Pacto pela Vida será “enterrado” na Praia de Boa Viagem

Para protestar contra o aumento de assaltos, arrombamentos, explosões bancárias e as condições de trabalho para policiais e bombeiros militares de Pernambuco, a Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados (ACS/PE) realizará nesta quarta-feira (18), às 14h, na Praia de Boa Viagem, o “sepultamento” do Programa de Segurança Pública, Pacto Pela Vida. “Todos os dias assistimos aos índices de violência aumentar em Pernambuco, o que é inadmissível”, disse Albérisson Carlos, Presidente da ACS-PE.

Policiais civis já fizeram protesto semelhante. Foto: Teresa Maia/DP

Policiais civis já fizeram protesto semelhante. Foto: Teresa Maia/DP

“Tudo isso passa pelo despreparo e desrespeito das autoridades para com os policiais e bombeiros Militares de Pernambuco – nossas condições de trabalho são precárias, e não há valorização profissional. Os Policiais merecem respeito e melhores estruturas para poderem desempenhar seus serviços de forma digna e honrada”, completou Albérisson.

Segundo a ACS-PE, o “enterro” do Pacto Pela Vida será realizado na Praia de Boa Viagem, onde serão colocadas, na areia, mais de 700 cruzes simbolizando as vítimas da violência em Pernambuco, incluindo policiais e bombeiros militares mortos nos últimos meses. A concentrarção será em frente ao Hotel Internacional Palace.

Policiais Militares esperam pelo Plano de Cargos e Carreiras

Mesmo com o anúncio da promoção de cerca de cinco mil policiais e bombeiros militares feito no mês passado pelo governo do estado, os policiais militares de Pernambuco seguem trabalhando insatisfeitos. Em entrevista na manhã desta terça-feira, na Rádio Globo Recife AM 720, no programa Em foco, apresentado pelo jornalista Aldo Vilela, representantes de duas associações afirmaram que os militares almejam a implantação do Plano de Cargos e Carreiras na corporação.

Programa foi ao ar nesta terça-feira. Foto: Alex Bodogá/DP/D.A Press

Programa foi ao ar nesta terça-feira. Foto: Alex Bodogá/DP/D.A Press

Participaram do debate o presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS), cabo Alberisson Carlos, e o presidente da Associação dos Militares de Pernambuco (AME), capitão Wladimir Assis. Apesar de insatisfação generalizada da categoria, segundo os dois presidentes, não existe ainda nenhuma possibilidade de paralisação. “A tropa está muito insatisfeita com a situação atual. Estamos esperando que o governo mostre novas propostas. O pacote de bondade apresentado até agora não agradou”, afirmou o Alberisson.

Ainda no debate que durou uma hora, os representantes dos militares falaram sobre a falta de efetivo de policiais nas ruas. “O efetivo atual da PM é de 19,7 mil homens, mas se você for na rua agora não vai contabilizar mais do que dois mil PMs. Do total de ativos existem pessoas de férias, gente de folga, aqueles que trabalham em serviço interno e ainda alguns policiais que estão de licença médica”, ressaltou capitão Assis.

Segundo os presidentes das duas associações, cerca de 600 policiais militares deixam a corporação todos os anos. Esse número é a soma das pessoas que se aposentam e daquelas que deixaram a polícia porque passaram em outros concursos. “Temos um dos piores salários do Brasil. Como a polícia não é atrativa, muita gente acaba partindo para outras oportunidades”, ponderou Alberisson. Um salário inicial para um soldado da PM atualmente é de R$ 2.819.

Fórum no Recife vai discutir assuntos polêmicos ligados à segurança pública

A Associação Pernambucana de Cabos e Soldados (ACS-PE) está promovendo desta quarta até a próxima sexta-feira (28), no Recife Praia Hotel, em Boa Viagem, o IX Fórum Nacional de Entidades Representativas da Polícia Militar e dos Bombeiros Militares.

O evento contará com a participação de 20 entidades de todo o Brasil que discutirão assuntos que estão sendo tratados pelas associações, como a desmilitarização da Polícia Militar, o ciclo completo da polícia, voto em trânsito, código de ética e a criação do Ministério de Segurança Pública.

Os dois primeiros dias do evento serão fechados para as associações participantes. “A nossa ideia é unificar a pauta de reivindicações nacional, além de trocar experiências de como está sendo realizado o trabalho em cada estado. No terceiro dia, vamos abrir para todos os policiais do estado. Esperamos mais de 300 participantes durante todo o dia”, comentou o presidente da ACS-PE, Alberisson Carlos.

Na sexta-feira, serão discutidas as Propostas de Emendas Constitucionais (PECs) 024 e 300. A PEC 024 cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Segurança Pública, que tem como objetivo melhorar as condições de atuação das forças policiais estaduais.