“O tempo que eu perco na escola, deixo de atender clientes na boca”

Marcelo, 16 anos, trafica e assalta para sustentar a família. Foto: Teresa Maia/DP

O encontro com as drogas aconteceu nas escadarias do bairro recifense onde Marcelo mora desde o nascimento. Tinha 14 anos quando começou a observar com mais curiosidade colegas e vizinhos fumando maconha. Via também o movimento de dinheiro, a facilidade de circulação das valiosas notas entre vendedores e compradores do entorpecente. Não demorou para decidir entrar naquele mundo. Hoje tem 16 anos. É traficante de drogas e assaltante de casas lotéricas e mercadinhos. Só não assalta “pai de família”. Porque esse trabalha para sustentar a casa. Não merece ser roubado, justifica.

O levantamento da área a ser assaltada pode durar meses. É preciso saber se há policiais fazendo a segurança dos estabelecimentos. O embate, nesses casos, é mais perigoso. E pode ser evitado. “A gente passa uns meses fitando pra depois ir lá buscar a boa. Nos assaltos, uso armamento para intimidar as vítimas. Tem que usar arma pra não dar errrado. O cara sem arma é um homem sem ataque”, diz.

A arma usada pelo adolescente tem dono. É alugada nas comunidades próximas por valores que variam entre R$ 500 e R$ 800. O preço cobrado vai depender do local a ser assaltado. Na “bolsa de valores” do crime, uma investida na lotérica, por exemplo, vale mais que no mercadinho. “A gente só não pode perder a arma. Se perder, vai ter que pagar”.

Na rotina de Marcelo, assalto é como uma atividade secundária. Chega para somar quando o tráfico de drogas está ruim. “No tráfico a gente pega até R$ 3 mil por dia, mas tem que tirar o dinheiro do dono. Aí a gente ganha R$ 100 por cada bolsa que vende”. O dinheiro, conta o adolescente, é gasto com a mãe e dois irmãos mais jovens que ele. Não há outra renda em casa. O tráfico é o patrão de Marcelo. O sustento da família.

As bocas de fumo têm regras. E Marcelo sabe cada uma delas. O movimento precisa ser rápido. Dinheiro, só trocado. Moedas não são aceitas. “As moedas pesam muito e não dá para demorar dando troco. Por isso o dinheiro tem que vir certo”. O boom do movimento na boca acontece das 18h às 20h. É quando aparecem mais viciados. “Quando a maconha é de boa qualidade, um vai comunicando ao outro. Aí chove gente pra comprar. Cada ‘dola’ custa R$ 10”.

Marcelo tem 1,90 m e uma fala tranquila. Diz pensar em mudar de vida. Sair do tráfico e dos assaltos. Voltar para a escola. Arrumar um emprego. “Mas não tenho nenhuma ajuda. Um emprego é melhor do que viver como eu tô agora. No crime a gente corre risco de ser pego pela polícia, de ser baleado. Mas tem que batalhar do jeito da gente, do jeito que vem dinheiro mais fácil.”

No Brasil, 2.802.258 crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estão fora da escola, assim como Marcelo. O dado é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015. Segundo o estudo, a exclusão escolar atinge sobretudo meninos e meninas das camadas mais vulneráveis da população. Do total de crianças e adolescentes fora da escola, 53% vivem em casas com renda per capita de até meio salário mínimo.

Um levantamento chamado Educar ou punir? A realidade da internação de adolescentes em unidades socioeducativas de Pernambuco reforça a informação. Cerca de 95% dos adolescentes infratores encaminhados para as unidades socioeducativas no estado não têm acesso à educação nem antes nem após serem inseridos no sistema, apresentando algum índice de atraso escolar. Para Marcelo, por exemplo, estudar é prejuízo. “O tempo que eu perco na escola, deixo de atender clientes na boca”, compara.

