Moradores do bairro da Iputinga estão reféns do medo

Moradores do barro da Iputinga, Zona Oeste do Recife, já não sabem mais a quem pedir ajuda diante dos inúmeros casos de assaltos ocorridos na localidade. As investidas criminosas acontecem a qualquer hora do dia ou da noite. E sem exagero. Os ladrões estão acordando cedo para tomar bolsas e celulares de trabalhadores e estudantes que saem de casa por volta das 6h. “Já ouvi os gritos de uma mulher bem cedinho dizendo que tinha roubado a bolsa dela aqui na rua”, disse uma moradora da Rua Doutor Gastão da Silveira.

Moradores estão assustados em andar nas ruas do bairro. Fotos: Divulgação

Moradores estão assustados em andar nas ruas do bairro. Fotos: Divulgação

Segundo moradores e comerciantes do local, os criminosos costumam agir de bicicletas ou de motocicletas. Viatura da Polícia Militar, dizem os denunciantes, é artigo raro no bairro. Grupos inteiros de estudantes já foram vítimas de assaltos. “Na semana passada dois rapazes em duas bicicletas assaltaram quatro meninas que voltavam da escola. Um deles mostrou um revólver para elas e levou os telefones celular. Isso aconteceu perto das 13h”, detalhou uma comerciante.

Crimes acontecem em várias ruas e a qualquer hora do dia ou da noite

Crimes acontecem em várias ruas e a qualquer hora do dia ou da noite

Diante do medo de sair de casa e de tanta orações que já fizeram pedindo proteção, os moradores da Iputinga pedem que polícia faça agora sua parte providenciando o reforço no policiamento na área. Um dos pontos onde também acontecem muitos assaltos é a Rua São Mateus, onde estão diversos estabelecimentos comerciais. A denúncia está feita, falta agora a ação da Polícia Militar de Pernambuco.

Morte no metrô aumenta medo entre passageiros e funcionários

Uma tentativa de assalto terminou em morte e prisão na manhã de ontem no metrô do Recife. Por volta das 6h, quatro suspeitos anunciaram assalto em um vagão da Linha Sul, entre as estações Joana Bezerra e Largo da Paz. De acordo com testemunhas, três deles se posicionaram na parte de trás do último vagão enquanto outro ameaçava os cerca de 20 passageiros com uma faca. Um policial que seguia para o trabalho no trem se identificou e deu voz de prisão, mas o assaltante teria partido para cima dele, que atirou. Robson Batista Saturnino, de 21 anos, estava foragido do complexo prisional do Curado e morreu na hora.

Crime aconteceu na estação Largo da Paz. Fotos: Malu Cavalcanti/Esp/DP

Crime aconteceu na estação Largo da Paz. Foto: Malu Cavalcanti/Esp/DP

Os demais envolvidos são Anderson Carlos Santana, de 26 anos, que já foi autuado por receptação de veículo roubado, William Lima, de 19 anos, e Leonardo Francisco Guilherme, de 21 anos. Eles se entregaram e foram encaminhados ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O policial que disparou os tiros preferiu não se identificar. Ele explicou que o suspeito insistiu em tentar golpeá-lo, mesmo com a ordem de prisão e depois de ter levado um tiro no ombro. “Eu falei que era policial, pedi pra ele soltar o facão e ele tentou me atingir. Eu dei dois passos para trás e atirei no ombro e ele continuou vindo para cima. Me afastei novamente e ele voltou a tentar uns golpes. Aí, eu dei mais dois tiros e ele caiu. Os outros que estavam mais ao fundo, quando viram a situação, entregaram outra faca que portavam, e eu pedi que deitassem no vagão. Eles obedeceram e encaminhamos para o DHPP”, explicou. Segundo a polícia, o PM estava a caminho do 6º Batalhão, na Estrada da Batalha, em Jaboatão dos Guararapes, onde atua.

