Delegado que não fez flagrante de estupro é afastado da Central de Plantões

A chefia da Polícia Civil de Pernambuco determinou o afastamento do delegado Flamínio Barros da sua função na Central de Plantões da Capital. A determinação é uma resposta ao que aconteceu nessa quarta-feira durante uma ocorrência de estupro que chegou à Central. Um homem suspeito do crime dentro do metrô do Recife foi ouvido na delegacia e depois liberado, mesmo com a queixa prestada pela vítima, uma universitária de 21 anos. Segundo a assessoria de imprensa da PCPE, outras medidas administrativas estão sendo tomadas, como a comunicação da ocorrêrencia à Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) para que seja apurada a responsabilidade administrativa de possível falha no atendimento à estudante.

A vítima reclamou de não ter sido ouvida no local pelo delegado Flamínio Barros, mas por um escrivão. Além disso, a parte do inquérito que fala sobre o abuso ocorrido nessa quarta-feira teria desaparecido. Depois de conversar com o chefe de polícia, ainda nessa quarta-feira, a vítima foi encaminhada para atendimento especializado na Delegacia da Mulher, onde foram adotadas as providências de praxe e aberto inquérito para investigar o caso.

Estupro agora está sendo investigado pela Delegacia da Mulher. Foto Bruna Monteiro DP/D.A Press

Estupro agora está sendo investigado pela Delegacia da Mulher. Foto Bruna Monteiro DP/D.A Press

A delegada Ana Elisa Sobreira, da Delegacia da Mulher, está investigando a denúncia de estupro contra a estudante. Ela vai solicitar as imagens das câmeras de segurança da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) para averiguar as perseguições.
Segundo a vítima, o suspeito estaria a coagindo há duas semanas. Ao prestar depoimento, ela contou que o homem teria começado com esbarrões e, posteriormente, começou a tocá-la.

Na última terça-feira, ele a tocou na genitália enquanto ela subia no ônibus. Assustada, a vítima contou aos pais. Nessa quarta, mais uma vez ele tentou, foi ainda mais agressivo no abuso. A mãe a acompanhava e reagiu. “Ele estaria preso em flagrante”, comentou a delegada. O homem foi detido por policiais ferroviários na Estação Recife do metrô e ainda chegou a ameaçar mãe filha dizendo que sabia onde as mulheres moravam. “A vítima se sente bem ameaçada, já que ele costuma fazer isso. Vamos ouvi-lo como autor de um estupro”, adiantou a delegada. Segundo Ana Elisa Sobreira, o suspeito é considerado foragido.

SDS emite nota de esclarecimento sobre concurso para delegado

Diante dos questionamentos de muitos candidatos sobre mudanças no edital para o preechimento das 100 vagas para o cargo de delegado da Polícia Civil, a Secretaria de Defesa Social (SDS) divulgou uma nota de esclarecimento. Confira na íntegra:

Através da Portaria Conjunta SAD/SDS nº. 039, de 04 de abril de 2015, foi instituída a Comissão Organizadora e autorizada a realização do Concurso Público regido pelo Edital nº. 01-SDS/PE, publicado no Diário Oficial de 05 de abril de 2015, para o provimento de 650 (seiscentos e cinquenta) cargos no âmbito da Polícia Civil do Estado de Pernambuco, sendo 100 (cem) cargos para o Cargo de Delegado de Polícia, 500 (quinhentos) para Agente de Polícia e 50 (cinquenta) para escrivão de Polícia.

O certame será executado pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe-Cespe) e pela Secretaria de Defesa Social, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para o cargo de Delegado de Polícia.

Quanto à indagação da exigência dos “três anos de prática jurídica” ou “atividade policial” para os candidatos que concorrem ao cargo de Delegado de Polícia, o que motiva essa exigência é o disposto na Lei Complementar nº. 317, de 18 de dezembro de 2015, que em seu Artigo 2º prevê que “O ingresso no cargo de Delegado de Polícia dar-se-á sempre na faixa e na classe iniciais, mediante prévia aprovação em concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil, sendo exigido diploma de bacharel em Direito e, no mínimo, 3 (três) anos de atividade jurídica ou policial, comprovados no ato da posse.”