*Marcelo é apenas um dos personagens do especial Exército Juvenil feito por mim e Marcionila Teixeira com fotos e vídeos de Teresa Maia. Confira o trabalho no endereço: bit.ly/ExercitoJuvenil

Vidas destruídas pelo crack

O crack segue fazendo total destruição nas vidas de quem o prova. Apesar dos efeitos e consequências serem conhecidos por quase todos nós, talvez muita gente ainda não tenha conversado com usuários dessa droga para saber quais são os seus dramas. Na semana passada, visitei alguns pontos de consumo de crack e uma casa do Programa Atitude, do governo do estado, onde havia cerca de 30 usuários da droga. Enquanto algumas pessoas afirmaram que estavam tentando deixar o vício, outras revelaram que pretendiam continuar consumindo o crack.

Droga provoca alucinações e paranoia. Foto: Teresa Maia/DP

Droga provoca alucinações e paranoia. Foto: Teresa Maia/DP

Enquanto os trabalhos de repressão e investigação realizados pela polícia tentam reduzir a oferta da droga nas ruas, as ações desenvolvidas pelos governos estadual e municipal têm o objetivo de devolver a cidadania aos usuários, sobretudo aos que estão em situação de rua ou de vulnerabilidade. Pesquisa da Fiocruz Pernambuco mostrou que 52% dos usuários entrevistados tinham renda de um ou menos salário mínimo por mês. Para tentar ajudar essas pessoas, é preciso que a sociedade e o poder público trabalhem juntos.

O governo do estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ), oferece assistência aos usuários de crack por meio do Programa Atitude. Com foco em reduzir os riscos e danos individuais, sociais e comunitários dos usuários de drogas, o Atitude foi criado em setembro de 2011 e hoje está inserido na programa de política estadual de segurança pública, o Pacto Pela Vida. Confira abaixo entrevista com uma usuária desempregada e moradora do bairro de São José.

“Não quero deixar de fumar crack”

Fernanda (nome fictício) faz programas sexuais ou pede dinheiro para fumar. Foto: Peu Ricardo/Esp/DP

Fernanda (nome fictício) faz programas sexuais ou pede dinheiro para fumar. Foto: Peu Ricardo/Esp/DP

Quem passa pela Rua Imperial, no bairro de São José, no Recife, já deve ter observado uma concentração de pessoas embaixo do Viaduto Capitão Temudo a qualquer hora do dia. Segundo a polícia e entidades de ajuda a usuários de drogas, esse local tem se tornado ponto de consumo. Foi lá que encontramos Fernanda (nome fictício). Mãe de dois filhos, desempregada e com 37 anos, ela disse que não pretende deixar de usar a droga.

Há quanto tempo você está usando o crack?
Faz dois anos que fumei o crack pela primeira vez e fiquei viciada muito rápido. Algumas pessoas que eu conheço estavam usando e um dia me ofereceram. Eu sabia que poderia fazer mal, mas mesmo assim eu provei. Hoje eu uso o crack quase todos os dias.

Como você consegue dinheiro para comprar a droga?
Faço programas sexuais ou peço dinheiro às pessoas para comprar o crack. Cada pedra que a gente compra é R$ 10. Quando bate a vontade de fumar, a pessoa faz qualquer coisa. Hoje mesmo eu já fumei. Estou aqui só esperando anoitecer para ir em casa tomar um banho.

Você mora com seus filhos e familiares?
Não. Moro na rua. Mas sempre eu passo na casa do meu pai. Meus dois filhos de 10 e 9 estão sendo criados pela minha irmã e todo mundo mora na mesma casa. Eu não durmo lá. Prefiro ficar pela rua, em qualquer lugar que eu chegar eu durmo.

Tem vontade de deixar o vício do crack?
Apesar de saber que ele faz muito mal, não quero deixar de fumar o crack. Já me perguntaram se eu queria fazer tratamento, mas não quis. Na minha família só eu que uso essa droga e vou continuar vivendo assim mesmo.

Leia matéria completa no site Diariodepernambuco.com.br

Motoristas profissionais farão teste do cabelo para detecção de drogas

Da Agência Brasil

Os motoristas profissionais de todo o Brasil terão que fazer exames toxicológicos de larga janela de detecção, em cumprimento à deliberação 145, de dezembro de 2015, do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Conhecido como teste do cabelo, esse exame permite identificar o uso de drogas por um período de, pelo menos, 90 dias antes da coleta. A medida foi aprovada nessa quarta-feira (2).