Suspeito foi morto dentro do vagão. Foto: Reprodução/TV Clube

Suspeito foi morto dentro do vagão. Foto: Reprodução/TV Clube

Em depoimento, os suspeitos confessaram que passaram a noite bebendo e que tinha planejado o assalto. “Eles confirmaram que se encontraram para planejar e que o Robson é quem teve a ideia de praticar o assalto naquela ocasião. Mas pelo menos dois deles já eram vistos praticando assaltos no metrô”, destacou a Polícia Civil. Um dos passageiros que testemunharam o anúncio do assalto disse que o vagão tinha cerca de 20 pessoas, a maioria mulheres. “Como tinha bastante mulher no vagão, gerou um desespero com a situação de todo mundo correndo para o fim do trem para tentar se proteger. No meio do vagão, só ficaram os assaltantes e ele (o policial)”, destacou, sem se identificar. Ninguém se machucou e não houve produtos roubados.

O suspeito morto era um dos detentos que conseguiram escapar do presídio Frei Damião de Bozano, depois de uma fuga em massa, resultado de uma explosão de um dos muros da unidade em janeiro deste ano. Ele já havia sido preso duas vezes, acusado de violência doméstica e roubo. Familiares estiveram na estação, mas preferiram não falar com a imprensa. O corpo foi levado para o Instituto de Medicina Legal (IML), em Santo Amaro. A Secretaria de Ressocialização do estado, responsável gestão do sistema prisional em Pernambuco, não atendeu às ligações da reportagem para comentar o caso.

SDS promete ações de segurança para a Ilha de Itamaracá

Após a denúncia de assaltos a veranistas e moradores das praias do Ponta da Ilha, Sossego e Enseada dos Golfinhos, na Ilha da Itamaracá, publicada ontem pelo blog, a Secretaria de Defesa Social (SDS) anunciou que fará um reforço na segurança da localidade. Quem frequenta a localidade afirma que a movimentação nos finais de semana reduziu desde o início deste ano.

Posto da guarda e policiamento estava fechado ontem. Fotos: Karina Morais/Esp.DP

Posto da guarda e policiamento na entrada da Praia do Sossego estava fechado ontem. Fotos: Karina Morais/Esp.DP

Depois de ouvir as reclamações de representantes de quatro associações de moradores, o secretário executivo da SDS, Alexandre Almeida Lucena, afirmou que irá adotar medidas de segurança para reforçar o policiamento ostensivo e as investigações dos assaltos registrados pela Polícia Civil. Além disso, Lucena adiantou a intenção da secretaria em promover ações sociais no município, mas não deu detalhes.

Moradores e veranistas do Pontal da Ilha estão assustados

Moradores e veranistas do Pontal da Ilha estão assustados com os assaltos

Segundo dados da SDS, nos quatro primeiros meses deste ano, 70 ocorrências de Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) foram registradas na Ilha de Itamaracá, mas poucas vítimas da região das três praias em questão procuraram a polícia após os assaltos. “A reunião foi bastante proveitosa. Vimos que a SDS está disposta a melhorar a segurança na área, mas precisamos que as pessoas façam os registros quando forem assaltadas. O secretário que nos atendeu não deu prazo para implentar as ações, mas se comprometeu a nos ajudar.”, ressaltou o presidente da Associação dos Moradores do Pontal da Ilha, Ednaldo Cabral.

O engenheiro Rodrigo Gomes toma alguns cuidados no caminho para o Pontal da Ilha

O engenheiro Rodrigo Gomes toma alguns cuidados no caminho para o Pontal

O blog esteve ontem na região onde ficam as três praias. Moradores assustados, casas fechadas e várias placas de vende-se nos imóveis foram vistas pelo caminho. “A situação está péssima por aqui. Dia de domigo fica um deserto porque os veranistas não querem mais vir com medo dos assaltos”, disse um comerciante. O servente de pedreiro, V.C.S., 33 anos, mora na Praia do Sossego. Ele contou que as investidas acontecem nos finais de semana. “Os ladrões levam celulares e dinheiro das pessoas que vêm para as casas de praia. Sempre atacam na subida depois do presídio”, destacou.