Os candidatos que se inscreveram no certame anterior, que foi anulado, têm se posicionado, afirmando que no presente concurso não deveria ser considerado o disposto no caput do Artigo 2º, alegando que no Parágrafo Único, do mesmo artigo, existe a previsão de que “A experiência de três anos referida no caput não se aplica a concurso público iniciado antes da vigência desta Lei Complementar.”

Porém, vale ressaltar que o concurso anterior, que foi autorizado através do Ad Referendum nº. 068, de 14 de julho de 2015, da Câmara de Política de Pessoal do Governo do Estado, expirou sua validade 06 meses após, conforme disposto no Art. 6º da Lei Estadual n.º 14.538, de 14/12/2011, e o certame foi anulado com base no Art. 49, da Lei 8.666/1993 e suas alterações.         

A instituição que realizaria aquele certame (IAUPE), publicou em seu site na internet www.upenet.com.br, no link concurso (SDS/PE – Delegado) os procedimentos para devolução da taxa de inscrição dos candidatos.

Uma nova autorização para realização do concurso público foi efetivada através do Ad Referendum nº. 015, de 01 de fevereiro de 2016, da Câmara de Política de Pessoal, propiciando um novo concurso aberto e consequentemente um novo edital, desta feita com outra organizadora (Cebraspe-Cespe), se submetendo portanto ao que  preconiza a Lei Complementar nº. 317, de 18 de dezembro de 2015.

Centro Integrado de Comunicação da SDS / PE

Pelo menos seis pessoas podem estar envolvidas na morte da menina Beatriz Mota

As investigações da Polícia Civil de Pernambuco apontam que pelo menos seis pessoas podem estar envolvidas na morte da menina Beatriz Angélica Mota, 7 anos, assassinada a facadas, em dezembro do ano passado, no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, no Centro de Petrolina. A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo delegado responsável pelas investigações, Marceone Ferreira.

Além do homem apontado como o autor das facadas que mataram Beatriz Mota, a polícia afirma que cinco funcionários do colégio onde aconteceu o crime podem ter ligação com o caso. Segundo o delegado Marceone Ferreira, quatro homens e uma mulher que trabalharam no local no dia da festa mentiram nos depoimentos.

Beatriz tinha sete anos. Fotos: Reprodução/ Blog O Povo com a Notícia

Beatriz tinha sete anos. Fotos: Reprodução/ Blog O Povo com a Notícia

Ainda segundo o delegado, Beatriz não foi a única criança abordada pelo suspeito na noite do crime. Outra menina também foi abordada por um homem que pediu ajuda para buscar umas mesas. A criança, no entanto, não atendeu ao pedido e saiu correndo. Também de acordo com o delegado, as perícias feitas indicam que a menina não foi assassinada na sala em que foi encontrada.

Para a polícia, Beatriz teria sido morta em outro local e, já sem vida, teria sido levada para a sala utilizada como depósito de equipamentos esportivos desativado. Ainda de acordo com o delegado, a cena do crime teria passado por uma limpeza, o que dificultou o trabalho da perícia.

Suspeito está sendo procurado. Foto: Carol Sa Leitao/Esp. DP

Retrato falado de um suspeito foi divulgado. Foto: Carol Sa Leitao/Esp. DP

A menina foi assassinada no dia 10 de dezembro do ano passado em uma festa de formatura no colégio em que seu pai dá aulas de inglês, em Petrolina. Beatriz tinha ido para a festa acompanhada dos pais e da irmã mais velha, que foi participar das solenidades. A menina se afastou da mãe, Lúcia Mota, para beber água e não voltou. O colégio disse que só vai pronunciar sobre a coletiva da polícia nesta quarta-feira.

Até agora, nenhum suspeito foi preso, apesar da Polícia Civil ter divulgado o retrato falado do suspeito de ter cometido o crime. A imagem foi elaborada a partir do depoimento de várias testemunhas que estavam na festa. Uma recompensa no valor de R$ 10 mil esta sendo oferecida por informações que levem à prisão do ou dos suspeitos do crime.

Quem souber de algo que possa auxiliar a investigação deve ligar para o telefone do Disque-Denúncia Agreste (81) 3719-4545 ou pelo site www.disquedenunciape.com.br. O anonimato é garantido.

