Missa de um ano em memória de Danielle Fasanaro é celebrada nesta quinta-feira

Nesta quinta-feira está fazendo um ano que a modelo Danielle Solino Fasanaro, 35 anos, foi assassinada pelo tatuador Emerson Du Vernay Brandão, 27, que se apresentou à polícia com o nome de André Cabral Muniz. Ele tinha um relacionamento com a vítima e resolveu cometer o crime quando a jovem disse que não queria mais continuar a relação.

Hoje, os familiares e amigos de Danielle participarão de uma missa em memória da sua alma. A celebração acontecerá às 19h na igreja do Morro da Conceição. Os familiares contam com a presença de todos. O suspeito pelo crime que aconteceu em Olinda, no Grande Recife, segue preso no Centro de Triagem, em Abreu e Lima. Até agora apenas uma audiência de instrução foi realizada.

Leia mais sobre o caso em:

Danielle Fasanaro: 11 meses e nenhuma resposta

Programa de cura da violência

Criado em 2001, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, o programa Cure Violence vem obtendo bons resultados no quesito redução de violência em comunidades carentes. A organização treina membros da localidade para que eles passem a fazer a intermediação nos conflitos existentes na região e evitar que novos ocorram.

Chicago desenvolve programa pioneiro de enfrentamento à violência (CHICAGO TOURISM/DIVULGAÇÃO)

Segundo o diretor internacional da Cure Violence, Brent Decker, o homicídio é a 2ª causa principal de morte dos norte-americanos com idades entre 15 e 34 anos. Em passagem pelo Recife, na semana passada, Brent participou do seminário Prevenindo Homicídios e Interrompendo o Ciclo da Violência, na UFPE, a convite do professor e pesquisador José Luiz Ratton.

Durante o evento, o ex-presidiário Frankie Sanchez, que deixou a prisão há cerca de seis anos, falou sobre a sua experiência como interruptor de violência na comunidade onde mora.

Foto: Guilherme Verissimo/Esp.DP/D.A P  Pauta:

Foto: Guilherme Verissimo/Esp.DP/D.A P
Pauta:

Entrevista especial >> Frankie Sanchez

“Passei 25 anos da minha vida preso”

O que você fazia antes de entrar para o Cure Violence?
Eu nasci em Chicago, nos Estados Unidos, nunca conheci meu pai e perdi minha mãe quando tinha apenas cinco anos. Aos 11 de anos de idade passei a fazer parte de uma gangue e, aos 13, fui preso por ter atirado em uma pessoa. Poucos anos depois, fui libertado e voltei para as ruas. Quando completei 18 anos fui detido novamente porque acabei cometendo um homicídio. No total, acabei passando 25 anos da minha vida dentro das unidades prisionais norte-americanas. Hoje estou com 47 anos e consegui retomar a minha vida. Quando eu voltei para casa, foi muito difícil encontrar um emprego. Foi então que um amigo me convidou para fazer parte do Cure Violence. Achei que era uma boa opção. Agora fiz a escolha certa.

Como foi a sua infância sem a presença do seu pai e com a morte da sua mãe quando você tinha apenas cinco anos?
Não foi fácil viver sem os meus pais desde muito novo, mas também não posso dizer que foi a ausência deles que me fez entrar no mundo do crime. Acabei fazendo coisas erradas e ainda muito novo já estava envolvido com a criminalidade. Além disso, mesmo depois que já estava preso, continuei comandando gangues e participando de crimes durante dez anos. Foi uma escolha minha mesmo. Escolhi o caminho errado.

Quais foram os crimes que você cometeu e o que o levou a fazer isso?
Primeiro, ainda quando era adolescente, atirei contra uma pessoa e fui punido por isso. Foi uma retaliação. Depois, numa briga entre dois grupos, acabei matando uma pessoa, que também estava atirando contra o meu carro. Fui condenado a 70 anos de prisão. Em comunidades como a minha era frequente os garotos novos entrarem no mundo do crime devido à falta de oportunidades. Hoje desenvolvo trabalhos com muitos jovens que são filhos de amigos meus.

