Soldado que matou colega de farda vai ser expulso da Polícia Militar

O soldado da Polícia Militar Flávio Oliveira da Silva, 32 anos, será expulso da Polícia Militar de Pernambuco. A informação foi repassada pelo secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, na manhã desta segunda-feira, durante a formatura de uma turma de 1.117 novos policiais militares, no Quartel do Derby. Flávio foi autuado em flagrante nesse domingo após ter assassinado o cabo Adriano Batista da Silva, 42, depois de uma dicussão sobre cotas raciais dentro de uma viatura do 11º Batalhão, na qual trabalhavam no bairro de Apipucos.

Flávio Oliveira está detido no Creed, em Abreu e Lima. Foto: Divulgação

Flávio Oliveira está detido no Creed, em Abreu e Lima. Foto: Divulgação

O Cabo Adriano levou um tiro na cabeça enquanto dirigia a viatura da Patrulha do Bairro Guabiraba/Pau Ferro. O disparo foi efetuado pelo colega de plantão que estava no banco de trás do carro. O crime ocorreu por volta das 8h na Rua João Batista de Rego Barros. Adriano Batista chegou a ser socorrido para o Hospital da Restauração, mas não resistiu ao ferimento. Era o último plantão dele antes de entrar de férias. O corpo do militar será sepultado na tarde desta segunda-feira, no Cemitério Parque das Flores, no Sancho.

Cabo Adriano Batista foi morto dentro da viatura policial. Foto: Dilvulgação

Cabo Adriano Batista foi morto dentro da viatura policial. Foto: Dilvulgação

“Ele já foi punido criminalmente com a autuação em flagrante, encaminhado ao Creed (Centro de Reeducação da Polícia Militar) e o inquérito militar deve ser concluído de forma rápida. Além disso, existe o processo de licenciamento, como ele tem menos de dez anos de serviço, então, o processo de expulsão vai ser rápido. Eu não vejo outra alternativa a não ser a expulsão dele diante do crime bárbaro que ele cometeu”, destacou Alessandro Carvalho, secretário da SDS.

Anúncio da expulsão foi feito durante formatura de novos PMs. Foto: Wagner Oliveira/DP/D. A Press

Anúncio da expulsão foi feito durante formatura de novos PMs. Foto: Wagner Oliveira/DP/D. A Press

Dentro da viatura também se encontrava a policial Thaena de Lima Lemos Santos, que não ficou ferida, mas ficou  em estado de choque. De acordo com informações da PM, a confusão começou logo após o trio sair para o plantão. O cabo Adriano decidiu voltar à sede do batalhão para deixar o soldado, por seu comportamento exaltado durante um debate sobre cotas raciais. As primeiras informações repassadas por Thaena indicam que a vítima era contra o projeto das cotas e o colega, a favor.

A polícia que precisa de polícia

Do Diario de Pernambuco

Em um mesmo fim de semana, três policiais foram vítimas da violência. Na noite da sexta-feira, o delegado da Polícia Civil Joel Venâncio foi assaltado no bairro de Porta Larga, em Jaboatão dos Guararapes. No sábado, a policial civil de Porto de Galinhas Tatiana Ribeiro de Melo reagiu a um assalto e acabou baleada e morta, em Abreu e Lima. Ontem, em Apipucos, no Recife, outra morte. Desta vez, um policial militar, do banco de trás da viatura, matou um colega de trabalho, o cabo Adriano Batista.

Crime aconteceu na manhã do domingo. Foto: João Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

Crime aconteceu na manhã do domingo. Foto: João Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

O PM Adriano Batista da Silva, 41 anos, tirava o seu quarto plantão com o soldado Flávio Oliveira, descrito por ex-companheiros de batalhão como “problemático”. O soldado passou mais de um ano em reabilitação por abuso de álcool e já havia passado por intervenção cirúrgica neurológica. Foi considerado apto a oferecer seus serviços à população pelo setor de psiquiatria da corporação. Ele puxou o gatilho por conta de uma suposta discussão iniciada minutos antes sobre cotas raciais.