Editais dos concursos das polícias devem sair em 30 dias

Os editais para concursos das Polícias Civil e Militar de Pernambuco podem ser lançados nos próximos 30 dias. O secretário Alessandro Carvalho garantiu a realização dos certames, ontem. De acordo com ele, a ideia é formar as duas novas turmas até o carnaval de 2017.

Anúncio da expulsão foi feito durante formatura de novos PMs. Foto: Wagner Oliveira/DP/D. A Press

Número de policiais nas ruas é insuficiente. Foto: Wagner Oliveira/DP

Serão dois concursos distintos. Um deles pretende preencher 100 vagas para delegados, 500 para agentes, 50 para escrivãos e 316 cargos diversos da Polícia Científica, entre eles peritos. Já no outro, serão contratados 1,5 mil soldados da PM. Segundo Carvalho, houve ratificação da dispensa de licitação para os certames, processo realizado pela Secretaria de Administração.

Em outubro do ano passado, a Secretaria de Defesa Social anulou a realização do concurso para delegado da Polícia Civil. A decisão foi publicada no Diário Oficial do estado do dia 23 de setembro. O concurso estava suspenso por força de uma liminar concedida em ação cautelar do Juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública. A suspensão foi determinada devido à existência de indícios de fraude. Com um total de 24.967 inscritos para concorrer a 100 vagas, o certame deveria ter tido a primeira etapa realizada em abril do ano passado, mas acabou não acontecendo.

Na época, contratação direta com o Instituto de Apoio à Universidade de Pernambuco (IAUPE), que organizaria as provas, foi anulada. No entanto, o IAUPE permanece como organizador do certame da PM. Já o concurso da Polícia Civil deve ser realizado pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe/ Cespe).

Concurso para delegado da Polícia Civil de Pernambuco é anulado pela SDS

A Secretaria de Defesa Social (SDS) anulou a realização do concurso para delegado da Polícia Civil de Pernambuco. A decisão da anulação foi publicada no Diário Oficial do estado no último dia 23 de setembro. O concurso estava suspenso por força de uma liminar concedida em ação cautelar do Juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública. A suspensão foi determinada devido à existência de indícios de fraude. A ação cautelar com pedido de liminar foi proposta pela candidata Rochely de Oliveira Torres.

O documento afirmava que “o procedimento de dispensa de licitação para contratação da empresa responsável pela condução do concurso para o cargo de Delegado de Polícia do Estado de Pernambuco é assaz questionável, visto que não é possível confirmar se os ofícios destinados a organizadoras de renome nacional, de fato, foram enviados, pois não há qualquer comprovação nos autos do processo de dispensa que isso ocorreu”.

Com um total de 24.967 inscritos para concorrer a 100 vagas, o concurso teria a primeira etapa realizada no dia 26 de abril passado, mas acabou não acontecendo. A expectativa agora é de que a SDS divulgue ainda este mês a nova organizadora do concurso já que a contratação direta que escolheu o Instituto de Apoio à Universidade de Pernambuco (IAUPE) foi anulada pelo governo do estado. A organizadora vai realizar também as provas dos concursos da Polícia Militar, Polícia Científica e da Polícia Civil. A previsão é de que os editais sejam divulgados em novembro.

O concurso foi lançado para o preenchimento de 100 vagas de delegado, com carga horária de 40 horas semanais e salários de R$ 9.969,81. De acordo com o gerente-geral de Articulação e Integração Institucional e Comunitária da Secretaria de Defesa Social, Manoel Caetano Cysneiros, o processo para escolha da nova organizadora está em andamento. “Anulamos o contrato com a antiga organizadora e iniciamos a escolha de uma nova empresa. É possível que até o final deste mês a nova empresa seja escolhida e o edital do concurso divulgado em novembro”, explicou Cysneiros.

As inscrições custaram R$ 138 e o valor pago pelos candidatos será devolvido para que possam fazer uma nova inscrição. “Todos os candidatos receberão os valores pagos de volta, mas não sei a nova inscrição terá o mesmo valor. Isso vai depender da nova organizadora. Essa nova empresa também vai ser responsável pela realização dos outros concursos, que são os da Polícia Militar, da Polícia e da Polícia Científica”, explicou Cysneiros.

O presidente da Associação dos Delegados de Pernambuco (Adeppe), Francisco Rodrigues, espera que a nova empresa escolhida seja nacional e não de Pernambuco. “Esperamos que o processo de seleção da empresa seja feito como mandam os princípios administrativos e que a empresa escolhida seja de renome nacional”, ressaltou Rodrigues.