O que você fez durante todos esses anos na prisão?
Além de aprender a tratar com todo tipo de criminoso, também continuei ordenando a prática de crimes do lado de fora da prisão. No entanto, também aproveitei o tempo encarcerado para estudar. Durante a internação na unidade para adolescentes, terminei o colegial. Na prisão de adultos, continuei os estudos, mas quando estava perto de conseguir minha liberdade acabei sendo transferido para uma unidade de segurança máxima porque eu era apontado como um líder de gangue. Lá eu ficava preso numa cela solitária durante 23 horas. Tinha apenas uma hora para sair do castigo. Com isso, acabei sem terminar meus estudos. Como agora estou livre e trabalhando, vou voltar a estudar e fazer uma faculdade. E agora vai ser mais fácil porque o programa vai pagar meus estudos. Tenho que me dedicar bastante.

Você já recebeu afrontas ou ameaças das pessoas com as quais precisa trabalhar?
Inicialmente, eu compareço no local onde está ocorrendo o fato, às vezes até em tiroteios, mas preciso resolver a situação e sair fora. As pessoas podem fazer o que quiserem comigo. Podem me ameaçar, agredir verbalmente, contanto que não me agridam fisicamente. Se não houver pessoas me agredindo, se não partirem para bater em mim ou tentar alguma coisa do tipo, eu sei me controlar.

O que você sente vendo tantas pessoas jovens sendo assassinadas na sua comunidade?
Meu coração fica quebrado. Eu faço todo o possível para que o pior não aconteça. Fico muito triste quando vejo as pessoas da minha comunidade sendo presas ou assassinadas. Já perdi as contas de quantos funerais eu acompanhei de pessoas conhecidas depois que deixei a prisão. Meu trabalho não é uma profissão fácil. Trabalho com o pior do pior. Em agosto do ano passado, eu levei um tiro e as pessoas da comunidade ficaram muito tristes. É um trabalho penoso, mas precisamos seguir em frente.

Quantas pessoas você acredita que conseguiu tirar do mundo do crime?
Se cada uma das pessoas dessas comunidades tivesse uma profissão decente, seria muito mais fácil tirá-las do mundo do crime. No entanto, fica praticamente impossível dizer quantas vidas eu consegui salvar com o meu trabalho. O nosso objetivo é reduzir ao máximo o número de assassinatos na comunidade. Na semana passada, uma pessoa foi baleada na minha comunidade e eu fui até lá. A primeira providência que a gente deve tomar é tirar as crianças e os adolescentes daquele ambiente negativo. Tenho que fazer com que as pessoas se afastem daquela situação. Nosso trabalho exige que tenhamos ouvidos atentos, para evitar tudo de ruim que possa vir a acontecer. Hoje eu sei exatamente a postura que preciso ter para chegar nas comunidades. Além disso tenho feito palestras em várias escolas.

O que a comunidade acha desse trabalho realizado por profissionais como você?
Logicamente, eles têm uma visão muito positiva, já que envolve a vida dos filhos, dos primos, dos sobrinhos, enfim, dos parentes deles. Todo mundo torce para que o programa tenha bons resultados. Por exemplo, na comunidade onde eu moro, Little Village, muitas crianças e adolescentes acabam se espelhando no exemplo dos interruptores para mudar de vida. Eles precisam acreditar no trabalho que estamos fazendo. Quando vejo grupos de jovens no meio da rua, e identifico que alguma daquelas pessoas não é legal, chego perto e mando os meninos irem para casa. Muitas vezes nós assumimos o papel de irmão, de pai e temos contato com vários líderes de gangue.

Saiba mais

O programa:
Cure Violence ou Curando a Violência

Área de atuação:
Estados Unidos, Honduras e Quênia

Ano de criação:
2001

Objetivo:
Evitar conflitos e mortes nas comunidades carentes

Modelo:
O modelo de trabalho é baseado na experiência pessoal de cada pessoa

Exemplo:
O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Criminalidade, Violência e Políticas Públicas de Segurança da UFPE estuda a possibilidade de implantar programas parecidos de empoderamento e mediação comunitária em algumas áreas do Recife