Estado terá que pagar indenização à artista plástica Consuelo Valença

Após mais de 20 anos, a justiça deve começar a ser feita. O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a condenação do estado de Pernambuco no processo movido pela artista plástica Consuelo Valença de Lima Vieira, 60 anos. Dos R$ 30 mil que o estado havia sido condenado a pagar, o valor foi corrigido para R$ 202 mil. Uma esperança para a família de Consuelo, que hoje vive doente e mora com uma irmã no Rio de Janeiro.

Ela foi apontada pela Polícia Civil de Pernambuco como a responsável pela morte do marido, o engenheiro e artista plástico Aloísio de Lima Vieira Filho, 35, e das quatro filhas, Rita, 13, Renata, 12, Raquel, 10 e Rebeca 9, em 1995. No ano de 2003, a Justiça reconheceu que a artista plástica era inocente. Através dos seus advogados, Consuelo ingressou com um pedido de indenização por danos morais em 2005 e o caso vinha se arrastando na Justiça até então.

Consuelo chegou a ser suspeita pelas das mortes. Foto: Ayron Santos/DP D. A. Press

Consuelo chegou a ser suspeita pelas mortes. Foto: Ayron Santos/DP/Arquivo

A história da família Vieira Valença foi contada pelo Diario na superedição desse final de semana numa reportagem que trouxe à tona alguns casos de injustiça ocorridos em Pernambuco. As mortes aconteceram na casa onde a família morava, no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife. Segundo o advogado Célio de Castro Montenegro, da Castro Montenegro Advocacia, escritório responsável pelo pedido de indenização, o STF manteve a decisão que já havia sido dada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) em 2008.

“Já foi reconhecido o direito dela de receber a indenização. Agora o processo está na fase da execução da condenação. Demos entrada no dia 9 deste mês na 1ª Vara da Fazenda Pública. O mínimo que o estado deveria fazer era pagar a indenização a essa cidadã. Não estamos falando de R$ 2 milhões, e sim de R$ 200 mil”, destacou Célio Montenegro.

Célio Montenegro deu entrada na execução do processo. Foto: Wagner Oliveira/DP

Célio Montenegro deu entrada na execução do processo. Foto: Wagner Oliveira/DP

Ainda segundo o advogado, apesar da decisão do STF e do pedido de execução, não existe um prazo para o pagamento dessa indenização. Através do Diario, Iara Valença Menezes, 57, irmã de Consuelo, ficou sabendo da decisão da Justiça e do valor corrigido a ser pago pelo estado. A família espera que o dinheiro seja liberado o mais rápido possível.

“Pela demora que dura esse processo, achei o valor muito pouco. Mas se é isso que minha irmã tem direito, eu peço que esse dinheiro seja liberado logo. Consuelo está doente e precisamos pagar uma pessoa para tomar conta dela. Hoje ela vive apenas com um salário mínimo por mês e toma remédios todos os dias”, ressaltou Iara Valença. A Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco (PGE-PE) informou que o estado ainda não foi intimado do pedido de execução do processo de Consuelo.

As filhas e o marido de Consuelo foram envenenados durante o café da manhã, que estava contaminado com cianureto de potássio. Enquanto o marido e as filhas faziam a refeição, Consuelo foi até a casa da irmã, que morava no imóvel ao lado e não chegou a comer nada. Por isso passou a ser considerada suspeita e chegou a ser indiciada no inquérito policial. Somente depois de oito anos foi considerada inocente, quando seus advogados conseguiram provar na Justiça que o responsável pelo envenenamento coletivo foi o marido dela, Aloísio de Lima Vieira Filho, que estava passando por problemas financeiros.

