Golpe de aluguéis de casas de praia e flats em resorts no site da OLX

O desejo de curtir as férias ou o carnaval numa casa de praia ou resort de luxo do Litoral Sul tem levado recifenses a caírem em um golpe pela internet. A ferramenta utilizada pelos criminosos é a OLX, plataforma que facilita a interação entre vendedores e compradores ou locadores e locatários. Atraídas por anúncios com fotos e preços convidativos, as vítimas fazem depósitos bancários ou pagamentos por boletos como garantia de reserva. As ofertas, em geral, são de casas ou apartamentos em hotéis de Porto de Galinhas e Muro Alto. A Polícia Civil investiga o esquema e alerta que antes de fechar qualquer negócio o cliente deve manter contato pessoal com o proprietário e conhecer o espaço em questão.

Maristela foi vítima e perdeu R$ 700. Foto: Roberto Ramos/DP

Maristela foi vítima e perdeu R$ 700. Foto: Roberto Ramos/DP

De janeiro a dezembro de 2016, a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos registrou 141 boletins de ocorrências referentes a crimes de estelionato ou fraude. No mesmo período de 2015, foram 102. Segundo o delegado Derivaldo Falcão, cerca de 10% dos casos denunciados são de aluguéis falsos. O golpe não tem preocupado apenas veranistas. Donos de casas e flats também já procuraram a polícia. A proprietária de um flat em Muro Alto revelou que pelo menos oito pessoas a contactaram para terem certeza de que seu imóvel estava sendo oferecido para aluguel na OLX. “Das pessoas que nos procuraram, três perderam dinheiro com pagamentos antecipados. Alguém pegou fotos do nosso flat em outro site e as publicou na OLX. Usaram telefones e contas bancárias que não eram nossos para aplicar o golpe. Prestamos uma queixa na polícia, que está investigando o caso”, contou.

A enfermeira Maristela Vila Nova Dias, 31 anos, foi uma das vítimas. Além de ver os planos da família de passar o carnaval na praia serem desfeitos, perdeu R$ 700. O cunhado dela encontrou um anúncio de uma casa para alugar em Porto de Galinhas nos quatro dias de carnaval. A pessoa que oferecia o imóvel fez a postagem num grupo chamado OLX Recife no Facebook. Alegando que a procura era grande, pediu depósito antecipado de R$ 700 como garantia de reserva. O contato entre vítima e golpista aconteceu apenas via mensagens. O valor cobrado para a temporada de carnaval seria de R$ 1,9 mil. O anúncio afirmava que a casa era mobiliada, tinha três quartos (uma suíte), garagem, piscina e churrasqueira. O mesmo anúncio foi colocado em páginas do Maranhão, Brasília e Tocantins.

Casa inexistente nesta rua foi colocada em anúncio. Foto: Julio Jacobina/DP

Casa inexistente nesta rua foi colocada em anúncio. Foto: Julio Jacobina/DP

“Após várias conversas por mensagens do Facebook, eu e minha família decidimos alugar a casa. A pessoa que publicou o anúncio me passou o número de uma conta bancária e um CPF e fui verificar se de fato existiam. Vi que ambos eram de São João do Meriti (RJ). Quando perguntei porque os dados eram em nome de outra pessoa, ela respondeu que a casa era de uma prima que morava no Rio de Janeiro. Acreditei que fosse verdade, pois a conta era realmente do Rio”, relatou.

Alguns dias depois de fazer o depósito, Maristela e a família foram conhecer a casa. Ainda por meio de mensagens no Facebook, locadora e locatária marcaram encontro em Porto de Galinhas. “Quando chegamos, vimos que no endereço passado por ela, na Rua Tabajuba, não existia o número da casa. Tentei falar com ela pelo Facebook, mas as minhas mensagens não foram respondidas. Foi então que percebi que era um golpe”, contou. Maristela também registrou queixa. “Fui à Delegacia de Boa Viagem e fiz Boletim de Ocorrência. Espero que identifiquem quem está aplicando esses golpes. Isso acabou com o nosso carnaval, pois tivemos um prejuízo grande”, completou a enfermeira.