“O que prevalece na instituição não é transferir, mas tratar o problema. A PM está pautada nos princípios de direitos humanos para lidar com a sociedade e também com o quadro interno”, afirmou o diretor-adjunto de articulação social e direitos humanos, major Cláudio dos Santos Silva, do grupo de trabalho criado em 2013, que promove palestras, inclusive, sobre questões étnico-raciais “a exemplo do atual curso de formação de soldados, com 1.117 policiais militares, que estudaram a disciplina de diversidade étnico-sociocultural”, como frisa a nota emitida pela corporação.

O Comando Geral também empenhou o Centro de Assistência Social, o departamento médico e representantes de todos os batalhões, a fim de compreender os motivos do que considera uma “solução fútil e covarde com que se deu o desfecho do caso”.

Para o presidente da Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco, Alberisson Carlos, o caso não é pontual. “Há uma pressão enorme por resultados na diminuição do Crimes Violentos Letais Intencionais, de modo a chegar a obrigar-se que um policial problemático, que não deveria estar nas ruas, seja escalado. Há vários outros com problemas de saúde. Desse (Flávio), todo mundo sabia”, lamenta. Segundo ele, não há acompanhamento psicológico sistemático, os PMs não passam por uma formação continuada e as chamadas “reciclagens” acabam inviabilizadas por conta das escalas.

Não foi o primeiro caso de assassinato de um policial por um colega. Há um mês, o escrivão Luciano José Gonçalves Bezerra, 36, foi morto por um agente da Polícia Civil, em Triunfo. Em março, o PM baiano Mauro Simões foi morto a tiros em Petrolina por um policial civil de Araripina. Ambos, por desentendimentos. Os dois policiais civis assaltados no fim de semana não estavam no exercício da profissão. Fora de serviço, engrossaram as estatísticas dos quase 200 assaltos diários que somaram 33,9 mil casos (entre os registrados) apenas no primeiro semestre de 2015.

Moradores do Espinheiro fazem protesto neste sábado

Cansados da violência, moradores do bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife, decidiram sair às ruas para chamar a atenção das autoridades de segurança pública do estado. Neste sábado, a partir das 8h, eles farão uma caminhada pelas principais vias do bairro para pedir por mais policiamento. A caminhada da paz terá concentração ao lado da Igreja Matriz do Espinheiro.

Carro da vítima foi abandonado no Espinheiro. Fotos: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

População ficou assustada após crime praticado no bairro, na semana passada, por volta das 12h. Fotos: Guilherme Verissimo/Esp DP/DA Press

Os moradores pretendem percorrer as ruas Padre Silvino Guedes, Manoel de Carvalho, Carneiro Vilela, Avenida Santos Dumont, ruas Teles Júnior e Gomes de Matos Júnior. O ato será encerrado com um minuto de silêncio para lembrar a morte do condutor de transporte escolar Jorge Rodrigues de Lima Maciel, morto com um tiro na cabeça na quarta-feira da semana passada.

A caminhada foi anunciada no fim semana durante a missa da Igreja do Espiheiro. Panfletos convocando a população para a manifestação também estão sendo distribuídos no bairro em pontos comerciais e escolas. Nas ruas, moradores se queixam de assaltos frequentes a qualquer hora do dia. À noite, ninguém se sente seguro. As pessoas estão evitando sair. “Há 15 dias uma senhora foi assaltada por dois homens armados em uma motocicleta enquanto abria a porta da sacristia da igreja”, contou a secretária da paróquia, Zenaide Moraes de Oliveira.

Os autores do homicídio contra Jorge Rodrigues ainda não foram presos. O delegado Bruno Magalhães, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), informou que está avaliando as imagens captadas pelas câmeras de segurança dos condomínios próximos ao local, onde ocorreu o assassinato, e da Praça da rua 48, local onde os ladrões abandonaram o gol da vítima, logo após o crime. “São muitas imagens estamos fazendo o levantamento para tentar identificar os criminosos”, informou.

O policiamento na área é de responsabilidade do 13º batalhão. Segundo a assessoria de Comunicação Social, a PM faz rondas ostensivamente na região com emprego de viaturas e motos. Também há rondas de rotina com a Patrulha dos Bairros do Espinheiro e da Encruzilhada. Segundo o 13º BPM, não havia registro de homicídio na área nos últimos quatro meses.

