Diretor do Procon recomenda cautela para fazer investimentos

Em muitas rodas de conversa, nos últimos dias, grupos de amigos têm falado sobre os seus lucros e tentado convencer mais e mais pessoas a entrarem no mercado do marketing multinível (MMN). No entanto, a matéria publicada na edição desta terça-feira no Diario de Pernambuco sobre a suspeita de pirâmide na Priples teve grande repercussão na imprensa e nas redes sociais. Assim como muitos leitores, eu também já tinha ouvido falar muito sobre esse tipo de investimento e conheço pessoas que depositaram suas economias em algumas empresas do ramo na esperança de obter lucro.

Confesso que também sempre tive curiosidade de saber um pouco mais sobre a proposta dessas empresas. Ontem cedo, quando me dirigia ao trabalho, recebi um telefonema de uma fonte informando que um grupo de pessoas estava procurando a polícia para prestar queixa. Prontamente, repassei a informação para a editoria de Economia que trouxe uma matéria completa na edição desta terça-feira.

Veja abaixo o que o Procon fala sobre esse tipo de investimento.

Com pequenas variações, os negócios desse segmento têm como principal política de remuneração a quantidade de propagandas publicadas e o número de novos clientes indicados para o negócio. Para o Procon-PE, essas empresas devem ser vistas com cautela.

“A maior parte dessas empresas remuneram seus clientes com o dinheiro da adesão de novos clientes. Mesmo que eles tenham outros produtos a oferecer, não são essas vendas que suportam a quantidade de dinheiro que eles distribuem mensalmente. Então provavelmente vai chegar um momento em que isso vai saturar”, afirma o coordenador-geral do Procon-PE, José Rangel. Ele exemplifica com um estudo feito pelo Procon sobre a Telexfree. “Foram encontrados indícios de pirâmide, além de mais de uma dezena de irregularidades no contrato.”

Diretor do Procon não recomenda investimento. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Diretor do Procon, Rangel, recomenda cautela.  Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

A despeito das críticas, há quem tem ganho dinheiro com MMN. Com um investimento inicial de apenas R$ 600 em uma conta da Telexfree, o ex-bancário Pedro dos Santos hoje acumula um patrimônio estimado em quase R$ 500 mil, segundo ele. Já comprou uma caminhonete S10 e vários terrenos. E tudo partir da aquisição de várias contas na Telexfree e em outras empresas de MMN, como a BBOM. “Sou contador e sei que marketing multinível não é pirâmide.”

O Ministério Público de Pernambuco e o Ministério da Justiça informaram que estão investigando a Telexfree por suspeita de fraude financeira. Pelo mesmo motivo, o MPPE também abriu uma ação contra a BBOM. A Polícia Federal disse que não se pronunciava sobre investigações em curso. Desde a semana passada o Diario entrou em contato por e-mail com a Telexfree e a BBOM. Não houve resposta.

Polícia investiga suspeita de pirâmide financeira no Recife

Em um mês, R$ 1 mil geram mais R$ 600. No mínimo. E o melhor: você nem precisa sair de casa para isso. É só responder a cinco perguntas propostas diariamente por um site. E pode pesquisar na internet para responder, se quiser. E não se preocupe, ninguém do portal vai checar se as respostas estão corretas. Parece brincadeira, mas não é. É esse o negócio que uma empresa pernambucana de marketing multinível chamada Priples propõe aos usuários.

Com quantias a partir de R$ 100, o investidor ganha o direito de ser remunerado em 2% ao dia durante um ano.  A promessa de ganhos chama tanta atenção que também atraiu os olhares da Polícia Civil do estado, que abriu inquérito para investigar o caso. A Priples está sendo investigada por crime contra a economia popular – mais conhecido como esquema de pirâmide financeira. Já existem 11 queixas contra a empresa.

Local apontado como sede da empresa não é verdadeiro. Foto: Arthur Souza/DP/D.A Press

Local apontado como sede da empresa não é verdadeiro. Foto: Arthur Souza/Esp/DP/D.A Press

Segundo o advogado Thiago Lapenda, do escritório Lima e Falcão, pode ser configurada como pirâmide toda operação financeira em que a remuneração de clientes antigos é feita com o dinheiro de novos clientes, e não com o rendimento de serviços ou produtos vendidos. “Esse tipo de negócio não é sustentável, pois os lucros distribuídos são maiores que a receita da empresa.”

O delegado titular da Delegacia do Ipsep e autor do inquérito contra a Priples, Carlos Ferraz, acredita que o caso se trate de uma pirâmide e só espera o resultado da perícia contábil para comprovar oficialmente sua tese. “Como uma empresa cuja razão social é de R$ 30 mil pode pagar dividendos milionários aos seus clientes?” Ferraz conta que a Priples poderá ser indiciada por outros crimes, como formação de quadrilha, sonegação fiscal e estelionato.

O dono da empresa, Henrique Maciel Carmo de Lima, foi intimado para depor, mas não compareceu. Quando for concluído, o caso será levado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Até agora 11 pessoas prestaram queixa contra Priples, de acordo com Carlos Ferraz. Foram registradas denúncias a respeito do não pagamento dos rendimentos no dia previsto

Há também queixas dos usuários por não conseguirem localizar a sede física da Priples. Os dois endereços fornecidos no site são falsos. A sede apontada no site é o empresarial Pontus Corporate Center, em Boa Viagem. A reportagem foi ao local e apurou que não havia sala ocupada pela Priples. A outra, na Estância, trata-se da ex-residência de Henrique Maciel. A  reportagem não conseguiu entrar em contato com Maciel.  Desde a semana passada, a reportagem do Diario solicitou uma entrevista pela seção “fale conosco”, sem sucesso.

Por Hugo Bispo

Confira matéria completa na edição do Diario desta terça-feira