Atenção antes de fechar o negócio

É preciso cautela e atenção na hora de contratar aluguéis pela internet. O delegado de Repressão aos Crimes Cibernéticos, Derivaldo Falcão, alerta que consumidores não façam pagamento antecipado sem certeza do negócio. “A maior parte das vítimas de golpe na internet tenta comprar produtos ou serviços oferecidos por preço muito abaixo do mercado. No fim do ano passado e em janeiro chegaram várias queixas. Aconselhamos que as pessoas procurem sites originais, verifiquem se os links são verdadeiros e confirmem o máximo de informações”, pontuou. “Cerca de 10% das queixas de golpes que recebemos são de pessoas enganadas com anúncios de falsos aluguéis”, ressaltou Falcão.

Muitas vítimas também procuram a Delegacia de Repressão ao Estelionato. “As pessoas precisam, se possível, confirmar tudo in loco antes de fechar as compras”, diz o titular da especializada, Rômulo Aires. A OLX esclareceu que atua oferecendo uma plataforma para facilitar a interação entre vendedores e compradores. Em nota, afirmou ainda que toda negociação é realizada fora do ambiente do site. “A empresa não tem controle sobre as transações. Infelizmente, a plataforma foi utilizada por terceiros de má índole e a empresa repudia este tipo de atitude, pois ela vai contra os Termos e Condições de Uso do site. Vale reforçar que a OLX não está vinculada a nenhum grupo em mídias sociais e, portanto, não pode se responsabilizar pelas atividades realizadas nestes ambientes”, frisou o comunicado.

Cuidado

Faça um negócio seguro

Existe um padrão de preço para a região. Pesquise a área que deseja na OLX e compare os valores. Desconfie de anúncios que estão bem mais baratos que os demais
Antes de fechar negócio, se possível, visite o imóvel. Verifique o estado de conservação, converse com os vizinhos/zelador, veja as regras do condomínio etc
Evite depositar antecipadamente qualquer montante financeiro, é importante realizar a verificação acima antes
Busque sempre o contrato na hora da locação ou venda e verifique se os dados do contrato condizem com o acordado
Os contratos possuem cláusulas que buscam assegurar que nenhuma das partes seja prejudicada
Pesquise o endereço do imóvel e verifique no mapa se as informações estão de acordo com o explicado pelo responsável pelo anúncio
No caso do anúncio ser de uma corretora de imóveis, verifique o registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI)
A OLX disponibiliza, ainda, um botão de denúncia nos seus anúncios, possibilitando que qualquer pessoa aponte eventuais práticas irregulares ou conteúdos indevidos
Nesses casos, a empresa consegue deletar o anúncio e banir o usuário da plataforma. A OLX reforça que está sempre à disposição das autoridades para ajudar nas investigações

Algumas dicas importantes

Mesmo que o anunciante forneça a você informações e dados pessoais, isso não garante a sua veracidade ou idoneidade
Sempre que possível, peça a Nota Fiscal original e um recibo da compra
Nunca envie produtos antes de definir pagamento e forma de entrega. A OLX aconselha finalizar a venda em local público

Como identificar fraudes e golpes

O anúncio parece bom demais para ser verdade (preço muito baixo, doações etc)
Não confie se alguém pede o número da sua conta bancária, cartão de crédito ou pede para enviar dinheiro ao exterior
Nunca clique em nenhum link de e-mails que vem de quem afirma ser um banco ou instituição financeira
Quando é pedido que você envie o dinheiro antes de ver o item
O anunciante pressiona você para finalizar a compra
O anunciante envia mensagens com o português estranho. Exemplo: lindas cachorrinhas novos (parece um português falado por estrangeiros)
A olx.com.br sempre exibe as dicas de segurança à direita da visualização dos anúncios
Caso o produto ou serviço que você se interessou ou comprou tenha uma natureza duvidosa, não se esqueça de denunciar o anúncio. Basta acessar o anúncio pelo site ou aplicativo e clicar em “Denunciar”

Golpe aplicado em familiares de pacientes é alertado em hospitais

Um golpe que chegou ao Recife nos primeiros meses deste ano segue preocupando familiares de pacientes internados em hospitais particulares da capital pernambucana e também as direções das unidades de saúde. Aproveitando-se da fragilidade emocional dos familiares de pacientes, criminosos telefonam para os parentes se passando por funcionários das unidades e fazem cobranças indevidas de procedimentos. Foram registrados casos no Real Hospital Português, no Paissandu, e também no Hospital Esperança, na Ilha do Leite. Os dois centros emitiram alerta aos pacientes.