O engenheiro Rodrigo Gomes Ferreira está trabalhando numa obra no Pontal da Ilha há seis meses. Mesmo sem nunca ter sido assaltado ou presenciado um crime, ele revelou que costuma dirigir atento no caminho até a obra. “Venho para cá de segunda a sexta-feira e tenho conhecimento dos constantes assaltos que acontecem na pista. Como já conheço a estrada e até sei onde ficam os buracos, não costumo dirigir devagar. É uma forma de evitar ser um alvo para os assaltantes”, ressaltou o engenheiro.

Caso Danielle Fasanaro: família ainda espera julgamento do suspeito

Nesta quinta-feira está fazendo dois anos e 11 meses que a modelo Danielle Solino Fasanaro, 35 anos, foi assassinada pelo tatuador Emerson Du Vernay Brandão, que se apresentou à polícia com o nome de André Cabral Muniz. O crime aconteceu no apartamento onde a vítima morava, no bairro de Casa Caiada, em Olinda, e causou muita comoção. Danielle terminou o relacionamento com Emerson, o que teria motivado o assassinato, segundo a polícia.

Apesar de algumas audiências já terem acontecido, a Justiça ainda não se pronunciou sobre uma possível data para julgamento do suspeito, que segue preso. Antes de matar Danielle, Emerson a fez de refém junto com seu filho pequeno por várias horas. Dezenas de policiais militares foram acionados para a ocorrência, mas apenas a criança conseguiu ser salva.

Um missa será celebrada nesta quinta-feira, às 19h, na igreja do Morro da Conceição, em Casa Amarela, para lembrar os dois anoss e 11 meses da morte de Danielle. “Estamos cansados de esperar que a justiça seja feita. Chega de impunidade. Não vou desistir de lutar até que o culpado pela morte da minha irmã seja condenado”, desabafou Michelle Solino Fasanaro, irmã da modelo.

Assaltos e medo na Ilha de Itamaracá

Os constantes assaltos ocorridos nas praias do Sossego, Enseada dos Golfinhos e Pontal da Ilha têm assustado os veranistas e moradores da Ilha de Itamaracá, na Região Metropolitana do Recife (RMR). No ano passado, de janeiro a abril, foram registrados 28 crimes violentos contra o patrimônio. Neste ano, no mesmo período, já foram 70.
Os moradores denunciam que homens fortemente armados, geralmente encapuzados, têm agido sempre da mesma maneira.

Assaltos acontecem na estrada que dá acesso às praias. Foto: Annaclarice Almeida/DP

Assaltos acontecem na estrada que dá acesso às praias. Foto: Annaclarice Almeida/DP

Após bloquearem a estrada de barro que dá acesso às praias, eles assaltam motoristas e passageiros dos carros. “As ações acontecem sempre no mesmo local e do mesmo modo. Os assaltantes ficam numa ladeira sinuosa, localizada a aproximadamente 400 metros depois da Penitenciária Professor Barreto Campelo, onde bloqueiam a pista e fazem os assaltos”, contou uma veranista da localidade.

Ainda segundo ela, as investidas criminosas aumentaram a partir do início deste ano. O auditor Marconio Cavalcanti, 42 anos, tem uma casa na Praia do Sossego há quatro anos, mas agora colocou à venda. “Já soube de várias ocorrências de assalto naquela área. Um dia estavam indo para minha casa e um carro estava voltando na estrada. Os passageiros, que eram mulheres e crianças, tinham acabado de ser assaltados”, disse Marconio.

