidos por grupos de criminosos em busca dos artefatos, e, em alguns casos, os próprios agentes estatais comercializam, emprestam ou alugam essas armas que estão sob a guarda deles”.

Na opinião de Ricardo Moura, o Brasil avançou muito com o Estatuto do Desarmamento, mas do ponto de vista operacional o controle da circulação ainda é muito falho e é preciso ter segurança de que a arma apreendida não vai retornar para a sociedade.

Treze pessoas mortas por dia no mês de março em Pernambuco

Depois de registrar um total de 3.891 assassinatos no ano de 2015, o estado de Pernambuco teve o pior número de mortes desde o ano de 2011. O total de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) só havia sido tão alto em 2010, quando foram assassinadas 4.081 pessoas no estado. Apesar de ter sido o único estado no Nordeste a reduzir o número de mortes entre os anos de 2004 e 2014, segundo o Atlas da Violência 2016, Pernambuco ainda tem altos índices de assassinatos.

Plano vai priorizar regiões metropolitanas. Foto: Julio Jacobina/DP.D.A Press

Plano vai priorizar regiões metropolitanas. Foto: Julio Jacobina/DP/Arquivo

A Secretaria de Defesa Social (SDS) divulgou os números dos homicídios registrados nos três primeiros meses deste ano. De 1º de janeiro até 31 de março, um total de 1.056 pessoas foram assassinadas no estado. Apenas no mês de março 395 CVLIs foram notificados, o que representa uma média de 13 pessoas mortas por dia em Pernambuco. No mês de fevereiro, 307 crimes foram registrados. Já em janeiro foram assassinadas 354 pessoas.

De acordo com o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, 42,9% dos CVLIs registrados em Pernambuco acontecem na Região Metropolitana do Recife (RMR). Já no Agreste e na Zona da Mata estão concentradas 40,8% das mortes. O Sertão é a região com o menor índice, onde acontecem 14,4% dos homicídios do estado.

Crimes praticados por armas brancas geram alerta no estado

Das 1.033 pessoas assassinadas em Pernambuco do início deste ano até o dia 29 de março, 153 foram mortas por arma branca. Isso representa cerca de 15% dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) registrados pela Secretaria de Defesa Social (SDS) no período. O uso de facas e facões em ações criminosas têm deixado a população assustada e a polícia surpresa. E esse tipo de instrumento não tem sido utilizado apenas para o cometimento de crimes nas ruas.

Um total de 4.198 armas brancas foram apreendidas durante o ano de 2015 nas unidades prisionais do estado. O arsenal foi destruído em janeiro passado, no Quartel da Polícia Militar, no Derby. Especialistas acreditam que a fiscalização e as apreensões de armas de fogo podem estar impulsionando o uso das armas brancas.

Foto: Joao Velozo/ Esp. DP

Um total de 4.198 armas brancas foram apreendidas somente nos presídios do estado no ano passado. Foto: Joao Velozo/ Esp. DP

No último domingo, o cabeleireiro Severino Bezerra de Santana, 58 anos, foi assassinado dentro de casa com oito facadas. Segundo a polícia, o autor do crime foi um homem de 24 anos com o qual a vítima mantinha um relacionamento amoroso há cerca de quatro meses. “O suspeito foi trazido à delegacia depois que vizinhos da vítima indicaram o local onde ele estava escondido. Aqui ele confessou o crime, contou que usou uma faca para matar a vítima e disse que depois que saísse da delegacia iria fugir. Como já havia passado o período do flagrante, pedimos a prisão preventiva dele e o encaminhamos para o Cotel”, afirmou a delegada Beatriz Leite, da 13ª Delegacia de Homicídios de Prazeres, acrescentando que tem registrado muitos de crimes cometidos com armas brancas em sua delegacia.

O desempregado Natanael Francisco dos Santos Filho, 24, disse à polícia que matou Severino após uma discussão iniciada depois dele voltar de festa. “Ele conta que a vítima também estava com uma faca e que houve agressão mútua, mas o autuado não tinha ferimentos aparentes”, completou a delegada.

Na opinião do professor adjunto de sociologia da Universidade Federal de Pernambuco e pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Violência, Criminalidade e Políticas Públicas de Segurança (PPGS/UFPE), Gilson Antunes, a redução da quantidade de armas de fogo em circulação pode justificar o aumento das ocorrências criminosas com as armas brancas. “Pernambuco é um dos estados que mais está recolhendo armas de fogo, além disso são feitas apreensões. Talvez  isso esteja fazendo as pessoas recorrerem às armas brancas”, opinou Antunes. Segundo a SDS, 5.917 armas de fogo ilegais foram retiradas das ruas em todo o estado.

Os números da SDS mostram que no mês de janeiro deste ano, das 356 pessoas assassinadas em Pernambuco 52 foram vítimas de arma branca. Em fevereiro, 48 mortes por faca foram registradas de um total de 307 homicídios. Já no mês de março, até o dia 29, dos 370 assassinatos, 53 morreram vítimas de facadas. Crimes de latrocínio e assaltos têm sido praticados com facas a qualquer hora do dia. No sábado passado, a violonista servo-americana Vera Stefanovic, 31, que integra a equipe de músicos do cruzeiro MSC Poesia, assaltada por dois homens depois de sair do Porto do Recife. Ela reagiu ao ataque e levou algumas facadas na cabeça. A turista levou 12 pontos na cabeça.

No final do mês de fevereiro, o músico e técnico de som Jéfferson Borges Martins, 51, mais conhecido como Nego Bando, foi morto a facadas durante um assalto no Bairro Novo, em Olinda. Eles foi abordados por dois suspeitos, um deles aparentando ser adolescente. Em dezembro do ano passado, a estudante Beatriz Angélica Mota, 7, foi assassinada a facadas dentro do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, no Centro da cidade. Até o momento, ninguém foi preso pelo crime que teve grande repercussão no estado. O retrato falado de um homem suspeito do crime foi confecionado pela Polícia Civil e está espalhado em vários pontos de Pernambuco e até mesmo na Bahia.