Crimes assustam moradores do Sítio Histórico de Olinda

Moradores e comerciantes do Sítio Histórico de Olinda estão assustados com a onda de violência que voltou a invadir as ruas da Cidade Alta. Assaltos a qualquer hora do dia e arrombamentos de residências e comércios têm sido frequentes na localidade. A administradora de empresas Rosa Barcellos sabe bem o que representa esse aumento da insegurança na localidade.

Em pouco mais de um mês ela teve a casa invadida por criminosos duas vezes, na Rua Antônio Francisco Gomes, no bairro do Carmo. Segundo a Companhia Independente de Apoio ao Turista da Polícia Militar (CIATur), nos quatro primeiros meses deste ano, 379 casos de furtos foram notificados nos bairros do Carmo, Amparo e Varadouro.

Assaltos e arrombamentos acontecem a qualquer hora do dia. Fotos: Paulo Paiva/DP

Assaltos e arrombamentos acontecem a qualquer hora do dia. Fotos: Paulo Paiva/DP

De acordo com Rosa Barcellos, no dia 7 de abril sua casa foi invadida por assaltantes. “Nesse dia levaram R$ 1 mil em dinheiro, uma televisão e dois telefones celulares. Agora no dia 11 de maio minha casa foi invadida novamente. Tinha comprado uma televisão nova, que foi levada pelo assaltante, além de um tablet e dois notebooks. Duas horas depois o furto, o suspeito foi preso. Apenas os computadores e outros pertences menores foram recuperados”, contou a administradora.

Na rua onde Rosa mora, os vizinhos contaram ainda que assaltos acontecem a qualquer hora do dia. Na última quarta-feira, a CIATur prendeu Márcio da Silva Santos, 32 anos, suspeito de praticar vários arrombamentos e furtos no Sítio Histórico de Olinda. Na casa dele foram encontrados diversos objetos de moradores da área, inclusive da casa de Rosa.

Presença das câmeras de segurança não inibe ação dos criminosos

Presença das câmeras de segurança não inibe ação dos criminosos

Além do Carmo, o medo também está nos bairros do Amparo, Varadouro e no Alto da Sé. “Os assaltos estão acontecendo em várias ruas e a qualquer hora. A polícia quase não é vista por aqui”, disse uma moradora do Amparo. Na noite da quarta-feira, cerca de 40 moradores da Cidade Alta participaram de uma reunião com o comandante da CIATur, major Alano Araújo, o secretário de Segurança Urbana de Olinda, Ubiratan de Castro, e representantes da Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca).

“A reunião foi proveitosa. Foi apresentado um documento com todas as demadas dos moradores das ruas que têm registro de assaltos e uma nova reunião ficou marcada para o início do próximo mês. Esperamos que haja uma melhora no policiamento ostensivo e na iluminação pública”, ressaltou o conselheiro Edmilson Cordeiro.

O major Alano Araújo ressaltou que as quatro viaturas e as duas motos da Polícia Militar que fazem rondas 24horas no Sítio Histórico passarão a fazer mais rondas e mais abordagens nas ruas com maiores índices de reclamações. “Vamos reforçar a atenção em três localidades que foram apontadas pelos moradores como pontos inseguros. Nossas viaturas estarão mais presentes na Rua da Bica dos Quatro Cantos, na Rua da Palha, esquina com a Travessa São Francisco e na Avenida Joaquim Nabuco”, detalhou o comandante da CIATur.

Arrombamentos de residências assustam moradores de Casa Amarela

Em pouco mais de um mês, pelo menos oito residências foram arrombadas e invadidas por criminosos nas proximidades da Praça do Trabalho, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife. Em todos os casos, os ladrões fugiram levando objetos das residências, e o que é mais curioso: entraram e saíram dos imóveis sem serem percebidos pelos moradores, que estavam dormindo. Os casos estão sendo investigados pela Delegacia de Casa Amarela.

Moradores da Rua Fernando de Souza Caeté, em Casa Amarela, sofrem com arrombamentos e assaltos (BLENDA SOUTO MAIOR/DP/D.A PRESS)

As constantes ocorrências levaram a população a se precaver contra novas investidas. Reforços nos cadeados e até correntes estão sendo usadas nas grades e portas para tentar impedir as invasões. “Não estamos mais conseguindo dormir. As pessoas estão aterrorizadas. Qualquer barulho que a gente escuta durante a madrugada é motivo para pânico. Na minha casa mesmo os ladrões entraram quando eu e minhas três filhas estávamos dormindo”, conta a dona de casa Helen Mary Ohara, 48 anos. Moradora do local há 16 naos, Helen afirma nunca ter visto nada parecido nas proximidades.