 

Caso Betinho: Justiça nega pedido de habeas corpus a estudante suspeito

Para tentar evitar a possível prisão do estudante de 19 anos do Colégio Agnes, apontado pela polícia como um dos responsáveis pela morte do professor José Bernardino da Silva Filho, 49 anos, seus advogados deram entrada num pedido de habeas corpus preventivo na Justiça. O pleito foi negado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Além do jovem de 19 anos, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) afirma que um adolescente de 17 anos também teve participação na morte do pedagogo. O inquérito que está sendo investigado pelo delegado Alfredo Jorge deverá ser encaminhado à Justiça até o final deste mês.

Delegado esteve no DHPP nesta quinta-feira. Foto: Reprodução/TV Clube

Advogado Marcos Antônio aguarda conclusão do inquérito. Foto: Reprodução/TV Clube

O pedido de habeas corpus foi feito pelos advogados Marcos Antônio da Silva e Thiago Carvalho Bezerra, contratados pelo pai do jovem, que é diretor do Colégio Agnes, onde a a vítima trabalhava havia dez anos. O adolescente de 17 anos também é aluno da unidade de ensino que fica no bairro das Graças. Segundo a polícia, as impressões digitais dos dois estudantes foram encontradas em objetos usados para matar Betinho, como a vítima era conhecida, e em um móvel no apartamento do professor. O habeas corpus foi negado pelo juiz Alfredo Hermes Barbosa de Aguiar Neto, da 12ª Vara Criminal da Capital, que alegou que o estudante “não foi indiciado ainda pelo crime pelo qual alega estar sendo injustamente acusado.”

Crime está sendo investigado pelo delegado Alfredo Jorge do DHPP. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Crime ac0nteceu no Edifício Módulo, na Boa Vista. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Segundo o advogado Marcos Antônio da Silva, o pedido de habeas corpus preventivo foi feito porque o delegado Alfredo Jorge havia afirmado no mês passado que estaria encerrando o inquérito e o enviando à Justiça. “Diante das declarações do delegado, meu cliente solicitou que fizéssemos o pedido. No entanto, o inquérito não foi concluído e o juiz disse que não poderia opinar sobre um caso que ele ainda não tinha analisado. Por enquanto, continuamos aguardando que o delegado termine a investigação”, afirmou o advogado do estudante. O defensor disse ainda que o jovem está frequentando a escola e que “dentro das condições de razoabilidade está levando uma vida regular.”

Delegado Alfredo Jorge confirmou informações do Diario nesta quarta-feira. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Delegado Alfredo Jorge disse que estudantes são os suspeitos do crime. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Em entrevista no dia 21 de agosto, o delegado Alfredo Jorge afirmou que os alunos do Colégio Agnes seriam responsabilizados criminalmente pela morte do pedagogo José Bernardino. Ele afirmou que o estudante de 19 anos será indiciado pelo crime de homicídio e que o adolescente de 17 anos vai responder pelo ato infracional correspondente ao crime de homicídio pela morte de Betinho. Nas duas vezes em que prestaram depoimento, os suspeitos negaram envolvimento no crime. A participação deles foi antecipada com exclusividade pelo blog e pelo Diario de Pernambuco.

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Para a polícia, não restam dúvidas de que os dois alunos do Agnes são os responsáveis pelo crime. “Além das impressões digitais dos envolvidos encontradas na cena do crime, tenho outra prova que só irei revelar no final do inquérito”, disse o delegado na entrevista do mês passado.

O corpo de Betinho foi encontrado despido da cintura para baixo, na noite do dia 16 de maio, com as pernas amarradas por um fio de ventilador e com um fio de ferro elétrico enrolado ao pescoço. Segundo a polícia, o ferro elétrico foi utilizado para dar pancadas na cabeça da vítima. As digitais do adolescente estavam no ferro e no ventilador. Já as digitais do jovem de 19 anos estavam em uma cômoda do apartamento que fica no Edifício Módulo, na Avenida Conde da Boa Vista. Além do Agnes, Betinho também trabalhava na Escola Municipal Moacir de Albuquerque, no bairro de Nova Descoberta, de onde havia pedido transferência uma semana antes de ser assassinado.