Acusados de matar o médico Artur Eugênio vão a júri popular

A juíza Inês Maria de Albuquerque Alves, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Jaboatão dos Guararapes, decidiu nessa quarta-feira (26) que os réus Cláudio Amaro Gomes, Cláudio Amaro Gomes Júnior, Lyferson Barbosa da Silva e Jailson Duarte César, acusados pela morte do médico Artur Eugênio de Azevedo Pereira, vão a júri popular. A defesa dos réus pode recorrer da decisão.
Médico foi assassinado no dia 12 de maio de 2014. Foto: Tv Clube/Reprodução

Artur foi assassinado no dia 12 de maio de 2014. Foto: Tv Clube/Reprodução

O médico Cláudio Amaro Gomes responderá por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima). O acusado Cláudio Amaro Gomes Júnior será julgado por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) – em concurso material com furto qualificado mediante fraude com comunicação falsa do crime e dano qualificado pelo uso de substância inflamável.
Filho do médico participou diretamente do crime. Foto: Guilherme Verissimo/Esp.DP/D.A Press

Filho do médico Cláudio Amaro participou diretamente do crime. Foto: Guilherme Verissimo/Esp.DP/D.A Press

Já os acusados Lyferson Barbosa da Silva e Jailson Duarte César responderão por homicídio duplamente qualificado (por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) em concurso material com o crime de dano qualificado.

Médico está detido no Cotel. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Cláudio Amaro está detido no Cotel. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Para a decisão de pronúncia, a juíza levou em consideração os laudos periciais dos fatos anexados aos autos, além da audiência de instrução e julgamento realizada em sete datas entre os dias 14 de outubro de 2014 e 10 de junho de 2015. Nas audiências foram interrogados os réus e ouvidas cerca de 60 testemunhas.O médico Artur Eugênio de Azevedo, 35 anos, foi assassinado no dia 12 de maio de 2014. O corpo do cirurgião foi encontrado na BR-101, no bairro de Comporta, no município de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife.Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o crime teria sido motivado por desentendimentos profissionais entre Cláudio Amaro Gomes e a vítima.

De acordo com os autos, Cláudio Amaro Gomes, apontado como o mandante do crime, teria contado com a ajuda do filho Cláudio Amaro Gomes Júnior para executar o plano de homicídio.Cláudio Júnior teria pago Jailson Duarte César para contratar outros dois homens – Lyferson Barbosa da Silva e Flávio Braz – para matar Artur Eugênio de Azevedo Pereira. Um quinto acusado, Flávio Braz, foi morto numa troca de tiros com a Polícia Militar, no dia 8 de fevereiro de 2015, no bairro da Vila Rica, em Jaboatão dos Guararapes.

Com informações da assessoria de imprensa do TJPE

Secretários de Justiça de todo o Brasil se reúnem no Recife

Secretários de Justiça e Administração Penitenciária de todo o Brasil se reúnem nesta sexta-feira (28), no Recife, para trocar experiências e debater ações voltadas para o sistema prisional. O encontro do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Administração Penitenciária, o Conseje, será realizado na Secretaria de Planejamento do Estado, a partir das 9h.

Rebelião durou três dias e deixou três mortos. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

Sistema carcerário em Pernambuco tem sofrido muitos problemas nos últimos meses. Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press

A  liberação de recursos do fundo penitenciário nacional para financiamento de construção de novas unidades, aquisição de materiais de segurança e viaturas para transporte de reeducandos e a implantação de audiência de custódia em todos os estados do Brasil, com os resultados já alcançados, serão assuntos em pauta durante a manhã.

À tarde, serão discutidos o uso das  tornozeleiras e análise de medidas de desencarceramento realizadas nos estados, a gestão prisional e definição de pauta conjunta para próxima reunião com o Departamento Penitenciário Nacional. “O sistema prisional enfrenta dificuldades em todo o país. O encontro será mais um momento para definição de uma pauta conjunta de todos os estados da Federação para definirmos prioridades e demandas coletivas junto ao governo federal”, disse o secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico.

Com informações da assessoria da Seres

Acusados de matar o jornalista Lucas Fortuna são condenados

Os dois acusados de matar o jornalista goiano Lucas Cardoso Fortuna em 18 de novembro de 2012, na praia de Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho, foram condenados pelo crime nesta terça-feira. Lucas foi vítima de um latrocínio: roubo seguido de morte. As investigações apontaram que Felipe Maurício da Silva Livino e Leonardo Manoel da Silva roubaram e mataram o jovem de 28 anos, nas proximidades da pousada em que o jornalista estava hospedado.