A situação de medo e temor na Ilha já chegou ao gabinete do secretário de Defesa Social. Para tentar encontrar uma solução para o problema, representantes de associações de moradores das praias terão hoje uma reunião com representantes da SDS. Devem participar do encontro o secretário-executivo, Alexandre de Almeida Lucena, o delegado seccional de Paulista, Ivaldo Pereira, e o comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel André Ângelo, responsável pelo policiamento ostensivo na Ilha de Itamaracá. Veranistas e a própria polícia acreditam que alguns crimes estejam sendo praticados por ex-presidiários que moram nas proximidades.

Segundo o delegado de Itamaracá, Evaristo Neto, as ocorrências de assaltos registradas na delegacia estão sendo investigadas, mas é preciso que todas as vítimas, inclusive veranistas, façam o boletim. “Estamos investigando e fazendo o monitoramento de todos os casos registrados. Do assalto ocorrido durante o carnaval, onde um grupo de assaltantes invadiu uma casa e fez várias pessoas reféns, conseguimos identificar e prender os cinco suspeitos”, detalhou o delegado de Itamaracá. “Iniciamos a investigação a partir das imagens dos circuitos de câmeras de segurança”, concluiu Neto.

Em Pernambuco, 41 crianças foram assassinadas desde 2014

Dezoito crianças com idades entre 1 e 12 anos foram assassinadas em Pernambuco no ano de 2015. Os números da Secretaria de Defesa Social (SDS) revelam uma realidade que assusta e revolta. No ano de 2014, foram 19 crianças mortas. Já nos quatro primeiros meses deste ano, também de acordo com a SDS, foram duas vítimas.

Beatriz tinha sete anos. Fotos: Reprodução/ Blog O Povo com a Notícia

Beatriz Mota, 7 anos, foi uma dessas vítimas. Fotos: Reprodução/ Blog O Povo com a Notícia

No mês de maio, pelo menos mais dois casos foram noticiados pela imprensa. Uma menina de 6 anos foi atingida por uma bala perdida no último dia 12 e não resistiu aos ferimentos. Mikaela Tahilla dos Santos morreu na tarde do último sábado. Também no sábado foi encontrado o corpo do menino Carlos Fernando da Silva, 4 anos. Ele estava desaparecido desde o dia 12. Com esses dois crimes, Pernambuco tem quatro crianças vítimas de assassinato do início do ano até agora.

A morte do menino Carlos Fernando gerou revolta nos moradores do município de Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife. Segundo a Polícia Civil, um adolescente de 17 anos e um tio paterno do garoto são os responsáveis pelo assassinato, o parente ainda é suspeito de ter abusado sexualmente do sobrinho. O tio, que já está no Cotel, nega participação na barbárie e nega o abuso.

Ontem à tarde, moradores do município foram para a frente do Fórum de Ipojuca onde o adolescente que confessou a autoria do crime estava sendo ouvido antes de ser encaminhado à Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase). Policiais militares e guardas municipais foram acionados para evitar agressões físicas e uma possível tentativa de linchamento. Após o depoimento, ele seguiu para a Funase sem problemas.

Estudioso sobre mortes violentas, o pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, divulgou no Mapa da violência deste ano que 49 crianças e adolescentes de zero a 14 anos foram assassinados em Pernambuco no ano de 2014. “O Brasil tem elevados números de homicídios de mulheres, idosos, negros e também de crianças. O país sempre está entre os mais críticos no ranking da violência internacional. Aqui se mata mais que em países onde há guerras. Mas essa realidade precisa mudar, nada justifica essa cultura da violência”, apontou Jacobo.

Abusos
Além das mortes, as crianças e adolescentes também estão vulneráveis aos abusos sexuais. Segundo o gestor do Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA), delegado Ademir de Oliveira, diferentemente dos casos de abusos sexuais, não se tem um perfil dos assassinos de crianças. Nos três primeiros meses deste ano, 122 crianças e adolescentes foram abusadas sexualmente no Grande Recife, a maioria por parentes.

Para tentar reverter essa situação, será celebrado hoje em todo país o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual infanto-juvenil. No Recife, está prevista uma caminhada com concentração no Parque 13 de maio, a partir das 14h.

