Procurador da República que é filho de auditor fiscal morto há 16 anos vai acompanhar julgamento de acusados

Está previsto para começar nesta quinta-feira, na Vara do Tribunal do Júri de Petrolina, no Sertão do estado, o julgamento dos acusados de assassinar o auditor fiscal José Raimundo Aras. O julgamento acontece 16 anos após o crime no salão nobre do Fórum Souza Filho, localizado no Centro da comarca.  Na ocasião, serão julgados os réus Francisco de Assis Lima, Carlos Alberto da Silva Campos, Alcides Alves de Souza e Carlos Robério Vieira Pereira. A sessão será presidida pelo juiz Cícero Everaldo Ferreira Silva.

O presidente do Sindifisco Pernambuco, Francelino Valença, está mobilizando profissionais de Sergipe, Bahia e da Fenafisco. Eles viajam nesta quarta-feira para Petrolina, onde acompanharão o início do julgamento. O  filho da vítima, que hoje é procurador da República Vladimir Aras, afirma que “a Justiça tardou 16 anos. Mobilizemo-nos agora para que não falhe. Esses criminosos não podem ficar impunes”.
Em e-mail enviado ao Sindifisco, Vladimir Aras diz que estará presente na sessão do júri. “Estarei como filho de J. R. Aras que foi vítima de crime de mando – que ficou conhecido na época como o escândalo da Máfia do açúcar. Meu pai era auditor fiscal do estado da Bahia e foi morto a mando de atacadistas de açúcar da região de Juazeiro, em função de autuações fiscais que desvendaram um esquema de sonegação de ICMS entre Bahia e Pernambuco. Meu pai “deu seu próprio sangue” pela carreira que abraçou com tanta honra. A categoria do Fisco não pode ignorar que foi afrontada em 1996 com a supressão da vida de um dos seus integrantes”, relatou o procurador.

CRIME – O auditor fiscal da Secretaria da Fazenda da Bahia, José Raimundo, foi assassinado com seis tiros, no jardim de sua casa, em outubro de 1996. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Pernambuco, a vítima foi assassinada por combater a chamada Máfia do Açúcar, que atuava na divisa dos Estados da Bahia e Pernambuco, no trecho Juazeiro-Petrolina. Os réus Francisco de Assis Lima, Alcides Alves Bezerra, Carlos Alberto da Silva Campos e Carlos Róberio Vieira Pereira serão julgados pela prática de homicídio triplamente qualificado.

 

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