Avisos estão espalhados em vários pontos do Hospital Português. Foto: Wagner Oliveira/DP

Avisos estão espalhados em vários pontos do Hospital Português. Foto: Wagner Oliveira/DP

No comunicado amplamente divulgado pela direção do Hospital Português está escrito que “a leitura deste aviso é muito importante e tem a finalidade de esclarecer a forma de cobrança da conta hospitalar e evitar que pessoas de má-fé obtenham vantagens financeiras indevidas.” O aviso alerta ainda que “os valores referentes à conta hospitalar deverão ser pagos somente através da tesouraria do Real Hospital Português.” Portanto, se você tem algum parente ou conhecido internado em hospitais particulares, fique atento. Passe a informação adiante.

Denuncie
A Delegacia de Repressão ao Estelionato fica na Rua São Miguel, 268, no bairro de Afogados, no Recife, mas os cidadãos também podem denunciar golpes através do número (81) 3182-5451. O Disque-Denúncia pode ser acionado através do (81) 3421-9595, Região Metropolitana, ou (81) 3719-4545, Agreste.

Confira dicas para não cair no golpe:

– Fique atento ao receber ligações de números desconhecidos
– Tente verificar a veracidade das informações repassadas
– Não acredite em supostos benefícios mediante pagamentos de qualquer espécie
– Não repasse seus dados pessoais, principalmente número de contas bancárias e cartões de crédito
– Em casos de cobranças indevidas, procure o posto de atendimento bancário ou ligue para a empresa citada para se certificar de que não se trata de golpe

Com colaboração da repórter Adaíra Sene

Polícia conclui inquérito que apurou quadrilha dos golpes pela internet

A Polícia Civil do Pará encaminhou hoje à Vara de Combate às Organizações Criminosas o inquérito que indiciou 11 pessoas da quadrilha que usava sites de venda online para publicar falsos anúncios de carros usados. Segundo a polícia paraense, o grupo criminoso fez publicações nos sites OLX, Bom Negócio e outro de nome não informado, além de criar uma página falsa na internet em nome de uma agência de carros do Pará.

Pelo menos 100 pessoas de sete estado do país foram vítimas do golpe que causou um prejuízo estimado em R$ 1 milhão. Os criminosos ofereciam carros com valores abaixo do mercado, pediam parte do pagamento mas os carros nunca eram entregues. Dez suspeitos foram presos, sendo seis no Sertão de Pernambuco e quatro na Bahia.

Suspeitos fizeram cerca de 100 vítimas em sete estados. Fotos: Policia Civil do Para/Divulgação

Suspeitos fizeram cerca de 100 vítimas em sete estados. Fotos: Polícia Civil do Pará/Divulgação

Ainda de acordo com a Polícia Civil do estado do Pará, os suspeitos foram indiciados pelos crimes de estelionato e formação de quadrilha. O delegado Bruno Brasil, da Delegacia de Capanema, identificou pelo menos dez vítimas do golpe no estado do Pará. As outras pessoas enganadas são dos estados do Tocantins, Maranhão, Ceará, Bahia, São Paulo e Santa Catarina.

A organização tinha bases em Petrolina e Juazeiro (BA). Segundo a assessoria de impresa da Polícia Civil do Pará, uma segunda fase da investigação será iniciada no mês de setembro, quando o delegado Bruno Brasil retornar das férias, para identificar os responsáveis pelas contas bancárias onde eram realizados os depósitos. Os anúncios ofereciam desde carros populares até luxuosos. Um comprador chegou a perder R$ 100 mil.

Delegado Bruno Brasil encaminhou inquérito à Justiça nesta quinta-feira

Delegado Bruno Brasil encaminhou inquérito à Justiça nesta quinta-feira

O grupo foi preso por policiais do Pará no último dia 24 com o apoio das polícias pernambucana e baiana. A investigação foi iniciada em novembro do ano passado, na cidade de Capanema, após a dona de uma loja de carros denunciar à polícia que havia sido procurada por duas vítimas do golpe. As pessoas realizaram depósitos pensando que estavam comprando carros no site da loja Estrela Veículos, mas a empresa não oferece esse tipo de serviço.

O blog procurou a assessoria de imprensa do site OLX, o qual também é proprietária do site Bom Negócio que respondeu por meio de nota que lamenta o ocorrido e coloca-se à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário. A nota diz ainda que “apesar de não participar da negociação realizada diretamente entre comprador e vendedor, a OLX ressalta que preza pela qualidade do serviço prestado. Para isso, conta com uma equipe de atendimento dedicada a aprimorar e melhorar ainda mais seu serviço, a fim de manter segura a comunidade de usuários.”

