Policiais Militares são contra proposta do governo do estado

Sob protesto das categorias, o governo do estado encaminha à Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira, o projeto de lei que reajusta o soldo da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. O aumento representará acréscimo de R$ 303 milhões na folha de pagamento de 2017. A proposta estabelece correções para os meses de maio de 2017, abril de 2018 e dezembro de 2018. No entanto, os militares ressaltam que para obter o reajuste perderão alguns benefícios, o que deixaria o salário final praticamente no mesmo valor do atual.

Foto: ACS/Divulgação

Associação fez ato na Praça do Derby nesta segunda-feira. Foto: ACS/Divulgação

Pelo projeto apresentado pelo governo, os soldados vão passar dos atuais R$ 3.219,88 para R$ 4.104,88 em dezembro de 2018. Os cabos, que ganham atualmente 3.768,80, receberão 4.568,80 ao fim do próximo ano. O soldo de terceiro sargento  vai passar de R$ 4.327,98 para R$ 5.227,98. Os segundos sargentos terão reajuste de R$ 4.909,19 para R$ 6.009,19. O posto de primeiro sargento passa de R$ 5.502,64 para R$ 6.862,90. Já os subtenentes, que recebem R$ 6.241,17, vão ganhar R$ 8.823,00.

De acordo com os militares, para ter o salário aumentado, o governo estaria propondo a retirada do Risco de vida e do Auxílio-transporte. “Além disso, têm os descontos do Funafin e do Imposto de renda . Desse jeito, quando chegar em dezembro de 2018, vamos receber menos do que estamos recebendo agora”, reclamou um soldado da PM. Na manhã desta segunda-feira, Albérison Carlos, presidente da Associação de Cabos e Soldados, e outros militares fizeram um ato na Praça do Derby contra a proposta do governo.

“Estamos indignados com esse aumento, se é que se pode chamar isso de aumento. Vamos mostrar à sociedade que PMs e bombeiros trabalham e não recebem suas diárias. Vamos distribuir mais de cinco mil panfletos mostrando à sociedade o aumento da violencia no estado”, declarou Albérison Carlos.

Servidores das polícias Civil e Científica terão reajuste de salários

O governo do estado publicou a lei complementar 346, que altera o plano de cargos e carreiras das polícias Civil e Científica, reajustando salários. A lei foi aprovada depois de dois anos de discussão entre o governo e a categoria, que queria remunerações maiores. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado do último sábado.

A mudança prevê aumentos já a partir de janeiro deste ano e também em 2018. O delegado em estágio probatório, por exemplo, entra ganhando R$ 9.070 e permanece com esse salário até dezembro de 2018. O delegado em segundo estágio recebe R$ 15.452 em janeiro deste ano, passando para R$ 17.769 em um ano e para R$ 19.793 em dezembro do ano que vem.

Categorias lutavam pelo aumento há dois anos. Foto: Roberto Ramos/DP

Categorias lutavam pelo aumento há dois anos. Foto: Roberto Ramos/DP

No estágio seguinte, os valores são de R$ 17.168 em janeiro deste ano, passando para R$ 19.744 em um ano e para R$ 22.762 em dezembro de 2018. Por último está o delegado em final de carreira, com salário em janeiro de R$ 19.076, passando para R$ 21.938 em janeiro do ano que vem e R$ 26.177 em dezembro de 2018.

Os agentes, por sua vez, ficaram com piso de R$ 3.900 e o teto R$ 9.070. Inicialmente, pediam R$ 5.200 e R$ 12.800, respectivamente. “De acordo com a conjuntura da crise, fizemos esse acordo. Não foi o ideal e aconteceu depois de dois anos de luta”, avaliou Áureo Cisneiros, presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol).

Os aumentos para a Polícia Civil foram definidos em meio a uma operação padrão dos policiais militares, que deixaram de desempenhar o programa de plantões extras. Albérisson Carlos, da Associação de Cabos e Soldados da PN, avaliou que a categoria que ele representa está no caminho certo.

“Ficamos felizes pelos companheiros. O aumento é importante para a gente porque legitima a nossa luta. Buscamos o mínimo, que é a equiparação com a Polícia Civil. É o princípio da isonomia. Mas isso também comprova que o governador dá tratamento diferente para a PM. Tiraram as associações da mesa de negociação e colocaram os comandantes, mas eles não passam as informações para a tropa, o que é muito ruim”, criticou. A operação padrão, iniciada no início de dezembro, disse ele, continuará até o impasse ser resolvido.

Números
Como serão os salários em dezembro de 2018

  • R$  9.070 – Delegado em estágio probatório
  • R$ 19.793 – Delegado em segundo estágio
  • R$ 26.177 – Delegado em fim de carreira
  • R$   9.070 – Agentes

Policiais federais e civis de Pernambuco protestam nesta quinta-feira

O Sindicato dos Policiais Federais de Pernambuco realiza nesta quinta-feira, a partir das 14h, um ato público na sede da superintendência, no Bairro do Recife. Com panfletagem, a ação visa sensibilizar o governo federal para a reestruturação salarial e de carreira da categoria. Segundo o presidente do sindicato, Marcelo Pires, não há reajuste salarial desde fevereiro de 2009.

Os policiais federais reivindicam imediata correção das distorções salariais da categoria, com reconhecimento do nível superior e consequente definição das atribuições de alto grau de complexidade e responsabilidade próprias das Carreiras Típicas de Estado, conforme enquadramento dos EPA´s (Escrivães, Papiloscopistas e Agentes de Polícia Federal).

Já o Sinpol está convocando todos os policiais civis do estado de Pernambuco a realizar durante toda esta quinta-feira a “Operação Cumpra-se a Lei”, agregando forças à mobilização que acontece nacionalmente. O objetivo é demonstrar a insatisfação diante dos baixos salários, da indefinição de uma pauta de negociação, mas, preservando a sociedade, já tão penalizada com a falta de segurança no seu dia a dia.Os civis pretendem obter redução da carga horária, fim da distorção salarial entre delegados e comissários, revisão do plano de cargos, carreiras e vencimentos (PCCV) e o reajuste do vale-refeição. A categoria vai protestar ainda contra a retirada, por parte do governo do estado, de cerca de 400 viaturas de circulação, a redução nas cotas de combustíveis das viaturas restantes e o menosprezo ao esforço de todos os trabalhadores em segurança pública.

Com informações das assessorias de imprensa.