Ladrões de prédios de luxo tinham lista de apartamentos para furtar

A Polícia Civil está tentando identificar os dois fugitivos comparsas de uma dupla de assaltantes que foi detida furtando objetos de um apartamento do Edifício Akrópolis, na Avenida Boa Viagem. O crime aconteceu no início da tarde da quarta-feira. Segundo o delegado Carlos Couto, que investiga o caso, a quadrilha veio de São Paulo com uma lista de apartamentos para invadir e praticar furtos no Recife.

Edifício Akrópolis foi invadido na quarta-feira. Foto: Ricardo Fernandes/DP

Edifício Akrópolis foi invadido na quarta-feira. Foto: Ricardo Fernandes/DP

“Esses suspeitos usavam informações de bancos de dados da internet e imagens do Google Street View para escolher seus alvos”, explicou Couto. Ainda segundo a polícia, o grupo é especializado em ações em prédios de luxo e pode ter praticado outros dois furtos no Recife recentemente.

“Até agora, sabemos que quatro pessoas participaram do crime em Boa Viagem e estamos trabalhando na identificação dos dois que conseguiram escapar. A quadrilha costumava agir em outros estados do Brasil. Como em São Paulo esse tipo de crime já está ‘batido’, eles começaram a atuar em outros locais. Dois deles têm passagem pela polícia em Belo Horizonte e Rio de Janeiro, onde chegaram a ser presos”, ressaltou o delegado. Ainda de acordo com o Couto, o grupo estava no Recife desde o dia 12.

Há cerca de uma semana, eles monitoravam o Akrópolis. “Da orla eles acompanhavam as luzes do edifício para saber a rotina dos moradores. Aqueles que passavam dias sem ter as luzes acesas indicavam que não havia moradores. O grupo ainda telefonava várias vezes para os apartamentos. Eles descobriam que a moradora do Akrópolis estava viajando”, contou.

Para conseguir entrar no edifício considerado de luxo, os suspeitos se passaram por sobrinhos da moradora. Um dia antes, uma mulher, também integrante do grupo, telefonou para o prédio informando que dois sobrinhos dela estariam em seu apartamento. O porteiro do edifício acompanhou os passos dos dois rapazes e percebeu que estavam furtando o imóvel. Eles foram detidos por funcionários do edifício, que acionaram a polícia.

Com a dupla foram encontradas duas chaves de fenda e uma bolsa contendo todo o material furtado do apartamento. Na bolsa, estavam 22 relógios e várias joias. “Essa quadrilha tem foco também em apartamentos onde moram pessoas orientais”, destacou o delegado.

Polícia fará reconstituição da morte de menino que caiu de prédio

Polícia Civil deverá fazer, nos próximos dias, uma reprodução simulada para entender como aconteceu a queda que resultou na morte de uma criança de seis anos que caiu do 21º andar de um prédio em Boa Viagem, na Zona Sul, do Recife, na tarde de ontem. Já na tarde desta terça-feira, os pais de Matteo Melaragni, 6 anos, um casal de italianos, vai prestar depoimento na Delegacia de Boa Viagem.

Delegado Carlos Couto falou hoje sobre o caso. Foto: Wagner Oliveira/DP

Delegado Carlos Couto falou hoje sobre o caso. Foto: Wagner Oliveira/DP

A tela de proteção do quarto de onde caiu o estudante do edifício Sun Park, do condomínio Evolution Park Shopping, em Boa Viagem cedeu, mas estava intacta e sem cortes. Além disso, o delegado responsável pelo caso, Carlos Couto, afirmou que irá solicitar uma perícia complementar para apontar a causa do acidente e as condições da rede de proteção. Informações preliminares revelam que uma das partes da rede não estaria encaixada num gancho.

Morte aconteceu no Edifício Sun Pak. Foto: Rafael Martins/ Esp. DP

Morte aconteceu no Edifício Sun Pak. Foto: Rafael Martins/ Esp. DP

No entanto, para a Polícia Civil, a hipótese de acidente é a mais provável para a morte do menino. Só o resultado da perícia feita pelo Instituto de Criminalística (IC) no local, porém, confirmará se os ganchos da rede de proteção apresentavam falhas.

“Eventualmente foi uma falha na rede de proteção instalada no quarto onde o menino estava. A mãe estava em casa, juntamente com o outro filho pequeno. Ela teria colocado Matteo para dormir e foi para a cozinha quando foi surpreendida por uma ligação do porteiro, que interfonou avisando que o menino estava lá embaixo. Posso dizer que a tela do cômodo estava intacta. Boatos que circularam no Whatsapp afirmavam que a tela estava cortada, mas essa informação não procede. ”, disse o delegado.

A família de Matteo morava há dois anos no apartamento 2104 da torre Sun Park do condomínio localizado na Rua Padre Carapuceiro. A queda aconteceu por volta das 15h de ontem. O corpo do menino foi encontrado entre palmeiras no gramado do prédio. “Uma equipe do Samu esteve aqui e médicos do Shopping Recife também vieram e tentaram reanimar o menino, mas ele já estava sem vida”, disse uma testemunha que não quis ser identificada.

A mãe dele, a italiana Roberta Valente, estaria em casa. O irmão mais novo, de 4 anos, também estaria no apartamento. A provável última foto de Matteo foi postada no Facebook pela mãe às 8h42 de ontem. Na imagem, o menino aparece sentado em um sofá, ao lado do irmão mais novo e de um boneco do herói Homem de Ferro. Na legenda, a mãe escreveu “Que vida!” em italiano.