Vítima foi encontrada apenas de cueca sob as pedras da praia de Calhetas. Foto: Divulgação

Vítima foi encontrada apenas de cueca sob as pedras da praia de Calhetas. Foto: Divulgação

A senteça condenatória foi dada nesta terça-feira pelo juiz Luiz Carlos Vieira de Figueiredo, da 1ª Vara Criminal do Cabo de Santo Agostinho. Felipe Maurício da Silva Livino foi condenado a 25 de reclusão. Já Leonardo Manoel da Silva foi condenado a 21 anos. Ambos já estão presos desde dezembro de 2012. O caso foi investigado pela delegada Gleide Ângelo, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Na época da conclusão do inquérito, a delegada Gleide Ângelo afirmou que Lucas Fortuna teria saído da pousada acompanhado por dois desconhecidos em direção às pedras da praia de Calhetas, onde um deles teria mantido relaxões sexuais com o consentimento da vítima. Em seguida, a dupla teria assaltado o jornalista. Insatisfeitos em roubar o celular e R$ 20 que estavam na carteira do jovem, os criminosos teriam espancado o rapaz e o jogado no mar para que pudessem ter tempo de entrar no quarto e roubar os pertences da vítima.

Após o crime, os homens ainda teriam trocado de roupa e tentado entrar no quarto da pousada, usando a chave roubada. A entrada no estabelecimento, no entanto, não teria sido permitida pela recepcionista. O corpo de Lucas foi encontrado só de cuecas e com hematomas na praia de Calhetas, no município do Cabo de Santo Agostinho, causando suspeitas de crime homofóbico.O laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) apontou afogamento como causa da morte.

O crime repercutiu em todo o país através da mídia e das redes sociais. Lucas era de Goiás, mas estava no estado para atuar como árbitro em um campeonato de voleibol. Militante da causa LGBT e gay assumido, foi fundador do Grupo Colcha de Retalhos, em prol dos direitos homoafetivos, e organizou paradas da diversidade em seu estado.

Homem é preso suspeito de mais de 20 estupros na Zona Sul

Do Diario de Pernambuco, por Larissa Rodrigues

O número de estupros em Pernambuco caiu 21% este ano em comparação com o ano passado. No entanto, mesmo com a redução, o estado amarga 1.149 casos de janeiro a julho de 2015. A Polícia Civil apresenta hoje um suspeito de abusar de pelo menos 21 mulheres na Zona Sul. Além de abusar das vítimas, ele também roubava seus celulares e fazia fotos delas após a violência ser consumada.

Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Mais de 1,100 casos foram registrados de janeiro a julho deste ano no estado. Foto: Roberto Ramos/DP/D.A Press

Wilton Sérgio de Araújo Cavalcanti, 26 anos, foi preso por policiais da Delegacia de Boa Viagem. De acordo com o delegado Manoel Martins, chefe da seccional de Boa Viagem, o número de vítimas pode aumentar. Com Wilton Sérgio foram apreendidos 26 aparelhos de celular. “Temos, inclusive, um mapa com os lugares onde ele agia”, comentou Martins.

A profissão do suspeito, informada pela polícia, é contratante de caminhão de empresa de logística. Os investigadores não disseram quando e onde ele foi preso, mas informaram que o mandado de prisão foi cumprido por policiais coordenados pelo delegado Wagner Domingues.

Após ser recolhido à delegacia, Wilton Sérgio foi reconhecido como autor dos crimes por diversas vítimas que já estiveram no local. Além das provas que serão detalhadas hoje, em uma entrevista coletica, a polícia também utilizou exames de DNA para dar mais subsídios à investigação. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, os testes deram positivo para todas as vítimas que compareceram à delegacia desde a prisão de Wilton Sérgio.

Outro caso
Em cinco dias, esta será a segunda apresentação, pela polícia, de um suspeito de múltiplos estupros no Recife. Na sexta-feira, a Delegacia da Várzea anunciou a captura de Geraldo Vieira da Silva, 34 anos, que agia no bairro da Várzea, violentando estudantes universitárias.

Ele foi reconhecido por duas das vítimas, sendo a última delas uma aluna de 22 anos do curso de psicologia da UFPE. O crime ocorreu há oito dias, na Avenida General Polidoro, a principal da Cidade Universitária.