Moradores do bairro da Iputinga estão reféns do medo

Moradores do barro da Iputinga, Zona Oeste do Recife, já não sabem mais a quem pedir ajuda diante dos inúmeros casos de assaltos ocorridos na localidade. As investidas criminosas acontecem a qualquer hora do dia ou da noite. E sem exagero. Os ladrões estão acordando cedo para tomar bolsas e celulares de trabalhadores e estudantes que saem de casa por volta das 6h. “Já ouvi os gritos de uma mulher bem cedinho dizendo que tinha roubado a bolsa dela aqui na rua”, disse uma moradora da Rua Doutor Gastão da Silveira.

Moradores estão assustados em andar nas ruas do bairro. Fotos: Divulgação

Moradores estão assustados em andar nas ruas do bairro. Fotos: Divulgação

Segundo moradores e comerciantes do local, os criminosos costumam agir de bicicletas ou de motocicletas. Viatura da Polícia Militar, dizem os denunciantes, é artigo raro no bairro. Grupos inteiros de estudantes já foram vítimas de assaltos. “Na semana passada dois rapazes em duas bicicletas assaltaram quatro meninas que voltavam da escola. Um deles mostrou um revólver para elas e levou os telefones celular. Isso aconteceu perto das 13h”, detalhou uma comerciante.

Crimes acontecem em várias ruas e a qualquer hora do dia ou da noite

Crimes acontecem em várias ruas e a qualquer hora do dia ou da noite

Diante do medo de sair de casa e de tanta orações que já fizeram pedindo proteção, os moradores da Iputinga pedem que polícia faça agora sua parte providenciando o reforço no policiamento na área. Um dos pontos onde também acontecem muitos assaltos é a Rua São Mateus, onde estão diversos estabelecimentos comerciais. A denúncia está feita, falta agora a ação da Polícia Militar de Pernambuco.

Três vidas forjadas na violência

Leonardo, Ronaldo e Leandro. Três jovens. Três Silvas. Três vidas marcadas pela violência. Os irmãos procurados pela polícia por incendiar dois ônibus na Estrada do Barbalho, na Iputinga, também podem ser os responsáveis por cometer assassinatos na comunidade do Detran, onde moram. Essa vida de crimes teria começado após um outro ato bárbaro: os irmãos vieram para o Recife depois que sua mãe foi estuprada e assassinada em Bom Jardim, a 104km da capital.

Policiais militares estarão de prontidão durante 24 horas. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Policiais militares estarão de prontidão durante 24 horas. Fotos: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Ontem, enquanto a polícia procurava os suspeitos, a circulação de duas linhas, que tinha sido suspensa após os incêndios da noite da segunda-feira e na manhã da terça, foi retomada mediante reforço policial com 18 viaturas, três motos e 41 policiais militares.

Segundo a polícia, Leonardo Santos da Silva, 28; Ronaldo Adriano dos Santos da Silva, 27; e Leandro Lucas da Silva, 25, são irmãos de Romário Lucas da Silva, 21, preso por policiais militares, na última segunda-feira, juntamente com sua esposa de 17 anos, com 48 pedras de crack.

Dois coletivos foram incendiados na Estrada do Barbalho nesta semana

Dois coletivos foram incendiados na Estrada do Barbalho nesta semana

Os quatro fariam parte de uma quadrilha de tráfico e são considerados perigosos. Os incêndios aos coletivos seriam uma retaliação à prisão de Romário e da adolescente. Todos têm passagem pela polícia por tráfico de drogas. Contra Leonardo há ainda um mandado de prisão preventiva decretado em março, por uma tentativa de homicídio em outubro de 2014. A polícia acredita que ele seja responsável também por três mortes na comunidade do Detran e investiga os outros irmãos por envolvimento nesses assassinatos.

De acordo com o comandante do 13º Batalhão, tenente-coronel Carlos José, alguns policiais estão em pontos fixos. “Além do reforço no número de viaturas, aumentamos a quantidade de policiamento motorizado. Esse esquema será mantido até a situação ser normalizada”, garantiu o oficial. Ontem, várias viaturas foram vistas na comunidade.