A empresa ressaltou ainda que disponibiliza um botão de denúncia em todos os anúncios e recomenda que quando os usuários verificarem a existência de anúncios que apontem para práticas irregulares ou conteúdos indevidos, denunciem o conteúdo no próprio site ou entrem imediatamente em contato com a equipe de atendimento ao cliente da OLX, para que a empresa investigue o anúncio e tome as medidas necessárias.

Dicas de segurança da OLX:

Mesmo que o anunciante forneça a você informações e dados pessoais, isso não garante a sua veracidade/idoneidade

Sempre que possível, peça a Nota Fiscal original e um recibo da compra

Nunca envie produtos antes de ter definido o pagamento e a forma de entrega. O OLX aconselha sempre a finalizar a venda em lugar público

Para uma maior segurança o OLX agora oferece um novo serviço de pagamento, o OLX Direto. Veja como funciona e nossas regras

Aprenda a identificar fraudes e golpes:

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Não confie se alguém pede o número da sua conta bancária, cartão de crédito ou pede para enviar dinheiro ao exterior. Nunca clique em nenhum link de e-mails que vem de quem afirma ser um banco ou instituição financeira

Quando é pedido que você envie o dinheiro antes de ver o item

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Golpe dos carros fantasmas na internet descoberto pela polícia

Uma quadrilha que usava grandes sites de venda online para publicar falsos anúncios de carros usados lesou 100 pessoas em sete estados e causou prejuízo estimado em R$ 1 milhão. O bando, que teve seis membros presos no Sertão de Pernambuco e outros quatro na Bahia, pedia valores abaixo de mercado. Os carros nunca eram entregues.

Iludidas pelos preços atrativos, as vítimas deixavam de observar um dos critérios recomendados pela polícia e especialistas para escapar de golpes online: sempre desconfiar de anúncios de carros com preços mais de 20% abaixo do valor real. Em um dos casos, o comprador perdeu R$ 100 mil.

Suspeitos estão detidos no estado do Pará. Fotos: Policia Civil do Para/Divulgação

Suspeitos estão detidos no estado do Pará. Fotos: Policia Civil do Para/Divulgação

A organização tinha bases em Petrolina e Juazeiro (BA). Os bandidos também publicavam anúncios em sites de agências de automóveis. O grupo criou ainda uma página falsa na internet, usando nome e CNPJ de empresas verdadeiras. O bando anunciava que os veículos poderiam ser adquiridos mediante antecipado de uma entrada, e o restante via financiamento.

As prisões foram realizadas no dia 24 pela Polícia Civil do Pará, onde foi feita a primeira denúncia contra o bando, com apoio de policias pernambucanos e baianos. O inquérito, iniciado na cidade de Capanema, corria desde novembro. A quadrilha também fez vítimas em Tocantins, Maranhão, Ceará, Bahia, São Paulo e Santa Catarina.

Esquema criminoso foi investigados pela Polícia Civil do Pará, que deu detalhes dos golpes

Crimes foram investigados pela Polícia Civil do Pará, que deu detalhes dos golpes

“Começamos a investigar o caso após a proprietária de uma loja de veículos nos informar que algumas pessoas estavam procurando o estabelecimento sob alegação de que teriam pago um sinal pela compra de carros via internet. A loja, porém, não fazia anúncios na web”, afirmou o delegado paraense Bruno Brasil. Brasil. “Verificamos que eles agiam dando prioridade a cidades do interior, evitando as capitais”, acrescentou. Segundo o delegado Augusto Damasceno, também da polícia do Pará, os bandidos ofereciam carros populares e de luxo.

Das dez pessoas presas, oito são da mesma família. O líder do grupo é o pernambucano Joventino Soares Ramos, 47, preso em Petrolina, que já respondia a processos por estelionato em Pernambuco e São Paulo. Ele teria convidado familiares para o esquema. Os outros presos foram Eduardo José Souto, 36, César Rodrigues dos Santos, 35, Marcos Aurélio Santana Novaes, 31, Emerson Gonçalves, de idade não revelada, Erisson Gonçalves, 26, Flávio Ferreira da Silva, 33, Vandevelton Santana Caldas, 27, Wesley Ramos Oliveira, 20, Danilo Conceição da Silva, 22. Em Pernambuco, as prisões ocorreram em Petrolina, Cabrobó e Lagoa Grande. Na Bahia, houve prisões em Juazeiro, Senhor do Bonfim e Jacobina.