Geraldo também é acusado de abusar de uma estudante de farmácia de 21 anos da UFPE. O crime também teria ocorrido na mesma via. Os dois atos foram filmados por câmeras de segurança de empresas localizadas nas proximidades. As empresas forneceram as imagens à polícia, colaborando com a investigação. O delegado Joel Venâncio também espera que, com a divulgação, possam aparecer mais vítimas.

Governo não fará concursos para Polícia Militar nem Civil neste ano

Do Diario de Pernambuco, por Tércio Amaral e Julia Schiaffarino

Os efeitos da crise também chegaram na contratação de novos servidores públicos. Na manhã desta segunda-feira, o secretário da Fazenda do estado, Márcio Stefanni, declarou que o governo não deverá realizar novos concursos públicos até o final deste ano. A justificativa foi a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O anúncio tira a expectativa de quem vinha se preparando para uma seleção pública para a Secretaria Defesa Social. Em maio deste ano, em comemoração aos oito anos do Programa Pacto Pela Vida, o governador Paulo Câmara (PSB), chegou a declarar que faria um concurso com 2.366 mil vagas para as polícias Civil e Militar.

Foto: Roberto Pereira/SEI/Divulgação

Decisão foi anunciada após reunião. Foto: Roberto Pereira/SEI/Divulgação

“Não podemos (realizar novos concursos). A Lei de Responsabilidade Fiscal veda porque já estamos no limite prudencial”, disse Márcio Stefanni. A declaração do secretário foi dada logo após a reunião que governador Paulo Câmara realizou, na manhã desta segunda-feira, com a cúpula do governo para avaliar os efeitos da crise. O governador não falou com a imprensa, mas o estado deve economizar, só este ano, em torno de R$ 960 milhões. Não há previsão, ainda, sobre quais os setores que serão afetados com a medida.

Aos jornalistas, Márcio Stefanni avaliou o cenário econômico e frisou que há pontos positivos dentro do cenário de “crise”, a exemplo da medida do governo em manter o adiantamento do pagamento do 13º salário dos servidores. Ainda de acordo com o secretário, não há programação de cortes de funcionários. Porém, com a redução de gastos, possivelmente, haverá uma redução no número de funcionários prestadores de serviço na máquina pública. Os cortes oficiais ainda estão sendo estudados.

“A arrecadação nominal de ICMS tem sido de 4%. Com a inflação aos 9%, ela tem caído. Hoje temos um ano imprevisível”, completou Stefanni. O secretário deu outra notícia que não deve agradar o funcionalismo público: neste ano, não haverá concessão de reajustes. Novamente, a justificativa são as condições financeiras do estado em virtude da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Prioridades

Os cortes já estão sendo sentidos, também, nos investimentos do estado. Em virtude do cenário adverso, o governo de Pernambuco está priorizando as obras que não estão concluídas, como os corredores de BRT no Grande Recife. A ordem é que novas construções só deverão ser realizadas “quando houver novos recursos”.

Posicionamento da Secretaria da Fazenda

Após a publicação da matéria, a assessoria de imprensa da Secretaria da Fazenda enviou uma nota ao Diario esclarecendo que o cumprimento da LRF não impede a realização de novos concursos. Na prática, isso quer dizer o estado pode realizar um novo concurso, mas não teria condições financeiras de chamar os candidatos aprovados.

Na nota enviada, a secretaria afirma que “ao falar sobre os impedimentos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) quando um estado ultrapassa o limite prudencial de gastos com pessoal (46,55%), o secretário Márcio Stefanni estava se referindo a novas contratações e reajustes salariais, e não à realização de novos concursos públicos. A LRF não veta a realização de concursos públicos nessas situações.”

Polícia já identificou autores do tiro no Birosca da Ilha do Leite

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) já tem os nomes dos dois suspeitos que atiraram no músico da banda John Geração, em frente ao bar Birosca, no bairro da Ilha do Leite, na madrugada dessa sexta-feira. A vítima foi o tecladista Jonattas Henrique Alves Fragoso, 25 anos. Ele foi atingido no abdômen e foi socorrido e levado para o Hospital da Restauração (HR), onde passou por cirurgia e pernamece internado na enfermaria sem previsão de alta.