“Há muito tempo, havia alguns problemas na praça, mas a polícia resolveu a situação. Agora os arrombamentos estão assustando. Da minha casa levaram uma TV 42 polegadas, um relógio da minha filha e R$ 800 e até um desodorante que estava na mesa. Só percebi o roubo quando acordei. Agora providenciei reforço nas grades”, diz Helen, que procurou a polícia no dia do roubo.

Alessandra teve notebook e outros objetos roubados (BLENDA SOUTO MAIOR/DP/D.A PRESS)

Na Rua Fernando de Souza Caeté existe uma escola onde há câmeras de monitoramento apontando para a rua. Mesmo assim, os criminosos não se intimidam. “Ninguém pode mais ficar brincando na rua. A situação está feia por aqui”, disse uma adolescente que preferiu não revelar o nome. A contadora Alessandra Albuquerque, 42, também ainda não se recuperou do susto. Quando o seu marido acordou para ir à academia de musculação percebeu que a televisão da sala e uma bicicleta que ficava no terraço não estavam mais em casa.

“Foi um desespero. Minha preocupação maior foi com meus dois filhos que também estavam dormindo quando invadiram a casa.” Em alguns imóveis, os criminosos lancharam e roubaram comida.

Dois suspeitos já foram detidos pela polícia

As denúncias de arrombamentos de casas nas proximidades da Praça do Trabalho começaram a ser investigadas no mês passado. Segundo o delegado Paulo Berenguer, titular da Delegacia de Casa Amarela, dois suspeitos já foram presos e autuados em flagrante por suspeita de envolvimento nos roubos a residências e ainda em assaltos a transeuntes. Um terceiro suspeito já foi identificado.

“Esses casos foram registrados em nossa delegacia e duas pessoas já foram presas no mês passado, em flagrante. Sabemos quem é a terceira pessoa que estava atuando e que ele e o comparsa agiam em uma moto de cor vermelha. Outro homem foi preso sozinho”, detalha o delegado Paulo Berenguer. Segundo a polícia, em geral, as peças mais cobiçadas são aparelhos de televisão e de som. “Eles costumam trocar os produtos furtados por crack”, afirma Berenguer.

Apesar das constantes ocorrências, o delegado ressaltou que nos últimos dois anos a circunscrição da sua delegacia, que abrange oito bairros, teve uma redução de quase 30% nos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) e de 75% no número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs). A Polícia Militar de Pernambuco informou que o comando do 11º BPM tem conhecimento das denúncias e que está trabalhando junto à Polícia Civil na identificação dos suspeitos.

A PM informou que o policiamento é feito por uma viatura da Patrulha do Bairro e que o batalhão está à disposição da comunidade pelo telefone 3183-5474. A assessoria de imprensa da PM ressaltou ainda a importância das queixas pelo número 190 e da formalização dos casos nas delegacias da Polícia Civil.

Donos de quiosques da Avenida Boa Viagem pedem segurança

Proprietários de quiosques da Avenida Boa Viagem relatam que os estabelecimentos têm sido alvos constantes de arrombamentos. Segundo eles, os crimes acontecem sempre de madrugada. Revoltada com mais uma investida, uma comerciante estampou uma faixa na vidraça no estabelecimento pedindo mais segurança na área.

“Como alimentar nossos filhos? Fomos depredados 12 vezes. A quem recorrer?”, informava o cartaz. Segundo comerciantes vizinhos, foram levados três liquidificadores industriais, um notebook e garrafas de uísque.

Comerciante fez protesto contra os furtos. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Comerciante fez protesto contra os furtos. Foto: Wagner Oliveira/DP/D.A Press

Dono da barraca 29, próximo à Ribeiro de Brito, José Marcos da Silveira, 49, diz que perdeu as contas de quantas vezes foi furtado. O último crime ocorreu há um mês. Os ladrões agiram de madrugada e levaram um rádio. “Quando cheguei de manhã, vi que tinham arrombado. Tive um prejuízo de R$ 250, sem contar com os outros arrombamentos”, disse.

Segundo ele, a fragilidade dos quiosques é uma das facilidades para a ocorrência dos furtos. “É um material muito fraco. Até a esquadria de alumínio é de segunda. Fizeram uma reforma e meu vidro já está caindo”, afirmou Silveira. A requalificação das barracas foi feita em maio, em preparação para Copa do Mundo de 2014. A estrutura delas utiliza, em sua maioria, vidro.