Governo federal pede apuração de golpe do Bolsa Família

Após a denúncia exclusiva publicada ontem pelo blog sobre um possível golpe relacionado ao Bolsa Família, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) orientou a gestão local do programa a tomar providências de apuração e investigação junto às autoridades para elucidar os fatos e responsabilizar os supostos envolvidos. Um homem identificado como José Ricardo Rezende enviou comunicados para várias residências da cidade de Paulista convidando beneficiários do programa para participarem de uma palestra na qual seriam explicadas algumas alterações para as pessoas continuarem recebendo o benefício.

Mariana Bezerra tirou dúvidas dos beneficiários que a procuraram. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Mariana Bezerra tirou dúvidas dos beneficiários que a procuraram. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Moradores de Paulista ouvidos pela reportagem afirmaram que durante a palestra realizada na Escola Municipal José Firmino da Veiga, no Centro da cidade, no sábado passado, foram orientados a fazerem a matrícula de pelo menos um membro da família num curso profissionalizante com mensalidades de R$ 50 para não serem excluídos do programa, o que não é exigido por lei.

A empresa que oferecia os cursos disse que aceitou disponibilizar 50 vagas com preços mais baixos a pedido de José Ricardo Rezende, que se apresentou como represente do Projeto Capacitar como forma praticar uma ação social. A empresa disse desconhecer o teor da palestra dada por José Ricardo aos beneficiários do Bolsa Família. A coordenadora do Bolsa Família em Paulista, Mariana Bezerra, orientou beneficiários sobre ilegalidade da exigência.

O blog tentou contato com autora do Projeto de Lei (2105/2015), a deputada federal Giovania de Sá (PSDB/SC), que propõe a inserção de um membro da família do beneficiário num curso de educação profissional ou tecnológica como forma de permanência no programa, mas não obteve sucesso. A proposta ainda está sendo apreciada. O MDS reforça mais uma vez que não obriga os beneficiários do programa a participarem de cursos profissionalizantes. As únicas condicionalidades do Bolsa Família são a frequência escolar dos alunos beneficiários e o acompanhamento de saúde das crianças e das mães.

Golpe do Bolsa Família desmontado em Paulista

A facilidade de conseguir parceria numa empresa de cursos técnicos e autorização para utilizar duas salas de uma escola para a realização de uma palestra, por pouco, não levou dezenas de pessoas carentes da cidade de Paulista, no Grande Recife, a caírem num possível golpe. Os moradores receberam comunicados os convidando para uma conversa na Escola Municipal José Firmino da Veiga, no Centro da cidade, onde seriam explicadas suspotas alterações no Programa Bolsa Família.

Beneficiários assistiram palestra nesta escola municipal. Fotos: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Beneficiários assistiram palestra nesta escola municipal. Fotos: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Na palestra, os beneficiários disseram que foram orientados por um homem identificado como José Ricardo Rezende a fazer inscrições em cursos profissionalizantes com mensalidades de R$ 50, como condição de não serem excluídas do benefício. Procurado pelo Diario, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome informou que nenhum beneficiário é obrigado a fazer curso profissionalizante para se manter no Bolsa Família.

Comunicado foi deixado na casa dos moradores na semana passada

Comunicado foi deixado nas casas dos moradores da cidade na semana passada

Uma dona de casa de 59 anos ficou preocupada após participar da palestra e decidiu não fazer o curso. O Projeto de Lei (2105/2015) apresentado na Câmara no final de junho pela deputada federal Giovania de Sá (PSDB/SC) propõe que um membro da família do beneficiário esteja matriculado, frequente e conclua um curso de educação profissional ou tecnológica, no prazo de 90 dias a partir da data de concessão de benefício como condição para permanência no programa. A proposta ainda está sendo apreciada. “Quem recebeu a carta ficou com medo. Na palestra disseram que as pessoas que não fizessem o curso iriam perder o benefício. Perguntaram se eu teria os R$ 50 para pagar naquela hora, mas eu não paguei”, revelou a dona de casa.

Cerca de 60 pessoas participaram da palestra no último sábado. Muitas delas chegaram a fazer um cadastro para só então efetivar a matrícula amanhã, quando aconteceria a primeira aula. “Quando chegamos na escola, as pessoas nos informaram que o curso seria pago parte pelo governo federal e parte por nós. Não paguei nada, pois achei muito estranho”, declarou uma comerciante que fez cadastro do filho e de uma sobrinha. As aulas oferecidas seriam de computação básica, operador de telemarketing, entre outros e aconteceriam num curso no Centro de Paulista.