Moradores do condomínio contaram que a notícia da queda do menino foi dada aos pais pelo porteiro do prédio. “Um dos moradores viu que ele tinha caído e comunicou ao porteiro, que interfonou para o apartamento”, contou a empresária Julianne Luna, 29. Outro morador, que não quis se identificar, disse que o pai de Matteo, Marco Melaragni, chegou ao condomínio de moto. “Nunca vi uma pessoa descer tão rápido de uma moto. Ela ainda estava em movimento quando ele se jogou dela e começou a gritar. Os gritos e o choro duraram uns dois minutos”, relatou.

O pai do menino é funcionário do grupo Fiat Chrysler Automobiles e veio ao Brasil para implantar a fábrica de Goiana, Mata Norte do estado. A família retornaria à Itália em julho. Enquanto a equipe policial estava no prédio, Marco desmaiou duas vezes. A mãe não teve condições de prestar depoimento e foi amparada por amigos italianos que também vivem no condomínio.

Perícia do Instituto de Criminalística confirma pirâmide na Priples

Uma perícia contábil realizada pelo Instituto de Criminalística (IC) em três livros com as anotações da movimentação da Priples comprovou que a empresa funcionava no esquema de pirâmide financeira, modelo de negócio que é considerado crime contra a economia popular e proibido por lei no Brasil desde 1957.

Fundador da empresa acumulou fortuna de R$ 71 milhões com promessa de lucro rápido pela internet (BLENDA SOUTO MAIOR/DP/D.A PRESS - 5/7/13)

A investigação iniciada no final do mês de maio do ano passado e conduzida pela Delegacia do Ipsep conseguiu obter na Justiça o bloqueio dos bens e das contas bancárias dos proprietários e da empresa, o que se mantém até hoje.

“Não restam mais dúvidas. Além de já termos provado o esquema, conseguimos também a prova técnica de que a Priples funcionava em esquema Ponzi (pirâmide). Segundo o laudo pericial, 99,9% do dinheiro que entrava na empresa eram provenientes do recebimento de novas adesões”, afirmou o delegado Carlos Couto Ferraz. O laudo pericial assinado pelo perito criminal Carlos Barreto de Freitas analisou as anotações dos meses de abril, maio e junho de 2013.

No pedido de análise feito pela Polícia Civil, o delegado Carlos Couto questionou, entre outros pontos, se sem as receitas advindas do recebimento de “usuários sem compra de espaço na página para publicidade do Portal Priples” a empresa poderia oferecer aos clientes rendimentos de 60% ao mês sobre os valores investidos e se a empresa possuía outra fonte de renda. As respostas foram negativas.

Segundo o advogado Fernando Lacerda, que atua na defesa do proprietário da Priples, eles não irão comentar sobre o laudo pericial do IC, porque ainda não tiveram acesso ao documento. “Conversei com Henrique e ele ressaltou que a empresa não cobrava taxa de inscrição nem adesão aos clientes. As pessoas podiam se cadastrar sem custos, tornando-se um simples divulgador”, explicou Lacerda.

Leia matéria completa na edição impressa do Diario de Pernambuco desta terça-feira

Dono da Priples deve ser encaminhado para o presídio

Depois de ter sido preso na manhã deste sábado, junto com sua esposa, em casa, no bairro de Boa Viagem, no Grande Recife, o empresário Henrique  Maciel  Carmo de Lima, dono da empresa Priples, deve ser encaminhado para o Centro de Triagem e Observação Criminológica (Cotel), em Abreu e Lima. Henrique prestou depoimento ao delegado Carlos Couto, titular da Delegacia do Ipsep, que está investigando as denúncias contra a empresa.

Henrique será levado para o Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro, para realizar exame de corpo de delito. O empresário chegou à delegacia por volta das 11h20 acompanhado pelo delegado. Os dois entraram pela porta dos fundos. Carlos Couto, responsável pelo caso, disse que deve falar com a imprensa ainda neste sábado.

O empresário, suspeito  de crime contra a economia popular e formação de esquema  de pirâmide financeira, foi preso em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. Ele e sua esposa foram detidos em casa. Mirelle Pacheco também será submetida aos exames no IML e deverá ser encaminhada para a Colônia Penal Feminina, no bairro do Engenho do Meio, no Recife.

Além dos mandados de prisão, a polícia ainda cumpriu seis mandados de busca e apreensão. Na residência do casal foram apreendidos uma quantia não revelada em dólares e três carros de luxo, entre eles um Camaro e uma Freemont.

Priples – A empresa pernambucana prometia remuneração de 2% ao dia durante um ano ao usuário que responder perguntas de conhecimentos gerais. Sendo assim, o lucro da empresa viria do cadastramento de pessoas, o que caracteriza a formação de pirâmide financeira. A polícia recebeu queixas contra a Priples sobre o não    pagamento dos rendimentos no dia previsto. Há também denúncias dos usuários por não conseguirem localizar a sede física da empresa.

Em depoimento prestado à polícia em julho passado, Henrique Maciel afirmou que a empresa não prometia ganhos financeiros e, sim, crédito de publicidade digital. Henrique afirmou ainda que quem promete pagamento em dinheiro são os usuários.

Com informações do Diario de Pernambuco e da TV Clube