Foto: Peu Ricardo/Esp. DP

Foto: Peu Ricardo/Esp. DP

Na avaliação do coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, trata-se de uma medida “extraordinária”. “É a primeira medida que se toma no país desde 1998, quando entrou em vigor o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Não havia nenhuma medida para combater o uso de drogas por quem dirige de forma profissional”, disse. Ele destacou que o exame não visa à fiscalização, mas à prevenção.

Autor do estudo “As drogas e os motoristas profissionais”, Rizzotto informou que, nos Estados Unidos, as próprias empresas tiveram, há dez anos, a iniciativa de fazer o teste do cabelo e conseguiram praticamente zerar os acidentes envolvendo motoristas sob efeito de drogas. Naquele país, o teste de urina é obrigatório há 30 anos, mas apresenta detecção de menor número de dias.

Rizzotto ressaltou a importância da medida para a saúde dos motoristas, porque “quem é usuário de drogas vai ter que parar e, se for dependente, vai ter que buscar um tratamento. É importante, do ponto de vista de saúde pública”, afirmou. Em termos de segurança, a medida é importante, porque vai diminuir os acidentes. O teste vai beneficiar toda a população brasileira, porque é exigido também dos motoristas de ônibus, de vans e de transporte escolar.”

Exames clínicos feitos em caminhoneiros brasileiros voluntários que transportam as chamadas cargas de horário, do tipo perecível, mostraram que chega a 50% o número de motoristas que fazem uso de drogas. Desse total, 80% já são dependentes químicos e necessitam de tratamento, disse Rizzotto. Ele afirmou que muitos motoristas entram nas drogas porque são explorados, começam a usar rebite (droga sintética produzida em laboratório) e, atualmente, cocaína; enquanto outros são “irresponsáveis”.

O coordenador do SOS Estradas disse acreditar que o teste do cabelo vai ajudar também a combater a concorrência desleal. “Porque aquele que não usa drogas não aceita fazer determinadas viagens.” Se um motorista faz, em 22 horas, por exemplo, uma viagem que dura normalmente 30 horas, “é porque o cara não vai dormir”, explicou. No fundo, ele está baixando o valor do frete e trabalhando em condições sub-humanas. Para ele, que a transportadora, se for uma empresa séria, e não explorar o empregado, também não vai aceitar determinados tipos de carga, nem condições adversas de transporte.

Serviço Ligue 132 recebeu 22 mil ligações sobre drogas em 2015

Do Ministério da Justiça

Balanço da Central de Atendimento sobre Drogas mostra que 22 mil pessoas procuraram o serviço Ligue 132 do Ministério da Justiça, em 2015. A Central funciona 24 horas por dia, inclusive nos finais de semana e feriados e as ligações são gratuitas.

Moradores dos estados de São Paulo (3.050 chamadas), Rio Grande do Sul (1.916), Rio de Janeiro (1.843) e Minas Gerais (1.284) foram os que mais realizaram ligações em busca de ajuda para interromper o uso de substâncias psicoativas. Contudo, por ser um serviço anônimo, 8.470 pessoas preferiram não informar local de residência.

Foto: Jaqueline Maia/DP/DA Press

Problemas com álcool e cocaína foram os mais procurados. Foto: Jaqueline Maia/DP/DA Press

Destacam-se também as ligações de cidades do interior. Das 22.562 ligações registradas no ano, 45% foram oriundas de municípios no interior dos estados.

O público atendido era de usuários de drogas ou familiares que necessitavam de apoio para ajudar seus parentes. Para prestar um serviço de qualidade, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas desenvolveu um método que personaliza os atendimentos dependendo de quem está ligando. “Por exemplo, caso seja um adolescente que consumiu drogas pela primeira vez é adotado um tipo de procedimento. Se for uma mãe desesperada em ajudar o filho, a abordagem é outra”, explica a coordenadora do serviço, Helena Barros.