O Diario esteve na empresa e falou com o proprietário. O empresário que preferiu não ter a identidade revelada disse que José Ricardo Rezende procurou sua empresa, se apresentou como integrante de uma ONG carioca e propôs que ele concedesse desconto para algumas pessoas ligadas ao Bolsa Família fazerem cursos profissionalizantes. “Não sabíamos do teor das informações que foram repassadas por ele na palestra, apenas aceitamos abrir 50 vagas com preços mais baixos como forma de fazer uma ação social. Agora vou analisar com meu advogado que medidas iremos tomar, pois a minha empresa ficou exposta”, ressaltou o empresário.

Em entrevista por telefone, o homem que confirmou ser José Ricardo Rezende disse ser integrante de um projeto social do Rio de Janeiro que roda várias cidades do país prestando serviços de assistência social. “Não fizemos nenhuma cobrança em dinheiro, nem pegamos documentos de ninguém. Nossa ideia era apenas informar aos beneficiários sobre as possíveis mudanças que podem acontecer no programa caso o projeto de lei seja aprovado”, declarou Rezende. Ele afirmou que contratou jovens para distribuir os comunicados em algumas casas e que a cidade de Paulista teria sido indicada pelo projeto social do qual é voluntário.

Governo federal e prefeitura negam exigência

Após receber os comunicados, alguns beneficiários do Bolsa Família procuraram a Secretaria de Políticas Sociais, Esportes e Juventude de Paulista para saber se as mudanças no programa eram verídicas. Segundo a coordenadora do programa na cidade, Mariana Bezerra, a exigência de curso profissionalizante para recebimento do Bolsa Família é ilegal. “Informamos às pessoas que essa informação era falsa. Não há nenhuma legislação que informe isso. As exigências para permanecer no programa são quanto à frequência escolar e os cuidados com a saúde”, explicou Mariana.

Secretário Augusto Costa disse que quem se sentiu lesado deve procurar a polícia

Secretário Augusto Costa disse que quem se sentiu lesado deve procurar a polícia

O secretário Augusto Costa ressaltou que nenhum beneficiário recebe comunicado ou telefonema do governo federal para tratar sobre o Bolsa Família. “Esses contatos são realizados através dos agentes públicos, que vão até as casas dos beneficiários, ou através dos extratos de pagamento dos benefícios. Quem se sentiu lesado deve procurar a polícia e fazer a denúncia”, destacou Costa.

Sobre a utilização das salas de aula da Escola Municipal José Firmino da Veiga, a Secretaria de Educação de  Paulista esclareceu que “autorizou a utilização das salas na escola baseada na falsa informação de que uma empresa ofereceria capacitação aos beneficiários do Bolsa Família sem qualquer custo.” Após o episódio, o secretário Carlos Júnior pedirá aos diretores de escolas mais rigor para autorizar a liberação de salas de aulas para eventos externos.

Já o Ministério do Desenvolvimento Social ressaltou que “beneficiários não são obrigados a fazer cursos profissionalizantes para manterem o Bolsa Família.” O ministério ressaltou ainda que o governo federal oferece, de forma gratuita, cursos profissionalizantes do Pronatec para os beneficiários do Bolsa Família e para as famílias que estão no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal por meio de parcerias com o sistema S e instituições públicas, mas não obriga ninguém a participar deles.

Projeto quer dificultar golpe de presidiários por celular

Um projeto de Lei em análise na Câmara (PL 7192/14) pretende dificultar a ação de presidiários que usam telefones celulares de dentro dos presídios para extorquir dinheiro das pessoas.

O golpe, que é bastante comum e já causou prejuízo a muita gente, funciona assim: primeiro o presidiário tem acesso ao telefone celular, que entra ilegalmente no presídio. Com o aparelho em mãos, o detento passa a fazer ligações para números desconhecidos, em busca de uma vítima, quase sempre simulando o sequestro de parentes de quem está do outro lado da linha. É comum também a oferta de prêmios.

Detentos iniciaram manifestação logo cedo. Fotos: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Detentos aplicam golpes de dentro das unidades. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Mas nos dois casos, tanto para ter o parente de volta quanto para receber o suposto prêmio, quem está do outro lado da linha é coagido a depositar determinada quantia em uma conta bancária específica.