Em nota, a Emlurb informou que realizou outras reformas entre 2009 e 2011. “Essas ações contaram com a parceria do Ministério do Turismo e, para o financiamento das obras, era necessário que o projeto original não fosse alterado, ou seja, os equipamentos não poderiam ser modificados. As obras foram fiscalizadas pela Caixa Econômica Federal”.

De acordo com o delegado Manuel Martins, a polícia está colhendo imagens de câmeras de segurança para identificar suspeitos e efetuar prisões em flagrantes. Ele informou que de 2013 para 2014 houve redução de 12% no número de furtos na AIS3, que engloba vários bairros como Boa Viagem, Jordão e Pina. Já a Polícia Militar não respondeu à solicitação do Diario sobre o assunto.

Arrombamentos e roubos viram moda no bairro do Pina

Nem mesmo uma viatura permanente na esquina da Rua Tomé Gibson com a Avenida Domingos Ferreira e os carros da Patrulha do Bairro que circulam pelo Pina são suficientes para garantir tranquilidade aos moradores e comerciantes da localidade. Os casos de furtos, assaltos e arrombamentos estão virando rotina na área. De mãos atadas, a população espera que a polícia tome as providências e combata a criminalidade na região. A seguir, na matéria publicada no Diario de Pernambuco deste sábado, você vai ver o que dizem os moradores sobre a violência no local. O texto é do repórter Raphael Guerra e as fotos de Annaclarice Almeida.

Casas e lojas da Rua Tomé Gibson, na Zona Sul do Recife, têm sido invadidas com frequência na localidade (ANNACLARICE ALMEIDA/DP/D.A PRESS)

Uma onda de furtos a residências e assaltos a estabelecimentos comerciais está assustando moradores da Rua Tomé Gibson, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. No último mês, sempre no horário da madrugada, pelo menos seis imóveis teriam sido invadidos por um ou dois criminosos. Um restaurante bastante frequentado da localidade também foi alvo de investidas quatro vezes à noite. Em uma delas, clientes foram rendidos e tiveram seus pertences levados. As vítimas relataram ao Diario que já pediram ajuda à Delegacia de Boa Viagem para investigar os casos. No entanto, o delegado titular Paulo Berenguer, disse que, até ontem, nenhuma queixa sobre os crimes havia sido registrada.

Casa de Ozéas de Oliveira foi invadida por uma dupla (ANNACLARICE ALMEIDA/DP/D.A PRESS)
Casa de Ozéas de Oliveira foi invadida por uma dupla

Dono de um mercadinho e da Central da Picanha Restaurante e Pizzaria, ambos na Tomé Gibson, o comerciante Weden Bezerra, 39 anos, já soma mais de R$ 5 mil em prejuízos. Os dois estabelecimentos foram assaltados. “Recentemente, três homens entraram armados, sem capuz, e renderam os clientes e funcionários do restaurante”, contou o comerciante. “Outra vez vi, meu mercadinho sendo furtado. Telefonei na mesma hora para a polícia, mas nenhum suspeito foi capturado”, completou.

O soldador Ozéas de Oliveira, 23, contou que dois homens pularam o muro de sua casa enquanto ele dormia. O barulho fez com que ele acordasse e presenciasse a fuga de um deles com um bujão de gás. “Ele é alto, magro e com muitas tatuagens pelo corpo”, descreveu. Outro comerciante de 50 anos, que preferiu não se identificar, relatou que, por duas vezes, bandidos pularam o muro da residência dele para furtar objetos. Numa das investidas, ele teve o carro arrombado. “Decidi aumentar a altura das paredes para evitar novos casos. Não tenho mais condições de ficar acordado, todas as noites, esperando os bandidos chegarem”, disse.

Weden Bezerra já soma um prejuízo de R$ 5 mil (ANNACLARICE ALMEIDA/DP/D.A PRESS)
Weden Bezerra já soma um prejuízo de R$ 5 mil

A segurança da localidade é de responsabilidade do 19º Batalhão da PM, que tem apoio de policiais com motocicletas e da Patrulha do Bairro. Por meio de nota, o comandante da área, tenente-coronel João da Silva Neto, informou que “não tem conhecimento desse tipo de criminalidade, porém, de posse dessa informação, irá aumentar a segurança a partir do incremento no policiamento”, afirmou. A PM recomendou que os moradores e comerciantes entrem em contato pelo telefone 3181-3573, para denunciar novos casos ou tirar dúvidas. Outra possibilidade através do Disque-Denúncia, pelo telefone 3421-9595.