A coordenação conta com mais de 60 consultores, capacitados na área da saúde, que estão disponíveis para responder dúvidas, orientar e informar à população brasileira sobre drogas.

Álcool e cocaína

No Ligue 132, os consultores recebem demanda de diversos tipos de substâncias psicoativas. Em 2015, as drogas mais questionadas foram álcool e cocaína, uma relação que vem se repetindo desde 2012, quando serviço passou a operar 24 horas por dia.

Em relação aos atendimentos envolvendo álcool e cocaína é importante destacar sobre os prejuízos de usar essas duas substâncias ao mesmo tempo, pois há um risco maior de overdose. “Aqueles que usam apenas o álcool, os nossos atendimentos visam mostrar que essa substância é tão prejudicial quanto outras drogas”, relata a supervisora do call center, Adriane Rohden.

As fissuras e as recaídas são os casos mais difíceis. “Nos momentos de fissura, o consultor faz um atendimento acolhedor orientando o usuário que esse é um período de grande vontade de usar, mas que após alguns minutos irá passar”, afirma a supervisora. Muitos usuários ligam para o serviço a fim de diminuir a vontade, como uma estratégia.

Outra situação delicada é a recaída, pois quem liga sente-se muito culpado e julgado pelas pessoas. No Ligue 132, orienta-se que a recaída faz parte do processo, como um aprendizado. Segundo Adriane Rohden, “o importante é valorizar o retorno de quem busca o serviço e rever como ele pode seguir daqui pra frente com o processo de parada”.

Acompanhamento continuado

A central avançou no atendimento realizando um acompanhamento sistemático, por se tratar de uma questão complexa. Por isso, a pessoa que deseja participar desse tipo de serviço recebe um número de protocolo permitindo a continuação do atendimento em outra data. De acordo com a coordenadora, mesmo sendo um serviço telefônico, o acompanhamento é tão eficaz quanto os atendimentos presenciais em outros lugares.

“Na medida em que as pessoas recebem um número de protocolo, o seguimento de novos chamados é facilitado e os atendimentos posteriores resgatam as informações anotadas”. Assim, acrescenta Helena Barros, se garante a personalização do serviço e se evita que as pessoas que ligam precisem repetir suas histórias, favorecendo a continuidade da interlocução. O Ligue 132 completou dez anos em junho de 2015, e nesse período somou mais de 150 mil atendimentos.

Mais de 86 mil presos em São Paulo cometeram crime de tráfico de drogas

Da Agência Brasil

O tráfico de drogas é o crime que mais levou pessoas ao sistema carcerário paulista. Segundo levantamento divulgado pela Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo (SAP), entre os 209,3 mil homens que estão nos presídios do estado, 77,4 mil (37%) foram presos por envolvimento no comércio ilegal de entorpecentes. O tráfico também levou 8,8 mil mulheres às cadeias do estado, o que representa 72% das 12,3 mil detentas de São Paulo. No total, são 86,3 mil pessoas presas por esse crime.

Foto: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

Foto: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

O segundo delito mais praticado pelos presidiários do estado é o roubo. Foram presos por esse crime 36,4% dos detentos do sexo masculino (76,2 mil) e 10,1% das mulheres (1,2 mil). Os furtos vem em seguida, representam 8,6% das causas de prisões de homens (17,9 mil) e 7,3% em relação às detentas (903).

Os homicídios foram a causa da prisão de 7,1% dos detentos homens (14,8 mil) e 6% das mulheres (739). Os crimes contra dignidade sexual (que incluem os crimes contra a liberade sexual, como estupro e assédio; crimes sexuais contra vulnerável, como fazer sexo com menor de 14 anos, e os crimes de lenocínio e tráfico de pessoa para fim de prostituição ou outra forma de exploração sexual, entre eles o tráfico de pessoa para exploração sexual) levaram à prisão 9,6 mil homens – 4,6% do total.