Delegado lança livro sobre tortura nas delegacias

Após oito anos de pesquisa e entrevistas com delegados, escrivães e agentes, o delegado da Polícia Civil de Pernambuco e membro do Fórum Nacional de Segurança Pública (FNSP) Marcelo Barros lança hoje o livro Polícia e tortura no Brasil – Conhecendo a caixa das maçãs podres.

O trabalho, resultado da sua tese de doutorado pela Universidade de Salamanca, na Espanha, revela que a tortura nas unidades policiais, para a obtenção de confissões de presos, é mais comum do que se pensa. Marcelo lembra que a prática perdura porque torturar é mais fácil do que gastar tempo e recursos na investigação.

Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Marcelo Barros pesquisou o tema por oito anos. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

“Quando iniciei essa pesquisa, pensei que teria dificuldades grandes, pois o tema é pouco comentado pelos policiais. No entanto, o fato de ser policial deve ter sido um facilitador para obter entrevistas. Fiquei surpreso com a grande colaboração”, conta Marcelo, que é delegado há 17 anos e atualmente atua em Fernando de Noronha. O lançamento será na Livraria Cultura do Paço Alfândega, às 19h.

“A tortura é uma política de Estado no Brasil. É algo que está ao nosso lado mas ninguém vê. Posso afirmar que não existem mecanismos para tentar acabar com ela. As comissões de Direitos Humanos que são criadas com essa finalidade não têm poder nenhum”, aponta. Segundo Marcelo, entre os agentes, escrivães e delegados ouvidos na pesquisa que deu origem ao livro, todos conheciam alguém que já praticou tortura, quando não foram eles mesmos que recorreram ao recurso ilegal.

“A academia de polícia não prepara os policiais para serem profissionais exímios e habilidosos em suas atividades básicas. Se não se ensina, portanto, uma maneira nova de investigar, a forma de conseguir uma confissão através da tortura continuará sendo utilizada”.

Entre as perguntas realizadas pelo autor estava “Onde se pratica mais a tortura, na capital ou no interior?” A maior parte dos policiais respondeu que os casos acontecem na capital e sobretudo nas delegacias especializadas. “Alguns disseram que já viram, outros que praticaram, uns revelaram que eram a favor e outros que não concordavam com a prática. Mas posso afirmar, com base nos depoimentos, que as delegacias que investigam crimes de roubos de bancos, de carros, de cargas e tráfico de drogas são os locais onde acontecem mais torturas”, aponta Barros.

Todos os policiais ouvidos na pesquisa são da Polícia Civil e a grande maioria pernambucanos. Uma condição para as entrevistas foi a garantia de que os nomes não seriam publicados. Além de fazer uma revisão histórica sobre o uso da tortura no Brasil e no mundo e de eleborar questões sobre um eventual uso ético da tortura, o autor propõe algumas sugestões para o fim da tortura nas delegacias.

Celular de suspeito do crime estava na casa de Betinho do Agnes

A Polícia Civil está cada vez mais perto de desvendar o assassinato do pedagogo José Bernardino da Silva Filho, 49 anos, conhecido como Betinho, que teve o corpo encontrado dentro de seu apartamento na Avenida Conde da Boa Vista, em 16 de maio.

Segundo um policial que pediu para não ser identificado, um celular deixado no apartamento da vítima levou os investigadores ao primeiro suspeito, um adolescente de 17 anos, estudante do Colégio Agnes, onde Betinho era coordenador pedagógico. O estudante foi chamado a depor, e, a partir dele, a polícia chegou ao segundo suspeito, um estudante de 19 anos, filho do diretor do Agnes.

Crime está sendo investigado pelo delegado Alfredo Jorge do DHPP. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Crime aconteceu no Edf. Módulo, na Boa Vista. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Os dois foram ouvidos pelo delegado Alfredo Jorge no dia 21 de maio e negaram participação. Além do telefone do celular do adolescente, a polícia encontrou impressões digitais dos dois estudantes na cena do crime.

Betinho estava com os pés amarrados com um fio de ventilador e um fio de ferro elétrico em volta do pescoço. As digitais do adolescente foram encontradas nos eletrodomésticos. Já as digitais do suspeito de 19 anos estavam numa cômoda do apartamento da vítima. Segundo a polícia, um ferro elétrico foi utilizado para dar pancadas na cabeça da vítima que morava sozinha.