Homicídios de crianças e adolescentesem 2014

  Brasil
94 com menos 1 ano
109 de 1 a 4 anos
114 de 5 a 9 anos
732 de 10 a 14 anos
1.049 no total

  Pernambuco
1 com menos de 1 ano
6 1 a 4 anos
7 de 5 a 9 anos
35 de 10 a 14 anos
49 no total

Fonte: Julio Jacobo Waiselfisz. Mapa da Violencia 2016, Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO).

Obras no entorno do Complexo do Curado estão suspensas

As obras no entorno do Complexo Prisional do Curado, que envolviam a desapropriação e remoção de residências, estão suspensas. A decisão foi tomada depois de reunião realizada ontem entre uma comissão formada por 10 moradores e o secretário-executivo da Casa Civil, Marcelo Canuto, no Palácio do Campo das Princesas. Em nota, o governo afirmou que “tendo em vista a abertura do diálogo entre as partes, fica suspensa qualquer ação, física, técnica ou jurídica” no entorno da unidade prisional.

Moradores fizeram protesto ontem. Foto: Rafael Martins/ Esp. DP

Moradores fizeram protesto ontem. Foto: Rafael Martins/ Esp. DP

A remoção de cerca de 50 casas dos arredores do complexo está prevista no decreto 42.862/16, publicado no Diário Oficial em abril. A intervenção ocorreria para criar um perímetro de segurança no entorno das três unidades prisionais e foi determinada depois da fuga de dezenas de presos, em janeiro, após uma bomba ter sido detonada destruindo o muro. O decreto, mesmo diante da decisão de ontem, segue mantido.

Na próxima quinta-feira, haverá uma audiência na Câmara dos Vereadores. O governo afirmou que irá encaminhar um representante ao encontro. Os moradores do entorno do complexo estão mobilizados desde fevereiro. Segundo eles, a construção do perímetro afetaria cerca de 300 famílias e mais do que as 50 casas especificadas no decreto.

O encontro havia sido marcado na última semana, de acordo com os moradores, que pretendiam ser atendidos pelo governador Paulo Câmara. O gestor, afirmou a assessoria, estava em Arcoverde. Os moradores voltaram a reivindicar o encontro na tarde de ontem e realizaram um protesto, com cerca de 100 pessoas, na frente da sede do governo estadual durante a tarde.

Iraci e Edson não querem deixar a casa. Foto: Julio Jacobina/DP

Iraci e Edson não querem deixar a casa onde moram. Foto: Julio Jacobina/DP

“Já tentamos nos reunir mais de cinco vezes. Entregamos um projeto no qual mostramos que é possível construir esse muro dentro da unidade, sem precisar retirar as casas. O ideal, para a gente, seria retirar o presídio dali”, afirmou o enfermeiro e um dos representantes da comunidade Marcone Marques, 45 anos, que mora na localidade desde que nasceu.

Professor que ensinar em presídios pode receber pagamento adicional

Da Agência Câmara

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou proposta que incentiva o pagamento de remuneração adicional aos profissionais da educação básica que atuarem em penitenciárias e em estabelecimentos educacionais de internação de adolescentes.

Unidades de Pernambuco têm escola para os detentos. Foto: Annaclarice Almeida/DP

Unidades de Pernambuco têm escola para os detentos. Foto: Annaclarice Almeida/DP

Relator na comissão, o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) defendeu a matéria. Segundo ele, além de valorizar os profissionais da área da educação que atuam dentro do sistema penitenciário, o benefício aumenta a eficácia da ressocialização dos apenados. Fraga recomendou a aprovação do substitutivo adotado pela Comissão de Educação.

Pelo texto, os recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) voltados para a formação educacional de presos serão prioritariamente destinados aos estados e municípios que aprovarem leis assegurando gratificação para os servidores indicados.