Liliane Murta uma das vítimas do golpe, conta como tudo aconteceu:

“Eu estava no trabalho, por volta de umas 16 horas. Eu não identifiquei o número, atendi. Um homem falou: “sua filha está bem, mas eu preciso que você faça algumas coisas senão isso tudo pode acabar muito mal”. 1:07 “Então você vai fazer o que eu mandar. E não vai desligar o telefone. Se você desligar a gente vai matá-la.” 1:17 – 2:19 E pra complicar eles ainda colocaram uma pessoa no telefone e a voz era idêntica, chorando muito “faz o que eles estao mandando senão eles vão me matar.”2:30 Eles falavam que eu tinha que ir pra uma loteria ou agencia da caixa. Quando eu fiz o depósito eles me disseram que ela estaria em tal lugar. Quando eu desliguei o telefone minha colega de trabalho já tinha falado com minha filha.”

Para tentar evitar esse tipo de golpe, o projeto de lei em análise na Câmara, de autoria do deputado Enio Bacci (PDT-RS), pretende exatamente impedir que terceiros possam fazer depósitos nas contas correntes dos detentos, quase sempre as mesmas contas usadas por eles para receber por trabalhos realizados dentro do presídio ou para ter acesso a benefícios previdenciários.

“Se nós limitarmos para depósitos oriundos do governo e não viabilizar qualquer outro depósito nessa conta nós vamos tornar bem mais difícil a prática ou a continuidade dessas extorsões que partem de telefone celular dentro do presidio.”

O projeto que impede depósitos de terceiros nas contas correntes de detentos está sendo analisado na Comissão de Seguridade Social e Família. Em seguida, será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça.

Da Agência Câmara

Ainda tem gente caindo no velho golpe do telefone celular

Apesar de todos os alertas já feitos pela polícia e das várias mensagens que costumam ser compartilhadas nas redes sociais alertando para os golpes de falsos sequestro aplicados por telefones celulares, muita gente ainda tem sido vítima dessa modalidade criminosa.

Segundo o delegado titular do Grupo de Operação Especiais (GOE), apenas na semana passada, pelo menos três pessoas procuraram a sede da especializada para relatar que havia sido vítima do golpe. “Em alguns casos, as pessoas vêm até o GOE porque ficam desesperadas com a falta de informações dos parentes que acabam saindo de casa para atender às ordens dos criminosos”, contou Castro.

Cláudio Castro comandou as duas prisões. Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A/Press

Cláudio Castro tem recebido casos. Foto: Bernardo Dantas/DP/D.A/Press

A polícia continua alertando as pessoas a não daram continuidade às ligações telefônicas nas quais, do outro lado da linha, o suposto sequestrador diz estar com algum parente da pessoa sendo ameaçado. A orientação é manter a calma e procurar entrar em contato o mais rápido possível com o familiar que estaria “sequestrado”.

As ligações com esse tipo de crime costumam partir do interior de unidades prisionais. Em geral, os criminosos exigem créditos para telefones celulares ou quantias em dinheiro. Os telefones do GOE são (81) 3184-3300 – 3184-3301.

Diretor do Procon recomenda cautela para fazer investimentos

Em muitas rodas de conversa, nos últimos dias, grupos de amigos têm falado sobre os seus lucros e tentado convencer mais e mais pessoas a entrarem no mercado do marketing multinível (MMN). No entanto, a matéria publicada na edição desta terça-feira no Diario de Pernambuco sobre a suspeita de pirâmide na Priples teve grande repercussão na imprensa e nas redes sociais. Assim como muitos leitores, eu também já tinha ouvido falar muito sobre esse tipo de investimento e conheço pessoas que depositaram suas economias em algumas empresas do ramo na esperança de obter lucro.

Confesso que também sempre tive curiosidade de saber um pouco mais sobre a proposta dessas empresas. Ontem cedo, quando me dirigia ao trabalho, recebi um telefonema de uma fonte informando que um grupo de pessoas estava procurando a polícia para prestar queixa. Prontamente, repassei a informação para a editoria de Economia que trouxe uma matéria completa na edição desta terça-feira.

Veja abaixo o que o Procon fala sobre esse tipo de investimento.

Com pequenas variações, os negócios desse segmento têm como principal política de remuneração a quantidade de propagandas publicadas e o número de novos clientes indicados para o negócio. Para o Procon-PE, essas empresas devem ser vistas com cautela.