Polícia começa a tomar depoimentos na segunda-feira. Foto: Joao Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

Polícia começa a tomar depoimentos na segunda-feira. Foto: Joao Velozo/ Esp. DP/ D. A Press

Segundo o delegado Alfredo Jorge, responsável pelas investigações, as imagens das câmeras de monitoramento da Secretaria de Defesa Social (SDS) e de estabelecimentos das proximidades irão auxiliar nas investigações que foram iniciadas pela delegada Josineide Confessor.

Na manhã da sexta-feira, empresários da banda e do bar estiveram na sede do DHPP, no bairro do Cordeiro, mas não quiseram comentar o caso com a imprensa. “Os dois rapazes que já foram identificados chegaram ao bar durante a madrugada e acabaram sendo expulsos da casa pelos seguranças porque estavam arrumando confusão no local. Depois disso, eles ficaram na frente do bar e, quando as pessoas começaram a sair do estabelecimento, um deles atirou em direção ao grupo. O músico acabou atingido”, afirmou o delegado.

Jonattas Henrique passou por cirurgia no Hospital da Restauração. Foto: Divulgação

Jonattas Henrique passou por cirurgia no Hospital da Restauração. Foto: Divulgação

Depois que entraram e deram partida na Land Rover em que estavam, os jovens teriam disparado outros dois tiros. A arma usada teria sido uma pistola. Um cliente da casa disse ao Diario que viu a confusão e ouviu um dos suspeitos dizer “vou pegar o berro (arma) no carro”. Ele acrescenta que o músico não percebeu que tinha sido atingido. “Mas outras pessoas o alertaram de que ele fora baleado”, disse.

“No Birosca não há câmeras, mas já solicitamos imagens de outros pontos nas proximidades. Marquei para a segunda-feira os depoimentos dos seguranças do bar e dos integrantes da banda. Os suspeitos irão responder por tentativa de homicídio”,
completou o delegado Alfredo Jorge.

No Instagram, a John Geração disse que lamenta o ocorrido e conta com o trabalho da polícia. O bar se pronunciou por meio de uma nota enviada pela assessoria de imprensa. O informe diz que “o Birosca Itinerante Recife preza pelo bem-estar e segurança de todos os clientes. Infelizmente, na madrugada desta sexta-feira, houve um incidente rapidamente solucionado pelos seguranças da casa, que colocaram o indivíduo causador do tumulto para fora do estabelecimento.”

Alunos do Agnes serão responsabilizados pela morte de professor Betinho

O delegado Alfredo Jorge do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) afirmou no final da manhã desta sexta-feira que irá indiciar o estudante de 19 anos, aluno do Colégio Agnes, pela morte do pedagogo José Bernardino da Silva Filho, conhecido como Betinho. Além disso, o delegado disse ainda que o adolescente de 17 anos, também aluno do Agnes, vai responder pelo ato infracional correspondente ao crime de homicídio também pela morte de Betinho.

Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Delegado Alfredo Jorge falou sobre o caso. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

O anúncio foi feito após o delegado ouvir os dois primeiros rapazes que chegaram a ser apontados como suspeitos do crime e duas mulheres que teriam ouvido esses rapazes confessarem a morte de Betinho. Uma acareação estava prevista para esta manhã, mas acabou não acontecendo. Isso porque a quinta pessoa que participaria da acareação, uma mulher que disse ter ouvido que duas testemunhas ouviram a confissão dos rapazes, se negou a participar da acareação.

Para a polícia, não restam dúvidas de que os dois alunos do Agnes são os responsáveis pelo crime. “Até o final do mês o inquérito será fechado e encaminhado à Justiça”, disse o delegado. Betinho foi encontrado morto dentro do seu apartamento, no Edifício Módulo, na Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife, em 16 de maio deste ano.

O jovem de 19 anos, filho do diretor do colégio, e o adolescente de 17 foram ouvidos duas vezes, mas negaram envolvimento no assassinato. No entanto, a polícia tem como provas contras eles as impressões digitais encontradas nos objetos utilizados para matar a vítima e num móvel do apartamento.

A análise das digitais realizada pelos peritos papiloscopistas do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB) não deixa dúvida quanto à presença dos dois suspeitos no local. Betinho foi encontrado despido da cintura para baixo, com as pernas amarradas por um fio de ventilador e com um fio de ferro elétrico enrolado no pescoço. As digitais foram encontradas no ventilador e no ferro.