Polícia Militar recebe novas armas e viaturas contra assaltos

Com o objetivo de combater os assaltos e explosões em agências bancárias e caixas eletrônicos na Região Metropolitana do Recife, o Batalhão de Polícia de Radiopatrulha recebeu, ontem, um reforço de 15 viaturas e novos armamentos letais e não letais. A estrutura possibilitará o retorno das atividades das Rondas Ostensivas Coronel Roberto Pessoa (Rocrop). A ação do grupo se iniciou após a cerimônia de entrega das chaves, que aconteceu no Batalhão, localizado no bairro da Boa Vista, na região central do Recife.

Veículos estão sendo utilizados pelo Batalhão de Radiopatrulha. Fotos: Peu Ricardo/Esp./DP

Veículos estão sendo utilizados pelo Batalhão de Radiopatrulha. Fotos: Peu Ricardo/Esp./DP

Os veículos são locados e, de acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), custam R$ 40 mil por mês. A Rocrop vai contar com a atuação de 80 policiais em 10 Áreas Integradas de Segurança, além do auxílio de 20 unidades móveis, que vão atender aos chamados do Ciods para o enfrentamento de quadrilhas de roubos a bancos, além de sequestros. “Aqui na capital vamos contar com uma tropa de elite de pronto-emprego. Então devolvemos ao efetivo o número de policiais necessário com viatura e armamento adequado para esse tipo de trabalho”, explica o secretário de Defesa Social, Angelo Gioia.

Policiais Militares também receberam armamento novo

Policiais Militares também receberam armamento novo

A Radiopatrulha tinha o lançamento de viaturas reduzido e a Rocrop já estava desativada havia seis anos. Com a volta das Rondas Ostensivas, a Polícia Militar passa a ter dois carros por Área Integrada de Segurança equipadas com novos armamentos e com quatro policiais cada, representando maior capacidade de resposta às ocorrências. Para enfrentar o crime organizado, os agentes realizaram o Curso de Patrulhamento Tático Urbano de Alto Risco, da Força Nacional, e contam com armas letais, como carabinas 556, metralhadoras e fuzis, além de um kit tático operacional, contendo granadas, escudo balístico e capacete.

Kit tático operacional também foi distribuído

Kit tático operacional também foi distribuído

“Teremos maior capacidade de resposta, contando com mais viaturas por área, podendo agir desde um assalto a banco até homicídios. Vamos poder atuar, inclusive, com intervenções em presídios. Estamos com uma capacidade de armamento melhor e mais qualificados”, explica o comandante da Radiopatrulha, tenente-coronel Walter Benjamin.

Somente em 2016, a SDS registrou 101 ações com uso de explosivos em arrombamentos a caixas e cofres, sendo 68 consumados, de acordo com a Polícia Civil. Já para o Sindicato dos Bancários, o número desse tipo de ocorrência foi de 346 somente no ano passado. Ao todo 56 municípios pernambucanos foram afetados e apesar de o interior também ser alvo das quadrilhas, a Rocrop só vai atuar na capital.

“O que se enfrenta com essa tropa são ações de grande impacto, com emprego de armamento pesado, como explosões. No interior, além da ampliação do Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati), teremos um Batalhão Especial de Polícia, que retoma com uma tropa bem selecionada e estruturada, e teremos uma unidade instalada em Serra Talhada com emprego mais efetivo”, disse Gioia.

A previsão é de que em até 60 dias essa unidade do batalhão seja reestruturada e já esteja atuando.

Números

  • 80 policiais vão atuar em 10 Áreas Integradas
  • 20 unidades móveis darão auxílio ao trabalho
  • R$ 40 mil será o custo mensal do aluguel das novas viaturas
  • 101 ações com uso de explosivos para arrombamentos a caixas e cofres
  • 68 ações consumadas

Corregedoria da SDS apura denúncia contra comando do 1° Batalhão

A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) determinou a abertura de uma sindicância para apurar as denúncias feitas pelos policiais militares do 1º Batalhão da Polícia Militar de Pernambuco, o Duarte Coelho, responsável pelo policiamento na cidade de Olinda, no Grande Recife.

Numa carta destinada ao governador do estado, ao secretário de Defesa Social e aos órgãos de proteção aos direitos humanos, a tropa diz que chegou ao “limite tolerável, melhor dizer, do suportável”. Segundo militares desse batalhão, durante muito tempo a conduta do comandante da unidade, tenente-coronel Gustavo Alves de Lira, é vista como “inflexível e rígida”.

Batalhão Duarte Coelho fica em Olinda. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Pres

Batalhão Duarte Coelho fica em Olinda. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Pres

O corregedor Sidney Lemos afirmou que a denúncia já foi encaminhada para o corregedor-auxiliar da área militar. “Recebemos uma denúncia contra o comandante e estamos apurando as circunstâncias. Encaminhei para o corregedor militar para que ele analise o que foi relatado pelos militares”, ressaltou Lemos. De acordo com um soldado do 1º BPM, que preferiu o anonimato, o cotidiano no batalhão é muito rígido.

“Estamos com a escala de serviços acima do normal, algumas folgas de oficiais foram cortadas e somos tratados com total desrespeito. Outro problema grave que ocorreu foi a polêmica com o pessoal do motopatrulhamento, que estava sendo obrigado a trabalhar 12 horas por dia”, revelou o militar.

A assessoria de imprensa da PMPE, disse que uma reunião entre a Associação de Cabos e Soldados e o comando da unidade tratou sobre os assuntos questionados pelo efetivo do batalhão. Segundo a nota enviada pela PM, em agosto do ano passado o comando do BPM solicitou aos PMs que trabalhavam com motos mais atenção com a manutenção dos veículos e concedeu “fardamento mais adequedo e confortável”, o que é negado pelos militares.

A PM afirma ainda que implantou uma escala de oito horas de serviço com 40 horas de folga, contanto que a tropa cumprisse as metas do Pacto pela Vida. No entanto, a corporação esclarece que para atender às metas para o combate aos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVP) houve a necessidade de reforçar o policiamento em algumas áreas, o que acarretou no retorno da escala de 12h de trabalho por 36h de folga. Ainda segundo a PM, não são verícidas as denúncias de represálias contra os militares do 1º Batalhão.