“A maior parte dessas empresas remuneram seus clientes com o dinheiro da adesão de novos clientes. Mesmo que eles tenham outros produtos a oferecer, não são essas vendas que suportam a quantidade de dinheiro que eles distribuem mensalmente. Então provavelmente vai chegar um momento em que isso vai saturar”, afirma o coordenador-geral do Procon-PE, José Rangel. Ele exemplifica com um estudo feito pelo Procon sobre a Telexfree. “Foram encontrados indícios de pirâmide, além de mais de uma dezena de irregularidades no contrato.”

Diretor do Procon não recomenda investimento. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Diretor do Procon, Rangel, recomenda cautela.  Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

A despeito das críticas, há quem tem ganho dinheiro com MMN. Com um investimento inicial de apenas R$ 600 em uma conta da Telexfree, o ex-bancário Pedro dos Santos hoje acumula um patrimônio estimado em quase R$ 500 mil, segundo ele. Já comprou uma caminhonete S10 e vários terrenos. E tudo partir da aquisição de várias contas na Telexfree e em outras empresas de MMN, como a BBOM. “Sou contador e sei que marketing multinível não é pirâmide.”

O Ministério Público de Pernambuco e o Ministério da Justiça informaram que estão investigando a Telexfree por suspeita de fraude financeira. Pelo mesmo motivo, o MPPE também abriu uma ação contra a BBOM. A Polícia Federal disse que não se pronunciava sobre investigações em curso. Desde a semana passada o Diario entrou em contato por e-mail com a Telexfree e a BBOM. Não houve resposta.

Polícia investiga suspeita de pirâmide financeira no Recife

Em um mês, R$ 1 mil geram mais R$ 600. No mínimo. E o melhor: você nem precisa sair de casa para isso. É só responder a cinco perguntas propostas diariamente por um site. E pode pesquisar na internet para responder, se quiser. E não se preocupe, ninguém do portal vai checar se as respostas estão corretas. Parece brincadeira, mas não é. É esse o negócio que uma empresa pernambucana de marketing multinível chamada Priples propõe aos usuários.

Com quantias a partir de R$ 100, o investidor ganha o direito de ser remunerado em 2% ao dia durante um ano.  A promessa de ganhos chama tanta atenção que também atraiu os olhares da Polícia Civil do estado, que abriu inquérito para investigar o caso. A Priples está sendo investigada por crime contra a economia popular – mais conhecido como esquema de pirâmide financeira. Já existem 11 queixas contra a empresa.

Local apontado como sede da empresa não é verdadeiro. Foto: Arthur Souza/DP/D.A Press

Local apontado como sede da empresa não é verdadeiro. Foto: Arthur Souza/Esp/DP/D.A Press

Segundo o advogado Thiago Lapenda, do escritório Lima e Falcão, pode ser configurada como pirâmide toda operação financeira em que a remuneração de clientes antigos é feita com o dinheiro de novos clientes, e não com o rendimento de serviços ou produtos vendidos. “Esse tipo de negócio não é sustentável, pois os lucros distribuídos são maiores que a receita da empresa.”

O delegado titular da Delegacia do Ipsep e autor do inquérito contra a Priples, Carlos Ferraz, acredita que o caso se trate de uma pirâmide e só espera o resultado da perícia contábil para comprovar oficialmente sua tese. “Como uma empresa cuja razão social é de R$ 30 mil pode pagar dividendos milionários aos seus clientes?” Ferraz conta que a Priples poderá ser indiciada por outros crimes, como formação de quadrilha, sonegação fiscal e estelionato.

O dono da empresa, Henrique Maciel Carmo de Lima, foi intimado para depor, mas não compareceu. Quando for concluído, o caso será levado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Até agora 11 pessoas prestaram queixa contra Priples, de acordo com Carlos Ferraz. Foram registradas denúncias a respeito do não pagamento dos rendimentos no dia previsto

Há também queixas dos usuários por não conseguirem localizar a sede física da Priples. Os dois endereços fornecidos no site são falsos. A sede apontada no site é o empresarial Pontus Corporate Center, em Boa Viagem. A reportagem foi ao local e apurou que não havia sala ocupada pela Priples. A outra, na Estância, trata-se da ex-residência de Henrique Maciel. A  reportagem não conseguiu entrar em contato com Maciel.  Desde a semana passada, a reportagem do Diario solicitou uma entrevista pela seção “fale conosco”, sem sucesso.

Por Hugo Bispo

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