Os bastidores da cobertura da morte do promotor Thiago Faria Soares

Muitos de vocês estão acompanhando o desenrolar das investigações sobre o assassinato do promotor de Itaíba, Thiago Faria Soares, 36 anos, através da imprensa. Ele foi morto com quatro tiros, na manhã do último dia 14, no Agreste do estado. No dia seguinte, a imprensa pernambucana foi toda para a cidade de Águas Belas, de mala e cuia, onde estão concentradas as investigações. No entanto, o que alguns de vocês não sabem, caros leitores, é como os jornalistas se viram para mandar a notícia para as redações no Recife.

Entrada da cidade dividida pela seca, pelos índios e pelo medo da violência

Entrada da cidade dividida pela seca, pelos índios e pelo medo da violência

Essa postagem vai mostrar um pouco do que nós vivemos durante os dez primeiros dias de cobertura jornalista no local. Debaixo de um sol forte, calor, fome, falta de sinal de telefone e internet. Quase tudo era na base do improviso. Alguns policiais envolvidos na investigação chegavam até a brincar com os jornalistas perguntando se a gente não ficava cansado de estar na porta da delegacia praticamente o dia todo. Foram muitas histórias…

Equipes do Diario e da Folha. O JC já havia voltado para o Recife

Equipes do Diario e da Folha na rodovia PE-300. O JC já havia voltado para o Recife

O trabalho de todas as equipes começava muito cedo, todos os dias. O horário de terminar era sempre uma incógnita. Quem ditava nossos horários eram os acontecimentos do dia. Em geral, na hora do almoço, seguíamos todos para o mesmo restaurante e comíamos quase sempre o mesmo prato. Na hora do jantar, uma lanchonete no centro da cidade era nosso ponto de encontro. Como a oferta de restaurantes e lanchonetes na cidade é pequena, era comum encontrarmos os delegados que investigam o caso comendo nos mesmos lugares que nós.

Não tenho dúvidas de que o produto mais consumido pelos jornalistas que passaram esses dias em Águas Belas foi a água mineral. O calor era muito grande e o sol muito forte. A nossa salvação foi uma lanchonete na frente da delegacia e a recepção da delegacia que tinha ar-condicionado e se transformou também em redação, muitas vezes. Um fato ocorrido na noite da terça-feira, certamente, não vai ser esquecido por quem estava no nosso hotel. Um vazamento de gás fez quase todos os hóspedes desceram às pressas. Algumas pessoas só deixaram o hotel após as luzes terem sido apagadas. Foi um susto danado.

Obs: As fotos que estão publicadas aqui, algumas são minhas e do amigo Paulo Paiva, também do Diario de Pernambuco. Outras, desde já, peço autorização aos colegas dos quais copiei para publicar.