Os dados são referentes a situação no último dia 18 de junho. O sistema prisional de São Paulo tem 163 unidades, sendo 81 penitenciárias e 41 centros de detenção provisória, além de centros de ressocialização, de progressão penitenciária, hospitais e uma unidade de regime disciplinar diferenciado. De janeiro a julho, 65,6 mil pessoas ingressaram nas prisões paulistas.

Alerta: cuidado com o golpe boa noite, Cinderela

Do Diario de Pernambuco, por Maira Baracho

O método é sempre o mesmo. Simpático e vestido com roupa social, um estranho chega, puxa assunto e se oferece para pagar uma cerveja. Depois de sentar à mesa com a vítima, que está sempre sozinha, o suspeito espera a hora certa e adiciona alguma droga na bebida. Com a vítima inconsciente, o assaltante consegue senhas de cartões, endereço, limpa a conta corrente e furta objetos das casas. O golpe, conhecido como boa noite, Cinderela já fez pelo menos duas vítimas entre os frequentadores do Largo de Santa Cruz, na Boa Vista.

Crime tem acontecido no centro do Recife. Foto: Rafael Martins/ Esp. DP/ D. A. Press

Crime tem acontecido no centro do Recife. Foto: Rafael Martins/ Esp. DP/ D. A. Press

Paulo* foi uma delas. Em agosto, estava numa edição do projeto semanal Terça do Vinil, que acontece no bar Lisbela e os Prisioneiros. Ele foi abordado por um homem de boa conversa, com quem tomou duas cervejas. Paulo acordou, às 14h do outro dia, em casa, sem lembrar de nada. Sua conta bancária foi zerada e alguns objetos furtados do imóvel. Ele passou dois dias sob efeito da substância.

Em setembro, Jorge* imaginou que havia sido assaltado quando acordou em um terreno baldio, no Janga, em Paulista, depois de ir ao mesmo evento na noite anterior. Ele só percebeu que o caso era ainda mais grave quando chegou em casa, no Recife, e encontrou o apartamento revirado. Além de saquear sua conta corrente, os bandidos levaram três computadores, duas câmeras, HDs externos e equipamentos de trabalho. As duas vítimas registraram Boletim de Ocorrência, mas não acreditam no empenho da polícia para resolver os casos.

Na noite dessa quinta-feira, Maria* também estava no Largo quando foi abordada por dois homens. “Não me lembro direito, mas meu namorado disse que quando se aproximou me viu com dois desconhecidos, cheirando alguma coisa que parecia loló. Ele me afastou dos caras e depois disso passei muito mal e tive muita dor de cabeça”, conta Maria, que acordou no dia seguinte sem nenhuma lembrança desses momentos.

Diante dos episódios, Paulo e Jorge têm buscado por conta própria esclarecer o caso. “Acho que a polícia não vai atrás se você não for, por isso estou indo”, relatou Jorge.  A Polícia Civil explicou que não há uma delegacia especializada nesse tipo de golpe e que os casos estão sendo investigados individualmente.

Sócio do bar Lisbela e o Prisioneiro, onde acontece a Terça do Vinil, Marcos Antônio explica que o estabelecimento contrata segurança todos os dias e reforça o pessoal às terças-feiras. Ele fala que há um mês houve uma reunião com a Guarda Municipal e Dircon e que houve um comprometimento de aumentar o apoio na área. “Eles perguntaram se poderíamos terminar o evento mais cedo. Expliquei que a música termina às 23h30 e que à 1h fechamos o bar. Isso pode ser negociado, mas do que adianta os bares fecharem e os ambulantes continuarem lá?, questionou Marcos Antônio”.

* nomes fictícios

Um veleiro movido a cocaína

Casado, 48 anos, nenhum antecedente criminal. Mecânico de formação, o holandês Raymond Knobbe levava uma vida idílica viajando pelo mundo em seu veleiro Rody. Fernando de Noronha seria mais um destino na rotina de aventuras a bordo de um lar flutuante. O arquipélago, porém, acabou se tornando a última parada antes de uma provável temporada de cinco a 20 anos em uma penitenciária pernambucana. Knobbe foi flagrado, em alto-mar, com 11,5 kg de cocaína pura, numa operação que teve detalhes divulgados ontem pela Polícia Federal.