A medida está prevista no substitutivo apresentado à Comissão de Educação pela ex-deputada Professora Marcivania, relatora do Projeto de Lei Complementar 78/15, do deputado Hélio Leite (DEM-PA), que altera a Lei do Funpen (Lei Complementar 79/94).

O projeto original prevê a possibilidade do adicional apenas aos professores que atuem presencialmente nos estabelecimentos penais. O benefício seria definido em lei federal e de cada ente federado, a ser pago a docentes, instrutores e monitores de educação escolar básica, profissional ou superior que atuem nos presídios.

Tramitação
O projeto será analisado ainda pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário.

Uma missão sem fronteiras

Brasil, Bósnia, Suécia, Guatemala. O combate ao crime levou o ex-policial militar pernambucano Gustavo Henrique de Barros Fulgêncio, 45 anos, a uma vida que não conhece fronteiras. Único brasileiro a fazer parte da Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala, ele está no país centro-americano de 14 milhões de habitantes desde setembro de 2015, após ter sido enviado pela polícia da nação escandinava, na qual trabalha desde 2007.

Gustavo atualmente é lotado na polícia da Suécia, mas trabalha na Guatemala. Foto: Arquivo Pessoal

Gustavo atualmente é lotado na polícia da Suécia, mas trabalha na Guatemala. Foto: Arquivo Pessoal

Na Cidade da Guatemala, Gustavo trabalha investigando contrabando, financiamentos de campanha, corrupção governamental, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O agente, que fala inglês, espanhol e sueco, encarou o desafio de combater ilícitos num país classificado em 123º no último ranking de corrupção da Transparência Internacional, composto por 168 nações. A número 1 é a Dinamarca, a menos corrupta, e o Brasil está na 76ª posição.

Após alguns dias no Recife, visitando familiares, o investigador voltou para a Guatemala, onde deve passar pelo menos mais dois anos. “Os índices de corrupção e violência são muito altos lá, por isso a ONU criou a comissão em 2007, após um pedido do governo. Desde então, 200 casos foram trabalhados e cerca de 160 pessoas presas, entre elas o ex-presidente Otton Pérez Molina e a vice Roxana Baldetti”, explica. Também fazem parte do grupo policiais da Argentina, Chile, Uruguai, Peru, Colômbia, Honduras, El Salvador, Costa Rica, França e Suíça.

Policial esteve no Recife recentemente, onde visitou os familiares. Foto: Peu Ricardo/Esp/DP

Policial esteve no Recife recentemente, onde visitou os familiares. Foto: Peu Ricardo/Esp/DP

Antes de chegar à Guatemala, Gustavo trabalhou no policiamento ostensivo e também em investigações na Suécia. “Essa experiência me deu uma visão maior das coisas. No Brasil, a Polícia Militar faz um trabalho ostensivo e a Polícia Civil faz a investigação. Na Suécia, não existe essa divisão e o trabalho fica mais fácil. As investigações andam com mais celeridade. Um exemplo é que 90% dos homicídios são esclarecidos”, diz o policial que entrou para a corporação sueca sem concurso. Demonstrou interesse, preencheu uma inscrição e foi aceito.

Em 2013, Gustavo entrou para a divisão internacional, onde trabalhou com cumprimento de mandados de prisão, vigilância e solicitações de informações para investigações. A experiência de trabalhos no exterior vem de longe. Ainda quando era policial militar em Pernambuco, foi enviado, em setembro de 1993, para uma missão de paz na Bósnia, no auge de um conflito ético que deixou oito mil mortos. Ele permaneceu no país até setembro de 1994. “Nesse período fui monitor policial da Unprofor (força de proteção das nações unidas) e trabalhávamos com monitorando os policiais e suas atribuições. Além disso, a gente facilitava o encontro das famílias com os soldados que estavam na guerra entre sérvios e croatas”, contou.

