O exemplo paranaense na busca a crianças desaparecidas

Pernambuco registrou o desaparecimento de 129 crianças de até 11 anos em 2015. Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), apenas 27 foram localizadas. As informações foram divulgadas pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) durante na III Mostra Internacional de Semanas do Bebê, quando foi celebrado o Dia Internacional da Criança Desaparecida.

Delegada Iara Laurek falou da sua experiência em palestra no Recife. Foto: Brenda Alcantara/Esp DP

Delegada Iara Laurek falou da sua experiência em palestra no Recife. Foto: Brenda Alcantara/Esp DP

O Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA) tem um setor específicio para investigação de casos de desaparecimentos de crianças e adolescentes. Atualizado pela última vez no início de dezembro de 2015, o site da DPCA exibe as fotos de apenas 17 vítimas de desaparecimento. Com experiência no assunto, a delegada titular do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) da Polícia Civil do Paraná, Iara Laurek, participou do encontro e mostrou como o trabalho é desenvolvido.

O serviço foi criado no ano de 1995, por que no fim da década de 1980 e no início dos anos 1990 desapareceram dezenas de crianças de todo estado do Paraná. Os casos eram registrados nas delegacias locais. Foi então que o Departamento de Polícia Civil decidiu criar o serviço para concentrar as investigações. Segundo Iara, a polícia descobriu que existia uma quadrilha atuando no estado. “Muitas dessas crianças foram levadas para Israel, algumas delas vendidas pelos próprios pais. Tudo isso foi descoberto durante as investigações”, completou Iara.

O Sicride é composto por equipe de investigação, psicológo e artista forense, todos coordenados pela delegada Iara Laurek. “Nós trabalhamos em parceria com o Instituto de Criminalística (IC), que é ligado ao banco nacional de DNA. Temos o perfil genético dos familiares das crianças desaparecidas e quando uma criança é localizada, com vida ou morta, fazemos a comparação do DNA”, explicou a delegada. Também de acordo com a chefe do Sicride, 98% dos casos registrados no Paraná foram solucionados. “Nosso índice de resolução de casos é alto. Quando não conseguimos encontrar as crianças, descobrimos que elas foram assassinadas e solucionamos o caso”, pontuou a delegada.

Alerta Amber
Para tentar reduzir o número de crianças desaparecidas em Pernambuco, o Cremepe está propondo a implementação do alerta Amber no Brasil. Trata-se de um sistema de compartilhamento de fotos e dados de crianças desaparecidas na internet e nos telefones celulares.

O sistema já é utilizado nos Estados Unidos, onde cerca de 800 mil crianças desaparecem todos os anos (aproximadamente duas mil por dia), segundo a Secretaria de Justiça Juvenil e Prevenção de Delinquência (Office of Juvenile Justice and Delinquency Prevention – em inglês), do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Além disso, o Cremepe informou que enviou uma carta ao Vaticano solicitando o apoio do papa Francisco para que seja realizada uma conferência mundial sobre Crianças Desaparecidas na ONU.