Veleiro foi levado ao Porto de Santo Antônio pela Polícia Federal. Fotos: Polícia Federal/Divulgação

Veleiro foi levado ao Porto de Santo Antônio pela Polícia Federal. Fotos: Polícia Federal/Divulgação

Pensando que navegaria em águas tranquilas, o holandês zarpou de seu país, parou no Rio Grande do Norte e seguiu para Noronha. Ele não sabia que estava sendo monitorado pela Agência Nacional de Crimes da Grã-Bretanha (NCA), que alertou as autoridades brasileiras sobre a possível carga de drogas. Reunido em Natal, um grupo de nove policiais federais e militares da Marinha embarcou no navio-patrulha Macau e interceptou o Rody perto do arquipélago, por volta das 5h30 do sábado.

Raymond Knobbe foi trazido para o Recife nesse domingo

Raymond Knobbe foi trazido para o Recife nesse domingo

O veleiro foi escoltado ao Porto de Santo Antônio, onde a Polícia Federal descobriu a droga, dividida em dez tabletes. Knobbe recebeu voz de prisão e passou a noite em um posto da PF. Ontem à tarde, foi trazido para o Recife em um voo de carreira que chegou às 16h20. Ele fez exame de corpo de delito no IML e seguiu para o Cotel, onde aguardará julgamento por tráfico internacional de entorpecentes.

“No interrogatório, o holandês afirmou que vivia nesse veleiro viajando pelo mundo. A gente acredita que ele utilizava essas viagens para traficar cocaína. A droga possivelmente tem origem na Europa. Vamos ver se ele faz parte de um grupo maior”, observou Giovani Santoro, chefe da Comunicação da Polícia Federal de Pernambuco.

Quase 12kg de cocaína foram encontrados na embarcação

Quase 12kg de cocaína foram encontrados na embarcação

Segundo os investigadores, a carga pode ser muito maior. O veleiro, que deverá chegar ao Recife na quinta-feira, será desmontado, pois a Polícia Federal suspeita que haja mais cocaína escondida.

A polícia está acertando os detalhes da vinda do veleiro para o Recife e da operação de desmonte. Não está definido, por enquanto, o órgão que comandará a transferência do barco. A PF também entrará em contato com empresas náuticas para desmontar o veleiro sem danificar a embarcação. O trabalho deve durar de um a dois dias.

Programa da Polícia Militar alerta jovens sobre o uso indevido de drogas

Mais de 160 mil alunos de quase 500 escolas pernambucanas foram formados neste ano pelo Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). Implantado pela Polícia Militar em 2001, o programa promover a prevenção do uso e do abuso indevido de drogas entre crianças e adolescente na comunidade escolar.

Formatura de uma das turmas. Fotos: PM/Divulgação

Formatura de uma das turmas. Fotos: PM/Divulgação

O Proerd é formado por um corpo de instrutores e mentores composto por policiais militares e voluntários que desenvolvem o curso dentro do ambiente escolar com a participação de professores e familiares, visando promover a cultura da paz.

Neste ano, o Proerd formou 162.451 alunos de 21 escolas estaduais, 451 municipais, 11 estaduais, quatro filantrópicas e uma Federal, totalizando 488 unidades de ensino, percorrendo 108 municípios do estado.

Com quase 15 anos de existência, o Proerd envolve crianças na faixa etária de nove aos 12 anos, cursando a 4ª série do ensino fundamental. O desenvolvimento do programa é feito por um policial militar, que em sala de aula durante 17 semanas promove encontros semanais de uma hora de duração.

O material didático distribuído com os alunos é uma cartilha desenvolvida especialmente para o programa, onde o aluno é convidado a discutir e assimilar conteúdos relacionados à autoestima, pressão dos colegas e da mídia para o uso de drogas e as pressões dos companheiros e amigos para agir de forma violenta.