O pernambucano ingressou na Polícia Militar em 1990 e saiu em 2006, após uma licença de seis anos. “Antes de pedir o desligamento da polícia pernambucana, cheguei a trabalhar como carteiro e dei aulas de espanhol na Suéca”, relembra Gustavo, pai de dois filhos, de 11 e 22 anos, que vivem na Suécia. Em Pernambuco, Gustavo trabalhou nos batalhões de Radiopatrulha, de Policiamento de Guardas, no 12º e no 10º, em Palmares. Além disso passou também pelo prédio da Secretaria de Defesa Social (SDS) e pelo Curso de Formação de Soldados da Polícia Militar.

Caso Betinho completa um ano e terá audiência no próximo dia 19

Um ano após o assassinato do professor José Bernardino da Silva Filho, 49 anos, a família ainda espera que os dois estudantes suspeitos pelo crime sejam punidos. O corpo do pedagogo conhecido como Betinho do Agnes foi encontrado dentro apartamento onde ele morava no dia 16 de maio do ano passado. Betinho estava despido da cintura para baixo, com as pernas amarradas por um fio de ventilador e com um fio de ferro elétrico enrolado ao pescoço.

Crime está sendo investigado pelo delegado Alfredo Jorge do DHPP. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Crime aconteceu no edifício Módulo. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

A investigação da Polícia Civil apontou que o estudante Ademário Gomes da Silva Dantas, 20 anos, e outro estudante que à época tinha 17 anos foram os responsáveis pelo crime. Os dois eram alunos do Colégio Agnes, no Recife. O mais velho é filho do diretor do colégio. No próximo dia 19 está marcada a segunda audiência de instrução do caso.

No final de setembro do ano passado, depois de pouco mais de quatro meses de investigação, o delegado Alfredo Jorge, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), pediu a prisão preventiva de Ademário à Justiça. Ele foi indiciado por homicídio qualificado. Além disso, o delegado pediu a internação para cumprimento de medida socioeducativa do adolescente, por ato infracional correspondente ao crime de homicídio.

No entanto, até hoje, os dois pedidos não foram atendidos. Para concluir o inquérito, o delegado ouviu cerca de 40 pessoas e interregou os suspeitos duas vezes. Os estudantes negam envolvimento no assassinato. O caso seguiu para a Justiça sem a motivação esclarecida.

O irmão de Betinho espera que a justiça seja feita. “Eu acho que ele pagou de uma forma que não era para ter sido assim. Se ele pagou com a vida, os suspeitos terão que pagar a prisão. Espero que a justiça seja feita”, disse Silvio em entrevista à TV Clube/Record. Para o promotor do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) Luís Sávio Loureiro, existem provas contra os estudantes na morte de Betinho. “Há evidências no processo que fazem concluir que os dois estiveram na cena do crime”, ressaltou Loureiro também em entrevista à TV Clube.

Segundo a polícia, Betinho foi torturado antes de morrer. “Ele teve o fio de ferro enrolado ao pescoço quando ainda estava vivo. Depois sofreu os golpes que causaram sua morte. As digitais do adolescente de 17 anos foram encontradas exatamente no ferro elétrico e no ventilador, cujo fio estava amarrando as pernas da vítima. Já a digital de Ademário estava na porta de um móvel do apartamento”, declarou o delegado Alfredo Jorge no dia da apresentação do inquérito.

Betinho morava no Edifício Módulo, na Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife. Além do Agnes, ele também trabalhava na Escola Municipal Moacir de Albuquerque, em Nova Descoberta, de onde havia pedido transferência uma semana antes de ser assassinado após ser flagrado saindo do banheiro com um adolescente que é aluno da escola.

Além dos dois estudantes, o inquérito do DHPP foi enviado à Justiça com o indiciamento da supervisora de uma creche de Olinda. De acordo com o delegado Alfredo Jorge, Wenderly Gomes de Castro, tentou atrapalhar as investigações indicando falsas testemunhas para prestaram depoimentos.