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

Professor trabalhava no Agnes e na rede municipal de ensino. Foto: Arquivo Pessoal

As possibilidades de latrocínio ou ligação com tráfico ou dívida de drogas foram descartadas pelos investigadores, que já ouviram cerca de 30 pessoas.

Os dois estudantes serão intimados a prestar novo depoimento na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em data não revelada pela polícia. O Diario tentou falar ontem com o delegado Alfredo Jorge, mas ele não respondeu as ligações. Em entrevista coletiva sobre o caso no início do mês de junho, o delegado afirmou que ainda não havia conseguido chegar à motivação do assassinato.

Delegado Alfredo Jorge espera que suspeitos confessem o crime. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Delegado Alfredo Jorge espera que suspeitos confessem o crime. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

A polícia também solicitou as imagens do circuito de segurança do edifício, mas a análise feita até o momento não ajudou nas investigações. No dia em que o corpo da vítima foi encontrado, a polícia recolheu no apartamento latas e cachimbos para fumar crack.

A vítima também trabalhava na Escola Municipal Moacir de Albuquerque, em Nova Descoberta, de onde havia pedido transferência uma semana antes de ser assassinada.

Delegado é baleado ao ir prender suspeito de crime na sede do Detran

Está hospitalizado e não corre risco de morte o delegado da Políca Civil de Pernambuco Ivaldo Pereira. Ele foi baleado na manhã desta quarta-feira (22), na sede do Detran, no bairro da Iputinga, na Zona Oeste do Recife, ao ir prender um homem que iria receber a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Delegado Ivaldo Pereira está hospitalizado. Foto: Alice de Souza/DP/D. A Press

Delegado Ivaldo Pereira está hospitalizado. Foto: Alice de Souza/DP/D. A Press

Segundo fontes da Polícia Civil, o delegado foi cumprir um mandado de prisão quando o homem que estava sendo preso reagiu e tentou pegar a arma do delegado. Ambos chegaram a travar luta corporal. Nesse momento, um policial que estava com Ivaldo puxou a arma para conter o suspeito e acabou atingindo acidentalmente a coxa do delegado nas dependências do Detran.

Ivaldo atualmente responde pela Seccional de Paulista. Ele foi socorrido e levado para o Hospital da Restauração (HR) e depois foi transferido para o Hospital Português. Segundo alguns delegados amigos de Ivaldo, ele está precisando de doação de sangue.

O caso está sendo investigado pela Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social que abriu procedimento para apurar as circunstâncias do ocorrido. O nome do agente que efetuou o disparo acidental e do homem que foi preso não foram divulgados pela polícia.

Após reclamações, delegado é trocado de local de trabalho

O delegado Flávio Tau, que durante mais de quatro anos esteve à frente da Delegacia do Alto do Pascoal, foi notificado pela chefia de que terá que deixar o cargo nos próximos dias. Depois de expor através de Comunicação Interna e até mesmo em texto publicado aqui no blog que o efetivo e a estrutura da sua delegacia não eram suficientes para o desempenho de um bom trabalho, o delegado perdeu a titularidade da delegacia.

Flávio Tau dará plantão na DP de Paulista. Foto: Raphael Guerra/DP/D.A Press

Flávio Tau dará plantão na DP de Paulista. Foto: Raphael Guerra/DP/D.A Press

Entre as cobranças feitas por Flávio Tau estavam o reaparelhamento da delegacia e de pessoal. “A delegacia tinha 18 policiais, contando comigo, para atender a uma demanda de 121.575 habitantes, o que dá um total de um policial civil para cada 6.754 habitantes. Um total de nove bairros são cobertos pela Delegacia do Alto do Pascoal. “Não tínhamos viaturas nem policiais para trabalhar nas investigações”, completou o delegado.

A partir de agora, Flávio vai assumir a chefia da 3ª equipe de plantão da Delegacia de Paulista. Ele acredita que a troca determinada neste mês foi uma retaliação às suas reclamações. “Meu primeiro plantão já será neste sábado e pelo que eu soube, por enquanto a delegacia vai ficar sem titular. O delegado seccional irá responder cumulativamente pelo Alto do Pascoal”, contou Tau.