Agiotagem dentro de igreja no Recife

Localizada no coração da região central do Recife e visitada por dezenas de fiéis durante todos os dias, a Igreja do Divino Espírito Santo, em Santo Antônio, foi cenário de uma prisão na manhã de ontem. Após 15 dias de investigação, agentes da Delegacia do Cordeiro prenderam um policial civil aposentado suspeito de fazer empréstimos nas dependências do templo.

Crime acontecia nos bancos da igreja do Divino Espírito Santo. Foto: Débora Rosa/Esp.DP/D.A Press

Crime acontecia nos bancos da igreja do Divino Espírito Santo. Foto: Débora Rosa/Esp.DP/D.A Press

Apesar de ter sido flagrado quando emprestava dinheiro a uma mulher, o suspeito negou que estivesse praticando o crime. Ele foi autuado em flagrante, mas liberado em seguida. Segundo a polícia, o suposto agiota ficava com cartões de Bolsa Família das vítimas e usava o pagamento como garantia.

De acordo com o delegado João Gustavo Godoy, o policial aposentado não foi encaminhado ao presídio porque o crime de agiotagem tem pena menor que três anos. “A pena varia de seis meses e dois anos de prisão. Segundo a lei, não se pode cobrar fiança nem encaminhar o preso para uma unidade prisional. O homem negou que estivesse praticando agiotagem, mas foi flagrado emprestando R$ 200 a uma mulher que pagaria R$ 230, sendo R$ 30 de juros”, acrescentou o delegado.

Também de acordo com a polícia, com o suspeito foram encontrados vários cartões do Bolsa Família. “Ele costumava ficar com os cartões das pessoas que o procuravam, para no dia do pagamento ele fazer o saque e cobrar os juros. Tudo isso era acertado entre ele e essas pessoas que pediam o empréstimo dentro da igreja. Recebemos essa denúncia há mais de duas semanas e hoje (ontem) por volta do meio-dia conseguimos fazer a prisão”, completou o delegado João Gustavo Godoy.

Segundo a assessoria de comunicação da Arquidiocese de Olinda e Recife, além dessa pessoa, um locatário da igreja também chegou a ser investigado pelos policiais. Ainda de acordo com a arquidiocese, a administração do templo disse que o homem preso em flagrante não tinha nenhuma ligação com a igreja. Já o locatário, que vendia artigos religiosos no templo, terá que deixar de comercializar seus produtos no local até amanhã.

Soldado da PM preso por extorsão novamente

 

Joelmir já havia sido preso no dia 15 de março

 

Pouco mais de dois meses depois ter sido preso sob a suspeita de agiotagem, ameaça às vítimas que lhe pediam dinheiro emprestado e porte ilegal de armas, o soldado do 11º Batalhão da Polícia Militar Joelmir Roberto Ferreira, 27 anos, foi preso novamente, na tarde dessa terça-feira, por policiais da Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social sob a acusação de estar extorquindo uma dona de casa. Joelmir, que chegou a ser levado para o Centro de Reeducação da Polícia Militar (Creed), em Abreu e Lima, quando foi preso no dia 15 de março, estava em liberdade há pouco tempo. Ainda ontem à tarde, o soldado foi levado para a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decasp) e depois seguiu para o plantão da Delegacia de Casa Amarela, onde foi autuado em flagrante e encaminhado ao Creed mais uma vez. Difícil é entender como um homem que foi preso em flagrante há pouco mais de dois meses já estava em liberdade novamente e cometendo os mesmos crimes, sabendo que estava sendo monitorado pela Corregedoria Geral da SDS. É confiar demais no seu santo protetor ou achar que não seria denunciado novamente pelas suas vítimas.

 

Vários cadernos e cartões estavam com o soldado

 

Segundo a polícia, Joelmir emprestava dinheiro a juros altos inclusive, para colegas de profissão. Para assegurar o pagamento, ficava com cartões eletrônicos e senhas dos “clientes”, que passavam a ser vítimas de suas ameaças. Segundo os relatos das vítimas, os saques feitos pelo soldado eram superiores ao combinado e os cartões não eram devolvidos aos donos. Quando foi preso pela primeira vez, o militar estava com mais de 500 cartões de débito, crédito, Bolsa-Família, auxílio-moradia e até INSS. Além disso, cinco cadernos com vários nomes e valores de empréstimos, duas armas e mais de R$ 30 mil foram recolhidos na casa do soldado, naquela época.