Com informações da assessoria de comunicação da PMPE

Iniciativas como essa são muito bem-vindas quando visam esclarecer crianças e adolescentes sobre os riscos com o envolvimento com o que é ilícito. As ações desenvolvidas nas escolas, muitas vezes, são a única fonte de informação que muitos jovens têm. Isso porque alguns pais preferem fechar os olhos e a boca para debater temas polêmicos com seus filhos. E quando se dão conta de que precisariam ter feito alguma coisa já é tarde demais.

Santo Amaro ganha Posto de Policiamento, mas população ainda teme violência

Santo Amaro é um bairro que não deixa de estar em evidência. Seja pela escalada da violência, seja pela diminuição da mesma, as notícias sobre a comunidade sempre são carregadas de polêmica. Isso porque o tráfico de drogas é muito forte na localidade e a polícia nunca conseguiu mudar essa realidade, apesar das tentativas.

Nessa terça-feira, foi inaugurado um Posto de Policiamento Comunitário do 16º BPM ao lado do Shopping Tacaruna. Porém, a polícia esqueceu que os principais problemas desse bairro não estão concentrados na região do bairro. Na série de reportagens Herdeiros da Violência, que está sendo publicada no Diario de Pernambuco, a jornalista Leianne Correia e a fotógrafa Teresa Maia mostram na edição desta quinta-feira justamente os problemas de Santo Amaro. (Leia na edição impressa do Diario)

COMUNIDADE DE SANTO AMARO GANHOU POSTO DE POLICIAMENTO

O comandante geral da Polícia Militar, coronel José Carlos Pereira, destacou a importância da unidade na localidade. “Esse tipo de policiamento só vem a contribuir com a segurança no estado, pois aproxima a população da Corporação e estabelece medidas preventivas, principalmente pela implantação do programa Patrulheiro Mirim nessa localidade”, disse o oficial.

Abaixo, leia um parágrafo da matéria publicada hoje:

A vulnerabilidade da criança de Santo Amaro está tanto fora quanto dentro de casa, conforme atestou a pesquisa Infância e violência: cotidiano de crianças pequenas em comunidades do Recife, realizada pelo Centro de Análises Econômicas e Sociais, da Universidade Católica do Rio Grande do Sul. “Criança faz o que aprende”, resume Cíntia Oliveira Mendonça, 27 anos, que foi criança em Santo Amaro e hoje é mãe de quatro. Por isso, a pesquisa aponta que pais que batem são os que também apanharam na infância. É a reprodução do comportamento.

As “mulheres-caranguejo” do bairro de Santo Amaro

Uma ferida exposta aos olhos de todos mas que ninguém se preocupa em curar. A situação das mulheres que fazem sexo em troca de pouco dinheiro para manter o vício das drogas está descrita na edição impressa do Diario de Pernambuco desta terça-feira a partir do depoimento das garotas que vivem no mangue. Chamadas pela repórter Marcionila Teixeira de “mulheres-caranguejo”, essas jovens contam como é a vida dentro da área de lama da Avenida Artur Lima Cavalcanti, no bairro de Santo Amaro.

Fotos: Allan Tores/Esp DP/D.A Press

Mulheres recebem clientes a qualquer hora. Fotos: Allan Tores/Esp DP/D.A Press

São relatos que, de tão fortes, chegam a ser chocantes. Elas contam que são vítimas de agressões e torturas e que também recebem um dinheiro extra caso atendam ao desejo dos clientes. Quem anda pelo centro do Recife e costuma se dirigir a Olinda a partir da Ponte do Limoeiro ou da Rua da Aurora, certamente já percebeu a movimentação da prostituição. Carros, motos, bicicletas e pedestres não escolhem dia nem hora para procurar o serviço das mulheres que perambulam de um lado a outro da via.

Dklajdkasjlas

Jovens mostram seus corpos e dizem fazer sexo para comprar drogas

Nem mesmo as câmeras de monitoramento instaladas ao longo da via e as rondas policiais realizadas na área são capazes de inibir a procura pelo sexo barato no conhecido ponto dentro da lama. Veja no vídeo abaixo os depoimentos de algumas dessas mulheres que trocam o sexo pela droga.