Fuga a nado
Segundo o delegado Ricardo Cysneiros, os suspeitos conseguiram escapar do cerco policial nadando pelo Rio Capibaribe até a Ilha do Babanal, no Monteiro. “Abrimos dois inquéritos para investigar os casos separadamente. Até agora, temos as identificações desses três irmãos, mas pode haver mais envolvidos.”

A polícia pede que a população colabore repassando informações sobre o paradeiro dos suspeitos ou revelando nomes de outros envolvidos. “Vamos ouvir alguns passageiros que estavam nos coletivos e ver se as câmeras dos ônibus conseguiram registrar as imagens dos suspeitos”, acrescentou o delegado.

Polícia procura três irmãos suspeitos de incendiar ônibus no Detran

Três irmãos são suspeitos de queimar dois ônibus na Estrada do Barbalho, Iputinga, e causar pânico entre passageiros das linhas Monsenhor Fabrício e Barbalho/Detran, que tiveram suas atividades suspensas pelo sindicato após as ocorrências. Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Civil fará uma coletiva de imprensa para informar mais detalhes das diligências que seguem em andamento.
Coletivos foram incendiados na segunda e terça-feiras. Fotos: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Coletivos foram incendiados na segunda e terça-feiras. Fotos: Julio Jacobina/DP/D.A Press

Leonardo Santos da Silva, 28; Ronaldo Adriano dos Santos da Silva, 27, e Leandro Lucas da Silva, 25; são irmãos de Romário Lucas da Silva, 21, preso na segundafeira, juntamente com sua companheira de 17 anos, portando 48 pedras de crack na comunidade do Detran. O incêndio criminoso em dois coletivos – um às 20h da segunda-feira e outro às 10h30 de ontem – teria sido uma represália.

Policiamento foi reforçado na comunidade após os atos de vandalismo

Policiamento foi reforçado na comunidade após os atos de vandalismo

Os três têm passagem pela polícia por tráfico e contra Leonardo pesa um mandado de prisão por homicídio. Ontem, até o fechamento desta edição, a polícia procurava os suspeitos, que conseguiram fugir. Um carro foi apreendido.

Os dois ônibus eram da CRT. O coletivo queimado na segunda estava lotado e o que foi atacado ontem tinha 20 passageiros. Ninguém se feriu. Após a segunda ocorrência, o Sindicato dos Rodoviários anunciou a suspensão temporária da circulação de coletivos das duas linhas por falta de segurança. O serviço parou de ser oferecido ontem e a interrupção prosseguirá hoje, segundo a ent i d a d e . O Grande Recife Consórcio de Transportes, porém, i n formou que as viagens serão retomadas hoje. A Polícia Militar reforçou a vigilância e afirmou que vai garantir a segurança de motoristas, cobradores e passageiros.

Além de duas viaturas da Patrulha do Bairro, três motos e uma equipe do Gati, o 13º BPM adiantou que contará com mais dez viaturas. “O ato desta terça-feira foi praticado por homens armados que mandaram as pessoas descerem e tocaram fogo no veículo”, disse o o subcomandante do 13º Batalhão, major Daniel Dias. Antes disso, os bandidos teriam ido à Escola Casarão do Barbalho e ordenado que os estudantes fossem liberados.

Os dois coletivos foram destruídos.“ Tentei voltar para casa ontem por volta das 12h e passei muito tempo esperando o Monsenhor Fabrício. Não sabia que eles tinham parado de circular”, reclamou uma funcionária pública de 33 anos.

O delegado Ricardo Cysneiros, da Seccional do Espinheiro, investiga os crimes.OUrbana- PE, sindicato que representa as empresas, divulgou nota afirmando que “temendo por sua segurança, os rodoviários decidiram usar do direito de recusa ao trabalho.” Também segundo o Urbana-PE, a CRT solicitou apoio policial para restabelecer os serviços. “Os operadores não irão trabalhar nessas linhas hoje”, garantiu Genildo Pereira, do Sindicato dos Rodoviários.